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Capítulo 2

2.1. INTRODUÇÃO

Entende-se por projeto geométrico de uma estrada ao processo de correlacionar os seus elementos físicos com as características de operação, frenagem, aceleração, condições de segurança, conforto, etc.

Os critérios para o projeto geométrico de estradas baseiam-se em princípios de geometria, de física e nas características de operação dos veículos. Incluem não somente cálculos teóricos, mas também resultados empíricos deduzidos de numerosas observações e análises do comportamento dos motoristas, reações humanas, capacidades das estradas já existentes, entre outras. A construção de uma estrada deve ser tecnicamente possível, economicamente viável e socialmente abrangente.

Em todo projeto de engenharia, e em particular nos projetos de estradas, pode-se, em geral, optar entre diversas soluções. É decisivo para a escolha da solução final o critério adotado pelo projetista, a sua experiência e o seu bom senso. Deverá então o projetista escolher os traçados possíveis e, em seguida, compará-los entre si, atendendo a diversos critérios que serão apresentados ao longo desta disciplina, tais como raios mínimos de curvas horizontais, inclinações de rampas, curvas verticais, volumes de cortes e aterros, superelevação, superlargura, etc.).

2.2. ESTUDOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA ESTRADA

Os trabalhos para construção de uma estrada iniciam-se por meio de estudos de

Planejamento de Transporte. Esses estudos têm por objetivo verificar o comportamento do sistema viário existente para, posteriormente, estabelecer prioridades de ligação com vistas às demandas de tráfego detectadas e projetadas, de acordo com os dados sócio-econômicos da região em estudo.

As principais atividades para elaboração de um projeto viário são:

• Estudos de tráfego; • Estudos geológicos e geotécnicos;

• Estudos hidrológicos;

• Estudos topográficos;

• Projeto geométrico;

• Projeto de terraplenagem;

• Projeto de pavimentação; • Projeto de drenagem;

• Projeto de obras de arte correntes;

• Projeto de obras de arte especiais;

• Projeto de viabilidade econômica;

• Projeto de desapropriação;

• Projetos de interseções, retornos e acessos;

• Projeto de sinalização;

• Projeto de elementos de segurança;

• Orçamento da obra e plano de execução;

• Relatório de impacto ambiental.

2.3. FASES DO ESTUDO DO TRAÇADO DE UMA ESTRADA

O projeto geométrico de uma estrada comporta uma série de operações que consistem nas seguintes fases:

• Locação ou Projeto Definitivo.

A seguir faremos uma descrição objetiva destas fases.

É a primeira fase da escolha do traçado de uma estrada. Tem por objetivo principal o levantamento e a análise de dados da região necessários à definição dos possíveis locais por onde a estrada possa passar. Nesta fase são detectados os principais obstáculos topográficos, geológicos, hidrológicos e escolhidos locais para o lançamento de anteprojetos.

2.3.1.1.Elementos necessários para a fase de reconhecimento a) Localização dos pontos inicial e final da estrada; b) Indicação dos pontos obrigatórios de passagem; b.1) Pontos Obrigatórios de Passagem de Condição: são pontos estabelecidos antes de qualquer estudo, condicionando a construção da estrada à passagem por eles. São determinados por fatores não técnicos, como fatores políticos, econômicos, sociais, históricos, etc.

b.2) Pontos Obrigatórios de Passagem de Circunstância : são pontos selecionados no terreno, durante o reconhecimento, pelos quais será tecnicamente mais vantajoso passar a estrada (seja para se obter melhores condições de tráfego e/ou para possibilitar obras menos dispendiosas). A escolha desses pontos é, portanto, um problema essencialmente técnico.

c) Retas que ligam os pontos obrigatórios de passagem.

c.1) Diretriz Geral: É a reta que liga os pontos extremos da estrada, representando a solução de menor distância para realizar a ligação entre os pontos extremos.

c.2) Diretriz Parcial: É cada uma das retas que liga dois pontos obrigatórios intermediários. Do estudo de todas as diretrizes parciais resulta a escolha das diretrizes que fornecerão o traçado final da estrada.

Para exemplificar o exposto anteriormente, consideremos a ligação entre dois pontos A e B, em uma determinada região, esboçada na Figura 2.1.

Figura 2.1: Diretrizes de uma estrada (Fonte: PONTES FILHO, 1998)

Assim, na Figura 2.1os pontos A e B são os pontos extremos. A reta AB, ligando esses pontos, é a diretriz geral da estrada. A cidade C e o porto D, que serão servidos pela estrada a construir, são os pontos obrigatórios de passagem de condição e são determinados pelo órgão responsável pela construção.

A topografia da região pode impor a passagem da estrada por determinados pontos. A garganta G é um exemplo, constituindo-se num ponto obrigatório de passagem de circunstância.

As tarefas a serem desenvolvidas na fase de reconhecimento consistem basicamente de:

• Coleta de dados sobre a região (mapas, cartas, fotos aéreas, topografia, dados sócioeconômicos, tráfego, estudos geológicos e hidrológicos existentes, etc);

• Observação do terreno dentro do qual se situam os pontos obrigatórios de passagem de condição (no campo, em cartas ou em fotografias aéreas);

• A determinação das diretrizes geral e parciais, considerando-se apenas os pontos obrigatórios de condição;

• Determinação dos pontos obrigatórios de passagem de circunstância;

• Determinação das diversas diretrizes parciais possíveis;

• Seleção das diretrizes parciais que forneçam o traçado mais próximo da diretriz geral;

• Levantamento de quantitativos e custos preliminares das alternativas;

• Avaliação dos traçados.

2.3.1.3. Tipos de reconhecimento

A profundidade ou detalhamento dos trabalhos de campo, para a fase de reconhecimento, dependerá da existência e da qualidade das informações disponíveis sobre a região.

De uma maneira geral, os tipos de reconhecimento são:

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