Boletim de Surdos - Portugal

Boletim de Surdos - Portugal

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SurdosNotícias

Trabalho

Saúde

Educação

Audismo Discriminação

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA | Dezembro 2009 | Trimestral | Número 1

07 actividades recreativas de âmbito nacional

cultura acessibilidade e tecnologia desporto educação e língua gestualhistória dos surdos Imagem :: http://viseu.files.wordpress.com

Nº 1 . Dezembro 2009 . Trimestral2Nº 1 . Dezembro 2009 . Trimestral3 Movimento Associativo Surdo NacionalBreve Apresentação

Director(a) Joana Cottim

Redacção Carlos Martins David Fonseca Fernanda Adão Paulo Vaz de Carvalho

Fotografia e Imagem Ricardo Ferreira

Montagem e Gestão de Imagens José Luís Rebelo

Composição e Impressão Multitema

Com a Colaboração e Apoio de

P16 > Fecho

Associação Cultural Surdos do Barreiro | 03.07.1995

Associação Cultural Surdos da Amadora | 01.10.1977

Associação Portuguesa de Surdos | 24.09.1956 Ass. de Surdos de Guimarães e Vale do Ave | 13.07.2005

Ass. Portuguesa de Surdos do Algarve | 24.01.1998

Associação de Surdos da Linha de Cascais | 09.04.1996

Ass. Portuguesa de Surdos de Setúbal | 12.05.1999

Associação de Surdos do Concelho de Almada | 12.01.1984

Associação de Surdos do Oeste | 24.04.1992

Associação de Surdos do Porto | 09.08.1995 Associação de Surdos do Algarve

Ass. Portuguesa de Surdos de Coimbra | 28.05.1994

Associação Cultural dos Surdos de Águeda | 06.1.2000 Associação de Surdos de Braga

Associação de Surdos da Alta Estremadura | 13.07.2005

Ass. de Surdos do Concelho de Loures | 02.02.1997

P15 > Publicações

P14 > Cidadania

P13 > Página do Leitor

P12 > Sociedade Surda Internacional

P11 > Sociedade Surda Nacional

P10 > Cultura / Desporto

P09 > Actividades Recreativas das Associações

P08 > Actividades das FPAS

P07 > Acessibilidade e Tecnologia

P06 > Educação e Língua Gestual

P05 > História dos Surdos

P04 > Associativismo Juvenil e Sénior

P03 > Movimento Associativo Surdo Nacional

P02 > Olá a todos! P01 > SN Surdos Notícias

Uma Crise de Valores

Curiosidades e Passatempos

Actividades e Encontros| IV Congresso Nacional de Surdos

Promoções de Encontros, Eventos e Participações a nível Mundial “Durante toda a existência da Comunidade, a Cultura foi-se marcando...”

IV Congresso Nacional de Surdos - 03 e 04 de Outubro - Aveiro

O que é a Acessibilidade?

Primeiro Período (1823-1905) Metodologias gestuais com suporte na escrita

A primeira Escola de Surdos do Mundo (INJS)

“O Associativismo Juvenil da Comunidade Surda é uma realidade presente...”

“Nas décadas seguintes surgiram outras batalhas com diversos desfechos...”

Breve apresentação Manchete

Olá a todos!!!

Bem vindos ao SN – Surdos Notícias, um boletim informativo promovido pela Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) que, no seu conteúdo, tem imensas curiosidades, conhecimentos, histórias e surpresas para vos oferecer e conduzir a novos horizontes sobre a Comunidade Surda.

Sendo nós, Surdos, diariamente vítimas de enormes barreiras de comunicação, de informação, de conhecimento, a FPAS e a equipa do SN achou ser este um dos primeiros passos para o alargamento e reconhecimento da nossa Comunidade e dos Surdos, enquanto cidadãos plenos de uma Sociedade. Aqui, todas as informações divulgadas de três em três meses, serão o conhecer de realidades, aspectos culturais, associativos, pessoais que envolvam as pessoas Surdas.

