Existencialismo

Existencialismo

EXISTENCIALISMO

Para entender o significado de existencialismo, é preciso entender que a visão americana do existencialismo derivou das obras de três ativistas políticos, não puristas intelectuais. A América aprendeu o termo existencialismo depois da II Guerra. O termo foi criado por Jean-Paul Sartre para descrever suas próprias filosofias. Até 1950, o termo era aplicado a várias escolas divergentes de pensamento.

Apesar das variações filosóficas, religiosas e ideologias políticas, os conceitos do existencialismo são simples:

•A espécie humana tem tem livre arbítrio; •A vida é uma série de escolhas, criando stress; •Poucas decisões não têm nenhuma conseqüência negativa; •Algumas coisas são absurdas ou irracionais, sem explicação; •Se você toma uma decisão, deve levá-la até o fim.

Além dessa curta lista de conceitos, o termo existencialismo é aplicado amplamente. Até esses conceitos não são universais dentro das obras existencialistas. Blaise Pascal, por exemplo, passou os últimos anos da sua vida escrevendo em apoio da predeterminação. Os homens acham que têm livre arbítrio apenas quando tomam uma decisão.

Por causa da diversidade de posições associadas com o existencialismo, o termo é impossível de ser definido com precisão. Certos temas comuns, no entanto, podem ser identificados. O termo por si só sugere o tema principal: a angústia na existência individual concreta e, conseqüentemente, na subjetividade, liberdade individual e escolha.

•Individualismo moral - A maioria dos filósofos, desde Platão, tem afirmado que o mais alto bem ético é o mesmo para todos; enquanto alguns aproximam-se da perfeição moral, alguns parecem indivíduos moralmente perfeitos. No século XIX, o dinamarquês Kierkegaard, que foi o primeiro pensador a se chamar existencial, reagiu contra essa tradição insistindo que o mais alto bem par o indivíduo é achar a sua própria vocação. Como ele escreveu em seu artigo, "Eu preciso encontrar a verdade que é verdadeira para mim... a idéia pela qual eu vivo ou morro." Outros existencialistas têm repetido a tese de Kierkegaard que diz que cada um precisa escolher seu próprio caminho sem o auxílio de padrões universais.

Contra a visão tradicional de que a escolha envolve um julgamento objetivo do certo e errado, os existencialistas têm argumentado que nenhuma base racional ou objetiva pode ser encontrada nas decisões morais. No século XIX, o filósofo alemão Nietzsche afirmou que o indivíduo precisa decidir que situações incluir como situações morais. •Subjetividade - Todos os existencialistas têm seguido Kierkegaard em enfatizar a importância da ação individual em decidir questões de moralidade e verdade. Eles têm insistido, conseqüentemente, que a experiência individual e a ação de acordo com as suas próprias convicções são essenciais para se chegar à verdade. Assim, a compreensão da situação por alguém envolvido nessa situação é superior à de um observador imparcial. Essa ênfase na perspectiva do indivíduo também tem feito com que os existencialistas suspeitem do raciocínio sistemático.

