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EROSÃO

São Luís

2008

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...............................................................................................04

2 OBJETIVOS..................................................................................................06

3 TIPOS DE EROSÃO ....................................................................................07

3.1 EROSÃO HÍDRICA ...........................................................................07

3.2 EROSÃO EÓLICA ............................................................................12

3.3 EROSÃO GLACIAL .........................................................................13

3.4 EROSÃO BIOLÓGICA .....................................................................13

3.5 EROSÃO QUÍMICA ..........................................................................14

4. FATORES QUE INFLUENCIAM A EROSÃO.............................................. 15

5. CONSEQUÊNCIAS DOS PROCESSOS EROSIVOS ................................ 17

6. MÉTODOS DE COMBATE À EROSÃO......................................................18

7. CONCLUSÃO ..............................................................................................20

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA......................................................................21

  1. INTRODUÇÃO

A erosão é um processo natural de desagregação, decomposição, transporte e deposição de materiais de rochas e solos que vem agindo sobre a superfície terrestre desde os seus princípios. Para que o processo erosivo de desagregação e remoção de partículas do solo ou fragmentos de rocha ocorra é necessário a ação combinada da gravidade com a água, vento, gelo ou organismos. Contudo, a ação humana sobre o meio ambiente contribui exageradamente para a aceleração do processo, trazendo como conseqüências, a perda de solos férteis, a poluição da água, o assoreamento dos cursos d'água e reservatórios e a degradação e redução da produtividade global dos ecossistemas terrestres e aquáticos.

Diversos processos erosivos são condicionados basicamente por alterações do meio ambiente, provocadas pelo uso do solo nas suas várias formas, desde o desmatamento e a agricultura, até obras urbanas e viárias, que, de alguma forma, propiciam a concentração das águas de escoamento superficial.

O fenômeno de erosão vem acarretando, através da degradação dos solos e, por conseqüência, das águas, um pesado ônus à sociedade, pois além de danos ambientais irreversíveis, produz também prejuízos econômicos e sociais, diminuindo a produtividade agrícola, provocando a redução da produção de energia elétrica e do volume de água para abastecimento urbano devido ao assoreamento de reservatórios, além de uma série de transtornos aos demais setores produtivos da economia.

A quebra do equilíbrio natural entre o solo e o ambiente (remoção da vegetação), muitas vezes promovida e acelerada pelo homem conforme já exposto, expõe o solo a formas menos perceptíveis de erosão, que promovem a remoção da camada superficial deixando o subsolo (geralmente de menor resistência) sujeito à intensa remoção de partículas, o que culmina com o surgimento de voçorocas. E estas quando não são controladas ou estabilizadas, além de inutilizar áreas aptas à agricultura, podem ameaçar obras viárias, áreas urbanas, assorear rios, lagos e reservatórios, comprometendo, por exemplo, o abastecimento das cidades, projetos de irrigação e até a geração de energia elétrica.

Torna-se, portanto, importante a identificação das áreas cujos solos sejam suscetíveis a esse tipo de erosão, sobretudo, em regiões onde não existem planos de conservação, bem como o estudo dos fatores e processos que possam agravar este fenômeno, visando a obtenção de uma metodologia de controle do mesmo.

  1. OBJETIVOS

    1. Geral

  • Descrever e conceituar os diferentes processos erosivos existentes na natureza.

    1. Específicos

  • Enumerar as causas mais freqüentes dos fenômenos erosivos;

  • Identificar a real interferência do homem para o acontecimento da erosão;

  • Expor as conseqüências dos processos erosivos;

  • Apresentar maneiras de conter e evitar a erosão.

  1. TIPOS DE EROSÃO

    1. Erosão Hídrica

A erosão pela água, mais conhecida como erosão hídrica engloba alguns dos principais tipos de processos erosivos, afinal, a água é o maior agente erosivo externo existente.

Dentre os tipos de erosão hídrica encontram-se:

      1. Erosão Pluvial

Este tipo de erosão é provocado pelas águas das chuvas. A água das chuvas pode escorrer sobre a superfície do solo formando as enxurradas, ou infiltrar-se no terreno.

As gotículas de chuva, ao caírem em um barranco ou em qualquer outro terreno, provocam a saltitação (splash erosion) das partículas, tendo assim o que se chama de “ação mecânica das gotas da chuva”, e é justamente esta que provoca o arrancamento e o deslocamento de partículas. Quando o escoamento pluvial acontece é porque a quantidade de chuva caída em uma determinada área é maior que o poder de infiltração, dessa maneira formando as enxurradas, que irá esculpir de várias maneiras os locais por onde passar.

A ação das enxurradas vai, pouco a pouco, retirando a camada fértil do solo, tornando-o cada vez mais improdutivo. Além disso, as enxurradas arrancam plantas e fazem desmoronar barrancos.

A água da chuva que se infiltra no solo pode também arrastar para baixo sais minerais diversos, tirando-os do alcance das raízes e, portanto, empobrecendo a camada superficial do solo. A ação da água que se infiltra no solo e que corre na superfície pode, também, provocar desmoronamentos, formando grandes buracos conhecidos como voçorocas. As voçorocas são comuns em terrenos arenosos e desmatados, podendo atingir centenas de metros de comprimento e trinta ou mais metros de profundidade.

