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APRESENTAÇÃO

O presente Projeto Político Pedagógico é fruto dos estudos, concepções e reflexões dos profissionais do Centro Municipal de Educação Infantil Professora Carmem Maria Reis construídas ao longo das atividades desenvolvidas em sala de aula com as crianças, dos encontros da família, das reuniões pedagógicas, das reuniões de pais, dos encontros de estudos na formação continuada do nosso Centro Infantil.

Segundo GADOTTI & BARCELLOS (1993), o Projeto Pedagógico é “um permanente processo de discussão das práticas, das preocupações (individuais e coletivas), dos obstáculos aos propósitos da escola e da educação e de seus pressupostos de atuação”. Deste modo, não pretendemos considerar o nosso P.P.P enquanto trabalho acabado, mas sim contínuo e reflexível, capaz de ser modificado de acordo com as necessidades coletivas e individuais de todos os que fazem o C.M.E.I. Profª Carmem Mª Reis, buscando assim o aperfeiçoamento da prática educativa, a participação e envolvimento da família e a incansável luta por uma educação de qualidade.

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO C.M.E.I. PROFª CARMEM Mª REIS

  1. IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO:

O Centro Municipal de Educação Infantil Profª Carmem Maria Reis tem como entidade mantenedora a Prefeitura Municipal do Natal/Secretaria Municipal de Educação. O prédio que funciona o mesmo é alugado, e fica situada a rua João de Deus de Lima, S/N, Vila de Ponta Negra. Natal-RN. Cep: 59090-318.

Este Centro Infantil foi criado para atender a um pedido da comunidade da Vila de Ponta Negra, que através da sua associação de moradores, enviou uma comissão à Secretaria Municipal de Educação solicitando que fosse criado um espaço educativo para atender a uma demanda de crianças, na faixa etária de 4 a 6 anos, que tinha sido registrada na Escola Municipal Profª Josefa Botelho como matrícula excedente desde o início do ano e continuava sem um espaço definido para estudar.

Inicialmente, estas crianças iriam freqüentar uma instituição de educação infantil vinculada ao projeto pré-escola para todos1 que já funcionava na Vila de Ponta Negra, desde o ano de 2003. Só que em 2004 esta escola fechou o prédio localizado na própria vila e estava se propondo a atender os alunos na sua matriz, localizada no conjunto Ponta Negra, distante uns 3 a 4 KM da vila, o que dificultava o acesso das crianças e dos seus pais.

Ao tomar conhecimento da real situação, a Secretária Municipal de Educação, compreendeu a necessidade de criar um Centro de Educação Infantil na Vila de Ponta Negra, objetivando oferecer um ensino de qualidade para as crianças na faixa etária acima citada e conseqüentemente garantir uma Instituição Escolar no bairro.

Foi à solicitação da comunidade, e a compreensão da necessidade e urgência da mesma, que fez com que no dia 10 de março de 2004, a Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura da cidade do Natal, criassem, através do decreto nº 7.361, conforme publicação do Diário Oficial do Município de Natal do dia 11 de março de 2004, o CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL PROFESSORA CARMEM MARIA REIS.

A equipe designada pela SME para trabalhar na Instituição era composta por 20 pessoas assim distribuídas:

Cláudia da Silva Farache – Diretora e Olga Regina Siqueira e Silva – Vice Diretora. Ambas indicadas pela SME para assumirem as respectivas funções.

Evânia Maria Damásio de Souza – Secretária Geral;

Kátia Maria Agra dos Santos – Apoio Pedagógico; Vinda de outra Escola pertencente ao quadro da SME.

Cláudia Regina Moura Freire – Apoio Pedagógico. Vinda do Setor de Educação Infantil da SME.

Professoras: Ana Karina de Araújo Barros Oliveira, Nadjanhara Miranda dos Santos, Jaqueline Rodrigues de Lima, professoras já pertencentes ao quadro da SME e vindas de outras escolas.

Professoras: Adriana Néri Almeida da Silva, Celeste Cilene Farias da França, Elaine do Nascimento Lopes, Ninódja Thaysi Barbalho da Silva, todas aprovadas em concurso público e chamadas para assumirem as funções de professora no Município de Natal.

Funcionários terceirizados contratados pela firma Preservice para prestar serviços a SME, e que foram encaminhados para exercerem suas funções no Centro Infantil: Jean Firmino Pereira – Porteiro; Stênio Mota Santos – Porteiro, Ernesto Geisel F. Braga – Vigia, Antônio Marcos F. Câmara – Vigia, Maria Lúcia da Silva – Merendeira, Leonor José da Costa – Merendeira, Terezinha Alves de Oliveira – A.S.G e Ana Alice Melo Gurgel Rodrigues – Auxiliar de Secretaria.

