manual de avaliação psicológica

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Coletânea ConexãoPsi Coletânea ConexãoPsi

Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Designer Responsável: Leandro Roth Designer Gráfico: Cristiane Borges Ilustrações: Vicente Sledz e Cristiane Borges Impressão e acabamento:Artes Gráficas e Editora Unificado grafica@unificado.com

Foto da Capa: Carlos Gutemberg Todos os direitos desta edição reservados ao Conselho Regional de Psicologia - 8ª Região - Av. São José, 699 - Cristo Rei - Curitiba - PR - CEP 80050-350

Machado, Adriane Picchetto

Manual de Avaliação Psicológica / Adriane

Pichetto Machado, Valéria Cristina Morona. – Curitiba : Unificado, 2007. 110 p. ; 20 x 20 cm.

1. Psicologia aplicada. I. Morona, Valéria Cristina. I. Título.

CDD ( 21ª ed.)

Coletânea ConexãoPsi

O Conselho Regional de Psicologia, através da gestão ConexãoPsi, com sua finalidade precípua de promover a

Psicologia, a Ética e a Cidadania na sociedade, vem através desta coletânea informar e orientar psicólogos e usuários dos serviços psicológicos sobre as questões admi nistrativas, pertinentes à gestão financeira-política da categoria, e sobre as questões técnicas que atinam às práticas psicológicas.

O momento é ímpar para tal mister, uma vez que a Sociedade se debate com inúmeras questões relacionadas com o comportamento humano. A contribuição que esta coletânea pretende trazer é de ampliar o conhecimento, resgatar a história de 28 anos de lutas do CRP-08, que através do idealismo de muitos profissionais, que contribuíram e continuam contribuindo neste projeto, proporcionar subsídios e informações consistentes para a efetiva utilização da ciência e da técnica psicológica.

A entrega da Coletânea ConexãoPsi, com a série administrativa e a série técnica, é mais uma das ações concretas em direção aos objetivos com que nos comprometemos ao sermos eleitos.

A série técnica da Coletânea ConexãoPsi compõe-se, em seu lançamento, por doze títulos. E elaborada pelas

Comissões do CRP-08, tem o intuito de esclarecer dúvidas e oferecer subsídios para o estudo e exercício das práticas psicológicas. Os cadernos são compostos pelo histórico, definição, utilização e objetivos dos diversos campos de atuação dos psicólogos. Desta forma, a Coletânea ConexãoPsi se propõe a ser um ponto de referência e apoio para os profissio - nais e estudantes de Psicologia, bem como para futuros colaboradores das Comissões. Além de serem uma importante fonte de esclarecimento para a sociedade que como usuária tem a necessidade e o direito de ter mais conhecimentos sobre a Psicologia.

A série administrativa das Coletâneas ConexãoPsi, formada por seis títulos, tem o objetivo de orientar conse - lheiros, colaboradores e psicólogos sobre as normas e procedimentos que norteiam a gestão do CRP-08, dentro dos princípios de transparência e democracia adotados.

Transmitir a experiência administrativa desenvolvida por nossa gestão é colaborar para que o Conselho

Regional de Psicologia da 8ª Região continue crescendo; é auxiliar na capacitação dos novos e futuros conselheiros, bem como firmar ainda mais a sua imagem de Instituição com Administração Ética e Competente, com responsabi - lidade social e fiscal..

Ao Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região cabe desenvolver políticas em prol do desenvolvimento da

Profissão, da Cidadania, das Políticas Públicas, da Ética, com uma administração coerente com esses propósitos. Este foi sempre o compromisso do IX Plenário Gestão ConexãoPsi (2004-2007): muita seriedade, trabalho responsável e coerência no discurso e nas ações.

