A vida Secreta das Plantas

A vida Secreta das Plantas

(Parte 1 de 3)

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 1 —

Os campos de força, os homens e as plantas

Como sua profissão lhes pede soluções práticas para problemas concretos, pouco importando quão difíceis pareçam à primeira vida, os engenheiros, ao contrário dos pesquisadores da ciência pura, não se preocupam muito com os porquês e comos de uma coisa dada; querem saber, antes de tudo, se ela funciona. Essa atitude os liberta da sujeição à teoria, que na história da ciência, não raro, levou os pedantes a desconsiderar as novas e brilhantes descobertas dos gênios que não se fundamentavam numa base teórica.

Desde que tomou conhecimento das idéias de Nollet sobre a eletrosmose, um refugiado húngaro, Joseph Molitorisz, que escapara de sua terra sob ocupação soviética e se formara em engenharia, começou a pensar nas eventuais aplicações dos esforços do abade francês a problemas agrícolas. Pareceu-lhe estranho que uma sequóia eleve sua seiva a mais de 90 metros de altura, quando a melhor das bombas de sucção feitas pelo homem só consegue elevar água a menos de um décimo dessa distância. Havia algo sobre as árvores e a eletricidade, evidentemente, que desafiava as leis de hidrodinâmica codificadas pela engenharia. Numa estação de pesquisas agrícolas mantida pelo governo norte-americano perto de Riverside, na Califórnia, Militorisz decidiu adaptar o que aprendera de Nollet a pomares de frutas cítricas. Seu primeiro passo foi submeter mudas à passagem de uma corrente. O crescimento das mudas era acelerado, quando a corrente passava num sentido dado, mas elas logo murchavam quando esse sentido era invertido. Evidentemente, a eletricidade auxiliava de algum modo o fluxo natural de corrente elétrica presente nas plantas, ou então, quando interrompida, a bloqueava. Em outra experiência, parcialmente inspirada pela leitura do Abade de Bertholon, Molitorisz aplicou uma corrente de 58 volts a seis galhos de uma laranjeira, deixando outros tantos intocados; descobriu então que dentro de dezoito horas a seiva circulava livremente pelos galhos "energizados", enquanto nos demais havia um fluxo bastante reduzido.

Um dos problemas da colheita de laranjas é que os frutos não maduram ao mesmo tempo de devem ser trabalhosamente pegados com a mão, durante muitos dias, para que não apodreçam nos galhos. Molitorisz sugeriu que os custos de colheita poderiam ser reduzidos se se conseguisse fazer com que uma árvore deixasse cair os frutos maduros através de uma estimulação elétrica. Ligando uma laranjeira a uma fonte de corrente contínua, levou-a a deixar cair os frutos maduros, retendo porém nos galhos as laranjas ainda verdes. Apesar disso, não obteve fundos para dar continuidade às suas experiências; mas Molitorisz, que também inventou uma "jarra elétrica" que permite que as flores se conservem muito mais tempo do que o normalmente possível, acredita que um dia ainda será fácil colher eletricamente as frutas de uma laranjal inteiro, eliminando-se assim a necessidade de apanhadores de galho em galho.

Enquanto Molitorisz trabalhava na costa do Pacífico, outro engenheiro, o Dr. Larry E. Murr, do Laboratório de Pesquisas de Materiais da Universidade Estadual da Pensilvânia, tornava-se o primeiro a estimular artificialmente em

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 2 — laboratório as condições elétricas de trovoadas rápidas e períodos longos de tempo chuvoso. Após sete anos de trabalho em seu "miniclima" feito pelo homem, foi capaz de obter aumentos significativos no crescimento das plantas, regulando cuidadosamente a intensidade do campo de voltagem sobre espécimes em vasos de Lucite (Marca comercial de uma resina sintética - N. do T.) colocados num prato de alumínio que funcionava como um dos eletrodos, sendo o outro dado por uma trama de fios de alumínio que pendia de suportes isolantes. Outras voltagens, como pôde constatar, afetavam seriamente as folhas das plantas. Murr chegou à conclusão de que "é ainda um tema aberto à discussão saber se podemos aumentar o rendimento das lavouras pela manutenção de campos elétricos artificiais sobre as áreas plantadas. O elevado custo para uma instalação de grande envergadura ao ar livre pode não ser compensador. Não obstante, a possibilidade existe".