Kierkegaard, Nietzsche e outros existencialistas têm sido deliberadamente anti-sistemáticos quando expõem suas filosofias, preferindo expressar-se em diálogos, parábolas e outras formas literárias. Ao invés da sua posição anti-racionalista, no entanto, a maioria dos existencialistas não podem ser considerados como irracionalistas no sentido de negar toda a validade do pensamento racional. Eles têm afirmado que a claridade racional é desejável onde quer que seja, mas a mais importante questão na vida não é acessível à razão ou ciência. Além disso, eles têm argumentado que até a ciência não é tão racional como se supõe. Nietzsche, por exemplo, afirmou que a suposição científica de um universo ordenado é, na maior parte, uma ficção útil. •Escolha e compromisso - Talvez o principal tema no existencialismo seja a escolha. A principal distinção da humanidade, no ponto de vista dos existencialistas, é a liberdade de escolha. Os pensadores têm afirmado que os seres humanos não têm uma natureza, ou essência, fixa, como os outros animais e plantas; cada ser humano toma decisões que criam sua própria natureza. Para Sartre, a existência precede a essência. A escolha é, portanto, o centro da existência humana, é inevitável; até a recusa da escolha é uma escolha. A liberdade de escolha acarreta no compromisso e na responsabilidade. Porque as pessoas são livres para escolher seus próprios caminhos, os existencialistas têm argumentado que eles precisam aceitar o risco e a responsabilidade de seguir seu compromisso, aonde quer que ele leve. •Horror e angústia - Kierkegaard afirmou que é espiritualmente crucial reconhecer que cada um experimenta não apenas o medo de objetos específicos, mas também um sentimento de apreensão generalizado, o que ele chama de horror. Ele interpretou isso como uma maneira que Deus encontrou de chamar cada indivíduo para marcar um compromisso com um modo de vida pessoal válido. A palavra angústia (do alemão, angst) tem, similarmente, um papel crucial no trabalho do filósofo alemão do século XX Heidegger; a angústia leva ao confronto do indivíduo com o nada e com a impossibilidade de encontrar justificativas para as escolhas que ele ou ela devem fazer. Na filosofia de Sartre, a palavra náusea é usada para o reconhecimento do indivíduo da gratuidade das coisas, e a palavra angústia é usada para o reconhecimento da total liberdade de escolha que confronta o indivíduo a cada momento.

Definindo o impreciso

Com muitas das instâncias quando tentamos agrupar indivíduos, falhamos quando definimos quem os existencialistas eram. A filosofia desses homens e mulheres são freqüentemente contraditórias. Não apenas os pensadores se contradizem uns aos outros, mas cada um tende a contradizer suas próprias definições, tanto em livros como em ações.

Tendo estabelecido que o existencialismo é um termo aplicado livremente em uma variedade de filosofias, existem temas que são comuns em todos as obras. Dicionários e textos de filosofias oferecem definições simples de existencialismo:

"A doutrina que diz que a existência precede a essência e que o homem é totalmente livre e responsável pelos seus atos. A responsabilidade é a fonte do medo e da angústia persegue a espécie humana." - Webster’s New World Dictionary, Second College Edition; William Collins Publishers, inc.; Cleveland, Ohio, 1979.

"A filosofia que enfatiza a unicidade e o isolamento da experiência individual em um universo hostil e indiferente, considera a existência humana como inexplicável e força a liberdade de escolha e responsabilidade pelas conseqüências de nossos atos." - American Heritage Dictionary of the English Language, Third Edition © 1992 by Houghton Mifflin Complany.

Não há uma ou duas frases que resumem o que mais de uma dúzia de pessoas famosas ou não ponderaram. A única coisa comum parece ser a discórdia.

A grade que acompanha, ilustra a quantidade de ideais expressados pelos maiores existencialistas. Nem todos os pensadores seguem uma linha perfeita na grade. Particularmente, suas linhas políticas são mais variadas que as três categorias listadas.

ReligiosoPredeterminaçãoEtilistaMoralistaIntençõesAgnósticoChanceComunistaRelativistaAçõesAteuLivre ArbítrioAnarquistaAmoralistaResultados

A primeira linha pode representar a obra de Blaise Pascal, especialmente no final da sua vida quando ele tentou defender suas crenças religiosas desesperadamente, incluindo suas contradições inerentes. A última linha representa Jean-Paul Sartre, se não suas próprias idéias.

Como definido previamente, unificando esses homens e mulheres nessa matriz de conceitos é desanimador. Seus pensamentos são ligados pela crença de que a vida é uma luta praticamente inútil contra forças alinhadas em oposição ao indivíduo.

Fé e Existencialismo

Como mencionado anteriormente, o existencialismo não é uma simples escola de pensamento, livre de qualquer e toda forma de fé. Ajuda a entender que muitos dos existencialistas eram, de fato, religiosos.