  1. CARACTERIZAÇÃO DA COMUNIDADE, DA CLIENTELA, DOS PROFISSIONAIS E DA ROTINA DA INSTITUIÇÃO.

A Vila de Ponta Negra desde seu surgimento até a atualidade revela-se num espaço de constante mudança. Tais mudanças decorreram principalmente pela “imposição” de novos objetos imobiliários criados no e para o local que transformaram a Vila de Ponta Negra, enquanto um espaço predominantemente rural, num espaço basicamente urbano.

As características da Vila (inicialmente um povoado) se definiam por atividades, em sua grande maioria ligada ao campo, principalmente a agricultura e a pesca. A pesca e a confecção de renda correspondiam a artifícios de sobrevivência, que em conjunto com as demais atividades, principalmente a pecuária, caracterizavam o local. A atividade pesqueira, especificamente, definia o local e fazia com que a Vila fosse conhecida também como a “Vila de pescadores”.

As condições de moradia tiveram na história da Vila de Ponta Negra uma importância tão singular quanto as atividades citadas anteriormente. As casas eram feitas de barro batido e afixadas por varas e cipó. A moradia de coloração escura e coberta geralmente com palhas secas de coqueiros dava ao local um aspecto simples “artesanal” sobre tudo bucólico e sereno.

O processo de urbanização tendo como uma das bases à casa de veraneio tem se traduzido em uma apropriação especial singular, a urbanização turística, que mescla o novo e o velho, constituindo a base econômica e cultural de um processo de pós-modernização conservadora das décadas anteriores (Lopes Jr apud Lima, 2001, pág.123).

Neste contexto as casas de Veraneio podem representar, um dos primeiros objetos imobiliários que impuseram a Vila de Ponta Negra uma nova lógica urbana sobreposta ao seu aspecto comunitário. A intensidade de suas construções promoveu a idéia de um desenvolvimento local a longo prazo e uma acomodação dos moradores as novas formas de obtenção de renda, surgidas, muitas vezes, com a sua inserção na atividade da construção civil proporcionada com as novas moradias.

As novas relações de trabalho apresentaram-se, além do trabalho na construção civil, na forma do pequeno comércio interno à beira-mar que se caracterizou pela distribuição dos produtos da pesca, do artesanato e da atividade agrícola através de sua comercialização nas barracas de praia.

No entanto, as precárias condições de infra-estrutura urbana, pela forma desordenada como foram loteados, os terrenos, acarretou a falta de saneamento básico e de esgoto, sendo depósito de lixo colocado na praia. Os currais de peixe começaram a diminuir e as jangadas a desaparecer do cenário local. Ponta Negra foi perdendo as características de vila de pescadores e os moradores, cada vez mais tornaram-se dependentes das atividades econômicas impostas pelo processo urbano e pelo crescimento da exploração do turismo (década de 80).

CARACTERIZAÇÃO DA CLIENTELA:

CARACTERIZAÇÃO DAS FAMÍLIAS DOS ALUNOS

RELIGIÃO

ETNIA

ESCOLARIDADE

PROFISSÃO

RENDA

Católicos: 77%

Evangélicos: 14,5%

Sem Religião: 7%

Outras: 1,5%

Pardos: 51%

Brancos: 28%

Negros: 21%

Analfabetos: 4%

Assina o nome: 10%

1ª a 4ª série: 36%

5ª a 8ª: 30%

Fund. Comp: 10%

Médio inc: 3%

Médio Comp: 7%

Ambulante: 20%

Artesão: 14%

Garçom: 12%

Cozinheira: 10%

Pedreiro: 12%

Outros: 16%

Do lar: 16%

Menos de um salário: 7%

Um salário: 24%

Ñ tem renda fixa: 25%

1 a 3 salários: 35%

3 a 5 salários: 9%

ORGANOGRAMA ATUAL DA INSTITUIÇÃO, FUNÇÕES E RESPONSABILIDADES COM O TRABALHO:

A GESTÃO ESCOLAR – Tem como função articular a participação dos diversos segmentos da comunidade escolar, para o desenvolvimento de uma prática educativa significativa e de qualidade voltada para a realidade em que os alunos estão inseridos e assim garantir uma formação integral aos mesmos. Compete aos gestores: cumprir e fazer cumprir as determinações superiores; gerenciar e executar os recursos financeiros, responder e representar a escola perante os órgãos da Secretaria Municipal de Educação ou onde se fizer necessário; coordenar e participar da elaboração, execução, avaliação e atualização do PPP – Projeto Político Pedagógico da escola; promover a integração escola-comunidade; zelar pela integridade física e moral da comunidade-escolar.

