fundamentos de enfermagem

fundamentos de enfermagem

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P nfermagem rofissionalização de uxiliares deAAAAAEEEEE Cadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do Aluno

Ministério da Saúde

Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde

Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem

Série F. Comunicação e Educação em Saúde 2a Edição Revista

Brasília - DF 2003

P nfermagem rofissionalização de uxiliares deAAAAAEEEEE Cadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do Aluno

© 2001. Ministério da Saúde. É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte Série F. Comunicação e Educação em Saúde Tiragem: 2.ª edição revista - 1.a reimpressão - 2003 - 100.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem Esplanada dos Ministérios, bloco G, edifício sede, 7.º andar, sala 733 CEP: 70058-900, Brasília - DF Tel.: (61) 315 2993

Fundação Oswaldo Cruz Presidente: Paulo Marchiori Buss Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública: Jorge Antonio Zepeda Bermudez Diretor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio: André Paulo da Silva Malhão

Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem Coordenação - PROFAE: Leila Bernarda Donato Göttems, Solange Baraldi Coordenação - FIOCRUZ: Antonio Ivo de Carvalho

Colaboradores: Júlia Ikeda Fortes, Maria Antonieta Benko, Maria Regina Araújo Reichert Pimentel, Marta de Fátima Lima Barbosa, Sandra Ferreira Gesto Bittar, Solange Baraldi

Capa e projeto gráfico: Carlota Rios, Adriana Costa e Silva Editoração eletrônica: Carlota Rios, Ramon Carlos de Moraes Ilustrações: Marcelo Tibúrcio e Maurício Veneza Revisores de português e copidesque: Napoleão Marcos de Aquino, Marcia Stella Pinheiro Wirth Apoio: Abrasco

Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem.

Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: fundamentos de enfermagem / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação na Saúde, Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. - 2. ed. rev., 1.a reimpr. - Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

128 p.: il. - (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) ISBN 85-334-0539-1

1. Educação Profissionalizante. 2. Auxiliares de Enfermagem. I. Brasil. Ministério da Saúde. I. Brasil. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. I. Título. IV. Série. NLM WY 18.8

Catalogação na fonte - Editora MS

1Apresentação pág. 7 2Fundamentos da Enfermagem pág. 9

Parasitologia e Microbiologia

Psicologia Aplicada

Ética Profissional

Estudos

Regionais Nutrição e Dietética

Higiene e Profilaxia

Fundamentos de Enfermagem

Saúde Coletiva

Saúde do Adulto -

Assistência Clínica

Saúde do Adulto -

Atendimento de Emergência

Saúde do Adulto -Assistência

Cirúrgica

Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente

Disciplinas Instrumen tai s Disciplinas Profissionalizantes

Anatomia e Fisiologia

Saúde Mental processo de construção de Sistema Único de Saúde (SUS)

colocou a área de gestão de pessoal da saúde na ordem das prioridades para a configuração do sistema de saúde brasileiro.

A formação e o desenvolvimento dos profissionais de saúde, a regulamentação do exercício profissional e a regulação e acompanhamento do mercado de trabalho nessa área passaram a exigir ações estratégicas e deliberadas dos órgãos de gestão do Sistema.

A descentralização da gestão do SUS, o fortalecimento do controle social em saúde e a organização de práticas de saúde orientadas pela integralidade da atenção são tarefas que nos impõem esforço e dedicação. Lutamos por conquistar em nosso país o Sistema Único de Saúde, agora lutamos por implantálo efetivamente.

Após a Constituição Federal de 1988, a União, os estados e os municípios passaram a ser parceiros de condução do SUS, sem relação hierárquica. De meros executores dos programas centrais, cada esfera de governo passou a ter papel próprio de formulação da política de saúde em seu âmbito, o que requer desprendimento das velhas formas que seguem arraigadas em nossos modos de pensar e conduzir e coordenação dos processos de gestão e de formação.

