Caderno de Hist. e Filosofia da Ciência

Caderno de Hist. e Filosofia da Ciência

(Parte 1 de 7)

ISBN 85-99229-01-X

Alex Calazans, Alexandre Dittrich, César Augusto Battisti, Claudemir RoqueTossato, Claudiney José de Sousa, Eduardo Salles O. Barra, Emerson

Vizzotto de Barros, Felipe Ribas, Fernando Tula Molina, Gelson Liston, Gustavo Piovezan, Irinéa de Lourdes Batista, Ivan Ferreira da Cunha, João

Carlos M. Magalhães, José Borges Neto, José

Carlos Cifuentes, Joyce Mayumi Shimura, Júlio C. R. Vasconcelos, Leônia Gabardo Negrelli, Marcelo

Moschetti, Márcio Augusto Damin Custódio, Marisa C. de O. F. Donatelli, Marlene Perez, Maurício de Carvalho Ramos, Max Rogério

Vicentini, Michel Paty, Osvaldo Pessoa Jr, Pablo

Mariconda , Patricia Coradim Sita, Paulo Tadeu da

Silva, Renato Rodrigues Kinouchi, Robinson Guitarrari, Rosana Figueiredo Salvi, Simone Luccas, Veronica Ferreira Bahr Calazans.

Rede Paranaense de Pesquisa em História e Filosofia da Ciência

(UEL, UEM, UNIOESTE e UFPR)

Projeto Temático “Estudos de Filosofia e História da Ciência”

(USP e UNICAMP) GT História da Filosofia da Natureza – ANPOF

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ Curitiba, 16 a 18 de março de 2005

Eduardo S. O. Barra

Alex Calazans Veronica F. B. Calazans

(organizadores)

Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes

UFPR 2005

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SISTEMA DE BIBLIOTECAS COORD.PROCESSOS TÉCNICOS Ficha catalográfica

E56Filosofia da Ciência (3.: 2005: Curitiba, PR).

Encontro da Rede Paranaense de Pesquisa em História e

Anais [do]/ I Encontro da Rede Paranaense de

Pesquisa em História e Filosofia da Ciência, Curitiba, 16 a 18 de março, 2005.—Curitiba: UFPR, 2005. 424p.

Inclui biliografia ISBN 859922901X

3. Ciência – Filosofia – CongressosI. Universidade
Federal do ParanáI. Universidade de São Paulo. II.
Estadual de LondrinaV. Universidade Estadual de
CDD 20.ed501
CDU50

1.Ciência – Filosofia – História. 2. Ciência – História. Universidade Estadual de Campinas. IV. Universidade Maringá. VI. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. VII. Título. Samira Elias Simões CRB-9/755

Índice:

AS QUESTÕES6

Pablo Mariconda Michel Paty

AS RESPOSTAS14

Alexandre Dittrich Eduardo Salles O. Barra João Carlos M. Magalhães José Borges Neto

