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Os primeiros habitantes foram às famílias transferidas do Acampamento Bananal e da Vila Amauri, próxima à vila Planalto, cuja área foi inundada quando se formou o Lago Paranoá. Mais tarde, fixaram-se na cidade os moradores que compraram os lotes lançados no mercado imobiliário. Em 1961, Sobradinho se transformou em subprefeitura do Distrito Federal e, em 1964, a Lei 4,545 dividiu o Distrito Federal em regiões administrativa e Sobradinho passou a ser RA V, com 569,40 quilômetros quadrados.

A vocação de suas terras garantiu à RA V a implantação de dois núcleos rurais- Sobradinho I e II, administrados pela Fundação Zoobotânica do Distrito Federal, além de áreas isoladas de produção e de comunidades agrícolas diversas, com áreas que variam de um a l.000 hectares. Na área industrial, a especialização local está na produção de minerais não-metálicos, principalmente o cimento. Já o comércio é orientado, basicamente, para as necessidades da população local.

Sobradinho conta com uma grande quantidade de artesãos, na confecção de trabalhos em madeira, couro e pedra. Os produtos são comercializados em feiras livres. A RA V foi escolhida para abrigar as instalações do Polo de Cinema e Vídeo do Distrito Federal. As principais festas são o aniversário da cidade, em 13 de maio, as juninas e do Peão Boiadeiro, que ocorrem em junho.

3.5 Região Administrativa – PLANALTINA

Quem acredita que Brasília é um símbolo apenas da modernidade pode se surpreender ao visitar a secular cidade de Planaltina. A 38,5 quilômetros do Plano Piloto, a mais antiga das regiões administrativas do Distrito Federal conserva, em sua estreitas, centenários casarões que testemunharam,em 1892, a passagem da Missão Cruls, encarregada de estudar a localização da nova capital do país. O local, na época chamado de Vila Mestre Darmas devido a um armeiro que morou na região, era ponto de escoamento do ouro retirado de Goiás.

Batizada de Planaltina em 1917, a cidade assistiu em 1922, anodo centenário da independência do Brasil, ao lançamento da pedra fundamental da futura capital, pelo então presidente Epitácio Pessoa. O lançamento causou, na época, um surto de desenvolvimento na região. Atualmente, o local é um dos pontos turísticos da cidade, com uma área de 1.537,16 quilômetros quadrados. Planaltina foi incorporada ao Distrito Federal com a inauguração de Brasília, recebeu novos loteamentos habitacionais e hoje se divide em duas áreas, a antiga e a nova, chamada de Vila Buritis.

Privilegiada em pontos turísticos, a região de Planaltina oferece aos visitantes atrações como a Lagoa Bonita, a Cachoeira do Pipiripau e o Vale do Amanhecer, uma das maiores comunidades místicas do país. A mais importante reserva ambiental da América do Sul, a Estação Ecológica de Águas Emendadas, também se localiza próximo à cidade. Na área urbana, as maiores atrações são a Igreja de São Sebastião, a Igreja Matriz e o Museu Histórico e Artístico de Planaltina, que conserva a memória da cidade e vende artesanato da região, onde se destacam a cerâmica e a tapeçaria. Os visitantes podem apreciar também festas tradicionais como a Folia do Divino, realizada no sétimo domingo após a Páscoa, e a Folia dos Santos Reis, no dia 6 de janeiro. O evento mais importante é a Via-Sacra, a mais concorrida festa religiosa do Distrito Federal, representada por atores da cidade, e que leva um público de cerca de 150 mil pessoas ao Morro da Capelinha, durante as comemorações da Semana Santa.

3.6 Região Administrativa – PARANOÁ

A região está localizada a apenas 28 quilômetros do Terminal Rodoviário do Plano Piloto, o Paranoá é limitada ao norte com as regiões administrativas de Planaltina e Sobradinho, ao sul e ao leste com o estado de Goiás e a oeste com o Plano Piloto e a região administrativa do Gama, a cidade está situada em local de altitude privilegiada, que oferece uma bela vista do Lago Paranoá e do Plano Piloto.

Foi a partir da instalação do canteiro de obras da construção da Barragem do Paranoá, que se formou o núcleo habitacional que deu origem, inicialmente, à Vila Paranoá. Com o crescimento do número de famílias que ali foi se fixando a partir dessa época, a Vila transformou-se em cidade-satélite e, em 1989, passou a integrar a Região Administrativa VII, através de decreto do Governo do Distrito Federal. A data do decreto, 25 de outubro, transformou-se no dia de comemoração do aniversário da cidade.