Este boletim terá uma distribuição gratuita e não será apenas Portugal a usufruir da leitura do mesmo, uma vez que, é nosso plano, este ser alargado quer pelas Ilhas Autónomas da Madeira e dos Açores, quer nos Países de Comunidade de Língua Portuguesa, tais como o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, entre outros. Além disso, também será importante para nós fazer chegar as informações às Câmaras Municipais Distritais pois achamos pertinente que as mesmas reconheçam todo o nosso papel como Cidadãos SURDOS Portugueses.

Partilhando uma equipa constituída maioritariamente por Surdos (só um dos nossos elementos é Ouvinte), trazemos, até vós, uma viagem no interior do dia-a-dia da nossa Comunidade mostrando o paraíso da Vida embrulhado num eterno sorriso das mãos. A equipa do SN

O Início, o Grito da Revolta. Recentemente têm surgido algumas considerações menos simpáticas acerca da nossa associação fraternal. Foi dito que nada poderia ser mais desastroso para os surdos-mudos, do que se limitarem apenas à companhia de outros surdos-mudos. Reagrupar os surdos-mudos numa nação separada, numa casta especial, irá condená-los a uma exclusão deplorável. Aqueles que proferem tais afirmações não entendem o que vai nos nossos corações. Os nossos espíritos nunca almejaram tais objectivos egoístas de separatismo. Temos sido rejeitados dos banque-tes das pessoas ouvintes. Os ouvintes têm querido suprimir a língua dos surdos- -mudos: uma língua sublime, universal que nos foi dada pela natureza. E mesmo assim, os surdos-mudos disseram aos seus irmãos ouvintes: ‘juntem-se a nós no nosso trabalho e nas nossas peças, aprendam a nossa língua como nós aprendemos a vossa, deixem- -nos formar um povo, unido por laços indivisíveis’. Meus irmãos, será isto egoísmo? Será isolamento? Deixem os nossos acusadores, sem consciência, ou-sar levantar as suas vozes contra nós! (Ferdinand Berthier, 7º banquete, 1840). Mottez considera que foi nesta data que surgiu a nação surda. Foi o ano em que os surdos estabeleceram uma espécie de governo para si próprios, até aos dias de hoje. Quando o Abade Sicard, sucessor do Abade de L’Épée, faleceu em 1822, deixou o Instituto numa situação péssima. A escolha do seu sucessor foi bastante difícil. Durante quase uma década, o conselho directivo do Instituto, de uma forma hesitante e incompetente, efectuou escolhas oralistas para o ensino de surdos. Estas opções puseram em causa o papel da Língua Gestual na educação dos alunos surdos e, consequentemente, o papel dos professores surdos. A ofensiva intensificou-se com a nomeação de Desiré Ordinaire para director pedagógico.

Quem Participou?

1. A Elite dos Surdos. Os surdos gostavam de vangloriar a sua posição quando alcançavam algum sucesso, fazendo notícia daquilo que eram capazes de realizar. E era esta elite que participava nos banquetes, maioritariamente surdos que tinham tido a sorte de receber educação. Uma estimativa feita sobre o número de surdos existentes em França, no século XIX, variava entre 20 0 e 30 0. Eugéne de Monglave, em 1842, referia que o número de surdos que beneficiavam de educação em escolas públicas rondava o escasso número de 300. Cinco anos mais tarde, estimava-se que entre 1 500 a 6 0 surdos estavam em posição de frequentar a escola. O acesso à educação pública era, ainda, uma das maiores preocupações desta elite.

2. A População Internacional. Desde o primeiro banquete que não faltaram surdos estrangeiros na audiência. No terceiro banquete realizado, registaram-se surdos de Itália, Inglaterra e Alemanha. Muitos eram artistas que já iam a Paris com o objectivo de aperfeiçoar a sua arte e que passavam a participar nos banquetes.