Pascal e Kierkegaard eram cristãos dedicados. Pascal era católico, Kierkegaard, um protestante radical e defensor dos ensinamentos de Lutero. Nietzsche, apesar da famosa frase "Deus está morto", também parecia acreditar em um criador, mesmo desprezando religiões organizadas como uma ferramenta de manipulação e controle de massas. Dostoievsky era greco-ortodoxo, a ponto de ser fanático. Kafka era judeu; Hegel era muito muito religioso, acreditando que nenhum poder era obtido sem o consentimento do criador.

Sartre era o único que realmente não acreditava em força divina. Sartre não foi criado sem religião, mas a II Guerra Mundial e o constante sofrimento no mundo levou-o para longe da fé, de acordo com várias biografias, incluindo a de sua amante, Simone de Beauvior. Curiosamente, Sartre passou seus últimos anos de vida explorando assuntos de fé e dedicação com um judeu ortodoxo. Apenas podemos imaginar suas conversas, já que Sartre não as registrou.

Para os existencialistas cristãos, a fé defende o indivíduo e guia as decisões com um conjunto rigoroso de regras. Para os ateus, a ironia é a de que não importa o quanto você faça para melhorar a si ou aos outros, você sempre vai se deteriorar e morrer. Muitos existencialistas acreditam que a grande vitória do indivíduo é perceber o absurdo da vida e aceitá-la.

Resumindo, você vive uma vida miserável, pela qual você pode ou não ser recompensado por uma força maior. Se essa força existe, por que os homens sofrem? Se não existe, por que não cometer suicídio e encurtar seu sofrimento? Essas questões apenas insinuam a complexidade do pensamento existencialista.

O Indivíduo versus a Sociedade

O existencialismo representa a vida como uma série de lutas entre o indivíduo e tudo. O indivíduo é forçado a tomar decisões; freqüentemente, qualquer escolha é uma escolha ruim. Nas obras de alguns pensadores, parece que a liberdade e a escolha pessoal são as sementes da miséria. A maldição do livre arbítrio foi de particular interesse dos existencialistas teológicos e cristãos. Dando o livre arbítrio, o criador estava punindo a espécie humana na pior maneira possível.

As regras sociais são o resultado da tentativa dos homens de limitar suas próprias escolhas. Ou seja, quanto mais estruturada a sociedade, mais funcional ela deveria ser. A adoção dessa teoria antropológica pode explicar porque os existencialistas tendem a ser favoráveis ao autoritarismo ou a formas rígidas de governo, como o comunismo, socialismo e facismo. Com apenas um partido político, um líder forte, uma única direção, é muito mais fácil alcançar a funcionalidade.

Os existencialistas explicariam porque algumas pessoas se sentem atraídas pelas carreiras militares baseando-se no desafio de tomar decisões. Seguir ordens é fácil; requer pouco esforço emocional fazer o que lhe mandam. Se a ordem não é lógica, não é o soldado que deve questionar. Deste modo, as guerras podem ser explicadas, genocídios de massa podem ser entendidos. As pessoas estavam apenas fazendo o que lhe foi dito.

Como pode um filósofo que enfoca o indivíduo abraçar uma teoria social tão anti-indivíduo? De fato, Sartre e Heidegger acreditavam que foram libertados de decisões básicas, sobre como obter comida, abrigo e segurança, para concentrar-se em decisões mais importantes. Heidegger e Sartre, partidários de Hitler e da União Soviética, respectivamente, viram em governos autoritários a promessa da liberdade individual para exercer a arte, ciência, etc. Quando a utopia fosse alcançada e as pessoas estivessem fazendo o que melhor sabiam fazer, o indivíduo seria beneficiado, assim como a própria sociedade.

Os Existencialistas

As pessoas listadas representam os maiores pensadores existencialistas. Este gráfico está em ordem filosófica, não na de publicação ou vida.

