determinaçao de proteinas plasmaticas por eletroforese

determinaçao de proteinas plasmaticas por eletroforese

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O significado funcional do componente C-3 do complemento (75-150 mg/dl) é bem conhecido, pois atua como um medidor em numerosas reações imunitárias; a sua diminuição é a expressão do consumo de ativação da complexa seqüência dos fatores complementares. O C-3 participa também da resposta aos processos inflamatórios agudos, com aumento de sua concentração na fase tardia desses processos.

É importante recordar que além dessas duas proteínas fundamentais pode-se observar outras proteínas, entre elas, a beta-lipoproteína, que não e evidenciada na eletroforese em acetato de celulose, devido à escassa afinidade por corantes protéicos e pela dispersão durante a migração.

Finalmente, pelo fato desta zona se encontrar vizinha à zona gama, não é raro que a mesma seja encoberta pelas bandas monoclonais.

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Zona Gama

Se confrontarmos os resultados da dosagem imunoquímica específica, dos componentes do traçado, com a dosagem densitométrica da zona eletroforeticamente correspondente, observa-se que a zona albumina e gama-globulina (gama-g) são as únicas zonas cujas dosagens densitométricas se relacionam satisfatoriamente com a dosagem imunoquímica da albumina e da imunogama-globulina (IgG), respectivamente. De fato, a zona gama-g, que compreende todas as classes imunoglobulínicas, é expressão da IgG. A heterogeneidade molecular que caracteriza a imunoglobulina não impede a migração na forma de uma banda compacta. Esta característica permite distinguir as “bandas monoclonais” as quais, ao invés de serem estruturas homogêneas, se apresentam como bandas restritas. Essas bandas se dispersam em uma zona mais ou menos ampla, que pode estender-se sobretudo pela lgA, da zona gama-g até a zona alfa-2- globulina. Essa dispersão não diminui notavelmente quando a fração é corada. Portanto, na prática, a larga banda corada que se vê caracterizando a zona gama-g exprime, sobretudo, a IgG.

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Interpretação do Traçado Eletroforético

Na maior parte das condições patológicas que envolvem as proteínas plasmáticas, as alterações abrangem não apenas uma determinada proteína mas um grupo razoavelmente amplo dos componentes protéicos, dando lugar a quadros mais característicos dos processos fisiopatológicos. Assim, as análises eletroforéticas mantêm uma posição de considerável utilidade clínica oferecendo a possibilidade de uma interpretação mais correta do quadro, especialmente quando se considera conjuntamente informações clínicas adequadas. Para fazer uma correta interpretação dos resultados obtidos no traçado eletroforético é necessário ter conhecimento dos seus valores normais (Tabela 1) bem como conhecer as variações fisiológicas que ocorrem com as proteínas séricas no recém-nascido e na primeira infância (Tabela 2). Com esses valores em mãos, pode-se observar a seguir viários processos patológicos que influenciam no traçado eletroforético do proteinograma.

Tabela 1 - Valores normais das concentrações de proteínas séricas.

% g/dl

Proteínas totais1006,0 a 7,8

Albumina50 a 63,03,2 a 5,0 Alfa-12,5 a 5,70,2 a 0,4 Alfa-25,8 a 13,0,5 a 9,0 Beta8,5 a 14,70,6 a 1,1 Gama11,8 a 20,20,7 a 1,5

Tabela 2 - Variações das proteínas plasmáticas no recém-nascido e na primeira infância.

Proteína Concentração

Pré-Albumina aumentado Albuminanormal ou diminuído Alfa-1-glicoproteína ácida muito diminuído Alfa-1-antitripsinanormal ou diminuído Alfa-2-macroglobulina muito aumentado Haptoglobina muito diminuído Transferrina diminuído Complemento C-3 diminuído Fibrinogênio normal IgG normal lgAmuito diminuído IgMmuito diminuído

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Processo inflamatório:

Agudo

Observa-se um aumento nas seguintes proteínas: alfa-1-glicoproteína ácida, alfa-1-antitripsina, alfa-1-antiquimiotripsina, haptoglobina, fibrinogênio e proteína C-reativa. Há uma diminuição da albumina e da transferrina. Assim, no traçado eletroforético pode-se perceber uma diminuição na albumina, e um aumento de alfa -1 e alfa-2.

Crônico

Neste processo observa-se um perfil parecido com do processo agudo, porém com aumento da fração gama, à medida que ocorre a cronificação do processo.