3. Convidados Ouvintes. A crónica do primeiro banquete referia que: Apenas duas pessoas ouvintes tiveram o raro privilégio de assistir a esta celebração: Eugéne de Monglave, um amigo dos surdos que falava Língua Gestual e estava informado e habituado aos ‘costumes’ da nação surda-muda. O segundo era um repórter de um grande jornal diário (...). (Société Centrale, 1849). No segundo banquete, os surdos já estavam mais conscientes dos benefícios que existiam em abrir os banquetes a figuras ouvintes de destaque. Tornou-se um hábito convidar vários jornalistas dos melhores jornais da época, como o Le Moniteur, Le Journal des Débats, Le Nationel, Le Temps, Le Courrier Français, Le Constitutionnel, Le Droit, entre outros. Aplaudidos e “mimados” pelos surdos, normalmente correspondiam ao que esperavam deles: dar a conhecer ao público o que se passava nestes banquetes. Existiam os Monglaves, na sua maioria filhos de surdos, que se faziam de “surdos” e que muitas vezes serviam de intérpretes. Mais tarde, passou a ser tradição, convidar funcionários dos ministérios, encar-regues dos assuntos dos surdos e outros políticos. Desiré Ordinaire, responsável pelo endurecimento da linha oralista, recusou ligar-se a estes banquetes. Em 1838, com a chegada de um novo director para o Instituto de Paris, de Lanneau, terminou a ofensiva oralista e as relações entre surdos e ouvintes normalizaram. O director ampliou o quadro dos funcionários e as delegações de estudantes surdos passaram a frequentar os banquetes. Muitos educadores ouvintes participa-vam como convidados, ainda que por vezes não resistissem ao hábito de querer dar conselhos aos surdos. Finalmente, existiam os convidados de prestígio. No terceiro banquete, por exemplo, a abertura do evento foi feita por Jean-Nicolas Bouilly, autor da obra “O Abade de L’Épée”, uma peça de teatro em torno do envolvimento do Abade de L’Épée no famoso conto do Solar, que alcançara grande sucesso desde a sua criação em 1799. Esta peça estimulou Per Aron Borg a criar a primeira escola de surdos na Suécia. Outra pessoa aplaudida foi John O’Connel, filho do libertador da Irlanda - um grande símbolo. Eram ainda presença regular nos banquetes, escolásticos, pessoas do teatro e artistas (principalmente pintores).

As Mulheres não participavam. Havia algo importante nestes banquetes, que estava em falta: as mulheres. Como se sabe, ao longo de todo o século XIX, as mulheres não possuíam os mesmos direitos que os homens e raramente podiam participar nas festas ou festivais (por exemplo, não podiam exercer o direito de voto). Isto não impedia a que, por vezes, algumas pessoas efectuassem brindes em honra de mulheres surdas, salientando que era graças a elas que tinha começado a educação de surdos, já que as duas primeiras alunas do Abade de L’Épée tinham sido duas irmãs surdas. Só a partir de 1883 as mulheres começaram a assistir e a participar n os banquetes.

Os banquetes eram...

Continua na próxima edição…

Nas décadas seguintes surgiram outras batalhas com diversos desfechos, mas o pior momento ainda estava para vir, com o Congresso de Milão, em 1880.

Paulo Vaz de Carvalho Prof. de História do Instituto Jacob Rodrigues Pereira

Nº 1 . Dezembro 2009 . Trimestral4Nº 1 . Dezembro 2009 . Trimestral5 História dos Surdos

Em Portugal, as actividades, aventura, formação destinada aos jovens é cedida quer pelas Associações filiadas à Federação Portuguesa das Associações de Surdos quer pelo Centro de Jovens Surdos que, sendo uma instituição autónoma da Federação, prepara, divulga, organiza, patrocina actividades por iniciativa própria. Porém, havendo duas/três “casas” a prepararem coisas para oferecer aos jovens, toda a expansão juvenil, em Portugal, não manifesta preferências regionais ou institucionais, e o lema dos jovens torna-se na diversão, participação e interesse nesta ou naquela actividade/evento, indepen- dentemente de onde vem e para onde vai. Actividades tais como DiverLanhoso, Aventura em Óbidos, Rotary – Ryla são as mais recentes das inúmeras que já se concretizam ao longo dos anos de existência destes encontros juvenis em Portugal:

