Fundamentos de Contabilidade

Fundamentos de Contabilidade

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA

FUNDAMENTOS DE CONTABILIDADE

Prof. Joel Marcos Leandro, Msc.

Agosto

2007

INTRODUÇÃO

Nos últimas décadas os brasileiros assistiram à abertura da nossa economia e inserção no cenário da globalização. Como conseqüência dessa abertura, as empresas passaram a viver com uma nova realidade que afetou os seus negócios. A internacionalização da economia tem levado cada vez mais empresas nacionais a buscarem parceiros nos quatro cantos do planeta. O conhecimento das condições e das oportunidades de negócios pode ser determinante para a sobrevivência nesse cenário já consolidado. A capacidade das organizações de sobreviver e crescer dependerá, fundamentalmente, da sua habilidade em compreender e dominar esse novo ambiente por meio de uma boa gestão contábil e uma eficiente estratégia de negócios.

A Disciplina tem como objetivos:

  • Desenvolver a capacidade de seleção dos instrumentos contábeis utilizados nas organizações, principalmente na área financeira;

  • Oferecer visão ampla dos fundamentos contábeis e a sua aplicabilidade, auxiliando no processo de tomada de decisão;

  • Desenvolver a capacidade de posicionar estrategicamente uma empresa no mundo dos negócios;

  • Ampliar a capacidade de seleção dos instrumentos de negócios utilizados por meio da gestão contábil;

  • Desenvolver percepção apurada das tendências conjunturais: O que está acontecendo e o que, provavelmente, vai acontecer na gestão financeira e a necessidade de desenvolver uma boa estratégia de negócios, utilizando as ferramentas contábeis disponíveis.

A metodologia a ser aplicada basear-se-á em aulas expositivas com a apresentação de conceitos, experiências práticas relacionadas ao assunto e discussão de textos e artigos com a turma, visando ampliar o nível de conhecimento sobre o processo permanente de mudanças por que passa o mercado financeiro e a necessidade de desenvolver uma gestão estratégica bem planejada, com ações focadas, principalmente, em negócios que gerem resultados consistentes para as empresas.

Bem-vindo(a) ao curso.

Prof. Joel Marcos G. Leandro Msc

joelml@uol.com.br

Quem é fraco numa crise é realmente fraco”.

Provérbios de Salomão 24:10 NTLH

CURRICULO DO PROFESSOR

Prof. Joel Marcos Leandro

Formação

  • Mestre em Administração de Negócios – Universidade Estácio de Sá.

  • MBA em Administração de Negócios - IBMEC;

  • MBA em Gestão de Negócios Financeiros – FGV;

  • Pós-Graduação em Comércio Exterior - UFRJ;

  • Graduação em Contabilidade - Universidade Gama Filho – UGF;

  • Curso de Especialização em Políticas e Estratégias - ADESG - Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra;

  • Trade Finance/Mercado Internacional - Grupo Opções Treinamento;

  • Jornadas de Atualização Gerencial – Controle - Centro de Formação e Treinamento do Banco do Brasil;

  • Jornadas de Atualização Gerencial – Crédito e Gestão de Risco - Centro de Formação e Treinamento do Banco do Brasil;

  • Master Banking Game - Desenvolvimento Gerencial;

  • Certificação de Investimentos Avançados – CPA 20 – da ANBID;

  • Curso Mercados de Derivativos na Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F.

A sorte só favorece a mente preparada.”

Isaac Asimov, escritor

Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá uma derrota. Se você não conhece o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

Sun Tzu – livro “A arte da Guerra”

A EMPRESA E SUA ESTRUTURA

A empresa desempenha importante papel na sociedade moderna, tendo a função de coordenar os chamados fatores da produção para obtenção de bens e serviços destinados à satisfação das necessidades humanas. Os fatores de produção são recursos disponíveis, abrangendo:

  1. Os recursos naturais, como solo, florestas, mares e rios, por exemplo;

  2. O trabalho que é a mão-de-obra pode ser especializado ou não;

  3. O capital, que compreende máquinas, equipamentos e instrumentos utilizados na produção dos bens e serviços.

A empresa, mesmo tendo como objetivo principal o lucro, tem outros importantes objetivos e desafios, como o atendimento às necessidades de seus clientes, a busca de constante aprimoramento tecnológico, a pressão da concorrência, bem como as respostas às cobranças da sociedade como um todo, entre outros fatores.

Por outro lado as necessidades humanas a serem satisfeitas atingem diferentes escalas de importância. Segundo Maslow, as pessoas são estimuladas ou motivadas de acordo com as solicitações de suas necessidades, decorrendo daí uma escala de prioridades:

  1. Necessidades fisiológicas: ar, alimentos, roupas, moradia e saúde;

  2. Necessidade de segurança: proteção contra o perigo;

  3. Necessidades sociais: amizade e participação em grupos sociais;

  4. Necessidade de estima: reputação, reconhecimento, auto-respeito e amor;

  5. Necessidade de auto-realização: realização do potencial, utilização do talento individual.

Para a administração, é importante conhecer os produtos/serviços que a empresa produz/oferece e a importância destes para a satisfação das necessidades de seus clientes e seu impacto no resultado da empresa. Ao realizar suas tarefas as empresas consomem recursos (mão-de-obra, materiais e serviços diversos, imóveis, instalações e equipamentos) pelos quais deverão pagar. Para um gerenciamento eficaz, as pessoas que dirigem essas organizações necessitam de informações sobre o volume de recursos aplicados, as formas como foram financiados e os resultados decorrentes de sua utilização. Além disto, pessoas externas às organizações que, eventualmente, tenham ou venham ter interesse sobre o seu desempenho, necessitam dessas informações a fim de suportar suas decisões.

O maior usuário dessas informações é a própria empresa. A análise das informações contábeis ocorre em duas grandes dimensões: uma voltada para o gerenciamento das operações e outra com enfoque na direção geral da organização – visão estratégica.

O fato de a empresa não ter como objetivo central o lucro, não chega a alterar significativamente o seu sistema de informações contábeis. Além disto, apesar de termos informações diferentes em diferentes organizações de acordo com o seu ramo de atuação, geralmente, os tipos de informações utilizadas variam muito pouco.

PLANEJAMENTO FINANCEIRO E A GESTÃO CONTÁBIL

A atividade financeira busca criar valor para os donos de capital, sejam eles acionistas de uma sociedade anônima (S.A.) ou sócios de uma sociedade por quotas (Ltda.). Esta tarefa pode ser resumida como a necessidade de geração de um fluxo de caixa maior do que o volume de recursos utilizados.

Em finanças faz-se necessário planejar qual a melhor estrutura de ativos, (aplicação de recursos) e quais fontes de captação de recursos a empresa deve procurar. Nesse sentido, podemos afirmar que o planejamento financeiro associado a boa gestão contábil deve estudar todas as possibilidades de investimentos apresentadas para a empresa, dando prioridade aqueles projetos que apresentam maior fluxo de caixa positivo (fluxo gerados  volume de recursos utilizados).

Já o planejamento das fontes de recursos a serem utilizados deve levar em conta as oportunidades de financiamentos disponíveis nos mercados monetários (crédito), destinados a captação de curto prazo (até 360 dias) e nos mercados de capitais, que trabalham com dívidas de longo prazo (acima de 360 dias) – principalmente debêntures e ações.

Uma vez definido o rumo que o negócio deve seguir, a gestão contábil deverá integrar as diversas áreas da empresa, principalmente aquelas envolvidas diretamente com a produção e comercialização dos seus produtos e serviços. O trabalho final deve resultar num modelo onde:

  • Os fluxos de caixa gerados sejam maiores do que o volume de recursos utilizados;

  • Os prazos de pagamentos dos fornecedores sejam os maiores possíveis – observados os aspectos preço e qualidade;

  • Os prazos concedidos a clientes sejam os menores possíveis – observadas as estratégias comerciais;

  • Os prazos de permanência dos estoques sejam os menores possíveis (observada a logística de distribuição de produtos).

A boa gestão do fluxo de caixa é utilizada como ferramenta indispensável para o planejamento financeiro de curto prazo, onde se procura estimular as entradas e saídas de caixa. Essa estimativa está diretamente relacionada com o prazo de permanência dos estoques na empresa, o prazo concedido aos clientes para o pagamento das compras e com os prazos obtidos pelos fornecedores para o pagamento das compras efetuadas pela empresa.

Para os vencedores, o fracasso é uma inspiração; para os perdedores, o fracasso é uma derrota.”

Robert T. Kiyosaki - escritor

AMPLITUDE DA ANÁLISE FINANCEIRA

A informação financeira serve tanto aos gestores quanto aos usuários externos à organização como acionistas, bancos, fornecedores, clientes, investidores, sindicato, fisco, analistas financeiros e o público em geral. Aqueles que investiram os seus recursos na empresa desejam informações sobre o andamento dos negócios. Inclusive para subsidiar suas decisões quanto venderem ou não a sua participação.

Da mesma forma, potenciais compradores dessas ações desejarão saber como vem sendo o desempenho dessa companhia. Por fim, caso a empresa deseje contrair um empréstimo bancário, é natural que o banqueiro queira conhecer a situação financeira da companhia, e saber se existe, por parte dela, capacidade de pagamento suficiente para honrar o compromisso financeiro pleiteado.

Não seria muito lógico se cada uma dessas partes interessadas requisitasse um relatório financeiro personalizado, somente para atender às suas prioridades de informação. Por isso, são elaborados os relatórios contábeis financeiros que, por sua padronização, ou seja, pelo fato de seguirem estritamente regras estabelecidas quanto à elaboração da informação, podem atender a todos os interessados em conhecer o desempenho da empresa, bem como, compará-lo ao desempenho de outras organizações, guardadas as devidas ressalvas e particularidades.

FERRAMENTAS DE AVALIAÇAO ESTRATÉGICA

Como se vive em tempos de grande mudança no mundo dos negócios, refletir estrategicamente passou a ser imprescindível. Os clientes exigem cada vez mais e são cada vez menos fiéis às marcas, somado a isso, a situação econômica de diversos países é instável, com muitas desacelerações. Deste modo, dar a devida atenção ao meio que envolve a empresa é essencial, bem como pensá-lo de modo inteligente.

Através da análise SWOT (termo em inglês que significa Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) uma análise mais profunda torna-se possível. A matriz SWOT é elaborada para focar a síntese dos cenários, estudo de mercado e análise competitiva; sintetizando os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças.

Assim, consolidam-se todos os aspectos relevantes do negócio, tanto as situações macro-ambientais (demográficos, econômicos, tecnológicos, político-legais, sócio-culturais), quanto os fatores micro-ambientais (consumidores, concorrentes, canais de distribuição, fornecedores) que afetam diretamente a empresa.

Uma maneira de representar a análise SWOT é pela construção de um retângulo, dividido em quatro partes, onde as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças são colocadas separadamente em cada pedaço, conforme quadro abaixo.

 

INFORMAÇÕES INTERNASAnálise do Ambiente Interno da Organização

Strenghts(Pontos Fortes / Forças)

 

Vantagens internas da empresa em relação às empresas concorrentes.

 

 Weaknesses (Pontos Fracos / Fraquezas)

 

Desvantagens internas da empresa em relação às concorrentes.

 

 

INFORMAÇÕES EXTERNASAnálise Fora do Ambiente Interno da Organização

 Opportunities (Oportunidades)

Aspectos positivos do ambiente que envolve a empresa com potencial de trazer-lhe vantagem competitiva.

Threats (Ameaças)

Aspectos negativos do ambiente que envolve a empresa com potencial para comprometer a vantagem competitiva que ela possui.

Depois de realizada a análise SWOT, deve-se priorizar os esforços na busca de solução para aqueles pontos que mais afetam negativamente o negócio. Com o estudo SWOT definido, a empresa poderá identificar seus fatores críticos de sucesso, isto significa precisar quais são as variáveis dos produtos ou dos serviços aos quais os clientes dão maior importância e que estão, ou não, presentes nas propostas dos concorrentes.

O SWOT também fornece um panorama no qual é possível saber como a empresa é vista por seus clientes e fornecedores e quais vantagens que possui perante seus concorrentes; informações que devem priorizadas na gestão empresarial. Assim, os objetivos e metas podem ser definidos com mais precisão e coerência.

O diagnóstico estratégico efetuado deve estar organizado em termos funcionais, isto é, associar a cada Ponto Forte ou Fraco um departamento ou área da empresa como, por exemplo, os setores de Produção, Financeiro, Recursos Humanos, Marketing ou Vendas. Desta forma a empresa pode aproveitar as suas oportunidades e evitar as ameaças às estratégias.

As medidas têm de ser eficazmente definidas e aplicadas, onde todos que estão envolvidos com o planejamento devem estar direcionando suas forças para que o objetivo proposto seja compreendido e aplicado na empresa.

Análise Financeira de Empresas e a sua Importância Gestão de Negócios

Pode ser entendida como um processo de decomposição de um todo em suas partes constituintes visando ao exame das partes para entendimento do todo ou para identificação das suas características ou de possíveis anormalidades. No campo financeiro, a análise do lucro de uma empresa pode ser feita a partir da decomposição do referido lucro nas contas de receitas de despesas que o compõe, assim como, no exame da representatividade de cada uma dessas contas em face de um referencial, como, por exemplo, o volume de vendas da empresa.

A análise financeira de uma empresa envolve basicamente as seguintes etapas:

Coleta – obtenção das informações financeiras e outras informações, como dados de mercado de atuação da empresa, seus produtos, seu nível tecnológico, seus administradores e seus proprietários, bem como o grupo a que a empresa pertence.

Conferência – consiste em uma pré-análise para verificar se as informações estão completas, se são compreensíveis e confiáveis.

Preparação – fase de reclassificação das demonstrações financeiras para adequá-las aos padrões internos da instituição que vai efetuar a análise. Esta fase é importante por ser a alicerce para a obtenção de uma boa análise.

Cálculos – cálculos dos indicadores de estrutura, de liquidez e de retorno, entre outros, a partir de dados disponíveis no Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício - DRE e a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos – DOAR, além de outras informações contábeis fornecidas pela empresa.

Análise – fase de análise dos dados disponíveis, compreende a consistência das informações, a observação das tendências apresentadas pelos números e todas as demais conclusões que possam ser extraídas do processo como um todo.

Conclusão – uma das fases mais importantes da análise, que consiste em identificar, ordenar, destacar e escrever sobre os principais pontos e recomendações acerca da empresa, no que respeita a sua situação financeira, com base nas informações contábeis analisadas.

É importante destacar que a análise financeira não pode ser limitada apenas aos indicadores de natureza financeira, pois há uma série de fatores que, mesmo não podendo ser chamados de financeiros, causam impacto na saúde financeira da empresa. Neste caso, algumas questões devem ser elucidadas como, por exemplo:

  • O que a empresa faz?

  • A quem pertence a empresa, isto é, quem tem poder de mando?

  • Quem administra o negócio?

  • A empresa é lucrativa?

  • A empresa é sólida ou corre o risco de quebrar em pouco tempo?

  • A empresa está muito endividada?

  • Que tipo de público consome seu produto ou serviço?

  • Quais são os seus principais concorrentes (mercado interno e externo)?