O CONSELHO DE ESCOLA – Tem as funções deliberativas, consultivas, fiscais e mobilizadora. Para assim, promover uma ação democrática, onde todos possam participar e fazer valer os direitos e deveres, discutidos e definidos dentro da comunidade escolar. Ao conselho de escola compete: promover o intercâmbio entre professores, pais, alunos e funcionários. Participar do planejamento global das ações pedagógicas que visem à melhoria da escola em relação às aprendizagens e desenvolvimentos de todos os segmentos.

A EQUIPE PEDAGÓGICA – Tem como função primordial favorecer a formação continuada dos professores, a socialização dos alunos e possibilitar as informações necessárias para integração destes no contexto escolar. Compete assim a equipe pedagógica: colaborar para integração escola-família; coordenar, junto à direção as atividades de elaboração, operacionalização e avaliação do PPP; Articular, organizar e acompanhar as ações educacionais desenvolvidas pelos diferentes segmentos da escola; acompanhar e avaliar o processo de ensino, aprendizagem e avaliação da instituição.

O CORPO DOCENTE – Tem como função fundamental mediar o desenvolvimento e a formação integral dos alunos dentro do processo de ensino e aprendizagem facilitando a ampliação e a sistematização dos conhecimentos por parte dos alunos. Desta forma compete ao corpo docente: zelar pela aprendizagem dos alunos, utilizando procedimentos adequados, variando-os conforme o conteúdo a ser ministrado e a clientela atendida, a fim de alcançar os objetivos propostos; desenvolver estratégias significativas que proporcionem cada vez mais os avanços no desenvolvimento sócio-afetivo, motor, psicológico e cognitivo do aluno.

FUNCIONÁRIOS – Têm a função de contribuir de maneira efetiva para o bom funcionamento da Instituição. Aos funcionários compete: zelar, participar, colaborar e executar as atividades essenciais para a realização das ações educativas.

ALUNOS – Têm o direito de ter uma formação que atenda as suas necessidades, sendo respeitada a sua individualidade, o seu conhecimento, seus valores e seu contexto sócio-cultural, tendo acesso ao conhecimento de mundo de maneira sistematizada.

CARACTERIZAÇÃO DO QUADRO FUNCIONAL E FORMAÇÃO:

CORPO TÉCNICO-DOCENTE-ADMINISTRATIVO

NOME

FUNÇÃO

FORMAÇÃO

TURNO

Evânia Mª Damásio de Souza

Vice Diretora

Pedagoga

Especialista

Matutino e vespertino

Olga Regina Siqueira e Silva

Diretora

Pedagoga

Especialista

Matutino e vespertino

Kátia Maria Agra dos Santos

Apoio pedagógico

Especialista

Matutino

Cláudia Regina Moura Freire

Apoio Pedagógico

Pedagoga

Especialista

Vespertino

Licença Médica

Rosângela Araújo da Silva

Arte Educadora

Ensino da Arte

Matutino e Vespertino

Ana Karina de Araújo Barros de Oliveira

Secretária Geral

Pedagoga

Especialista

Matutino e/ou Vespertino

Lúcia Maria Ferreira

Professora

Pedagoga

Vespertino

Francigleide Pereira de Souza

Professora

Pedagoga

Especialista

Matutino

Úrsula Maria Costa Cardoso

Professora

Pedagoga

Especialista

Vespertino

Ninodja Thaisy Barbalho da Silva

Professora

Pedagoga

Especialista

Vespertino

Ricardo Alves da Silva

Professor de Educação Física

Ed. Física

Especialista

Matutino

Adália Liegy Câmara de Freitas

Professora

Pedagoga

Matutino

Nadjanhara Miranda dos Santos

Professora

Pedagoga

Matutino

Thereza Cristina de Sousa Vilela

Professora de Educação Física

Ed. Física

Especialista

Vespertino

PROFESSORES SUBSTITUTOS

NOME

FUNÇÃO

FORMAÇÃO

TURNO

Karoline Rose Soares

Professora

Pedagoga

Especialista

Vespertino

Lucineide de Oliveira Silva

Professora

Pedagoga

Vespertino

FUNCIONÁRIOS TERCEIRIZADOS

NOME

FUNÇÃO

FORMAÇÃO

Jean Firmino Pereira

Porteiro

Nível Médio

Maria Lúcia da Silva

Merendeira

Ensino Fundamental II

(incompleto)

