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_ 1 Professor do Departamento de Agricultura/UFLA, Lavras-MG. 2 Aluno de Pós-Graduação do Departamento de Agricultura /UFLA. 3 Professor do Departamento de Biologia/UNIMONTE, Montes Claros-MG.

José Darlan Ramos1

Rafael Pio2 Paulo Sérgio Nascimento Lopes3

1 IMPORTÂNCIA DA CULTURA

O maracujazeiro-azedo ou “amarelo” é uma frutífera de grande importância no setor agrícola, com frutos de excelentes qualidades e grande aceitação no mercado mundial.

O Brasil é o maior produtor desta fruta, com mais de 3.0 hectares cultivados, distribuídos em quase todos os estados brasileiros, destacando-se São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás.

Na região sul do estado de Minas Gerais, com predominância de pequenas propriedades rurais, o maracujazeiro-azedo é uma excelente opção de renda, tendo em vista a grande demanda por essa fruta na região.

2 PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE

A produção de frutas do maracujazeiro-azedo pode-se iniciar-se aos 8 meses após o plantio da muda no local definitivo.

A produtividade pode chegar até 70 toneladas/ha nos 3 anos de cultivo, podendo, no segundo ano, atingir até 40 toneladas/ha. Essas estimativas de produtividades são possíveis de acordo com o manejo realizado pelo produtor, desde a utilização de irrigação, tratos culturais adequados e polinização artificial.

3 COMERCIALIZAÇÃO E RENTABILIDADE

A rentabilidade da cultura pode variar em função do nível tecnológico do produtor e do destino da produção (indústria e/ou fruta fresca). Para um produtor iniciante na cultura, sugere-se uma reflexão sobre os seguintes pontos: destino da produção;

cotações de preços nos últimos quatro ou cinco anos;

seguir todas as recomendações técnicas de cultivo;

saber que o mercado de fruta fresca de maracujá é limitado, tornando-se interessante associar-se a alguma indústria ou comércio local que lhe garanta a compra do produto.

Em geral, a agroindústria tem se destacado como compradora no mercado de frutas, assumindo grande importância na comercialização do maracujá.

Os atacadistas têm sido os intermediários entre o produtor e o consumidor final, que recebem os produtos embalados em caixas tipo “K” ou papelão ondulado, com capacidade de 13 kg de maracujá. Os canais de distribuição mais comuns são as feiras livres e os sacolões de frutas.

4 ESCOLHA DA VARIEDADE

Existem algumas seleções e híbridos com sementes disponíveis comercialmente. As principais são:

Híbridos IAC: desenvolvidas pelo IAC (Instituto Agronômico de

Campinas), tendo como principais características, a uniformidade das frutas, bom rendimento de suco, alto teor de açúcares, polpa alaranjada e boa produtividade;

Seleção Sul Brasil: selecionadas nas condições de São Paulo, visando principalmente ao mercado de fruta fresca. Produz, na maioria, frutas grandes, ovaladas e boa produtividade. No entanto, apresenta baixo rendimento de suco e teores de açúcares;

Seleção Maguary ou Araguari: desenvolvidas nas condições do

Triângulo Mineiro, apresentando, como principais características, o alto rendimento de suco e teores de açúcares, além da boa produtividade e rusticidade. Como foi desenvolvido para atender ao mercado industrial, apresenta frutos desuniformes em tamanho e cor da casca;

Seleções EMBRAPA: a EMBRAPA vem desenvolvendo algumas variedades e híbridos, destacando o ‘roxo australiano’ e o ‘vermelhão’.

5 CLIMA

Para um desenvolvimento satisfatório, o maracujazeiro exige temperaturas que variam de 23º a 25°C, 900 a 1.500 m de chuvas anuais bem distribuídas e comprimento do dia de, pelo menos, 1 horas. Temperaturas inferiores a 12°C, por mais de 5 horas consecutivas, provocam a queda de botões florais e de frutos jovens. Devem ser evitados locais com incidências de geadas.

6 SOLO

O maracujazeiro-azedo adapta-se bem aos diversos tipos de solos, porém, é necessário que o mesmo seja profundo e tenha, principalmente, boa drenagem. Essa frutífera não suporta encharcamento, ainda que, por curto período, pois, tal ocorrência pode favorecer o ataque de fungos. Estes, penetrando por ferimentos no sistema radicular da planta, causam a doença denominada de “podridão do pé”, causada pelo fungo Phytophthora sp. Em solos muitos argilosos, com drenagem deficiente ou quando a cultura for irrigada, recomendam-se algumas precauções complementares, a exemplo de plantios em camalhões.