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Hepatites e Cirrose hepática:

A proteína de fase inflamatória aguda se modifica de forma anormal nos processos inflamatórios hepáticos: na hepatite do tipo B (gráfico) não se observa aumento da proteína C-reativa, porém aumenta a alfa-1-antitripsina, enquanto a alfa-1-glicoproteína ácida permanece próxima dos valores normais e a haptoglobina diminui. Este quadro não se observa na hepatite do tipo A, onde as proteínas da fase aguda aumentam uniformemente, da mesma forma como se observa nos processos inflamatórios.

Perdas Protéicas:

Nestes casos, existe uma diminuição em todas as proteínas, mas a maior alteração se dá na albumina, a qual tem sua diminuição bastante pronunciada. O mesmo traçado pode ser observado em casos de queimaduras graves.

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Síndrome Nefrótica:

A perda de grande volume de albumina pelos rins é denominada síndrome nefrótica. Essa síndrome é caracterizada por: hipoproteinemia, hipoalbuminemia, edema, lipidúria, hiperlipemia e proteinúria. Esta síndrome pode ser causada por numerosas condições, incluindo diabetes mellitus, doença vascular do colágeno, doença glomerular e doença circulatória. É caracterizada, também, por perda de albumina e outras proteínas de baixo peso molecular (por exemplo: transferrina e alfa-1-antitripsina) e um aumento associado de algumas proteínas de grande peso molecular (por exemplo macroglobulina, IgM e lipoproteínas). O padrão eletroforético exprime um quadro singular a certas condições inflamatórias associadas com o aumento da globulina-alfa-2.

Alterações das globulinas

Hipogamaglobulinemias Observa-se uma diminuição na maioria, ou de todas as imunoglobulinas.

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Gamopatias monoclonais

Pode-se observar um pico homogêneo na região beta-gama. Um importante representante deste grupo é o mieloma múltiplo.

Gamopatias policlonais

Essa forma de alteração das proteínas plasmáticas representa um estado patológico secundário, caracterizado por um largo e difuso aumento na fração gama-globulina no processo eletroforético.

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Introdução

As lipoproteínas do plasma sangüíneo são complexos macromoleculares de proteínas e lipídeos polares e triglicerídeos, como colesterol e seus ésteres. Os triglicerídeos e o colesterol não polares são encontrados no interior de uma camada de segmentos hidrofílicos, solúveis em água, das cadeias polipeptídicas e das regiões polares das moléculas de fosfolipídeos. Essa capa externa de natureza hidrofílica confere solubilidade em água a estas estruturas ricas em lipídeos. As lipoproteínas são bem adaptadas ao transporte dos lipídeos no sangue, do intestino aos depósitos de gorduras e tecidos em geral.

A classificação das lipoproteínas plasmáticas é feita de acordo com as suas densidades, o que reflete o conteúdo lipídico. Quanto maior o conteúdo de lipídeos, menor será a densidade.

a) Quilomícrons - São as maiores lipoproteínas e constituem gotículas quase puras de triglicerídeos, envolvidas por uma camada muito fina de proteína. Os quilomícrons transportam as gorduras e os esteróis do intestino delgado, onde são absorvidas durante a digestão, ate os depósitos de gorduras. A composição dos quilomícrons e algumas de suas características físicas são dadas na tabela 3. Eles são ricos em triglicerídeos e contêm geralmente menos de 2% de proteínas. As proteínas dos quilomícrons são encontradas na seguinte proporção:

-- apoproteínas A (apo A-I e apo A-I) 12%;

-- apoproteínas C (apo C-I, apo C-I e apo C-II) 6%.

Os quilomícrons sofrem a catabolização mais rápida de todas as lipoproteínas, sendo que nos seres humanos os seus triglicerídeos são removidos da circulação em menos de uma hora, em duas fases principais:

-- hidrólise em regiões tissulares periféricas pela ação da lipase lipoprotéica presente no endotélio capilar;

-- remoção, pelo fígado, das partículas restantes (vestígios de quilomícrons ricos em colesteril ésteres).

b) Lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL) - Os triglicerídeos sintetizados endogenamente entram na circulação vindos do fígado (principal órgão de síntese de VLDL) e intestino (fonte secundária). As lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL) se assemelham aos quilomícrons na riqueza em triglicerídeos e na densidade inferior a 1,006 g/mL, mas diferem dos mesmos em relação à composição protéica bem rica e de menor tamanho. Assim como os quilomícrons, a VLDL libera os seus triglicerídeos para o tecido adiposo por uma interação com a lipase lipoprotéica na superfície endotelial.

A composição das VLDL depende do tamanho das partículas. A proporção dos triglicerídeos e das apo-C é maior nas partículas grandes, enquanto nas partículas menores as proporções de fosfolipídeos e apo-B são maiores.

O destino da partícula residual formada no catabolismo da VLDL, através de seu principal componente protéico, a apoproteína B, é a lipoproteína de baixa densidade (LDL) encontrada no plasma.

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