Ana Alice Melo Gurgel

Aux. de Secretaria

Nível Médio

Terezinha Alves de Oliveira

ASG

Ensino Fundamental I

(incompleto)

Leonor José da Costa

Merendeira

Nível Médio

(incompleto)

Francisco Raimundo de Melo

Vigia

Ensino Fundamental

Leonardo Santiago de Souza

Porteiro

Ensino Médio

(incompleto)

Josias Pacheco da Silva

Vigia

Ensino Médio

Elizabeth Regina Rodrigues Rocha

ASG

Ensino Médio

REGIME DE FUNCIONAMENTO:

A Educação Infantil oferecida por esta instituição está organizada em dois níveis, distribuídos de acordo com a faixa etária das crianças atendidas – “Nível I” crianças de 4 (quatro) anos e o “Nível II” crianças de 5 anos. O espaço físico oferecido às crianças, aqui matriculadas, é pensado e organizado no sentido de garantir sua segurança e proporcionar as aprendizagens necessárias ao seu desenvolvimento. No que diz respeito à relação adulto/criança buscamos desenvolver um trabalho onde efetivamente esteja presente uma relação de afetividade, de respeito mútuo, cooperação e ampliação de saberes. Sendo assim proporcionamos as nossas crianças a seguinte rotina:

  1. Acolhimento inicial: momento onde a criança é recebida na sala de aula pela professora com livros, massa de modelar, jogos de encaixe, desenho livre, música, ou qualquer outra atividade que possibilite que as crianças se entrosem, interajam e se organizem no ambiente da sala de aula.

  2. Roda de conversa: este momento da rotina, que deve ser diário, podendo acontecer em um ou em vários momentos do dia, pode ser vivenciado através de várias atividades como: trabalho com crachá, confecção de um jornal, de um mural, leitura de histórias, desenvolvimento da linguagem oral, criação de um texto coletivo, dentre outros. È um momento riquíssimo da ROTINA, já que possibilita também a aquisição e o desenvolvimento de vários conteúdos de natureza procedimental e atitudinal, como respeito ao outro, espera da vez de falar, regras de convivência em grupo, combinados sobre a participação em determinadas atividades e/ou eventos, etc. É o momento de se contar quantas crianças vieram, de se refletir sobre como estão as condições climáticas do dia, de se combinar as atividades que serão realizadas no dia, apresentando a agenda e a rotina do mesmo; trabalhar o dia da semana, o dia do mês e etc.

  3. Atividade específica de alguma área: Vivência de uma atividade que propicie a ampliação do conhecimento de mundo, da cultura etc. Pode ser uma atividade vinculada ao projeto didático que está sendo estudado, ou a outro conteúdo.

  4. Lavar as mãos: É uma atividade cotidiana da Escola infantil, que acontece, geralmente antes do lanche, e que precisa ser trabalhada como um hábito de higiene bastante saudável.

  5. Lanche: este momento deve ser aproveitado pelas professoras para trabalhar alguns procedimentos e atitudes, como comer de boca fechada, valorizar os alimentos pelo potencial de nutrientes e vitaminas que eles trazem e etc.

  6. Parque: momento riquíssimo da ROTINA da escola infantil, por promover a brincadeira livre, tão essencial para o desenvolvimento infantil. È também um momento de observação muito rico para o professor, onde o mesmo pode ver o comportamento, os procedimentos e as atitudes dos seus alunos, em um espaço mais amplo, num processo de interação mais livre.

  7. Escovar os dentes: Outro momento de cuidado e higiene da rotina, que deve ser bem aproveitado, no sentido de informar e formar o indivíduo, para que ele se proteja e se previna contra futuros problemas bucais.

  8. Jogo simbólico: Ou momento do faz de conta. É uma atividade que pode acontecer 1 a 2 vezes por semana, dependendo da idade da criança. Momento lúdico fundamental para o desenvolvimento infantil, onde a fantasia é estimulada, através da brincadeira com objetos e materiais que possibilitam a criança a vivência de personagens diferentes, ou a representação de cenas e momentos do seu próprio cotidiano que são vivenciados, para serem melhor assimilados pela mesma.