Necessitamos de desenhos organizacionais de atenção à saúde capazes de privilegiar, no cotidiano, as ações de promoção e prevenção, sem prejuízo do cuidado e tratamento requeridos em cada caso. Precisamos de profissionais que sejam capazes de dar conta dessa tarefa e de participar ativamente da construção do SUS. Por isso, a importância de um "novo perfil" dos trabalhadores passa pela oferta de adequados processos de profissionalização e de educação permanente, bem como pelo aperfeiçoamento docente e renovação das políticas pedagógicas adotadas no ensino de profissionais de saúde.

Visando superar o enfoque tradicional da educação profissional, baseado apenas na preparação do trabalhador para execução de um determinado conjunto de tarefas, e buscando conferir ao trabalhador das profissões técnicas da saúde o merecido lugar de destaque na qualidade da formação e desenvolvimento continuado, tornou-se necessário qualificar a formação pedagógica dos docentes para esse âmbito do ensino. O contato, o debate e a reflexão sobre as relações entre educação e trabalho e entre ensino, serviço e gestão do SUS, de onde emanam efetivamente as necessidades educacionais, são necessários e devem ser estruturantes dos processos pedagógicos a adotar.

Não por outro motivo, o Ministério da Saúde, já no primeiro ano da atual gestão, criou uma Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, que passa a abrigar o Projeto de profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (PROFAE) em seu Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Dessa forma, o conjunto da Educação Profissional na Área da Saúde ganha, na estrutura de gestão ministerial, nome, lugar e tempo de reflexão, formulação e intervenção. As reformulações e os desafios a serem enfrentados pela Secretaria repercutirão em breve nas políticas setoriais federais e, para isso, contamos com a ajuda, colaboração, sugestões e críticas de todos aqueles comprometidos com uma educação e um trabalho de farta qualidade e elevada dignidade no setor da saúde.

O Profae exemplifica a formação e se insere nesta nova proposta de educação permanente. É imprescindível que as orientações conceituais relativas aos programas e projetos de formação e qualificação profissional na área da saúde tenham suas diretrizes revistas em cada realidade. Essa orientação vale mesmo para os projetos que estão em execução, como é o caso do Profae. O importante é que todos estejam comprometidos com uma educação e um trabalho de qualidade. Esta compreensão e direção ganham máxima relevância nos cursos integrantes do Profae, sejam eles de nível técnico ou superior, pois estão orientadas ao atendimento das necessidades de formação do segmento de trabalhadores que representa o maior quantitativo de pessoal de saúde e que, historicamente, ficava à mercê dos "treinamentos em serviço", sem acesso à educação profissional de qualidade para o trabalho no SUS. O Profae vem operando a transformação desta realidade. Precisamos estreitar as relações entre os serviços e a sociedade, os trabalhadores e os usuários, as políticas públicas e a cidadania e entre formação e empregabilidade.

Sabe-se que o investimento nos recursos humanos no campo da saúde terá influência decisiva na melhoria dos serviços de saúde prestados à população. Por isso, a preparação dos profissionais-alunos é fundamental e requer material didático criterioso e de qualidade, ao lado de outras ações e atitudes que causem impacto na formação profissional desses trabalhadores. Os livros didáticos para o Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem, já em sua 3ª edição, constituem-se, sem dúvida, em forte contribuição no conjunto das ações que visam a integração entre educação, serviço, gestão do SUS e controle social no setor de saúde.