  • A empresa é tão forte quanto seus concorrentes?

  • Qual a tendência que a empresa apresenta em nível de potencialidade de geração de lucro?

Diversas questões podem e devem ser levantadas, objetivando tornar cada vez mais transparentes a performance e a solidez da empresa. A relevância de cada parte da análise financeira deve ser função do objeto a que se destina a própria análise, com base nas informações contábeis. Esta análise pode ser muito útil a qualquer cidadão em suas relações de negócios, como, por exemplo, na compra de um apartamento na planta, ainda não construído. Antes de adquirir o imóvel na planta, o comprador deveria conhecer com maior profundidade a empresa incorporadora, principalmente quanto a sua competência financeira. Não basta apenas conhecer os detalhes técnicos do projeto do imóvel.

Este conjunto de decisões financeiras está inserido num contexto de longo prazo. A análise financeira serve para avaliar decisões que foram tomadas pela empresa em épocas passadas, assim como fornece subsídios para o planejamento financeiro visando o futuro.

Contabilidade de Custos, a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial

A contabilidade é uma ciência que tem como campo, a empresa, o objeto, o patrimônio, e o método, o das partidas dobradas, que consiste colocar uma conta no débito e outra no crédito de igual valor. O patrimônio é o conjunto de bens direitos e obrigações, sendo que os bens e direitos compõem o Ativo da empresa e as Obrigações e o Patrimônio Líquido compõem o Passivo da empresa.

A contabilidade está muito relacionada com a análise financeira. As informações financeiras fornecidas pela contabilidade constituem importante grupo de dados que serão examinados no processo de análise financeira para tomada de decisão. Um bom conhecimento de conceitos e mecanismos contábeis é necessário para o desenvolvimento de uma boa gestão, porém não é o suficiente.

A análise financeira não pode limitar-se aos dados contábeis ou informações sobre o mercado externo, devendo interpretá-los na busca de explicações que normalmente transcendem a esfera da contabilidade ou da estratégia de comércio exterior, como variações econômicas e fatores que afetam a oferta e demanda na economia local, nacional ou internacional.

Da contabilidade Financeira à de Custos

Até a Revolução Industrial (século XVIII), quase só existia a Contabilidade Financeira (ou Geral), que, desenvolvida na Era Mercantilista, estava bem estruturada para servir as empresas comerciais.

Para apuração de resultado de cada período, bem como a apresentação do seu balanço em seu final, bastava o levantamento dos estoques em termos físicos, já que sua medida em valores monetários era extremamente simples: o Contador verificava o montante pago por item estocado, e dessa diferença valorava as mercadorias. Fazendo o cálculo basicamente por diferença, computando o que possuía de estoques iniciais, adicionando as compras do período e comparando o que ainda restava, apurava o valor de aquisição das mercadorias vendidas, na clássica disposição:

Estoques Iniciais

(+) Compras

(-) Estoques Finais

(=) Custo das Mercadorias Vendidas

Confrontando este montante com as receitas líquidas obtida na venda desses bens, chegava-se ao lucro bruto, do qual bastava deduzir as despesas necessárias à manutenção da entidade durante o período, à venda dos bens e ao financiamento de suas atividades. Daí o aparecimento da também clássica Demonstração do Resultado da empresa comercial:

Vendas Líquidas XXXXXXXXX

(-) Custo de Mercadorias Vendidas

Estoques Iniciais XXXXXXX

(+) Compras XXXXXXX

(-) Estoques Finais (XXXXXX) (XXXXXXXX)

(=) Lucro Bruto XXXXXXXX

(-) Despesas

Comerciais (Vendas) XXXXXXX

Administrativas XXXXXXX

Financeiras XXXXXXX (XXXXXXX)

Resultado Antes do Imposto de Renda XXXXXXXX

=========

Os bens eram quase todos produzidos por pessoas ou grupos de pessoas que poucas vezes constituíam entidades jurídicas. As empresas propriamente ditas viviam do comércio, e não da fabricação (fora, as financeiras). Dessa forma eram bastante fáceis o conhecimento e a verificação do valor de compra dos bens existentes, bastando a simples consulta aos documentos de sua aquisição.

Com o advento das indústrias, tornou-se mais complexo a função do Contador que, para levantamento do balanço e apuração do resultado, não dispunha agora tão facilmente de dados para poder atribuir valor aos estoques; seu valor de “Compras” na empresa comercial estava agora substituído por uma série de valores pagos pelos fatores de produção utilizados.

Começou-se então a adaptação, dentro do mesmo raciocínio, com a formação dos critérios de avaliação de estoques no caso industrial.

Princípio Básico da Contabilidade de Custos Industrial

O valor do estoque dos produtos existentes na empresa, fabricados por ela, deveria então corresponder ao montante que seria o equivalente ao valor de “Compras” na empresa comercial. Portanto, passaram a compor o custo do produto os valores dos fatores de produção utilizados para a sua obtenção, deixando-se de atribuir aqueles outros que na empresa comercial já eram considerados como despesas no período de sua ocorrência: despesas administrativas de vendas e financeiras.

Esta forma de avaliação tem sido seguida ao longo dos anos em quase todos os países, continuando em vigor com a mesma estrutura principalmente por duas razões:

  1. Com o desenvolvimento do Mercado de Capitais nos EUA e em alguns países europeus, fazendo com que milhares de pessoas se tornassem acionistas de grandes empresas, interessadas agora na análise de seus balanços e resultados, e também com o aumento da complexidade do sistema bancário e distanciamento do banqueiro com relação à pessoa do proprietário ou administrador da companhia necessitada do crédito, surgiu a figura da Auditoria Independente. Esta, no desempenho de seu papel, acabou por firmas e às vezes criar princípios básicos de Contabilidade de tal modo que pudesse ter critérios relativamente homogêneos para comparar as demonstrações contábeis de empresas diferentes (além de comparar os da mesma empresa, feitos em datas diferentes). Ao deparar a Auditoria Independente (ou Externa) com essa forma de avaliação de estoques, em que o valor de compra é substituído pelo valor de fabricação, acabou por consagrá-la, já que atendia diversos outros princípios mais genéricos, tais como: Custo como Base de Valor, Conservadorismo (ou Prudência), Realização, etc.

Essa consagração por parte dos Auditores Externos foi responsável, então, pela manutenção dos princípios básicos da Contabilidade de Custos até hoje, no que diz respeito a sua finalidade de avaliação de estoques.

  1. Com o advento do Imposto de Renda, provavelmente em função da influência dos próprios princípios de Contabilidade já então disseminados, houve a adoção do mesmo critério fundamental para a medição do lucro tributável; no cálculo do resultado de cada período, os estoques industrializados deveriam ser avaliados sob aquela regra. Apesar de algumas pequenas alterações e opções, na grande maioria dos países o Fisco tem adotado essa tradicional forma de mensuração.

Da Contabilidade de Custos à Contabilidade Gerencial

A preocupação primeira dos Contadores, Auditores e Fiscais foi a de fazer da Contabilidade de Custos uma forma de resolver seus problemas de mensuração monetária dos estoques e do resultado, não a de fazer dela um instrumento de administração. Por essa não utilização de todo o seu potencial no campo gerencial, deixou a Contabilidade de Custos de ter uma evolução mais acentuada por um longo tempo.

Devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da distancia entre o administrador e ativos e pessoas administradas, passou a Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão, a gerencial.

É importante ressaltar que as regras e os princípios geralmente aceitos na Contabilidade de Custos foram criados e mantidos com a finalidade básica de avaliação de estoques e não para fornecimento de dados à administração. Por essa razão são necessárias adaptações quando se deseja desenvolver bem essa seu outro potencial; potencial esse que, na grande maioria das empresas, é mais importante do que aquele motivo que fez aparecer a própria Contabilidade de Custos.

O estágio atual da Tecnologia da Informação possibilita soluções bastante satisfatórias, processando simultaneamente as três contabilidades e conciliando as diferenças. Nesse seu novo campo, a Contabilidade de Custos tem duas funções relevantes: a auxílio ao Controle e a ajuda às tomadas de decisões. No que diz respeito ao Controle, sua mais importante missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsões e, num estágio imediatamente seguinte, acompanhar o efetivamente acontecido para comparação com os valores anteriormente definidos.

No que tange à Decisão, seu papel reveste-se de suma importância, pois consiste na alimentação de informações sobre valores relevantes que dizem respeito, pois consiste na alimentação de informações sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo sobre medidas de introdução ou corte de produtos, administração de preços de venda, opção de compra ou produção, etc.

A Contabilidade de Custos acabou por, nessas últimas décadas, de mera auxiliar na avaliação de estoques e lucros globais para importante arma de controle e decisão gerencial. O conhecimento dos custos é vital para saber se, dado preço, o produto é rentável; ou, se não rentável, se é possível reduzi-los (os custos).

A ilustração abaixo dá uma idéia de como se situam a Contabilidade Financeira, a de Custos e a Gerencial – além do sistema de orçamento – no contexto de um sistema de informação:

Sistema de Informações Gerenciais

Contabilidade Contabilidade

Financeira Gerencial

Contabilidade Sistema

de Custos Orçamentário

Sistema de Informações Contábeis

Existe um grande número de conceitos e definições de contabilidade, porém, para este curso, preferimos definir Contabilidade como o processo de geração de informações econômico-financeiras a cerca de uma organização, a fim de subsidiar decisões que a envolvam, dentro do processo de gestão empresarial.

O Diagrama do Sistema de Informações Contábeis define bem como se dá o processo de fornecer as informações necessárias àqueles que tenham de tomar alguma decisão a respeito da organização. Podem ser gerentes, banqueiros, acionistas, fornecedores ou quaisquer outras pessoas que tenham interesse no desempenho da empresa.

Entrada Para o Sistema Saída do Sistema

Atividades e Operações Relatórios de Informações da Empresa Geradas pela Contabilidade

Integralização Demonstrações Financeiras

de Capital e Notas Explicativas

Compra de Matéria- Declaração de Imposto de

prima Renda e outrasInformações Sistema de Fiscais

Informações

Produção de Bens Contábeis Relatórios de Custos de

Produção

Pagamentos a

Fornecedores, Interpretar Orçamento de Despesas,

Empregados e Governo Custos, Receitas e

Calcular Empréstimos

Venda de Produtos Classificar

Planos de investimentos

Registrar e Financiamentos

Recebimentos das

Vendas Diversas outras

Informações

Diversas outras

Atividades

Em nível da direção da empresa, os dados históricos obtidos do sistema contábil, contribuem na elaboração de seu orçamento. Enquanto os relatórios provenientes da contabilidade se referem a períodos passados, o orçamento está voltado para os períodos futuros e descrimina receitas, custos, despesas e financiamentos, muito importante para a boa gestão de negócios.

Também os fluxos de caixas projetados visam fornecer a direção da empresa expectativas sobre ocorrências futuras, permitindo o acompanhamento, readequação e controle do negócio. Os planos de investimentos decorrem de decisões estratégicas adotadas pela direção da empresa, quanto ao desenvolvimento de novos projetos como ampliação da capacidade de produção, lançamento de novos produtos ou serviços e diversificação na busca de novos mercados.

A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL GERENCIAL

Os executivos encarregados da administração de uma organização não têm tempo para a leitura detalhada dos relatórios operacionais. Contudo, receber aquelas informações de forma resumida, de modo que possam se concentrar apenas no que for realmente importante será de grande valia no desempenho de suas funções. A informação contábil especialmente preparada para socorrer aos gerentes em suas necessidades de decidir com base em dados gerenciais sobre o negócio é chamada de Informação Contábil Gerencial e é utilizada a nível global.

A figura abaixo ilustra os tipos de informações obtidas com a Contabilidade Gerencial:

INFORMAÇÃO

Informação não Informação

Quantitativa Quantitativa

Divide-se em:

Informação Informação

Contábil Não Contábil

Divide-se em:

Contabilidade Contabilidade Contabilidade Contabilidade

Operacional Financeira Gerencial Tributária

No planejamento e na gestão financeira, a Informação Contábil Gerencial pode auxiliar os gerentes a tomar as melhores decisões para o futuro da organização, por meio de simulações que indiquem as melhores opções operacionais para o desempenho medido pelos lucros da organização e a forma como está agregando valor ao negócio. Por exemplo, diversos esforços de vendas podem ser simulados por ferramentas de orçamento até que se escolha o mais adequado para os objetivos da empresa.

Na implementação, a Informação Contábil Gerencial servirá como guia aos gestores para que tomem as ações de forma coordenada em todas as diversas áreas envolvidas com o desempenho da organização, a fim de se alcançar os resultados esperados.

Quando do monitoramento do desempenho, os relatórios contábeis gerenciais irão indicar os desvios em relação àquilo que fora planejado, de modo a subsidiar as decisões necessárias, visando proceder aos ajustes ou não no modelo de gestão desenvolvido pelos gestores.

Informação Contábil Operacional

Uma grande quantidade e diversidade de informações operacionais são necessárias para a administração cotidiana da organização. Por exemplo, os colaboradores da empresa precisam receber nas datas devidas exatamente as quantias a que fizerem jus. O almoxarifado de peças ou estoque precisa ser controlado adequadamente, de modo que sempre quer atinja o seu nível mínimo estabelecido um novo pedido seja colocado ao fornecedor.

As informações operacionais constituem-se a maior parte das informações contábeis e servem de base para todas as outras.

Informação Contábil Tributária

Existem ainda informações cuja elaboração e armazenagem destinam-se, exclusivamente, ao atendimento das obrigações fiscais, tais informações são chamadas de informações tributárias e servirão de suporte para o acerto de contas entre a organização e a sociedade, representada pela autoridade tributária.

LIMITAÇÕES DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS

Temos feito afirmações sobre a abrangência e a utilidade das informações geradas pela contabilidade, cabendo destacar também algumas de suas limitações para a tomada de decisão no campo das finanças internacionais.

As informações geradas provêm de uma coleta de dados quantitativos expressos em valores monetários, referentes à empresa. Essas informações, apesar de serem de grande utilidade para o processo de análise, não são suficientes, uma vez que não mostram dados referentes a:

  • Perfil de quem administra a empresa, nível de competência e a idoneidade de seu quadro de gestores;

  • Potencialidade e ameaças do seu mercado de atuação (interno e externo);

  • Vulnerabilidade em face das flutuações econômicas ou das decisões governamentais (política cambial, por exemplo);

  • Nível tecnológico da empresa, em comparação aos seus principais concorrentes;

  • Impacto gerado pela empresa em nível de agressão ao meio ambiente (responsabilidade sócio-ambiental);

  • Grau de satisfação dos seus clientes e de seus empregados.

Diversas outras questões podem ser levantadas com relação à empresa, sem que sejam respondidas para a boa gestão de finanças internacionais, com auxílio das informações contábeis.

Veracidade das Informações Contábeis

A mais forte argumentação, no Brasil, contra o uso da análise das demonstrações financeiras é no sentido de que para um grande número de empresas as demonstrações financeiras não correspondem à realidade de suas operações. Esse tipo de argumentação aproxima-se da realidade à medida que diminui o tamanho da empresa, isto é, quanto menor a empresa, mais irreal tende a ser suas demonstrações financeiras.

