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c2) Arteriais e venosos:

É exemplo: nitroprussiato de sódio.

O nitroprussiato de sódio é um poderoso vasodilatador administrado por via parenteral, utilizado no tratamento de emergências hipertensivas, bem como na insuficiência cardíaca grave. O nitroprussiato dilata os vasos tanto arteriais quanto venosos, produzindo uma redução da resistência vascular periférica e do retorno venoso. A ação ocorre em conseqüência da ativação da guanilil ciclase, através da liberação de óxido nítrico ou através da estimulação direta da enzima. Em conseqüência, ocorre aumento do GMPc intracelular, relaxando o músculo liso vascular.

Na ausência de insuficiência cardíaca, a pressão arterial diminui, devido à redução da resistência vascular, enquanto o débito cardíaco não é alterado, ou diminui ligeiramente.

O nitroprussiato é rapidamente metabolizado pela sua captação nos eritrócitos, com liberação de cianeto. Por sua vez, o cianeto é metabolizado pela enzima mitocondrial rodanase, na presença de doador de enxofre, em tiocianato. O tiocianato é distribuído no líquido extracelular e lentamente eliminado pelo rim. O nitroprussiato reduz rapidamente a pressão arterial, porém seus efeitos desaparecem dentro de 1-10 minutos após a suspensão do fármaco. É administrado por infusão contínua. O nitroprussiato de sódio em solução aquosa é sensível à luz, portanto, deve ser preparado logo antes de cada administração e coberto com papel de alumínio. Tipicamente, a terapia é iniciada com uma dose de 0,5 μg/kg/min, que pode ser aumentada até 10 μg/kg/min, se necessário, para o controle da pressão arterial. As velocidades maiores de infusão, se forem mantidas por mais de uma hora, podem resultar em efeitos tóxicos. Em virtude da sua eficácia e do rápido início de seu efeito, o nitroprussiato deve ser administrado através de uma bomba de infusão, sendo a pressão arterial continuamente monitorizada através de registro intra-arterial.

A toxicidade mais grave está relacionada ao acúmulo de cianeto; em conseqüência disso, foi relatada a ocorrência de acidose metabólica, de arritmias, hipotensão excessiva e morte. A administração de tiossulfato de sódio como doador de enxofre facilita o metabolismo do cianeto. A hidroxicobalamina combina-se com cianeto, formando cianocobalamina atóxica. Ambos têm sido indicados para a profilaxia ou o tratamento do envenenamento por cianeto durante a infusa de nitroprussiato.

d) Bloqueadores de canais de cálcio:

Os bloqueadores dos canais de cálcio atuam através da inibição da entrada de cálcio na célula ligando-se aos canais lentos voltagem-dependentes na membrana celular. Nesses canais existem sítios de ligação específicos, onde se ligam aos fármacos bloquadores de cálcio. Os bloqueadores de cálcio reduzem a pressão arterial pela redução da resistência periférica vascular resultante do relaxamento da musculatura lisa vascular.

Esses fármacos apresentam eficácia anti-hipertensiva elevada com controle rápido dos valores pressóricos.

Os bloqueadores dos canais de cálcio são compostos de estrutura heterogênea, divididos em quatro classes:

d1) Fenilalquilaminas:

É exemplo: verapamil.

O verapamil tem maior efeito sobre o coração e pode diminuir a freqüência e débito cardíacos.

d2) Diidropiridínicos:

São exemplos: nifedipina, nicardipina, isradipina, amlodipina, felodipina, nisoldipina e nimodipina.

A nifedipina e os outros agentes diidropiridínicos são mais seletivos como vasodilatadores e exercem menos efeito depressor cardíaco do que o verapamil e o diltiazem. A ativação simpática reflexa, com leve taquicardia, mantém ou aumenta o débito cardíaco na maioria dos pacientes que fazem uso de diidropiridinas. Embora exista ainda alguma controvérsia quanto à causa, recomenda-se que a nifedipina de ação curta não seja utilizada para hipertensão, só para casos de emergência de hipertensão grave. Os bloqueadores dos canais de cálcio de liberação prolongada ou aqueles com meias-vidas longas proporcionam um controle mais uniforme da pressão arterial e são mais apropriados para o tratamento da hipertensão crônica.

