História do Estado do Espírito Santo

História do Estado do Espírito Santo

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A História do Espírito Santo é um domínio de estudos de história do Brasil, focado na evolução do território e da sociedade capixabas que, canonicamente, se estende desde a tomada de posse da Capitania do Espírito Santo pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho, em 1535, até os dias atuais. No entanto, este artigo também contém informações sobre os primeiros habitantes do Espírito Santo, ou seja, o período em que não houve registros escritos sobre as atividades aqui desenvolvidas pelos povos indígenas.

A história capixaba começou em 23 de maio de 1535, quando os colonizadores portugueses, chefiados pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho, desembarcaram na Capitania do Espírito Santo. Nesse mesmo ano, foi fundada a povoação de Vila Velha, primeiro núcleo populacional da capitania. Na tarefa de catequese dos índios da região, destacou-se a figura de José de Anchieta, que lá morreu em 1597.

Houve um grande período neste meio tempo ao qual muitos desconhecem, em que o Espírito Santo foi anexado à Bahia, tendo portanto a capital sediada em Salvador.

A proibição da mineração nas Minas Gerais e a presença de tribos hostis no interior contribuíram para que o Espírito Santo se mantivesse por muito tempo como uma capitania essencialmente litorânea. Apenas na segunda metade do século XIX, essa situação modificou-se graças à expansão da lavoura cafeeira. O café, penetrando no extremo sul do estado, proveniente do Rio de Janeiro, garantiu o povoamento do interior.

O plantio do café foi ainda a principal atividade dos imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, que introduziram o regime da pequena propriedade na região serrana. A ocupação do extremo norte ocorreu no início do século XX, graças às primeiras plantações de cacau, estabelecidas por fazendeiros baianos. Mas foi apenas em 1963 que o Espírito Santo adquiriu sua atual configuração geográfica, com a solução da antiga disputa entre o Estado e Minas Gerais, relativa à posse da região da Serra dos Aimorés. Pelo acordo, a região foi dividida entre os dois estados.

Atualmente, o Espírito Santo conta com trunfos valiosos na arrancada para o desenvolvimento econômico: uma privilegiada localização geográfica, riquíssimas reservas de minerais radioativos no litoral, um dos maiores portos de minério do mundo e a segunda maior produção de petróleo do Brasil

Os primeiros habitantes

No início do século XVI, a região do atual Estado do Espírito Santo era habitada por índios do grupo tupinambá, os temiminós, dispersos por quase todo o território, e do grupo , os aimorés e os goitacás. Os aimorés eram índios bravios, que, ao que parece, habitavam a serra que tem seu nome. Os goitacás espalhavam-se pelo sul do Espírito Santo até as atuais cidades de Campos e Cabo Frio, já no Rio de Janeiro.

As primeiras expedições

A primeira expedição a explorar o litoral do Espírito Santo saiu de Portugal em 1501, pois trazia a bordo o navegador Américo Vespúcio. Em 1502, partia outra expedição, Estevão da Gama descobriu a ilha da Trindade, a 1.140 km da costa do Espírito Santo. Durante as três primeiras décadas do século XVI não houve qualquer iniciativa de colonização da região.

Inicio da Colonização

Apesar da resistência movida pelos indíos, Vasco Fernandes Coutinho desembarcou em uma enseada (atual Prainha - Vila Velha) onde foi erguida uma habitação rudimentar (uma paliçada - leve fortificação) e nas imediações oficialmente fundada a vila do Espírito Santo (primeiro núcleo de Povoamento do ES). Próximo a residência do donatário foi erguido o primeiro engenho - Sítio do Ribeiro.

Vasco Fernandes Coutinho ausentou-se em várias oportnidades (1540, 1550, 1558), sempre buscando recursos para dar continuidade à empresa colonizadora. O autoritarismo dos sesmeiros e a resistência dos indios desordenou a Capitania.

Em 1551, um ataque indígena à Vila do Espirito Santo destruiu a sede. Por questões de segurança, oficializou-se a transferência da sede do governo para Vila de Nossa Senhora da Vitória, antiga Ilha de Santo Antônio. Nesse contexto, a antiga sede, então destruida, recebeu novos colonos e ficou conhecida como Vila Velha. A economia da Capitania girava em torno da cana, mandioca, algodão e algum gado. Os engenhos espalharam-se de Nova Almeida até Barra de Itapemirim, nas poucas terras não-alagadas.

