Poemas de William Blake

Poemas de William Blake

(Parte 1 de 5)

William Blake

Canções da Inocência e da Experiência

Tradução de Renato Suttana

O Arquivo de Renato Suttana http://www.arquivors.com/wblake1.pdf

Nota do tradutor:

Esta tradução está em fase de aprimoramento. O tradutor aceita comentários e sugestões que visem a melhorá-la.

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CANÇÕES DA INOCÊNCIA5
INTRODUÇÃO6
O ECOANTE VERDOR7
O CORDEIRO8
O PASTOR9
INFANTE ALEGRIA10
O MENININHO NEGRO1
CANÇÃO SORRIDENTE12
PRIMAVERA13
UMA CANÇÃO PARA BERÇO14
CANÇÃO DA AMA15
QUINTA-FEIRA SANTA16
O AMOR-PERFEITO17
O LIMPADOR DE CHAMINÉS18
A IMAGEM DIVINA19
NOITE20
UM SONHO2
SOBRE A MÁGOA ALHEIA23
O MENININHO ENCONTRADO25
CANÇÕES DA EXPERIÊNCIA26
INTRODUÇÃO27
A RESPOSTA DA TERRA28
CANÇÃO DA AMA29
O MOSQUITO30
O TIGRE31
A MENININHA PERDIDA32
A MENININHA ENCONTRADA34
O TORRÃO E O SEIXO36
O PEQUENO VAGABUNDO37
QUINTA-FEIRA SANTA38
UMA ÁRVORE DE VENENO39
O ANJO40
A ROSA DOENTE41
MINHA BELA ROSEIRA42
AH, GIRASSOL43
A VOZ DO BARDO ANTIGO4
PARA TIRZAH45
O LÍRIO46
O JARDIM DO AMOR47
UM MENININHO PERDIDO48
MÁGOA INFANTIL49
O ESCOLAR50

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UMA MENININHA PERDIDA52
O LIMPADOR DE CHAMINÉS53
O ABSTRATO HUMANO54
APÊNDICE5

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5 CANÇÕES DA INOCÊNCIA

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência http://www.arquivors.com/wblake1.pdf

A tocar minha flautinha pelo vale viridente, vi nas nuvens uma criança que me disse, sorridente:

“Toque a canção de um Cordeiro!” E eu toquei com alegria. “Flautista, toque outra vez”, e chorava, enquanto ouvia.

“Deixe a flauta, a alegre flauta; cante canções de alegria”. Toquei o mesmo outra vez e o vi chorar quando ouvia.

“Flautista, sente-se e escreva num livro, que o mundo leia.” E então desapareceu, e um caniço eu apanhei, e fiz dele a minha pena, e turvei as águas mansas, e escrevi canções felizes para alegrar as crianças.

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O sol que no céu desponte dá alegria ao horizonte; o sino canta a canção da florescente estação; canta o tordo e a cotovia, e a ave da mata bravia, ao retumbante clamor dos sinos, por sobre os campos; enquanto, jovens, brincamos pelo Ecoante Verdor.

O velho João, já grisalho, esquece faina e trabalho; senta-se entre a velha gente à sombra, no dia quente. Ao verem nosso folgar se põem a comentar: “O mesmo alegre fervor, e equivalente alegria em nossa infância se via pelo Ecoante Verdor.”

Até que, exaustos os novos, não podendo mais com os jogos, no ocidente o sol declina, e nosso folgar termina. Em torno ao colo das mães, diversos irmãos e irmãs, como as aves ao calor dos ninhos, vão repousar; e não se vê mais folgar no anoitecido Verdor.

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Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez?

Deu-te vida e alimentou-te sobre o prado e junto à fonte; cobriu-te com veste pura, veste branca que fulgura; deu-te a voz meiga e tão fina para alegrar a campina!

Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez?

Cordeiro, eu te direi, Cordeiro, eu te direi!

