Gestao de Custos PUC

Gestao de Custos PUC

(Parte 1 de 22)

Administração Gestão de Custos

Professor: Dalmy Freitas de Carvalho 1o Semestre / 2008

SUMÁRIO Introdução

1 Evolução Histórica da Contabilidade de Custos 1 2 Terminologia contábil utilizada em custos 9 3 Integração e Coordenação entrem a Contabilidade de Custos e a Contabilidade Geral 12 4 Princípios para Avaliação de Estoques (Materiais Diretos) 15 5 Classificações e Nomenclaturas de Custos 23 6 Esquema Básico da Contabilidade de Custos 39 7 Critérios de Rateio dos Custos Indiretos (Custeio por Absorção) 49 8 Sistemas de Acumulação e Apuração de Custos 53 9 Custo Fixo, Lucro e Margem de Contribuição 64 10 Contribuição Marginal e Limitações na capacidade de produção 72 1 Custeio Variável e Custeio Direto 79 12 A relação Custo / Volume / Lucro 87 13 Custos para Controle – Custo Padrão 94 14 Método Custeio Baseado em Atividades 102 15 Método de Custeio-Meta 112 16 Referências Bibliográficas 117

1 INTRODUÇÃO

Com o processo de abertura da economia e dos mercados, cresce, de forma contínua no meio empresarial, a preocupação de prover as empresas com sistemas de informações eficazes, que permitam aos gestores obterem melhor controle dos processos operacionais e maior eficiência e eficácia na tomada de decisões. No passado, quando a complexidade dos processos e a variedade de produtos eram restritas, talvez um único método de custeio fosse suficiente para suprir os gestores de informações relativas a custo dos produtos e processos. Os principais fatores de produção, os custos dos materiais e mão-de-obra, que representavam parcela considerável na composição dos custos, podiam ser facilmente identificados com cada produto. A pouca representatividade dos custos indiretos fazia com que as possíveis distorções provocadas pela sua apropriação por critérios de proporcionalidade a volumes de produção ou à mão-de-obra direta se tornassem irrelevantes. Diante de uma nova realidade, com demandas diversificadas e uma acirrada competição globalizada, as organizações se viram obrigadas a investir em novas tecnologias, com o objetivo de aperfeiçoar seus processos e flexibilizar o mix de produtos. Esse avanço tecnológico, com elevado grau de automação, fez com que novos elementos fossem incorporados aos custos, aumentando consideravelmente a participação dos custos indiretos na composição do custo dos produtos. Como conseqüência, trouxe uma grande insegurança quanto à validade dos métodos tradicionais de apuração dos custos, comprometendo a análise da verdadeira lucratividade de cada produto. Além dos fatores mencionados, a velocidade das mudanças e o ambiente incerto e competitivo tornaram os processos de planejamento bem mais difíceis para as empresas, aumentando consideravelmente os riscos de tomada de decisões equivocadas. No contexto de complexidade em que estão inseridas as organizações, fica evidenciada a necessidade de um adequado detalhamento de seus custos em todos os níveis, obtendo informações relevantes que auxiliem na avaliação de desempenho dos processos, atividades e produtos. O pleno domínio de informações relativas ao custo dos produtos assume papel fundamental como instrumento de gestão, sendo fator de vantagem competitiva e decisiva para a sobrevivência das instituições. Por meio da adequada utilização da informação contábil, os gestores são capazes de orientar as decisões sobre o melhor mix de produtos, escolher a melhor fonte de fornecimento e avaliar o desempenho dos processos operacionais internos. Sendo possível, ainda, verificar onde são necessárias melhorias em qualidade, eficiência e rapidez nas operações de produção e avaliar oportunidades e ameaças de mercado.

Dalmy Carvalho - Puc-Minas - 2008 w.dalmycarvalho.pro.br 1

1 Evolução Histórica da Contabilidade de Custos

As divergências quanto à origem da contabilidade de custos, são enormes entre os historiadores. Para Garner (1976, p. 25) “certas técnicas e práticas de custos tiveram suas origens no período de 1350 a 1600.”