NomeFilosofia/FéContribuiçãoSoren KierkegaardExistencialista, ProtestanteConsiderado o primeiro existencialista, seu trabalho foi popularizado por HeideggerFriedrich NietzscheDarwinista, Anti-CristãoSuas idéias influenciaram Heidegger e SartreEdmundo HusserlFenomenologistaDesenvolveu os conceitos de essência e existênciaMartin HeideggerFenomenologista, ExistencialistaAssistente de Husserl, tradutor de KierkegaardFranz KafkaAbsurdista, JudeuSemelhante a Camus, Sartre, na representação do destino cruelJean-Paul SartreExistencialista, AteuEstudante de Heidegger, colega e amante de BeauvoirSimone de BeauvoirExistencialista, FeministaAmante de Sartre, amiga de Camus, Merleau-PontyMaurice Merleau-PontyFenomenologista, ExistencialistaAmigo de Sartre, Camus. Partidário da Fenomenologia HursselianaAlbert CamusExistencialista, Absurdista, AteuMembro da Resistência Francesa durante a II Guerra com Sartre, Merleau-Ponty, de BeauvoirKarl JaspersExistencialistaContemporâneo de Sartre, Camus.

História

O existencialismo é um movimento filosófico e literário distinto pertencente aos séculos XIX e XX, mas os seus elementos podem ser encontrados no pensamento (e vida) de Sócrates, na Bíblia e no trabalho de muitos filósofos e escritores pré-modernos.

Culturalmente, há dois grupos principais de existencialistas: Alemão-Dinamarquês e Anglo-Francês. Além desses, as culturas judaica e o russa também contribuíram com a filosofia. O movimento filosófico agora conhecido como existencialismo pode ser traçado de 1879 até 1986, quando Simone de Beauvoir morreu. Após ter experienciado vários distúrbios civis, guerras locais e duas guerras mundiais, algumas pessoas na Europa foram forçadas a concluir que a vida é inerentemente miserável e irracional.

Alemanha

Toda a história da Alemanha pode ser vista como uma contribuição à evolução do pensamento existencialista. Folheando um bom livro de história, torna-se claro que a Alemanha tem sido atacada e tem atacado. Sua cultura é formada pela guerra; é no período de 1871 até a II Guerra Mundial que se mais se formou o pensamento existencialista.

A seguinte linha do tempo representa apenas uma fração dos eventos que ocorreram na Alemanha. A pessoal mais responsável pelos seus altos e baixos é Otto von Bismarck. Para controlar a Alemanha de 1862 até 1890, ele primeiramente encontrou inimigos em outras nações. Quando acreditou que o país tinha uma razoável quantidade de terras, ele encontrou liberais e socialistas para perseguir. Para muitos, Bismarck não teve ideais políticos reais, apenas a ilusão de que ele e apenas ele poderia governar a Alemanha.

