LIBRAS II Professora carolina

LIBRAS II Professora carolina

(Parte 1 de 3)

Professora conteudista/pesquisadora: CAROLINA HESSEL SILVEIRA Acadêmica: JULIANA CORRÊA DE LIMA

Carga Horária: 30h/2 créd.

Resumo

ouvintes no Brasil

Nesta disciplina, assim como nas demais, serão estudados assuntos pertencentes ao seu respectivo programa, porém a ementa referente a esta disciplina foi pensada e planejada anteriormente à reforma de conteúdos relacionados ao estudo da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Lembre-se de que a Libras é uma língua e, como todas as outras, é dinâmica, sofrendo alterações no decorrer do tempo e do espaço, bem como em conseqüência do próprio processo interativo. Esta disciplina visa a proporcionar conhecimentos lingüísticos sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), para que você seja capaz de usá-los nas interações comunicativas com as comunidades surdas. A LIBRAS é uma das muitas línguas de sinais que utilizam a modalidade visual-espacial, pois se vale da visão para captar a mensagem e os movimentos, principalmente das mãos. Para transmitir informações, possui gramática própria, o que a constitui em uma língua propriamente dita, pois contém estrutura lingüística, léxico, configuração de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação-direcionalidade, expressão facial e corporal próprias. Nesta disciplina, iremos conhecer a base gramatical da LIBRAS, língua usada por muitos surdos e Palavras-chave: Educação de Surdos, Aspectos Lingüísticos, Língua de Sinais

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Unidade A – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Existem vários tipos de gramática; por isso, é importante saber a base da gramática da LIBRAS, ler livros que abordam esse tema e estar sempre pesquisando, além de entrar em contato com surdos em vários locais diferentes como: em escolas, em associações, em universidades, em igrejas. Do mesmo modo, é preciso entrar em contato com surdos em idade avançada, com surdos que vivem no interior, que receberam ensino ou não, com surdos que vivem em outros Estados do Brasil, etc. Esse conhecimento é necessário, porque cada grupo de surdos possui seu dialeto; os surdos com idade avançada, por exemplo, possuem alguns sinais antigos que hoje não são mais usados.

Também é importante conhecer a estrutura lingüística da LIBRAS, mas, é claro, deve-se saber que essa estrutura não é a mesma da Língua Portuguesa. Na verdade, são estruturas bem diferentes. Portanto, não adiantaria tentar usar a LIBRAS com a estrutura do português, pois assim o “brilho” da comunicação seria perdido.

A.1 – O que é sinal?

O sinal, dentro da Língua de Sinais, representa o conjunto de configuração de mãos, de ponto de articulação e de movimento que expressa um significado próprio e pré-determinado, formando assim um meio de comunicação que se constitui em uma língua. Esses elementos se referem aos parâmetros principais dessa língua, a qual ainda conta com os parâmetros secundários, que correspondem à disposição e orientação das mãos e à região de contato. A Língua de Sinais é produzida pelas mãos, sendo complementada por movimentos faciais e corporais. Esta língua ainda possui como recurso os classificadores1, os quais auxiliam na construção de sua estrutura sintática.

Essa língua que, no Brasil, denomina-se LIBRAS (abreviatura que corresponde a

Língua Brasileira de Sinais) é a língua própria dos surdos que aqui vivem, sendo assim sua língua materna. Os surdos adquirem a Língua de Sinais de forma natural, logo esta deve ser sua primeira língua.

1 (ASSUNTO) Classificador: para conhecer mais sobre este assunto, leia Por uma gramática de Língua de Sinais, de Lucinda Ferreira Brito (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; UFRJ, Departamento de Lingüística e Filologia, 1995).

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Segundo Quadros (2004), as Línguas de Sinais são consideradas línguas naturais e, conseqüentemente, compartilham uma série de características que lhes atribui caráter específico e as distingue dos demais meios de comunicação.

A Língua de Sinais é uma língua de modalidade gestual-visual2, tendo sua estrutura diferenciada da estrutura da Língua Portuguesa, que tem por base o campo oral-auditivo3. Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos.

Assim como as línguas orais, a LIBRAS possui sua estrutura gramatical própria, contemplando todos os requisitos para a sua oficialização como língua.

A Língua de Sinais não é universal. Além disso, a Língua de Sinais pode variar de acordo com as diferentes regiões de um mesmo país. No caso do Brasil, a Língua de Sinais é a LIBRAS. Por exemplo: a Língua Portuguesa é diferente da Língua Inglesa; da mesma forma, a Língua Brasileira de Sinais difere da Língua de Sinais própria dos países de Língua Inglesa, como os Estados Unidos.

Através da LIBRAS, os surdos brasileiros irão adquirir sua linguagem, assim como os ouvintes que vivem no Brasil construirão sua linguagem através da Língua

Portuguesa.

Vejamos agora características da LIBRAS, segundo Brito (1995) e Quadros (2004).