A manipulação das demonstrações financeiras não é privilégio das pequenas empresas. Resta a quem tiver prejuízo, em decorrência de informações falsas responsabilizar judicialmente os envolvidos (responsáveis), como a própria empresa, seus auditores e contador (os escândalos vivenciados nos EUA no início do século XXI envolvendo empresas como ENRON, World Com, Xerox e a empresa de auditoria Arthur Andersen, extinta pela sua conduta não ética).

Quando as demonstrações financeiras não inspiram confiança, o mercado naturalmente repudiará a empresa, punindo-a pela falta de credibilidade e transparência (conceitos de Governança Corporativa), o que, ao longo do tempo comprometerá a continuidade do negócio, pela falta de acesso a linhas de crédito nos bancos e atratividade para os investidores.

PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Sob certos aspectos, pode-se dizer que o produto final de um sistema contábil são as demonstrações financeiras. Essas demonstrações são relatórios que buscam evidenciar a situação econômico-financeira da organização.

Antes de definirmos as principais demonstrações financeiras obrigatórias, julga-se importante falar sobre o relatório anual (annual report). É comum nas grandes empresas apresentarem seus relatórios anuais com vasto conjunto de informações. Os relatórios anuais, além das demonstrações financeiras obrigatórias, podem trazer ilustrações sobre produtos ou serviços e suas instalações, gráficos de desempenho, além de informações sobre os projetos sócio-ambientais desenvolvidos pela empresa e outras informações relevantes que contribuam para criar e manter uma imagem positiva e de valor junto ao mercado global e a sociedade.

Além do relatório anual, as demonstrações financeiras das empresas de capital aberto são publicadas em jornais. De modo geral, a tendência é de que os relatórios anuais tragam um número maior de informações do que aqueles que normalmente são publicados nos jornais. Adicionalmente, muitas empresas de capital aberto costumam fazer apresentações de seus resultados para a comunidade de analistas do mercado de capitais. Essa disposição de apresentar os resultados e de esclarecer ao público sobre a empresa é altamente salutar e respeita o conceito de Governança Corporativa adotado pelas empresas S.A., de capital aberto.

Para as principais demonstrações financeiras, destacam-se as sociedades anônimas, com ênfase nas empresas de capital aberto (ações negociadas em bolsa de valores), devido ser aquelas que apresentam informações de forma mais completa, por força da própria legislação.

Relacionamos os principais conjuntos de informações que as empresas de capital aberto publicam:

  • Relatório de administração

  • Demonstração financeira

  • Balanço patrimonial

  • Demonstrações das mutações do patrimônio líquido

  • Demonstração do resultado do exercício

  • Demonstração das origens e aplicações de recursos

  • Notas explicativas

  • Parecer do conselho fiscal

  • Parecer dos auditores.

Relatório de Administração

Também pode aparecer com a denominação de Mensagem aos Acionistas. O conteúdo varia de empresa para empresa, de acordo com o mercado em que atua. O Relatório de Administração deve funcionar como uma prestação de contas dos administradores aos acionistas e, ao mesmo tempo, também fornecer uma análise prospectiva do mercado e cenário macroeconômico, além dos resultados alcançados pela organização no exercício de se encerra e as perspectivas e oportunidades para os próximos exercícios financeiros.

Os Relatórios de Administração trazem um valioso conjunto de informações, como histórico da empresa, suas principais estratégias de crescimento, seus planos futuros, suas políticas de gestão de pessoas e seus planos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No mercado internacional o Relatório de Administração é conhecido como Anual Report.

Podem fornecer, ainda, uma análise interna sobre os resultados alcançados e informações sobre as políticas de financiamento e de distribuição de dividendos que foram adotadas no último exercício.

Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial retrata a posição do patrimônio da empresa em determinado momento, composta pelos bens, direitos e obrigações. O ativo mostra onde a empresa aplicou os recursos, ou seja, os bens e direitos que possui. O passivo mostra de onde vieram os recursos, isto é, os recursos provenientes de terceiros e os próprios. Os recursos próprios podem ser originários de capital colocado na empresa pelos sócios ou acionistas, ou de lucro gerado pela empresa.

O Balanço Patrimonial pode ser definido ainda como um relatório que apresenta, para um determinado instante da vida de uma organização, a relação de seus ativos, passivos e de seu patrimônio líquido, ou seja, sua estrutura patrimonial.

Como os ativos serão iguais às somas dos passivos e do patrimônio líquido, convencionou-se apresentar o balanço em duas colunas; a da esquerda com a lista dos ativos e seus respectivos valores e a da direita, apresentando no alto ou primeiramente a lista de passivos e seus valores e, logo abaixo, o patrimônio líquido.

O quadro a seguir demonstra a estrutura conceitual do Balanço Patrimonial.

ATIVO PASSIVO

Indica ONDE a empresa APLICA os Indica DE ONDE provêm os recursos

Recursos de que dispõe utilizados pela empresa, isto é, quais

São as FONTES que os fornecem.

Portanto, compreende os Portanto, os recursos podem ser

Provenientes de:

BENS e DIREITOS OBRIGAÇÕES

Terceiros (dívidas)

Próprios: dos sócios e dos lucros

Uma empresa necessita de recursos para desempenhar suas obrigações, tais como, dinheiro, mercadorias, matérias-primas, equipamentos, etc. Esses recursos são denominados ativos. Ativos são recursos capazes de gerar benefícios futuros, controlados pela empresa. O lado esquerdo do balanço irá apresentar uma lista dos ativos da empresa. Note-se que os ativos devem ser, em sua maioria, de propriedade da empresa, embora seus colaboradores sejam uns dos recursos mais importantes que ela dispõe para gerar resultados, não é sua propriedade, por isso, não estão registrados no seu ativo.

Passivos são obrigações que a empresa possui com outros que não são seus sócios ou acionistas, que deverão ser pagas no futuro e que possuem data e valor conhecido. Patrimônio Líquido representa a riqueza dos sócios ou acionistas da empresa e é a diferença entre os ativos e os passivos da organização, ou seja:

Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo

A figura abaixo mostra a estrutura patrimonial do balanço:

ESTRUTURA PATRIMONIAL

ATIVO PASSIVO

OBRIGAÇÕES

BENS

E

DIREITOS PATRIMÔNIO

LÍQUIDO

O Balanço Patrimonial, quando publicado ou preparado para os usuários externos, é elaborado de acordo com a Lei das Sociedades Anônimas com periodicidade anual, e apresentado com a data de 31 de dezembro, sendo que as empresas de capital aberto preparam e publicam também balanços trimestrais.

Em alguns casos, quando o sistema contábil se apresenta bem estruturado, é possível a emissão de balancetes mensais. Todavia, esta possibilidade está restrita às grandes e médias empresas. A maioria, no entanto, prepara balanços anuais.

BALANÇO PATRIMONIAL

Ativo Circulante Passivo Circulante

Disponibilidade Fornecedores

Duplicatas a Receber Salários a Pagar

Estoques Encargos Sociais a Recolher

Investimentos Temporários Impostos a Recolher

Outros valores a Receber Provisão para Imposto de Renda

Despesas Antecipadas Outras Provisões

Adiantamentos a Clientes

Contas a Pagar

Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo

Créditos e Valores Financiamentos

Investimentos Temporários Debêntures

Coligadas e Controladas Outras Obrigações

Despesas Antecipadas a Longo Prazo

Ativo Permanente Patrimônio Líquido

Investimentos Capital Social

Imobilizado Reservas

Ativo Diferido Lucros/Prejuízos Acumulados

Ações em Tesouraria

Observação: foram listadas as principais contas. Algumas empresas, em decorrência de sua atividade específica (construtoras, incorporadoras, por exemplo), apresentam, no Passivo, o Grupo RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS, que inclui as receitas recebidas antecipadamente que contribuirão para o resultado de exercícios futuros (subtraídos os custos incorridos ou vinculados àquelas receitas).

Os investimentos (total do Ativo) estão demonstrados em uma ordem de liquidez, do mais líquido, que são as Disponibilidades (recursos em caixa, recursos em Bancos e Aplicações Financeiras de Curtíssimo Prazo), para o de menor liquidez, o Ativo Diferido (aplicações de recursos em despesas pré-operacionais).

Os investimentos de longo prazo (Ativo Realizável a Longo Prazo), incluem aplicações e recursos da mesma natureza das que compõem os investimentos de curto prazo que, no entanto, tenham sua realização após o término do exercício seguinte, ou seja, mais de 360 dias.

Os financiamentos (total do Passivo), estão demonstrados em uma ordem de exigibilidade, do mais exigível, que são os fornecedores (compra de matérias-primas, insumos básicos e mercadoria para revenda, adquiridas a prazo e ainda não pagas) ao “não exigível”, o Patrimônio Líquido (recursos dos proprietários).

Demonstração do Resultado do Exercício

Este relatório contábil busca evidenciar como uma organização, durante um determinado período, gerou resultados. Pode-se dizer que as organizações buscam oferecer uma cesta de bens e/ou serviços à sociedade recebendo em troca alguma remuneração por esses serviços. A essa remuneração chama-se de receita. Por sua vez, o esforço que a organização faz para gerar receitas, consumindo recursos chama-se despesa. Dessa forma, pode-se dizer que receitas menos despesas formam o resultado da organização.

A Demonstração do Resultado do Exercício, diferentemente do Balanço – que apresenta os números da empresa em uma determinada data – expressa os fatos empresariais ocorridos em um período. Este pode ser de um mês, até um ano. Na maioria dos casos, refere-se ao período de um ano, encerrado em 31 de dezembro.

É a seguinte a forma de apresentação da Demonstração de Resultado do Exercício – DRE:

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO

Receita Operacional Bruta de Bens e Serviços

(-) Deduções

Vendas Canceladas e Abatimentos

Impostos Incidentes sobre Vendas

Receita Operacional Líquida

(-) Custo de Mercadorias/Produtos e Serviços/Prestados

Lucro ou Prejuízo Operacional Bruto

(-) Despesas Operacionais

De Vendas

Administrativas

Encargos Financeiros Líquidos

Outras Despesas e Receitas Operacionais

Lucro ou Prejuízo Operacional Líquido

(+ -) Resultados Não Operacionais

Lucro ou prejuízo Antes do Imposto de Renda

(-) Provisão para Imposto de Renda

(-) Participações e Contribuições

Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício

Receita Operacional Bruta de bens e Serviços – Constitui a venda de produtos (no caso da indústria), a venda de mercadorias (no caso do comércio) e a prestação de serviços (no caso de empresas prestadoras de serviços).

Vendas Canceladas e Abatimentos – refere-se às mercadorias e produtos devolvidos por se encontrarem em desacordo com o pedido e aos abatimentos concedidos em função de preços especiais ou vendas em grandes quantidades.

Impostos Incidentes sobre Vendas – São impostos que guardam proporcionalidade com o preço de venda, sendo os mais importantes: o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ISS – Imposto Sobre Serviços, o IE – Imposto sobre Exportação, o PIS – Programa de Integração Social e o COFINS.

Receita Operacional Líquida – É o valor das vendas da empresa, com a exclusão dos impostos, devoluções e abatimentos concedidos.

Custo das Mercadorias/Produtos e Serviços Vendidos/Prestados – Refere-se aos gastos incorridos durante o processo produtivo para fabricar os produtos vendidos – matérias primas, mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação (indústria) - , aos gastos de compra das mercadorias vendias (comércio) e aos gastos com a prestação dos serviços (serviços).

Lucro ou Prejuízo Operacional Bruto – É a diferença entre a Receita Operacional Líquida e o Custo das mercadorias/Produtos e Serviços Vendidos/Prestados.

Despesas Operacionais – Refere-se aos gastos incorridos relativos a:

Despesas de Vendas – (gastos de comercialização e distribuição dos produtos, tais como comissões de vendedores, propaganda e publicidade, marketing, estimativa de perdas com vendas a prazo); Despesas Administrativas – (gastos incorridos para gerir a empresa, tais como: honorários dos administradores, salários e encargos sociais dos empregados do escritório, material de expediente, depreciação dos móveis e utensílios); Encargos Financeiros Líquidos – (gastos de juros sobre empréstimos, descontos financeiros obtidos sobre compras); e Outras Receitas e Despesas Operacionais - (resultados obtidos com atividades acessórias, tais como ganhos ou perdas em participações em outras empresas e venda esporádica de sucatas).

Lucro ou Prejuízo Operacional Líquido – Resultado obtido com a atividade operacional da empresa, calculado pela diferença entre o Lucro ou Prejuízo Operacional Bruto e as Despesas Operacionais.

Resultados Não Operacionais – Contemplam os ganhos ou perdas de capital obtido com a venda de itens do Ativo Permanente.

Participação e Contribuições – Refere-se às participações nos lucros de empregados, administradores, debêntures e partes beneficiárias.

Provisão para o Imposto de Renda – Provisão para pagamento do imposto sobre o lucro obtido pela empresa.

Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício – Resultado líquido obtido pela empresa, calculado pela diferença entre o Lucro ou Prejuízo Operacional Líquido, o Resultado não Operacional, as Participações e Contribuições e a Provisão para o Imposto de Renda.

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados

Indica mudanças ocorridas na conta de lucros ou prejuízos acumulados. Esse demonstrativo começa com o saldo inicial da conta de lucros ou prejuízos acumulados, discrimina os tipos de tipos de movimentações ocorridas e chega ao saldo da referida conta final do período.

DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

Saldo do Início do Período

(+) Ajustes de exercícios anteriores

(+) Reversões de reservas

(+) Lucro/prejuízo líquido do exercício

(-) Transferência para reservas

(-) Dividendos

(-) Parcela de lucros incorporada ao capital

Saldo ao fim do exercício

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR

Lembrando que: (1) o Balanço apresenta o conjunto dos investimentos e financiamentos da empresa em uma determinada data; (2) que a Demonstração de Resultado do Exercício apresenta a formação do resultado (lucro ou prejuízo) obtido pela empresa em determinado período; (3) a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR expressa o fluxo de recursos do início ao final de um período.

Somente as companhias abertas (empresas que possuem ações negociadas em Bolsa de Valores) e as companhias fechadas (quando consideradas grandes empresas) estão obrigadas a sua elaboração e apresentação, de acordo com a Lei das Sociedades Anônimas.

É a seguinte a forma de apresentação da referida demonstração:

DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

ORIGENS

Das Operações

Dos Acionistas

De Terceiros

APLICAÇÕES

No Ativo Permanente

No Longo Prazo

Em Dividendos

VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO

Origens das Operações – Refere-se ao Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício, ajustado pelos itens que não afetam o Capital Circulante Líquido, tais como a depreciação, o valor residual dos bens vendidos ou baixados, entre outros.

Origens de Acionistas – São recursos internalizados na empresa pelos acionistas para aumento de capital

Origens de Terceiros – É integrada por todas as alterações do Realizável a Longo Prazo e no Exigível a Longo Prazo.

Aplicações do Ativo Permanente – Recursos Investidos no Imobilizado, nos Investimentos e no Ativo Diferido.

Aplicações no Longo Prazo – Resultado de aumento no Realizável a Longo Prazo e/ou reduções do Exigível a Longo Prazo.