5/05/1813S. Kierkegaard nasce na Dinamarca.1814 a 1815Congresso de Viena restabelece a nobreza da Alemanha e reduz o número de estados reconhecidos de vários de centenas para dezenas. A família Hapsburg declara o Império Austríaco.1831Georg Hegel morre.1834Prússia forma uma união de tarifas, controlando as taxas na Alemanha.15/10/1844Friedrich Nietzsche nasce.1848A Revolução Liberal Alemã. Os estados alemães concordam em formular uma nova constituição, com uma monarquia constitucional baseada no modelo britânico.1849Frederick William IV, rei da Prússia, recusa-se a governar um governo parlamentar, quebra o Parlamento de Franckfurt.8/04/1859Edmund Husserl nasce.1862O presidente-ministro prússio Otto von Bismarck inventa um plano secreto para unir a Alemanha.1864A guerra contra a Dinamarca, resultando em uma cessão de terras dinamarquesas. Áustria se uniu à Prússia.1866As Sete Semanas; Bismarck cria uma disputa com a Áustria sobre os territórios dinamarqueses.1867Bismarck declara a Confederação da Alemanha do Norte.1870 a 1871Declarando guerra à França, Bismarck manda tropas ao sul da Alemanha. Declara que os estados ao sul fazem parte da Federação Alemã.18/01/1871O Novo Reich de Versalhes. O rei da Prússia, William I, é nomeado Imperador (Kaiser) da Alemanha. 8/02/1878Martin Buber nasce na Áustria.1882Bismarck conduz a Alemanha à Aliança Tripla com a Áustria e a Itália.23/02/1883Karl Jaspers nasce.20/08/1886Paul Tillich nasce em Starzeddel, Alemanha.1887Bismarck negocia um trato com a Rússia.1888William II assume o trono, depois de um curto (alguns meses) reinado de Frederick III.26/10/1889Martin Heidegger nasce.1890Bismarck perde o controle do Reichstag (parlamento) e é forçado a renunciar por William II.1890Depois de Bismarck renunciar, William II permite o trato com a Rússia por engano. França forma uma aliança com a Rússia, assinando um tratado em 1894.1914Rússia e Áustria disputam a Sibéria. Sob os termos da Aliança Tripla, a Alemanha declara guerra à Rússia. Como a França tinha um tratado com a Rússia, toda a Europa entra na I Guerra Mundial.11/1918A população alemã força o governo a procurar um tratado de paz. O Kaiser é forçado a um exílio.1918 a 1919Vários movimentos comunistas tomam seu lugar em estados alemães.1919A assembléia democrática encontra-se em Weiman para formar a república, conhecida como a República Weiman. O primeiro grupo de ministros renuncia ao invés de assinar o Tratado de Versalhes, terminando a I Guerra Mundial.06/1919O novo governo da Assembléia Weiman é forçado a assinar o Tratado de Versalhes, incluindo a cessão de terras conquistadas antes da guerra.1923O Partido Socialista Nacional tenta um golpe em Bavária. Adolf Hitler, seu líder, é ridicularizado pela tentativa.1932O Partido Socialista Nacional torna-se o maior partido no Reichstag.30/01/1933O presidente do Reichstag Paul von Hindenbug nomeia Adolf Hitler seu chanceler (chefe executivo).30/06/1934Os socialistas exigem que o novo chanceler implemente o socialismo na Alemanha. Hitler tem seus líderes expulsos do governo. Mais importante, 150 líderes militares do Sturmabteilung foram executados, deixando Hitler e o Partido Nazista com o controle da Alemanha.

Como você pode observar na linha do tempo, Nietzsche e Kierkegaard experienciaram a ascensão da cultura alemã. Bismarck realmente trouxe prosperidade à Alemanha, seja através da guerra ou de políticas de comércio, penalizando a importação em um mercado mundial que queria os produtos alemães. A idéia de Nietzsche de um super-homem, um homem dirigindo a vida com um desejo puro de poder e excelência, foi formada pela Alemanha de Bismarck. Mais tarde, Hitler perverteria o ponto de debate filosófico em um sistema de convicções.

França

A II Guerra Mundial é o evento definitivo da história do existencialismo francês. Antes da II Guerra, os franceses se orgulhavam de seu país como uma potência mundial. Como colônias em expansão, uma rica história e uma final vitorioso da I Guerra Mundial, os franceses consideravam seu país a salvo e seguro.

Um resumo da história Francesa-Alemã poderia ser: França invade Alemanha, Alemanha reage com raiva, os franceses exigem uma posição dura... E esse ciclo continua por várias centenas de anos.

Quando a I Guerra terminou, os franceses exigiram que a Alemanha fosse severamente punida. O que o governo e a população da França não entendeu foi que eles seriam responsáveis pela instabilidade na Alemanha que gerou a ascensão de Adolf Hitler. De fato, os pedidos franceses no Tratado de Versalhes causaram uma pressão irracional na economia alemã e na recém-formada democracia.

O existencialismo francês foi moldado pelas experiências e emoções da Resistência Francesa. Sartre e outros filósofos já eram socialistas. Sartre não era tão ativo politicamente quanto outros estudantes e professores que conhecia. O período estudantil de Sartre não foi usado em atividades políticas, por padrões franceses. Camus foi muito mais político que Sartre. Em parte, isso se deve às diferentes formações familiares. A guerra temporariamente fez dos membros da Resistência iguais.

