Sexualidade na Escola

Sexualidade na Escola

Sexualidade Infantil

 

Psicóloga Nina Eiras Dias de Oliveira

A educação sexual acontece primordialmente no contexto da família onde a criança está inserida. Muitos pais preferem nem tocar no assunto. Outros super estimulam as crianças, achando engraçadinho ver crianças de 1, 2, 3 anos beijarem na boca, ao som de frenéticas risadinhas, ou indagações do tipo: "Quem é seu namorado?" As meninas vestem micro saias, ou micro shorts, os meninos são empurrados a desejar modelos como Tiazinha, Carla Perez, Feiticeira, etc.A geração anterior era muitas vezes punida e repreendida caso mencionasse ou quisesse saber alguma coisa a respeito de sexualidade. A atual é bombardeada pela estimulação precoce à erotização.

Há os que acreditam que só estão lidando com a sexualidade a partir do momento em que ela é falada, seja através de informações ou explicações a respeito. Mas onde inicia então esta relação? Quando a mãe e o pai cuidam do bebê, brincam com este, na maneira como se relacionam com ele, ao mesmo tempo em que o casal vive uma relação afetiva, gratificante ou não, quando os limites de cada papel e relação ficam bem definidos e marcados, quando a criança pode concluir que amar é ou não possível, está recebendo educação sexual.Quando se pensa em educação sexual na infância, automaticamente tem que se pensar, também, em desenvolvimento emocional, isto é, tem que se levar em conta o nível de maturidade e as necessidades emocionais da criança.É importante que as questões da criança tenham espaço para serem colocadas e respondidas com clareza, simplicidade, na medida em que esta curiosidade vai se dando. Ás vezes, alguns pais querem se livrar logo do assunto e na ansiedade disparam a falar além da necessidade da criança, na tentativa muitas vezes frustrada de que nunca mais vão precisar falar sobre o assunto. Quando uma criança pergunta por exemplo, como o bebê foi parar na barriga da mãe não quer dizer que ela queira ou aguente saber detalhes com relação ao ato sexual dos pais. Responder a criança de maneira simples, clara e objetiva satisfaz sua curiosidade. A satisfação dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber seja impulsionado ao longo da vida, enquanto que a não satisfação ou o excesso de informações gera ansiedade e tensão.

A sexualidade infantil é diferente da sexualidade adulta, não contém os mesmos componentes e interesses. Muitas vezes através da dramatização, a criança compreende, elabora, vivencia a realidade que vive. Compreende papéis (mãe, pai, filho, homem, mulher, etc.), embora muitas vezes já se perceba menino ou menina e já conheça seus orgãos genitais, experimenta na brincadeira sexos indiferentemente.Perdeu-se hoje, de uma forma geral, a noção do que é pertinente a criança. Vejo com frequência adultos se dirigirem a criança como se estivessem se dirigindo a adultos em miniatura. Não sabem como se aproximar delas, sobre o que falar e de que maneira.

Ao ouvirem uma criança se referir a outra como sendo seu namorado entendem isto dentro do parâmetro de adulto, às vezes desesperando-se, às vezes estimulando, poucos lidam com este dado na dimensão do contexto e por quem ele é apresentado.

Acompanho no consultório crianças que, super estimuladas, encontram na erotização a única forma de se relacionar. O afeto é erotizado e os movimentos, a vestimenta e a maneira como se comportam, tem o sentido de provocar uma relação erotizante. Apresentam, portanto, distorção em sua capacidade de sentir, pensar, integrar, conhecer e de relacionar, pois são estimuladas a dar um salto para a sexualidade genital, que não têm condições emocionais, biológicas e maturidade de realizar, dispertando, muitas vezes, alto nível de ansiedade e depressão.

Educar sexualmente para a felicidade

A sexualidade humana é definida como um conjunto de representações vivenciais, valores, regras, determinações, simbologias existenciais pessoais e coletivas que envolvem a questão da identidade sexual do homem e da mulher.

Na sociedade primitiva ela era identificada com a procriação[carece de fontes?]. Na sociedade atual ela saiu do contexto do quarto do casal e é discutida na praça, na mídia escrita e falada, no discurso político, mas não se criou uma ética. À frente de tudo isto esta a ditadura comportamental da mídia, o novelismo é que dita as regras e compõe a sociedade moderna. Ao contrário do que pensam os adultos, crianças são seres humanos e, como tais, sexuados. Dependem de nossa postura e ação para iniciarem o sexo com naturalidade e maturidade.

Conhecendo melhor o desenvolvimento da sexualidade infantil constatou-se que os comportamentos sexualmente tipificados são aprendidos desde tenra idade e, por isso mesmo, a escola desempenha um importante papel quando, através das informações corretas, garante e protege o desenvolvimento natural da sexualidade.

O individuo é resultado de sua formação, de seu tempo, de sua família, de suas experiências, crenças, religiões, dos seus conceitos, dos livros que leu, dos filmes que assistiu. Portanto é um ser essencialmente subjetivo, por esse motivo é pertinente que a escola desenvolva um trabalho de orientação sexual que possibilite a criança o entendimento das transformações que vão ou estão ocorrendo em seu corpo, de uma forma natural e sem tabus.

Hoje, muitas famílias não sabem como assumir o seu papel na educação dos seus filhos. É na tela da TV e da Internet, na mídia escrita e cantada, que a violência invade nossos lares e a privacidade das famílias diariamente, comprometendo e deseducando nossas crianças, tornando-as precocemente erotizadas, desestruturando a formação idealizada pelas famílias e educadores, e até destruindo sua formação moral.

[editar] Como combater tão forte adversário?

Se hoje a família tem dificuldades para cumprir seu papel na sociedade, que é de educar as crianças, o papel de pai e de mãe, perdeu-se em um mundo, onde se troca toda a atenção necessária, por tudo o que o crediário possa comprar. É isto que o capitalismo nos impõe. A família no século XXI mudou o seu modo de viver, no seu núcleo, a figura da mulher que antes tinha a santificada tarefa de educar os filhos, de acompanhar passo a passo sua infância e adolescência, orientá-los diariamente em todas suas posturas e comportamentos, hoje já não existe mais, pois a mulher tomou seu lugar nesta sociedade capitalista e, está inserida no mercado de trabalho, passando longo períodos fora do lar. Muitas tem dificuldades em relacionar o trabalho fora, com a jornada dupla da responsabilidade da casa e de educar os filhos, paralelamente a isto, mesmo com todo o modernismo, com toda a abertura dos temas sexuais em nossa sociedade, muitos pais tem dificuldade em abordar o tema sexualidade com os filhos, por uma questão de valores, de preconceitos, de tabu ou mesmo por vergonha.

