Comunidade Virtual Autismo no Brasil

Comunidade Virtual Autismo no Brasil

(Parte 1 de 9)

Ajude-nos a aprender

(Help us learn)

Um Programa de Treinamento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) em ritmo auto-estabelecido.

Kathy Lear

AJUDE-NOS A APRENDER Manual de Treinamento em ABA parte 1

Help Us Learn: A Self-Paced Training Program for ABA

Part I: Training Manual Kathy Lear

Toronto, Ontario – Canada, 2a edição, 2004

Website: w.helpuslearn.com e-mail: customerservice@helpuslearn.com

Comunidade Virtual Autismo no Brasil DISTRIBUIÇÃO INTERNA

Tradução:

Margarida Hofmann Windholz Marialice de Castro Vatavuk

Inês de Souza Dias

Argemiro de Paula Garcia Filho Ana Villela Esmeraldo

Apresentação desta edição

Esta tradução é fruto do sonho e do esforço de muitas pessoas ligadas à Comunidade Virtual Autismo no Brasil, grupo que se reúne através do site "yahoogrupos" desde 1998.

Em primeiro lugar, Márcia Rocha, mãe de um garoto autista, que adquiriu o material “Help us Learn” (w.helpuslearn.com) e sentiu que este, traduzido, seria útil a muito mais pessoas. Fez cópias e as distribuiu entre alguns amigos, com o pedido que as traduzissem.

Em seguida, uma equipe se formou, com a intenção de traduzi-lo, trazendo-o para mais perto das famílias de pessoas autistas do Brasil – e de outros países de língua portuguesa.

Nesse grupo, cada um se responsabilizou pela tradução de um ou mais capítulos. Dele participaram: Ana Esmeraldo (RS), fundadora da Associação de Amigos do Autista de Farroupilha; Argemiro Garcia (BA), geólogo e pai de um menino autista; Inês Dias (SP), engenheira florestal e mãe de um menino autista; Margarida Windholz (SP), psicóloga, especialista em autismo e autora do livro "Passo a passo, seu caminho – Guia curricular para o ensino de habilidades básicas"; e Marialice Vatavuk (SP), psicóloga e mãe de um menino autista. A lista "112 formas de dizer MUITO BEM!" foi resultado de um esforço conjunto da Comunidade Virtual Autismo no Brasil. No mês de janeiro de 2005, seus integrantes bombardearam-se alegremente com as mais variadas formas de dar os parabéns a uma criança que acabou de executar com sucesso uma tarefa. O resultado pode ser observado no Capítulo 3. Agradecemos aos analistas do comportamento, os Drs. Sonia B. Meyer e Roosevelt Ristum Starling, que participaram da revisão técnica.

Encerrada a tarefa da tradução, o grupo manteve contato com a autora, a Sra. Kathy Lear. Infelizmente, não foi possível concluir negociações para que oficializássemos sua publicação, até o momento.

Fruto de um sonho, de um trabalho coletivo voluntário, achamos por bem divulgar gratuitamente este material através da internet, internamente à nossa comunidade, frente à urgência de melhorar o atendimento de nossas crianças. Queremos, aqui, dar à autora os créditos mais do que merecidos, expressando nosso desejo de prosseguir nas negociações e, assim, transformarmos esse trabalho numa edição oficial.

Temos a certeza de que nossa atitude propiciará a muitas crianças autistas de língua portuguesa um melhor desenvolvimento. Foi essa a única motivação que nos moveu.

De qualquer forma, obrigado, Mrs Lear.

Grupo de tradutores da Comunidade Virtual Autismo no Brasil. w.yahoogrupos.com.br/groups/autismo Brasil, fevereiro de 2006.

