CA utero e mama

CA utero e mama

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© 2006 Ministério da Saúde.

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Série Cadernos de Atenção Básica n.º 13 Série A. Normas e Manuais Técnicos

Tiragem:1.ª edição – 2006 – 10.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 6º andar, Sala 645 CEP: 70058-900, Brasília – DF Tels.: (61) 3315-2582 / 3315-2497 Homepage: w.saude.gov.br/dab

Supervisão geral:Luis Fernando Rolim Sampaio

Coordenação geral: Antonio Dercy Silveira Filho – Departamento de Atenção Básica/SAS/MS Gulnar Azevedo e Silva Mendonça – Coordenação de Prevenção e Vigilância/Conprev/INCA/MS Maria José de Oliveira Araújo – Área Técnica de Saúde da Mulher/Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas Valdir Monteiro Pinto – Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Programa Nacional de DST/Aids

Elaboração: Celina Márcia Passos de Cerqueira e Silva – DAB/SAS/MS Edenice Reis da Silveira – DAB/SAS/MS Fátima Meirelles Pereira Gomes – Conprev/Divisão de Atenção Oncológica /INCA/ MS Giani Silvana Schwengber Cezimbra – DAPE/SAS/MS

Maria Fátima de Abreu – Conprev/Divisão de Atenção Oncológica/INCA/MS

Colaboração: Aline Azevedo da Silva – DAB/SAS/MS Ana Sudária Lemos Serra – Área Técnica Saúde do Adolescente/DAPE/SAS/MS Andréia Soares Nunes – DAB/SAS/MS Claudia Gomes – Conprev/INCA Cláudia Naylor Lisboa – Hospital do Câncer IV/INCA/MS Claunara Schilling Mendonça – DAE/SAS Chester Martins – Conprev/INCA Denis Ribeiro – DST/Aids/SVS/MS Eduardo Campos de Oliveira – DST/Aids/SVS/MS Eliana Maria Ribeiro Dourado – CONASS Hamilton Lima Wagner – Sociedade Brasileira de Medicina de Família Comunitária - SBMFC Lêda Maria Albuquerque – Infamilia Lucilia Maria Gama Zardo – DIPAT/SITEC/INCA/MS Marcela de Paula Mateus – DAE/SAS/MS Marcia Regina Cubas – Sociedade Paranaense de Saúde da Família - Famipar Margarida Tutungi Pereira – Hospital do Câncer IV/INCA/MS Maria Lucia Lenz – Sociedade Brasileira de Medicina de Família Comunitária – SBMFC Maria Vieira de Moraes – Secretaria Municipal de Saúde de Teresina – PI Marta Helena Zortea Pinheiro Cunha – Secretaria Municipal de Saúde de Serra – ES Olga Vânia Matoso de Oliveira – Coordenação Nacional da Política de Humanização no SUS/SAS/MS Olímpio Ferreira Neto – Hospital do Câncer I/INCA/MS Patrícia Santos Martins – Secretária Estadual de Saúde do Pará Ronaldo Correa F. da Silva – Conprev/Divisão de Atenção Oncológica/INCA/MS Teresa Cristina da Silva Reis – Hospital do Câncer IV/INCA/MS

Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Controle dos cânceres do colo do útero e da mama / Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. –

Brasília : Ministério da Saúde, 2006. x p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica; n. 13) (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

ISBN 85-334-18-X

1. Neoplasias do colo uterino. 2. Neoplasias mamárias. I. Título. I. Série. WP 145

Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – 2006/0713

Títulos para indexação: Em inglês: Control ofthe Breast Cancer and the Cervical Cancer Em espanhol: Control del Cáncer Cervical y del Cáncer de Seno

Introdução3
2. Humanização e acolhimento à mulher na Atenção Básica7

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1

controle dos cânceres do colo do útero e da mama13
4. Epidemiologia do Câncer17

3. Políticas públicas de relevância para a saúde da mulher relacionadas ao

cânceres do colo do útero e da mama19

5. Atribuição dos profissionais da Atenção Básica no controle dos

e sua relação com o câncer do colo do útero23
6.1. Abordagem Integral às Mulheres com DST25
6.2. Queixas Ginecológicas Relacionadas ao Trato Genital Inferior26
6.2.1. Abordagem Sindrômica das Queixas Ginecológicas27
6.2.1.1. Úlceras Genitais – Abordagem Sindrômica29
6.2.1.2. Corrimento Vaginal/Vulvovaginite/Endocervicite – Abordagem Sindrômica31
6.2.1.3. Dor Pélvica – Abordagem Sindrômica42
7. Infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV)45
7.1. Associação de subtipos HPV e doenças neoplásicas e seus precursores46
7.2. Infecção Clínica pelo HPV – com Lesão Macroscópica46
7.3. Opções Terapêuticas – Disponíveis em Unidade Básica de Saúde48
7.3.1. Outras Opções Terapêuticas48
7.4. Seguimento49
7.5. Conduta para os Pareiros/as Sexuais50
8. Controle do Câncer do Colo do Útero53
8.1. Anatomia e Fisiologia do Útero53
8.2. História Natural da Doença54