Capitania do Espírito Santo

Em 23 de maio de 1535, o fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho, veterano das campanhas da África e da Índia, aportou em terras da capitania, que lhe destinara o rei Dom João III. Como era um domingo do Espírito Santo, chamou de vila do Espírito Santo a povoação que mandou construir nas terras que lhe couberam: cinqüenta léguas de costa, entre os rios Mucuri e Itapemirim, com outro tanto de largo, sertão adentro, a partir do ponto em que terminava, ao norte, o quinhão concedido a Pero de Campos Tourinho, donatário da Capitania de Porto Seguro. A Vila do Espírito Santo é hoje a cidade de Vila Velha. Ainda em 1535, a vila passou à capitania, em 1822 a província e em 1889 a estado

Mineração

Em 1552, entradas, como a de Manuel Ramalho através do []rio Doce]], apelidado "rio da interiorização", enfrentavam a resistência dos botocudos e as dificuldades com a Serra dos Aymorés, em busca do sonho da descoberta do Eldorado. Em 1660, correm boatos em Portugal sobre a chegada de supostas "esmeraldas capixabas".

Em 1693, o bandeirante Antônio Rodrigues Arzão descobriu jazidas no interior da capitania do ES. A Câmara Municipal de Vitória cedeu roupas e víveres ao explorador que encontrava-se enfermo.

Francisco Gil de Araújo chegou a organizar 14 expedições, entre 1674 e 1685, na "febre" do ouro. Em 1705, saindo de Taubaté, o bandeirante Pedro Bueno Cacunda descobriu ouro seguindo o rio Manhuaçu, tendo funfado o Arraial de Santana (Serra di Castelo); graças a ação dos jesuitas que viveram em Rerigtiba (hoje município de Anchieta), surgiram outros arraiais na região. Em 1705, o Vice-Rei proibiu a mineração no ES e em 1718, os herdeiros de F. G. de Araújo devolveram a Capitania para Portugal por 40.000$00, tornando o ES uma Capitania Real. A mineração acarretou a escassez de alimentos devido à migração desordenada e abandono da região; a militarização da capitania, com a contrução de fortaleza; o fechamento do rio Doce; a proibição da abertura de estradas para o interior; a redução drástica do território original e a diminuição do número de escravos. O ES se tornou uma zona de proteção à região mineradora, impedindo possìveis invasões e o contrabando. Essa região ficou conhecida como "Barreira Verde".

Desenvolvimento da província

Em 1808 , com a chegada da família real no Brasil e o declíneo da mineração , começou a ser incentivado o desenvolvimento da província espirito-santense , que se encontrava em grande atraso , comparando com outras regiões do país.

A província deixou de ser barreira verde. No governdo de Rubim , foi permitida a navegação no Rio doce, foi feita uma estrada para Vila Rica e foram trazidos os primeiros imigrantes , vindos de Açores.Porém , essas medidas não foram eficazes para elevar a provincia a uma condição de região desenvolvida.

Já na metade do século XIX , a imigração européia , que vai ocupar regiões de pouca densidade populacional, e o café , que se tornar o produto principal da economia capixaba , iniciaram um processo desenvilmentista na Esprito Santo.

Influência do café

Outra região que cresceu, favorecida pela economia do café, foi o município de Cachoeiro de Itapemirim, recebendo muitos imigrantes vindo principalmente da Itália para trabalhar nas diversas lavouras existentes na época.

Abolição da Escravatura

O Espírito Santo foi palco de várias rebeliões escravas , sendo a mais famosa a Insureição de Queimados. A Insurreição de Queimados, ocorrida em meados do século XIX, na Freguesia de São José do Queimado, mais tarde incorporada no Município da Serra, na qual o escravo Chico Prego se destacou como líder do movimento que requeria a liberdade dos cativos que contribuíram na construção da igreja e, por isso, foi condenado e morto na forca, em 1850. Na ocasião , Afonso Cláudio , escreveu um livro critcando a escravidão e a condenação de Chico Prego.Tal fato impulsiona a campanha abolicionista no Espírito Santo. De certo modo , a aboliçao foi semelhante a ocorrida no Sudeste , com a formação de clubes , jornais , e apoio de cafeeiros descontentes com a monarquia

Século XX

Após a proclamção da Repúblia , em 1889 , O Espírito Santo faz sua primeira constituição estadual.O primeiro presidente de Estado eleito foi Moniz Freire.Ele investiu na rede ferroviária , na infra-estrutura do Porto de Vitória.Porém , com a desvalorização do café , o recurso se tornaram escassos e até 1908 ,o estado viveu um período de estagnação.