A nifedipina, administrada oralmente, começa a atuar em 30 minutos, persistindo por até 12 horas; por via sublingual, inicia sua ação em 3 minutos. A biotransformação é hepática e a sua excreção, renal. Os principais efeitos adversos são: rubor facial, cefaléia, edema de membros inferiores e distúrbios sexuais, efeitos estes geralmente de pequena monta, que raramente provocam a suspensão do tratamento.

A nicardipina intravenosa é disponível para o tratamento da hipertensão quando a terapia oral não é possível, embora o verapamil e o diltiazem por via parenteral possam ser utilizados para a mesma indicação. Tipicamente, a nicardipina é administrada na forma de infusão, numa taxa de 2-15 mg/h.

d3) Benzotiazepínicos:

É exemplo: diltiazem.

O diltiazem possui ações intermediárias.

d4) Diarilaminopropilamínico:

É exemplo: bepridil.

e) Inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA):

São exemplos: captopril, enalapril, lisinopril, quinapril, ramipril, benazepril, fosinopril.

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina constituem uma classe de fármacos utilizados para o tratamento da hipertensão arterial e da insuficiência cardíaca congestiva. Atuam inibindo a enzima conversora (dipeptidil carboxipeptidase), que promove a transformação da angiotensina I em angiotensina II (potente vasoconstritor) e degrada as cininas (substâncias vasodilatadoras). Existe também inibição da produção de aldosterona, pois sua liberação é estimulada pela angiotensina II. Esses fármacos promovem vasodilatação tanto pela diminuição da quantidade de angiotensina II como pelo acúmulo de cininas, além de promoverem natriurese por diminuição da quantidade de aldosterona. Ambos os mecanismos citados contribuem para o efeito anti-hipertensivo do grupo. Além disso, os inibidores da ECA aumentam a eficácia dos fármacos diuréticos. Isto significa que até mesmo quantidades muito pequenas de diuréticos melhoram, de forma substancial, a eficácia anti-hipertensiva dos inibidores da enzima conversora de angiotensina e, por outro lado, o uso de altas doses de diuréticos junto com os inibidores da ECA levam à redução excessiva na pressão sangüínea e à perda de sódio em alguns pacientes.

Os inibidores da ECA parecem fornecer uma vantagem especial no tratamento dos pacientes com diabetes, tornando lento o desenvolvimento da glomerulopatia diabética. Além disso, mostraram-se eficazes na redução da progressão de outras formas de doença renal crônica, como glomerulosclerose; e muitos desses pacientes também são hipertensos. Um inibidor da ECA é provavelmente o agente inicial preferido no tratamento dos pacientes hipertensos com hipertrofia ventricular esquerda. Os pacientes com hipertensão e cardiopatia isquêmica que apresentam anormalidades na função sistólica do ventrículo esquerdo são candidatos para o tratamento com inibidores da ECA.

O captopril foi o primeiro agente desenvolvido para o tratamento da hipertensão. Desde então, outros agentes já estão disponíveis na terapêutica: enalapril, lisinopril, quinapril, ramipril, fosinopril, trandolapril e perindropil.

O captopril e enalapril são dois inibidores conhecidos da enzima conversora que apresentam fórmula estrutural semelhantes, sendo que o enalapril difere do captopril por não apresentar grupo sulfidril terminal. Ambos são bem absorvidos por via oral e são excretados pelo rim. O enalapril após absorção oral sofre hidrólise no fígado, transformando-se no ácido enalaprilato, forma ativa do fármaco.

Os portadores de hipertensão renovascular, bem como pacientes com hipertensão grave e hipertensão resistente com concentração plasmática elevada de renina, beneficiam-se substancialmente com a inibição da enzima conversora de angiotensina. Evidências mostraram que tanto o captopril como o enalapril são efetivos no tratamento de hipertensão leve e moderada com ou sem terapêutica diurética associada.

Após a dose inicial, os inibidores de ECA podem causar considerável queda na pressão arterial de alguns pacientes. Assim, a terapia deve ser iniciada sempre com doses baixas.

