Boas Praticas de Estocagem de Medicamentos

Boas Praticas de Estocagem de Medicamentos

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Ministério da Saúde Central de Medicamentos

Boas Práticas para Estocagem de Medicamentos

Brasília, 1990

Central de Medicamentos – CEME Diretor da Diretoria de Controle de Qualidade CARLOS ANTONIO MAIA REIS

Manual Elaborado por PEDRO PAULO TRIGO VALERY

Ministério da Saúde Central de Medicamentos Diretoria de Controle de Qualidade

SCS – Ed. Toufic – Q. 02 Bloco C – n.º 256/278 CEP: 70.300 – Brasília-DF Fone: 321-16

615.1Valery, Pedro Paulo Trigo
VI66bBoas práticas para estocagem de medicamen-

tos. – Brasília: Central de Medicamentos, 1989.

p. 2

1. Medicamentos – estocagem – Brasil I. Título.

Considerações Gerais5
Definições7
1.Qualificação e responsabilidade do pessoal8
2. Edifícios e instalações8
3. Lixo9
4.Lavatórios e instalações sanitárias9
5. Higiene Geral9
6. Alimentação9
7. Uniformes9
8. Higiene Pessoal15
9. Limpeza dos locais10
10. Equipamentos10
1. Segurança10
12. Recebimento de medicamentos10
13. Estocagem. Considerações Gerais1
14. De termolábeis1
15. De medicamentos controlados12
16. De imunobiológicos13

Considerações Gerais

Estocar e administrar um almoxarifado de medicamentos não é como estocar alimentos – apesar da importância das duas atividades para a saúde humana. O alimento estragado, na maioria das vezes, é facilmente identificável. No caso dos medicamentos a realidade é outra: se eles tem o seu estado normal alterado, tornam-se inativos ou nocivos à saúde e, o que é pior, são de difícil reconhecimento.

Somente esse exemplo já serve para ilustrar a responsabilidade que representa o manuseio de medicamentos, que pode significar a diferença entre a saúde e a doença e, em casos extremos, entre a vida e a morte. Mesmo um breve tratamento incorreto pode torná-los ineficazes, o que traduz a importância do trabalho de todas as pessoas envolvidas em sua manipulação.

Para prestar informações úteis aos profissionais que atuam nessa área de elevada importância para a sociedade, a CEME está editando as “BOAS PRÁTICAS PARA ARMAZENAGEM DE MEDICAMENTOS.”

Com a presente publicação, a CEME espera contribuir para o aperfeiçoamento da prática de armazenagem de medicamentos; sugerindo sua leitura para todos os profissionais que atuam nessa área, desde o farmacêutico até o pessoal de apoio. Esperamos, ainda, o retorno de informações que auxiliem na elaboração das futuras edições desse trabalho, no sentido de empreendermos um esforço conjunto para a redução das perdas de medicamentos, fato merecedor da nossa maior atenção, principalmente em uma área carente de recursos como é a da saúde.

Definições

Embalagem – Invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter especificamente ou não os produtos.

Estocagem – Conservação racional e segura de medicamentos.

Inspeção de qualidade – Conjunto de medidas destinadas a garantir, a qualquer momento, durante o processo de recebimento, estocagem e distribuição, as características originais do produto.

Medicamento – É toda substância ou associação de substâncias utilizadas para modificar ou explorar sistemas fisiológicos ou estado patológico, para o benefício do receptor.

Partida ou lote – Quantidade de um medicamento ou produto que se produz em um ciclo de fabricação, cuja característica essencial é a homogeneidade.

Número do lote – Designação impressa no rótulo e na embalagem de medicamentos, que permita identificar a partida, série ou lote a que pertencem, para em caso de necessidades, localizar e rever todas as operações de fabricação e inspeção praticadas durante a produção.

Quarentena – Período de tempo, durante o qual os medicamentos são retidos com proibição de seu emprego.

Rótulo – Identificação impressa ou litografada, bem como dizeres pintados ou gravados a fogo, pressão, ou decalco, aplicada diretamente sobre recipiente, vasilhames, invólucros, envoltórios ou qualquer outro protetor de embalagem.

1.1- O pessoal envolvido na estocagem de medicamentos, tanto no
1.2- A chefia do almoxarifado deve ser exercida por farmacêutico,
1.3- O farmacêutico responsável deve receber de seus superiores

1. Qualificação e responsabilidade do pessoal seu manuseio, como no seu controle, deve possuir conhecimentos e experiência para o trabalho ao qual se propõe. por ser exigida perante a legislação específica tal responsabilidade pela guarda de medicamentos. todo o apoio necessário para um trabalho eficiente, como exigem as boas normas de estocagem de medicamentos. Tal apoio traduzir-se-á na autoridade e nos meios adequados que cada um deverá ter, na esfera de suas atividades, para exercer, efetiva e responsavelmente suas tarefas, recebendo os materiais e pessoal necessário.