Jerônimo Monteiro, eleito em 1908 , iniciou um processo de modernização , levando luz elétrica a Cachoeiro de Itapemirim e a Vitória.Também foi contruido o primeiro complexo industrial do estado , sediado em Cachoeiro , com indústria de cimento , oléo e açucar.Mas , tantos investimentos na modernização do Espírito Santo , gerou dívidas externas altas , que prejudicou os governos posteriores.

Florentino Avidos foi eleito em 1924 ,e seu governo foi marcado pela contruções de pontes. A ponte de Colatina acelerou a ocupação populacional do Norte do Estado. Em Vitória , foi feita a "primeira ponte" , hoje conhecida como ponte Florentino Avidos , que a capital a Vila Velha.

Em 1930 , Aristeu Borges , então presidente de Estado , apoiou a candidatura de Júlio Prestes e ,por isso, foi deposto com a revolução de 1930. Getúlio Vargas nomeia Punaro Bley como interventor no Estado. Bley ficou no poder entre 1930-1943. Investiu na saúde , criando hospitais e leprosários.Sanou as finanças do Estado , em situação ruim , depois dos governo republicanos.Focalizou a agricultura como a principal produção capixaba.

Nese período ,a AIB cresceu no estado ,dado seu caráter fascista , que encontrava apoio nos imigrantes italianos e alemães.Porém , com a eclosão da Segunda Guerra Mundial , esse grupos foram persiguidos. Medidas como a proibição de se falar italiano e alemão demontram isso.

Jones Santos Neves assumiu o governo entre 1943 e 1945. Ele foi o articulador político, no estado, do processo de transição para a democracia. Neste mandato, ele executou os planos de obras e equipamento e fomento de produção. Esses planos visava saneamento, aumento na produção, melhorias no transporte, e incentivo a industrialização. Ofereceu vantagens especiais para quem instalasse novas industrias que aproveitasse a matéria prima existente no estado.

Carlos Linderberg venceu as eleições e assumiu o 1º mandato democrático pós Estado Novo (1947-1950). O seu governo foi caracterizado pelo o apoio pela agricultura .Continuou o processo de expansão para o norte , entregando as terras devolutas (pertencente ao governo) a novos fazendeiros. Seu empenho em possibilitar o aparecimento das industrias foi tímido , apesar de seu governo ser marcado pela construções de hidrelétricas. Na educação , fundou a faculdade de medicina , federalizou de direito e reabriu a de odontologia.

Jones Santos Neves, volta ao governo do estado, agora eleito pelo o povo. A sua meta é industrialização do estado , por meio de um planejamento prévio.O governo passou a intervir diretamente na economia, a fim de criar condições de infra-estruturas que proporcionasse o arranque industrial. O plano de valorização priourizou quatro setores: Porto de Vitória, energia elétrica, malha rodoviária e fomento de produção. O porto de Vitória foi aparelhado para reparo e construção de barcos. Foi feita uma dragagem da baía, para possibilitar a entranda de embarcações com maior capacidade de carga. Ainda foram feitas construções no cais de carvão e instalação de aparelhagem moderna.Na questão de energia elétrica, a construção de inúmeras hidrelétricas (Suíça, Rio Bonito). Já na malha rodoviária, seus feitos são a ampliação e asfaltamento das rodovias Vitória – Colatin , Cachoeiro – Alegre e a pavimentação da rodovia Vitória – Cachoeiro.

Na educação , é criada a UFES e a Escola Politécnica com o objetivo de preparar e qualificar a mão-de-obra do estado. Também criou o IBES (Instituto do Bem-Estar Social), um conjunto habitacional com verbas estaduais, que visava a criação de residências populares para operários .

Francisco Larceda, Chiquinho, põe fim na hegemonia do PSD no estado. Eleito pela Coligação Democrática; Chiquinho era populista. O seu governo era voltado para a área rural. O incentivo a agricultura, o fortalecimento da agroindústria do leite e estações de tratamento de água foram seus principais feitos. Porém Chiquinho enfrenta um grave problema. O café capixaba é acusado de conter pragaso que gera a segunda crise cafeeira . O café é erradicado, e como conseqüencia várias famílias se vêem obrigadas a se mudarem para a cidade, provocando ,um êxodo rural.