EIXO TEMÁTICO 1: MATEMATIZAÇÃO DA NATUREZA; MECANICISMO; FILOSOFIA DA NATUREZA

A NATUREZA DO MECANICISMO CARTESIANO46

César Augusto Battisti

AS ORIGENS DA ÓPTICA DE KEPLER6

Claudemir RoqueTossato

MATEMÁTICA E REALIDADE NO PENSAMENTO PÓS-MECANICISTA DO SÉC. XVIII74

Eduardo Salles O. Barra

CENTENÁRIO87

José Carlos Cifuentes Leônia Gabardo Negrelli Marlene Perez

OS MANUSCRITOS REDESCOBERTOS EM 1973 E O PROGRAMA EXPERIMENTAL DE GALILEO GALILEI..101 Júlio C. R. Vasconcelos

A MATEMÁTICA E OS DADOS VISUAIS NA CARTA DE GALILEU SOBRE O CANDOR LUNAR120

Marcelo Moschetti

CONTINUIDADE E MOVIMENTO EM BRADWARDINE129

Márcio Augusto Damin Custódio

A INFLUÊNCIA DE DESCARTES NO PENSAMENTO MÉDICO HOLANDÊS: ALGUNS EXEMPLOS142

Marisa C. de O. F. Donatelli

A TEORIA DA RELATIVIDADE DE EINSTEIN COMO EXEMPLO DE CRIAÇÃO CIENTÍFICA157

Michel PATY

FISICALISMO REDUTIVO E SONDAS EPISTEMOLÓGICAS179

Osvaldo Pessoa Jr

MATÉRIA E SUBSTÂNCIA SEGUNDO LEIBNIZ191

Patricia Coradim Sita

MERSENNE E O DEBATE EM TORNO DO COPERNICANISMO197

Paulo Tadeu da Silva

A CRÍTICA DE BERKELEY AO MÉTODO DAS FLUXÕES DE NEWTON208

Alex Calazans

DAVID HUME2

A RELAÇÃO ENTRE INFERÊNCIA E CONEXÃO NECESSÁRIA NO TRATADO DA NATUREZA HUMANA DE Claudiney José de Sousa

CONTINUIDADE DO ESPAÇO233

DESCARTES E NEWTON: A QUESTÃO DE CONCILIAR A DESCONTINUIDADE DA MATÉRIA E A Veronica Ferreira Bahr Calazans

AS MANCHAS SOLARES DE GALILEU GALILEI ...................................................................................242 Felipe Ribas

EIXO TEMÁTICO 2: TELEOLOGIA NA BIOLOGIA

ALGUNS PRESSUPOSTOS SUBJACENTES ÀS TEORIAS SOBRE A NATUREZA E ORIGEM DA VIDA249

João Carlos M. Magalhães

MAUPERTUIS262

TELEOLOGIA E CIÊNCIAS DA VIDA NA ÉPOCA DAS LUZES: O FINALISMO NA TEORIA DA GERAÇÃO DE Maurício de Carvalho Ramos

NOTAS SOBRE EVOLUÇÃO E TELEOLOGIA NO PENSAMENTO DE CHARLES S. PEIRCE273

Max Rogério Vicentini

DAS PAIXÕES DA ALMA283

SOBRE A IMPORTÂNCIA DO OBJETO EM DESCARTES, O NÚMERO E A ORDEM DAS PAIXÕES NA I PARTE Gustavo Piovezan

EIXO TEMÁTICO 3: CIÊNCIA: CRITÉRIOS E VALORES; PÓS-MODERNISMO NA CIÊNCIA

REVISADA296

COMPLEJO DE VALORES, CAMBIO SOCIAL Y ESTRATEGIA COGNITIVA: LA PROPUESTA DE HUGH LACEY Fernando Tula Molina

SENTENÇAS PROTOCOLARES E A CONSTRUÇÃO DE UM SISTEMA CIENTÍFICO303

Gelson Liston

COGNITIVO305

RACIONALIDADE E INCOMENSURABILIDADE CIENTÍFICA: UMA REFLEXÃO SOBRE O RELATIVISMO Robinson Guitarrari

RENASCIMENTO À NOVA GEOGRAFIA318

Emerson Vizzotto de Barros Rosana Figueiredo Salvi

EIXO TEMÁTICO 4: ESTUDOS TEÓRICOS-METODOLÓGICOS EM HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA; EDUCAÇÃO CIENTÍFICA E MATEMÁTICA

O ENSINO DE TEORIAS FÍSICAS MEDIANTE UMA ESTRUTURA HISTÓRICO-FILOSÓFICA337

Irinéa de Lourdes Batista

ENTRE DOMÍNIOS DE CONHECIMENTO361

Irinéa de Lourdes Batista Simone Luccas

O PRAGMATISMO E A FILOSOFIA DA CIÊNCIA396

Renato Rodrigues Kinouchi

RUDOLF CARNAP: TEORIAS CIENTÍFICAS E PREDIÇÕES411

Ivan Ferreira da Cunha

O PROJETO CARTESIANO NAS REGRAS PARA A ORIENTAÇÃO DO ESPÍRITO419

Joyce Mayumi Shimura

As questões

Pablo Mariconda Departamento de Filosofia/USP

Ao tomar a ciência como objeto de investigação é possível tomá-la sob uma perspectiva científica, como se fosse possível uma ciência da ciência? Ou tomá-la como objeto seria olhá-la necessariamente de uma perspectiva externa, alheia a sua própria natureza investigativa, num movimento de pensamento que não é o seu? Não seria necessariamente tomá-la como objeto de reflexão filosófica, mesmo quando esse olhar exterior fosse histórico ou sociológico?