Posteriormente, a guerra alinhou o famoso existencialismo francês com o Partido Comunista Soviético. Enquanto a União Soviética era eventualmente vista como o império do mal pelos Estados Unidos, o público francês nunca aceitou totalmente a idéia. O exército russo manteve o alemão em seu lugar; qualquer inimigo para a Alemanha não seria tão ruim assim.

As linhas do existencialismo

Há duas linhas famosas de existencialistas. A primeira, de Kierkegaard, Nietzsche e Heidegger é agrupada intelectualmente. Esses homens são os pais do existencialismo e dedicaram-se para estudar a condição humana. A segunda, de Sartre, Camus e Beauvoir, era uma linha política, até Sartre e Camus provarem que brigas mesquinhas e orgulho não podem ser sustentadas pela filosofia. Enquanto outras pessoas entraram e entraram nesses grupos, esses seis indivíduos definiram o existencialismo.

Metafísicos

As potências intelectuais por trás do existencialismo concentraram suas obras na metafísica. Esses homens perguntaram-se se havia um Criador. Se sim, qual é a relação entre a espécie humana e esse criador? As leis da natureza já foram pré-definidas e os homens têm que se adaptar a elas? Esses homens estiveram tão dedicados aos seus estudos que tornaram-se anti-sociais, enquanto se preocupavam com a humanidade.

Kierkegaard, Nietzsche e Heidegger são os primeiros existencialistas intelectuais e metafísicos. Os dois primeiros se preocupavam com a mesma questão: o que limita a ação de um indivíduo? Kierkegaard chegou à possibilidade de que o cristianismo e a fé em geral são irracionais, argumentando que provar a existência de uma única e suprema entidade é uma atividade inútil. Ele acreditou que o mais importante teste de um homem era seu compromisso com a fé apesar do absurdo dessa fé.

Nietzsche, freqüentemente caracterizado como ateu, foi mais precisamente um crítico da religião organizada e das doutrinas de seu tempo. Ele acreditou que a religião organizada, especialmente a igreja católica, era contra qualquer poder de ganho ou auto-confiança sem consentimento. Nietzsche usou o termo rebanho para descrever a população que segue a igreja de boa vontade. Ele argumentou que provar a existência de um criador não era possível nem importante.

Políticos

Pode ser um pouco injusto chamar os existencialistas franceses de políticos, mas eles eram politicamente ativos e, freqüentemente, motivados. A França foi o centro do existencialismo político. Os filósofos alemães, até a II Guerra, estavam isolados das brigas políticas diárias. Até mesmo durante das duas guerras mundiais, eles apenas podiam imaginar os horrores dos campos de concentração. A Resistência Francesa, por outro lado, era o refúgio de alguns dos maiores pensadores franceses.

Sartre e Camus, eventualmente reconhecidos como os dois existencialistas mais influentes; ambos eram ativos na Resistência Francesa. Camus tinha sido um politicamente ativo na Algéria, sua terra natal, tendo nascido na pobreza, o que resultou na sua participação em grupos socialistas na faculdade. Sartre foi mais político depois da II Guerra. Sua família, de uma alta posição social, o manteve longe dos assuntos políticos. A guerra transformou esses dois homens em ativistas. Sartre tornou-se um líder defensor da União Soviética, enquanto que Camus promoveu o que ele chamava de "socialismo humanista" ou socialismo com compaixão.

Ambos eram partidários do marxismo e usaram sua fama de escritores de ficção para promover suas idéias. Os metafísicos não teriam considerado tal auto-promoção. Camus aceitou o Prêmio Nobel da Literatura em 1957, julgando-o como uma ferramenta para argumentar pelos direitos humanos. Curiosamente, Sartre, que amava ser o centro das atenções, recusou-se a receber o prêmio em 1964. Essa recusa pública provavelmente atraiu muito mais atenção para ele!

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