Organizada em dois setores - Paranoá Velho e Paranoá Novo -, a cidade possui infra-estrutura básica e tem, entre os projetos de urbanização, a previsão para a construção de um grande parque turístico, que aproveitará o potencial oferecido pela beleza da Barragem do Paranoá, onde já existe uma churrascaria.

3.7 Região Administrativa - NÚCLEO BANDEIRANTE

A região é conhecida como "Cidade Livre" durante a construção de Brasília, onde o comércio era livre e não se cobrava impostos, funcionou como centro comercial e recreativo daqueles que estavam diretamente ligados à construção da nova capital. A cidade surgiu, efetivamente, em 19 de dezembro de 1956, sendo a primeira área destinada a abrigar os trabalhadores pioneiros. Em 20 de dezembro de 1961, a Lei nº 4.020 estabeleceu os seus primeiros limites geográficos, que abrangiam 1,15 quilômetros quadrados. Algumas construções de madeira foram mantidas na forma original. São casas, sobrados e construções do porte da escola Metropolitana e do Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO), tombado pelo Patrimônio Histórico do GDF, e onde hoje funciona o Museu Vivo da Memória Candanga.

Situado a 13,3 quilômetros do Plano Piloto, o Núcleo Bandeirante possui uma população de 31.205 habitantes, distribuídos em 82,39 quilômetros quadrados. Totalmente urbanizada, a cidade possui um comércio forte, onde se destaca o setor atacadista. Encontra-se em fase de implantação o Setor Industrial Bernardo Sayão (gemologia, gráfica e informática) e a Placa da Mercedes (armazenamento, indústria e abastecimento). Nesses setores serão implantados pequenas indústrias, comércio atacadista, de material de construção, beneficiamento de cereais, informática e lapidação de pedras preciosas, entre outros.

São vários os pontos turísticos da cidade, destacando-se a Igreja da Metropolitana, que foi construída em madeira e tombada pelo Patrimônio Histórico; Igreja Dom Bosco, erguida no mesmo local onde Padre Roque iniciou a construção original em madeira; o Mercadão, antigo Mercado Diamantina, que abriga um comércio diversificado e restaurantes de comidas típicas de vários estados, principalmente do nordeste; a Casa do Pioneiro, construção em madeira onde funciona uma Biblioteca Pública; e o Museu Vivo da Memória Candanga, conjunto formado por construções em madeira, e pela Escola do Saber Fazer, que oferece cursos de artesanato, principalmente cerâmica, aos menores da cidade.

3.8 Região Administrativa – CEILÂNDIA

Segundo maior colégio eleitoral do DF, Ceilândia teve um crescimento acelerado,proporcional à esperança dos migrantes de encontrar, na região, trabalho e melhoria de vida. Surgiu a partir da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), realizada em 1971 pelo Governo do DF, de onde se originou o nome da Ceilândia. A cidade divide-se nos setores M, N, O, P e Q, dispostos em torno de dois eixos que se cruzam em ângulo de 90º.

Os habitantes da região de Ceilândia, são em sua maioria, migrantes que vieram de Goiás, Minas Gerais, da região Norte e, principalmente, do Nordeste, fazendo da cidade um ponto de convergência e de difusão da cultura nordestina. Um exemplo é Casa do Cantador, projetada por Oscar Niemeyer para sediar a Federação Nacional das Associações de Cantores, repentistas e Poetas Cordelistas, que promovem encontros e festivais. A população da cidade marcou a história da organização comunitária no Distrito Federal, com a criação da combativa Associação dos Incansáveis Moradores da Ceilândia.

As quadras residenciais são compostas, além das habitações, de comércio local e templos. Os demais equipamentos urbanos são distribuídos em áreas especiais. Aos domingos, o centro é ocupado por duas feiras, a Feira Central, onde se encontram todos os tipos de produtos, e a Feira do Rolo, que utiliza o sistema de trocas para negociar desde eletrodoméstico até literatura de cordel.

Localizada a 24 quilômetros do Plano Piloto, com acesso através da Via Estrutural e da EPTG, Ceilândia possui uma área de 232 quilômetros quadrados e seu traçado urbanístico é do arquiteto Ney Gabriel de Souza. Sua principal atração é a Barragem do Rio Descoberto, cujo acesso é através da BR-070. As principais Festas são o aniversário da cidade, no dia 27 de março, a Festa Colônia Nordestina, na primeira semana de julho e os jogos da Primavera, em setembro.

3.9 Região Administrativa – GUARÁ

Não existe em Brasília quem não tenha ido ou ao menos ouvido falar na feira do Guará. A feira livre, que acontece nos fins de semana, tornou-se o referencial maior dessa que é uma das caçulas entre as cidades do DF. Com 25 anos de existência, a Região Administrativa X possui uma das melhores infra-estruturas urbanísticas, com localização privilegiada, entre Plano Piloto e Taguatinga.