No século XVI, exemplos de escrituração industrial são também encontrados nos registros das empresas de mineração Alemã. Todos esses exemplos demonstram, além de tudo, dúvidas de que formas rudimentares de custos descobertas eram comumente adotadas naquelas indústrias, tais como mineração e têxtil, as quais surgiram sob controle capitalista séculos antes da Revolução Industrial.

a origem da contabilidade de custos não nasceu durante o

Garner (op.cit. p. 385-389) em seu artigo sustenta que: crescimento do sistema fabril da Revolução Industrial, e que algumas práticas e teorias são muito mais antigas do que a revolução Industrial. Como resultado do crescimento do comércio italiano, inglês, flamengo e alemão, empresas industriais começaram a se estabelecer por vários indivíduos e sócios engajados na fabricação de tecidos de lã, livros, moedas e outras linhas. Onde quer que o capitalismo começasse a se mostrar, melhores práticas contábeis seguiam dentro de curto período de tempo. A Contabilidade de Custos, preocupada com os aspectos especializados da Contabilidade Geral, com os registros e análises dos gastos de fábrica, não era exceção para a tendência precedente.”

Os historiadores em suas buscas para identificar as origens da contabilidade de custos convergem para alguns pontos. O local era a Itália, a técnica partidas dobradas e o ambiente continha alguns ingredientes tais como: centro do comércio europeu, atividades bancárias intensas, indústrias têxteis, mineração, fundição e outras.

Ronald S. Edwards apud Garner (1975, p. 29) analisou: “A Revolução Industrial deu real ímpeto para o crescimento da contabilidade de custos, porém, o progresso em tecnologia de máquina foi muito mais rápido do que o progresso em contabilidade de custos”.

De acordo com Leone (1995, p.1) a contabilidade de custos nasceu com a Revolução Industrial. “Sua principal função era, então, registrar os custos que capacitavam o administrador a avaliar os estoques e, conseqüentemente, a determinar mais corretamente os resultados e levantar os balanços”. A partir da I Guerra Mundial, em face da intensificação da competição e ainda após a depressão, verificou-se que as informações de contabilidade de custos, se organizadas

Dalmy Carvalho - Puc-Minas - 2008 w.dalmycarvalho.pro.br 2 adequadamente, poderiam servir como controle dos próprios custos e das operações. A contabilidade de custos ganhou corpo, atingindo sua identidade específica, e começou a ser finalmente considerada instrumento da administração.

A revolução industrial foi determinante para o desenvolvimento da contabilidade de custos, demandando informações mais precisas, que permitissem uma tomada de decisão mais correta. Nesse momento foi verificada a necessidade de desenvolver metodologias que viabilizassem o controle dos custos e a formação do preço de venda.

As empresas passaram a adquirir matéria-prima para transformar em produtos acabados, resultado da agregação de diferentes materiais e o esforço da produção. Diante dessa realidade, foi constatada a necessidade de revigorar o sistema contábil, com a criação de metodologias de controle dos custos, para que fosse possível oferecer informações aos usuários externos e aos investidores.

Nas últimas décadas a concorrência e a necessidade de reduzir custos estimularam o desenvolvimento de novos conceitos, e o conhecimento e o controle dos custos passou a ser estratégico para a continuidade das empresas.

As empresas se organizam com o objetivo de produzirem bens e serviços para atenderem as demandas do mercado. Ao estruturarem o processo produtivo precisam identificar um sistema de informações que possibilite o controle de suas fases de produção. Originalmente este conjunto de informações se destinava aos usuários internos da administração, mas, com a evolução dos negócios estas informações passaram a ser transmitidas, também, aos diversos usuários externos.

Neste contexto, a Contabilidade de Custos assume o papel de extrema importância ao coletar, processar e informar de que maneira os recursos foram aplicados no sistema produtivo de bens ou serviços de uma entidade.

De acordo com Leone (1991, p. 20), a contabilidade de custos apresenta três fases:

· Coleta de dados;

• Centro processador de informações, o qual acumula, organiza, analisa e interpreta os dados coletados;

• Informações gerenciais para que os diversos níveis hierárquicos da administração sejam capazes de planejar, controlar e decidir com maior eficiência e eficácia.

Dalmy Carvalho - Puc-Minas - 2008 w.dalmycarvalho.pro.br 3

Apoio da Administração

Sistemas de custos Critérios Básicos Procedimentos Registros

Em conjunto com os usuários

Figura 1 – A Contabilidade de Custos em suas três fases. Fonte: Leone, George S.G. 1991, p.21.