Portanto o máximo que se vê são recados passados nas entrelinhas, no meio de frases como: “Tome cuidado” . “Não vá aprontar” ou através de comentários negativos sobre tantos fatos envolvendo outras garotas, que contrariam as expectativas da sociedade e da família. Mesmo que os pais não toquem diretamente no assunto, as garotas conhecem sua opinião. Não fazem perguntas, nem exprimem suas dúvidas. Sabe-se que a criança não nasce com tendências a se auto-educar, precisa de normas, limites, delimitações de espaços, regras, modelos e exemplos, para que este processo aconteça, o adolescente deve ser levado a refletir a respeito, deve conhecer suas possibilidades e limites com a ajuda de pais e educadores, mas com dados reais; não sob pressão e medo, resta-nos perguntar: Quem poderia suprir esta necessidade? Quem vai educar nossas crianças, para a sexualidade e para a vida?

Comenta Rosely Sayão(1997)

"(...) E quem são, afinal os responsáveis por uma educação sexual que permita uma visão consciente da sexualidade (...) claro que os primeiros e principais responsáveis são os pais (...) E quem são os adultos que, pelo menos em tese, deveriam aliar-se aos pais nessa difícil tarefa de educar? Os professores, claro! " Pág.: ( 269-281)

Torna-se necessário hoje a escola assumir tal responsabilidade, de educar estes cidadãos, o Educador cada dia mais, precisa estar preparado para esta árdua tarefa, um bom Educador deve ter o desejo de exercer cada vez melhor a profissão a que se dedica. Estar ciente da responsabilidade que carrega ajudando o aluno a fazer suas próprias descobertas. Nos dias de hoje, o professor não é apenas aquele que transmite o conhecimento, mas sobre tudo, aquele que subsidia o aluno no processo de construção do saber. Somos seres sexuados, é natural do ser humano ser curioso, principalmente quando tange a este campo, a criança desde a mais tenra idade mostra sinais de curiosidade quanto à diferença, menino/menina. O tocar nos órgãos sexuais não tem nada de anormal, o educador precisa saber diferenciar a curiosidade da malícia, e estar ciente de que há necessidade de trabalhar este campo sem censuras, sem inibir a criança e sem criar fantasias a respeito. Tanto as crianças como os adolescentes precisam de apoio para vivenciar seus novos papéis, visando sua autonomia. Precisam de compreensão em seus possíveis fracassos, experiências próprias de vida para que na fase adulta possam se sair bem nas funções exigidas pela sociedade. Isto perpassa por todo um trabalho para se educar dentro dos valores e da sexualidade. Os conteúdos sobre a sexualidade devem ser concretos, contextualizados e trabalhados dentro da totalidade dos conhecimentos físicos, biológicos e espirituais. O professor deve primeiramente considerar o que o aluno já traz da família, mesmo que esse conhecimento não esteja de acordo com o científico exigido, pautado no senso comum, apresentando apenas aos educandos como informação. Temos a difícil tarefa de desmistificar este mito, este tabu. A educação sexual da criança depende, da educação sexual do educador.

Criar um conceito positivo, de umas etapas belas e únicas da vida, que deve ser serenamente compreendida para ser plenamente vivenciada. Mostrar a construção histórica da adolescência, as diversas formas com que as sociedades tratam seus adolescentes, trabalhar algumas estatísticas sobre a população jovem e adolescente no mundo de hoje e dar oportunidades para debate sobre as dificuldades que os adolescentes passam neste período: crise com os pais, mudança nos papeis sociais, o apelo do mundo do trabalho, o consumismo, as experiências afetivas e as identificações com modelos sociais. Interpretar a rebeldia adolescente como uma etapa necessária à formação e a emancipação da personalidade jovem e madura. Dar informações gerais, que serão desenvolvidas nos temas seguintes, sobre as mudanças corporais e sociais dos corpos meninos e meninas.

Um dos maiores preconceitos e rótulos que pesam sobre os adolescentes é a concepção de que nessa idade esses meninos e meninas ficam insuportáveis, rebeldes, desleixados, agressivos, preguiçosos, estranhos. São chamados de “aborrecentes” até mesmo por educadores.. Na verdade isto é um grande equívoco. Não é fato que as meninas e meninos nessa idade tornem-se tão “negativos’ e “pesados”. Esses são rótulos de uma sociedade que não sabe lidar adequadamente com seus adolescentes. Há uma certa facilidade em entender e conceituar o mundo infantil, mas no mundo adulto onde está inserida a juventude e a maturidade há profundas falhas e divergências na interpretação e significação da adolescência. Para isso é imprescindível ser profissional que domine não apenas o conteúdo de seu campo especificamente, mas também a metodologia e a didática eficiente na missão de organizar o acesso aos alunos. E não apenas saber de determinadas matérias, mas o saber ‘da e para a vida’, saber ser gente, com ética, dignidade, valorizando a vida, a saúde, o meio ambiente, a cultura, educar para a felicidade plena como ser humano. Outras palavras, muito mais que transmitir conteúdos das matérias curriculares, organizadas, programada para o desenvolvimento intelectual de humanidade é preparar, ensinar a ser cidadão, mostrar aos alunos seus deveres, e seus direitos. É preciso mostrar que existem deveres e que as responsabilidades sociais, devem ser cumpridas, por cada um, para que todos vivam com dignidade. A infância e a adolescência como um conjunto de mudanças corporais, psíquicas e sociais é um dos mais ricos e fecundos períodos da vida humana, e deve ser plenamente compreendia e vivenciada. Assim é importante que o professor trabalhe a sexualidade e os valores, fazendo seu aluno perceber o outro, perceber quem esta ao seu redor, tornando crianças que saibam a importância de respeitar a si e ao próximo.[2]

[editar] Dois pontos de vistas básicos

Teorias do desenvolvimento sexual podem ser de um modo geral dividida em duas escolas de pensamento:

  1. Aqueles que tendem a enfatizam a biologia inata, que pode ser favorecida ou derturbado durante a infância. Isto é, que o desenvolvimento sexual humano é essencialmente um processo biológico e, portanto, basicamente semelhantes entre culturas, e que existe, portanto, um modelo relativamente limitado do desenvolvimento sexual saudável, embora isso possa ser perturbado pela influência da cultura ou por outros meios. Este é o método utilizado com mais freqüência no estudo dentro das escolas de ciências biológicas.

  2. Aqueles que tendem a enfatizam que a sexualidade é uma construção sociais (com a sexualidade infantil fortemente influenciada pela sociedade que a cerca). Esta última escola utiliza muitas vezes os termos normativo (comportamento culturalmente apropriados) e não-normativo (comportamento culturalmente inadequado),[1] e é o método utilizado na maioria das escolas de ciências sociais.