O Dr. George Starr White, que publicou um livro intitulado Cultura cosmelétrica, descobriu que o crescimento de fruteiras podia ser ativado, pendurandose nelas fragmentos de metais como o ferro e o estanho. Sua evidência foi ratificada por Randall Groves Hay, um engenheiro industrial de Jenkintown, em Nova Jersey. Pendurando bolas metálicas de árvores de Natal em pés de tomate, Hay conseguiu fazer com que eles frutificassem mais cedo que o normal. Explicou-se assim: "A princípio, minha mulher quis me impedir e pendurar as bolas nas plantas, achando que ia ficar ridículo. Mas concordou em que eu continuasse, quando quinze tomateiros enfeitados começaram a madurar num tempo frio e inclemente, muito antes dos de outros planadores".

As experiências de James Lee Scribner, um engenheiro eletrônico de Greenville, Carolina do Sul, que trabalhou trinta anos no aperfeiçoamento de "banhos" eletrônicos para sementes, levaram a um similar da planta de joão-pé-defeijão. Scribner ligou um vaso de alumínio a uma tomada elétrica comum. Entre os eletrodos, espalhou uma mistura metálica úmida, composta por milhões de partículas de cobre e zinco, a qual, depois de seca, permitiu que a eletricidade se filtrasse. Um pé de feijão-manteiga, plantado no vaso, chegou à surpreendente altura de 6,50 metros, embora a espécie geralmente não ultrapasse os 70 centímetros. Na maturidade, a planta deu 2 bushels de um delicioso feijão. Scribner acredita que é o elétron que se responsabiliza pela realização da fotosíntese, pois é ele que magnetiza a clorofila na célula vegetal que permite ao fóton declarar-se e converter-se em parte da planta sob a forma da energia solar. É também esse magnetismo que atrai as moléculas de oxigênio para as células clorofilianas em permanente expansão; devemos pois presumir que a umidade não depende de nenhum processo de absorção para integrar-se à planta e que essa integração é de caráter puramente eletrônico. A chamada pressão radicular (gotículas de umidade), que se revela na superfície das plantas, é na verdade uma abundância de elétrons trabalhando com a energia da água, algo excessiva, que se encontra no solo.

As descobertas de Scribner parecem ter sito antecipadas na década de 30,

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 3 — quando o italiano Bindo Riccioni desenvolveu seu próprio sistema para o tratamento elétrico de sementes, à razão de 5 toneladas por dia, fazendo-as passar através de condensadores folheados paralelos a cerca de 5 metros por segundo. Com as sementes tratadas, Riccioni comunicou ter obtido colheitas de 2 a 37% superiores à média nacional, na dependência do solo e das condições climáticas. Seu trabalho foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial, e seu livro de 127 páginas, só traduzido para o inglês em 1960, ainda não parece ter estimulado outras experiências no mesmo sentido, nem nos Estados Unidos nem na Europa ocidental.

Na União Soviética, contudo, foi anunciado em 1963 o estabelecimento de uma usina, com a capacidade de duas toneladas por hora, para o tratamento de sementes com energia elétrica. Os resultados indicavam, em relação à média, saltos significativos na produção de diversas lavouras: de 15 a 20% para o milho, 10 a 15% para a cevada e a aveia, 13% para a ervilha, 8 a 10% para o trigosarraceno. Não se fez referência à importância desse projetopiloto para aliviar a permanente escassez de cereais soviética. Mas, para uma indústria agrícola quase totalmente baseada em produtos químicos artificiais, quer quanto à fertilização do solo, quer quanto ao combate à praga nas lavouras, os horizontes eletroculturais abertos pelos engenheiros hão de ter parecido, se não desnecessários, uma ameaça. Isso explica a escassez de créditos concedidos para maiores investigações a respeito.