Dividendos – Refere-se aos dividendos (remuneração dos acionistas) que foram ou serão distribuídos aos acionistas.

Variação do Capital Circulante Líquido – Considerando que o Capital Circulante Líquido é o resultado da diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante, este item do demonstrativo indica o aumento ou, a diminuição naquela diferença.

Observação: Registramos acima apenas as principais origens e aplicações de recursos.

Notas Explicativas

Conforme determinado pela Lei das Sociedades Anônimas, são informações detalhadas que visam esclarecer a situação patrimonial da empresa e os seus respectivos resultados do exercício. As notas deverão indicar:

  • Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo;

  • Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes;

  • A aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações;

  • Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros ou outras responsabilidades eventuais ou contingentes;

  • A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo;

  • O número, espécies e classes das ações do capital social;

  • As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;

  • Os ajustes de exercícios anteriores;

  • Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuro da companhia.

Parecer do Conselho Fiscal

Também, conforme definido pela Lei das Sociedades Anônimas, compete ao Conselho Fiscal:

  • Fiscalizar os atos dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários;

  • Opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembléia geral;

  • Opinar sobre propostas dos órgãos da administração, a serem submetidas à assembléia geral, relativas a modificação do capital social, emissão de debêntures ou bônus de subscrição, planos de investimentos ou orçamentos de capital, distribuição de dividendos, transformação, incorporação, fusão ou cisão;

  • Denunciar aos órgãos de administração e, se estes não tomarem as providências necessárias para a proteção dos interesses da companhia, à assembléia geral os erros, fraudes ou crimes que descobrirem e sugerir providências úteis à companhia;

  • Convocar assembléia geral ordinária, se os órgãos de administração retardarem por mais de 1 (um) mês essa convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos graves ou urgentes, incluindo na agenda das assembléias as matérias que considerarem necessárias;

  • Analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela companhia;

  • Examinar as demonstrações financeiras do exercício social e sobre elas opinar;

  • Exercer essas atribuições, durante a liquidação, tendo em vista as disposições especiais que a regulam.

Parecer de Auditores

As demonstrações financeiras das companhias abertas são obrigatoriamente auditadas por auditores independentes, registrados na Comissão de Valores Mobiliários. O parecer dos auditores integra as demonstrações publicadas, constituindo-se num importante instrumento de informação para o mercado (inverstidores, fornecedores e clientes).

Normalmente, há um padrão seguido pelas empresas de auditoria, porém o mais importante em nível de análise ocorre quando o parecer destaca alguma anormalidade. Do ponto de vista do mercado, uma empresa na qual o parecer dos auditores traga ressalva, seja adverso, ou haja negativa de opinião, é seguramente uma empresa de maior risco, até porque dificulta ou impossibilita sua avaliação pelo mercado, haja vista as informações não serem confiáveis.

Há o parecer com ressalva, em que o auditor se refere ao objeto da ressalva, dando explicações dos motivos e do efeito sobre a posição patrimonial e financeira e sobre o resultado das operações, se tal efeito puder ser razoavelmente determinado. O parecer adverso é uma situação mais forte em que o auditor exprime a opinião de que “as demonstrações contábeis não representam adequadamente a posição patrimonial e financeira ou o resultado das operações...” Pode ainda haver o parecer com negativa de opinião, “quando o auditor não obtém comprovação suficiente para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis...”

Análise do Perfil Empresarial

Dada a dinâmica do mercado global, o Perfil Empresarial tem por objetivo indicar, de forma preliminar, os principais aspectos da situação econômico-financeira da empresa, apontando os pontos que deverão ser observados. Os dados sugeridos para análise do Perfil Empresarial do cliente são os seguintes:

  1. Informações Financeiras

Faturamento Médio Mensal

Dívidas Financeiras de Curto e Longo Prazo

Patrimônio Líquido

Resultado Líquido do Exercício

  1. Indicadores Econômico-financeiros

Liquidez Corrente

Liquidez Seca

Endividamento Geral

Rentabilidade do Patrimônio Líquido

As informações mencionadas podem ser atualizadas por meio de balancete recente – ou se referirem ao último balanço encerrado pela empresa. No caso de faturamento médio mensal e das dívidas financeiras, é preferível que sejam as mais atualizadas possíveis.

Os indicadores econômico-financeiros têm por finalidade das uma visão preliminar da: (1) situação financeira da empresa, sua capacidade de pagamento por intermédio da geração de caixa; (2) nível de rentabilidade para remunerar os investidores criando valor em níveis compatíveis com suas expectativas; (3) grau de endividamento, motivo e qualidade do endividamento.

FUNDAMENTOS DE CONTABILIDADE PARA DESENVOLVER ESTRATÉGIA COMPETITIVA SUSTENTÁVEL

A Contabilidade Gerencial desempenha uma importante função dentro da empresa fornecendo à administração, de forma precisa e objetiva, informações detalhadas, quantitativas e financeiras, para auxiliá-la no controle e na tomada de decisão. Ela pode participar ativamente do gerenciamento estratégico da empresa, buscando alcançar vantagem competitiva para a companhia e, assim, obter uma posição à frente de seus concorrentes.

Gerenciamento estratégico pode ser entendido por um enfoque gerencial integrado que reúne todos os elementos individuais envolvidos no planejamento, na implementação e no controle de uma estratégia de negócio. Para tanto é necessário conhecer os objetivos de longo prazo da empresa (“para onde ela quer ir”) e fazer uma análise do ambiente e da indústria onde esta empresa está e estará operando (“onde ela está”). Está análise inclui todas as operações internas e recursos (existentes e potenciais), além dos aspectos externos como concorrentes, fornecedores, clientes, mudanças econômicas e políticas e mudanças legais.

A combinação de “onde a organização está” e “onde ela quer chegar” irá normalmente identificar a necessidade de uma série de ações para encobrir o espaço vazio entre as duas posições ou então a necessidade de permanecer na atual posição se o ambiente externo estiver mudando desfavoravelmente. Essas estratégias de negócios devem ser desenvolvidas dentro do ambiente interno e externo da organização de maneira prática, caso contrário os objetivos da empresa permanecerão teóricos e nunca serão alcançados.

Existem muitas técnicas de gerenciamento estratégico, uma delas é a análise SWOT (strenghts, weakness, opportunities and threats), demonstrada normalmente através de uma matriz 2x2.

As forças e fraquezas referem-se aos aspectos internos da empresa e são comparadas com os competidores e com as expectativas do mercado. A análise do ambiente externo é feita destacando-se as reais e potenciais ameaças e oportunidades do negócio. Todos os fatores levantados devem ser colocados em ordem crescente de importância para uma melhor comparação e obviamente, devem ser apontados com o máximo grau de realismo e honestidade possível, pois distorções podem causar o fracasso da estratégia, trazendo resultados negativos para a organização, a curto ou no longo prazo. Estratégias competitivas são ações de curso específico que são designadas para criar vantagens competitivas sustentáveis, ou seja, obter uma posição que se mantém no longo prazo favorável em uma indústria.

Duas questões centrais baseiam a escolha da estratégia competitiva. A primeira é a atratividade do negócio em termos de rentabilidade no longo prazo e a segunda, são os determinantes da posição relativa da empresa dentro do seu segmento. Essas duas questões podem ser modeladas pela organização, pois, através da escolha de sua estratégia competitiva ela pode tornar uma empresa mais ou menos atrativa e também pode melhor ou desgastar sua posição dentro de um determinado segmento.

Nosso objetivo será o de desenvolver dois modelos de estratégia competitiva criados por Michael Porter. O primeiro, o “Modelo das Cinco Forças Competitivas”, realça as forças que afetam o nível de competição dentro da organização e que interferem em como ela pode alcançar uma vantagem competitiva dentro do seu negócio. O segundo, o “Modelo da Cadeia de Valores”, tem como objetivo principal realçar e inter-relacionar as atividades, primárias ou secundárias, que mais significantemente contribuem no valor adicionado pela empresa. Dessa forma é possível traçar estratégias que interferem nessas atividades buscando também uma posição de vantagem competitiva dentro do seu negócio.

ESTRATÉGIA COMPETITIVA: OS CONCEITOS CENTRAIS

Toda empresa, para se manter em competição com as outras, deve sempre buscar inovações de modo a melhorar seu desempenho. Isto é chamado de Estratégia Competitiva. Para escolher a estratégia competitiva deve-se analisar: a rentabilidade a longo prazo e as determinantes da posição competitiva da empresa (trabalha entre os concorrentes).

A estratégia competitiva tem poder para tornar uma empresa mais ou menos atrativa; modela o meio ambiente em favor do seu negócio. A vantagem competitiva surge do valor que uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação ou prestação de serviço ofertado pela empresa. Tipos de vantagens competitivas: liderança de custo e diferenciação. A escolha do meio ambiente competitivo, ou a variedade de atividades de uma empresa pode desempenhar uma função poderosa na determinação da sua vantagem competitiva.

A análise estrutural de indústrias

A rentabilidade de uma empresa é determinada através de sua atratividade. As regras da concorrência estão englobadas em cinco forças competitivas que determinam a rentabilidade da empresa:

  1. Entradas de novos concorrentes,

  2. Ameaças de substitutos,

  3. Poder de negociação de compradores,

  4. Poder de negociação de fornecedores,

  5. Rivalidade entre os concorrentes existentes.

Custo médio de longo prazo

Economias de escala: O aumento da produção da empresa leva a uma diminuição do custo médio (existem ganhos de produtividade), após o ponto “A” há deseconomia de escala e o custo médio tende a crescer.

A Rivalidade Entre os Concorrentes é conseqüência dos seguintes fatores, dentre outros: o crescimento do negócio ou setor onde atua, em decorrência da expectativa de rentabilidade, acaba por atrair mais empresas, o que tende a diminuir a área de mercado de cada uma das organizações existentes nesse mercado; a existência de custos fixos distintos entre as empresas, diferenciando os níveis de rentabilidade; diferença entre produtos existentes;

A Quantidade e identidade de marcas, determinando preferências do consumidor, diferenciando os níveis de vendas entre as empresas; diversidade de concorrentes; barreiras de saída, ou as dificuldades encontradas pelos empresários para abandonar esse setor, como o montante de investimentos já realizados e talvez de difícil recuperação, em caso de saída.

As barreiras à Entrada de Novos Concorrentes são constituídas por economias de escala já atingidas pelos atuais empresários, em face da curva de aprendizagem e reduzida rentabilidade inicial de possíveis novos concorrentes; diferenças entre produtos patenteados pelos empresários já estabelecidos; identidade de marcas; custos de mudança, por deixar de atuar em um setor iniciando-se em outro; exigências de capital; acesso à rede de distribuição e a insumos; política governamental e retaliação esperada.

A Ameaça de Substitutos provém do desempenho do preço relativo dos substitutos, dos custos de mudança e da propensão do comprador a substituir.

O Poder de Negociação dos Fornecedores depende de: diferenciação dos insumos necessários às fabricações específicas; presença de insumos substitutos; concentração de fornecedores; importância de volume para o fornecedor; custo relativo a compras totais no setor; impacto dos insumos sobre custo ou diferenciação; ameaça de integração para frente em relação à ameaça de integração para trás pelas empresas no setor.

O Poder de Negociação do Comprador é dado por: concentração de compradores versus concentração de empresas; volume de compras do comprador; possibilidade de integração para trás; produtos substitutos; “Pull”, ou “Efeito Puxar”, onde os compradores solicitam os produtos, identidade da marca; impacto sobre qualidade/desempenho; incentivos dos tomadores de decisão, no caso de compras industriais.

O vigor dessas forças determina a taxa de retorno sobre o investimento. A estrutura influência a rivalidade da indústria e sua rentabilidade. Pois elas alteram preços, custos e investimentos.

A metodologia das cinco forças permite que a empresa perceba a complexidade e aponte os fatores críticos para a concorrência em sua indústria, bem como identificar as inovações estratégicas que melhorariam a sua rentabilidade. Ao fazer uma escolha estratégica deve-se considerar as conseqüências a longo prazo para a estrutura do negócio.

Estrutura organizacional e as necessidades do comprador

Os compradores precisam estar dispostos a pagar um preço por um produto acima de seu custo de produção, ou o negócio não sobreviverá a longo prazo. A questão crucial na determinação da rentabilidade é se as empresas podem captar o valor por elas criados para os compradores, ou se este valor é capitalizado por outros. A estrutura do negócio determina quem capta o valor.

O poder dos compradores determina até que ponto eles retêm grande parte do valor criado para eles mesmos, deixando as empresas apenas com modesto retorno. O poder dos fornecedores determina até que ponto os fornecedores, e não empresas vão apropriar-se do valor criado para compradores.

A estrutura organizacional determina quem mantém a proporção do valor criado por um produto para os compradores. Se o produto de uma empresa não cria muito valor para os seus compradores, o valor a ser conquistado por elas é pequeno, independentemente dos outros elementos da sua estrutura.

Estrutura organizacional e o equilíbrio entre oferta e procura

Rentabilidade do negócio: os lucros constituem uma função de equilíbrio entre a oferta e a procura. Contudo esse equilíbrio a longo prazo sofre uma forte influência da estrutura industrial, embora as flutuações a curto prazo na oferta e na procura possam afetar a rentabilidade a curto prazo, a estrutura organizacional é a base da rentabilidade a longo prazo. Neste sentido, a equação econômica mais importante para uma empresa é:

LUCRO = RECEITAS – CUSTOS

A intensidade da rivalidade desempenha um importante papel pára determinar se as empresas existentes irão expandir agressivamente a capacidade ou optar por manter a rentabilidade. A estrutura organizacional também determina com que rapidez os concorrentes irão retirar a oferta excedente.

Em algumas empresas, uma pequena capacidade de quantidade excedente de produtos ou serviços desencadeia guerra de preços e baixa rentabilidade. Em outras empresas, período de excesso de capacidade tem, relativamente, pouco impacto sobre a rentabilidade devido a uma estrutura favorável de demanda. A estrutura organizacional também determina a rentabilidade do excesso da demanda. Em um “boom” a estrutura favorável permite que as empresas obtenham lucros extraordinários.

A presença de fornecedores poderosos ou presença de substitutos, por exemplo, pode significar que os frutos de um “boom” passarão para outros. Assim, a estrutura organizacional é básica tanto para ajuste da oferta á demanda como para a relação entre utilização da capacidade e rentabilidade.

ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS GENÉRICAS

A questão central em estratégia competitiva é a posição relativa dentro da organização. O posicionamento determina a rentabilidade de uma empresa está abaixo ou acima da média do seu negócio.

A base fundamental do desempenho acima da média a longo prazo é a vantagem competitiva sustentável. Embora uma empresa possa ter inúmeros pontos fortes e pontos fracos em comparação com seus concorrentes, existem dois tipos básicos de vantagem competitiva que uma empresa pode possuir: baixo custo e diferenciação. A vantagem de custo e a diferenciação, por sua vez, originam-se da estrutura de negócios. Elas resultam da habilidade de uma empresa em lidar com as cinco forças melhor do que seus rivais.

Os dois tipos básicos de vantagem competitiva, combinados com o escopo de atividades para quais uma empresa procura obtê-los, levam a três estratégias genéricas para alcançar o desempenho acima da média em uma empresa: liderança de custo, diferenciação e enfoque. A estratégia do enfoque tem duas variantes: enfoque no custo e enfoque na diferenciação.