[editar] pesquisa

[editar] Primeiras pesquisas

As duas personalidades mais famosas na investigação da sexualidade infantil provavelmente são Sigmund Freud (1856-1939) e Alfred Kinsey (1894-1956).

O trabalho de Freud, em 1905, Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade delineou uma teoria da desenvolvimento psicosexual com cinco fases distintas: o estágio oral (0 - 1,5 anos) onde sua principal região de prazer é a boca; o estágio anal (1,5 - 3,5 anos) quando região de prazer se desloca para o ânus; o estágio fálico (3,5 - 6 anos) quando dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto e culminou com a resolução do Complexo de Édipo nos meninos, já as meninas o complexo de Édipo nunca se desfaz, seguida de um período de latência da sexualidade (6 anos a puberdade) e o estágio da genitalia ou adulto.

A tese básica de Freud era de que as crianças da sexualidade precoce é polimorfa e fortemente iniciativa a ter um desenvolvimento acentuado, e que as crianças precisa ajuizar ou sublimar estes para desenvolver um adulto saudável na sexualidade.

Alfred Kinsey, cujas duas principais obras são os seus estudos (1948 e 1953), utilizou recursos para fazer os primeiros inquéritos em larga escala de comportamento sexual. O trabalho deKinsey centrava-se em adultos, mas ele também estudou crianças e desenvolveu os primeiros relatórios estatísticos sobre a masturbação na infância.

O pesquisador sueco IngBeth Larsson, assinala que «É bastante comum as referências continuarem a citar Alfred Kinsey», devido à escassez de estudos posteriores do comportamento sexual de crianças.[1]

[editar] Metodologia corrente de estudo

Desenho de Martin Van Maele, 1905

O conhecimento empírico sobre o comportamento sexual infantil geralmente não é recolhido por entrevistas diretas a criança, (em parte devido a considerações éticas),[1] mas sim por:

  • observação de crianças que estejam sendo tratadas por terem problemas de comportamento, como o uso da força nas brincadeira de cunho sexual,[3] muitas vezes utilizando bonecos tenham representação da genitália.[4]

  • recordações de adultos.[5]

  • observação dos responsaveis.[6]

[editar] Comportamento

[editar] Comportamento normal e anormal

Desenho de Martin Van Maele, 1905

Embora haja variação entre os indivíduos, as crianças geralmente são curiosas sobre os seu próprio corpo e os dos outros e se engajam em jogar onde exploram a sexualidade.[7][8] No entanto, o conceito de sexualidade infantil é fundamentalmente diferente do objetivo-direcionador do comportamento sexual adulto, sendo a imitação do comportamento dos adultos, como penetração corporal e contato oral-genital são muito incomuns,[9] sendo mais comum entre as crianças que foram abusadas sexualmente.[1], mas crianças com outros tipos de desordem de comportamento também podem apresentar outros comportamentos de natureza sexuais das outras crianças.[1]

[editar] sintomas comportamentais

As crianças que foram vítima de abuso sexual por vezes podem mostrar comportamento sexual improprio para a idade,[10][11] que pode ser definido como uma expressão comportamental que não é normal para a cultura. O comportamento sexual pode constituir a melhor indicação de que uma criança tenha sido abusada sexualmente, embora algumas vítimas não apresentem comportamento anormal.[10] Mas também há crianças que apresentam comportamento sexual improprio, porém, causados por outros fatores além de abuso sexual possam ter causado esses problemas.[11] Outros sintomas de abuso sexual podem incluir manifestações de stress pós-traumático em crianças mais novas; medo, agressividade, e pesadelos em crianças em idade escolar; e depressão em crianças mais velhas.[10]

[editar] comportamento normal

Desenho de Martin Van Maele, 1905

As seções seguintes descrevem o típicos comportamento cultural normal que se desenvolve na maioria das atuais sociedades ocidentais.

[editar] principio da infância

O termo infância pode abranger até idades quatro, cinco, ou seis anos, dependendo do foco principal da pesquisada ou comentário. Durante este período:

  • As crianças frequentemente são curiosas sobre onde provêm os bebês.[12]

  • As crianças podem explorar o corpo de outras crianças e de adultos por curiosidade.[12]

  • Por quatro anos, as crianças podem mostrar um apego significativo ao progenitor do sexo oposto.[12]

  • As crianças começam a ter um sentimento de modéstia e da diferença entre comportamento público e privado.[12]

  • Em muitas crianças, tocar genitais, especialmente quando elas estão cansadas ou perturbadas.

[editar] Masturbação e orgasmo

De acordo com Alfred Kinsey em seus estudos na década de 1950, as crianças são capazes de terem orgasmos a partir dos cinco meses de idade. Kinsey observou que por volta dos três anos de idade, as meninas masturbam-se com mais freqüência do que os meninos, mas estudos mais recentes feitos na Suécia indicam que a masturbação em crianças desta idade é incomum, e mais comum entre os meninos do que com as meninas.[1] Kinsey também observou que a lubrificação da vagina na estimulação sexual de meninas é semelhante ao de uma mulher adulta. Until boys start producing semen (around puberty), they can only experience dry orgasms. Até a rapazes começar a produzir sémen (inicio da puberdade), que só podem experimentar orgasmos seco (anejaculação). A capacidade de ejacular se desenvolve gradualmente com o tempo e tem sido relativamente constante entre as culturas e durante o último século.[13]

Alguns pesquisadores sugerem que a masturbação infantil pode ser considerada não sexual, se a criança ainda não aprendeu a associá-la com o sexo.[14]

[editar] Início da idade escolar

As crianças tornam-se mais conscientes das diferenças entre os sexos,[15][15] e tendem a escolher amigos ou companheiro no jogo do mesmo sexo,[15] ainda há menosprezo pelo sexo oposto.[15] As crianças podem soltar a sua estreita ligação ao seu progenitor sexo oposto e tornar-se mais ligado ao seu progenitor do mesmo sexo.[12]

Durante esse período, as crianças, especialmente as meninas,[16] mostram aumento da consciência dos costumes sociais quanto sexo, nudez e privacidade.[16] As crianças podem usar termos de cunho sexual para testar a reação adultos.[12] As "piadas de banheiro" (piadas e conversa respeitantes das funções excretoras), presentes em fases anteriores, continua.[17]

Masturbação continua a ser comum.[12][17]

[editar] Média infância

A 'média infância' abrange as idades a aproximada de seis a nove anos. Quando o desenvolvimento individual varia consideravelmente.