Rotary-Ryla A primeira aventura/formação/militarização a Surdos em Portugal, tendo como tema “Rumo à Inclusão com Liderança” efectuada na zona sul do país, sob a organização do Rotary Club Setúbal – Sado em parceria com a Associação Portuguesa de Surdos, que contou com a presença de 20 jovens Surdos entre eles 5 do Porto, 1 dos Açores e 14 da zona de Lisboa! Toda a formação realizada de 4 a 9 de Abril, contou com a colaboração do Centro de Yoga da Quinta do Anjo, da Academia Militar Gomes Freire e da Amadora; Escola de Fuzileiros de Vale do Zebro; Convento da Arrábida; Kartódromo Internacional de Palmela sendo que, em paralelo, tivemos a parceria dos Rotary’s Club de Montijo, Sesimbra, Barreiro, Setúbal, e Azeitão. Durante estes dias construiu- -se, nos jovens participantes, as noções e práticas de liderança para futuras intervenções. GENIAL!

I DiverJS uma aventura radical, sob a organização da Divisão Juvenil da Associação de Surdos do Porto em parceria com a empresa DiverLanhoso, teve como intenção um encontro/convívio nacional, juntando todos os jovens

do país, numa semana de férias após sucessivos meses presos à força do trabalho. Esta aventura prolongou-se pelos dias 26, 27, 28, 29, 30, 31 de Julho e 1 de Agosto e contou, inesperadamente, com apenas 7 participantes entre eles 6 da zona do Porto e 1 dos Açores. Realizada no norte de Portugal, em Póvoa de Lanhoso, com um programa radical replecto de aventuras nos diferentes meios: Água, Terra; Mar e Ar, foram proporcionados Slide, Rappel, Percurso Challenger – 38 Pontes Flutuantes, Paintball, Via Ferrata, Minas Labirinto, Tiro ao Alvo, Hipismo, Passeio de Jipe Clássico, Canoagem, Passeio de Gaivota, Boias Rápidas, entre outros que contemplaram os jovens com um sorriso e desejo de repetir.

Aventura em Óbidos A I Aventura do Centro de Jovens Surdos e a primeira aventura de mergulho em Portugal, efectuada na zona sul do país, que contou com a presença de 15 a 20 jovens Surdos e Ouvintes, durante os dias 8, 9 e 10 de Maio. Esta aventura contou com actividades interessantíssimas tais como Cluedo, Espeleologia, Baptismo de Mergulho, Escalada, Tiro com arco, entre outros. Novas aventuras, novos horizontes e aprendizagens se realizaram durante esse fim-de-semana e a promessa de mais eventos ficou apresentada pela equipa organizadora! Em todas estas actividades assim como outras mais, o grupo de jovens tem tido números de presenças bastante diversificados, demonstrando que a participação não é fixa assim como os interesses levando a que cada equipa organizadora, pense e repense todas as práticas de lazer a realizar o que é um desafio constante.

Porém, além de todas as aventuras a serem vividas e accionadas, é, igualmente, importante sentirmos que, hoje em dia, as questões relacionadas com o associativismo nacional não podem ser excluídas e que cabe aos jovens terem formação para seguirem em frente e assumirem-se como futuros lideres. Tal como apela na filosofia do Instituto Português da Juventude, promovendo a participação dos jovens em todos os domínio da vida pessoal, é também crucial que as associações do país, os centros de jovens e a Federação apelem e apostem em formações de liderança, decisões, construção e gestão de projectos, entre outros.

Associativis mo Juven il

A História da fundação da primeira escola pública de surdos do mundo está intimamente ligada à vida e obra do Abade de L’Epée. Charles Michel de L’Épée nasceu em Versalhes, França, em 1712. Começou a ensinar surdos por razões religiosas. Para muitos, foi o “criador” da Língua Gestual, contudo, sabemos que já existia Língua Gestual antes dele. O seu grande mérito foi ter reconhecido que esta língua existia, se desenvolvia e servia de base comunicativa essencial entre os surdos. Desta forma, permitia que os surdos tivessem acesso à palavra de Deus. Através dos gestos que os surdos já conheciam, L’Épée explicava conceitos abstractos. Utilizava a língua gestual para ensinar a escrita, mas não a considerava uma língua com gramática. Em sequência deste trabalho, escreveu o livro Instrução dos Surdos-Mudos pela Via dos Sinais Metódicos, em 1776. Relativamente à linguagem dos surdos referiu o seguinte: “Todo surdo-mudo

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