O captopril e o enalapril, quando utilizados em dosagens equivalentes, apresentam incidência semelhante dos mesmos efeitos adversos. Os inibidores da enzima conversora da angiotensina induzem tosse seca em 2 a 20% dos pacientes. É o efeito colateral mais comum. Proteinúria de causa desconhecida costuma aparecer mais frequentemente em pacientes com doença renal prévia, surgindo nos primeiros meses de tratamento; pode regredir espontaneamente e ocasionalmente levar à interrupção do tratamento. Hiperpotassemia pode ocorrer como conseqüência do hipoaldosteronismo induzido pelo fármaco. Também são descritos os seguintes efeitos adversos: perda transitória do paladar, perda de peso, reações alérgicas cutâneas, positividade de anticorpos antinucleares, neutropenia, agranulocitoses, náuseas e irritação gástrica. Pode ocorrer insuficiência renal aguda em pacientes com estenose bilateral da artéria renal. O angioedema é um efeito adverso sério e potencialmente fatal dos inibidores da enzima conversora de angiotensina, de ocorrência rara. Os pacientes devem ser alertados para a suspensão do uso desses fármacos na presença de sinais de angioedema. Os inibidores da enzima conversora não devem ser usados durante a gravidez, portanto, mulheres em idade fértil devem ser alertadas.

f) Antagonistas do receptor da angiotensina II:

São exemplos: losartan, irbesartan, condesartan, valsartan e telmisartan.

A angiotensina II, substância efetora do sistema renina-angiotensina-aldosterona, formada a partir da conversão da angiotensina I pela enzima conversora da angiotensina, desempenha papel importante na regulação da pressão arterial e na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico. Este peptídeo interage com dois tipos de receptores denominados AT1 e AT2, que pertencem à grande família dos receptores acoplados à proteína G, amplamente distribuídos no organismo.

As múltiplas ações fisiológicas da angiotensina II – vasoconstrição, liberação de aldosterona, reabsorção de sódio pelos túbulos proximais, efeitos tróficos e efeitos cronotrópicos e inotrópicos positivos – parecem dependerem da interação desse peptídeo com os receptores AT1, que são expressos no coração, nos rins e pulmões entre outros tecidos. Os receptores AT2, cuja expressão é bastante significativa no período fetal, são menos abundantes que os receptores AT1 na fase adulta. Alguns estudos sugerem ainda que esses receptores sejam expressos somente em condições de injúria. Os efeitos fisiológicos produzidos pela ativação dos receptores AT2 não são totalmente conhecidos, entretanto alguns autores têm demonstrado que a ativação desses receptores pode promover um efeito contra-regulador sobre os efeitos produzidos pela ativação dos receptores AT1.

Os bloqueadores dos receptores de angiotensina II são uma nova classe de anti-hipertensivos que bloqueiam seletivamente os receptores AT1, sem ativação nos receptores AT2. O primeiro antagonista dos receptores AT1 foi o losartan, posteriormente outros compostos foram desenvolvidos como o irbesartan, condesartan, valsartan e, mais recentemente, o telmisartan. O efeito anti-hipertensivo dos antagonistas é comparável a outros agentes anti-hipertensivos. São fármacos seguros e apresentam efeitos adversos comparáveis aos dos inibidores da enzima conversora de angiotensina. O mecanismo de ação desses agentes se deve possivelmente à estimulação dos receptores AT2 pela angiotensina II que se acumula em conseqüência do uso dos antagonistas seletivos.

O losartan é ativo por via oral e extensamente metabolizado; seu principal metabólito, o ácido 5-carboxílico, é ativo. A meia-vida do losartan é cerca de 2 horas, enquanto a do metabólito é de 6-9 horas. A dose inicial típica é de 50 mg/dia, com faixa posológica habitual de 25-100 mg/dia.

4.2. Medidas não-farmacológicas:

As modificações no estilo de vida para reduzir a pressão sangüínea deveriam ser as medidas iniciais para pacientes jovens com hipertensão moderada e com nenhum outro fator de risco cardiovascular. Estas modificações no estilo de vida do paciente devem ser continuadas na terapia farmacológica também.

a) Restrição ao sódio:

As dietas ricas em sal estão associadas a alta prevalência de hipertensão. Na maioria dos pacientes hipertensos hospitalizados, a restrição rigorosa de sal reduz a pressão sangüínea; este método de tratamento era realizado antes do desenvolvimento dos agentes anti-hipertensivos. Entretanto, a restrição rigorosa de sal não é prática em termos de aceitação pelo paciente. Vários estudos mostraram que a restrição moderada na ingestão de sal para cerca de 5g/ dia (2 g de sódio) reduz, em média, a pressão sangüínea sistólica em 12 mmHg, e a diastólica em 6 mmHg. Quanto mais alta a press]ao sangüínea inicial, maior a resposta. Além disso, os indivíduos com mais de 40 anos de idade respondem mais ao efeito hipotensivo da restrição moderada de sal. Embora nem todos os pacientes hipertensos respondam à restrição de sal, esta intervenção é benigna e pode ser facilmente tentada como abordagem inicial em todos os pacientes com hipertensão branda. Um benefício adicional da restrição de sal é a melhor resposta a alguns agentes anti-hipertensivos.

b) Redução de peso:

Fatos:

- A hipertensão é de duas a três vezes mais prevalente em pessoas acima do peso comparada com pessoas de peso normal.

