Desenvolvimento infantil

Desenvolvimento infantil

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CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

CAMPUS DE CAJAZEIRAS – PB

DISCIPLINA: PSICOLOGIA APLICADA À SAÚDE

PROFESSOR: RÔMULO FEITOSA

PLANO DE AULA

  1. TEMA

Desenvolvimento infantil segundo a Psicologia

  1. DURAÇÃO

60 minutos

  1. CONTEÚDOS

    1. Concepções iniciais

    2. Desenvolvimento infantil

    3. As ações do profissional de Enfermagem

  1. OBJETIVOS

    1. Geral

Compreender o desenvolvimento infantil baseando-se na psicologia.

  1. Específicos

  • Reconhecer o conhecimento científico acerca do desenvolvimento infantil;

  • Desmistificar o conhecimento popular mediante aquisição dos conhecimentos científicos;

  • Analisar o desenvolvimento psicológico da criança, na percepção de grandes pensadores;

  • Avaliar o desenvolvimento de cada fase da criança, a fim de compreender suas ações e atitudes.

  1. METODOLOGIA

Aula expositiva, teórico-dialogada, subsidiada por pesquisa bibliográfica qualitativa.

  1. RECURSOS DIDÁTICOS

  • Cartazes

  • Quadro branco

  • Marcador para quadro branco

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTHIKAD, Jacob. Psicologia para Enfermagem. 2 ed. São Paulo: Reichmann & Autores Editores, 2002.

DEBESSE, Maurice. Psicologia da criança: no nascimento à adolescência. São Paulo: Editora Nacional, 1972.

FARIA, Anália Rodrigues. O desenvolvimento da criança e do adolescente segundo Piaget. São Paulo: Ática, 1995.

GESELL, Arnold. A criança dos 0 aos 5 anos. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

MELCHIORI, Lígia Ebner; ALVES, Zélia Maria Mendes Biasoli. Crenças de educadoras de creche sobre temperamento e desenvolvimento de bebês. Psicologia Teoria e Pesquisa, vol.17, n.3. Brasília, setembro, 2001. Disponível em http://www.scielo.org. Acesso em 15 de novembro de 2007.

MUSSEN, Paul Henry; CONGER, John Janeway; KAGAN, Jerome. Desenvolvimento e personalidade da criança. 4ª ed. São Paulo: Harper, 1977. Estudos de psicologia, vol.22, n.3. Campinas, jul./set., 2005. Disponível em http://www.scielo.org. Acesso em 15 de novembro de 2007.

RABUSKE, Michelli Moroni; OLIVEIRA, Débora Silva; ARPINI, Dorian Mônica. A criança e o desenvolvimento infantil na perspectiva de mães usuárias do serviço público de saúde.

WEITEN, Mayne. Introdução à psicologia: temas e variações. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002.

ESQUEMA DE AULA

    1. CONCEPÇÕES INICIAIS

    1. O que seria uma criança?

“[...] O conjunto de significações, símbolos e valores atribuídos à infância diferem de sociedade para sociedade, de época para época [...]” (RABUSKE; OLIVEIRA;ARPINI, 2005).

A criança é um homem em crescimento, é o homem do futuro, é um ser que vive para além de si mesmo num mundo artificial que o adulto construiu para ela (DEBESSE, 1972).

    1. Por que estudar o desenvolvimento infantil?

“As habilidades, motivos e medos dos adultos são melhor entendidos se for estudado o seu desenvolvimento, desde o início da infância” (MUSSEN; CONGER; KAGAN, 1977, p.25).

    1. DESENVOLVIMENTO INFANTIL

    1. Desenvolvimento motor

“[...] refere-se à progressão da coordenação muscular exigida para atividades físicas [...]” (WEITEN, 2002, p.313).

  • Princípios básicos para o desevolvimento

Tendência cefalocaudal – a direção do desenvolvimento motor da cabeça para os pés (ocorre o controle primeiro das partes superiores);

Tendência próximo-distal – tendência do desenvolvimento motor orientada do centro para as extremidades (as crianças ganham controle sobre o torso antes das extremidades);

Maturação – desenvolvimento que reflete o desdobramento gradual do esquema genético de uma pessoa (WEINTEN, 2002).

  • Normas de desenvolvimento

“[...] indicam a idade média (mediana) na qual os indivíduos apresentam diversos comportamentos e habilidades [...] essas normas são médias de grupos, cujas variações são absolutamente normais [...]” (WEINTEN, 2002).

[...] As normas etárias não são estabelecidas como padrões absolutos. São meramente de referência com os quais podemos comparar uma criança [...]. As normas são úteis se forem usadas com flexibiliade [...]” (GESELL, 1992, p.25-26).

FONTE: BRASIL, Ministério da saúde. Fundamentos Técnico-Científicos e Orientações Práticas para o

Acompanhamento do Crescimento e Desenvolvimento: Parte 2 – Desenvolvimento. Brasília, 2001.

  • Variações culturais

“As crenças subsidiam o comportamento do indivíduo, são mais implícitas que explícitas e estão ligadas ao comportamento mesmo sem mediação de se decidir fazê-lo conscientemente” (MELCHIORI,; ALVES, 2001).

“[...] as crenças sociais sobre o desenvolvimento têm implicações para o processo desenvolvimental efetivo dos sujeitos, para a socialização das crianças, para a relação entre adultos e crianças e para as práticas de cuidado a elas destinadas” (RABUSKE; OLIVEIRA; ARPINI, 2005).

“As variações culturais no aparecimento de habilidades motoras básicas demonstram que os fatores ambientais podem acelerar ou retardar o desenvolvimento motor inicial [...]. O desenvolvimento motor posterior é, no entanto, outro assunto. Assim que vão crescendo, as crianças, de qualquer que seja a cultura, adquirem habilidades motoras mais especializadas, sendo que algumas delas podem ser exclusivas de sua cultura” (WEINTE, 2002, p.315).