6. Doenças Sexualmente Transmissíveis e outras queixas ginecológicas Sumário

Cadernos de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama

8.3. Fatores associados ao câncer do colo do útero5
8.4. Manifestações Clínicas / Sinais e Sintomas5
8.5. Linha de Cuidado56
8.5.1. Promoção56
8.5.2. Detecção Precoce/Rastreamento58
Preventivo do Colo do Útero58
8.5.2.2. Coleta do Material para o Exame Preventivo do Colo do Útero62
8.5.2.2.1. Recomendações prévias a mulher para a realização da coleta62
8.5.2.2.2. Fases que antecedem a coleta63
8.5.2.2.3. Antes de iniciar a coleta65
8.5.2.2.4. Procedimento de coleta propriamente dito6
8.5.2.2.5. Envio do Material ao Laboratório70
8.5.3. Diagnóstico/Tratamento/Seguimento71
8.5.3.1. Nomenclatura Brasileira para Ludos Citopatológicos Cervicais71
8.5.3.2. Condutas Preconizadas de acordo com o laudo citopatológico76
o Câncer do Colo do Útero85
8.5.3.4. Sistema de Informação do Câncer do Colo do Útero - SISCOLO87
8.6. Monitoramento da qualidade8
9. Controle do Câncer de Mama91
9.1. Glândula Mamária91
9.2. Câncer da Mama91
9.2.1. História Natural92
9.2.2. Fatores de Risco92
9.2.3. Sintomas93
9.2.4. Prevenção Primária93
9.2.5. Detecção Precoce93
9.2.5.1. Exame Clínico das Mamas94
9.2.5.2. Mamografia97
9.2.6. Níveis de Atendimento100
9.2.6.1. Unidade Básica de Saúde100
9.2.6.2. Unidade de Referência de Média Complexidade100
9.2.6.3. Unidade de Alta Complexidade – UNACOM ou CACON101
9.2.7. Considerações sobre:101
9.2.7.1. Auto-Exame das Mamas (AEM)101

8.5.2.1. Faixa Etária e Periodicidade para Realização do Exame 8.5.3.3. Seguimento de mulheres submetidas ao rastreamento para 9.2.7.2. Linfedema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .102

Cadernos de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama

10. Atenção Domiciliar107
10.1. Assistência Domiciliar107
10.2. Internação Domiciliar108
10.3. Organização da Assistência Domiciliar108
10.3.1. Identificação da Necessidade de Assistência Domiciliar108
10.3.2. Critérios de Inclusão para Assistência Domiciliar109
10.3.3. Critérios de Desligamento na Assistência Domiciliar110
10.3.4. Processo de Trabalho em Equipe1
10.3.5. Pactuação da Assistência Domiciliar com a Família1
10.3.6. Autorização da Família Participação do usuário e existência do cuidador1
10.3.7. Cuidador112
10.4. Atenção Domiciliar em Cuidados Oncológicos Paliativos112
10.4.1. Conceito de Cuidados Paliativos114

10.5. Integração das Ações de Cuidados Paliativos com a Rede do Sistema Único de Saúde . . .115

A importância epidemiológica do câncer no Brasil e sua magnitude social, as condições de acesso da população brasileira à atenção oncológica, os custos cada vez mais elevados na alta complexidade refletem a necessidade de estruturar uma rede de serviços regionalizada e hierarquizada que garanta atenção integral à população.

Os elevados índices de incidência e mortalidadepor câncer do colo do útero e da mama no Brasil justificam a implantação de estratégias efetivas de controle dessas doenças que incluam ações de promoção à saúde, prevenção e detecção precoce, tratamento e de cuidados paliativos, quando esses se fizerem necessários. Portanto, é de fundamental importância a elaboração e implementação de Políticas Públicas na Atenção Básica, enfatizando a atenção integral à saúde da mulher que garantam ações relacionadas ao controle do câncer do colo do útero e da mama como o acesso à rede de serviços quantitativa e qualitativamente, capazes de suprir essas necessidades em todas as regiões do país.

Dentro dessa perspectiva, o Ministério da Saúde apresenta o Caderno de Atenção Básica –

Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama, tomando como referência o Pacto pela Saúde 2006, a Política Nacional de Atenção Básica; a Política Nacional de Atenção Oncológica, destacando o Plano de Ação para o Controle dos Cânceres de Mama e do Colo do Útero 2005-2007; a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher; a Política Nacional de DST/Aids; e a Política Nacional de Humanização no SUS.