  9. Atividades recreativas de expressão corporal: Estimulam o desenvolvimento motor, a interação, a lateralidade e etc.

  10. Momento da arte: atividades com pintura, escultura. (podem acontecer de 1 a 2 vezes por semana)

  11. Momento do vídeo: Pode ser semanal, onde as crianças têm a oportunidade de assistir a um filme, como forma de lazer e entretenimento, ou como forma de trabalhar um conteúdo com este recurso a mais.

  12. Contação de histórias: Outro momento muito rico e indispensável na escola infantil, onde a criança amplia seus horizontes e tem acesso a linguagem oral e escrita. Deve ser diário.

Outros momentos podem ser trabalhados na rotina, sempre respeitando as condições de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, buscando ampliá-las e potencializá-las da melhor forma possível.

Para tanto, desenvolvemos nossas atividades pedagógicas nos seguintes horários de funcionamento: das 7h às 11h30min (turno matutino) e das 13h às 17h30min (turno vespertino),

PERÍODO DE ADAPTAÇÃO:

Considerando a adaptação da criança à escola como um processo que envolve, não apenas a criança, mas também a família, e os próprios profissionais da instituição, sabemos que a mesma não possui um tempo determinado, fechado, podendo variar de acordo com as situações individuais e os próprios contextos apresentados. O mais importante é possibilitar um diálogo, uma troca de informações e experiências entre a família e a escola, no sentido de conhecer mais a criança, suas singularidades, potencialidades e gerar um clima de confiança e entendimento. Objetivando facilitar o início desse período, a escola planeja as primeiras duas semanas de aula com atividades mais lúdicas, mais acolhedoras, menos sistematizadas, onde a criança tem várias opções para escolher o que fazer. Neste período inicial, os pais também são convidados a permanecer na Instituição, se assim o desejarem e a criança solicitar.

PERIODICIDADE DAS REUNIÕES DE PAIS:

Tendo o entendimento que tanto a escola como a família tem um funcionamento próprio, porém faz-se necessário uma parceria para garantirmos uma educação de qualidade. O Centro Infantil Carmem Reis busca manter um contato constante com os pais.

Em relação às reuniões de pais, podemos dizer que um dos pilares de sustentação do trabalho da instituição é a parceria da família com a escola, pois compreendemos que ela é fundamental para o processo formativo das nossas crianças. Dessa forma, além das 4 (quatro) reuniões de pais previstas inicialmente para o ano letivo, acontecem outras, sempre que há uma necessidade de informar ou discutir algum assunto onde seja necessária a opinião dos pais. Outras atividades realizadas com os pais, objetivando o fortalecimento dessa parceria, são palestras relativas às temáticas sobre o cuidado e a educação das crianças; oficinas pedagógicas, para que os pais conheçam o trabalho realizado pela instituição; encontros da família para atividades culturais e de lazer; bem como o incentivo à participação dos pais em projetos didáticos realizados pela escola.

  1. CONCEPÇÕES NORTEADORAS DO TRABALHO.

CRIANÇA, INFÂNCIA; FUNÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL; BRINCAR.

CRIANÇA: Partindo da concepção de criança como um ser sócio-histórico-cultural, precisamos compreendê-la numa perspectiva integral, valorizando os seus aspectos afetivos, psicológicos, motores, cognitivos, como também suas individualidades e subjetividades, possibilitando a convivência e a interação da mesma, com outras crianças e com os adultos, num ambiente seguro e acolhedor, que favoreça as suas aprendizagens e o seu desenvolvimento.

INFÂNCIA: É um momento extremamente significativo da vida do indivíduo, onde deve predominar o sonho, a fantasia, a brincadeira, embora muitas vezes as condições objetivas da existência – questões sociais, econômicas e culturais, não permitam essas vivências. Dessa forma, cabe a Instituição infantil valorizar este período, promovendo vivências que possibilitem a criança vivê-lo da melhor forma possível.

FUNÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL: Considerando o RCNEI, as Diretrizes Curriculares Municipal, as instituições de Educação Infantil estão assumindo as funções de cuidar, educar e brincar, que devem ser trabalhados como processos complementares e indissociáveis. O cuidar não abrange apenas cuidados primários como sono, alimentação e higiene pessoal, mas também o cuidado com a organização dos espaços, dos horários, dos brinquedos e atividades oferecida as crianças, buscando sempre respeitar as peculiaridades e necessidades das mesmas, e oferecendo experiências e aprendizagens desafiadoras e adequadas a cada uma das faixas etárias atendidas.