Ajude-nos a aprender

1. Introdução à ABA1-1
Desafios especiais de aprendizagem1-2
O que é ABA?1-4
Como ABA é usada para ensinar crianças com autismo?1-5
O que é DTT?1-6
Resultados1-7
Catherine Maurice1-7
Qual a maneira correta de usar a ABA?1-7
Comportamento Verbal1-8
Generalização1-8
Tudo o que você sempre precisou saber?1-9
Quão eficaz é este tipo de programa?1-9
Visão geral de um programa de ABA (e o Lingo)1-10
Currículo1-10
Exemplo de um programa de ABA1-12
Como usar o Programa de Treinamento “Ajude-nos a aprender”1-13
Começando1-14
Objetivos de Aprendizagem1-14
2. Com portamento2-1
O que há em um nome?2-4
Como manejamos ou alteramos o comportamento?2-6
Consequence)2-6
Observando e medindo comportamentos2-8
3. Reforçam ento3-1
Reforçamento positivo3-2
Reforçamento negativo3-2
Reforçadores Primários versus Secundários3-3
Punição3-3
Idéias para reforçadores3-5
Escolhendo reforçadores que funcionem com a criança3-1
Usando reforçamento positivo para ensinar habilidades3-13
Esquemas de reforçamento3-13
Esquema de Reforçamento Contínuo3-14
Esquema de Reforçamento Intermitente3-14
Como usar reforçadores3-15
4. Manejo do Comportamento4-1
Funções do Comportamento4-2
4 Funções do Comportamento4-2
Avaliação Funcional4-5
Três Métodos de Conduzir Avaliações Funcionais4-5
Observação4-6
Comportamento4-7
Antecedentes4-7

(Help us learn) Os ABCs: Antecedente, Comportamento e Conseqüência (ABC – Antecedent, Behavior & Conseqüências ..................................................................................................................4-7

Lidando com o Comportamento4-8
Comportamento de fuga de demanda (Reforçamento Social Negativo)4-8
Comportamento Auto-Estimulatório (Reforçamento Automático)4-9
Causas “tangíveis” de Comportamento (Reforçamento Negativo)4-10
Comportamento de Busca de Atenção (Reforçamento Social Positivo)4-1
Extinção de Comportamento4-12
Utilizando Reforçamento Diferencial para Lidar com Comportamentos-problema4-13
5. Ajudas e dicas5-1
Tipos de Dicas5-2
Aprendizagem sem erros5-3
Esvanecendo a Dica5-4
Dica “Não-Não” (também conhecida como NNP)5-4
O que fazer se a criança dá a resposta errada5-5
Diretrizes para o uso de dicas5-6
6. Foco no Comportamento Verbal6-1
Os operantes verbais:6-2
Ensinando Mandos: OEs (EO’s)6-4
Ensinando mandos: Captação e Planejamento em Ambiente Natural6-4
O que Levar em Conta ao Escolher as Primeiras Palavras para Ensinar como Mandos6-6
Linguagem Receptiva6-6
Intraverbal6-7
Textual (Ler)6-8
Transcritivo (Escrever)6-9
Técnicas de Ensino usadas em Comportamento Verbal6-9
Rápido)6-10
Conceito-Chave para Usar o Procedimento de Transferência de Estímulo6-10
O que fazer se a Resposta é Incorreta: Usando o Procedimento de Correção6-12
Como Saber a Seqüência para ensinar Comportamento Verbal?6-13
Uma olhada no ABLLS6-13
Perfil do Aprendiz Iniciante no ABLLS – página 1 de 36-15
Como Aprender Mais sobre Comportamento Verbal6-16
7. Currículo7-1
Decida Por Onde Começar7-2
A “pizza” curricular7-3
Exemplo de Conteúdo em Cada Categoria da “Pizza Curricular”7-4
Quantos Programas Ensinar de Uma Só Vez?7-6
Análise de Tarefa7-6
Montando a Pasta Curricular7-8
Divisões na Pasta Curricular7-8
Folhas a usar para montar sua Pasta Curricular7-9
A Folha de Registro de SD7-9
Como usar a Folha de Registro de SD e a Folha de Registro de Dados7-10
Como usar a Folha de Dados para Mandos7-1
Como usar a Folha de Dados para FCC7-12
Como usar o planejamento NET7-13
Dicas para a Elaboração do Currículo7-14
8. Instrução8-1

AJUDE-NOS A APRENDER – MANUAL DE TREINAMENTO EM ABA Procedimento de Transferência de Controle de Estímulo Procedimento de Transferência Torne o ambiente de aprendizagem reforçador....................................................................8-2