A falta de visão de uma tal política foi enfatizada, ainda em 1962, por um ex-diretor da Divisão de Pesquisas de Engenharia Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, E. G. McKibben. Falando perante a Sociedade Americana de Engenheiros Agrícolas, disse ele: "A importância e as possibilidades da aplicação da energia eletromagnética em suas várias formas à agricultura são limitadas apenas pela imaginação criadora e os recursos físicos disponíveis. A energia eletromagnética é provavelmente uma forma primeva. Ela, ou algo que de muito perto se relaciona a ela, parece ser a substância básica de toda a energia e de toda a matéria, bem como o elemento essencial da vida vegetal e animal". McKibben salientou que conquistas e realizações ainda nem imaginadas poderiam ser em breve atingidas, desde que um apoio muito mais decidido amparasse os esforços eletroculturais; mas, até agora, seus apelos não foram ouvidos.

Antes mesmo da posição assumida por McKibben, novas descobertas sobre a influência do magnetismo na vegetação vinham à luz. Em 1960, ao tentar saber como as plantas respondem exatamente à gravidade, L. J. Audus, professor de botânica no Bedford College da Universidade de Londres, descobriu que suas raízes são sensitivas a campos magnéticos e publicou na revista Nature um estudo pioneiro, "Magnetotropismo, uma nova resposta no crescimento das plantas". Quase simultaneamente, divulgavam em Moscou um relatório, mostrando que tomates, inexplicavelmente, maduram mais depressa quando mais próximos do pólo sul de um ímã.

No Canadá, o Dr. U. J. Pittman, da Estação de Pesquisa Agrícola de Letbridge, Alberta, observou que por todo o continente norte-americano as

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 4 — raízes de vários cereais cultivados ou silvestres, bem como as de numerosas espécies de ervas, alinhavam-se sistematicamente num sentido norte-sul paralelo à força horizontal do campo magnético terrestre. Descobriu ainda que o magnetismo terrestre acelerava a germinação do trigo Chinook e Kharkov, da cevada Compana, da aveia Eagle, do linho Redwood e do centeio outonal comum, se os eixos longitudinais das sementes e os apêndices dos embriões fossem orientados para o pólo magnético norte. Nossas avós deviam estar supercertas, escreveu Pittman no Crops and Soils Magazine, quando insistiam para que as sementes de morango fossem plantadas apontando para o norte.

Nos Estados Unidos, a possibilidade de uma aplicação em larga escala da força oculta do magnetismo à agricultura surgiu quando em Denver, no Colorado, ainda outro engenheiro, o Dr. H. Len Cox, leu por acaso um artigo, num número de 1968 de Aviation Week and Space Technology, o qual informava que fotos infravermelhas tiradas de satélites da NASA pareciam indicar que pés de trigo atacados por praga, ou por qualquer outro motivo incapacitados, apresentavam uma "característica eletromagnética" totalmente diversa da dos pés saudáveis. Intrigado por um fenômeno para o qual não tinha explicação, Cox, um engenheiro espacial, debruçou-se sobre a literatura eletrocultural e, em seguida, perguntou a um amigo metalúrgico se sabia de alguma substância magnetizável capaz de fazer as plantas crescerem mais depressa e produzirem mais frutos.

Informado pelo amigo de que no vizinho Estado de Wyoming havia depósitos facilmente disponíveis e não utilizados de um minério de ferro, a magnetita, totalizando bilhões de toneladas, Cox buscou um caminhão cheio e reduziu-o a pó. Após carregá-lo num campo magnético de intensidade não revelada e misturá-lo a outras partículas minerais, espalhou-o na terra de um canteiro, onde o pó pôde entrar em contato com raízes de rabanetes. Embora as folhas das plantas, no ápice de seu ciclo vegetativo, não parecessem diferir das de rabanetes similares plantados em condições normais num canteiro próximo, Cox notou resultados muito além de suas expectativas ao arrancar os legumes "ativados". Em média, estes eram duas vezes maiores que os referenciais, e o fato de as raízes formadas em torno deles serem de três a quatro vezes mais longas indicava que à estimulação radicular devia ser creditado o aumento de tamanho. Resultados notáveis foram ainda obtidos com outros vegetais de raiz comestível, como a couve-nabo, a cenoura, o nabo, bem como com a ervilha, a alface, o brócolos e a escorcioneira.