- 60% das pessoas hipertensivas estão acima do peso.

- A perda de peso diminui a pressão sangüínea em 60 a 80% para pessoas acima do peso.

- A obesidade está associada com a resistência à insulina e hiperinsulinemia. A hiperinsulinemia pode estar envolvida com a patogênese da hipertensão, assim como a hiperlipidemia.

- Dietas com baixa proporção de gordura e com alta proporção poliinsaturados/ saturados mostraram que diminuem a pressão sangüínea em indivíduos hipertensos. Mais do que isso, a diminuição do consumo a gordura saturada e colesterol são importantes como medida inicial para o tratamento da hiperlipidemia. A hiperlipidemia é o maior fator independente de risco para a doença coronariana. Este risco é maior para pessoas hipertensivas.

- 30 a 60% dos pacientes hipertensos são sensíveis a sal. Neste grupo, a pressão sangüínea irá cair para uma média de 10 mmHg se o consumo de sal for reduzido de 12 g diárias para 6 g diárias.

A obesidade e a hipertensão estão estreitamente relacionadas, e o grau de obesidade está positivamente relacionado com a incidência de hipertensão. Os indivíduos obesos e hipertensos podem reduzir sua pressão sangüínea ao reduzir seu peso corporal independente de alteração no consumo de sal. O mecanismo através do qual a obesidade provoca hipertensão é obscuro, mas a secreção aumentada de insulina na obesidade poderia resultar em aumento insulino-mediado da rabsorção tubular renal de sódio e na expansão do volume extracelular. A obesidade também está associada a aumento da atividade do sistema nervoso simpático, que é revertido pela perda de peso. Para muitos é difícil manter a perda de peso. Uma combinação de exercícios físicos aeróbicos e aconselhamento nutricional aumentam a participação e adesão do paciente ao tratamento.

c) Exercícios físicos:

O aumento da atividade física reduz a taxa de doença cardiovascular nos homens. Não se sabe se este efeito benéfico é secundário a uma resposta anti-hipertensiva ao exercício. A falta de atividade física está associada a maior incidência de hipertensão. Embora nem sempre sejam observadas alterações consistentes na pressão sangüínea, estudos meticulosamente controlados mostraram que a realização regular de exercícios isotônicos (corrida, caminhada, natação e ciclismo) reduz as pressões sistólica e diastólica em cerca de 100 mmHg. O mecanismo através do qual o exercício pode reduzir a pressão sangüínea não está claro, mas foram documentadas várias alterações hemodinâmicas e humorais. A realização regular de exercícios isotônicos reduz o volume sangüíneo e as catecolaminas plasmáticas e eleva as concentrações plasmáticas do fator natriurético atrial. O efeito benéfico dos exercícios pode ocorrer em indivíduos que não apresentem alterações no peso corporal ou na ingestão de sal durante o período de tratamento.

A prática de exercícios físicos também é benéfica para a perda de peso, diminuição de triglicérides plasmáticos e determina sensibilidade à insulina. Uma atividade regular de exercícios físicos diminuem a pressão sangüínea e o colesterol total e o LDL, aumentando também os níveis de HDL. Um programa de atividades físicas deve ser iniciado gradualmente e pode controlar a pressão sangüínea, sem a necessidade de medidas farmacológicas, para pacientes com hipertensão moderada.

d) Evitar o fumo:

O fumo aumenta o risco de câncer e doenças pulmonares e dobra o risco de doenças cardiovasculares. Embora a pressão sangüínea oficial não difere para os fumantes, 24 horas de monitoramento ambulatorial na pressão sangüínea mostrou que fumantes apresentaram pressão arterial maior no período do dia, particularmente os caucasianos acima de 50 anos. Estudos também mostraram que o fumo interfere na redução da pressão arterial causada pelo uso de propranolol em pessoas negras.

e) Restrição de álcool:

