Faraco - Lingüística Histórica

Faraco - Lingüística Histórica

FARACO, Carlos Alberto. Lingüística Histórica. São Paulo: Ática. 1991

A Percepção da Mudança:

• As línguas mudam com o passar do tempo: a realidade empírica central da Lingüística Histórica é o fato de que as línguas mudam com o passar do tempo.

• Nem toda variação implica mudança, mas toda a mudança implica variação.

• A língua escrita é normalmente mais conservadora que a língua falada.

• A mudança lingüística está envolvida por um complexo jogo de valores sociais que podem bloquear, retardar ou acelerar sua expansão de uma para outra variedade da língua.

• Um dado empírico fundamental: qualquer língua humana é sempre um conjunto de variedades.

• Mudança Fonética em Lingüística Histórica consiste, em princípio, consiste apenas numa alteração da pronúncia de certos segmentos em determinados ambientes da palavra.

• Mudança Fonológica, por outro lado, envolve alterações por exemplo, no número de unidades sonoras distintas (os fonemas) e, portanto, no sistema de relação dessas unidades.

• Mudança Morfológica trata dos princípios que regem a estrutura interna das palavras: seus componentes (os morfemas), os processos derivacionais (formas de se obter novas palavras) e flexionais (formas de se marcar, dentro da palavra, as categorias gramaticais)

• Mudança Sintática, por exemplo, mudança da ordem dos constituintes dentro da estrutura da sentença.

• Mudança Semântica é abordada na Lingüística Histórica como um processo que altera o significado da palavra, como as figuras de linguagem, alguns processos ainda reduzem ou ampliam o significado.

• Mudança Pragmática, um exemplo é a investigação do uso do termo você no tratamento do interlocutor investigando quem era tratado por você nos diferentes períodos da história, já que a pragmática trata da tarefa de estudar o uso dos elementos lingüísticos em contraste com o estudo das propriedades estruturais desses elementos.

• Mudanças Lexicais, pode-se enfocar as palavras em sua mudança em algum dos níveis de análise lingüísticos ou a composição do léxico.

• Terminologia: Inovador é o elemento novo que se expande alterando um aspecto da configuração da língua e Conservador é o elemento velho, variante que representa as configurações mais antigas da língua.

Características da Mudança:

• A mudança é contínua, ininterrupta • A mudança é lenta e gradual

• Costuma-se dividir a história das línguas em períodos, em português: período arcaico e período moderno.

• A mudança é relativamente regular, ela nos permite estabelecer correspondências sistemáticas entre duas ou mais línguas ou entre dois ou mais estágios da mesma língua.

• As correspondências sistemáticas formaram a base inicial da reflexão histórica em lingüística. Foi a partir da percepção da sistematicidade de correspondências entre línguas diferentes que se chegou, no início do século XIX, ao chamado método comparativo, com o qual foi possível revelar cientificamente o efeito de parentesco entre línguas, reuni-las em grupos (famílias) e reconstituir aspectos de seus ancestrais comuns.

• As línguas estão envolvidas num complexo fluxo temporal de mutações e substituições, de aparecimentos e desaparecimentos, de conservação e inovação.

A Lingüística Histórica - pressupostos teóricos:

• Sincronia e Diacronia: Saussure introduziu esses dois termos em Lingüística para designar o estudo da história das línguas (diacronia) e o estudo dos estados da língua vistos de forma estática (sincronia).

• Lingüística descritiva/teórica x Lingüística histórica.

História da Lingüística Histórica:

• 1º período (1786-1878): é o período da formação e consolidação do método comparativo.

• 2º período (1878-até hoje): inicia com a publicação do manifesto dos neogramáticos. É o período da contínua tensão entre duas grandes linhas interpretativas: uma mais imanentista (linha dos neogramáticos, dos estruturalistas e dos gerativistas) que vê a mudança como um fato interno a língua e outra mais integrativa (dos sociolingüístas) que entende que a mudança deve ser vista como articulada com o contexto social em que se inserem os falantes, conjunção de fatores internos e externos a língua.

• Foi Bopp, relacionando o sistema da conjugação verbal do sânscrito com o grego e latino, persa e germânico quem deu as bases para o método comparativo, procedimento central da Lingüística Histórica. É por meio dele que se estabelece o parentesco das línguas.

• Mas o estudo propriamente histórico foi estabelecido por Jacob Grimm (um dos irmãos Grimm), pois ele interpretou a existência de correspondências fonéticas sistemáticas entre as línguas como resultado de mutações no tempo.

• A obra de Schleicher: fez estudos histórico-comparativos com orientação fortemente naturalista. Propõe uma tipologia das línguas e uma classificação genealógica das línguas indo-européias procurando uma “língua-remota”, ou estágio remoto donde se originaram as línguas que constituem essa família.

• Os Neogramáticos: geração de lingüistas relacionados com a Universidade de

Leipzig que formularam os principais pressupostos teóricos da Lingüística Histórica como a conhecemos hoje.

• As leis de Verner: Demonstrou as exceções da chamada Lei de Grimm em seu estudo sobre a mutação das consoantes no ramo germânico das línguas indoeuropéias.

• Manual de Hermann Paul: dá as bases para o ramo sociolingüista dos estudos em Lingüística Histórica

• A obra de Schuchardt: o mais importante neogramático, que mostrou como as variedades da língua influenciam umas às outras.

• Meillet é o primeiro a dá uma concepção realmente sociológica do falante e da língua, com a perspectiva da heterogeneidade real da língua e tinha como ponto de referência o falante individual para compreensão do coletivo.

• O Estruturalismo é o conjunto dos estudos que compartilham uma concepção imanentista da linguagem e tem sua origem nos estudos de Saussure, que tinha uma visão anatomista da linguagem.

• O Gerativismo em diacronia: o estruturalismo de roupa nova, é a forma de fazer lingüística desenvolvida por Chomsky.

Breve guia para estudos em Lingüística Histórica:

1. Conhecer a história da língua que se pretende estudar (o material para isso está geralmente em gramáticas históricas); 2. Conhecer os fundamentos teóricos do ramo de seu interesse, o que permite reinterpretação teórica dos fenômenos.

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