7 PROPAGAÇÃO

A propagação desta frutífera pode ser feita por sementes, estaquia ou enxertia. O meio mais utilizado nos plantios comerciais ainda é a propagação por sementes.

7.1 Extração das sementes

Um dos processos utilizados para a extração das sementes é a realização de um corte da casca da fruta e a retirada da polpa com uma colher. A separação das sementes da mucilagem é feita colocando-as para fermentar em um balde plástico, por 3 a 5 dias. Após, lavar em água corrente e secar à sombra por 2 dias.

Outro processo é a retirada da mucilagem utilizando-se 1% de cal hidratada (1 g de cal hidratada por kg de sementes). Misturam-se as sementes com a cal e lavam-se em uma peneira fina por várias vezes.

As sementes, depois de secas à sombra, devem ser colocadas para germinar em saquinhos ou tubetes, ou podem ainda ser armazenadas em geladeira (temperatura de 4 a 5°C).

7.2 Semeadura

Em condições de clima adequado durante o ano todo, com utilização de irrigação e sem ocorrência de geadas, é possível realizar o plantio durante o ano inteiro. Nas condições da região sudeste, o plantio poderá ser realizado em duas épocas. Na primeira época, a muda será produzida dois meses antes da estação chuvosa, ou seja, a semeadura em setembro/novembro e plantio em novembro/janeiro, permitindo obter uma safra de julho a agosto. Na segunda época, a semeadura deve ser realizada de dezembro/janeiro, para que a muda seja levada ao campo em fevereiro/março, com a safra iniciada em outubro, prolongando-se até o final de junho do ano seguinte.

A semeadura pode ser feita em sacos plásticos de 10 X 25 cm ou 18

X 30 cm, podendo-se utilizar também os tubetes ou as bandejas.

Quando se utilizar sacos plásticos, o substrato pode ser composto de três partes de solo e uma parte de esterco de galinha curtido. Deve-se adicionar a cada metro cúbico dessa mistura 5,0 kg de superfosfato simples e 0,5 kg de cloreto de potássio.

Se a opção for a utilização de tubetes ou bandejas de isopor para a obtenção das mudas, recomendam-se tubetes com dimensões de 12 cm de comprimento por 3 cm no diâmetro maior, com volume de 50 ml. As bandejas devem ser constituídas de 72 células (mais utilizada) em formato piramidal, contendo um volume de 75 ml por célula. Neste caso, o substrato recomendado é a vermiculita, contendo macro e micronutrientes. É importante salientar que, para a utilização de tubetes e bandejas, é necessário uma estrutura plástica ou estufa. Essa estrutura, além de manter um ambiente adequado, visa proteger o substrato de chuvas e manter uma temperatura adequada. Como a quantidade de substrato em cada recipiente é pequena, ocorrendo rápido esgotamento dos nutrientes dos mesmos, tornase necessária uma reposição. Essa deve ser feita por meio de regas semanais, contendo 200 g de nitrocálcio e 35 g de cloreto de potássio, dissolvidos em 10 litros d’água, seguida de uma apenas com água para promover a lavagem das folhas, evitando-se assim danos às folhas mais jovens.

Semear 3 sementes por recipiente, a uma profundidade de 0,5 a 1,0 cm, cobrindo-se com o próprio substrato. Quando a muda atingir 3 a 5 cm de altura, realiza-se o desbate, deixando apenas uma muda mais vigorosa por recipiente.

Recomenda-se a aplicação quinzenal de fungicidas, tais como o cobre Sandoz Br ou Recop (15 g em 10 litros d’água), prevenindo o ataque de doenças, como a antracnose e cladosporiose.

Em geral, as mudas estarão prontas para o plantio definitivo no campo quando apresentarem uma altura de 15 a 25 cm, que corresponde ao período de 45 a 60 dias após a semeadura.

7.3 Irrigação diante a formação da muda

Do semeio à germinação : 2 vezes/dia Da germinação até 15 dias : 1 vez/dia

Dos 15 dias até transplantio : em dias alternados ou conforme a necessidade.

8 IMPLANTAÇÃO DO POMAR

É recomendável um planejamento bem feito antes da implantação do pomar. É necessário conhecer o histórico da área, principalmente com relação à ocorrência de nematóides, fusariose e morte prematura.

8.1 Correção e preparo do solo

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