Raphael Henrique C. Di Lascio - CRP 08/00967 Conselheiro Presidente

Guilherme Azevedo do Valle - CRP 08/02932 Conselheiro Vice-Presidente

Alan Ricardo Sampaio Galleazzo - CRP 08/04768 Conselheiro Tesoureiro

Deisy Maria Rodrigues Joppert - CRP 08/1803 Conselheira Secretária

IX Plenário CRP-08 Gestão ConexãoPsi 2004-2007

Conselheiros Efetivos Curitiba

-Raphael Henrique C. Di Lascio - CRP 08/00967 Conselheiro Presidente

-Guilherme Azevedo do Valle - CRP 08/02932 Conselheiro Vice-Presidente

-Alan Ricardo Sampaio Galleazzo - CRP 08/04768 Conselheiro Tesoureiro

-Deisy Maria Rodrigues Joppert - CRP 08/1803 Conselheira Secretária

-Aldo Silva Junior - CRP 08/00646 (in memorian)

-Tonio Dorrenbach Luna - CRP 08/07258

-Thereza Cristina de A. Salomé D'Espíndula CRP 08/04776

Londrina -Sérgio Ricardo B. da Rocha Velho - CRP 08/07140

Maringá -Rosemary Parras Menegatti - CRP 08/03524

Cascavel -Fabiana da Costa Oliveira - CRP 08/07072

Foz do Iguaçu -Flávio Dantas de Araújo - CRP 08/05993 (in memorian)

Conselheiros Suplentes

Umuarama -Rosângela Maria Martins - CRP 08/01169

Campos Gerais -Marcos Aurélio Laidane - CRP 08/00314

Londrina -Denise Matoso - CRP 08/02416

Curitiba -Eugênio Pereira de Paula Junior - CRP 08/06099

-Caçan Jurê Cordeiro Silvanio - CRP 08/07685

IX Plenário CRP-08 Gestão ConexãoPsi - 2004/2007

Autores

Adriane Picchetto Machado - CRP-08/02571 Valéria Cristina Morona - CRP-08/11550

Série Técnica - Manual de Avaliação Psicológica

1. Avaliação Psicológica - Considerações13
2. Passos a serem observados em um processo de Avaliação Psicológica15
3. Dimensões do processo de Avaliação Psicológica*17
4. Principais técnicas de Avaliação Psicológica19
4.1 Testes Psicológicos19
4.1.1 Classificação20
4.1.2 A escolha dos instrumentos25
4.1.3 Cuidados na aplicação dos testes26
4.1.4 A avaliação dos testes27
4.2 Observação28
4.2.1 Exame do estado mental28
4.2.2 Observação29
4.3 Entrevista29
4.3.1 Roteiro de entrevista30
5. Aspectos Éticos da Avaliação Psicológica31
6. A produção de documentos legais decorrentes da Avaliação Psicológica35
6.1. Declaração36
6.2 Atestado Psicológico36
6.3 Relatório ou Laudo Psicológico37
6.4 Parecer38
6.4.1 Sua estrutura deve ser38
6.5 Apontamentos sobre os documentos de avaliação psicológica39
7. Contextos da Avaliação Psicológica43
7.1 A Avaliação Psicológica em Recursos Humanos43
7.2 Avaliação Psicológica em Orientação Profissional46
7.3. A Avaliação Psicológica na Área Psicoeducacional48
7.4. Avaliação Psicológica na Área de Trânsito49
7.5.Avaliação Psicológica na Área Jurídica52
7.6.Avaliação Psicológica na área de cirurgia bariátrica54
8. Possibilidades de Reflexão57
Referências59

Sumário Anexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .63

Série Técnica - Manual de Avaliação Psicológica13

1. Avaliação Psicológica - Considerações

A Avaliação Psicológica refere-se a um conjunto de procedimentos confiáveis que permitem ao psicólogo julgar vários aspectos do individuo através da observação de seu comportamento em situações padronizadas e pré-definidas. (Pasquali, L & Tróccoli, B., LabPAM – UNB)

A Avaliação Psicológica se refere ao modo de conhecer fenômenos e processos psicológicos por meio de proce - dimentos de diagnóstico e prognóstico e, ao mesmo tempo, aos procedimentos de exame propriamente ditos para criar as condições de aferição ou dimensionamento dos fenômenos e processos psicológicos conhecidos. (Alchieri, J.C. & Cruz, R.M., 2004)

A Avaliação Psicológica é entendida como o processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade, utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas e instrumentos. (Resolução CFP 07/2003)

A Avaliação Psicológica é um processo flexível e não padronizado, que tem por objetivo chegar a uma determinação sustentada a respeito de uma ou mais questões psicológicas através de coleta, avaliação e análise de dados apropriados ao objetivo em questão. (Urbina, 2007)

Então, quais são as principais características de uma Avaliação Psicológica? um processo dinâmico. um processo de conhecimento do outro. um processo científico. um trabalho especializado. a obtenção de amostras do comportamento.