Por teu nome ele é chamado, pois assim se tem nomeado: Ele é meigo e pequenino, e um dia se fez menino: Cordeiro tu, menino eu - nos une um nome que é Seu.

Cordeiro, Deus te guarde. Cordeiro, Deus te guarde.

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Que doce a doce lida do Pastor! Da madrugada à noite, ele acompanha seus carneiros ao longo da campanha, e sua voz é plena de louvor.

Eis que ele ouve o balido do cordeiro e o replicar da ovelha; e atentamente vigia, enquanto pastam calmamente, pois sabem que está perto o Pegureiro.

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“Não tenho nome: só de dois dias sou.” Como te chamarei? Sou só feliz, Alegria é meu nome. Que sejas bem feliz!

Meiga Alegria! Doce, e só de dois dias. Doce Alegria chamo-te. Enquanto ris, canto um pouquinho; que sejas bem feliz!

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Minha mãe me gerou lá numa austral devesa, e sou negro, mas – oh! – sei que minha alma é clara; clarinha como um anjo é uma criança inglesa, mas negro sou, como se a luz não me tocara.

À sombra de um baobá minha mãe me educou e, sentada comigo ante o calor do dia, tomou-me certa vez ao colo e me beijou e, indicando o nascente, eis o que me dizia:

“Olha o nascer do sol – lá Deus tem sua casa, de lá nos manda a luz e envia Seu calor, que a árvore, a flor, a fera, o homem, tudo abrasa, confortando a manhã e alegrando o sol-pôr.

“Nosso tempo na terra é só uma curta estada, para aprender a suportar o amor radioso; e este corpo tão negro, e esta face queimada é uma nuvem somente ou um bosque penumbroso.

“Quando tiver nossa alma esse ensino aprendido, a nuvem se esvairá, e uma voz há de soar, dizendo: ‘O bosque abandonai, gado querido, e vinde em torno à Minha tenda festejar.’”

Minha mãe disse assim, beijando-me na face, e ao menininho inglês assim também falei. Que, quando a nuvem negra e a nuvem branca passe, e em torno à tenda se ajuntar a Sua grei, vou guardá-lo do sol, que ele há de suportar quando feliz ao pé de nosso Pai se ajoelhe; quero, ao seu lado, as áureas mechas lhe afagar, e ele então me amará, e eu serei como ele.

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Quando se ouve da mata o gargalhar feliz, e a doce correnteza é uma risada fluida; e o ar se ri também com o nosso bom humor, e o verde outeiro ri ecoando tal rumor; quando a campina ri, verdejante e contente, e o gafanhoto ri ao ver a alegre cena, e ri Maria, e ri Susana, e Emília ri, com boca bem redonda a cantar: “Ah! ah! ih!”; quando riem na sombra as aves coloridas, e nossa mesa está recoberta de frutos, vinde alegrar-vos, e viver; sentai aqui, cantai comigo o doce coro do “Ah! ah! ih!”

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Toque a flauta, que faz falta; cotovia noite e dia; rouxinol no arrebol; ave a voar, e a cantar, para saudar alegre, alegremente o ano.

Menininho alegrinho; menininha tão meiguinha; canta o galo, imitá-lo; linda voz tendes vós para saudar alegre, alegremente o ano.

Vem, Cordeiro, bem ligeiro; lambe então minha mão; branco pêlo, quero vê-lo; dou um beijo no teu queixo: para saudar alegre, alegremente o ano.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência http://www.arquivors.com/wblake1.pdf

Vinde, vinde, doces sonhos, o meu pequeno embalar; doces sonhos de risonhos, silentes raios de luar.

De cílios vem lhe tecer uma coroa, Anjo meigo, doce, doce adormecer, para o seu sono e sossego.

Guardai-o, sorrisos ternos, que ele é meu gozo sem par; doces sorrisos maternos, a noite inteira a velar.

Doces queixas de pombinhos não o venhais perturbar; doces queixas, sorrisinhos, fazei as queixas cessar.

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