escalada monte everest

escalada monte everest

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Introdução

O Monte Everest está situado literalmente no topo do mundo, elevando-se a 8 850 metros (29.035 pés) acima do nível do mar. Assim que foi coroado como a montanha mais alta do mundo, os alpinistas inevitavelmente sentiram-se tentados a escalá-lo. E muitos falharam. Enquanto mais de 2 mil pessoas tiveram sucesso, praticamente 200 perderam suas vidas tentando a escalada.

Monte Everest visto da montanha ao lado, Kala Patthar

Então, por que escalar o Everest? A resposta mais famosa para essa pergunta veio do alpinista George Mallory: "porque está lá".

O Everest nem sempre foi considerado o rei das montanhas. Foi em 1852 que um matemático e topógrafo Bengali chamado Radhanath Sikhdar determinou que o "Pico XV" era o ponto mais alto da Terra. Em 1865, a descoberta de Sikhdar foi confirmada. O topógrafo geral da Índia, Sir Andrew Waugh renomeou a montanha para Monte Everest, por causa de Sir George Everest, o topógrafo geral anterior e supervisor dos trabalhos de topografia original que relacionaram o "Pico XV".

Os nepaleses que vivem ao sul do Monte Everest sempre souberam que ele era especial.

Eles o chamavam de Sagarmatha, que pode ser traduzido como "deusa do céu" ou "testa do céu". Os tibetanos que vivem ao norte da montanha a chamam de Chomolungma ou "deusa-mãe do mundo".

Interesses políticos mantiveram os candidatos a escaladores fora do Everest por muitos anos após sua descoberta, já que nem o governo tibetano nem o nepalês queria receber estrangeiros em seus países. Mas em 1921, depois de muita negociação diplomática, o Tibete abriu suas fronteiras e a primeira de muitas expedições começou no lado norte da montanha.

Uma destas expedições incluiu George Leigh Mallory e Andrew Irvine, de nacionalidade britânica. Sua expedição em 1924 foi a terceira viagem de Mallory até a montanha. Em uma tentativa em 1922, os escaladores atingiram recordes de altitudes antes que condições climáticas severas os forçassem a voltar. Durante aquela tentativa, uma avalanche matou sete sherpas.

Na manhã de 8 de junho de 1924, Mallory e Irvine deixaram o acampamento mais alto no Everest em direção ao topo. Às 13:00h, foram vistos escalando a montanha, atrasados mas ainda fazendo progresso até o cume. Depois disso, nunca mais foram vistos novamente. Em 1999, uma equipe de investigadores localizou o corpo de Mallory na face norte do Everest a 8 235 metros. Há muito debate a respeito do fato de Mallory e Irvine terem chegado ao topo ou não, mas a maioria acredita que não.

Em 1949, a situação política na região do Everest se inverteu e o Nepal abriu suas fronteiras, um ano antes do governo chinês fechar o Tibete. Os escaladores mudaram sua aproximação para o sul e, em 1953, Edmund Hillary, um alpinista e apicultor da Nova Zelândia e Tenzing Norgay, um sherpa, foram as primeiras pessoas a chegar ao topo da montanha. A sua conquista foi a primeira de muitas outras notáveis:

Em 1963, James Whittaker tornou-se o primeiro americano a alcançar o cume do

Everest;

Em 1975, uma mulher japonesa chamada Junko Tabei tornou-se a primeira mulher a chegar no topo;

Em uma incrível jornada, o americano Erik Weihenmayer tornou-se a primeira pessoa cega a escalar o Everest em 2001.

A formação do Monte Everest

Imagem cedida pela U.S. Geological Survey

Em formato aproximado de pirâmide e coberto por geleiras, o Monte Everest é parte da cadeia de montanhas do Himalaia, que segue ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete.

Os Himalaias são montanhas em estrutura de dobra formadas há milhões de anos pela deriva continental. O oceano Tethys separou o subcontinente indiano do continente asiático. Com o tempo, o subcontinente indiano deslocou-se para dentro do continente principal e o mar foi puxado para cima para formar uma série de sulcos paralelos ou dobras. É incrível, mas as montanhas mais altas do mundo foram antes o fundo do oceano e ainda contêm fósseis marinhos.