2.1- Qualquer edifício destinado a estocagem de medicamentos,
2.2- Assim, devem ser consideradas como necessárias, as

2. Edifícios e instalações deve ter área, construção e localização adequadas para facilitar sua manutenção, limpeza e operação, com espaço suficiente para estocagem racional dos medicamentos. Toda área alocada para estocagem deve destinar-se somente a esse propósito, além de oferecer condições de flexibilidade que permitam eventuais modificações futuras. seguintes áreas: 2.2.1 - de recepção 2.2.2 - de quarentena 2.2.3 - de expedição 2.2.4 - de estocagem 2.2.4.1 - geral 2.2.4.2 - de medicamentos termolábeis 2.2.4.3 - de medicamentos controlados 2.2.4.4 - de imunobiológicos 2.2.5 - de administração 2.2.5.1 - de recebimento 2.2.5.2 - de distribuição 2.2.5.3 - geral 2.2.6 - instalações sanitárias 2.2.6.1 - para os funcionários da área de estocagem 2.2.6.2 - para os funcionários administrativos

2.3- Os interiores dos almoxarifados devem apresentar superfícies

lisas, sem rachaduras e sem desprendimento de pó, facilitando a limpeza e não permitindo a entrada de roedores, aves, insetos ou quaisquer outros animais. 8

2.5- O espaço ao redor dos almoxarifados deve ser urbanizado, a
2.6- Para se determinar a adequação das áreas, devem ser tidas

2.4 - A iluminação, a ventilação e a umidade devem ser controladas, para evitar efeitos prejudiciais sobre os medicamentos estocados. fim de impedir a formação de pó, permitir fácil acesso e manobra dos caminhões. em conta as seguintes condições: 2.6.1 - Compatibilidade das operações de estocagem e manipulação a serem conduzidas nos diferentes locais. 2.6.2 - Espaço suficiente para o fluxo racional de pessoal e materiais, visando reduzir ao mínimo o risco de: 2.6.2.1 - mistura de diferentes medicamentos 2.6.2.2 - mistura de lotes diferentes de um mesmo medicamento.

3.1- O lixo coletado nas dependências do almoxarifado e em suas

3. Lixo proximidades, deve ser eliminado através de sistemas seguros e higiênicos.

4.1- Devem existir lavatórios e instalações sanitárias em condições

4. Lavatórios e instalações sanitárias de higiene perfeitas e separadas para uso do pessoal administrativo e para o pessoal da área de estocagem.

5.1- Todas as áreas circundantes ou adjacentes ao almoxarifado,

5. Higiene bem como seu interior, devem ser mantidos limpos, sem acúmulo ou formação de pó.

6Alimentação
6.1- As refeições devem ser preparadas e ingeridas somente nos

locais especialmente designados para tal, fora das áreas de estocagem e de escritório.

7.1- Nas áreas de trabalho, os funcionários deverão usar uniformes

7. Uniformes condizentes com o tipo de trabalho a executar.

8.1- Devem existir instalações sanitárias, bem como chuveiros em

8. Higiene pessoal número suficiente, para uso dos funcionários da área de estocagem, localizados nas proximidades dos locais de trabalho.

9. Limpeza dos locais

9.1- Os locais de trabalho e de estocagem devem ser mantidos
9.2- O lixo deverá ser depositado em recipientes especiais, com

limpos e isentos de pó e contaminação. tampa e deverão ser esvaziados e limpos, fora das áreas de estocagem.

10. Equipamentos

10.1 - Todos os equipamentos usados no manuseio de medicamentos, devem ser apropriados para o uso a que se destinam.

1. Segurança

1.1 - Medidas apropriadas devem ser tomadas para a segurança dos almoxarifados, tanto para os medicamentos quanto para o pessoal que ali trabalha. 1.2 - Medidas rigorosas devem ser praticadas para a prevenção e combate a incêndios. 1.2.1 - É indispensável a instalação adequada de equipamento contra incêndio. 1.2.2 - O pessoal deve sofrer treinamento periódico no combate a incêndio. 1.2.3 - Aconselha-se a existência de uma CIPA (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) permanente.

12. Recebimento de medicamentos

Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir os procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. 12.1 - No ato do recebimento, cada entrada deve ser examinada quanto a sua documentação e fisicamente inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. 12.2 - Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. 12.3 - Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser conservados em quarentena até decisão do Controle de Qualidade. 10

13. Estocagem. Considerações gerais

13.1 - Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam preservar suas condições de uso.

13.2 - Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para entrega sem a devida permissão, também oficial. 13.3 - Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente esclarecida. 13.4 - Os estoques devem ser inspecionados com freqüência para verificar-se qualquer degradação visível, especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. 13.5 - Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo o disposto na legislação vigente. 13.6 - A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu prazo de validade. 13.7 - A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contacto direto com o solo e nem em lugar que receba luz solar direta. 13.8 - As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. 13.9 - Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à distância mínima de 1 (um) metro das paredes. 13.10 - A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. 13.1 - Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. 13.12 - A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. 13.13 - A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas de estocagem.

14. Estocagem de medicamentos termolábeis

Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das recomendações do item 13, devem ser observadas as seguintes: 1

14.1 - O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (r 2º). 14.2 - As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e segura, com registros escritos. 14.3 - Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar condicionado para pronta reparação.

15. Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros)

Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de estocagem, especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações do item 13, mais as seguintes, devem ser observadas.

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