Manutenção de sistemas pneumáticos

Manutenção de sistemas pneumáticos

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Tópicos sobre manutenção de sistemas pneumáticos

1 - ENERGIA PNEUMÁTICA

A produtividade industrial tem aumentado de forma extraordinária nos últimos anos, fato conhecido por todos. Este aumento na produtividade é, em grande parte, impulsionado pela presença de atuadores pneumáticos. Os elementos pneumáticos de potência – motores e cilindros, possuem enormes vantagens sobre os acionamentos mecânicos. Porém, existe um fato negativo nesse aspecto que é importante: seu custo energético, visto que a energia pneumática é a mais cara em relação à elétrica.

2 - COMO CONSERVAR UM SISTEMA PNEUMÁTICO

Na lista de componentes de um sistema pneumático, existem três importantes elementos que, freqüentemente são esquecidos e são de vital importância para o bom funcionamento de um sistema pneumático: os filtros de ar, os reguladores de pressão e os lubrificadores de linha. Como não realizam nenhuma função dinâmica, tornou-se comum pensar que esses elementos possam ser relegados a um segundo plano. Contudo, todo o circuito pneumático deve ser instalado com um filtro, um regulador de pressão e um lubrificador em sua entrada.

Sem um filtro de ar é quase impossível excluir as impurezas das tubulações que, com o passar do tempo, danificam internamente as tubulações que ligam o compressor à máquina. Isso porque a condensação que se deposita na superfície interna dos tubos provoca a formação de ferrugem a certos depósitos de impurezas que, com o tempo, se desprendem e atingem o circuito pneumático, provocando avarias graves nas válvulas e nos cilindros do sistema.

O regulador de pressão assegura o fornecimento de uma pressão constante ao circuito pneumático, uma vez que o fornecimento de pressão uniforme na alimentação é essencial. Isto não poderia ser obtido sem o regulador, porque as variações de pressão na rede de distribuição são constantes face ao consumo também variável. A pressão na rede também é mais elevada que a requerida pelo sistema para um funcionamento satisfatório e só o regulador permite que se trabalhe com uma pressão pré-determinada.

A lubrificação desempenha papel igualmente importante no processo ao se desejar reduzir ao mínimo desgaste, já que os lubrificantes aumentam, sem dúvida, o tempo de vida das vedações e, conseqüentemente, de todo o equipamento pneumático.

Dessa forma, para a correta instalação de um circuito pneumático, não se concebe a ausência desses três equipamentos pneumáticos. Por outro lado, o funcionamento adequado dos circuitos depende, ainda, de sua acertada instalação o que pode ser conseguido mediante as seguintes precauções:

  • Efetuar a limpeza de toda a tubulação, através da passagem forçada de ar, antes de se ligar qualquer válvula ou cilindro;

  • Providenciar proteção conveniente das válvulas contra calor excessivo, poeira, elementos corrosivos e pancadas;

  • Evitar estrangulamento desnecessário da tubulação;

  • Verificar se a tensão da bobina é a mesma da rede;

  • Munir os circuitos dos equipamentos necessários (filtros, lubrificador e regulador) e fazer o sistema funcionar primeiramente com excesso de óleo, até se notar uma neblina saindo pelos escapes das válvulas, quando então, se regula o lubrificador para uma quantidade de óleo ideal. A lubrificação é constante pelo visor do lubrificador, mas não se nota a neblina de óleo ideal (lubrificação é constante pelo visor de lubrificador, mas não se nota a neblina de óleo formada pelo escape).

3 - CUIDADOS BÁSICOS

Os equipamentos pneumáticos em funcionamento necessitam de alguns cuidados para que um pequeno defeito não venha prejudica-los seriamente. As principais observações que devem ser feitas são as seguintes:

  • Verificação diária do nível do óleo nos lubrificantes e constatação, pelo visor, se os mesmos estão funcionando para que não falte lubrificação;

  • Observação dos equipamentos quanto à sua fixação (cilindros trabalhando soltos passam, geralmente, a receber esforços radiais em seu eixo e pode ocasionar sua ruptura, desgaste, irregulares dos mancais riscos no tubo);

  • Eliminação de qualquer vazamento, pois este defeito implica consumo de ar desnecessário e queda de pressão;

  • Drenagem diária dos filtros para evitar a sua saturação;

  • Manter sempre que possível, os equipamentos limpos e protegidos contra impurezas, pancadas e elementos corrosivos.

Outros cuidados que evitam manutenções corretivas devem ser tomados por ocasião de montagem e desmontagem dos equipamentos pneumáticos que possuem guarnições e superfícies lisas de todo tipo.

Alguns dos principais cuidados a serem tomados envolvem:

  • A escolha de um lugar limpo e livre de poeira para a desmontagem da válvula ou cilindro;

  • Limpeza perfeita de todas as peças antes que sejam montadas - as guarnições não podem ser limpas com solventes que ataquem a borracha, com gasolina, benzina e tinner;

  • Lubrificação de todas as peças, antes da montagem;

  • Exame cuidadoso (antes da montagem dos acabamentos das superfícies metálicas que entram em contato com as guarnições, já que montar uma guarnição nova em uma superfície áspera, batida ou arranhada é o mesmo que perde-la);

  • Prevenção contra o uso de martelo de metal e de ferramentas de aresta cortante no ato de desmontar e montar (se necessário, usar o martelo de plástico ou borracha).

Numa segunda etapa, deve-se cuidar para que toda guarnição seja desmontada ou montada sem esforços demasiados, pois a ocorrência destes indica que algo está errado e tal erro deve ser localizado. Ao montar uma guarnição tipo “O” Ringe em um fixo, deve-se tomar todas as precauções caso a guarnição tenha que passar por uma aresta cortante.