O Himalaia é uma cadeia de montanhas relativamente jovem, sendo formada a meros 60 milhões de anos, em contraste com cadeias montanhosas muito mais velhas, como os Apalaches. Na verdade, continuam crescendo. Esta contínua movimentação significa que o Himalaia eleva-se de 2 a 6 cm por ano. Toda essa atividade geológica cria instabilidade e gera terremotos ocasionais.

Equipamento

Os escaladores do Monte Everest necessitam de muito equipamento especializado, incluindo roupas, ferramentas e suprimentos. Esta não é, de forma alguma, uma lista abrangente, mas pode lhe dar uma idéia da quantidade de equipamento requerido. Se você está partindo para uma expedição guiada, deve verificar cuidadosamente o que está sendo fornecido. Você também deve testar todo o seu equipamento antes da viagem. Sapatos

Botas duplas para grandes altitudes

Os escaladores necessitam de vários pares de meias, abrangendo meias para caminhada, de lã e revestidas. Também necessitam de botas leves para caminhada bem como botas plásticas com revestimento para escalada. Estas devem ser grandes o suficiente para dar espaço aos pés e reduzir o risco da ulceração pelo frio. Almofadas aquecedoras e cabos estão disponíveis para manter as botas aquecidas e, dependendo do tipo de bota, você também vai precisar de sobrebotas térmicas. As polainas acompanham alguns modelos; do contrário, você precisaria delas para ajudar a manter os pés aquecidos e secos.

Vestimenta

O número de camadas é um fator importante na escolha da vestimenta. Existe uma grande variedade de temperaturas entre os acampamentos, dependendo do clima e hora do dia. Você precisará de roupas íntimas leves, de uma jaqueta com zíper de lã ou sintética, uma parca pesada tipo expedição e uma jaqueta com capuz Gore-Tex. Calças térmicas sintéticas, sobre-calças e um par de calças Gore-Tex, todas à prova de vento com zíperes laterais com separação total, também são necessárias.

Uma balaclava grossa

Para sua cabeça, você vai precisar de uma lanterna de cabeça com lâmpadas reserva e baterias; óculos para geleira com proteção lateral; óculos de esquiar; um boné ou viseira; um chapéu de lã e balaclavas tanto grossas como leves. Cachecóis sintéticos irão proteger seu pescoço. Você também precisará de um total de quatro diferentes pares de luvas: luvas leves e sintéticas para caber dentro das outras, luvas de lã tipo expedição, luvas à prova de água e luvas sem dedo tipo expedição.

Ferramentas de alpinismo

Acoplado às botas estão os crampons. Os alpinistas devem trazer pares reservas em caso de dano. Você também precisa de um arnês para escalada que caiba em todas as suas roupas, mosquetões, 3 com trava e 3 estacionários, um ascender, direito e esquerdo, um freio e prussiks, ou 12 metros de corda de perlon flexível de 6 m para fazer os prussiks, além de uma picareta para gelo com uma tira projetada para esse tipo de ferramenta – necessária para cruzar a Lhotse Face e escalar até o cume. O comprimento deve ser definido pela sua altura; se você estiver abaixo de 1,70 m, sua picareta deve ter 60 cm de comprimento; pessoas de 1,70 a 1,85 necessitam de uma picareta de 65 cm de comprimento. Você vai precisar também de corda para gelo.

Mosquetões e freio

Material de acampamento

Dois sacos de dormir de boa qualidade (tipo expedição e classificado para pelo menos - 20º e -40ºC), dois colchonetes infláveis e um térmico por acampamento, para colocar embaixo deles; em alguns acampamentos é melhor usar o dobro.