A ciência como conhecimento em movimento

Michel Paty

Centre National de la Recherche Scienfique (CNRS); Equipe REHSEIS; Université Paris 7; Departamento de Filosofia/USP

1.A minha questão é a seguinte: Quando se considera uma ciência através de um processo histórico, mesmo localizado, sempre constatam-se mudanças e até progresso: aponta este movimento para uma diferença entre conhecimento (relacionado à idéia de movimento e de procura) e saber (conjunto de conteúdos considerados estaticamente)? O que se chama ciência é este saber, ou é também este conhecimento em movimento? Deve-se considerar a racionalidade somente nas proposições estabelecidas ao final, ou ela participa do próprio movimento que elabora a ciência? A ciência em elaboração é um campo de problemas filosóficos? Em que sentido? 2.Devo comentar um pouco sobre esta questão, seus porquês e como. Trata-se, com a formulação aqui proposta, de especificar um aspecto da ciência considerada de maneira geral como objeto de investigação pelo pensamento. Tal aspecto é que a ciência se transforma, muda, nas suas formas e nos seus conteúdos de significação: ela varia e se modifica com o tempo, com a história dos homens no tempo; ela é histórica, porém contínua,

BARRA, E. et alii. (orgs.) Anais do I Encontro da Rede Paranaense de Pesquisa em História e Filosofia da Ciência. Curitiba: SCHLA/UFPR, 2005.

As questões7 apesar das diferenças de formas e de conteúdos, assegurados e confirmados (até um certo ponto), pelos confrontos com a efetividade ou a realidade do mundo (com os fenômenos) e também pela sua expressão racionalizada, por sua organização racional. 3. Ela continua sendo a ciência, em particular porque ela nos é inteligível, por ser racional e capaz de ser assimilada e comunicada, e vamos admitir aqui que se ela nos é inteligível, é fundamentalmente por ser racional. É verdade que a idéia da ciência como algo racional não é aceita por todos: os empiristas consideram outras propriedades do conhecimento, além da razão, e notavelmente a “evidência empírica”, para justificar este conhecimento como legítimo e admitido. Na verdade, as palavras formadas para explicitar a razão e explicitar sua função, tais como “racional” (na forma de adjetivo ou de substantivo, “o racional”) e “racionalidade”, são muitas vezes ausentes das considerações dos filósofos do tempo presente. É verdade também que é difícil definir exatamente todos estes termos, que são tomados geralmente de maneira intuitiva, ao invés da lógica, pois só a lógica tem uma definição e operatividade exata, que pode ser reduzida a signos e sequências ordenadas de signos para expressar uma operação exata da mente sobre objetos exatamente definidos. A razão é mais complexa do que a lógica, pois ela opera de maneira não tão precisamente definida e sobre objetos que não são definidos de maneira exata e unívoca como os objetos de um raciocínio lógico. A razão é complexa, ela não se reduz à lógica, mas sabemos por experiência (a nossa experiência própria e a experiência dos cientistas ao longo da história) que sem ela não teríamos conhecimentos seguros e objetivos (capazes de libertar-se da subjetividade, do seu peso e das suas limitações, como crenças chamadas precisamente “irracionais”, imersas nos afetos e nos sentimentos, ou mitológicas) e nem poderíamos comunicar os nossos conhecimentos a outros. Pode-se atribuir várias formas de racionalidade aos vários domínios do conhecimento (Bachelard fala, neste sentido, de racionalidades “regionais”, segundo as disciplinas científicas) e aos vários gêneros, relacionados com os diversos campos da razão, abstrata, pura à maneira da matemática, científica, prática (orientada pela consideração de questões morais), técnica etc. Mas nessa diversidade dos tipos e das formas de razão em relação com seus