“[...] seja sua idade contada por anos, por luas, ou por chuvas, o significado de ser um ser humano deste ou daquele tamanho, com muita ou com pouca altura, varia enormemente de um lugar para o outro, de um tempo para outro” (RABUSKE; OLIVEIRA; ARPINI, 2005).

O ambiente psicológico social em que a criança nasceu proporciona a herança social. A cultura, a situação socioeconômica, o ambiente familiar, as interações dos membros da família e, mais tarde, os colegas e o ambiente escolar promovem o surgimento de diversas condições que determinam as diferenças individuais (ANTHIKAD, 2005, p.15).

FONTE: SPYRIDES, Helena Constantino[et al]. Efeitos das práticas alimentares sobre o crescimento infantil.

Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v.5, n.2. Recife, Abril/Junho, 2005. Disponível em: http://www.scielo.org.

    1. Diferenças de temperamento dos bebês

“Os bebês apresentam considerável variação de temperamento. Temperamento se refere ao humor, ao nível de atividade e à reatividade emocional característico [...]” (WEITEN, 2002, p.315).

“[...] sempre que indaguemos pelas razões de um dado comportamento, teremos uma dentre quatro repostas possíveis. A razão imediata refere-se ao estímulo ou à situação que precedeu ou provocou diretamente aquele comportamento [...]. A razão histórica se reporta à história de experiências passadas da criança, na situação familiar [...]. A razão adaptativa para o choro da criança é comunicar à mãe que está experimentando algum sofrimento [...] uma última razão [...] é a base evolutiva do comportamento (MUSSEN; CONGER; KAGAN, 1977, p. 26-27).

“Os aspectos sociais do ambiente em que o indivíduo vive afetam decisivamente sua personalidade. Se a casa onde vive proporciona paz, amor, compreensão mútua e harmonia, a criança irá desenvolver-se como um indivíduo saudável e autoconfiante. A criança superprotegida e a à qual são negadas independência e iniciativa irá transformar-se em um indivíduo pouco confiante e com personalidade excessivamente dependente. Disciplina repressora pode gerar rebeldia. Se o filho único for superprotegido e receber cuidados excessivos, irá tornar-se um indivíduo egocêntrico” (ANTHIKAD, 2005, p.15).

“[...] crianças fáceis, que tendiam a ser felizes, de sono e apetite regulares, adaptáveis e não facilmente perturbáveis [...] crianças de aquecimento lento que tendiam a ser menos alegres, de sono e apetite menos regulares e mais lentas a se adaptar a mudanças [...] as crianças difíceis tendiam a ser carrancudas e irregulares para dormir e comer, eram resistentes a mudanças e relativamente irritáveis [...] mesclas destes três temperamentos (WEITEN, 2002, p.316).

    1. Desenvolvimento emocional inicial: vínculo

“A formação dos sentimentos está ligada aos valores. Estes podem ser atribuídos aos outros e a si próprios [...]. Enquanto nos sentimentos interindividuais os valores são construídos com a cooperação do outro, daí o compromisso ou reciprocidade em relação aos outros, nos sentimentos intra-indivíduais os valores são elaborados com a ajuda do outro, mas a troca é intrapessoal. Por isso, o compromisso é relativo ao próprio sujeito” (FARIA, 1995, p.71).

“[...] o desenvolvimento infantil foi considerado pelas mães como um período em que a presença, a atenção e o carinho da mãe são fundamentais [...]. A saúde dos bebês durante o primeiro ano de vida foi estreitamente relacionada ao cuidado materno” (RABUSKE; OLIVEIRA; ARPINI, 2005).

  • Padrões de vínculo

“[...] o vínculo do bebê à sua mãe não é instantâneo. No início, os bebês mostram pouca inclinação a terem uma preferência especial por suas mães. Podem passar para as mãos de estranhos, como babás, com relativamente pouca dificuldade. Isso muda, geralmente, por volta de 6 a 8 meses, quando os bebês começam a mostrar uma preferência pela companhia de suas mães e protestam frequentemnete ao ser separados delas [...] (WEITEN, 2002, p.316).

Os vínculos mãe-filho [...] se encaixam em três categorias [...] um vínculo seguro [...] alguns tornam-se muito ansioso quando separados de suas mães, um padrão chamado vínculo ambivalente-ansioso. As crianças na terceira categoria buscam pouco contato com suas mães, uma condição rotulada de vínculo de evitação” (WEITEN, 2002, p.317).

  • Relação entre ligação afetiva e ansiedade

“[...] O bebê está sujeito a muitas situações de medo, mas duas das principais categorias de ansiedade parecem igualar-se ao crescimento da ligação afetiva com os adultos. Uma é denominada ansiedade dos estranhos e a outra, ansiedade de separação. Ansiedade de estranhos – a resposta de ansiedade a um rosto humano desconhecido é um claro exemplo de uma reação à discrepância. (MUSSEN; CONGER; KAGAN, 1977, p. 178-181).

“[...] ansiedade da separação – sofrimento observado em muitos bebês quando são separados das pessoas com as quais estabeleceram um vínculo. A ansiedade da separação, que pode ocorrer com outras pessoas que cuidam dele, assim como com a mãe, normalmente atinge seu ápice por volta de 14 a 18 meses, para, então, daí começar a diminuir” (WEITEN, 2002, p. 316-317).

[...] a habilidade para reconhecer a qualidade discrepante de uma experiência de separação requer um certo nível de maturidade cognitiva, bebês muito pequenos devem ser incapazes de sentir medo de separação [...]” (MUSSEN; CONGER; KAGAN, 1977, p. 178-181).

  • Creches e vínculo

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