Algumas ferramentas e materiais necessários para escalar o Everest

Você pode precisar de várias barracas: uma maior para o acampamento base e outras menores, de alta qualidade e mais leves, para maiores altitudes. Uma bússola ou um pequeno GPS lhe ajudarão a chegar ao pico. Trazer dois fogareiros de titânio irá assegurar que pelo menos um deles funcionará quando você precisar e permitirá cozinhar mais rápido. Para cozinhar e comer, você precisa de duas panelas com tampas, canecas de plástico, uma garrafa térmica, uma colher e faca (como uma Leatherman), e um par de pegadores de panela.

Muitos fósforos e isqueiros são necessários para o aquecimento e cozinha; certifique que os isqueiros são de boa qualidade, para que possam funcionar em grandes altitudes. Trazer um purificador químico de água irá reduzir a quantidade de água que precisa ferver e conseqüentemente, a quantidade de combustível requerida.

Você precisará de duas garrafas plásticas além de uma garrafa de boca larga para urinar.

A agência de viagens poderá fornecer gás e oxigênio, se for o caso. Grandes bolsas são necessárias para o transporte do equipamento, assim como uma mochila, você poderá necessitar de outra, menor, para caminhadas. A mochila de escalar precisa ter presilhas para sua picareta e outros acessórios. Protetor solar, protetor labial e uma pequena caixa de primeiros socorros devem estar em sua mochila.

Equipamento eletrônico

As câmeras são essenciais e comunicadores podem ser uma boa idéia. As baterias de lítio são mais duráveis e funcionam melhor em grandes altitudes. Um número maior de escaladores está trazendo outros equipamentos eletrônicos como laptops, câmeras de vídeo e telefones via satélite.

Pessoas

No início dos anos 90, escaladores experientes como Rob Hall começaram a organizar excursões em grupo, o que tornou o Everest acessível para pessoas menos experientes. Excursões pagas envolvem um líder de expedição, outros guias e a equipe de apoio. Há prós e contras em juntar-se a uma excursão guiada, mas se você estiver pensando nisso, os especialistas recomendam que você escale uma outra montanha primeiro.

Até escaladores "solo" geralmente contratam sherpas para auxiliar na escalada; contratar um cozinheiro para o acampamento I pode melhorar muito a qualidade de sua experiência.

Custo

O custo médio de uma jornada totalmente guiada até o Everest a partir do lado sul custa

US$ 65 mil. Uma escalada completamente guiada a partir do lado norte custa um pouco menos, cerca de US$ 40 mil em média. Este custo normalmente não inclui o equipamento pessoal, passagem aérea internacional ou seguro. Partindo do começo, o equipamento necessário custaria pelo menos US$ 8 mil. O cálculo fica próximo de US$ 15 mil com o acréscimo de itens como o laptop e a câmera digital.

Sherpa 101

Muitas pessoas associam o termo "sherpa" (pronuncia-se "shar-wa") com o trabalho de carregador do Everest. Entretanto, sherpa na verdade significa "orientais" ou "pessoas do oeste" e refere-se aos clãs que vieram do Tibete e estabeleceram-se a oeste do Nepal a cerca de 500 anos. Tradicionalmente, o povo sherpa foi formado por agricultores e comerciantes, mas no início dos anos 20 foram contratados como carregadores para expedições montanhistas. Conhecidos pela sua dedicação ao trabalho e adaptação fisiológica superior a grandes altitudes, os sherpas se tornaram fundamentais para o sucesso das aventuras até o Everest e os escaladores os empregaram mais e mais como assistentes.

Aproximadamente 30 mil sherpas moram no Nepal e cerca de 3 mil deles moram na região de Khumbu no lado sul do Everest. Desde os anos 50, o turismo se tornou a fonte dominante de emprego e renda na área. Muitos sherpas, bem como pessoas de outros grupos étnicos, trabalham como parte da indústria de alpinismo e turismo.

Enquanto o povo sherpa mantém sua religião budista e muitas de suas práticas tradicionais, esta mudança na economia local e modos de vida significaram mudanças na cultura sherpa. Entre elas, há uma mudança de pensar que escalar a montanha seria uma blasfêmia, por considerar isto uma fonte de oportunidade econômica e orgulho.

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