Humberto Costa Ministro de Estado da Saúde

F undamentos de Enfermagem

1 Apresentaçªo

2A contextualizaçªo da Enfermagem no processo do trabalho em saœde e a prevençªo da infecçªo

2.1Caracterizando a Enfermagem

2.2O hospital, a assistŒncia de enfermagem e a prevençªo da infecçªo

2.2.1 Atendendo o paciente no hospital

2.2.2 Sistema de informaçªo em saœde

2.2.3 Sistema de informaçªo em Enfermagem

3Fundamentando a assistŒncia de Enfermagem na prevençªo e controle da infecçªo

3.1Fonte de infecçªo relacionada a artigos hospitalares

3.1.1 Classificaçªo de artigos hospitalares

3.1.2 Processamento de artigos hospitalares

3.2 Fonte de infecçªo relacionada ao ambiente

3.2.1 Classificaçªo das Æreas hospitalares

3.2.2 MØtodos e freqüŒncia da limpeza, desinfecçªo e descontaminaçªo

3.2.3 Principais desinfetantes hospitalares para superfícies

3.2.4 Unidade do paciente

3.2.5 Limpeza e preparo da unidade do paciente

3.3Fonte de infecçªo relacionada à equipe de saœde

3.3.1 Lavando as mªos

3.3.2 Luvas esterilizadas e de procedimento

3.4Fonte de infecçªo relacionada ao paciente

3.4.1 Higienizando a boca 3.4.2 Realizando o banho

3.4.3 Lavando os cabelos e o couro cabeludo

3.4.4 Cuidados com a alimentaçªo e hidrataçªo

3.4.5 Nutriçªo enteral

3.4.6 Medindo a altura e o peso no adulto

4Atuaçªo da equipe de Enfermagem na prevençªo e controle das principais infecçıes hospitalares

4.1Na infecçªo do trato urinÆrio hospitalar

4.1.1 Instalando o cateter vesical 4.1.2 Coletando urina por jato mØdio

4.2Na infecçªo do trato respiratório (pneumonia hospitalar)

4.2.1 Controlando a freqüŒncia respiratória

4.2.2 Realizando a oxigenoterapia 4.3Na infecçªo de sítio cirœrgico 4.3.1 Tipos de curativos 4.3.2 Realizando o curativo

4.4Nas infecçıes relacionadas ao uso de cateteres intravasculares

4.5Precauçıes-padrªo e isolamento 4.5.1 Precauçıes-padrªo 4.5.2 Precauçıes de contato 4.5.3 Precauçıes respiratórias 4.5.4 Precauçıes empíricas

5Fundamentando a assistŒncia de Enfermagem frente à identificaçªo e tratamento das infecçıes

5.1Implementando medidas para a identificaçªo de infecçıes

5.1.1 Controlando a temperatura corporal

5.1.2 Controlando o pulso 5.1.3 Controlando a pressªo arterial

5.2.1 Antibióticos 5.2.2 Medicamentos antivirais

5.2.3 AnalgØsicos, antipirØticos e antiinflamatórios

5.3.1 Administrando medicamentos por via oral e sublingual

5.3.2 Administrando medicamentos por via retal

5.3.3 Administrando medicamentos tópicos por via cutânea, ocular, nasal, otológica e vaginal

5.3.4 Administrando medicamentos por via parenteral

5.3.5 Transfusªo de sangue e seus componentes

5.4.1 CÆlculo de medicaçªo utilizando a regra de trŒs simples

5.4.2 Calculo de medicaçªo utilizando a porcentagem

5.4.3 CÆlculo de gotejamento de infusªo venosa

5.6AssistŒncia ao paciente grave e ao morto

6ReferŒncias bibliogrÆficas 7Anexos

P EAROF Identificando a açªo educativa

Fundamentos de Enfermagem

1- APRESENTA˙ˆO

1- APRESE1. APRESENT A˙ˆO

s princípios, conceitos e tØcnicas enfocados no presente módulo sªo essenciais ao bom desenvolvimento das demais disciplinas profissionalizantes, representando uma introduçªo à prÆtica da Enfermagem e um de seus alicerces.

Seu conteœdo Ø majoritariamente composto por conhecimentos tØcnico-científicos que exigem prÆtica em laboratório e no campo de estÆgio, ressaltando a importância da habilidade do saber-fazer em Enfermagem - açªo que sempre e concomitantemente conjuga-se com a competŒncia humana necessÆria para lidar com o ser humano, expressa atravØs da comunicaçªo, da Øtica e do respeito aos seus direitos e valores.