Com o avanço desta fase, a escolha de amigos do mesmo sexo torna-se mais acentuada, e aumenta o desprezo pelo sexo oposto.[18]

[editar] Atividade sexual

Num estudo de 1943 de principalmente rapazes brancos, de classe média e alta-média do meio-oeste urbana dos Estados Unidos descobriram que 16% afirmavam ter tido experiência coito por volta dos 8 anos de idade.[19]

jogos Sexuais entre irmãos

Num estudo com 796 estudantes, 15% das mulheres e 10% dos homens relataram algum tipo de experiência sexual que tenha envolvendo um irmão; maioria destes não chegar até uma reais experiência sexual. Cerca de uma em cada quarto dessas experiências foram descritas como abusivas ou exploratorio. O efeito da não exploratorio dos jogos sexuais entre irmão é incerta, com alguns estudos sugerem efeitos a longo prazo, tanto positivas como negativas, e não encontrar outros efeitos significativos.[20][21]

Aspectos jurídicos

Em muitos países e localidades, as relações sexuais que envolvem crianças, mesmo consensuais, são proibidos por estatutárias estupro e leis sobre o abuso sexual infantil. Alguns, mas não todos os países, permitem jovens que tenham idades proximas terem relações sexuais, mas geralmente haja uma idade mínima abaixo da qual tais relações são legalmente consideradas estupro, independentemente da proximidade de idade.

A idade a partir da qual um menor tem consentimento legal para manter uma relações sexuais com uma pessoa de qualquer idade é referida como a Idade de consentimento e varia de país para país.

MÍDIA E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL II

Acúrsio Esteves · Salvador (BA) · 8/5/2007 03:21 · 2 ·  

 