Carlos Linderberg assume novamente o governo do estado (1959-1962). Importantes fatos ocorrem em seu governo. A transferencia da Vale do Rio Doce, a construção do Porto de Tubarão, a federalização da UFES. Ele também levou luz elétrica para cidades do interior.

Larceda vence novamente as eleições, com a promessa de erradicar o analfabetismo, o seu segundo governo foi marcado por ser interrompido pela ditadura militar. Inaugurou o Porto de Tubarão, há uma tentativa de industrialização.

Os Grandes Projetos industriais

No final da década de 1960, começara a ser viabilizada a instalação de projetos industriais no Espírito Santo, principalmente nos setores siderúrgico e paraquímico. Esses setores receberam especial destaque nas prioridades do Plano Nacional de Desenvolvimento - I PND - que visava, dentre outras coisas, tirar proveito econômico do espaço brasileiro, associado à disponibilidade de recursos humanos, com aplicação de recursos de capital já assegurados às novas regiões. A estratégia desenvolvimentista também abrangia o Plano de Integração Nacional, com implicações demográficas e com projetos estratégicos que priorizavam regiões menos desenvolvidas e periféricas. A política do Governo Estadual de divulgação das vantagens locais do Espírito Santo juntamente com os PNs abriram possibilidades de implementar os Grandes Projetos Industriais no Estado. A cidade de Vitória não possuía infra-estrutura para receber o grande fluxo migratório que, com o advento do desemprego no campo, se deslocou em sua direção durante e após a implementação das indústrias que fazem parte dos Grandes Projetos Industriais. A instalação dessa população no pequeno espaço físico da cidade gerou a expansão de favelas e a ocupação do manguezal na área oposta ao Oceano. Por outro lado, a cidade recebeu aterramentos que redefiniram suas fronteiras, aumentando o seu tamanho, o que ocasionou uma mudança radical na fisionomia urbana da capital capixaba. Ocorreram a explosão imobiliária, a pavimentação de vias, criação de praças e logradouros, além de o comércio do centro da cidade ser deslocado para a região norte da cidade, onde novos bairros foram criados

Economia

O estado possui a economia que mais cresce no brasil, por causa dos seus amplos recursos naturais e sua variação de clima, apropriado para cultivo de diferentes tipos de culturas agrícolas, o estado tem experimentado uma fase de grande crescimento econômico, pois seus extensos recursos naturais e seu grande potencial, foram explorados somente após a década de 50, pois o estado foi abandonado para servir de barreira natural, por causa da densa floresta e pelas altas montanhas do estado para conter possíveis invasões estrangeiras que almejassem chegar ao ouro das Minas Gerais, o estado somente voltou a ser povoado de verdade com a introdução do café, mais só começou a crescer com a industrialização que começou na década de 40.

A economia é baseada principalmente nas atividades portuárias, de exportação e importação (maior do país), na indústria de Rochas ornamentais (mármore e granito) (maior do mundo), na Celulose (maior do país), extraída dos Pinheiros de Eucalipto, na Exploração de Petróleo (2° maior)e Gás Natural (maior do pais), além da diversificada agricultura, principalmente do plantio do café (2° maior). [1] [2]

  1. O Espírito Santo é um dos Estados mais dinâmicos do país. Um estudo feito pela Universidade de São Paulo revelou que, no intervalo de 55 anos, entre 1939 e 1994, a renda per capita dos capixabas cresceu oito vezes, bem mais que a média nacional, de cinco vezes e meia. Por isso sua renda é maior que a média do restante do país. Ocupando apenas 0,5 % do território brasileiro, o Estado responde hoje por pouco mais de 2 % do PIB. Atualmente, O Espírito Santo é considerado o Estado brasileiro mais voltado ao comércio exterior