O consumo de álcool pode elevar a pressão sangüínea, mas não se sabe qual o volume de álcool que precisa ser consumido para a ocorrência deste efeito. O consumo intenso de álcool aumenta o risco de AVC, mas não de coronariopatia. Na realidade, a ingestão de pequenos volumes de álcool protege contra o desenvolvimento de coronariopatia. O mecanismo que eleva a pressão sangüínea é desconhecido, mas envolve o aumento do transporte de cálcio nas células musculares lisas vasculares. A ingestão excessiva de álcool também leva à pouca obediência com os esquemas anti-hipertensivos. Todos os pacientes hipertensos devem ser aconselhados a limitar o consumo de etanol para não mais que 30 mL/dia.

f) Restrição de cafeína:

A cafeína aumenta a pressão sangüínea em pessoas que não têm o hábito de consumir regularmente metilxantinas, enquanto que, um consumo habitual de cafeína pode estar associado com o desenvolvimento da completa tolerância a este efeito na pressão. Entretanto, o monitoramento ambulatorial da pressão sangüínea para consumidores habituais de café demonstrou um aumento significativo na pressão sangüínea. Devido ao seu potencial no aumento da pressão, pacientes hipertensos devem ser recomendados a tomarem duas xícaras de café, no máximo, por dia e evitarem o consumo de café antes da medição de sua pressão sangüínea.

g) Terapia de relaxamento:

A constatação de que os estímulos estressantes prolongados podem causar hipertensão contínua nos animais deu credibilidade à possibilidade de que a terapia de relaxamento reduz a pressão sangüínea em alguns pacientes hipertensos. Alguns estudos geraram resultados positivos, mas em geral a terapia de relaxamento tem efeitos inconsistentes e modestos na pressão sangüínea. Além disso, a eficácia prolongada deste tratamento é difícil de se demonstrar, talvez em parte porque os pacientes precisariam ser muito motivados a responder à terapia de relaxamento. Apenas os pacientes com hipertensão branda que desejam tentar este método devem ser encorajados; esses pacientes devem ser acompanhados e devem receber tratamento farmacológico, se necessário.

h) Terapia com potássio:

Nos pacientes hipertensos, existe uma relação positiva entre sódio corporal total e a pressão sangüínea, e uma relação negativa entre potássio corporal total e pressão sangüínea. Além disso, a ingestão nutricional, as concentrações plasmáticas e a excreção urinária de potássio são reduzidas em várias populações de indivíduos hipertensos. O aumento da ingestão de potássio poderia reduzir a pressão sangüínea aumentando a excreção de sódio, suprimindo a secreção de renina, causando dilatação arteriolar (possivelmente estimulando a atividade Na+, K+-ATPase e reduzindo as concentrações intracelulares de Ca2+) e comprometendo a resposta aos vasocontrictores endógenos. Em ratos hipertensos, a suplementação com potássio reduz a pressão sangüínea e diminui a incidência de AVC, independente da pressão sangüínea. Nos pacientes com hipertensão branda, a administração de suplementos orais de potássio de 48 mmol/dia reduz as pressões sistólica e diastólica. A suplementação com potássio também protege contra ectopia ventricular e AVC. Com base em todos esses dados, parece prudente utilizar uma dieta com alto teor de potássio junto com restrição moderada de sódio no tratamento não-farmacológico da hipertensão. Entretanto, uma dieta hipersódica não deve ser recomendada para os paciente em uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina.

5. Terapias alternativas:

Estudos recentes comprovaram o efeito hipotensor de extratos em camundongos hipertensos induzidos por acetato de deoxicorticosterona (DOCA). Pesquisadores da Universidade de Masshad, Irã, comprovaram que a ação hipotensora do extrato aquoso obtido do fruto de Berberis vulgaris em camundongos hipertensos foi devido aos seus efeitos vasodilatadores endotelial-independentes. E, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco estudaram o efeito do óleo essencial obtido de folhas de Ocimum gratissimum e seu principal constituinte, o eugenol, em camundongos hipertensos. Os efeitos observados com este tratamento foram: hipotensão e bradicardia. Os resultados mostraram que os tratamentos intravasculares com o óleo essencial de Ocimum gratissimum ou eugenol diminuíram a pressão arterial em camundongos conscientes hipertensos pelo uso de sal de DOCa. Estes efeitos parecem estar mais relacionados com o aumento do relaxamento vascular do que com o aumento da atividade do sistema nervoso simpático neste modelo hipertensivo.