Sigmund Freud e Jean Piaget. Referências Balizadoras.Os estudos na área da sexualidade humana desenvolvidos por Sigmund Freud, evidenciam a necessidade de compreensão das diversas fases da construção da sexualidade infantil, sendo obrigação da escola estar informada destas ocorrências e as professoras habilitadas para compreender as diversas manifestações que irão ser exteriorizadas pelas crianças e não reprimi-las, ao contrário, permitir e orientar evitando, claro, os excessos. Segundo ele a partir do período do nascimento até à fase da puberdade, o sexo age de modo latente como um norte das estruturas da personalidade que irão se consolidar na fase adulta. Ele chama estas fases de desenvolvimento psicossexual, e nos diz que a libido situa do nascimento a puberdade três etapas gradativas, representativas do grau de maturação sexual da criança e que marcam o início da vida sexual do ser humano: fase oral, fase anal, fase fálica. Depois, vem a puberdade. Estas etapas variam de início, fim e duração de indivíduo para indivíduo.O período inicial é a primeira fase desse amadurecimento e está direcionado para o próprio corpo. Ao nascer, o bebê perde a relação simbiótica que possuía com a mãe iniciando sua adaptação ao meio. A libido está organizada em torno da zona oral e o tipo de relação será a incorporação: a criança incorpora o leite e o seio, e sente ter a mãe dentro de si. Ainda na primeira fase, dos dois aos três anos, a libido passa da organização oral para a anal. O controle muscular amadurece neste período em que o controle dos esfíncteres torna-se mais evidente, juntamente com o sentido de propriedade relativo a seus pertences. Consolida-se aí o andar e o falar. A partir dos quatro anos a libido passa a se localizar nos órgãos genitais. É natural nesta fase um grande interesse pelos órgãos genitais e a masturbação freqüente. A criança fixa a sua atenção no genitor do sexo oposto, num sentido evidentemente incestuoso. É a fase edipiana, quando forma-se na criança uma espécie de busca de prazer junto ao sexo oposto. O menino fixa-se na imagem da mãe, e a menina na do pai.O encerramento deste ciclo coincide com o período de conclusão da educação infantil, a partir de sete anos. Este é um período intermediário entre a genitalidade infantil e a adulta e nele não há nova organização de zona erógena.Se até aí o desenvolvimento das sucessivas fases de amadurecimento sexual for respeitado, a criança seguirá seu curso normal entrando numa fase chamada período de latência, quando ela irá sublimar as atenções da área sexual e estará mais apta a adquirir novos conhecimentos através do amadurecimento intelectual esperado neste período, que irá até aproximadamente os doze anos, início da puberdade. A partir daí a libido toma direção sexual definitiva.Já Piaget classificou quatro estágios no desenvolvimento do raciocínio humano, que iam do nascimento até o fim da puberdade e conseqüentemente ao início da adolescência, que se sucediam de acordo com as fases do desenvolvimento físico. Após observarmos a classificação de Piaget, poderemos concluir que a sua classificação coincide com as observações de Freud, e poderemos constatar que além do desenvolvimento do raciocínio e do físico, correspondem também às citadas etapas, ao desenvolvimento psicossexual. No nosso caso nos interessa principalmente a concordância entre o período de latência de Freud e o terceiro estágio de Piaget. Vejamos.Ao primeiro estágio Piaget chamou sensório-motor. Ele corresponde aos dois primeiros anos da vida e caracteriza-se por uma forma de inteligência empírica, exploratória, não verbal. A criança aprende pela experiência, examinando e experimentando com os objetos ao seu alcance, somando conhecimentos.No segundo estágio, que ele chamou pré-operacional, e que vai dos dois anos aos sete anos, os objetos da percepção ganham a representação por palavras, as quais o indivíduo, ainda criança, maneja experimentalmente em sua mente assim como havia previamente experimentado com objetos concretos.No terceiro estágio, dos sete aos doze anos, as primeiras operações lógicas ocorrem e o indivíduo é capaz de classificar objetos conforme suas semelhanças ou diferenças. No quarto estágio, dos doze anos até a idade adulta, o indivíduo realiza normalmente as operações lógicas próprias do raciocínio.Se cruzarmos as conclusões de ambos , verificaremos que a concordância entre o período de latência de Freud e o terceiro estágio de Piaget reforça a importância deste período no processo de desenvolvimento acentuado do intelecto. À ausência da fase de latência substituída pelo interesse sexual prematuro podemos chamar dentre outras expressões de queima de etapa. É função da educação infantil contribuir para que o aluno chegue à esta fase sem a erotização precoce, que, se presente irá desviar a atenção que deveria estar voltada para o aspecto intelectual, para a área sexual, mudando então o foco de interesse e prejudicando o aprendizado.Não é demais relembrar que, quando Freud e Piaget se referem as características de uma determinada faixa etária por exemplo, “dos sete aos doze anos”, nós não devemos perder de vista uma certa flexibilidade no sentido deste momento poder ser um pouco antes dos sete, ou um pouco depois dos doze a depender do grau de maturação da criança, variando pois de indivíduo para indivíduo e que é influenciado por diferentes variantes sócio-culturais.A Força e o Poder da MídiaA televisão tem nos dado exemplos desta queima de etapas. O programa infantil Disney Club muito assistido pelo público infantil na década de 90, por exemplo, usava um jargão que dizia: “não somos crianças somos ultra-jovens” que é repetido diariamente, e apresentado pela Turma do CRUJ – Comitê Revolucionário Ultra Jovem. Ele traduz de forma clara o desejo de anulação da infância e projeção precoce da criança no mundo adulto.Neste contexto, a escola e a família têm uma influência direta e simultânea na orientação a ser dada à criança. A responsabilidade ou ação de uma não exclui nem concorre com a da outra. Antes, elas se complementam. Apesar de não caber a escola o papel de impor regras ou valores sejam morais, religiosos ou sexuais, ela eventualmente precisa se contrapor as normas colocadas pela família. Deve-se, porém não perder de vista que, cada família tem uma história consuetudinária, econômica e política intimamente ligada ao tempo e espaço onde criaram suas raízes. Isto deve ser levado em conta quando a escola propõe qualquer projeto de educação, especialmente os ligados a área da religião e da sexualidade. Apesar de se entender que a história familiar é fundamental para se entender dentro da escola os padrões de comportamento dos alunos, ela não é dinâmica e atualizada, por isso deve ser motivo de preocupação da escola as recentes e marcantes mudanças pelas quais passam as famílias e a sociedade como um todo. Elas têm sido causas de profundas mudanças nos papéis e valores muitas vezes equivocados, questionáveis ou totalmente condenáveis. São situações extremamente delicadas que exigem lidar com muito tato.A família que ama, acolhe e protege é a mesma que reprova, castiga, fantasia e critica usando desde as formas mais ostensivas como o castigo físico e reprovações verbais públicas, até as mais sutis como a definição de papeis sexuais, transitando livremente pelos tabus, preconceitos e omissão, colocando a idéia do sexo como algo ruim, vergonhoso, sujo e passível de punição. “Pecado original”.No que pese reconhecermos ser responsabilidade da família e não é da televisão nem do rádio, a seleção do conteúdo a ser visto e ouvido pela criança, não podemos deixar de registrar a omissão da escola e a indiferença da mídia e do governo em relação à questão, que possibilita a divulgação do imenso manancial de mediocridade presenciado diuturnamente.Um freqüente bombardeio de informações através de livros, revistas, jornais, propagandas e os amigos, alheios e indiferentes a escola e a família, exercem um poder muito grande de formação de opinião e são decisivos na construção da erotização precoce e a gradativo encolhimento do período da infância. A mídia, com especial destaque à televisiva, trata indistintamente todas as faixas etárias. Temas, conteúdos e comportamentos antes restritos aos adultos, são expostos em horários freqüentados por crianças de todas as idades. Cenas eróticas, crimes, guerras, intolerâncias raciais e religiosas, corrupção; as crianças são literalmente expulsas da infância e projetadas na idade adulta.Um dos mais influentes meios de repasse de valores é sem dúvida a música. Ferramenta das mais importantes na educação infantil, através dela podem ser repassados conhecimentos conceitos e valores, desenvolver-se aptidões e estimular-se a afetividade, interagindo destarte nas três áreas de atuação da educação formal: a afetiva a cognitiva e a psicomotora. Ela tanto pode ser