  2. O PIB capixaba até os anos 60 era sustentado pelo setor agrígola, predominantemente o café. O setor primário chegou a representar 54% do PIB. O café, no entanto, continua sendo de vital importância para a economia capixaba, mas sem haver dependência exagerada. Com o surgimento dos grandes projetos como a CRVD, CST, Aracruz e Samarco (1960/1967) houve a diversificação da base econômica no Estado. A partir dos anos 90, o setor de serviços passou a ter significativa presença no PIB, passando a ser a âncora da economia capixaba impulsionado pela forte vocação do comércio exterior. Os sete portos, o Corredor Centroleste e a logística tornam o Estado competitivo. O crescimento do PIB está acima da média nacional. O PIB capixaba vem crescendo 3% ao ano, acima, portanto da média do Brasil, que é de 1,2% ao ano. Em 1996, o PIB saltou de R$ 14,9 milhões para R$ 16 milhões em 1998 (estimativa). O Estado é o sexto exportador e o quarto maior importador, sendo responsável por cerca de 10% da receita cambial do país. Em 1997, as exportações totalizaram US$ 5,4 bilhões e as importações, US$ 4,7 bilhões. O PIB per capita no Espírito Santo, que é de R$ 6.251,00, também está bem posicionado. O PIB mais alto por habitante é do Distrito Federal (R$ 6.580,00), enquanto o mais baixo é o de Tocantins (R$1.575,00). O setor terciário é o mais dinâmico da economia capixaba e o que mais fortalece o PIB no Estado, com uma participação de 50%, puxado principalmente pelo segmento do comércio exterior. Já o setor secundário, formado por indústrias extrativas e de transformação e grandes complexos exportadores, vem em segundo lugar com uma participação de 31% . O setor primário corresponde a 19% do PIB, apresentando como principais atividades a cafeicultura, a fruticultura de clima tropical, a cultura de especiarias, a pecuária bovina e leiteira e a extração vegetal. O Estado é viável em sua infra-estrutura e logística. Sedia o maior complexo portuário da América Latina. Em 1997, seus sete portos movimentaram cerca de 25% das mercadorias que entraram e saíram do país.

Capitania do Espírito Santo

História

A costa do atual estado do Espírito Santo foi reconhecida por navegadores portugueses já em 1501, e desde então foi alvo da ação de contrabandistas de pau-brasil

estabelecimento da capitania

Com o estabelecimento, pela Coroa Portuguesa do sistema de Capitanias Hereditárias para a colonização do Brasil (1534), o seu atual território estava compreendido no lote que se estendia da foz do rio Mucuri à do rio Itapemirim (aproximadamente), doada a Vasco Fernandes Coutinho em 1 de junho de 1534.

O seu donatário, acompanhado de sessenta degredados, desembarcou da nau Glória, numa pequena enseada nas faldas do morro da Penha, a 23 de março de 1535, um domingo de Pentecostes, razão pela qual o donatário resolveu batizar o seu lote com o nome de Capitania do Espírito Santo.

O desembarque, na praia de Piratininga, fez-se penosamente, sob as flechas dos Goitacás, havendo necessidade do troar das duas peças de artilharia da embarcação, para que os indígenas debandassem, permitindo a posse da terra pelo donatário. Ali mesmo decidiu-se erguer a povoação que mais tarde seria conhecida como Vila Velha, principiando-se as primeiras habitações, uma ermida - sob a invocação de São João, em homenagem ao soberano -, e uma fortificação (Fortim do Espírito Santo). Os indígenas denominaram esta primitiva vila do Espírito Santo como "Mboab", ou seja, o "lugar habitado pelos emboabas" (forasteiros).

Distribuídas as sesmarias, a D. Jorge de Menezes o donatário entregou a ilha junto à barra (atual ilha do Boi); a Valentim Nunes coube a atual ilha dos Frades e, a 15 de julho de 1537, doou a Duarte de Lemos a então ilha de Santo Antonio (atual ilha de Vitória), em que se instalara na sua parte alta, fazendo construir, na fazenda, ao lado da residência, uma igreja em honra a Santa Luzia.

Por essa época, os colonizadores sentiam-se mais desafogados do gentio. A falta, porém, de colonos para dar desenvolvimento aos trabalhos iniciados obrigou o donatário a ir à Metrópole.

Com o retorno de Vasco Fernandes Coutinho a Portugal, entretanto, a situação se inverteu, e frente aos ataques indígenas, nova vila foi fundada, em setembro de 1551, na fronteira ilha de Santo Antônio, batizada com o nome de Nossa Senhora da Vitória. A primitiva vila do Espírito Santo passaria, daí em diante, a ser conhecida como Vila Velha.

O combate aos estrangeiros

Belchior Azeredo assumiu as funções de Capitão-mor de 1561 a 1564, com todos os poderes e jurisdições atribuídas anteriormente a Vasco Fernandes Coutinho. Posteriormente, Azeredo participou da expulsão dos invasores franceses da baía de Guanabara, no comando de uma das naus da esquadra de Cristóvão de Barros, sendo recompensado com a doação de uma vasta sesmaria, onde se fixou com seus familiares.