As estratégias de liderança no custo e de diferenciação buscam a vantagem competitiva em um limite amplo de segmentos de negócios, enquanto a estratégia do enfoque visa a uma vantagem de custo (enfoque no custo) ou uma diferenciação (enfoque na diferenciação) num segmento estreito. As ações específicas necessárias à implementação de cada estratégia variam muito de empresa para empresa, da mesma forma que as estratégias genéricas viáveis em um negócio particular.

Liderança no Custo

A liderança no custo é talvez a mais clara das três estratégias genéricas. Nela, uma empresa parte para tornar-se o produtor de baixo custo em seu negócio. A empresa tem um escopo amplo e atende a muitos segmentos de mercado, podendo até mesmo operar em negócios correlatos – a amplitude da empresa normalmente é importante para sua vantagem de custo.

Se uma empresa pode alcançar e sustentar a liderança no custo total, então ela será um competidor acima da média em seu negócio, desde que possa comandar os preços na média da indústria ou perto dela. Com preços equivalentes ou mais baixos do que seus rivais, a posição de baixo custo de um líder no custo traduz-se em retornos mais altos. Um líder em custo não pode, contudo, ignorar as bases da diferenciação. Se o seu produto não é considerado comparável ou aceitável pelos compradores, um líder de custo será forçado a reduzir os preços bem abaixo de sua posição de custo favorável.

Diferenciação

A segunda estratégia genérica é a diferenciação. Neste tipo de estratégia, uma empresa procura ser única em seu segmento, ao longo de algumas dimensões amplamente valorizadas pelos compradores. Ela seleciona um ou mais atributos, que muitos compradores numa empresa consideram importantes, posicionando-se singularmente para satisfazer as necessidades. Ela é recompensada pela sua singularidade com um preço-prêmio.

Os meios para a diferenciação são peculiares a cada negócio. A diferenciação pode ser baseada no próprio produto, no sistema de entrega pelo qual ele é vendido, no método de marketing e em uma grande variedade de outros fatores. A lógica da estratégia da diferenciação exige que uma empresa escolha atributos em que se diferenciar, que sejam diferentes dos de seus rivais.

Enfoque

A terceira estratégia genérica é o enfoque. Esta estratégia é bem diferente das outras, porque está baseada na escolha de um ambiente competitivo estreito dentro de uma empresa. A estratégia de enfoque tem duas variantes. No enfoque no custo, uma empresa procura uma vantagem de custo em segmento-alvo, enquanto no enfoque na diferenciação outra empresa busca a diferenciação em seu segmento-alvo. Ambas variantes da estratégia de enfoque baseiam-se em diferenças entre os segmentos-alvo de um foco e outros segmentos de negócios.

Os segmentos-alvo devem ter compradores com necessidades incomuns, ou o sistema de produção e entrega que atenda da melhor forma; o segmento-alvo deve diferir do de outros segmentos de negócio. O enfoque de custo explora diferenças no comportamento dos custos em alguns segmentos, enquanto o enfoque de diferenciação explora as necessidades especiais dos compradores em certos segmentos. O foco definido pode obter vantagem competitiva, dedicando-se apenas aos segmentos.

O Meio-Termo

Uma empresa que se engaja em cada estratégia genérica, mas não alcança nenhuma delas, está no “meio-termo”. Ela não possui qualquer vantagem competitiva. Esta posição estratégica geralmente é uma receita para desempenho abaixo da média. Uma organização no meio-termo irá competir em desvantagem porque o líder no custo, diferenciadores ou enfocadores estarão bem mais posicionados para competirem qualquer segmento.

ANÁLISE POR MEIO DE ÍNDICES FINANCEIROS

Os índices financeiros são relações entre contas ou grupos de contas das demonstrações financeiras, que têm por objetivo fornecer-nos informações que não são fáceis de serem visualizadas de forma direta nas demonstrações financeiras.

Como medida relativa de grandeza. O índice nos permite que numa mesma empresa possamos compará-lo ano a ano para observamos sua tendência, ou seu comportamento. Adicionalmente, é possível compararmos, em determinado momento ou período, o índice de uma empresa com o mesmo índice relativo a outras empresas de mesma atividade, para sabermos como está a empresa em relação às suas principais concorrentes ou mesmo em relação ao segmento de atuação.

Ainda como medida relativa de grandeza, o índice fornece a idéia quantitativa das relações estabelecidas, sem, entretanto, nos fornecer os elementos qualitativos contidos nas mesmas.

ANÁLISE DA LUCRATIVIDADE

Certamente, o lucro é o principal estímulo do empresário e uma das formas de avaliação do êxito de um empreendimento. Os índices de retorno, também conhecidos por índices de lucratividade ou mesmo de rentabilidade, indicam qual o retorno que o empreendimento está propiciando. Pode-se obter por meio da análise das demonstrações financeiras, os indicadores de retorno sobre o investimento, retorno sobre as vendas e retorno sobre o capital próprio, entre outros.

SISTEMA DU PONT – RETORNO SOBRE O ATIVO (RSA) - O chamado Sistema Du pont de análise consiste na decomposição do retorno sobre o ativo total (lucro líquido dividido pelo ativo total). O retorno sobre o ativo indica a lucratividade que a empresa propicia em relação aos investimentos totais.

LL LL = Lucro Líquido

RAS = x 100 AT = Ativo Total

AT

Se, por exemplo, uma empresa obtivesse um lucro líquido de R$ 27.328 mil no exercício e o ativo total fosse de R$ 486.824 mil, isso representaria um retorno de R$ 5,60, ou seja, para cada R$ 100,00 de ativo total, a empresa gerou um lucro de R$ 5,60. Nesse exemplo, podemos indicar o cálculo do retorno sobre os ativos, conforme segue:

RSA = (R$ 27.328 / R$ 486.824) X 100 = 5,6%

A interpretação do retorno sobre o ativo é no sentido de quanto maior, melhor.

Adicionalmente, podemos observar que o RSA é o produto do giro do ativo (VL/AT) pelo retorno sobre as vendas (LL/VL), isto é:

LL VL LL LL = Lucro Líquido

= X AT = Ativo Total

AT AT VL VL = Vendas Líquidas

O retorno sobre o investimento é um conceito muito utilizado na área de análise financeira. O lucro é o prêmio assumido pelo empresário pelo risco assumido na atividade empresarial.

GIRO DO ATIVO (GA) - Estabelece relação entre as vendas efetuadas no período e os investimentos totais da empresa.

VL VL = Vendas Líquidas

GA = AT = Ativo Total

AT

Se, por exemplo, as vendas líquidas foram de R$ 423.008 mil que, dividido pelo de R$ 486.824 mil, obtemos um giro de 0,87. isto significa que para cada R$ 100,00 de ativo total a empresa vendeu R$ 87,00 durante o ano.

A interpretação isolada do índice de giro do ativo é no sentido de quanto maior, melhor, indicando o nível de eficiência com que são utilizados os investimentos na empresa.

RETORNO SOBRE AS VENDAS (RSV) - Compara o lucro em relação às vendas líquidas do período, fornecendo percentual de lucro que a empresa está obtendo em relação ao seu faturamento.

LL LL = Lucro Líquido

RSV = VL = Vendas Líquidas (ou receita líquida)

VL

Se o lucro líquido foi de R$ 27.328 mil e as vendas líquidas de R$ 423.008 mil, representando um ganho de 6,5%, ou seja, para cada R$ 100,00 de vendas líquidas sobrou para a empresa R$ 6,50. O cálculo é:

RSV = (R$ 27.328 / R$ 423.008) X 100 = 6,5%

A interpretação do índice de retorno sobre as vendas é no sentido de que quanto maior, melhor.

ANÁLISE DA ESTRUTURA

Estamos considerando como índice de estrutura aqueles que relacionam a composição de capitais (próprios e de terceiros), que medem os níveis de imobilização de recursos e que buscam diversas relações na estrutura da dívida da empresa. De certa forma estes índices estão ligados a decisões financeiras de financiamento e investimento.

PARTICIPAÇÃO DE CAPITAIS DE TERCEIROS (PCT) – Indica o percentual de capital de terceiros em relação ao patrimônio líquido, retratando a dependência da empresa em relação aos recursos externos.

PC + ELP PC = Passivo Circulante

PCT = x 100 ELP = Exigível a Longo Prazo

PL PL = Patrimônio Líquido

Podemos visualizar sua participação de capitais de terceiros conforme o exemplo a seguir:

Ativo R$ mil Passivo R$ mil

Circulante (AC) 187.374 Circulante (PC) 72.084

Realizável Longo Prazo (RLP) 22.146 Exigível Longo Prazo ELP 20.692

Permanente (AP) 277.304 Patrimônio Líquido (PL) 394.048

Total do Ativo 486.824 Total Passivo 486.824

O capital de terceiros é formado pela soma do passivo circulante com o exigível a longo prazo. Note que o PC de R$ 72.084 mil, somado ao ELP de R$ 20.692 mil, resulta num capital de terceiros de R$ 92.776 mil. Dividindo R$ 92.776 mil pelo patrimônio líquido de R$ 394.048 mil obtém-se 23,5%, significando que, para cada R$ 100,00 de capital próprio, a empresa utiliza R$ 23,50 de recursos de terceiros.

Para a empresa, internamente, será importante o uso de capitais de terceiros na medida em que o lucro gerado pelos ativos for superior ao custo da dívida.

A interpretação desse índice, isoladamente, pelo analista financeiro, cujo objetivo é avaliar risco da empresa, é no sentido de que quanto maior, pior, mantidos constantes os demais fatores. Para a empresa, entretanto, pode ocorrer que o endividamento lhe permita melhor ganho por ação, porém associado ao maior ganho estará um maior risco.

COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO (CE) – Indica quanto da dívida total da empresa deverá ser pago no curto prazo, isto é, as obrigações a curto prazo comparadas com as obrigações totais.

PC PC = Passivo Circulante

CE = x 100 ELP = Exigível a Longo Prazo

PC ELP

Podemos representar a composição de seus capitais de terceiros, quanto ao vencimento a curto ou longo prazo, conforme segue:

Ativo R$ mil Passivo R$ mil

Circulante (AC) 187.374 Circulante (PC) 72.084

Realizável Longo Prazo (RLP) 22.146 Exigível Longo Prazo ELP 20.692

Permanente (AP) 277.304 Patrimônio Líquido (PL) 394.048

Total do Ativo 486.824 Total Passivo 486.824

A dívida total é representada pelo PC de R$ 72.084 mil mais o ELP de R$ 20.692 mil, totalizando R$ 92.776 mil. Desse valor, R$ 72,084 mil que é o PC, vence no curto prazo. Dividindo R$ 72.084 mil por R$ 92.776 mil, obtém-se 77,7%, significando o percentual da dívida total que vence a curto prazo. Desse modo, para R$ 100,00 de dívida total da empresa, R$ 77,70 vence a curto prazo, ou seja, num período inferior a um ano.

A interpretação do índice de composição do endividamento é no sentido de que quanto maior, pior, mantidos constantes os demais fatores.

IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (IPL) – Indica quanto do patrimônio líquido da empresa está aplicado no ativo permanente.

AP AP = Ativo Permanente

IPL = x 100 PL = Patrimônio Líquido

PL

Como exemplo do nível de imobilização do PL, podemos representar conforme a seguir:

Ativo R$ mil Passivo R$ mil

Circulante (AC) 187.374 Circulante (PC) 72.084

Realizável Longo Prazo (RLP) 22.146 Exigível Longo Prazo ELP 20.692

Permanente (AP) 277.304 Patrimônio Líquido (PL) 394.048

Total do Ativo 486.824 Total Passivo 486.824

Dividindo a ativo permanente de R$ 277.304 mil pelo patrimônio líquido de R$ 394.048 mil, obtém-se 70,4%, significando que, para cada R$ 100,00 de capital próprio, a empresa tem aplicado no ativo permanente R$ 70,40.

A interpretação desse índice é de que quanto maior, pior, mantidos constantes os demais fatores. Cabe destacar que o índice de imobilização envolve importantes decisões estratégicas da empresa, quanto à expansão, compra, aluguel ou leasing de equipamentos. São os investimentos que caracterizam o risco da atividade empresarial.

ANÁLISE DA LIQUIDEZ

Visam fornecer uma medida, ou melhor, um indicador da capacidade da empresa de pagar suas dívidas, a partir da comparação entre os direitos realizáveis e as exigibilidades.

Liquidez Corrente (LC) – Indica quanto a empresa possui de dinheiro, em bens e direitos realizáveis de curto prazo, comparando com suas dívidas a serem pagas no mesmo período. Esse indicador funciona como um sinalizador preliminar da capacidade de pagamento da empresa. Seu cálculo é simples:

AC AC = Ativo Circulante

LC =

PC PC = Passivo Circulante

Dessa forma, quando o resultado for próximo a unidade, por exemplo, entre 0,9 e 1,2, pode ser inferido que a liquidez da empresa apresenta-se apertada, ou seja, não existe espaço para que ocorram problemas de realização/recebimento dos valores que compõem o ativo circulante (AC), sob pena de comprometer o pagamento das obrigações que estão indicadas no passivo circulante (PC).

Resultado abaixo desse intervalo indica, com grande probabilidade, a existência de problemas para o cumprimento das obrigações de curto prazo, assim como resultados acima do intervalo considerado levam à conclusão de que a empresa, provavelmente possui capacidade de liquidar as dívidas de curto prazo com maior tranqüilidade.

A interpretação do índice de liquidez corrente é no sentido de quanto maior, melhor, mantidos constantes os demais fatores.

Liquidez Seca (LS) – Indica quanto a empresa possui em dinheiro, em aplicações financeiras de curto prazo e duplicatas a receber, para fazer parte ao seu passivo circulante.

Seu cálculo também é simples:

AC – E ` AC = Ativo Circulante

LS = E = Estoques

PC PC = Passivo Circulante

O objetivo é verificar qual a importância da realização/venda dos estoques para o cumprimento das obrigações que estão indicadas no passivo circulante. Assim, quando o indicador encontrar-se próximo da unidade acima dela, pode ser interpretado que o pagamento das dívidas de curto prazo independem da venda dos estoques.

Mesmo que a empresa tenha problemas de queda nas vendas e, portanto, não obtenha recursos com a venda dos estoques, os demais valores que compõem o ativo circulante seriam suficientes para cobrir os compromissos que estão no passivo circulante.

A interpretação do índice de liquidez seca segue o mesmo raciocínio dos índices de liquidez corrente, isto é, quanto maior, melhor, mantidos constantes os demais fatores. Quanto menos o índice, maior a dependência da venda dos estoques.

No caso da empresa de sementes, os resultados dos dois índices sinalizam que a liquidez da empresa apresenta-se com aspectos favoráveis, independentemente da realização dos estoques.