tradicional, quando se origina do folclore ou da cultura popular ou erudita (pertencente ao universo escolar), como é o caso da obra do professor baiano Antônio Luiz Ferreira Bahia, na área de Educação Física Escolar.A música, como também outros instrumentos de educação, influi diretamente no desenvolvimento da imaginação infantil, remetendo a criança a um universo paralelo que serve de referência para a solução de seus conflitos pessoais e interpessoais através da solidificação e porque não dizer também, da construção de conceitos e normas de conduta para si própria e em relação ao próximo.Por isso é necessário oferecer em casa e na escola um repertório musical adequado sem espaços para a programação de baixo nível exibida nos meios de comunicação, o que só será atingido através de um esforço social coletivo tendo a frente a família e a escola que juntas podem viabilizar uma ação sócio-política neste sentido. Quando a família se coloca contra esta mediocridade dizendo às crianças o que é ou não correto, e selecionando a programação que ela pode assistir, ajuda a desenvolver o senso de autocrítica que possibilita a capacidade da própria criança poder selecionar o que deve ou não ver e ouvir. Família e escola devem ser pontos de referência dos valores éticos e morais para seus alunos, que façam frente a este padrão permissivo dominante. Sem falso moralismo.Um processo educativo deve incluir a discussão desse padrão, fruto da cultura de massa que induz ao consumismo e cria imagens de referência, como modelos instituídos para um corpo de artista, ou adequados apenas à estatura que não se tem, pertencentes a “grifes”, etiquetas e marcas da moda, relegando a segundo plano os caracteres e atributos herdados de cada família e o bem-estar pessoal. (FAGUNDES,2004)A massificação imposta pela mídia, induzindo-nos a um padrão estético de “gosto musical” homogêneo e a consumir a chamada Axé-Music, o Pagode, o Arrocha dentre outros “ritmos da moda” e todas as implicações e variantes decorrentes de tais estilos. Recordo-me de um artigo lido no vespertino soteropolitano A Tarde, tratando da sexualidade, exaustivamente explorada pela mídia na nossa sociedade, que atinge indistintamente todas as camadas sociais e faixas etárias e falando sobre a cultura do “bumbum”, duramente criticada por Fernanda Abreu e Gabriel o Pensador no seu CD que leva o nome da faixa Nádegas a Declarar.(vale a pena ouvir). A exposição midiática massificada de símbolos sexuais direcionados ao público infantil, privilegia a sedução como ferramenta fundamental para alavancar as suas vendas, aspecto inerente e peculiar da sociedade de consumo. Foi inevitável estabelecer uma relação entre estes aspectos e o comportamento das nossas meninas usando a partir da educação infantil as roupas de Tiazinha os tamanquinhos de Carla Perez, sandalinhas de Xuxa ou de Sandy de salto alto, totalmente inadequadas para essa faixa etária.A inadequação do uso de salto alto pelas crianças - se formos considerar apenas os perigos de traumatismos ósteo-articulares - se dá pelo fato de estarem com seu sistema músculo-esquelético em formação, com uma maior predominância de tecido adiposo em relação às outras partes e precisarem, para usá-las, ficar com os pés em posição forçada, apoiando-se na sua parte anterior, (antepé), transferindo para frente o centro de gravidade e gerando consequentemente uma má postura com todas as suas implicações. Este tipo de calçado, favorecendo o desequilíbrio, pode ainda provocar quedas e/ou entorses na articulação do tornozelo durante as suas correrias no recreio, tão natural nesta idade. Sei que o apelo comercial é forte e elas ficam umas “gracinhas”, mas cumpre-me o papel de alertar quanto ao perigo em potencial do uso de tais peças. Atualmente não existe mais moda infantil. A moda infantil é a mesma moda adulta em miniatura, e a própria mãe é promotora desta queima de etapas, fazendo muitas vezes uma projeção na sua filha do que ela queria usar, mas não pode, porque o padrão estético em vigor não permite que ela exponha seus culotes, celulites ou barriga avantajada. Da mesma forma o pai incentiva seu filho a “consumir” os símbolos sexuais em evidência para compensar a sua baixa auto confiança sexual e evidenciar o seu machismo. Agindo assim, a família vai de encontro a uma assertiva de Piaget que assegura que uma criança não é um adulto em miniatura e sim um ser próprio com suas características e necessidades.Sabemos que as crianças não são seres assexuados como se pensava antigamente, mas, a iniciação sexual precoce, pode ser incentivada através de hábitos aparentemente inocentes como as “danças” de pagode, os “funk” do tipo tigrão, a deprimente e lamentável “egüinha pocotó” e mais recentemente o lascivo “arrocha”, subproduto do bolero. Estes ritmos praticamente só abordam temas eróticos da forma mais vulgar possível, induzem ao consumo de roupas que “valorizam” o corpo, ao mesmo tempo em que exploram comercialmente suas peças de vestuário, adornos e acessórios. Os personagens que veiculam esta ideologia são protagonizados por apresentadoras de programas infantis, e as sedutoras Carla Perez, (protótipo da “gostosa”, com suas botas e roupas sumárias), Tiazinha (sadomasoquista com suas armas, máscara e chicote) e a Feiticeira (misteriosa, com seu véu sensual), Xuxa (eterna adolescente, felizmente em franca decadência) todas convenientemente fabricadas pela mídia, trazendo em seus personagens ainda o ingênuo ou malicioso perfil da sensualidade. Elas protagonizam a exploração fetichista dos seus adornos, acessórios e indumentárias, a exposição e o exibicionismo do corpo como carne em balcões frigoríficos do supermercado estrategicamente associados à aura de pureza e ingenuidade quase pueris que deixam transparecer, incentivando de forma ostensiva a erotização precoce das nossas crianças.Tais modelos estéticos representados nos anos 80 principalmente por Xuxa e os Menudos e nos anos 90 pelas outras acima citadas, vêm queimar etapas importantes do desenvolvimento infantil, acelerando a chegada da puberdade e contribuindo para a banalização do sexo. Queimar etapas gera frustração, e faz com que, quando adulto, o indivíduo fique tentando em vão recuperar o tempo perdido. A assimilação destas danças e ritmos se pode observar nas festas de aniversário, incentivadas por “animadores” e comemoradas pelos pais. Aliás, o conceito de festa infantil vem gradativamente se transformando, e é cada vez mais ocorrente o tipo de festa “boite infantil”. Pode? Aliado a estes aspectos negativos de cunho sexual, ainda tem o incentivo da violência explicita, consentida e comemorada contra a mulher, protagonizada pelos “tapa na cara” e os “tapinha não dói” dentre outras mediocridades. Outro aspecto importante vem das expressões contidas nas “letras” das “músicas” como: “vou pegar você na cama e fazer muita pressão”; “tudo que é perfeito, a gente pega pelo braço, joga lá no meio, mete em cima mete em baixo”, e outras, que por incrível que pareça, são bastante piores e não cabe citá-las aqui. Merece destaque também os termos depreciativos usados pelos “artistas” para designar e “elogiar” a mulher como: cachorras, poposudas, potrancas... Estas declarações de animalização, submissão, agressão e vulgarização da condição feminina, ensinam aos meninos que eles devem vê-las, tratá-las e usá-las como meros objetos de prazer (consumo), inferioridade e sadismo (violência física), pois, tudo isto é legitimado e reforçado quando é bem visível a imagem delas próprias cantando e coreografando estes refrões, portanto, concordando implicitamente com tudo.Os homossexuais também são tratados da mesma forma. Recentemente em Salvador o grupo de “pagode” abaixo citado protagonizou esta letra de caráter evidentemente homofóbico:Bicha, bicha Passe a mão na bicha Bicha, bicha Sambe com a bicha Bicha, bicha Esse cavalo é égua Baixo astral, baixaria(Grupo Saiddy Bamba, 2004)Outra lembrança que tive é o fato das crianças virem maquiadas para a escola, o que, apesar de ser ”engraçadinho” também conduz a vulgarização da condição sexual hoje em dia levada a cabo pela moda, e estrelas do mundo artístico. A aceitação passiva destes desvios pela escola, a transforma em mais um espaço que legitima signos que vulgarizam a condição sexual. Estes apelos eróticos trazem graves problemas a curto e médio prazo, às vezes materializados por uma iniciação sexual precoce, que pela inexperiência dos parceiros pode conduzir a uma DST, gravidez indesejada na adolescência, AIDS, aborto ou outros tipos de problemas, ressuscitando a mulher objeto e jogando na lata do lixo, valores construídos com muito sacrifício pelas mulheres nas últimas décadas. Isto sem falar na decepção que pode ser gerada por envolvimentos superficiais quando se “fica”, tipo de relacionamento peculiar aos “artistas da moda”, onde é recíproca a falta de afeto e o respeito.