Em 1970, quando a Electroculture Corporation, de Cox, deu início à venda do novo produto, em latas de 5 quilos, os consumidores relataram safras maiores e garantiam que os legumes produzidos tinham gosto muito melhor, confirmando assim o que Lemstrôm dissera de seus morangos e os padeiros do pão feito com o trigo de Sir Oliver Lodge. Outros comunicaram que o número de íris desabrochadas numa mesma haste dobrava, com ou sem uso de fertilizantes, e um cirurgião plástico informou a Cox que, ao pôr a substância magnetizada nas raízes de uma muda de pinheiro-do-arizona, ela cresceu quatro vezes mais, num só verão, que outra muda da mesma espécie plantada perto.

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 5 —

Indagado sobre o funcionamento de seu "ativante", Cox declarou: "Isso ainda é um mistério. Ninguém sabe como ele age, assim como os médicos não sabem explicar os efeitos da aspirina. Para o desapontamento de viveiristas e moradores de cidades que gostam de plantas, o pó magnetizado não produz resultados em vasos nem em canteiros de estufas. Para que ele exerça sua ação, é imprescindível que se ligue à própria terra". Uma explicação para a anomalia é que o óxido de ferro - denominado pedra-ímã, quando magnetizado - só irradia seu poder quando em contato direto com sua "mãe animada", como a chamou Gilbert.

Seja qual for a solução final para o problema, o fato é que nas duas décadas seguintes à Primeira Guerra Mundial novas e surpreendentes descobertas, realizadas em laboratórios, já haviam sugerido que radiações misteriosas no ambiente natural podiam ser muito mais importantes para o bem-estar de plantas e bichos do que até então fora suspeito.

No início da década de 20, Georges Lakhovsky, um engenheiro nascido na Rússia, mas vivendo em Paris, começou a escrever uma série de livros nos quais sugeria que a base da vida não era a matéria, mas sim vibrações imateriais a ela associadas. Lakhovsky afirmava que "todas as coisas vivas emitem radiações" e propunha a teoria revolucionária de que as células, as unidades orgânicas essenciais de todos os seres, eram radiadores eletromagnéticos capazes, como aparelhos sem fio, de emitir e receber ondas de alta frequência.

A essência da teoria de Lakhovsky é que as células são circuitos oscilatórios microscópicos. Em termos elétricos, um circuito de tal tipo requer dois elementos básicos: um condensador, ou fonte de carga elétrica acumulada, e uma bobina de fio metálico. À medida que, partindo do condensador, circula entre as extremidades do fio, a corrente cria um campo magnético que oscila em determinada frequência, ou tantas vezes por segundo. Reduzindo-se grandemente o tamanho do circuito, obtêm-se frequências muito altas, e Lakhovsky acreditava ser isso o que ocorre nos núcleos microscópicos das células vivas. Nos diminutos filamentos retorcidos dos núcleos celulares, ele divisava, com efeito, correspondentes dos circuitos elétricos.

Em seu A origem da vida, publicado em 1925, Lakhovsky descreve uma série de inusitadas experiências em apoio da idéia de que a doença é uma questão de desequilíbrio na oscilação celular, ou seja, de que a luta entre células saudáveis e patogênicas, como bactérias ou vírus, é uma "guerra de radiações". Se as radiações dos micróbios são mais fortes, as células começam a oscilar aperiodicamente e se tornam "doentes". Quando param de oscilar, morrem. Se as radiações celulares ganham ascendência, os micróbios é que são mortos. Para devolver a saúde a uma célula debilitada, Lakhovsky acreditava ser preciso tratá-la com uma radiação de frequência apropriada.

