Atualização em feridas

Atualização em feridas

(Parte 1 de 8)

FACULDADE SANTA MARIA

CURSO BACHARELADO EM ENFERMAGEM

Reconhecido pela Port. 939 de 20 de novembro de 2006

BR 230, Km 504, Cx. Postal 30 - CEP: 58.900-000

Fone (083) 3531-2848 Fone/Fax: 3531-1365

CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM CUIDADO DE FERIDAS E CURATIVOS

MINISTRANTE:Enfª. Mestranda Aliny de Lima santos

Mandaguari-PR

2010

“Todos nós temos problemas que não gostamos de

lembrar, que achamos feios, doloridos, sujos, e os escondemos

dos outros como feridas feias e infectadas. Alguns colocam

ataduras que envolvem as estruturas vizinhas para camuflálas,

tal como um tornozelo enfaixado...”

“...Também estas feridas necessitam de tratamento,

embora o tempo se comprometa, na maioria das vezes, a

cicatrizá-las por segunda intenção. Se expusermos nossas

feridas, realizaremos as limpezas necessárias em nossas mentes

e em nosso interior, poderemos abreviar o tempo do sofrimento.

Algumas vezes ficarão cicatrizes, que irão para sempre nos

lembrar as lições que a vida nos ofertou...”

“... Para o tratamento de feridas alguns requisitos básicos

são necessários: conhecimento, dedicação, paciência,

determinação, carinho e amor...”

Prof. Dr. Jamiro da Silva Wanderley

do livro “Abordagem Multiprofissional do Tratamento de Feridas” - São Paulo / 2003.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

  • História e evolução no tratamento de feridas;

  • Anatomia e fisiologia da pele;

  • Feridas;

  • Tipos de Avaliação das Feridas;

    1. Classificação das Feridas pelo grau de lesão tissular

    2. Classificação das Feridas quanto à profundidade

    3. Classificação das Feridas quanto às cores que o leito apresenta

    4. Classificação das Feridas quanto ao aspecto do exsudato

    5. Classificação das Feridas de acordo com a dimensão

  • Fisiologia da cicatrização;

  • Tipos de Cicatrização;

    1. Primeira Intenção

    2. Segunda Intenção

    3. Terceira Intenção

  • Tipos de Desbridamento;

  • Técnicas Básicas para a Realização de Curativos;

  • Alguns Produtos e Técnicas Utilizadas em Curativo;

    1. Solução de Soro Fisiológico 0,9% (SF 0,9%) + Cobertura Seca

    2. Curativo Úmido com Solução Fisiológica a 0,9%

    3. Membranas ou Filmes Semipermeáveis (Curativo de Filme Transparente Adesivo)

    4. Ácidos Graxos Essenciais (AGE)

    5. Hidrogel

    6. Alginato de Cálcio

    7. Placa de Hidrocolóide

    8. Colagenase

    9. Sulfadiazina de Prata

    10. Bota de Unna

    11. Papaína

  • Aspectos Éticos no Tratamento de Feridas

INTRODUÇÃO

As feridas são conseqüência de uma agressão por um agente ao tecido vivo. O tratamento das feridas vem evoluindo desde 3000 anos a.C., onde as feridas hemorrágicas eram tratadas com cauterização; o uso de torniquete é descrito em 400 a.C.; a sutura é documentada desde o terceiro século a.C. Na Idade Média, com o aparecimento da pólvora, os ferimentos tornaram-se mais graves.

O cirurgião francês Ambroise Paré, em 1585 orientou o tratamento das feridas quanto à necessidade de desbridamento, aproximação das bordas e curativos. Lister, em 1884, introduziu o tratamento anti-séptico. No século XX, vimos a evolução da terapêutica com o aparecimento da sulfa e da penicilina.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS

A ferida é um problema sócio-econômico e educacional, pois para a cicatrização das lesões são importantes a boa nutrição, assiduidade corporal e higiene da área afetada. Na condição de miséria e fome, que grande parte da população mundial está sujeita, o “viver da doença” passa a ser um aspecto comum.

Devemos aprender a valorizar os aspectos psicológicos do portador de feridas, a salientar mais uma vez a importância da abordagem interdisciplinar, necessitando em muitos casos da intervenção do psicólogo.

ANATOMIA DA PELE

A pele é constituída de duas camadas principais – a epiderme e a derme. Cada uma delas é composta de tipos de tecidos diferente e tem funções distintas.

A epiderme é a camada mais externa da pele é fina, avascular e costuma regenerar-se em 4 a 6 semanas. Suas funções básicas são manter a integridade da pele e atuar como barreira física. Constituída por várias camadas de células, a epiderme contém cinco subcamadas – o estrato córneo, mais externo; o estrato lúcido; o estrato granuloso; o estrato espinhoso, e a camada mais interna, o estrato germinativo, ou camada de células basais.