Endividamento Geral (EG) – Reflete a forma como a empresa financia seus ativos. Seu cálculo também é simples:

PC + ELP PC = Passivo Circulante

EG = ELP = Exigível de Longo Prazo

A A = Ativo

O objetivo é medir e avaliar o quanto dos investimentos da empresa são financiados com capitais de terceiros (passivo circulante e exigível a o longo prazo). Nos últimos quinze anos, esta relação tem-se mantido abaixo dos 50% (nas maiores empresas brasileiras) como resultado das incertezas em termos de política econômica e da forte política monetária que tem sido praticada (juros elevado e crédito escasso) com a intenção de conter a inflação.

A interpretação do índice é de que abaixo de 35%, pode ser afirmada que a empresa é bastante conservadora na utilização de capitais de terceiros, preferindo trabalhar com capital próprio. Quando o percentual situar-se acima de 65%, pode ser concluído que a empresa possui elevado risco financeiro e encontra-se fortemente alavancada.

Caso o resultado do índice apresentar-se entre 35% e 65%, pose ser concluído que a utilização de capitais de terceiros encontra-se em patamares normais.

Rentabilidade do Patrimônio Líquido (%) – Indica quanto de prêmio que os acionistas ou proprietários da empresa estão obtendo em relação aos investimentos no empreendimento. O lucro, portanto, é o prêmio do investidor pelo risco do seu negócio. Seu cálculo também é simples:

LL LL = Lucro Líquido

RPL = x 100 PL = Patrimônio Líquido

PL

Seu resultado pode ser interpretado a partir dos seguintes patamares:

  1. Acima de 7% indica que os resultados obtidos pela empresa vêm remunerando – e quanto maior melhor – adequadamente o capital dos proprietários;

  2. Abaixo de 7% e até o limite do lucro/prejuízo, indica uma fraca remuneração do capital investido pelos proprietários;

  3. Caso negativo, indica quanto, percentualmente os proprietários/investidores perderam de seu capital em decorrência dos prejuízos da empresa.

No caso da empresa de sementes, a queda de 18,9% - uma excelente rentabilidade – para 1,5% é indicação de graves problemas no desempenho operacional da empresa.

Considerando que o Patrimônio Líquido expressa o montante de recursos próprios que está financiando os investimentos da empresa, o percentual obtido pela relação entre resultado líquido do exercício (lucro ou prejuízo) e o referido montante expressa como o lucro gerado remunera o capital dos proprietários ou o prejuízo reduz esta riqueza.

LIQUIDEZ GERAL (LG)

Indica quanto à empresa possui dinheiro, bens e direitos realizáveis a curto e longo prazo, para fazer face as suas dívidas totais.

AC + RPL AC = Ativo Circulante

LG = RLP = Realizável a Longo Prazo

PC + ELP PC = Passivo Circulante

ELP = Exigível a Longo Prazo

Podemos exemplificar o índice de liquidez geral, conforme a seguir:

Ativo R$ mil Passivo R$ mil

Circulante (AC) 187.374 Circulante (PC) 72.084

Realizável Longo Prazo (RLP) 22.146 Exigível Longo Prazo ELP 20.692

Permanente (AP) 277.304 Patrimônio Líquido (PL) 394.048

Total do Ativo 486.824 Total Passivo 486.824

Dividindo AC mais o RLP (R$ 187.374 mil + R$ 22.146 mil) pelo PC mais o ELP (R$ 72.084 mil + R$ 20.692 mil), obtém-se o índice de 2,26, significando que, para cada R$ 1,00 de dívida (curto e longo prazo), a empresa dispõe de R$ 2,26 em disponibilidade mais direitos realizáveis a curto e a longo prazo.

A interpretação do índice de liquidez geral é no sentido de quanto maior, melhor, mantidos constantes os demais fatores.

ANÁLISE FINANCEIRA AVANÇADA

Destina-se ao estudo da análise avançada de balanço, refletindo a viabilidade econômico-financeira da empresa. Para tanto, são considerados novos conceitos e metodologias de avaliação das necessidades e projeção de investimentos em capital de giro, medidas de equilíbrio financeiro e desempenho econômico.

CONCEITOS DE CAPITAL DE GIRO

Constitui-se no fundamento básico da avaliação do equilíbrio financeiro de uma empresa. O comportamento do capital de giro é extremamente dinâmico, exigindo modelos eficientes e rápidos de avaliação da situação financeira da empresa.

CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (CCL) – Baseia-se na diferença entre os ativos e passivos circulantes.

CCL = AC – PC

Considere ilustrativamente a Cia. XPTO e a sua estrutura patrimonial:

Ativo Circulante $ 700 Passivo Circulante $ 500

Exigível de Longo Prazo $ 280

Ativo Permanente $ 1.300 Patrimônio Líquido $ 1.220

A empresa apresenta um Capital Circulante Líquido (CCL) de $200. Dos $ 1.500 de recursos permanentes ($1.220 + $ 280), a empresa imobilizou $1.300 em ativos permanentes, canalizando um investimento de $ 200 para o seu giro.

Muitos afirmam que for o CCL, melhor será a condição de liquidez da empresa. Tal fato, contudo, dependerá do segmento em que a empresa atua. Para uma empresa em funcionamento, é possível encontrarmos CCL negativo com boa liquidez, como ocorre com muitos supermercados, que compram a prazo e vendem à vista.

Entretanto, uma empresa pode ter CCL positivo e apresentar dificuldade financeira, dependendo apenas da incompatibilidade dos prazos de realização dos ativos circulantes, em face dos vencimentos de suas obrigações de curto prazo.

A condição de liquidez, medida pelo CCL, para duas empresas com iguais portes e características operacionais, será no sentido de que aquela que apresentar maior CCL será a de maior liquidez.

Por exemplo, se a empresa mantiver um volume de venda a prazo de $ 200/mês e estabelecer um prazo médio de cobrança de 45 dias, apura-se que ela terá um investimento fixo de $ 300 em valores a receber ($ 200 X 1,5 mês). Da mesma forma, ela pode necessitar manter um estoque mínimo de $ 170 para fazer frente à demanda esperada de seus produtos. Um montante inferior de estoques determina riscos elevados de interrupção da produção e falta de produtos para venda.

O caixa é outro elemento do circulante que costuma manter um saldo positivo mínimo, de maneira a viabilizar os desembolsos que devem ocorrer previamente à entrada de recursos. Ilustrativamente, admita que a empresa XPTO necessite de um caixa mínimo de $ 30 para lastrear seus compromissos financeiros, que não ocorrem de maneira perfeitamente sincronizada com os recebimentos (entradas de caixa).

Logo, dos $ 700 investidos no ativo circulante da XPTO, $ 500 ($300 + $ 170 + $ 30) são de natureza cíclica (permanente). Esses valores alteram-se unicamente consoante modificações no volume de atividade e nos prazos operacionais e não podem, de acordo com o conceito de equilíbrio financeiro, ser financiados por passivos de curto prazo (não cíclicos). Se isso ocorrer, a empresa passará a depender, para a manutenção de sua saúde financeira, da renovação periódica desses créditos juntos a terceiros.

Por outro lado, o passivo circulante também inclui elementos cíclicos, determinados pelo ciclo operacional, cujos créditos renovam-se periodicamente, atribuindo um caráter permanente a seus valores. É o caso da conta fornecedores que, ao revelar certo prazo para pagamento das compras realizadas, torna o crédito repetitivo (cíclico).

Existem, ainda, outras obrigações inerentes à atividade operacional da empresa que também assumem um caráter cíclico na avaliação do capital de giro, tais como salários, encargos sociais, tarifas e taxas, impostos sobre vendas, etc.

Admitindo que a empresa XPTO mantenha um montante de R$ 230 de passivos operacionais cíclicos em sua estrutura financeira de giro, conclui-se que o capital circulante líquido – CCL – calculado em $ 200, apesar de positivo, é insuficiente para cobrir as necessidades de investimentos em giro da empresa. A XPTO necessita, efetivamente, de um financiamento de $ 270 para o seu giro, e apresenta um CCL de somente $ 200, ou seja:

Investimento Cíclico em Capital de Giro $ 500

(-) Financiamento Cíclico do Capital de Giro $ 230

Necessidade de Investimento Cíclico (Permanente)

em Capital de Giro $ 270

(-) Recursos de Longo Prazo Aplicados no Capital de Giro (CCL) $ 200

Parcela da necessidade Permanente de Capital

de Giro Financiada por Recursos de Curto Prazo $ 70

Com isso, a empresa pode estar financiando estoque mínimo, por exemplo, com empréstimos bancários de curto prazo; ou sua política de vendas a prazo com operações de desconto de duplicatas. Essas alternativas de financiamento do capital de giro são de curto prazo, sujeitas a propostas periódicas de renovação, e estão lastreando de forma desequilibrada as necessidades operacionais cíclicas de capital de giro. A manutenção da atividade operacional mínima da empresa passa a depender, também, da renovação desses créditos bancários, elevando seu risco de insolvência.

Pelo exposto, pode-se definir como cíclico os elementos patrimoniais diretamente vinculados ao ciclo operacional da empresa. Qualquer alteração que venha a ocorrer em seu volume de atividade (produção e venda), ou em seus prazos operacionais, afeta diretamente o montante dos ativos passivos cíclicos.Todos os valores circulantes, porém não caracterizados como cíclicos, são definidos como financeiros.

Graficamente, pode-se ilustrar essa estrutura da forma seguinte:

Ativo Circulante Passivo Circulante

Ativo Financeiro Passivo Financeiro

Passivo Cíclico

Ativo Cíclico

Passivo Permanente

(Exigível a Longo Prazo

Ativo Permanente + Patrimônio Líquido)

Para uma empresa do segmento de atividade não financeiro, as principais constas dos grupos cíclicos e financeiros são as seguintes:

  • Ativo Financeiro: disponibilidades, fundo fixo de caixa, aplicações financeiras, depósitos judiciais, restituição de IR, créditos de empresas coligadas/controladas etc.;

  • Ativo Cíclico: duplicatas a receber, provisão para devedores duvidosos, adiantamento a fornecedores, estoques, adiantamento a empregados, impostos indiretos a compensar (IPI, ICMS), despesas operacionais antecipadas etc.;

  • Ativo Permanente: valores dos grupos imobilizado, investimento e diferido, e realizável de longo prazo;

  • Passivo Financeiro: empréstimos e financiamento bancários de curto prazo, duplicatas descontadas, imposto de renda e contribuição social, dividendos, dívidas com coligadas e controladas etc.;

  • Passivo Cíclico: fornecedores, impostos indiretos (PIS/COFINS, ICMS, IPI), adiantamentos de clientes, provisões trabalhistas, salários e encargos sociais, participações de empregados, despesas operacionais etc.;

  • Passivo Permanente: contas do exigível de longo prazo e patrimônio líquido.

INDICADORES DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA FINANCEIRA

A análise da estrutura financeira de uma empresa envolve o estudo de um conjunto de indicadores operacionais que refletem todas as decisões financeiras tomadas com relação ao capital de giro e seu equilíbrio financeiro.

A necessidade de investimento em giro – NIG, por outro lado, revela o montante de capital permanente que uma empresa necessita para financiar seu capital de giro. Esse volume é determinado, conforme demonstrado no item anterior, pelo nível de atividade da empresa (produção e vendas) e prazos operacionais.

Como elementos cíclicos denotam os investimentos de longo prazo (ativo cíclico) e os financiamentos contínuos e inerentes à atividade da empresa (passivo cíclico), a diferença entre esses dois valores reflete a necessidade operacional de investimento de longo prazo em giro. Logo:

NIG = Ativo Cíclico – Passivo Cíclico

Um confronto entre o Capital Circulante Líquido – CCL e a necessidade de investimento em giro – NIG é essencial para se avaliar o equilíbrio financeiro da empresa, ou seja, a maturidade de seus investimentos e financiamentos. Uma empresa apresenta segurança financeira somente na situação:

CCL  NIG

Em caso contrário, ou seja, quando a NIG superar o CCL, a empresa dá sinais de conviver com dificuldades financeiras, ao financiar ativos cíclicos, caracteristicamente de longo prazo, com recursos de curto prazo (não cíclicos).

Quando o CCL superar a necessidade de investimento em giro - NIG, esse excesso é definido por saldo de disponível – SD, que pode também ser determinado por:

SD = Ativo Financeiro – Passivo Financeiro

Saldo de disponível é uma medida de margem de segurança financeira de uma empresa, que indica sua capacidade interna de financiar um crescimento da atividade operacional. Um SD negativo demonstra a existência de recursos não cíclicos financiando ativos de natureza cíclica. Ou seja, o estoque mínimo necessário ao funcionamento normal da empresa, por exemplo, pode estar sendo financiado por créditos bancários renováveis no curto prazo.

Identificada a necessidade de investimentos em ser apurada a necessidade total de financiamento permanente – NTFP, ou seja , o montante de recursos de longo prazo necessários para financiar sua atividade. É obtida pela expressão:

NFFP = NIG + Ativo Permanente

A NTFP é o montante mínimo de passivo permanente que a empresa deve manter visando lastrear seus investimentos em giro e fixo, e estabelecer seu equilíbrio financeiro. Quando o passivo permanente superar a necessidade total de financiamento permanente (NTFP), a diferença encontra-se identificada nos ativos financeiros, incrementando o saldo do disponível, ou seja:

SD = Passivo Permanente – NTFP

ILUSTRAÇÃO DE UMA AVALIAÇÃO FINANCEIRA

Uma empresa equilibrada apresenta caracteristicamente um capital circulante líquido superior a suas necessidades permanentes de giro, promovendo maior segurança financeira, identificada na presença de um saldo disponível positivo.

Empresa em equilíbrio financeiro:

Quadro 1

Ativo Financeiro $ 3.500 Passivo Financeiro $ 2.200

Ativo Cíclico $ 7.600 Passivo Cíclico $ 5.300

Ativo Permanente $ 6.400 Passivo Permanente $ 10.000

Capital Circulante Líquido (CCL) =

Necessidade de Investimento em Giro (NIG) =

Saldo de Disponível (SD) =

Necessidade Total de Financiamento Permanente (NTFP) =

Passivo Permanente (PP) =

Empresa em desequilíbrio financeiro:

Quadro 2

Ativo Financeiro $ 1.500 Passivo Financeiro $ 3.500

Ativo Cíclico $ 6.000 Passivo Cíclico $ 5.200

Ativo Permanente $ 10.000 Passivo Permanente $ 8.800

Capital Circulante Líquido (CCL) =

Necessidade de Investimento em Giro (NIG) =

Saldo Disponível (SD) =

Necessidade Total de Financiamento Permanente (NTFP) =

Passivo Permanente (PP) =

Pela estrutura financeira retratada no quadro 1 a empresa tem $ 3.600 investidos em giro provenientes de fontes de recursos de longo prazo (Capital Circulante Líquido). Sua necessidade de capital permanente para giro é inferior (NIG = 2.300), determinando uma sobra financeira (saldo de disponível) de $ 1.300. A empresa demonstra um potencial de auto-suficiência financeira para cobrir necessidades adicionais de giro até o montante de $ 1.300.

A empresa demanda recursos de longo prazo para financiar suas necessidades de capital de giro ($2.300) e seu ativo permanente ($6.400), o que totaliza $ 8.700. Essa NTFP é inferior aos seus recursos de longo prazo (Passivo Permanente – PP = $ 10.000) no valor exatamente igual ao saldo de disponível ($1.300). É uma posição de equilíbrio financeiro, que permite um crescimento sustentado da atividade da empresa.