Avaliação Psicológica éAvaliação Psicológica não é um trabalho mecânico. somente avaliar determinadas características. sinônimo de aplicação de testes. um processo simples, rápido e fácil. um conhecimento definitivo sobre o comportamento observado.

2. Passos a serem observados em um processo de Avaliação Psicológica

Identificar os objetivos da avaliação do modo mais claro e realista possível; Proceder a seleção apropriada de instrumentos; Aplicar de forma cuidadosa os instrumentos selecionados; Fazer a correção dos instrumentos de forma cuidadosa; Fazer a cuidadosa interpretação dos resultados; Desenvolver o uso criterioso dos dados coletados; Produzir o relatório verbal ou escrito.

Série Técnica - Manual de Avaliação Psicológica15

“Testes e avaliações não são sinônimos.

Os testes são uma das ferramentas usadas no processo de avaliação.

Avaliar é muito mais do que aplicar testes. Avaliar é um processo dinâmico.”

3. Dimensões do processo de Avaliação Psicológica*

Adriane Picchetto Machado CRP-08/02571 Célia Mazza de Souza CRP-08/02052

A Avaliação Psicológica tem se desenvolvido na direção de uma extrema complexidade. Os desavisados talvez não percebam, porém, as dimensões que a Avaliação Psicológica atinge vão além da simplicidade de aplicar testes ou fazer entrevistas com determinado objetivo.

Qualquer psicólogo que pretenda trabalhar com avaliações deverá ter em mente as dimensões técnicas, relacionais, éticas, legais, profissionais e sociais diretamente implicadas em seu trabalho. Se todas estas percepções cami - nham juntas e se inter-relacionam, é provável que possamos perceber a infinitude de cuidados e preocupações que devemos ter como profissionais que buscam, principalmente e acima de tudo, o respeito e a “construção” daquele que nos procura para se submeter a um processo de Avaliação Psicológica.

Avaliar nunca é simples, nem rápido, nem fácil. A respeito da dimensão técnica, o psicólogo necessita ter, antes de mais nada, um vasto conhecimento em relação às técnicas que pretende utilizar, assim como uma possibi - lidade de crítica consciente em relação aos instrumentos de avaliação que utiliza (testes, dinâmicas de grupo, observação, entrevista e outros). Obviamente, a formação dada pelas Faculdades de Psicologia nesta área é insuficiente para o pleno domínio das técnicas e de si mesmo, principalmente, porque ainda o nosso ensino é compartimentalizado e a formação prioriza o aspecto técnico e não o científico em geral. Aprendemos mecanicamente como aplicar diversas técnicas, mas não experienciamos a integração dos dados obtidos, a análise acurada dos mesmos, o levantamento de hipóteses a partir dos dados coletados, a dinâmica, afinal, que sempre estará presente em um processo de avaliação. Sempre, por melhor que tenha sido a formação do psicólogo, ele deve buscar cursos de pós-formação para aperfeiçoar os seus conhecimentos.

dianteO desenvolvimento da percepção mais acurada de si mesmo e do cliente somente pode ser mais real e menos

Também a dimensão relacional é importantíssima, pois nos informa a respeito de mecanismos transferenciais e contra-transferenciais que sempre estão presentes no momento da avaliação. Sem um conhecimento maior nessa área, os desavisados poderão entender manipulações evidentes, como simpatia, mecanismos de sedução como educação e aí por fantasioso através de um exercício constante de auto-percepção e auto-crítica que, muitas vezes, é acompanhado de um processo psicoterapêutico.