Já o educar envolve as ações que vão promover a ampliação do conhecimento de mundo e do próprio universo cultural da criança, partindo dos conhecimentos prévios das mesmas e possibilitando que ela possa participar das experiências culturais próprias do seu grupo social, dando assim significados àquilo que a cerca.

No tocante ao brincar, consideramos que a brincadeira se constitui em um espaço de aprendizagem, de imaginação e de reinvenção da realidade, sendo fundamental para o desenvolvimento infantil. É através da brincadeira que a criança desenvolve a sua imaginação, a memória, a atenção, criando e recriando a realidade na qual está inserida, construindo valores e atitudes, enfim, se constituindo enquanto sujeito, produto e produtor de cultura no contexto onde está inserido. A brincadeira no C.M.E.I Carmem Reis está presente na rotina diária da criança tendo momentos de atividades livres e momentos de atividades dirigidas.

  1. FINS E OBJETIVOS DA INSTITUIÇÃO.

A Educação ministrada pelo Centro Municipal de Educação Infantil Professora Carmem Maria Reis tem a finalidade de proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades, como elemento de auto-realização, reflexão crítica da realidade e exercício consciente da cidadania.

Deste modo às atividades didático-pedagógicas desenvolvidas neste Centro de Educação Infantil deverão ser organizadas no sentido de garantir os fins e os objetivos educacionais abaixo relacionados:

● desenvolver na criança uma imagem positiva de si, para que esta atue de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;

● possibilitar que a criança descubra e conheça progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;

● fazer com que a criança estabeleça vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;

● permitir que a criança amplie cada vez mais as relações sociais, aprendendo, aos poucos, a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;

● levar a criança a observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente, valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;

● permitir que a criança brinque, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;

● incentivar a criança a utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendida, expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avancem no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;

● proporcionar a criança conhecer algumas manifestações culturais (locais, etc), demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

● valorizar e incentivar cada vez mais a participação e colaboração da família no contexto escolar e nas atividades desenvolvidas na escola.

  1. ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS E DA METODOLOGIA DE TRABALHO.

De acordo com Bassedas (1999) e o RCNEI (2001), os conteúdos ordenam-se em torno de áreas curriculares que, na Educação Infantil, são âmbitos de experiências muito próximas da criança. Deste modo, compreendemos a importância de considerarmos a natureza dos conteúdos de ordem atitudinal, procedimental e conceitual na prática pedagógica a qual realizamos, por acreditarmos ser estes elementos imprescindíveis para a formação integral da criança.

Para o desenvolvimento desses conteúdos na prática educativa, priorizamos uma metodologia que valorize os conhecimentos prévios dos alunos respeitando seus limites, garantindo a ludicidade, atividades desafiadoras, contextualizadas e significativas deste modo levando-os a descoberta de si mesmos, do meio social e natural, a intercomunicação e as linguagens.

  • A DESCOBERTA DE SI MESMO:

FORMAÇÃO SOCIAL E PESSOAL:

    • Comunicação e expressão dos seus desejos, desagrados, necessidades, preferências, e vontades em brincadeiras e nas atividades cotidianas;

    • Realização de pequenas ações cotidianas ao seu alcance para adquirir maior independência;

    • Participação e interesse por situações que envolvam a relação com o outro;

    • Respeito às regras simples de convívio social;

    • Identificação progressiva de algumas singularidades próprias e das pessoas com as quais convive no seu cotidiano em situações de interação;

    • Identificação de situações de risco no seu ambiente mais próximo;

    • Valorização do diálogo como uma forma de lidar com os conflitos;

    • Respeito e valorização da cultura de seu grupo de origem e de outros grupos;

    • Respeito às características pessoais relacionadas ao gênero, etnia, peso, estrutura etc.

MOVIMENTO:

      • Desenvolvimento da expressão de sentimentos, através da utilização e do domínio do corpo;

● Resolução de problemas motores cada vez mais complexos obtendo satisfação e segurança em si mesma;

      • Realização de movimentos que organizem sua motricidade básica como coordenação, colocação postural e organização espacial;

      • Ajuste da própria conduta às circunstâncias particulares de cada movimento, tendo assim um conhecimento mais preciso e completo de si mesma;

      • Reconhecimento da importância do comportamento motor como base para o conhecimento do mundo real e para a construção da personalidade;

      • Participação de atividades dirigidas para um enriquecimento do gesto motor, fruto do desenvolvimento das aptidões – perceptivo – coordenativas;

      • Desenvolvimento de hábitos higiênicos, manifestando um comportamento responsável ao seu corpo e relacionando estes hábitos a seus efeitos sobre a saúde e ao meio ambiente;

      • Participação em diversos tipos de jogos e atividades lúdicas, independentes do nível de destreza alcançado.