A erosão pluvial é um dos principais fatores que contribui para a diminuição da produtividade e sustentabilidade dos solos agrícolas, podendo acarretar sua degradação. Vários autores têm avaliado perdas de solo, água, nutrientes e matéria orgânica em diferentes sistemas de uso e manejo do solo. No Brasil, o principal agente de erosão é a água das chuvas. Infelizmente, em nosso país são muitos os exemplos de terras ricas que se tornaram estéreis.

É importante lembrar que a erosão pluvial do solo é o resultado da interação entre diversos fatores, como o potencial erosivo da chuva, a suscetibilidade do solo à erosão, o comprimento do declive, a declividade do terreno, o manejo de solo, de culturas e de restos culturais e as práticas mecânicas conservacionistas complementares.

Principais formas de erosão pluvial:

a) erosão laminar: quando a água corre uniformemente pela superfície como um todo, transportando as partículas sem formar canais definidos. Apesar de ser uma forma mais amena de erosão, é responsável por grandes prejuízos na atividade agrícola e por transportar grande quantidade de sedimentos que vão assorear os rios (Figura 01).

Figura 01. Erosão Laminar

b) erosão em sulcos de escorrência: quando a água se concentra em determinados sulcos do terreno, atinge grande volume de fluxo e pode transportar maior quantidade de partículas formando ravinas na superfície. Estas ravinas podem rapidamente atingir a alguns metros de profundidade (Figura 02).

Figura 02. Erosão em sulcos.

3.1.2 Erosão Fluvial

É o desgaste do solo provocado pelas águas dos rios, este processo ocorre graças às fortes correntezas dos rios que são capazes de arrancar fragmentos das margens, alterando assim os seus contornos. Um fato importante a ser citado é a presença de partículas sólidas em suspensão nas águas dos rios, pois estas são responsáveis por parte do desgaste da rocha que o rio está em contato. Normalmente, um rio possui mais força erosiva no seu curso superior e médio e menos no seu curso inferior. Para jusante, ele perde sua competência, a qual é maior à montante.

O material retirado das margens é carregado pelas águas e depositado em outros locais, sendo interessante notar que um rio transporta estes materiais sob três aspectos: em solução, ou seja, o material encontra-se dissolvido na própria água; em suspensão, quando partículas minúsculas são transportadas graças à turbulência da água do rio; e em saltações, quanto partículas maiores, como areia e cascalho, são roladas ou saltam na margem do rio.

Com o passar do tempo, alguns rios acabam mudando o seu percurso devido à erosão, com a formação de meandros (sinuosidades do curso dos rios) (Figura 03).

Figura 03. Em destaque o curso de um rio e seus meandros, formados graças à erosão pluvial e a deposição dos sedimentos.

3.1.3 Erosão Marinha

A erosão provocada pelas águas do mar designa-se por erosão marinha ou abrasão marinha. As águas do mar atuam sobre os materiais do litoral ( linha de costa) desgastando-os através da sua ação química e da sua ação mecânica. O aspecto da linha de costa é variável de acordo com a natureza dos materiais rochosos que a constituem. De um modo em geral podemos detectar dois tipos de costa: a costa de abrasão: de natureza alta e escarpada; e a costa de praia (ou de acumulação) - baixa e arenosa (Figura 04).

Figura 04. Visualização dos exemplos de costa. Esquerda: Costa de abrasão; Direita: Costa de praia.

A água do mar reage quimicamente com alguns materiais rochosos desgastando-os. A ação mecânica das águas faz-se sentir quando o mar atira contra a costa rochas de dimensões variáveis originando fraturas nas rochas do litoral. A ação que o mar exerce sobre os continentes faz-se sentir aos seguintes níveis desgaste, transporte e deposição. A ação de desgaste está condicionada pelos seguintes fatores:

a) reações químicas entre a água e os materiais;

b) ação mecânica da água;

c) força e direção das ondas;

d) natureza das rochas - dureza, constituição química e coesão.

O desgaste origina materiais soltos, de dimensões muito variáveis que as correntes marítimas transportam, por vezes, a grandes distâncias. Quando a velocidade e força das correntes diminuem os materiais transportados são depositados. As correntes marítimas transportam materiais resultantes do desgaste da costa ou trazidos pelos cursos de água (rios que deságuam no litoral) que depositam quando a velocidade das águas diminui devido à baixa profundidade  formando cordões litorais(Figura 06).

 

Figura 06. Cordões litoriais.

Em outros casos, essa acumulação de areia dá-se entre o litoral e uma ilha próxima. No caso dos materiais acumulados emergirem a ilha fica ligada ao continente por uma faixa arenosa.

Quando o mar contacta o litoral em zona de costas de abrasão ocorrem fenômenos denominados recuo de barreira, como ilustra a figura 07.

Figura 07. Evolução e recuo de uma Barreira.

As ondas escavam a base da barreira e esta torna-se instável devido à perda da sua base de sustentação. Essa instabilidade origina a fragmentação e queda de blocos. Os fragmentos originam a plataforma de abrasão ( faixa entre o mar e a barreira ).

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