Desenvolvimento infantil segundo Freud.

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Autor : FREUD

Review by : Luacarioca

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palavras: 300

Publicado em: outubro 24, 2007

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São as fases de desenvolvimento infantil segundo Freud. Fase oral (nascimento a 1 ano): principal ponto de tensão e gratificação é a boca, a língua e lábios - inclui o morder e a sucção.Fase anal: (1 - 3 anos): ânus e área vizinha são a maior fonte de interesse; aquisição de controle voluntário de esfincter (treinamento da toalete).Fase fálico-edipiana (3-5 anos): Foco genital de interesse, estimulação e excitação; pênis é o órgão de interesse de ambos os sexos; masturbação genital é comum; Intensa preocupação com ansiedade de castração ( temor de perda ou danos aos genitais); inveja do pênis (insatisfação com os próprios genitais e desejo de possuir genitais masculinos), vista em meninas, nesta fase; Complexo de Édipo é universal. Criança deseja ter relações sexuais e casar com o membro parental do sexo oposto e, simultanea livrar-se do membro do mesmo sexo.Fase de latência ( dos 5-6 anos a 11 - 12 anos): Estado de relativa inatividade da pulsão sexual, com resolução do complexo de Édipo; Pulsões sexuais canalizadas para objetivos mais apropriados socialmente; Formação do superego; uma das três estruturas psiquicas da mente responsável pelo desenvolvimento moral e ético, incluindo a consciência; Fase genital ( dos 11 -12 anos em diante): Estágio final do desenvolvimento sexual - começa com a puberdade e a capacidade para a verdadeira intimidade.