Michel Paty8 objetos de aplicação, existe uma unidade de função de todas elas, que nós chamaremos de função de racionalidade, que permite considerar uma coerência (possível) no ser pensante entre seus vários campos de pensamento e de ação. 4. Admitindo estas considerações (que poderiam e deveriam ser investigadas em mais detalhes ainda), retomemos os elementos de questionamento sobre o objeto “ciência” considerado como evolutivo e histórico. Em geral, a filosofia, quando considerava a ciência como seu objeto de reflexão, a tomava no seu estado supostamente atual, na forma de suas proposições estáticas. A atitude, exemplar a este respeito, de Kant, era de se perguntar como a ciência é possível, como ela é um conhecimento inteligível e seguro, e ele foi assim levado a formular o seu edifício da teoria crítica da razão pura. Ele tomava de início a ciência tal como ela acabava de ser transformada e edificada na modernidade, como já adquirida de maneira essencialmente bem delineada nas suas grandes estruturas, e parecendo bastante segura, com o papel notável da ciência newtoniana, da matemática e da física matematizada. Esta ciência nova mostrava um grau bastante alto de verdade, pois combinava o caráter inteligível com a adequação à natureza, dando conta de uma grande quantidade de fenômenos naturais. A potência da teoria física da época (a mecânica ou dinâmica) lhe vinha da forma matemática da sua expressão, que todos os avanços do século xviii tinham confirmado e ampliado, em particular nas áreas da mecânica dos corpos e da astronomia matemática. A análise (infinitesimal, ou diferencial e integral), fundada por Newton e Leibniz na última parte do século precedente, tinha sido desenvolvida consideravelmente, em primeiro lugar, pelos discípulos de Leibniz (na escola dos Bernoulli, e nas academias parisiense e berlinense), e, ao tempo de Kant, mesmo pela obra notável e celebrada dos “Geômetras” (matemáticos e físicosmatemáticos tais como Euler, Clairaut, d’Alembert, Lagrange…).

Os avanços deste ramo da matemática e sua utilização nos fenômenos mecânicos e astronômicos e até no próprio pensamento a seu respeito, parecia dar uma grande segurança a respeito das possibilidade da razão humana no conhecimento do mundo. Claro que existiam muitos ramos do conhecimento que não pertenciam ao domínio da mecânica e cuja aproximação não se fazia,

As questões9 nem se podia fazer, da mesma forma, como este uso particular da matemática no pensamento da mecânica. Mas a matemática dava uma grande lição até para os outros conhecimentos, sendo ela, segundo Kant, um exemplo nítido da “razão pura”. Era assim possível, baseando-se nos resultados mais seguros da ciência do seu tempo, delinear uma teoria crítica da razão pura, que permita entender como é que a ciência (na variedade dos seus ramos) é possível. 5.Encontramos aqui uma lição do programa kantiano de justificação racionalista do conhecimento, que é este de tomar o conhecimento, na forma e nos modos que ele tem, como um fato, e sendo este um fato, como os demais fatos, é legítimo tentar entendê-lo (como ele é, e, sobretudo, como ele é possível). Ao contrário do empirismo, a perspectiva kantiana é de entender o conhecimento racionalmente, e por isto, de estabelecer racionalmente a sua possibilidade. Tal é um aspecto importante, talvez o mais importante, da questão “a ciência como objeto”. Temos que entender como é que a ciência é possível, a ciência considerada como sendo um conhecimento seguro (pelo menos bastante seguro) e inteligível, isto é, captado pela estruturação racional do pensamento do sujeito humano transcendental. Esta estruturação racional era concebida por Kant (das “formas puras da sensibilidade”, que enquadram e condicionam a percepção, até as categorias do entendimento que permitem a apreensão analítica e sintética, incluindo o “sintético a priori”, nó da elaboração kantiana) como intangível, adquirida uma vez por todas1. Se não fosse o caso, estimava ele, recairíamos nas perspectivas do empirismo, sem possibilidade de entender porque se entende a ciência: ela seria simplesmente dada, e deixaria de ser a ciência, se ela não fosse enquadrada pela razão (pura). Em princípio, o conhecimento segundo Kant pode se modificar e crescer. Mas, basicamente, ele teria que ficar dentro dos moldes da razão pura, os quais, por abrangentes que estejam, estavam, como nós sabemos hoje, marcados pelos limites da ciência mais segura do tempo, elaborada em tôrno da mecânica clássica. 6. Ora, a ciência muda, sem entretanto deixar por isso de ser ciência. A ciência mudou desde o tempo do iluminismo e da filosofia kantiana, sem deixar de ser ciência, e na continuação daquela precedente, mas sem