O mesmo, no entanto, não ocorre com o quadro 2. Nessa situação, a empresa enfrenta dificuldades financeiras motivadas pelo desequilíbrio entre suas decisões de investimento e financiamentos.

O capital circulante líquido é negativo (-$ 1,200), indicando a existência de recursos de curto prazo financiando ativos de prazos mais longos. Como agravante, há ainda uma necessidade de investimentos em giro positiva (NIG = $ 800), a qual encontra-se financiada por recursos não cíclicos (passivos financeiros).

Da mesma forma, a necessidade total de financiamento permanente ($ 10.800) supera os passivos permanentes ($ 8.800), reforçando a avaliação do desequilíbrio de prazos entre ativos e passivos. A dependência pela renovação dos passivos financeiros é acentuada, exprimindo maior risco e dúvidas com relação à continuidade dos negócios.

EBITIDA – INDICADOR FINANCEIRO GLOBALIZADO

Com a globalização da economia, as empresas percebem que sua continuidade está vinculada em atender, da forma mais eficiente possível, aos desejos estabelecidos pelo mercado. A atual abertura do mercado, ao mesmo tempo em que promove os consumidores ao papel de poder patronal, coloca a competitividade como o principal desafio contemporâneo a ser vencido pelas empresas na busca da sua viabilização.

Nesse contexto, surge a necessidade de medidas gerenciais que ressaltem melhor as estratégias financeiras e vantagens competitivas empreendidas. As empresas vêm redescobrindo indicadores tradicionais do campo de finanças, porém formulados de maneira bastante moderna e sofisticada, e disseminando seu uso de forma globalizada.

Este é o caso da consagrada medida financeira conhecida no mercado por EBTIDA. Esta sigla vem do inglês, Earning Before Interest, Taxes, Depreciation/Deplation and Amortization, ficando no nosso idioma algo como lucro antes dos juros, impostos (sobre lucros), depreciações/exaustão e amortizações.

Lucro antes dos juros, significa o genuíno lucro operacional, ou seja, resultado gerado pelo negócio, independente da forma como ele é financiado. De outra maneira, o lucro operacional é corretamente formado pelas decisões de ativos, sem qualquer comprometimento com capital de terceiros tomado emprestado. Ao desconsiderar as despesas de depreciações (e outras da mesma natureza, que não exigem desembolsos) desse resultado, tem-se o conhecido conceito operacional de fluxo de caixa, isto é, o lucro operacional mais as depreciações.

O EBTIDA equivale ao conceito restrito de fluxo de caixa operacional da empresa, apurado antes do cálculo do imposto de renda. Parte das receitas consideradas no EBITDA pode não ter sido recebida, assim como parte das despesas incorridas pode ainda estar pendente de pagamento. Logo, essa medida financeira não representa o volume monetário efetivo de caixa, sendo interpretada de forma melhor como um indicador potencial de geração de caixa proveniente de ativos operacionais.

Por se tratar de uma medida essencialmente operacional, na apuração do EBITDA não costumam ser incluídas certas despesas que não se vinculam diretamente à atividade da empresa. Assim, além das despesas financeiras, são desconsiderados também os juros sobre capital próprio, que não se originam de decisões de ativos, mas de forma como a empresa encontra-se financiada, e eventualmente receitas financeiras obtidas por aplicações de excessos de disponibilidades no mercado financeiro.

O EBITDA revela a genuína capacidade operacional de geração de caixa de uma empresa, sua eficiência financeira determinada pelas estratégias operacionais adotadas. Quanto maior o índice mais eficiente se apresenta a forma cão de caixa proveniente das operações (ativos), e melhor ainda, a capacidade de pagamento aos proprietários de capital e investimentos demonstrado pela empresa.

A grande novidade do EBITDA na análise do desempenho global de uma empresa por meio do fluxo de caixa, independente dos reconhecidos méritos associados ao índice, talvez seja em sua proposta de se tornar uma medida financeira globalizada. Efetivamente, ao se confrontar o EBITDA de empresa de diferentes economias, a comparabilidade dosa resultados é prejudicada principalmente pelas variações da legislação tributária e políticas de depreciação adotadas.

Ao se compararem os resultados operacionais de caixa líquidos dessas despesas, como propõe o índice, os valores passam a refletir o potencial de caixa das entidades sem a interferência de práticas e normas legais adotadas de maneira peculiar pelos diversos países.

Como ilustração, considere o demonstrativo de resultados abaixo publicado por uma empresa, ao final de determinado exercício social:

RECEITAS DE VENDAS $ 17.000

Custo de produtos vendidos (9.000)

LUCRO BRUTO $ 8.000

Despesas com vendas (800)

Despesas gerais e administrativas (1.200)

EBITDA $ 6.000

Depreciação (1.000)

LUCRO OPERACIONAL ANTES DO IR $ 5.000

Despesas financeiras (900)

LUCRO ANTES DO IR $ 4.100

Provisão para IR (1.400)

LUCRO LÍQUIDO $ 2.700

O EBITDA calculado no período é de $ 6.000, indicando o resultado operacional antes do imposto de renda e das despesas que não representam movimentações efetivas de caixa (depreciações):

EBTIDA = $ 5.000 + $ 1.000 = $ 6.000

Lucro Operacional Depreciação

Quanto maior essa medida, mais alta se apresenta a capacidade de geração de liquidez da empresa motivada por atividade de natureza estritamente operacional.

Observe ainda que o EBITDA é capaz de cobrir 6,67 vezes (EBTIDA: $ 6.000/ Despesas Financeiras: $ 900) as despesas de juros de competência do exercício, permitindo uma avaliação da capacidade da empresa em remunerar, em termos de caixa, seus credores com recursos gerados pelas aplicações em seus ativos operacionais.

ATIVOS FINANCEIROS

São títulos emitidos pelos agentes deficitários que representam uma forma de manter a riqueza de seus possuidores e um compromisso por parte dos que o geraram.

Basicamente esses ativos têm três características:

Liquidez  capacidade de conversibilidade em outros ativos ou bens;

Risco possibilidade de perda que esses ativos podem gerar aos seus possuidores;

Rentabilidade  capacidade de ganho que esses ativos podem auferir aos seus possuidores.

Os ativos financeiros podem ser definidos em ativos primários e secundários. Ativos primários são aqueles que foram emitidos pela primeira vez pelos agentes deficitários. No entanto, os ativos financeiros secundários são aqueles que já foram emitidos pelos agentes deficitários e estão sendo negociados, com a finalidade de gerar liquidez ao título.

RISCO x INCERTEZA E A GESTÃO CONTÁBIL

O risco é um componente presente na vida de cada um de nós e que procuramos ponderar, ainda que intuitivamente, no momento de tomarmos qualquer decisão. No setor bancário, o risco de crédito pode ser definido como a probabilidade de que o capital emprestado não retorne, em função de características do cliente, da operação, da conjuntura econômica ou da combinação de todos esses fatores.

No mercado internacional, o processo de avaliação de risco se torna mais complexo, pois as operações são conduzidas em ambientes legais, sociais, políticos e econômicos diferentes. Especificamente nessa área, os riscos podem ser classificados em algumas das modalidades que a seguir apresentamos:

Risco Comercial – Similar aos das operações domésticas, compreende a probabilidade de qualquer das partes envolvidas (exportador/importador) não honrarem seus compromissos. Um dos exemplos mais típicos é o risco vinculado à obrigação do exportador brasileiro efetivamente embarcar para o exterior as mercadorias transacionadas.

Tal risco, denominado risco de performance, pode ser avaliado a partir da análise do histórico da empresa no cumprimento dos seus contratos de exportação, utilizando, para tanto, o Sistema SISBACEN – Transação PCAM 415, que fornece, por exportador, o total dos valores de câmbio contratos, liquidados e baixados.

Risco País – É a probabilidade do não cumprimento das obrigações assumidas pelas partes, em virtude de ações governamentais que dificultam o fluxo de divisas. Sua ponderação implica na avaliação da estabilidade política do país, tendências no seu balanço de pagamento, nível de endividamento externo, volume de comércio exterior e capacidade geral de geração de riquezas, sinalizada pelo Produto Interno Bruto (PIB). Nas operações realizadas diretamente com governos estrangeiros deve também ser examinado o denominado o denominado risco soberano, ou seja, a possibilidade de inadimplência por parte desses governos.

Risco Cambial – A variabilidade associada às taxas de câmbio significa risco ponderável para as empresas que tenham ativos e/ou passivos em moeda estrangeira, dada à obrigatoriedade de conversão dos valores negociados para a moeda nacional. O risco para os exportadores brasileiros é a valorização da moeda de seu país, originando perdas de receitas e de competitividade. No caso dos importadores, o risco é a desvalorização da moeda de seu país frente à moeda pactuada, ocasionando aumento nos custos de importação.

Risco de Taxas de Juros – É o risco associado ao comportamento das taxas de juros internacionais normalmente utilizadas nas operações de longo prazo, que repercute diretamente no custo final de uma operação de financiamento externo.

Rating – Análise da Capacidade de Geração de Caixa da Empresa Emissora

A avaliação dos bônus visa oferecer aos investidores o que chamamos de rating dos títulos. Esse rating surge como um indicador ou referência do nível de risco a que estão expostos os investidores. Existe uma relação muito próxima entre nível de risco e retorno. Os papéis que oferecem maiores taxas de retorno são justamente os que apresentam maior risco. De forma geral os investidores possuem maior atração por papéis que oferecem maior retorno.

Quando nos referimos ao rating, devemos ter em mente duas subdivisões: soberano e privado.

Rating soberano – É a classificação atribuída aos países, por meio da qual chega-se a uma percepção da capacidade que as nações possuem para honrar seus compromissos no mercado internacional. Essa capacidade envolve também o ingrediente político, que pode ser traduzido na previsibilidade do comportamento de uma nação diante de crises internacionais. O rating atribuído às nações possui uma forte influência sobre o privado, uma vez que surge como um teto a que podem chegar os papéis emitidos pelos demais emissores da mesma nacionalidade. São poucos os papéis privados que conseguem adquirir uma classificação superior aos papéis soberanos.

Rating privado – Traduz-se pela capacidade que o emissor terá em honrar seus compromissos. Em outras palavras, é uma percepção acerca do risco de crédito do emissor e da probabilidade de ocorrer default.

MERCADO DE DERIVATIVOS

Os derivativos são instrumentos criados com o objetivo de eliminar ou reduzir os riscos inerentes a determinadas operações. É uma forma de hedgear (proteger) riscos financeiros transferindo-os a outros, ou assumir posições. Geralmente, são instituições financeiras que assumem tais riscos.

Podemos conceituar os derivativos como contratos cujos valores e características de negociação estão vinculados aos ativos que lhes servem de referência, ou seja, são ativos financeiros cujos valores dependem (ou derivam) de valores de outras variáveis básicas. A palavra derivativo vem do fato que o preço do ativo é derivado de um outro. Como, por exemplo, a Opção de Petrobrás, o preço desta opção é derivado do ativo “Ação da Petrobrás”.

No mercado financeiro, a expressão “produtos derivativos” tem sido empregada para designar os Contratos Futuros, Contratos a Termo, “Swaps” e Opções ou contratos com características semelhantes a um ou mais desses instrumentos. Esses produtos, cujo objetivo primário é a transferência de riscos associados aos preços dos bens, diferem daqueles produtos utilizados como instrumento de captação e aplicação de recursos.

Na base do conceito dos derivativos, encontra-se o componente que os distingue dos demais contratos praticados no mercado, que é possibilidade de permitir aos agentes econômicos proteção contra riscos de preços (hedge) ou para apostas em variações de preços, de moedas e de taxas de juros.

Na verdade, os agentes econômicos, mais do que uma simples proteção,vêm buscando nesses contratos uma forma de atender as suas necessidades de gestão financeira cada vez mais complexas.

Para controlar uma carteira de derivativos não se deve seguir apenas as mudanças no mercado, mas também a composição dos riscos financeiros de uma empresa. Avaliar uma carteira de derivativos exige fórmulas matemáticas complexas, e a simples escolha de um método em vez de outro implicará resultados potencialmente diferentes.

São premissas básicas para o cálculo de valores, as estimativas da volatilidade de cada derivativo que, de forma semelhante, podem resultar em grandes variações nas avaliações.

Carteiras Tradicionais

Carteiras de derivativos

Ações

Troca (Swap) de taxas de juros

Títulos de Empresa

Opções de taxas de juros

Títulos e bônus do tesouro

Futuro e opções de índices de ações

Títulos dos governos municipais e estaduais

Futuros e opções de moedas

Commodities (soja, café, metais)

Futuro de eurodólares

Certificados de depósitos bancários

Futuro e opções de commodities

Metais preciosos

Contratos a termo de commodities

Apesar do termo derivativo ser bastante recente muitos dos instrumentos financeiros já estavam disponíveis no mercado há muitas décadas. O mercado de derivativos teve início em 1972, quando a Chicago Mercantile Exchange (CME), uma bolsa de mercadorias que já negociava há muitos anos com contratos futuros, lançou contrato futuro de moedas. Em 1975 a Chicago Board of Trade, outra grande bolsa de futuros de Chicago, lançou o primeiro contrato futuro de taxa de juros. Entretanto, foi nas décadas de 80 e 90 que os derivativos financeiros ganharam relevância e passaram a ser negociados em diversas bolsas especializadas nesse contrato.

Muitas empresas têm-se voltado para os derivativos com o objetivo de proteger seu risco financeiro, fazendo este segmento do mercado financeiro crescer rapidamente. Enquanto boa parte desses hedges tem sido feita por meio de transações de futuros de câmbio ou por intermédio de simples transações de câmbio, uma parcela significativa tem sido feitas mediante produtos relativamente novos, sob medida para cada empresa.

Um exemplo simples. Determinada empresa possui uma dívida em moeda estrangeira, digamos dólar. Ela deve cerca de U$ 5 milhões, e resolve realizar um contrato a termo de moeda estrangeira, pagando uma taxa de R$ 1,85 por dólar, 180 dias antes da data de vencimento da obrigação. Cento e oitenta dias depois, no vencimento, se o dólar tiver recuado para R$ 1,75 ela terá tido um prejuízo de R$ 0,10 por dólar, o que significa R$ 500.000,00 de prejuízo, somente na taxa de câmbio, sem contar os juros que perdeu, uma vez que poderia ter aplicado os recursos. Ela fez um hedge, mas o mercado não se movimentou a seu favor.

Os mercados de câmbio, bônus, derivativos, se mexem para cima e também para baixo. Em decorrência desse movimento é impossível ficar imune a essas mudanças.

PARTICIPANTES

Nos mercados futuros não se negociam produtos ou ativos, mas riscos de preços. Em geral, quando os mercados futuros são eficientes, seus principais usuários enquadram-se classicamente em duas categorias. De um lado, estão os hedgers, que procuram defender-se de oscilações imprevistas de preços de ativos ou produtos que possuem ou que venham a possuir no mercado físico.

Do outro lado, existem os especuladores, que negociam as tendências de preços e são os principais responsáveis pelo alargamento de liquidez no mercado futuro.