A abordagem proposta neste trabalho, que articula os princípios da infecçªo hospitalar aos procedimentos bÆsicos de enfermagem, foi inspirada no programa desenvolvido pela Escola de Formaçªo TØcnica em Saœde Enfermeira Izabel dos Santos, sita no Rio de Janeiro. Considerando-se que grande parte dos atos realizados em pacientes envolve risco potencial de infecçªo, Ø imprescindível que o auxiliar de enfermagem, jÆ no início de sua formaçªo, vÆ gradativamente incorporando os princípios de prevençªo de infecçªo às tØcnicas de enfermagem.

Fundamentos de Enfermagem

O capítulo inicial propicia uma visªo panorâmica da Enfermagem e da organizaçªo do sistema de saœde, convergindo, a seguir, para a caracterizaçªo do hospital. Nos capítulos posteriores, sªo abordados os princípios das tØcnicas de enfermagem, ordenadas de modo a facilitar as associaçıes com a prevençªo e o controle da infecçªo hospitalar.

Ressaltamos que os procedimentos descritos sªo orientaçıes gerais que devem ser ajustadas de acordo com as necessidades dos pacientes e do âmbito no qual Ø exercido o cuidado de enfermagem.

Embora haja uma inter-relaçªo entre os capítulos sua forma de organizaçªo oferece certa flexibilidade para se trabalhar os conteœdos, sem necessariamente exigir que se siga, de modo rígido, a seqüŒncia aqui estabelecida.

2- A CONTEXTUALIZA˙ˆO DA ENFERMAGEM NO PROCESSO DE TRABALHO EM SAÚDE E A PREVEN˙ˆO DA INFEC˙ˆO

2.1 Caracterizando a Enfermagem

A Enfermagem - reconhecida por seu respectivo conselho profissional - Ø uma profissªo que possui um corpo de conhecimentos próprios, voltados para o atendimento do ser humano nas Æreas de promoçªo, prevençªo, recuperaçªo e reabilitaçªo da saœde, composta pelo enfermeiro, tØcnico e auxiliar de enfermagem.

De acordo com os dados cadastrais do Conselho Federal de

Enfermagem (COFEN1), obtidos em outubro/2001, hÆ no Brasil 92.961 enfermeiros, 1.983 tØcnicos e 469.259 auxiliares de enfermagem.

A Enfermagem realiza seu trabalho em um contexto mais amplo e coletivo de saœde, em parceria com outras categorias profissionais representadas por Æreas como Medicina, Serviço Social, Fisioterapia, Odontologia, FarmÆcia, Nutriçªo, etc. O atendimento integral à saœde pressupıe uma açªo conjunta dessas diferentes categorias, pois, apesar do saber específico de cada uma, existe uma relaçªo de interdependŒncia e complementaridade.

Nos œltimos anos, a crença na qualidade de vida tem influenciado, por um lado, o comportamento das pessoas, levando a um maior envolvimento e responsabilidade em suas decisıes ou escolhas; e por outro, gerado reflexıes em esferas organizadas da socie- dade - como no setor saœde, cuja tônica da promoçªo da saœde tem 1 http://www.cofen.com.br 25/12/2000.

direcionado mudanças no modelo assistencial vigente no país. No campo do trabalho, essas repercussıes evidenciam-se atravØs das constantes buscas de iniciativas pœblicas e privadas no sentido de melhor atender às expectativas da populaçªo, criando ou transformando os serviços existentes.

No tocante à enfermagem, novas frentes de atuaçªo sªo criadas à medida que essas transformaçıes vªo ocorrendo, como sua inserçªo no Programa Saœde da Família (PSF), do MinistØrio da Saœde; em programas e serviços de atendimento domiciliar, em processo de expansªo cada vez maior em nosso meio; e em programas de atençªo a idosos e outros grupos específicos.

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