O Guará nasceu de mutirão de funcionários da Novacap, que em 1967 começaram a construir suas casas, reunidos em grupos de 10 famílias, sob orientação de arquitetos e engenheiros. O êxito da experiência fez com que o projeto fosse estendido a servidores de outras instituições do governo. Mais tarde, encerrados os mutirões, as casas passaram a ser construídas pela Sociedade de Habitações e Interesse Social (SHIS). A cidade deve seu nome ao Córrego Guará, que corta sua área e que provavelmente foi batizado assim em homenagem ao lobo-guará, espécie comum na Região do Planalto Central.

Dividido em Guará I e II, seu planejamento físico foi concebido para distribuir as casas em quadras completas, com escola, playground e comércio. A idéia original do Guará é do urbanista Lucio Costa, o idealizador do Plano Piloto. A cidade, no entanto, cresceu muito além do planejado, e recebeu algumas ampliações, que seguiram o traçado básico. Além da famosa feira livre, o Guará dispõe de um kartódromo, o principal do DF, cuja pista serviu de iniciação para pilotos de renome internacional, como Nelson Piquet, Roberto Pupo Moreno e Alex Dias Ribeiro. O Centro Administrativo Vivencial e Esportivo (CAVE) e a Casa da Cultura do Guará são, os principais espaços para atividades culturais e esportivas da cidade, que ainda dispõe de três clubes recreativos, hotéis, bares e restaurantes.

3.10 Região Administrativa – CRUZEIRO

Esta é a região administrativa mais próxima do Plano Piloto, o Cruzeiro tornou-se conhecido como um reduto do samba, com as constantes festas promovidas pela Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro, a famosa Aruc, escola de samba mais premiada dos carnavais do Distrito Federal.

A cidade nasceu de um conjunto construído em 1958 para abrigar os primeiros funcionários que chegaram à capital, e recebeu este nome por estar a cruz erguida do ponto mais alto do Eixo Monumental, onde em 1957, foi celebrada primeira missa de Brasília. Muito antes disso, em 1894, a área onde hoje se encontra a cidade, abrigou um acampamento da Missão Cruls, que ali instalou um observatório.

As primeiras casas construídas foram habitações geminadas de um pavimento, com áreas para comércio, serviços, recreação e templos. Na década de 70 foi construído um conjunto de edifícios residenciais que passou a ser conhecido como Cruzeiro Novo. oficialmente chamado Setor de Habitações Coletivas Econômicas Sul (SHCES), é formado por blocos de apartamentos de quatro andares. A parte antiga, que ficou conhecida como Cruzeiro Velho, é formado por 60 quadras.

Oficializado como Região Administrativa em 1989, possuindo uma área de 8,99 quilômetros quadrados, que inclui também o Setor de Habitações Coletivas - Áreas Octogonais (SHC, AO/Sul), formado por oito quadras em forma de octógono. Em 30 de novembro, a cidade comemora seu aniversário e durante todo o ano são realizadas festas e ensaios abertos na sede da respectiva associação.

3.11 Região Administrativa – SAMAMBAIA

A região foi criada para responder ao crescimento populacional do DF, Samambaia recebeu os primeiros moradores em 1985 e as casas foram construídas, em parte, com o apoio do Programa de Olarias Comunitárias, organizado pela artesã e ex-secretária do Desenvolvimento Social, Maria do Barro. Distante em média de 28 quilômetros do Plano Piloto. Seu projeto urbano, traçado ao longo de eixos que facilitam o transporte público e a distribuição das áreas de comércio e serviços, prevê uma capacidade para 330 mil pessoas em 106 quilômetros quadrados, distribuídas em setores que vão desde o de Mansões Leste até a Vila Roriz, onde estão as construções mais populares.

A cidade comemora seu aniversário em 25 de outubro. Seu principal centro de atividades é a Chácara Três Meninas, localizada na Entrequadra 609/611, do Centro Urbano, onde se encontram a Casa da Cultura, a Olaria Comunitária, a Biblioteca Pública, postos de saúde, escolas e serviço social.

3.12 Região Administrativa - SANTA MARIA

Esta região está localizada a 39 quilômetros do Terminal Rodoviário do Plano Piloto, limitando-se ao norte com o Núcleo Bandeirante, ao sul com o estado de Goiás, a leste com o Paranoá e a oeste com o Gama.

A Região Administrativa XIII foi criada pelo Decreto nº 14.604, de 10 de fevereiro de 1993, data em que Santa Maria comemora seu aniversário.

