Exploração Mineral

Exploração Mineral

1. ESTADO DA ARTE

A exploração mineral ou pesquisa é uma atividade de alto risco que envolve vultuosos recursos dirigidos exclusivamente para o descobrimento de depósitos minerais. O mapeamento geológico é considerado a atividade de fomento mais importante à exploração mineral. No início da década de 70, teve seu auge, com a integração do Brasil em escala 1:250.0 proporcionando assim avanços no conhecimento geológico e por conseguinte do potencial mineral do País. Foram elaborados e estão em progresso nesses dois últimos anos, pelo SGB/CPRM, o mapeamento geológico de 151 folhas cartográficas, nas escalas 1:100.0 e 1:250.0. Em 50 dessas folhas conta-se com a parceria de universidades e equipes de instituições estaduais. Essa parceria é uma das ações mais importantes do Programa de Geologia do Brasil. As demais técnicas utilizadas nas atividades de exploração mineral são analisadas individualmente a seguir.

- O sensoriamento remoto tem sido amplamente utilizado no mapeamento geológico, na seleção de ambiente prospectivo e na identificação de depósitos minerais. Os sensores brasileiros R99, OrbiSar e MapSar sintetizam todas as características possíveis para as tecnologias atuais.

- A política de distribuição gratuita de imagens CBERS adotada pelo INPE, a comercialização de cenas Áster a custos irrisórios adotados pela NASA e RESTEC (agência Espacial do Japão), bem como a disponibilização de um banco de imagens pela empresa Google mostram a tendência mundial de disseminação de dados de sensoriamento remoto.

- Os levantamentos aerogeofísicos são específicos para alvos minerais, incluindo gamaespectrometria, eletromagnetometria, gravimetria e magnetometria. No Brasil estão sendo desenvolvidos diversos programas de levantamentos gamaestectrométricos e magnetométricos em várias regiões do país. Na aplicação da geofísica terrestre a profundidade do intemperismo tem sido um limitador na interpretação de dados elétricos e eletromagnéticos. Atualmente, com a sofisticação do uso de softwares avançados para tratamento de dados, os geofísicos têm identificado um maior número de anomalias, que têm ajudado na definição da qualidade dos alvos. As metodologias mais utilizadas no Brasil são a magnetometria terrestre, métodos eletromagnéticos, polarização induzida e resistividade.

- A geoquímica moderna introduziu sistemas de controles de qualidade mais conhecidos, como QA/QC, que regem as normas e procedimentos utilizados nos

2 Baseado no texto elaborado por Elpídio Reis Filho, consultor independente, amplamente discutido durante o Seminário Nacional de Geociências, em 12 de julho de 2006, e contribuições de diversos profissionais e especialistas no assunto.

laboratórios químicos, em adição aos padrões ISO. Estas normas de qualidade e precisão de análises químicas de minério são a base para estimativas dos teores de recursos e reservas.

- A sondagem é considerada a ferramenta mais importante da exploração mineral.

Atualmente os países que mais utilizam sondagem na exploração mineral são o Canadá e a Austrália. O Brasil sondou, em 2005, cerca de 1,0 milhão de metros, incluindo as minas em produção e excluindo os poços para água. Nosso número real de metragem para exploração deve ser da ordem de 300.0 metros anuais. Análises químicas de amostra minerais de superfície e principalmente de sondagem são os únicos dados permitidos para estimativa de teor de reservas e recursos.

- Estudos de viabilidade econômica representam o coroamento da atividade de exploração e são considerados os mais complexos, exigindo a integração de profissionais de varias áreas trabalhando em conjunto. Na verdade, quando um projeto de exploração é levado a um estudo de viabilidade, geólogos têm que definir a geologia de um recurso mineral quase como uma ciência exata, de forma a aumentar o nível de confiabilidade e minimizar o risco.

- A exploração mineral não é considerada uma atividade de impacto ambiental permanente. Apesar disto, nos últimos 30 anos, empresas que desempenham esta atividade estão mais conscientes sobre a responsabilidade de preservação de nossas florestas e recursos hídricos.

2. AGENDA DE PRIORIDADES

2.1 Metodologia de cálculo de recursos e reservas minerais

- Objetivos: realizar estudos para estabelecer regras claras e guias práticos detalhados para minimizar ambigüidades e interpretações de texto no cálculo de recursos e reservas minerais. Pretende-se a definir e uniformizar os termos: recursos e reservas, a fim de que sejam compatíveis com as normas aceitas em outros países, com o objetivo de colocar novos projetos em nível internacional, fomentando investimentos em pesquisa mineral, setor importante no cenário nacional. Institucional.

- Justificativa: investidores e empresas de exploração estrangeiras reclamam da ausência, no Brasil, de um código moderno (normas) de relato de resultados de exploração e estimativas de recursos minerais e reservas de minério que sejam aceitos internacionalmente. A Austrália e o Canadá avançaram na padronização de descrição em relatórios de resultados de exploração e estimativas de recursos e reservas em decorrência dos escândalos da Poseidon Níquel, na Austrália, em 1970 e do escândalo da Bre-X Ouro na Indonésia, em 1996, somados a um numero crescente de ações legais advindas de disputas sobre estimativas de volume de minério. Institucional

2.2 Reestruturação da capacitação analítica do laboratório de análises químicas do SGB

- Objetivos: dotar o País de um laboratório de competência reconhecida pelos órgãos credenciadores oficiais do Brasil e do exterior, equipado e capacitado a prestar serviços analíticos que atendam com rapidez e qualidade a crescente demanda do setor mineral, por análises químicas e físico-químicas em água; e químicas e mineralógicas em rochas, sedimentos e minérios. Investimento R$ 2.500 mil.