Este Caderno de Atenção Básica foi elaborado com a finalidade de orientar a atenção às mulheres subsidiando tecnicamente os profissionais da rede de Atenção Básica em Saúde, disponibilizandolhes conhecimentos atualizados de maneiraacessível, que possibilitem tomar condutas adequadas em relação ao controle do câncer do colo do útero e mama.

José Gomes Temporão Secretário de Atenção à Saúde

Apresentação

Cadernos de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama

Atenção Básica caracteriza-se por desenvolver um conjunto de ações que abrangem a promoção, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, sob a forma de trabalho multiprofissional e interdisciplinar, dirigidas a populações de territórios bem delimitados (território – geográfico), considerando a dinamicidade existente nesse território-processo, pelas quais assume a responsabilidade sanitária. Deve resolver os problemas de saúde de maior freqüência e relevância dessas populações a partir da utilização de tecnologias de elevada complexidade (conhecimento) e baixa densidade (equipamentos).

Pela sua organização, a Atenção Básica se constitui como o primeiro contato do usuário com o

Sistema Único de Saúde (SUS). Orienta-se pelos princípios da universalidade, acessibilidade (ao sistema), continuidade, integralidade, responsabilização, humanização, vínculo, eqüidade e participação social.

A Atenção Básica/Saúde da Família é a forma de organizar o primeiro nível de atenção à saúde no

SUS estimulada pelo Ministério da Saúde. Insere-se no movimento mundial de valorização da atenção primária à saúde e na construção dos sistemas públicos de saúde. Pauta-se nos princípios do SUS, da atenção primária à saúde e da saúde da família que são internacionalmente reconhecidos.

A Atenção Básica/Saúde da Família é organizada por meio do trabalho interdisciplinar em equipe, mediante a responsabilização de Equipes de Saúde da Família (ESF) num dado território – área de abrangência de uma população adstrita. Trabalha com foco nas famílias, por intermédio de vínculos estabelecidos, desenvolvendo ações de promoção, prevenção, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde.

Dentre alguns desafios para se alcançar integralidade na assistência à saúde da mulher na Atenção

Básica, estão as ações de controle dos cânceres do colo do útero e da mama. O câncer está entre as principais causas de morte na população feminina e, a mudança de hábitos, aliada ao estresse gerado pelo estilo de vida do mundo moderno, contribuiem diretamente na incidência dessa doença. Alguns fatores como o tipo de alimentação, o sedentarismo, o tabagismo, a sobrecarga de responsabilidades –

1. INTRODUÇÃO

Cadernos de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama aumento considerável do número de mulheres chefes de família –, a competitividade, o assédio moral e sexual no mundo do trabalho, têm relevância destacada na mudança do perfil epidemiológico da situação e doença das mulheres.

A Organização Mundial da Saúde estima que ocorram mais de 1.050.0 casos novos de câncer de mama em todo o mundo a cada ano, o que o torna o câncer mais comum entre as mulheres.

O câncer do colo do útero é o segundo mais comum entre mulheres no mundo. Anualmente são registrados cerca de 471 mil casos novos. Quase 80% deles ocorrem em países em desenvolvimento onde, em algumas regiões, é o câncer mais comum entre as mulheres. No Brasil, para o ano de 2006, são estimados 48.930 casos novos de câncer de mama feminino e 19.260 casos novos de câncer do colo do útero.

Frente às limitações práticas para a implementação junto à população de estratégias efetivas para a prevenção do câncer do colo do útero e detecção precoce do câncer da mama, as intervenções passam a ser direcionadas à sua detecção precoce, com a garantia de recursos diagnósticos adequados e tratamento oportuno.

Considerando a alta incidência e mortalidade relacionadas à essas doenças é responsabilidade dos/as gestores/as e dos/as profissionais de saúde realizarem ações que visem o controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Nesse intuito, o Caderno de Atenção Básica- Controle dos Cânceres do Colo do Útero eda Mama – elaborado pelo Ministério da Saúde, é um dos instrumentos para auxiliar nessa qualificação.

Este Caderno busca contextualizar a Política Nacional de Humanização no SUS e as implicações e cuidados do atendimento à mulher na Atenção Básica, trazendo ainda a discussão do manejo do profissional frente a uma situação de diagnóstico positivo para câncer. Discorre sobre a história das políticas públicas de relevância para a saúde da mulher, relacionadas ao controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Situa o leitor sobre a distribuição, a incidência e a mortalidade por câncer nas mulheres, trazendo conhecimentos epidemiológicos de fundamental importância para o desenvolvimento de ações no controle dos cânceres do colo do útero e da mama.

Sistematiza as atribuições dos profissionais da Atenção Básica no controle dos cânceres do colo do útero e da mama e considera a importância das Doenças Sexualmente Transmissíveis e outras queixas ginecológicase sua relação com o câncer do colo do útero. Aborda-se ainda a infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano), pois cerca de 95% dos casos de câncer do colo do útero estão associados a essa patologia.

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