Série Técnica - Manual de Avaliação Psicológica17

A dimensão éticadeve sempre direcionar qualquer trabalho, especialmente este que tratamos. Falamos aqui de respeito ao semelhante, à sua dor, às obrigações de causar o menor dano possível com a nossa intervenção e à sustentação dos resultados, mesmo que havendo pressões de todos os tipos (pais, chefias e outros). Também gostaria de ressaltar a obrigatoriedade de fazer entrevistas de devolução, premissa esta muito esquecida pelos psicólogos, e que pode servir como um momento muito especial de crescimento para o nosso cliente, se bem realizada e levando em conta todas as dimensões citadas.

A dimensão legal tem sido amplamente questionada: o Estado tem o direito de investigar a vida de um cidadão que pretende ter um emprego ou uma Carteira Nacional de Habilitação? Que conseqüências legais a interdição de um membro de uma determinada família trará para o mesmo? Qual o valor legal do uso de técnicas desatualizadas, não adaptadas à população brasileira?

Adimensão profissional diz respeito a todas as implicações e conseqüências de ordem profissional no momento de uma avaliação, da entrega de um laudo ou da devolução de resultados. Qual é o nível de seriedade e isenção que esse profissional apresentou para tanto? Qual é o seu posicionamento a respeito de uma avaliação realizada pelo seu colega e que agora se encontra em suas mãos, em grau de recurso? Prefiro agradar o meu chefe e manter o meu emprego a ser coerente com um trabalho e uma imagem profissional? Quais as conseqüências para a classe de psicólogos de um trabalho mal-feito, covarde, que cede a pressões ?

Adimensão social se refere às reflexões mais amplas da nossa sociedade. A instituição (Estado, empresa) tem o direito de investigar a vida de um cidadão que pretende ter um emprego ou uma Carteira Nacional de Habilitação? Em que mecanismos sociais segregatórios a avaliação psicológica pode colaborar? Qual o uso deste tipo de trabalho e que fins de manipulação ele pode ter?

Desta forma, a avaliação psicológica nunca é simples, nunca é isenta de conseqüências que podem ser muito sérias para o cliente e para a imagem da nossa classe. Independente do local onde o psicólogo atue e dos objetivos de sua avaliação, não é possível a prática de aplicações e correções de testes sem consciência e sem compreensão da complexidade deste trabalho.

*Artigo publicado na Revista Contato, do Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região – Ano 21 – nº 104 – Set/Out 2000.

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4. Principais técnicas de Avaliação Psicológica

Série Técnica - Manual de Avaliação Psicológica19

“Principais técnicas de Avaliação Psicológica: entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo, observação lúdica, provas situacionais e outras.”

Todas as técnicas acima citadas contribuem para a compreensão do outro (candidato, cliente, periciando, usuário, etc.), sujeito do processo de Avaliação Psicológica. Todas as técnicas são importantes para o processo de conhecimento do outro, não esquecendo que a Avaliação Psicológica requer o planejamento adequado, a execução cuidadosa do que foi planejado, a integração e análise dos dados obtidos através de todas as técnicas utilizadas. A partir dessa integração das informações coletadas é que será possível redigir ou entregar os resultados da mesma.

4.1 Testes Psicológicos

Os testes psicológicos são instrumentos de avaliação ou mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1° do art. 13 da lei no 4.119/62. (Resolução CFP 002/2003)

Os testes psicológicos são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos instrumentos. (idem)

Segundo Alchieri, Noronha e Primi (2003), os testes psicológicos são “instrumentos objetivos e padronizados de investigação do comportamento, que informam sobre a organização normal dos comportamentos exigidos na execução de testes ou se suas perturbações em condições patológicas”. Assim, percebe-se que o teste dá ao profissional a possibilidade de observar o comportamento de forma padronizada e julgar se os comportamentos que observa durante a execução deste encontram-se, segundo o próprio teste, dentro das condições observadas na população normal pesquisada durante a sua fabricação.

A função do teste torna-se, dessa forma, medir as diferenças entre indivíduos ou entre as reações do mesmo indivíduo em diferentes ocasiões. É importante ressaltar que os testes psicológicos devem ser entendidos como instrumentos auxiliares nesta coleta de dados que é a Avaliação Psicológica e que, juntamente com as demais informações organizadas pelo psicólogo, auxiliam na compreensão do problema estudado, de forma a facilitar a tomada de decisões.

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