4- INSTALAÇÃO DE VÁLVULAS PNEUMÁTICAS

4.1 - VÁLVULAS COM OPERAÇÃO MANUAL

- Se a válvula tiver pés para montagem, coloque-os com segurança em uma superfície plana. Não coloque um esforço sobre o corpo da válvula montando esta em uma superfície desigual;

- Instale a válvula de forma que o atuador esteja prontamente acessível ao operador. Não lhe exija procurar em todo o mecanismo de movimento para alcançar o atuador da válvula;

- Instale a válvula de forma que ela não esteja sujeita a jatos quentes. O calor extremo produz um efeito nocivo na maioria das vedações;

- Instale a válvula de forma que ela não fique coberta de sujidade. As válvulas freqüentemente ficam cobertas e são difíceis de achar;

- Faça ligações com os orifícios da válvula de forma que não vazem, mas não aplique muita força ao apertar essas ligações para que as aberturas não se quebrem;

- Instale as válvulas de forma que se possam ser facilmente acessíveis ao operador, contudo, altas o suficiente para que não sejam atingidas por elementos móveis;

- Quando instalar as válvulas certifique-se de que a sujidade não entrou nas válvulas antes de serem operadas.

4.2 - VÁLVULAS COM OPERAÇÃO MECÂNICA

- A válvula deve ser montada numa boa superfície plana. Essa válvula deve suportar esforços de roletes, braços de disparo, pinos e outros meios de operação mecânica. Os parafusos de montagem devem ser colocados uniforme e firmemente;

- Certifique-se de que a válvula esteja limpa antes que seja instalada;

- Instale a válvula, de forma que funcione melhor na disposição dos tubos. Em outras palavras, elimine curvas na tubulação tanto quanto possível;

- Certifique-se de que todas as conexões de canos estão apertadas. Os vazamentos de óleo e de ar são desaconselháveis;

- Verifique os disparos mecânicos para saber se estão no alinhamento adequado. Verifique também se passam além do curso normal;

- Lubrifique os mecanismos de atuação, e certifique-se de que funcionam livremente.

4.3 - VÁLVULAS OPERADAS POR SOLENÓIDES

- Monte a válvula a solenóide conforme recomendações do fabricante. Alguns modelos são recomendados para movimento horizontal do êmbolo, e outros modelos para o movimento vertical do êmbolo.

- Se a válvula for do tipo projetado para montagem em tubulação, certifique-se de que a válvula esta montada para cima, de forma que não vaze, já que muitas válvulas montadas em linha possuem corpos de ferro fundido ou latão, certifique-se de que os canos não estão parafusados no corpo da válvula de tal maneira que rachem o corpo da válvula;

- Verifique cuidadosamente a especificação usual na placa de registro da válvula ou na bobina do solenóide, antes de ligar os fios. Nunca utilize uma corrente elétrica diferente da especificada na válvula. As recomendações do fabricante devem ser seguidas;

- Mantenha as válvulas de solenóide afastadas de regiões em que a temperatura seja alta. As bobinas de solenóide devem ser mantidas, se possível, em temperaturas normais;

- Nas atmosferas explosivas, instale válvulas de solenóides que tenham invólucros à prova de explosão;

- Certifique-se de que o interior da válvula está limpo quando esta for instalada;

- Monte a válvula do solenóide de forma que esteja protegida de carros de oficina, caçambas e outros objetos que possam danificar a válvula;

- Certifique-se de que as tampas do solenóide estão no lugar antes que a válvula seja posta em funcionamento; isso evita a entrada de sujidade e partículas.

4.4 - VÁLVULAS OPERADAS POR PILOTO

- Se a válvula tiver pés para montagem, monte-a com segurança numa superfície plana uniforme. Se a válvula for montada em tubulação, os tubos deverão ser seguramente apertados no corpo da válvula;

- Assegure-se de que não há vazamento nas ligações piloto;

- Certifique-se de que as ligações do piloto não estão restringidas;

- Mantenha a válvula afastada do calor;

- Veja se a lubrificação está disponível para a válvula;

- Monte a válvula, quando possível, numa posição horizontal. Embora isso não seja necessário para algumas válvulas, não ocorre o mesmo para outras.

- Não martele a válvula nem quando da instalação nem depois desta;

- Certifique-se de haver selecionado a válvula de piloto correta para acionar a válvula operada a piloto;

5 - CAUSAS DE FALHAS EM VÁLVULAS PNEUMÁTICAS

5.1 - VÁLVULAS OPERADAS MANUALMENTE

- Sujidade – Esta é a causa principal de falha nas válvulas. A sujidade das linhas sem filtros ou de sistemas sujos pode incrustar-se nas vedações das válvulas, arranhar revestimentos de válvulas e êmbolos metálicos, bloquear a passagem de fluidos e causar vários tipos de danos;

- Falta de lubrificação – A maioria das válvulas pneumáticas necessitam de lubrificação. Sem lubrificação as peças desgastam-se rapidamente. A falta de lubrificação pode fazer o atuador da válvula travar;

- Temperatura de operação – Altas temperaturas levam à deterioração a maioria das vedações, causando vazamentos. A dilatação térmica das vedações pode causar falhas;

- Peças danificadas – Algumas válvulas possuem mola para retorno do atuador à posição inicial. Se o atuador não retornar a mola pode estar danificada;

- Vedações incorretas – Especifique a vedação correta de acordo com o fabricante e o código da válvula, não esquecendo de observar a faixa de temperatura em que as vedações devem operar.

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