Michel Paty10 mais se deixar adequar aos requisitos da filosofia kantiana que devia, pelo menos, sofrer alterações e ser adaptada. Tais tentativas foram feitas pelos neokantianos: por exemplo por Ernst Cassirer, que propôs superar os limites da concepção kantiana do espaço e do tempo, inadequada para dar conta da teoria da relatividade, substituindo estas formas da intuição pura por uma “função de espacialidade” permitindo a construção de conceitos de espaço e de tempo mais físicos e adequados às exigências da física contemporânea2. Mas este tipo de adaptação sofre de uma falta de generalidade, quando se necessita repensar as grandes linhas da filosofia racionalista. Em particular, era necessário reconsiderar o sintético a priori, que Kant colocava no centro do seu edifício. Os empiristas e positivistas lógicos, propunham uma pura e simples “dissolução do sintético a priori”, mas esta seria também a dissolução da racionalidade. Pois, com a rejeição do sintético a priori, rejeita-se a sua função, que é a da organização racional dos elementos de conhecimento. 7.Se nós compartilhamos da perspectiva racionalista, no sentido kantiano da superação do empirismo, nós temos que manter a idéia de uma função de racionalidade, que teria de ser concebida diferentemente do sintético a priori kantiano no sentido estrito, isto é, no seu caráter intangível, inerente, na sua forma proposta, ao pensamento humano3. Da nossa perspectiva racionalista, pretendemos, como Kant, tomar a ciência como um dado, sem com isso nos satisfazer com a sua simples aceitação à maneira dos empiristas, mas tentando entendê-la com a razão. Só que nós sabemos agora que este objeto da nossa investigação, o conhecimento científico, transforma-se historicamente de tal maneira a colocar em jogo até as noções que nos pareciam as mais bem estabelecidas e fundadas (espaço, tempo, uma certa acepção da causalidade etc.). Tomando como objeto de investigação a ciência tal como é dada, temos que levar em conta esta lição dos fatos do conhecimento: a ciência muda, nossas formas de conhecimento mudam também. A nossa concepção das condições de possibilidade também vão ter que mudar, se mantemos o programa de uma inteligibilidade racional do objeto

2 Cassirer [1922]; veja Paty [1993], cap . 7. 3 Veja, a este respeito: Paty [1992]

As questões11 científico mesmo. Há indícios de que tal programa não só é legítimo, mas também é conformado aos fatos (a ciência e sua história). É possível pensar que a razão seja capaz de dar conta destas mudanças, pois ela fornece de fato conhecimentos teóricos, que estão bem longe de todo empirismo, e que são pelos menos tão adequados quanto na época de Kant (em verdade, eles são mais adequados, e mais diversificados). São conhecimentos inteligíveis que por sua firmeza parecem bem fundados na razão. Tais índices sugerem o rumo a tomar para nossa investigação: temos que empreender novamente, como Kant o fez no seu tempo, o estudo das estruturas da razão, mas numa perspectiva transformada pelo fato de mudanças radicais do conhecimento e da estruturação do conhecimento terem ocorrido e, portanto, serem possíveis. O guia a seguir será considerar a racionalidade não como uma forma fixa e fechada, mas como sendo definida essencialmente por sua função: como a função do pensamento que integra os conhecimentos de tal modo que nos tornam inteligíveis. 8. Há outros aspectos das mudanças no “objeto ciência”.

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