- Justificativa: a retomada do mapeamento geológico do País proporcionou um crescimento na demanda por análises de rochas, solos, concentrados de bateia e sedimentos de corrente. Prevê-se, num primeiro momento, a realização de todas as análises químicas em laboratórios particulares, com quase completa participação estrangeira. O Laboratório de Análises Químicas do SGB/CPRM é respeitado nacional e internacionalmente e possui uma estrutura passível de ser modernizada através de pequenas adaptações de suas instalações, aquisição de equipamentos e aumento de efetivo técnico devidamente capacitado, podendo, em médio prazo, atender a importantes demandas do setor mineral. Por outro lado, a descentralização das atividades através de investimentos em laboratórios regionais ou construção de novos laboratórios em localidades estratégicas preserva e aprimora as competências locais existentes formadas ao longo de anos na CPRM. A Reativação da Capacitação Analítica do Serviço Geológico do Brasil para Análises Químicas, Físico-químicas e Mineralógicas em Rochas, Sedimentos e Minérios, além de atender a uma demanda analítica existente no setor, evitaria a evasão de divisas e absorveria mão-de-obra local capacitada.

2.3 Programa institucional de bolsas de iniciação científica

- Objetivos: minimizar a situação da falta de recursos humanos em várias instituições de

P&D com a inserção de bolsistas nos projetos de pesquisa, visando, sobretudo, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, com ênfase na formação de acadêmicos e pessoal técnico de nível médio. Essa é a tônica de pelo menos dois tipos de bolsas concedidas pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, na categoria por quotas: o PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de

Iniciação Científica e o recém-lançado PIBITE – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico, que poderiam ser pleiteadas pela CPRM, além daquelas concedidas aos seus servidores nas modalidades pós-graduação, mestrado (GM) e doutorado (GD). Institucional.

- Justificativa: A questão de recursos humanos tem sido um problema crucial em praticamente todas as instituições de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do País, quer pela idade média de seu pessoal, em geral alta e próxima aos limites para aposentadoria, quer pela ausência de concursos públicos em muitos anos, quer, ainda, pelos salários pouco atraentes praticados, de que decorrem o desinteresse na ocupação de cargos ou as inúmeras demissões logo após a efetivação de concursados. Como conseqüência, há um retardamento no tão esperado avanço científico e tecnológico nacional, o qual poderá ser bem maior caso esse problema não venha a ser resolvido em curto ou médio prazo.

2.4 Exploração geoquímica em terrenos lateríticos

- Objetivo: desenvolver metodologias exploratórias adequadas às condições intempéricas do nosso território que, em sua grande parte, é dominado por terrenos lateríticos. Investimento: 500 mil

- Justificativa: nossa proposta baseia-se no fato de que as regiões de maior potencial mineral no Brasil encontram-se cobertas por espessos regolitos de natureza laterítica, que requerem especial atenção quanto às metodologias exploratórias a serem empregadas.

Estas metodologias só podem ser estabelecidas se embasadas em sólidos conhecimentos científicos acerca dos processos responsáveis pela formação e evolução dos regolitos, de acordo com seu substrato e região morfoclimática. Estudos dessa natureza têm sido realizados em terrenos lateríticos na Austrália para apoiar a pesquisa mineral. No entanto, suas características são bem diversas daquelas encontradas no território brasileiro que, ao contrário da Austrália, tem seu regolito desenvolvido sob um regime dominantemente úmido desde a época de sua formação no paleoceno.

2.5 Avaliação mineral e tecnológica das fosforitas da plataforma continental do Rio Grande do Sul e Santa Catarina

- Objetivos: avaliação do potencial mineral e caracterização tecnológica das fosforitas marinhas da plataforma continental do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para uso como insumo de fertilizantes na agricultura. Custo estimado: R$ 400 mil.

- Justificativa: o fosfato de origem marinha que ocorre em depósitos sedimentares denominados de fosforita, contendo até 70% de fosfato, pode ser considerado uma alternativa para abastecer a demanda nacional de fósforo destacadamente para a fabricação de fertilizantes. No Brasil, o fosfato é extraído a partir das rochas ígneas e sedimentares, devendo-se ressaltar que a grande variação mineralógica natural das rochas ígneas em relação às sedimentares se reflete num custo final do produto mais elevado pela maior complexidade no processo de beneficiamento. Hoje o País é um grande importador do produto para suprir a sua principal atividade econômica produtiva, a agricultura, com expressiva dependência do fosfato em fertilizantes.

As estatísticas apresentadas no Sumário Mineral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM, 2005) denotam o incremento da demanda de fosforitas para o consumo interno, além de outras aplicações e produtos a partir de compostos não-metálicos. Dentro deste quadro, a avaliação das reservas potenciais e a caracterização tecnológica do fosfato existente na margem continental brasileira representam a incorporação de dados às estatísticas de reservas nacionais e de produção e comercialização deste bem mineral. Mais além, representa ainda uma ação estratégica de gestão voltada aos mercados interno e externo, estimulando a competitividade da indústria nacional através da manutenção do poder de agente regulador dos produtos importados.

Este projeto requer como parceiros a EMBRAPA, no que diz respeito aos testes de aplicação do fosfato e caracterização agronômica, e o CETEM para o desenvolvimento tecnológico.

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