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1 – CONCEITO 2 – TIPOS DE FÔRMAS 3 – EXECUÇÃO DAS FÔRMAS 4 – ESCORAMENTOS DE FÔRMAS 5 – PRAZOS PARA DESFÔRMAS GLOSSÁRIO NORMAS TÉCNICAS BIBLIOGRAFIA

1 – CONCEITO

São as estruturas provisórias, geralmente de madeira, destinadas a dar forma e suporte aos elementos de concreto até a sua solidificação. Além da madeira, que pode ser reutilizada várias vezes, tem sido difundido, ultimamente, o uso de fôrmas metálicas e mistas, combinando elementos de madeira com peças metálicas, plásticos, papelão e prémoldados.

Na construção civil, sempre foi certo consenso deixar para que encarregados e mestres ficassem responsáveis pela definição das fôrmas, acreditando-se no critério adotado para dimensionamento prático fosse suficiente para garantir a estabilidade das estruturas provisórias. Pouca atenção foi dispensada para os custos decorrentes da falta de um rigor maior no trato das fôrmas. Atualmente, com o alto custo da madeira, a necessidade de maior qualidade (controle tecnológico dos materiais), a redução das perdas (materiais e produtividade da mão-de-obra), redução de prazos de entrega (competitividade) etc, é imperioso que o engenheiro dê a devida importância ao dimensionamento das fôrmas e escoramentos provisórios considerando os planos de montagem e desmontagem e o reaproveitamento na mesma obra.

Em orçamentos

Estruturas de Concreto Armado Estrutura s Superestrutura Supra e strutura

Concreto armado

Forma s m2 a rma dura s kg Concreto m3

Custo das formas na obra6%

Custo da estrutura15% do custo da obra

Arma dura s 30% Concreto 30% formas40% (até 6 reaproveitamentos) 1 m3

2 – TIPOS DE FÔRMAS

Em geral as fôrmas são classificadas de acordo com o material e pela maneira com são utilizadas, levando em conta o tipo de obra. Na tabela abaixo são mostradas as possibilidades do uso das fôrmas.

Tipos de fôrmasMaterialIndicação (tipo de obra)

ConvencionalMadeiraPequenas obras particulares e detalhes específicos

ModuladasMadeira e mistasObras repetitivas e edifícios altos

TrepantesMadeira, metálicas e mistasTorres, barragens e silos

Deslizantes verticaisMadeira, metálicas e mistasTorres e pilares altos de grande seção

Deslizantes horizontaisMetálicasBarreiras, defensas e guias

2.1 – Fôrmas de madeira

Muitas são as razões para as fôrmas de madeira ter seu uso mais difundido na construção civil. Entre elas estão: a utilização de mão-de-obra de treinamento relativamente fácil (carpinteiro); o uso de equipamentos e complementos pouco complexos e relativamente baratos (serras manuais e mecânicas, furadeiras, martelos etc.); boa resistência a impactos e ao manuseio (transporte e armazenagem); ser de material reciclável e possível de ser reutilizado e por apresentar características físicas e químicas condizentes com o uso (mínima variação dimensional devido à temperatura, não-tóxica etc.). As restrições ao uso de madeira como elemento de sustentação e de molde para concreto armado se referem ao tipo de obra e condições de uso, como por exemplo: pouca durabilidade; pouca resistência nas ligações e emendas; grandes deformações quando submetida a variações bruscas de umidade; e ser inflamável.

2.1.1 – Fôrmas de tábuas

As fôrmas podem ser feitas de tábuas de pinho (araucária – pinheiro do Paraná); cedrinho (cedrilho); jatobá e pinus (não-recomendado). O pinho usado na construção é chamado de pinho de terceira categoria ou 3ª construção ou IIIªC. Normalmente, as tábuas são utilizadas nas fôrmas como painéis laterais e de fundo dos elementos a concretar. Algumas madeireiras podem fornecer, ainda, pinho tipo IVªRio com qualidade suficiente para serem usadas como fôrmas na construção.

Dimensões usuais das tábuas

Espessura (E) polega da (cm)Nomencla tura

Largura L polegada (cm)

Comprimento C (metro)

Dúzia reduzida 12 tábuas de 1”x12” com 4,20 m

Volume de madeira = 0,39 m3 Área de painel = 50,4 m2

2.1.2 – Chapas compensadas

Normalmente são usadas em substituição às tábuas nos painéis das fôrmas dos elementos de concreto armado. São apropriadas para o concreto aparente, apresentando um acabamento superior ao conseguido com painéis de tábuas. Nas obras correntes são utilizadas chapas resinadas, por serem mais baratas e nas obras onde se requer melhor acabamento, exige-se o uso de chapas plastificadas, que embora de maior custo, obtém-se um maior número de reaproveitamento.

No caso da utilização de chapas é recomendável estudar o projeto de fôrmas a fim de otimizar o corte de maneira a reduzir as perdas. As bordas cortadas devem ser pintadas com tinta apropriada para evitar a infiltração de umidade e elementos químicos do concreto entre as lâminas, principal fator de deterioração das chapas.

Dimensões das chapas compensadas

Número de reaproveitamentos

Resina dos Pla stific a dos mais de 5 por face (10x) mais de 15 por face (30x)

2.1.3 – Solidarização e reforço de chapas compensadas

Quando for usar painéis de chapas de compensados para moldar paredes, vigas altas, pilares de grandes dimensões e bases para assoalhados (lajes), será conveniente reforçar as chapas a fim de obter um melhor rendimento pelo aumento da inércia das chapas. Para isso pode-se utilizar reforços de madeira (ripamento justaposto), peças metálicas ou ainda sistemas mistos de peças de madeira e metálicas.

Ripas de 1”x2”

A Corte A

Chapa compensada 1,10x2,20 m

2.1.4 – Complementos

Os complementos e acessórios são utilizados para reforçar e sustentar (solidarizar) os painéis de tábuas e de chapas compensadas e podem ser peças únicas de madeira ou metálicas ou, ainda, conjuntos de peças de madeira e metal, como por exemplo: guias, talas de emenda, cunhas, placas de apoio, chapuzes, gravatas, escoras (mão-francesa), espaçadores, estais, tirantes etc. Nos casos das peças de madeira, pode-se usar: sarrafos de ½”x2”; ripas de 1”x2”, 1”x3”; caibros de 2”x3”, 3”x4”, 2”x4”, 4”x5”; pontaletes de 2”x2”, 3”x3”, 4”x4” etc.

Espaçador com coneEspaçador bloco vazado

Tirante arame retorcidoTirante vergalhão encunhado

Tirante com chapa e ponta rosqueávelTirante rosqueado nas duas pontas

2.2 – Fôrmas metálicas

São chapas metálicas de diversas espessuras dependendo das dimensões dos elementos a concretar e dos esforços que deverão resistir. Os painéis metálicos são indicados para a fabricação de elementos de concreto pré-moldados, com as fôrmas permanecendo fixas durante as fases de armação, lançamento, adensamento e cura. Em geral possuem vibradores acoplados nas próprias fôrmas. Nas obras os elementos metálicos mais usados são as escoras e travamentos. Embora exijam maiores investimentos, as vantagens do uso de fôrmas metálicas dizem respeito a sua durabilidade.

2.3 – Fôrmas mistas

Geralmente são compostas de painéis de madeira com travamentos e escoramentos metálicos. As partes metálicas têm durabilidade quase que infinita (se bem cuidadas) e as peças de madeira tem sua durabilidade restrita a uma obra em particular ou com algum aproveitamento para outras obras.

2.4 – Esquema geral de fôrmas em edificações

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