Prepare o ambiente de aprendizado8-2
Intercale e varie “demandas de instrução”8-3
Aprendizagem sem erro8-4
Intercale tarefas fáceis e difíceis8-4
Aumente gradualmente o número de demandas8-4
Ritmo rápido de instrução8-4
Ensine fluência das habilidades8-5
Cartões de dicas para professores8-5
Algumas palavrinhas sobre contato visual8-7
Técnicas comportamentais usadas em ABA8-7
Juntando as coisas: exemplos de um programa de ABA8-10
Exemplo de Currículo:8-10
Exemplo de espaço de trabalho:8-1
Exemplo de Aula:8-12
9. Manejo de dados9-1
Sondagem de Dados versus Coleta Contínua de dados9-1
Como fazer uma Sondagem de Dados9-2
Anotando os resultados9-2
Exemplo 1 de uma Folha de Registro de SDs, mostrando os dados coletados9-3
Não é melhor ter mais dados?9-3
Domínio e Fluência9-3
Quando um programa é considerado dominado e fluente?9-4
Exemplo 2 de uma Folha de Registro de SD indicando domínio9-4
Plotando os dados9-5
Exemplo 1 de Gráfico de Dados9-5
O que você aprende a partir de um gráfico?9-6
Exemplo 2 de Gráfico de Dados9-6
Exemplo de Folha de Registro de Mandos9-7
Exemplo de Gráfico de Mandos9-8
10. Teste seu Conhecimento10-1
Dramatização, Estudos de Caso: Teste Final10-1
Dramatização10-2
Currículo para Dramatização10-2
Montando o Espaço de Trabalho10-3
Estudos de Caso10-12
Teste10-16

AJUDE-NOS A APRENDER – MANUAL DE TREINAMENTO EM ABA Referências Bibliográficas................................................................................................10-21

INTRODUÇÃO À ABA - CAPÍTULO 1-1

1. Introdução à ABA1

O que é ABA? O que é VB? Esse tipo de programa é eficaz? Como posso usar esse programa de treinamento? Objetivos de aprendizagem.

O objetivo do Programa em ritmo auto-estabelecido “Ajude-nos a aprender” (“Help Us Learn Self-Paced Training Program for ABA”) é tornar a metodologia de ensino da Análise do Comportamento Aplicada (ABA - abreviação de Applied Behavioral Analysis) mais fácil de aprender e de usar; bem como torná-la acessível a mais pessoas a um custo barato. Foi escrito por uma mãe para pais; professores, terapeutas, assistentes educacionais, provedores de serviços, tias, tios, acompanhantes, monitores de acampamento, babás, avós e qualquer pessoa que tenha a oportunidade de fazer diferença na vida de uma criança com autismo.

O programa foi planejado para atender as necessidades de dois diferentes grupos de pessoas: as famílias ou professores que não têm acesso a um consultor ou psicólogo especializados em ABA, não pode pagar pelo serviço ou não quer esperar para começar o trabalho; famílias e professores que estão dirigindo um programa de ABA e precisam de um meio eficaz e barato para treinar novos professores de ABA.

Se os professores forem bem treinados, as crianças serão bem ensinadas.

1 “A” ABA ou “O” ABA? Rigorosamente falando, seria a Análise do Comportamento Aplicada. Pronunciase “ei, bi, ei” – mas já se fala corriqueiramente “aba”, no Brasil. Quem fala “O” ABA está se referindo ao “método ABA” – seria uma silepse de gênero?

INTRODUÇÃO À ABA - CAPÍTULO 1-2

Desafios especiais de aprendizagem

Autismo e TID (Transtornos Invasivos do Desenvolvimento) são rótulos usados para crianças que exibem certos tipos de déficits e excessos comportamentais e de desenvolvimento. Na verdade, “autismo” é um diagnóstico observacional dado a um conjunto de comportamentos. Mais recentemente tem sido usado o termo “Transtorno do Espectro Autista”, reconhecendo-se que as crianças podem ter diferentes graus de comprometimento e, mais importante, que pode ser possível que as crianças “movimentem-se” ao longo do espectro, ou seja, que suas habilidades e comportamentos fiquem mais próximos do esperado para sua idade cronológica. Algumas crianças até “saem” do espectro. Para ajudar nossas crianças a aprender e progredir, nós precisamos nos dedicar a alguns dos desafios específicos que essas crianças apresentam na escola ou na situação de ensino:

• Comunicação – Podem apresentar pequena ou nenhuma linguagem expressiva (fala) ou receptiva (compreensão), podem ser ecolálicas (repetindo palavras ou frases) ou mesmo ter um modo peculiar de falar (podem estar fixados em um assunto ou apresentar tom ou volume de voz estranhos).