Vítima de ataques esporádicos de ingleses e de franceses, foi atacada pelo corsário inglês Thomas Cavendish em 8 de fevereiro de 1592, ocasião em que foi derrotado com a perda de oitenta homens de sua tripulação.

As invasões holandesas ao Brasil

Ao tempo da primeira das Invasões holandesas do Brasil (1624-1625), quando do ataque neerlandês a Salvador, o donatário do Espírito Santo, Francisco de Aguiar Coutinho repeliu uma investida de oito navios sob o comando de Piet Hein, de 10 a 18 de março de 1625, com o apoio de entricheiramentos na vila, artilhados com quatro pedreiros, e dos moradores (OLIVEIRA, 1975:124-127).

Durante a segunda das invasões holandesas (1630-1654), os neerlandeses atacaram novamente a capitania do Espírito Santo, agora com sete navios, sob o comando do Coronel Johann von Koin. Deles desembarcam uma força de quatrocentos homens, de 27 de outubro a 13 de novembro de 1640, sendo repelidos em Vitória pelas forças do Capitão-mor João Dias Guedes, a 28 de outubro (BARLÉU, 1974:200; OLIVEIRA, 1975:128-130). Diante dos ataques, o Governo-geral destacou para Vitória quarenta infantes da tropa regular. Um último ataque neerlandês à capitania ainda seria registrado, porém, em 1653.

A administração de Francisco Gil de Araújo

Francisco Gil de Araújo adquiriu a capitania de Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho (1674) por 40.000 cruzados, sendo lhe confirmada a posse por Carta-régia de 18 de Maio de 1675, e nela permanecendo de 1678 a 1682. Durante a sua administração, marcada por um reerguimento da capitania, concluiram-se a construção do Forte de Nossa Senhora do Carmo, reedificou-se o Forte de São João e edificou-se o Forte de São Francisco Xavier de Piratininga, na vila do Espírito Santo (Vila Velha), para proteger a entrada da barra de Vitória.

A capitania e o Ciclo da Mineração

Com a descoberga de minas de ouro no interior da Capitania do Espírito Santo no início do século XVIII, em 1704, a Coroa Portuguesa determinou que todos os que se encontrassem nas lavras de ouro se recolhessem à vila da Vitória, e que se evitassem, a todo o custo, excursões à região, que foi desmembrada do território capixaba e deu origem às Minas Gerais. Foi proibida ainda a abertura de estradas ligando a Capitania às Minas, pelas mesmas razões de segurança.

Desse modo, já em 1710, o Governador-geral observava que, em Vitória, faltava todo o tipo de defesa e meios de conservação, atribuindo isso à má administração daqueles que governaram a capitania. Isso se devia, entretanto, ao isolamento decorrente da descoberta das Minas. Em 1715 a Capitania reverteu à Coroa, por compra aos descendentes de Francisco Gil de Araújo, pelo mesmo valor pago por aquele donatário. A escritura dessa compra foi lavrada em 6 de Abril de 1718.

Com o aumento da produção mineral nas Minas Gerais, aumentou a importância da região do Espírito Santo, elevada à categoria de Comarca pela Provisão do Conselho Ultramarino de 15 de Janeiro de 1732.

SOUZA (1885) refere que a Provisão Régia de 10 de abril de 1736, determinava ao Governador-geral na Bahia que, de três em três anos, enviasse à do Espírito Santo um Engenheiro, provido dos materiais necessários a todos os reparos e melhorias nas fortificações dessa Capitania (op. cit., p. 99). Aparentemente isso só ocorreu em 1767-1768, quando José Antônio Caldas para lá foi mandado para erguer a Fortaleza da ilha do Boi e reformar as demais existentes. Esse oficial, em relato dirigido ao Governador, informou que a capitania contava cerca de oito mil pessoas, exportava mantimentos, madeiras, panos de algodão e açúcar para a Bahia, Rio de Janeiro e portos do Sul, sendo o transporte feito em embarcações pertencentes aos comerciantes de Vitória. Esse panorama não se alteraria até ao início do século XIX, quando a capitania obteve autonomia da Capitania da Bahia (1809), iniciando-se o plantio de café por volta de 1815.

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