A.2 – Estrutura lingüística da LIBRAS

Como já foi mencionado, a LIBRAS possui uma estrutura gramatical própria, sendo composta por parâmetros principais, os quais são: a configuração da(s) mão(s)

(CM), o movimento (M) e o ponto de articulação (PA); e por parâmetros secundários, que são a disposição das mãos, a orientação das mãos e a região de contato. A LIBRAS não pode ser analisada tendo-se por base a Língua Portuguesa pelo fato de possuírem gramáticas diferenciadas. A estrutura da Língua de Sinais segue a ordem

2 (GLOSSÁRIO) Gestual-visual: utiliza meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão (QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. B, 2004).

3 (GLOSSÁRIO) Oral-auditivo: utiliza meio de comunicação e sons articulados que são percebidos pelos ouvidos (QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. B, 2004).

PDF created with pdfFactory Pro trial version w.pdffactory.com da forma como são processadas as idéias do pensamento do surdo, baseadas em sua perspectiva visual-espacial da realidade. Ainda sobre as diferenças entre as línguas, na LIBRAS, não são usados artigos, preposições, conjunções e demais elementos de ligação.

A.3 – Léxico ou vocabulário de LIBRAS

Na LIBRAS, existem palavras que são soletradas manualmente, forma que pode ser comparada a um empréstimo da Língua Portuguesa, ou seja, a um empréstimo lingüístico. Essas formas são consideradas léxicos não-nativos. O léxico nativo corresponde aos sinais que utilizam classificadores.

Figura1: desculpe

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Figura 2:obrigada

A.4 – Configuração de mãos (CM)

A oficialização da configuração das mãos começou a ser formada com base nos dados coletados nas principais capitais do Brasil. A configuração de mãos representa a forma que a mão assume durante a realização de um sinal. Existem, ao todo, 46 configurações de mão4 em LIBRAS, e elas podem ser diferenciadas pela extensão (lugar e número de dedos estendidos), pela contração (mão fechada, mão aberta) e pelo contato ou divergência dos dedos, os quais podem variar, apresentando uma mão configurada, uma mão configurada sobre a outra, que lhe serve de apoio (por exemplo: “depois”), ou duas mãos configuradas de forma espelhada (por exemplo: “nascer”, ou “fim”).

4 (ASSUNTO) Configurações de Mão: A quantidade das configurações de mão depende das pesquisas lingüísticas; algumas afirmam que são 61 (Jogo Educativo “Configurações de mãos em LSB”, produto disponível na loja LSB Vídeo), outras afirmam que são 64 (jogo “Configuração de Mãos”, produto disponível no Vídeo LIBRAS).

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Figura 3:água....
Figura 4:trabalhar

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7 Veja as imagens a seguir, referentes às quantidades de configurações de mãos:

Figura 5: diferentes configurações de mãos

BRITO, 1995, http://www.lsbvideo.com.br/default.php e http://www.videolibras.hpg.ig.com.br/

A.5 – Ponto de articulação5 (PA)

Na efetivação da Língua de Sinais, o ponto de articulação se refere ao local, no corpo do sujeito falante da língua ou na área definida pelo corpo, onde será realizado o sinal. Assim, uma maior especificação da posição é necessária, já que a região no espaço é muito ampla. Esse espaço é limitado e vai desde o topo da cabeça até a cintura, sendo que alguns pontos de articulação são mais precisos. As especificações dividem o corpo das pessoas em cabeça, tronco, braços, mãos, e também em outras pequenas partes como olhos, pescoço, pulso, palmas, etc.

Alguns adjetivos explicam ainda mais o ponto. São aqueles que especificam a subdivisão do corpo em questão (lado direito, esquerdo, interno externo, etc.), além

5(ASSUNTO) Ponto de Articulação: também é usado para esse termo o nome PONTO DE LOCAÇÃO (cf. QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. B. Língua de Sinais Brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre. Artes Médicas. 2004).

PDF created with pdfFactory Pro trial version w.pdffactory.com daqueles que informam se há o contato ou distância quando são realizados (imediatamente, próximo, em contato, distante, etc). Veja a imagem abaixo:

Figura 6:água...

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Figura 7:desculpe

A.6 – Movimento

Movimento representa o deslocamento de uma ou de ambas as mãos no espaço, durante a realização do sinal, abrangendo também o pulso e o antebraço. O movimento pode demarcar o sinal devido a sua freqüência ser marcada ou não por repetições, pela direção ou pelas diferentes formas de concretização do sinal, como por ligação ou separação. Para que seja realizado o sinal, é preciso haver um objeto e um espaço. As mãos do enunciador representam o objeto, enquanto que o espaço em que o movimento se realiza é a área em torno do corpo dessa pessoa. O movimento pode ser analisado através do tipo (variações que as mãos, os pulsos e os antebraços podem assumir durante o movimento), da direção (unidirecional, bidirecional ou multidirecional), da maneira (qualidade, tensão e velocidade) e da freqüência do sinal (movimentos simples ou repetidos). Compreenda melhor a análise dos movimentos por meio dos desenhos a seguir:

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Figura 8:água...
Figura 9:trabalhar

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A.7 – Orientação / Direcionalidade

Orientação – ou direcionalidade – refere-se à direção tomada pela mão na realização de determinado sinal. Pode-se direcionar a palma da mão para cima, para baixo, para dentro, para fora, para a direita, para a esquerda ou na diagonal. Os sinais possuem uma direção, e a inversão desta pode significar idéia de oposição, de contrariedade ou de concordância número-pessoal, como ocorre com os sinais AVISAR e ME AVISAR, GOSTAR e NÃO GOSTAR. Contudo, não são todos os sinais que possuem direcionalidade. Há alguns que não a possuem. Observe:

Figura 10:avisar...