Em 1923, deu o nome de "radioceluloscilador" a um aparelho elétrico por ele mesmo inventado que emitia ondas muito curtas, com comprimentos de 2 a 10 metros. Na clínica cirúrgica do famoso Hospital Salpêtrière, em Paris, inoculou em gerânios bactérias produtoras de câncer. Uma das plantas, depois de todas elas terem

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 6 — desenvolvido tumores do tamanho de um caroço de cereja, foi exposta às radiações do oscilador. O tumor cresceu rapidamente, nos primeiros dias, mas após duas semanas começou de súbito a encolher, até enfim cair da planta adoentada, transcorrida uma quinzena mais. Outros gerânios, tratados durante diferentes períodos de tempo, também se curaram de seu câncer sob o efeito das radiações do oscilador.

Lakhovsky viu nessas curas uma confirmação de sua teoria. O câncer fora dominado pela intensificação das oscilações normais das células saudáveis dos gerânios. Isso ia totalmente de encontro à abordagem dos especialistas em radioterapia, os quais propunham que as células cancerosas fossem destruídas pela radiação externa.

No desenvolvimento de sua teoria, Lakhovsky se viu diante do problema da origem da energia necessária à produção normal e à manutenção das oscilações celulares. Não lhe pareceu provável que essa energia fosse produzida no interior das próprias células, onde sua presença seria na realidade análoga à da energia acumulada numa bateria elétrica ou numa máquina a vapor. Chegou por conseguinte à conclusão de que a energia provinha de uma fonte externa, de que derivava da radiação cósmica.

Para tentar estabelecer a origem cósmica da energia, Lakhovsky resolveu pôr em prática um sistema por ele imaginado para produzir raios artificiais e captar energia natural vinda do espaço. Em janeiro de 1925, selecionando um gerânio, dentre um grupo previamente inoculado com câncer, envolveu-o numa espiral de fio de cobre com 30 centímetros de base e com ambas as extremidades fixadas num suporte de ebonite. Após várias semanas, constatou que, enquanto todos os demais gerânios do grupo tinham secado e morrido, a protegida pela espiral de cobre não só estava radiantemente saudável como também crescera duas vezes mais que outros espécimes referenciais não cancerados.

Esses resultados espetaculares levaram Lakhovsky a conjeturar sobre a maneira pela qual o gerânio se capacitara a colher, no vasto campo de ondas da atmosfera externa, as frequências exatas que permitiram às suas células oscilar normalmente e com um poder tão grande a ponto de destruir as atacadas pelo câncer.

À infinidade de radiações de todas as frequências que emanam do espaço e incessantemente cruzam a atmosfera, Lakhovsky deu o nome genérico de "universação". Concluiu que algumas delas, filtradas pela espiral, foram especificamente postas em ação para restituir à atividade sadia as células degenerescentes do gerânio afetado.

A "universação", ou conjunto da radiação universal, não devia ser associada, no entender de Lakhovsky, à noção de um completo vácuo no espaço, noção essa que os físicos haviam posto em lugar do éter do século XIX. Para Lakhovsky, o éter não era a negação de toda a matéria, mas sim uma síntese das forças de radiação, o plexo universal de todos os raios cósmicos. Meio ubíquo e difuso, os elementos nele desintegrados seriam transformados

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 7 — em partículas elétricas. Lakhovsky estava certo de que, com o reconhecimento desse novo conceito, as fronteias da ciência se alargariam e se teria base para o estudo dos problemas mais complexos da vida, entre os quais a telepatia, a transmissão de pensamento e, por inferência, a comunicação entre homens e plantas.

Em março de 1927, Lakhovsky escreveu um comunicado, A influência das ondas astrais nas oscilações das células vivas, que foi apresentado à Academia Francesa por seu amigo o Prof. Jacques Arsène d'Arsonval, eminente biofísico e descobridor da diatermia.