Os participantes empregam os derivativos para atender a três finalidades:

  • Fazer hedger é proteger uma posição de mercado por meio de operações de compra ou venda a futuro, contra movimentos adversos no futuro, sendo um meio de reduzir a exposição ao risco e às perdas potenciais decorrentes das variações de preços das commodities com que trabalham;

  • Especular é apostar em movimentos de preços futuros para obter ganhos. Esses ganhos são obtidos pela volatilidade de ganho. Normalmente sua função é mal compreendida, por causa da conotação pejorativa inerente ao termo. Quando atuam ativamente no mercado, tornam-se contraparte não só de outros especuladores, mas também de hedgers, sejam de compra ou venda;

  • Fazer arbitragem é tirar proveito da variação na diferença entre o preço de dois ativos ou mercados, ou das expectativas futuras de mudanças nessa diferença. Ou seja, ganhar com diferenciais de preços entre os mercados derivativos e seus respectivos ativos-objeto.

COMO SÃO NEGOCIADOS

O Brasil tem uma vasta rede de intermediários financeiros capacitados a operar no mercado de derivados. Além dos intermediários ligados ao mercado de capitais, já mencionados anteriormente, temos os ligados às bolsas de futuros – as corretoras de mercadorias – e instituições financeiras bancárias e não bancárias, todas participando ativamente do mercado de derivativos.

Além disso, as operações de swaps são praticadas por instituições financeiras de forma generalizada. No mercado de balcão, o registro das operações é feito principalmente na Cetip (Central de Custodia e de liquidação Financeira de Títulos). Portanto, a maioria das instituições financeiras brasileiras é participante potencial dos mercados de derivativos.

As transações com derivativos de balcão são efetuadas predominantemente pelo Cetip, o qual conclui o processo de liquidação financeira em D + 1. O sistema também atualiza e divulga para todo o mercado informações diárias sobre preços de diversos ativos financeiros e taxas praticadas nos negócios nele registrados. São também monitoradas as transações de modo a identificar e bloquear para exame, se necessário, as que diferem muito dos parâmetros de mercado.

A BM&F é a principal bolsa brasileira de negociação de derivativos. Iniciou suas operações em 1986 e em 1991, fundiu com a Bolsa de Mercadorias de São Paulo, que já negociava, em 1917, os primeiros contratos futuros de algodão no Brasil.

Na BM&F são negociados contratos futuros e opções de dólar, ouro (que também tem um mercado spot), taxas de juros, índice de ações (Ibovespa) e commodities agrícolas.

O fato de já ser a principal bolsa de futuros na América Latina aumenta, em muito, as possibilidades de que a BM&F venha a beneficiar-se da expansão não só do mercado brasileiro, como também de capturar parcelas crescentes da negociação de derivativos na região e no contexto global. A BM&F tende a crescer com a globalização.

FUNÇÃO ECONÔMICA

Os mercados de derivativos, por utilizarem os mercados futuros, possuem várias funções econômicas importantes, que podem ser traduzidas em termos de sua conseqüência comum: a redução dos custos de transação da economia. Devido a baixos custos de transação (gerados por baixa corretagem, maior liquidez, margem reduzida do objeto negociado), o mercado de derivativos acaba por compensar deficiências (imperfeições) dos mercados à vista.

Os benefícios do mercado de derivativos não se restringem apenas a seus participantes diretos: em verdade, a economia, como um todo, é beneficiada por sua existência. Tais benefícios estão materializados no desempenho eficiente dos mercados futuros, particularmente no que tange às funções básicas de formações de preços e de transferência de seus riscos.

MERCADO A TERMO

No mercado a termo, o investidor compromete-se a comprar ou vender um determinado ativo ou objeto que pode ser representado por moeda estrangeira, metais preciosos, commodities ou qualquer outro instrumento. Os contratos a termo e futuros se contrapõem às opções, por um simples detalhe: nas opções o comprador ou vendedor não é obrigado a exercer a opção, ao contrário dos contratos a termo e futuro onde existe a obrigatoriedade da aquisição ou venda.

Operação a Termo é compra ou venda de determinada quantidade de um ativo ou objeto, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado, a contar da data da operação em pregão, resultando em um contrato entre as partes. Através do contrato a termo, em data predeterminada, o comprador terá de pagar o preço anteriormente definido pelo objeto do contrato, mesmo que as condições de mercado sejam diferentes daquelas registradas no instrumento (contrato).

As operações a termo são formalizadas em contratos específicos, emitidos e registrados na bolsa em nome das corretoras participantes. Esse contrato é um acordo firme entre duas partes, compradores e vendedores, para entrega ou recebimento de um lote (quantidade e qualidade especificadas) de dada mercadoria para um mês designado, a preço estabelecido no pregão da BM&F.

MERCADO FUTURO

É o mercado no qual se negociam lotes-padrão de ações com datas de liquidação futura, escolhidas entre aquelas fixadas periodicamente pela BMF – Bolsa de Mercadoria e de Futuro. O mercado futuro representa um aperfeiçoamento do mercado a termo, permitindo a ambos os participantes de uma transação reverter sua posição, antes da data de vencimento.

Neste mercado cada investidor se relaciona com a caixa de liquidação da bolsa e não com seu parceiro original. Isto permite que ambos tenham o direito de liquidar sua posição antecipadamente. Por sua vez, a reversão da posição só é viável se houver liquidez no mercado.

A fim de propiciar liquidez no mercado futuro, as datas de vencimento são padronizadas pela bolsa. As operações são fechadas para aqueles vencimentos que estão em aberto. Para assegurar o cumprimento dos compromissos, são depositadas margens pelos detentores de posições de compra e venda, as quais oscilam com a variação os preços no mercado a vista.

As estratégias de aplicação são semelhantes às do mercado a termo, com algumas particularidades. Numa operação a futuro, as duas partes intervenientes realizam compra e venda de determinada quantidade de um bem, por um preço acordado entre elas para liquidação numa data futura. A única diferença com as operações a vista é a data de liquidação da operação.

Comparando-se as operações a vista com as do mercado futuro, podemos dizer que enquanto nas operações a vista as duas partes estão efetivamente comprando e vendendo a ação, na operação a futuro estão assumindo compromisso de comprar e vender numa determinada data futura. Cabe-nos destacar que esse contrato pode ser encerrado antes de seu vencimento ou transferido a terceiros.

A base para a formação do preço é definida pela diferença entre o preço do futuro e o preço à vista de um ativo determinado para uma data determinada. Esta base pode ser positiva ou negativa, dependendo da comparação entre preço futuro e à vista.

BASE = Preço Futuro – Preço à Vista

Princípio de Convergência –Segundo esse princípio, a base tende a zero no vencimento do contrato. Se analisarmos a fórmula do preço futuro, verificaremos que, conforme o tempo passa, ou seja, à medida que a variável t vai diminuindo os valores do futuro e o preço à vista vão aproximando-se.

VANTAGENS DOS MERCADOS FUTUROS

  • A maior vantagem é o aumento da visibilidade de preços;

  • Todos os participantes estão constantemente ajustando suas ofertas de compra e de venda em relação a um fluxo contínuo de informações sobre o mercado em escala mundial;

  • As notícias sobre as condições da lavoura de soja na Brasil, desapropriação de minas de cobre pertencentes a estrangeiros, por exemplo, serão sentidos pelas cotações a futuro da soja, cobre, prata e outros produtos correlacionados, nas Bolsas de Nova York, Londres e Chicago;

  • Intercambialidade de posições, ou seja, ao possibilitar uma mudança de posições gera maior liquidez que o mercado à vista;

  • Diferente do mercado a termo, a posição no contrato futuro pode ser negociada com terceiros;

  • Vantagem principal do mercado futuro é o fortalecimento do mercado físico;

  • Objetivo primordial é permitir o hedge contra variações de preços;

MERCADO DE OPÇÕES

Mercado de opções é uma modalidade operacional em que não negociam ativos-objeto, mas direitos sobre eles. Opção são, assim, direitos de uma parte comprar ou vender a outra, até determinada data, certa quantidade de ativos-objeto a um preço preestabelecido. Dessa forma, no mercado de opções não ocorre a negociação do produto (ativo-objeto), mas do direito sobre ele.

Consistem na aquisição de opção, mediante o pagamento de um prêmio. Trata-se de um mecanismo por intermédio do qual um investidor não adquire um lote de ações ou qualquer outro ativo, mas simplesmente adquire o direito de comprar ou vender determinado ativo, por um preço previamente estabelecido, em uma data determinada podendo ou não exercer o seu direito.

O que difere a opção dos demais instrumentos de derivativos é que na opção não existe a obrigatoriedade do exercício da mesma, é uma faculdade de seu adquirente. Assim, quando um determinado investidor adquire uma opção, seja de compra ou venda de um ativo, na data conveniada ele poderá ou não exercer o seu direito. É uma faculdade que esse instituto concede ao seu titular. Mas exercendo o seu direito, a outra parte tem a obrigatoriedade de cumprir o contrato. Porém, se o investidor não tiver o interesse em exercer a opção, não fará jus à restituição do prêmio.

Exemplo:

Vamos imaginar que um determinado investidor fez uma análise de mercado e tem a previsão de que o preço das ações de uma certa empresa vai subir nos próximos 30 dias. Ele compra o direito de adquirir um lote, pelo valor de, digamos, USD 97,00, pagando um prêmio de USD 1,00.

Esse investidor faz a aquisição no dia 1de maio, por 30 dias, ou seja, o vencimento da opção se dará no dia 30 de maio. A opção é Call, compra. O custo total da aquisição é de USD 98,00, sendo USD 97,00 pelo lote e USD 1,00 pelo prêmio.

No dia 30 de maio, o preço da ação está em USD 99,00, no mercado. Com esse preço maior em relação à compra, comprovando as previsões do investidor, ele faz a opção e adquire o lote de ações ao preço de USD 97,00, lucrando USD 1,00 por lote de ação.

A opção Put, venda, é justamente o contrário. A opção será de vender as ações e, nesse caso, a previsão do investidor é de queda das cotações. Ao adquirir uma opção, o investidor passa a contar como uma garantia à sua operação, passando a ter possibilidade de exercê-la ou não, na data convencionada.

No Brasil, o mercado organizado de opções existe desde 1979, implantado inicialmente pela Bolsa de Valores de São Paulo. As bolsas de valores estabelecem, para negociações com opções, quantidade de ações por opção, lote padrão, que é de 1.000 ações, datas de vencimento e preço de exercício das opções a serem lançadas.

Os tipos de opções mais comuns são:

  • Opções sobre ações;

  • Opções sobre índice de bolsa;

  • Opções sobre taxa de juros;

  • Opções sobre títulos ou bônus;

  • Opções sobre câmbio ou divisas;

  • Opções sobre mercadorias.

HEDGE E ESPECULAÇÃO

Quando um empresário dimensiona seu empreendimento, ele está especulando sobre o volume de negócios que o capital ali vai gerar. Ainda que os objetivos empresariais se assemelhem, as expectativas de cada um podem ser completamente diferentes. Quem determina essas diferenças são os potenciais de risco e retorno assumidos em cada caso, e o volume de recursos que financiará o empreendimento. A atividade econômica é especulativa por natureza.

Produtores e usuários de bens e serviços dependem uns dos outros para seu próprio suprimento. Entre eles surgem os primeiros indícios de riscos permanentes do negócio, tais como:

  • Risco de produzir;

  • Risco de ser suprido;

  • Risco de preço.

Esses riscos são assumidos pelo próprio empresário. Em determinados mercados, existem formas de transferir esse risco: são as operações de mercado futuro. Daí surgem as definições de hedger e especulador. Ambos participam, das operações de mercado futuro. O hedger encontra-se entre os produtores de e/ou usuários de mercadorias, bens ou ativos financeiros: suas operações básicas estão nos mercados físicos desses bens, ativos ou mercadorias. Ele utiliza os mecanismos dos mercados futuros para transferir parte do risco aos especuladores.

Todavia, o hedge não é a razão de ser do especulador. O hedge especula especialmente nas relações entre preços nos mercado físicos e futuro, ao passo que o especulador opera nas alterações de níveis de preços, num mesmo mercado.

Mas o que é hedging? Hedging é administração do risco.

Hedging é o ato de tomar posição em futuros oposta à posição assumida no mercado pronto, para minimizar riscos de perdas financeiras numa alteração de preços adversa (produtor). Hedging também é tomar hoje em futuros a mesma posição que, no futuro, se tomará no mercado pronto, a fim de fixar e monitorar o preço desde já (usuário/consumidor).

Os Especuladores

A palavra especulador ou especular é mais do que um problema de semântica. Apesar da conotação pejorativa, a especulação pertence ao mundo da economia como função essencial. Especulador é quem assume risco alto, em contrapartida a uma expectativa de ganho.

Atuam de forma bastante ágil, procurando obter ganhos prevendo pequenas variações dos preços. Raramente carregam posições por muito tempo. Como são em grande número (pessoas físicas e jurídicas), apesar de negociarem quantidades inferiores aos hedgers, movimentam um grande número de contratos se considerados agregadamente, propiciando uma elevação significativa da liquidez dos mesmos.

Os especuladores são atraídos aos mercados pelos investidores ou hedgers que não desejam carregar custos e preferem transferir riscos, criando para isso condições mais atraentes de preços.

Os especuladores não são, necessariamente, especialistas nos ativos negociados. Por essa razão, eles operam com cautela, e suas operações se caracterizam por:

  • Entradas e saídas rápidas;

  • Desinteresse em manter posição até o fim do contrato;

  • Serem menores que os operadores de hedge.

Os Arbitradores

Os arbitradores procuram obter ganhos captando distorções na formação dos preços. Realizam as operações de financiamento e a de caixa, arbitrando distorções nas taxas de juros.

A arbitragem é a operação que busca tirar proveito de variações na diferença de preço entre dois ativos ou entre dois mercados, ou das expectativas futuras de mudanças nessas diferenças.

Exemplos:

  • Comprar o ativo A por um preço X e vender o ativo A por um preço Y em outro mercado, sendo Y>X. Arbitrou-se sobre o preço do ativo A.

  • Tomar recursos emprestados a uma taxa de juros X em determinado mercado e repassá-los a uma taxa de juros Y em outro mercado, sendo o juro Y maior do que a taxa de juro X. Arbitrou-se a taxa de juros entre mercados.

As arbitragens são da mais variada natureza, e podem envolver operações com ativos, seus futuros e suas opções. Elas apresentam normalmente níveis de risco inferiores aos da especulação, pois as posições ficam travadas em dois segmentos de mercado, o que atrai um grande número de interessados, que colaboram decisivamente para a formação de preço, transferência de risco e atração de hedgers.

"Se dois homens vêm andando por uma estrada cada um carregando um pão e, ao se encontrarem eles trocam os pães, cada um vai embora com um; se dois homens vêm andando por uma estrada, cada uma carregando uma idéia e, ao se encontrarem eles trocam as idéias, cada um vai embora com duas."

Ditado Chinês

BIBLIOGRAFIA:

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Tachizawa, Takeshy/Rezende, Wilson – Estratégia Empresarial Tendências e Desafios, São Paulo: Makron Books, 2000;

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