3.13 Região Administrativa - SÃO SEBASTIÃO

A região é distante em média de 30 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto, a Região Administrativa de São Sebastião foi criada pela Lei nº 467, de 25 de junho de 1993, com uma área de 383,18 quilômetros quadrados.

3.14 Região Administrativa - RECANTO DAS EMAS

Criada pela Lei nº 510, de 28/07/93, a Região Administrativa Recanto das Emas está situada a 26 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto.

3.15 Região Administrativa - LAGO SUL

Desmembrada da RA I em janeiro de 1994, a Região Administrativa do Lago Sul possui 190,24 quilômetros quadrados, fica a 8,4 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto e situa-se às margens do Lago Paranoá.

3.16 Região Administrativa - RIACHO FUNDO

Foi criada pelo Programa de Assentamento do Governo Joaquim Roriz, em 13 de março de 1990, e elevada a cidade em 15 de dezembro de 1993. Seu nome origina-se da granja homônima, utilizada, na época do militarismo, como residência oficial da Vice-Presidência, e depois transformada em sede do Instituto de Saúde Mental, que além de assistência aos doentes, promove cursos profissionalizantes para a comunidade local. A região é responsável por boa parte do abastecimento agrícola do Distrito Federal. É nela que está localizada a Fundação Cidade da Paz, entidade não-governamental, que mantém e administra a Universidade Holística Internacional.

A cidade está localizada a 18 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto, possuindo 54,53 quilômetros quadrados. A RA XVII comemora seu aniversário em 13 de março e em maio celebra a tradicional Festa de São Domingos Sávio. As festas juninas envolvem toda comunidade, com muita alegria e animação.

3.17 Região Administrativa - LAGO NORTE

Desmembrada da RA I em 10/01/94, através da Lei nº 641, a Região Administrativa do Lago Norte possui 57,49 quilômetros quadrados.

3.18 Região Administrativa – CANDANGOLÂNDIA

Esta região foi criada pela Lei nº 658, de 27/01/94, a Região Administrativa de Candangolândia possui uma área de 6,64 quilômetros quadrados.

O nome da cidade é em homenagem aos pioneiros de Brasília, que ficaram conhecidos como candangos.

4. Considerações Finais

Brasília foi inscrita e descrita a partir de diversos olhares. Cada um deles elegeu e elege marcos, propõe imagens, cria e recria a cidade como se dela pudesse tomar posse, como se pudessem atingi-la em sua essência. Mas é possível pensar numa cidade real? Numa cidade (ou imagem dela) mais real, mais verdadeira do que outra?

O planejamento urbanístico de Brasília fomenta a impossibilidade de entender a cidade em sua totalidade torna uma abordagem mais aberta à pluralidade de leituras e ao entendimento da cidade enquanto essa mesma pluralidade, constituída, assim, por uma complexa rede de olhares e falas que incidem sobre ela e a edificam na sua contextualidade.

Neste sentido, existe um desafio do entendimento dimensão desta metrópole federal, no sentido de entrelaçar de fios que tecem a sua imagem abriram lacunas outras que deixam entrever ainda muitos territórios a descortinar, muitas trajetórias a conhecer e muitas redes de relações a reconstituir, apresentando uma infra-estrutura muito complexa e diversificada aos modelos de cidades modernas.

O desafio se configura desde quando se percebe que a maioria dos documentos e artigos referentes à construção de Brasília partia de uma imagem sacralizada da cidade, quase como um território de contornos bem definidos e constituídos em que poderíamos apenas percorrer o interior de suas fronteiras entendida em sua própria historicidade.

5. Referência Bibliográfica

CEBALLOS, Viviane Gomes de. “E a história se fez cidade...”: a construção histórica e historiográfica de Brasília. (Dissertação de mestrado – Universidade Estadual de Campinas-SP).211 p.[s.n.], 2005.

HOLSTON, James. A Capital Modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. (trad. Marcelo Coelho). São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

OLIVEIRA, Juscelino Kubitschek. Porque construí Brasília? Rio de Janeiro, Bloch, 1975.

CRULS, Luis. Relatório Cruls (relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil). 7a ed. Fac-similar. Brasília, Senado Federal, Conselho Editorial, 2003.

SÁ, Cristina. “Olhar Urbano, Olhar Humano. Uma apresentação” In: SÁ, Cristina (org.)

Olhar Urbano, Olhar Humano. São Paulo, IBRASA, 1991.

SILVA, Ernesto. História de Brasília. Brasília, Coordenada / INL, 1971.

SILVA, Ernesto. “Capital Artificial e Capital Natural”. Correio Braziliense, 09 de outubro de

1962.

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