• Habilidades sociais – Podem evitar totalmente o contato social ou serem desajeitadas ou inseguras na interação social. As regras sociais podem parecer-lhes muito arbitrárias, complexas e desnorteantes.

• Habilidades para brincar – Deixadas por sua conta, podem não explorar ou brincar com os brinquedos da mesma maneira que faria uma criança com um desenvolvimento típico. Podem tornar-se obcecadas por um determinado brinquedo ou objeto e perseverar na brincadeira (repetir a mesma coisa sem parar). Normalmente é difícil que brinquem com amigos, fator de aprendizado muito importante.

• Processamento visual e auditivo – Esses sentidos podem ser muito pouco reativos, com resposta nula ou pequena a pistas visuais ou auditivas, ou podem ser hipersensíveis a uma série de sons e estímulos visuais, que podem ser muito perturbadores para elas. Podem ser capazes de prestar atenção a esses estímulos por um curto período. Isso pode tornar as situações comuns de ensino difíceis e perturbadoras para crianças do espectro. Elas podem precisar de uma adaptação muito gradual aos ambientes comuns de ensino, na medida em que sua tolerância aumentar. Inicialmente pode ser necessário trabalhar em um ambiente muito controlado, com um mínimo de estímulos visuais e auditivos.

• Auto-estimulação - Podem se engajar em comportamentos de auto-estimulação, que podem ser reconfortantes e previsíveis para elas. O comportamento pode envolver o corpo todo (isto é, balançar o corpo, abanar as mãos, girar em círculos, etc.), usar brinquedos de forma incomum ou inadequada, ter obsessões – como precisar que pessoas e objetos fiquem sempre no mesmo lugar ou que os acontecimentos sigam um padrão previsível. Todos nos engajamos em formas menores de auto-estimulação – tamborilar os dedos, girar uma caneta ou balançar o pé. Mas para as crianças com autismo, esses comportamentos podem se tornar tão intensos e freqüentes que interferem com o aprendizado.

INTRODUÇÃO À ABA - CAPÍTULO 1-3

• Reforçadores incomuns – Reforçadores eficazes para crianças com desenvolvimento típico, tais como elogios e aprovação, podem não ser eficazes para crianças com autismo. Elas podem necessitar de reforçadores altamente idiossincráticos, muito pessoais, com os quais o professor precisará trabalhar para motivar a criança a aprender.

• Dificuldade em aprender pela observação do outro – As crianças com autismo podem não aprender pela observação dos colegas, pais, irmãos e professores da maneira com que as crianças típicas aprendem. Crianças dentro do espectro do autismo normalmente têm dificuldades com o aprendizado incidental ou ambiental. Isso significa que cada habilidade ou comportamento deverá ser especificamente trabalhado e sistematicamente ensinado.

• Aprendizado mais lento – Talvez por causa dos muitos desafios que enfrentam para aprender e a competição por sua atenção, o ritmo de aprendizado das crianças com autismo normalmente é mais lento que o das crianças com desenvolvimento típico. A manutenção do foco e da atenção no aprendizado pode ser um grande desafio para a criança com autismo, e usualmente requer uma grande dose de repetições para que os conceitos sejam dominados.

Levando em conta todas ou algumas das dificuldades acima, dá para entender como pode ser difícil para uma criança autista prestar atenção e aprender da maneira que uma criança com desenvolvimento típico faz. Imagine chegar em um país onde você não entende a língua e não conhece os costumes – e ninguém entende o que você quer ou precisa. Você, na tentativa de se organizar e entender esse ambiente, provavelmente apresentará comportamentos que os nativos acharão estranhos.

Imagine agora que você tenha sorte e consiga um professor que seja paciente, organizado e motivado a gastar todo o tempo necessário para trabalhar individualmente com você e ajudá-lo a dominar a língua e aprender os costumes desse país estranho. É isso que um bom programa de ABA pode fazer.

INTRODUÇÃO À ABA - CAPÍTULO 1-4

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