A informação estratégica deve ser utilizada pela empresa para orientar a tomada de decisão de longo prazo. “Ela pode conter a lucratividade dos produtos, serviços e clientes; comportamento e desempenho dos concorrentes; preferências e tendências dos clientes; oportunidades e ameaças do mercado e inovações tecnológicas” (Atkinson et al., 2000, p. 4).

Conforme definido por Atkinsom (op. cit., p. 34):

“Os Sistemas de Contabilidade Gerencial relatam os custos de atividades, processos, produtos, serviços e clientes da empresa, que são usados para uma variedade de tomadas de decisão e de melhorias de atividades (...) A contabilidade gerencial é o processo de identificar, mensurar, reportar e analisar informações sobe os eventos econômicos da empresa. Corresponde ao processo de produzir informação operacional e financeira para funcionários e administradores. O processo deve ser direcionado pelas necessidades informacionais dos indivíduos internos da empresa e deve orientar suas decisões operacionais e de investimentos.”

Sistemas de contabilidade gerenciais efetivos podem criar valores consideráveis, fornecendo informações a tempo e precisas sobre atividades requeridas para o sucesso nas empresas atuais. As empresas prosperam e obtêm sucesso com base na

Acumulação Organização

Análise Interpretação

Seleção de dados

Planejamento Treinamento

Organização

Relatórios Gerenciais

Dalmy Carvalho - Puc-Minas - 2008 w.dalmycarvalho.pro.br 4 elaboração de produtos e serviços que os clientes valorizam, produzindo-os e distribuindo-os aos clientes por meio de processos operacionais eficientes, divulgando e vendendo os resultados da empresa aos clientes.

Segundo Iudícibus (1994, p. 28):

“A contabilidade reflete um dos aspectos dos anseios mais arraigados no homem hedonístico, isto é, põe ordem nos lugares onde reinava o caos, toma pulso do empreendimento e compara uma situação inicial com outra mais avançada no tempo. De certa forma, o”homem contador” põe ordem, classifica, agrega e inventaria o que o “homem produtor”, em seu anseio de produzir, vai, às vezes desordenadamente, amealhando, dando condições a este último para aprimorar cada vez mais a quantidade e a qualidade dos bens produzidos, por meio da obtenção de maiores informações sobre o que conseguiu até o momento”.

Ao descrever a história da sua evolução, o autor já vislumbra o que teria sido o objetivo primitivo da Contabilidade: fornecer informações capazes de auxiliar no gerenciamento e aumento da riqueza de seu usuário.

A Contabilidade tem sofrido as influências do meio no qual está inserida e está se adaptando às novas necessidades requeridas por seus usuários. Só que isso tem ocorrido de forma bem lenta, o que não condiz com a velocidade dos acontecimentos no mundo dos negócios.

Ao contrário da Contabilidade Financeira, a Contabilidade Gerencial não está atrelada a regras ou imposições legais e se adapta às necessidades de informação de seus usuários internos.

O resultado disso é que o impacto causado pelas mudanças ambientais exige mudanças tão ou mais significativas na forma como são tratadas as informações pela Contabilidade Gerencial.

pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial

Para Iudícibus (1994, p. 21), a Contabilidade Gerencial: conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira e de balanços etc., colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório, [...] num sentido mais profundo, está voltada única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que se “encaixem” de maneira válida e efetiva no modelo decisório do administrador”.

Simon (apud Macintosh, 1994, p. 40) conceituou a Contabilidade Gerencial como Dalmy Carvalho - Puc-Minas - 2008 w.dalmycarvalho.pro.br 5 um processo de “identificação, análise, preparação, interpretação e comunicação de informações usadas pelos administradores para o planejamento, avaliação e controle de uma organização”.

A visão sintética dada por Simon foi ampliada por Anthony quando da descrição das diversas funções abrangidas pela contabilidade gerencial em seu livro Management Accounting - Contabilidade Gerencial. Anthony utilizou uma forma simples e objetiva de descrever estas funções.

Na visão de Atkinson et al. (2000, p. 45): “a Informação Gerencial Contábil participa de várias funções organizacionais diferentes – controle operacional, custeio do produto e do cliente, controle administrativo e controle estratégico”. O referido autor, no quadro nº 1, faz uma síntese das funções citadas.

(Parte 1 de 22)

Comentários