Outro estudo baseou-se em pesquisas de dados sobre os efeitos dos produtos naturais na pressão sangüínea. Casos e mecanismos de ação claramente definidos mostraram fortes evidências da habilidade de Ephedra e alcaçuz aumentarem a pressão sangüínea. A coenzina Q (10) mostrou-se eficaz na diminuição da pressão sistólica e diastólica, mas o mecanismo de ação não está claramente elucidado.

Um grupo de estudos da Dinamarca acredita no poder da medicina holística no tratamento de problemas de saúde que não têm uma causa definida, como a hipertensão, por exemplo. As ferramentas da medicina holística baseiam-se na melhoria da qualidade de vida do paciente, onde pode ser trabalhado seu amor, seu propósito de vida, e o modo como ele usa seus talentos, sua mente, seus sentimentos, seu corpo e sua sexualidade.

6. Evolução e perspectivas de novos tratamentos:

O desenvolvimento mais esperado na terapia anti-hipertensiva é o novo conhecimento obtido nas pesquisas clínicas comparando a eficácia dos fármacos nos pontos importantes da morbidade e mortalidade. Uma pesquisa clínica visando a esses pontos foi desenvolvida pelo National Heart, Lung and Blood Institute. Este é o Antihypertensive and Lipid Lowering – tratamento para evitar Heart Attack Trial (ALLHAT), e está comparando os resultados do tratamento com um diurético tiazídico (clortalidona), um inibidor da enzima conversora de angiotensina (lisinopril), um bloqueador dos canais de cálcio (anlopidina) e um antagonista do receptor α1-adrenérgico (doxazosina). Esta pesquisa está avaliando os efeitos desses fármacos nos pacientes com mais de 55 anos de idade, com alto risco de eventos oclusivos vasculares. Atualmente, o benefício de um agente para redução do colesterol, a pravastatina, está sendo avaliado na mesma população. Ma Escandinávia, o Captopril Prevention Project (CAPPP) está comparando o inibidor da enzima conversora de angiotensina, captopril, com a terapia anti-hipertensiva convencional com diuréticos ou antagonistas do receptor β-adrenérgico, sendo a mortalidade cardiovascular o objetivo terminal. Um segundo estudo realizado na Escandinávia, o Nordic Diltiazem Study (NORDIL) tem como seu objetivo final a mortalidade cardiovascular; este estudo compara o diltiazem aos diuréticos ou aos antagonistas do receptor β-adrenérgico. Nos pacientes idosos, o segundo Swedish Trial on Old Patients com hipertensão está avaliando a eficácia relativa de um bloqueador dos canais de cálcio nos idosos. Ao avaliar os resultados dessas pesquisas, deve-se considerar a possibilidade de que o fármaco ou classe preferida nos pacientes idosos pode não ter o mesmo benefício relativo que nos indivíduos mais jovens. Esses estudos, se forem bem-sucedidos, influenciarão profundamente a abordagem para o tratamento da hipertensão.

Novos fármacos – Inibidores de vasopeptidase:

Embora representem uma nova classe de medicamentos que ainda não foi lançada no mercado, os inibidores da vasopeptidase, substâncias que promovem inibição simultânea da enzima conversora, enzima envolvida na transformação da angiotensina I em angiotensina II (vasoconstritor potente), e endopetidase neutra, que degrada a bradicinina, adrenomedulina e os peptídeos natriuréticos (vasodilatadores), enzimas que pertencem à família das metalopeptidases, parecem ser fármacos promissores para o tratamento das doenças cardiovasculares e renais, uma vez que essas enzimas desempenham papel importante na síntese e degradação de peptídeos vasoativos que estão envolvidos na regulação desses sistemas. Além disso, alguns estudos demonstraram que a co-inibição de ambas as metalopeptidases produzem efeitos comparáveis aos de uso isolado de cada inibidor específico. Neste grupo de fármacos, destacamos o omapatrilato, fasidotrilato e o sampatrilato, que apresentam potências inibitórias similares in vitro para as duas enzimas e estão na fase II de estudos clínicos. Nesses estudos, os inibidores da vasopeptidase foram bastante efetivos no tratamento de pacientes com hipertensão leve a moderada e especialmente em pacientes hipertensos da raça negra, que são resistentes à terapia com inibidores da ECA. Esses fármacos promovem seus efeitos benéficos provavelmente por meio da redução da formação da angiotensina II e maior preservação dos peptídeos vasodilatadores.

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