EROTIZAÇÃO DA INFÂNCIA

Fernanda Passarelli Hamann*

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Há quase um século, Sigmund Freud ousou relacionar dois temas que pareciam muito distantes entre si: sexualidade e infância. Em 1905, ele publicou Os três ensaios sobre a sexualidade, num dos quais abordava especificamente a sexualidade infantil - conceito fundamental para a Psicanálise, até os dias atuais.Para Freud, a sexualidade da criança possui duas características principais: é perversa e polimorfa. Isto significa dizer que ela é auto-erótica e satisfeita através da estimulação de zonas erógenas no próprio corpo da criança. As fases do desenvolvimento infantil, segundo a teoria freudiana, estão ligadas ao deslocamento da libido (energia sexual) a cada uma dessas zonas. Assim, a criança deve passar pela fase oral (obtendo prazer pela sucção do seio materno, da chupeta, do dedo, ou levando os objetos à boca), pela fase anal (quando aprende a controlar a atividade esfincteriana), e por outras, até chegar à puberdade. A auto-estimulação de zonas erógenas não se configura propriamente como uma masturbação - atividade característica da puberdade - e sim como um tipo de sexualidade especialmente infantil, diferente da adolescente e da adulta. É fácil imaginar o escândalo provocado por essas idéias na sociedade vienense do início do século XX. Neste momento histórico, predominava uma concepção de infância associada a uma aura de pureza, inocência e ingenuidade. A criança deveria ser protegida dos ditos "segredos adultos", como aqueles relativos à violência e ao sexo. E se definia, justamente, pelo não conhecimento desses "segredos". Em outras palavras, as crianças eram consideradas crianças uma vez que não sabiam de coisas que só os adultos sabiam, pela experiência ou pela leitura de livros escritos por outros adultos. Em oposição, os adultos, detentores deste saber proibido às crianças, seriam aqueles com a função de orientá-las e discipliná-las. Mas não foi sempre assim. Na Idade Média, os adultos tinham outras formas de se relacionar com as crianças. Sabe-se que o trabalho infantil (sobretudo a partir dos sete anos de idade) era encarado com naturalidade. Não havia preocupação em proteger a criança dos "segredos adultos": falava-se de sexo, e quiçá fazia-se sexo, na presença de crianças - como sugere Ticiano no quadro Bacanal de las Andrians (1518-1519), onde o pintor retrata uma criança, aparentando dois anos de idade, no meio de adultos nus se tocando com luxúria. A arquitetura medieval, inclusive dos palácios e castelos aristocráticos, revela um ambiente onde não há lugar para a privacidade: os cômodos eram interligados entre si, e as famílias, compostas por muitos membros - avós, tios, primos, agregados...Adultos e crianças medievais compartilhavam não só dos mesmos ambientes sociais, mas também de um mesmo ambiente informacional, de um mesmo não saber: eram ambos analfabetos, já que a leitura era um privilégio restrito ao clero. Escolas eram raras ou inexistentes. Numa cultura da oralidade, não havia espaço para uma divisão nítida entre infância e idade adulta. Os valores e costumes sociais eram apreendidos pelos pequenos diretamente, a partir do contato com os adultos, que não demonstravam grandes preocupações acerca da educação infantil. A criação moderna da prensa tipográfica, associada à alfabetização socializada, veio mudar este quadro. Passou-se a imprimir e publicar diversos livros, contendo saberes que se colocavam à disposição de quem soubesse ler. Desta forma, surgiu um parâmetro claro e objetivo para diferenciar adultos e crianças: os primeiros seriam aqueles que sabem ler e escrever; as últimas, aquelas que deveriam passar por um processo gradual e lento, até adquirirem este saber. A função da escola, neste momento, ganhou uma fundamental importância: à escolarização se atribuiu a tarefa de ensinar às crianças a via de acesso aos saberes que circulavam no mundo adulto (a alfabetização) e, simultaneamente, prepará-las para este mundo através da disciplinarização.Essa revisão histórica da civilização ocidental nos obriga a concluir que as formas de se conceber a infância variam, de tempo em tempo, de sociedade a sociedade. Muito além do fator biológico, que aponta para características anatômicas e fisiológicas específicas às crianças, cada contexto cultural é capaz de criar uma maneira particular de concepção de criança, no sentido que as formas de se relacionar com ela, e o próprio papel dela na sociedade, resultam de uma complexa rede de valores e regras predominantes nesta sociedade.Na modernidade, a ascensão sócio-econômica da burguesia trouxe valores diferentes dos medievais, e um novo modelo de organização familiar. Modelo este que costuma ser chamado de família burguesa ou família nuclear - restrito ao núcleo pai-mãe-filho(s). Nesta família, mãe e pai ganharam funções muito bem definidas. A ela, caberia o cuidado com a casa, o marido e os filhos (atuando no espaço privado do lar); a ele, caberia o sustento da família através do trabalho remunerado (atuando no espaço público). Aos dois, caberia a obrigação de amar e educar seus filhos, investindo neles uma perspectiva de futuro, de progresso, condizente à conjuntura histórica da época.Este modelo familiar, hoje, parece estar em crise. É crescente o número de casais separados ou divorciados, madrastas e padrastos, ou mães e pais que criam seus filhos sem a ajuda de um cônjuge. A mulher, não mais confinada às atividades domésticas, conquista um espaço cada vez maior no mercado de trabalho - e, não raro, culpa-se por não dedicar aos filhos a atenção que julga dever dedicar. Nas últimas décadas, as transformações tecnológicas têm engendrado mudanças sociais e psicológicas, configurando-se como um dos principais vetores de subjetivação da contemporaneidade. Os meios de comunicação ensinam às pessoas novas formas de agir e pensar. E as crianças, obviamente, não se excluem deste processo.Há quem diga que a infância – revestida desta aura de pureza, inocência e ingenuidade - consiste numa invenção moderna, que está fadada a desaparecer. (Werneck, 2001.) Há ainda quem vá mais longe. Alguns pensadores localizam o surgimento e a crise deste conceito em dois marcos históricos específicos: em 1850 e 1950, respectivamente. (Steinberg & Kincheloe, 2001.) Em 1850, o trabalho infantil foi abolido das fábricas inglesas, no auge da Revolução Industrial - movimento crucial para a concretização dos interesses sociais burgueses. Quanto a 1950, é um ano que simboliza a criação e difusão de um aparato tecnológico que tem modificado a humanidade desde então: a televisão. Na Idade Média, adultos e crianças dividiam o mesmo ambiente informacional - o da oralidade, para a qual todos estamos biologicamente aptos. Na Pós-Modernidade, a televisão é capaz de simular um ambiente informacional semelhante ao medieval. Melhor dizendo: para assistir à TV, basta ver e ouvir, habilidades a que adultos e crianças estão biologicamente aptos. O processo de leitura, ao contrário, exige um esforço de aprendizagem que costuma durar anos, e está longe de ser instintivo. Antes de mais nada, deve-se desenvolver um autocontrole corporal que permita um exercício introspectivo de atenção e concentração. Deve-se memorizar as letras, seus respectivos sons, e depois compreender a estrutura das sílabas, das palavras, das frases... Mais tarde, deve-se entender o sentido geral de um parágrafo, de um texto, de um livro... E, enfim, aprender a ler criticamente – uma capacidade que, às vezes, não se adquire nem mesmo depois da adolescência. Portanto, a divisão das crianças por idade, nas séries escolares, atende às etapas deste processo. Para assistir à televisão, é bastante diferente. Uma criança de dois anos – como aquela retratada por Ticiano em meio a um bacanal –pode apertar um simples botão e deparar-se com cenas de sexo explícito na telinha. Conseqüentemente, a televisão inviabiliza a proteção da criança (tão valorizada pelos modernos) do acesso aos "segredos adultos", que antes se desvendavam apenas nos livros, ou pela experiência. Para certos autores, a televisão impossibilita que exista a infância como a fase do não saber, da pureza, inocência e ingenuidade. O escritor norte-americano Neil Postman (1999), por exemplo, afirma que a criação da infância só foi possível pelo advento da prensa tipográfica, e proclama o desaparecimento da infância devido ao advento da televisão.Entretanto, convém nos questionarmos: estaríamos diante do fim da infância ou de novas formas de ser criança? Como adultos, tendemos a pensar na criança de acordo com critérios coerentes à criança que nós fomos um dia. Contudo, a velocidade das transformações sociais e psicológicas, impulsionadas pelas transformações tecnológicas que testemunhamos, faz com que ser criança hoje seja diferente de ser criança poucas décadas atrás.De alguns anos para cá, a programação televisiva, pelo menos no Brasil, tem exibido com maior freqüência os tais "segredos adultos", em horários que teoricamente obedecem a uma censura imposta pelo Ministério da Justiça. Apenas teoricamente. Na prática, o sexo aparece na TV a qualquer hora do dia - ainda que implícito e sutil: nas dançarinas de biquíni que rebolam no cenário dos programas de auditório. Crianças assistem a novelas e telejornais. Adultos assistem a programas infantis. Ao perceberem este fato, as emissoras televisivas passaram a veicular propagandas de produtos "para adultos" nos intervalos de programas infantis. Propagandas de cerveja com mulheres sensuais e seminuas. Chamadas de novelas, num trailler de cenas picantes. (Sampaio, 2000.) Por outro lado, tem proliferado também, em diferentes horários, a quantidade de propagandas que falam diretamente à criança. Isso se explica por um fenômeno recente de incorporação da criança à sociedade de consumo: de filha do cliente, ela ascendeu ao status de cliente. (VEIGA, 2001.) E já pode desejar e consumir produtos como a sandalinha da Carla Perez, ou as roupas da grife lançada por ela, CP Girls, nos moldes da grife de Xuxa, O bicho comeu. Na TV, a criança assiste ao Festival de Desenhos da Rede Globo. Na rua, depara-se com a foto da apresentadora, Deborah Secco, nua e numa pose sexy, no outdoor que anuncia a revista Playboy. (Aliás, Carla Perez e Xuxa também já posaram nuas para a foto de capa da mesma revista...)Portanto, os universos simbólicos de adultos e crianças estão expostos, na televisão e em outras mídias, para ambos. E o controle do que é visto pelas crianças, que tradicionalmente caberia aos pais, é extremamente frágil: a TV, muitas vezes, transforma-se numa conveniente "babá eletrônica", que mantém os filhos quietos enquanto os pais trabalham ou se ocupam com os afazeres domésticos. Além disso, é grande o número de crianças que assistem a programas em horários não recomendáveis para sua faixa etária.As conseqüências desta situação se evidenciam na própria mídia. No programa do Gugu, crianças imitam o grupo É o tchan, em coreografias insinuantes e dublagens de letras de música do tipo: "Tá de olho no biquinho do peitinho dela...". (Valladares, 1997.) Na vida, meninas escolhem para fantasias de carnaval o figurino sensual de Carla Perez, Tiazinha, ou outros símbolos sexuais televisivos. Porém, estas não são as manifestações mais preocupantes da erotização infantil. Até aqui, constatamos apenas que estas crianças contrariam o ideal de infância concebido a partir da modernidade. Mais preocupante é saber que, atualmente, no Brasil, já é significativo o número de meninas que, mal ficam menstruadas, iniciam-se na vida sexual propriamente dita: no Censo de 2000, o IBGE inclui, pela primeira vez, a faixa etária de 10 a 14 anos nas suas estatísticas de maternidade. Assim, torna-se claro que muitas crianças (considerando-se que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma pessoa de até 12 anos ainda é uma criança) estão exercendo hoje uma sexualidade que, há um século, foi descrita por Freud como adulta. Em vez de se limitarem ao prazer perverso e polimorfo - seguido pela masturbação na puberdade para que, somente depois, venham a praticar o sexo com um parceiro - crianças transam com crianças, e dão à luz outras crianças. Diante destes dados, cabe destacar dois pontos fundamentais no que se refere à Educação, seja ela escolar ou parental: 1) O hábito de se qualificarem as manifestações sexuais infantis como algo "terrível" e "cruel" – e a televisão como um "bicho papão" – não contribui, em si, à compreensão destas novas formas de ser criança. Pelo contrário: apenas afastam o educador de uma possibilidade de entender melhor esta questão e, por conseguinte, de lidar melhor com ela. E 2) a mobilização do educador, ou de qualquer pessoa preocupada com o processo de erotização da infância, deve resultar em ações voltadas antes para os resultados mais graves deste processo: a gravidez precoce, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis etc.

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