Em março de 1928, o gerânio envolvido pela espiral atingia a altura anormal de 1,35 metro e florescia mesmo no inverno. Convencido de que seu trabalho com plantas acabara por levá-lo a uma nova terapia de importância inimaginável para a medicina, Lakhovsky dedicou-se então a aperfeiçoar um sofisticado aparelho para o tratamento humano, chamando-o de "oscilador de multiondas". Foi usado em clínicas francesas, suecas e italianas para curar tumores cancerosos e lesões causadas por queimaduras de rádio, bem como o bócio e várias outras moléstias consideradas incuráveis. Depois de Lakhovsky ir para Nova York em 1941, fugindo dos alemães que ocuparam Paris e o procuravam como um destacado antinazista, o departamento de fisioterapia de um grande hospital novayorkino empregou com êxito seu oscilador no tratamento da artrite, da bronquite crônica e de outras doenças, enquanto um urologista e cirurgião de Brooklyn, embora sem revelar seu nome, declarou tê-lo também usado em centenas de pacientes para curar perturbações orgânicas que não cediam com outros tratamentos. Morrendo Lakhovsky, em 1943, suas notáveis descobertas, que lançaram as bases da radiobiologia, não foram levadas adiante pela classe médica; *** hoje, o uso do "oscilador de multiondas" para tratamento médico está oficialmente proibido pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Enquanto Lakhovsky ainda trabalhava em Paris, uma equipe chefiada pelo Prof. E. J. Lund, na Universidade Estadual do Texas, aperfeiçoava um meio para medir o potencial elétrico das plantas. Numa série de experiências que se prolongaram por mais de dez anos, Lund mostrou que as células vegetais produzem campos elétricos correntes ou impulsos que, como sugeriu Bose, poderiam funcionar como um "sistema nervoso". Mais tarde, ele demonstraria que o crescimento das plantas é acionado por esses sistemas nervosos elétricos - mais que pelos hormônios do crescimento, ou auxinas - e que as auxinas são concentradas no ponto onde o crescimento ocorre, ou mesmo para aí transportadas, pelos campos elétricos gerados pelas células.

Num livro importante, mas pouco conhecido, Crescimento e campos bioelétricos, Lund propõe a teoria revolucionária de que o padrão elétrico nas células vegetais muda quase meia hora antes de se tornar efetiva a difusão dos hormônios e a detecção do crescimento.

Entrementes, as pesquisas do russo Alexander Gurwitsch, que motivaram L. George Lawrence a dar início ao estudo das potencialidades da biocomunicação, começaram, a despeito de sua rejeição pela

Grupo de estudos Piramidal - http://br.groups.yahoo.com/group/piramidal Informação é mais do que um direito, é um dever

— 8 —

Academia de Ciências dos Estados Unidos, a despertar maior interesse. O Prof. Otto Rahn, eminente bacteriologista da Universidade de Cornell, surpreendeu-se ao constatar que, sempre que uma doença atingia um dos pesquisadores do laboratório, o fato parecia causar a morte das células de levêdo com as quais trabalhavam. Uma exposição de poucos minutos às pontas de seus dedos, mesmo a distância, mataria células vigorosas desse fungo fermentescente produtor de carboidratos. Uma investigação mais detalhada mostrou que a responsabilidade cabia a um composto químico que exsudava das mãos e do rosto dos técnicos doentes; como ele agia a distância, no entanto, era um mistério. Por outro lado, Rahn provou que os tecidos em permanente renovação da córnea, bem como a maioria das feridas e tumores cancerosos, emitem radiação. Enfeixou essas e outras descobertas num livro, A radiação invisível dos organismos, que passou totalmente ignorado por seus colegas.

Como a maioria dos físicos continuava sem meios para detectar toda essa nova e estranha radiação, assim como não haviam podido detectar o "magnetismo animal" de Mesmer nem a "força ódica" de Reichenbach, a idéia de que os tecidos vivos emitissem vibrações de energia, ou respondessem a elas, foi recebida com ceticismo. A mesma desconfiança manifestada por descobertas como as de Lakhovsky, Gurwitsch e Rahn atingiu também as de um cirurgião, George Washington Crile, fundador da Fundação Clínica de Cleveland, que em

(Parte 1 de 3)

Comentários