  • A DESCOBERTA DO MEIO SOCIAL E NATURAL:

NATUREZA E SOCIEDADE

      • Percepção enquanto ser individual com características peculiares: gostos, habilidades, preferências e defeitos;

      • Socialização no convívio escolar através das múltiplas atividades oferecidas;

      • Reconhecimento das relações existentes entre diferentes elementos da natureza;

      • Desenvolvimento das atitudes de conscientização e preservação do meio ambiente;

      • Desenvolvimento de atitudes desprovidas de preconceito religioso, racial, étnico e cultural.

  • A INTERCOMUNICAÇÃO E AS LINGUAGENS

LINGUAGEM ORAL E ESCRITA:

      • Participação de situações variadas de comunicação oral, interagindo, contando suas vivências ou expressando desejos, necessidades e sentimentos, por meio da linguagem oral;

      • Interesse pela leitura e escrita de histórias;

      • Familiarização, com a leitura e a escrita, participando de situações nas quais essas atividades se fazem necessárias e mantendo contato diário com livros, histórias em quadrinhos etc;

      • Ampliação gradativa das possibilidades de comunicação e expressão, interesse por conhecer vários gêneros orais e escritos e participação de situações de intercâmbio social, nas quais possa contar suas vivências, ouvir as de outras pessoas, elaborar e responder perguntas;

      • Familiarização com a escrita, tanto por meio do manuseio de livros, revistas e outros portadores de texto, quanto da vivência de situações variadas que requeiram seu uso;

      • Escuta de textos lidos, apreciando a leitura feita pelo professor;

      • Interesse por escrever palavras e textos, embora não seja de forma convencional;

      • Reconhecimento do próprio nome escrito, sabendo identificá-lo nas diversas situações do cotidiano;

      • Escolha de livros para ler e apreciar.

LINGUAGEM MATEMÁTICA:

      • Desenvolvimento do seu raciocínio lógico de forma lúdica através das brincadeiras;

      • Utilização do espaço de forma adequada às atividades e limitações encontradas;

      • Estabelecimento da relação quantidade-número a partir de situações vivenciadas no cotidiano escolar e no seu meio social;

      • Resolução de situações-problema, fazendo relações com o seu cotidiano;

      • Conhecer gradativamente os conhecimentos de tamanho, formas e cores;

      • Desenvolvimento gradativo do conceito de número fazendo uso no seu cotidiano.

      • Identificação dos diferentes lugares em que os números se encontram percebendo como estão organizados e para que servem.

      • Reconhecimento e valorização do uso dos números no seu cotidiano.

LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS:

      • Ampliação do conhecimento de mundo por meio de diferentes materiais;

      • Exploração de diferentes materiais por meio do manuseio, descobrindo suas características, propriedades e formas;

      • Interesse pelas próprias produções;

      • Valorização das produções dos colegas;

      • Apreciação das produções pessoais, do colega, dos artistas locais, regionais, nacionais e internacionais;

      • Ampliar gradativamente seu universo cultural;

      • Desenvolvimento do gosto, do cuidado e do respeito pela criação e produção artística.

  1. PROCESSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFISSIONAIS.

O fazer pedagógico requer uma reflexão constante do ir e vir das ações coletivas e individuais dos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, por constituir-se em uma prática bastante dinâmica que envolve valores, posturas, saberes diferentes.

Neste sentido, faz-se necessário que de forma sistemática, os profissionais desta área estejam em constante processo de aprendizagem, seja a partir dos conhecimentos teóricos, das trocas de experiências entre os integrantes do grupo ou ainda da análise dos casos experimentados.

De acordo com CHARLIER (p.94, 2001) a formação continuada de professores favorece e formaliza condições de formação suscetíveis de ajudar o professor a tirar partido das vivências em campo e de revestir na prática o benefício de uma formação. A prática não é espontaneamente didática. Para ser formadora, ela deve ser teorizada. A formação é concebida de forma a ajudar o professor a realizar esse distanciamento necessário a construção de novos saberes e suas utilizações.