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Figura 1:me avisar.

A.8 – Expressão facial e/ou corporal

Tanto a expressão facial, quanto o movimento realizado pelo corpo, podem ser considerados elementos não-manuais. Ou seja, além dos parâmetros principais e secundários, os não-manuais participariam também da língua, tendo por objetivo a diferenciação de significados e a marcação na construção sintática da língua. Assim como os ouvintes usam a voz com tonalidades (quando estão muito bravos ou pouco bravos, por exemplo), os surdos usam a expressão facial. Observe as imagens:

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Figura 12: alegre ( - -fraco; - + médio; + + forte)
Figura 13: cansado ( - -fraco; - + médio; + + forte)

13 TIPOS DE FRASES EM LIBRAS

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Na Língua de Sinais, são usadas expressões faciais e corporais na estruturação das frases. Para se perceber se determinada frase expressa afirmação, interrogação, exclamação ou negação, é necessário observar-se a expressão facial e a expressão corporal utilizadas em determinados sinais, na realização da frase. Essas expressões são comuns na comunicação dos surdos, fazendo parte da sua língua. Veja alguns exemplos no vídeo.

VOCÊ SABE LIBRAS. (Expressão neutra) VOCÊ SABE NÃO LIBRAS. (Expressão de negação) VOCÊ SABE LIBRAS? (Expressão de interrogação/dúvida) VOCÊ SABE LIBRAS! (Expressão de surpresa)

Atividade (veja o vídeo): No vídeo, aparecerá uma figura para cada pergunta. Em seguida, a professora sinalizará os sinais. Observe o vídeo e marque a alternativa correta. Envie as respostas através do ambiente virtual, conforme orientações do professor da disciplina.

Acerte qual é a Configuração de Mão correspondente a cada figura apresentada, colocando a, b ou c.

Configurações de mãos 1. Qual é a Configuração de Mão referente a esta figura? 2. Qual é a Configuração de Mão referente a esta figura? 3. Qual é a Configuração de Mão referente a esta figura? 4. Qual é a Configuração de Mão referente a esta figura? 5. Qual é a Configuração de Mão referente a esta figura? Ponto de Articulação

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1. Qual é o sinal que se localiza no espaço neutro? 2. Qual é o sinal que se localiza no queixo? 3. Qual é o sinal que se localiza na testa? 4. Qual é o sinal que se localiza no tronco?

Movimento 1. Qual é o sinal que tem movimento? 2. Qual é o sinal que não tem movimento?

Orientação / Direcionalidade

1. Qual é o sinal correto para “avisar” e para “me avisar”? 2. Qual é o sinal que tem direcionalidade? 3. Qual é o sinal que não tem direcionalidade?

Expressão facial 1. Qual é a expressão facial para “desconfiada”? 2. Qual é a expressão facial para “sono”? 3. Qual é a intensidade forte da expressão facial do sinal “risada”? 4. Qual é a expressão interrogativa? 5. Qual é a expressão afirmativa?

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16 6. Qual é a expressão exclamativa?

Atividade da Unidade A:

Caro aluno, para encerar esta unidade, propõe-se que você leia: KARNOPP,

L.B. Língua de Sinais na Educação dos Surdos. In: Adriana da Silva Thoma e Maura Corcini Lopes. A Invenção da Surdez: cultura, alteridade, identidades e diferença no campo da educação. Santa Cruz: EDUNISC, 2004.

Após a leitura, disponibilize suas impressões na ferramenta biblioteca, conforme as orientações do professor disponíveis na agenda da disciplina.

Referências da Unidade A:

BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de Língua de Sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; UFRJ, Departamento de Lingüística e Filologia, 1995.

KARNOPP, L.B. Língua de Sinais na Educação dos Surdos. In: THOMA, Adriana da Silva; LOPES, Maura Corcini. A Invenção da Surdez: cultura, alteridade, identidades e diferença no campo da educação. Santa Cruz: EDUNISC, 2004.

QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. B. Língua de Sinais Brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004.

Sites Indicados: http://www.lsbvideo.com.br/default.php http://www.videolibras.hpg.ig.com.br/

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Unidade B – GRAMÁTICA I

Esta unidade tem como objetivo apresentar aos alunos os pronomes (pessoais, demonstrativos, possessivos, interrogativos) que são usados na LIBRAS.

Para isso, serão citados exemplos, como também serão propostos exercícios que ajudarão na fixação dos elementos estudados e que elucidarão o conteúdo abordado. Além disso, trabalharemos também com os numerais cardinais.

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