Ética e Economia

Ética e Economia

Relação entre Ética e Economia.

Sendo a economia uma ciência social, que busca o estudo do homem, ela se aproxima das questões éticas inevitavelmente. Wilbor sugere que a ética se cruza com a economia de três modos:

  • Em primeiro lugar os economistas tem valores éticos que influenciam a produção da ciência econômica;

  • Em segundo lugar, os agentes econômicos – consumidores, empresários e trabalhadores, etc. – tem valores éticos que modelam os seus comportamentos;

  • Finalmente, as instituições e as políticas econômicas tem impactos diferenciados sobre as pessoas, daí decorrem importantes avaliações econômicas e éticas.

Os valores éticos empregados na economia recaem em diferentes áreas econômicas, de acordo com Antônio Castro Guerra, a economia pode ser dividida em três grandes grupos. Economia positiva, economia normativa e economia prática. Porem a primeira se encontra neutra aos valores éticos, já as outras duas tem seus valores amplamente discutidos. A primeira se preocupa com a questão de “o que é”, a segunda “o que deve ser”, já a terceira com “o que é” para “o que deve ser”.

A ética em toda a sua conduta econômica é o resultado de um ato da decisão, de uma escolha entre o que é bom, mau, melhor ou pior para si e para os outros, até onde parece estritamente técnico e nada relacionado com a moral, como, por exemplo, a fixação de um determinado preço. Assim, fixado um custo de produção, ainda resta uma decisão sobre a quantidade do produto almejado e do rendimento esperado. Esta decisão é injusta se o produtor aproveita a escassez do produto ou a necessidade do consumidor e fixa um preço alto que exige do consumidor enorme sacrifício para pagá-lo ou o impede de adquirir o bem necessário. Esse resultado prejudicial, que pode chegar a por em risco a própria vida das pessoas, é uma conseqüência anti-ética de obter um exagerado percentual de lucro. É contrária à ética toda a decisão econômica de produzir produtos de má qualidade ou de fazer publicidade mentirosa.

Sérgio Abranches em Veja (29/09/99 – p.121), exemplifica claramente os problemas encontrados na discussão da ética econômica:

O que é mais importante? Combater a pobreza ou preservar a liberdade?”

Abranches, baseando-se no prêmio Nobel de 1999, Amartya Sen, defende que uma é tão importante quanto a outra, então ele prega a pré-existencia de três fatores para diminuir a pobreza preservando a liberdade:

Liberdade, como um valor intrínseco do desenvolvimento humano e não apenas como um valor instrumental para a realização de outros objetivos. Saúde, essencial requisito de bem-estar físico mínimo, que permite às pessoas usufruir a liberdade de trabalho, para a qual, aliás, a liberdade de ir e vir é essencial. Educação, que permite às pessoas escapar dos mecanismos de exclusão e usufruir as liberdades que lhes permitem acesso às oportunidades existentes em sua sociedade. Não significa que se deva desprezar os fundamentos materiais do progresso humano. É que, sem a universalização dessas três condições, não é possível assegurar o usufruto do bem-estar material para a maioria.

A economia não pode ignorar a ética, pois ela não a limita, somente impõe algumas “regras” as quais devem e podem ser seguidas sem prejudicar, ou prejudicando menos, ambos os lados.

Sérgio Abranches - Veja 29/9/99 – p. 121 (Editora Abril)

Antonio Castro Guerra – 01/97 (http://www.gee.min-economia.pt/resources/docs/publicacao/DT/dt03.pdf)

Wibor, C. K. (http://www.nd.edu/~cwilber/pub/recent/ ethicsh - bk.htlm)

Sen, Amartya (Sobre Ètica e Economia) Cia. das Letras

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