O estrato germinativo liga a epiderme a segunda e mais espessa das camadas da pele, a derme.

A função da derme é oferecer resistência, suporte, sangue e oxigênio à pele. Essa camada contém vasos sanguíneos, folículos pilosos, vasos linfáticos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. A derme é composta de fibroblastos, colágeno e fibras elásticas.

Os fibroblastos são responsáveis pela formação de colágeno, substância matricial, e proteínas de elastina. O colágeno dá resistência à pele e a elastina é responsável pelo rechaço cutâneo.

Espessos feixes de colágeno ligam a derme ao tecido subcutâneo e às estruturas de suporte subjacentes, como fáscia, músculo e ossos.

O tecido subcutâneo é composto pelos tecidos adiposo e conjuntivo, além de grandes vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos.

A espessura da epiderme, da derme e do tecido subcutâneo variam entre diferentes pessoas e partes do corpo.

FISIOLOGIA DA PELE

A pele é o maior órgão do corpo humano, constituindo cerca de 10% do peso corporal. Está constantemente exposta a agressões físicas, químicas e mecânicas, que podem ter conseqüências físicas permanentes ou não.

AS FUNÇÕES DA PELE SÃO:

1. Proteção: a pele atua como barreira física contra microrganismos e outras substâncias estranhas, protegendo contra infecções e perda excessiva de líquidos.

2. Sensibilidade: as terminações nervosas da pele permitem que a pessoa sinta dor, pressão, calor e frio.

3. Termorregulação: a pele ajuda a regular a temperatura corporal mediante vasoconstrição, vasodilatação e sudorese.

4. Excreção: a pele ajuda na termorregulação, mediante a excreção de resíduos, como eletrólitos e água.

5. Metabolismo: a síntese de vitamina D na pele exposta à luz solar, por exemplo, ativa o metabolismo de cálcio e fosfato, minerais que desempenham um papel importante na formação óssea.

6. Imagem Corporal: a pele detalha a nossa aparência, identificando de modo único cada indivíduo.

CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE FERIDAS;

O termo ferida é utilizado como sinônimo de lesão tecidual, deformidade ou solução de continuidade, que pode atingir desde a epiderme, até estruturas profundas, como fáscias, músculos, aponeuroses, articulações, cartilagens, tendões, ossos, órgãos cavitários e qualquer outra estrutura do corpo. Desenvolvem-se como conseqüência de uma agressão ao tecido vivo por agentes físicos, químicos, térmicos ou biológicos. Também, podem ocorre devido a distúrbios clínicos ou fisiológicos. As feridas podem ser causadas por fatores extrínsecos; como incisão cirúrgica e lesões acidentais por corte ou trauma; ou intrínsecos; como feridas produzidas por infecção, úlceras crônicas e vasculares, defeitos metabólicos e neoplasias. Existem diferentes tipos de feridas, de acordo com a sua classificação.

As feridas podem ser classificadas de várias maneiras: pelo tipo do agente causal, de acordo com o grau de contaminação e pelo tempo de traumatismo, sendo que as duas primeiras são as mais utilizadas.

QUANTO AO AGENTE CAUSAL

1. Incisas ou cortantes - são provocadas por agentes cortantes, como faca, bisturi, lâminas, etc.; suas características são o predomínio do comprimento sobre a profundidade, bordas regulares e nítidas, geralmente retilíneas. Na ferida incisa o corte geralmente possui profundidade igual de um extremo à outro da lesão, sendo que na ferida cortante, a parte mediana é mais profunda.

2. Corto-contusa - o agente não tem corte tão acentuado, sendo que a força do traumatismo é que causa a penetração do instrumento, tendo como exemplo o machado.

3. Perfurante são ocasionadas por agentes longos e pontiagudos como prego, alfinete. Pode ser transfixante quando atravessa um órgão, estando sua gravidade na importância deste órgão.

4. Pérfuro-contusas - são as ocasionadas por arma de fogo, podendo existir dois orifícios, o de entrada e o de saída.

5. Lácero-contusas - Os mecanismos mais freqüentes são a compressão: a pele é esmagada de encontro ao plano subjacente, ou por tração: por rasgo ou arrancamento tecidual. As bordas são irregulares, com mais de um ângulo; constituem exemplo clássico as mordidas de cão.

7. Perfuro-incisas - provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes que possuem gume e ponta, por exemplo um punhal. Deve-se sempre lembrar, que externamente, poderemos ter uma pequena marca na pele, porém profundamente podemos ter comprometimento de órgãos importantes como na figura abaixo na qual pode ser vista lesão no músculo cardíaco.

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