Os objetivos da formação continuada do C.M.E.I Profª Carmem Mª Reis, é elencado de acordo com os objetivos atuais de CHARLIER em “Formando Professores Profissionais”, que são:

      • compreender as situações de trabalho, identificar seus componentes e analisá-los e interpretá-los em função de teorias pessoais ou coletivas;

      • analisar as práticas de ensino, identificar as rotinas, as decisões tomadas;

      • ampliar seu repertório de competências profissionais a partir de uma confrontação com outras possíveis.

Sendo assim, a formação é um elemento de desenvolvimento pessoal e profissional do professor, mas ela também faz parte do investimento da instituição escolar em seu capital humano. Passar de uma condição “concepção individual de formação para a de um investimento institucional”, significando conciliar imperativos individuais e projetos de grupo; significa considerar a formação como um co-investimento no âmbito do desenvolvimento.

Isto supõe particularmente incluir a formação continua nos planos de desenvolvimento a curto, médio e longo prazo da escola e dos professores.

Neste contexto, o C.M.E.I Profª Carmem Mª Reis prioriza momentos em que juntos possamos refletir sobre a nossa formação pedagógica. Durante o ano letivo, os professores, equipe técnica e os gestores participam da Jornada Pedagógica promovida pela SME – Secretaria Municipal de Educação, como também das formações continuadas do Setor de Educação Infantil que acontece, pontualmente, onde estabelecemos contato com as demais escolas do município, agregando saberes e definindo estratégias para o trabalho. Paralelo a isso acontece ainda encontros trimestrais no próprio Centro Infantil, reunindo os dois turnos, com o intuito de aprofundamento teórico e reflexões a partir da prática desenvolvida. Também semanalmente, acontecem momentos em que os professores sentam por níveis de trabalho em seus turnos, junto à coordenação para troca de experiências e planejamento mais sistemáticos das ações de sala de aula.

Desta forma, desenvolvemos um trabalho na reflexão-ação e a formação teórica, por valorizar a troca de saberes como fator determinante para um trabalho de qualidade.

  1. GESTÃO INSTITUCIONAL.

O Centro Municipal de Educação Infantil Profª Carmem Mª Reis investe num modelo de Gestão Participativa. Sendo assim, a gestão prioriza a busca constante do envolvimento de todos os segmentos, para que possam contribuir e responsabilizar-se pela construção do processo de ensino e aprendizagem. Neste sentido acreditamos que para existir uma gestão realmente participativa algumas ações são prioritárias tais como:

  • Promover uma comunicação aberta;

  • Criar um clima de confiança e receptividade;

  • Solicitar e ouvir ativamente o ponto de vista de todos;

  • Identificar as oportunidades apropriadas para ação e decisão compartilhada;

  • Garantir os recursos necessários para apoiar os esforços participativos;

  • Promover reconhecimento coletivo pela participação e pela conclusão de tarefas;

  • Possibilitar visibilidade e transparência as ações e seus resultados;

  • Criar oportunidades para freqüentes trocas de idéias, de inovações e criação conjunta no trabalho;

  • Motivar a equipe da escola como um todo;

  • Criar mecanismos de avaliação, controle e feedback para certificar-se da coerência entre o que é teoria e o que realmente se transforma em prática;

  • Orientar as ações pedagógicas para que, conjuntamente, promovam a aprendizagem dos alunos e o desenvolvimento profissional do educador.

8. O PROCESSO DE AVALIAÇÃO.

A Avaliação no C.M.E.I. Prof Carmem Maria Reis é considerada como um processo de reflexão permanente, tendo em vista que é a partir dela que o professor percebe o desenvolvimento da aprendizagem das crianças e da forma como vem desenvolvendo seu trabalho, ou seja, ela é mediadora do fazer pedagógico. Num processo constante de reflexão-ação. Na medida em que os objetivos do trabalho são redimensionados.

Dessa forma, faz-se necessário à observação e o registro constante de todos os momentos que envolvem o fazer da educação infantil: como parque, caixa de areia, faz-de-conta, roda de conversa, escovação dos dentes, lavagem das mãos e as atividades de uma área específica de conhecimento. Tendo em vista que todos os momentos da educação infantil constituem-se momento de aprendizagem, sejam estas voltadas para a formação de hábitos e atitudes ou ainda, das atividades direcionadas ao processo inicial de descoberta da leitura e da escrita e do conhecimento de mundo.

BIBLIOGRAFIA

1 Projeto mantido pela Prefeitura Municipal de Natal, com o objetivo de comprar vagas, em instituições de Educação infantil particulares e filantrópicas, para crianças na faixa etária de 4 a 6 anos que não conseguem vagas nas instituições públicas de ensino da cidade.

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