Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos

Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos

(Parte 1 de 4)

  1. DEFINIÇÕES

1.1 LIXO

Conjunto de resíduos sólidos resultantes das atividades diárias do homem e dos animais domésticos.

    1. RESÍDUOS SÓLIDOS

Segundo a NBR 10004/87 da ABNT “Resíduos Sólidos – Classificação” , Resíduos Sólidos são definidos como: “ resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição. Ficams incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e intalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d´água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

  1. BREVE HISTÓRICO

No Brasil, o serviço sistemático de limpeza urbana foi iniciado

oficialmente em 25 de novembro de 1880 na cidade de São

Sebastião do Rio de Janeiro, então capital do Império.

Nesse dia, D. Pedro II assinou o Decreto nº 3024 aprovando o

contrato de “limpeza e varrição” da cidade, que foi executado por

Aleixo Gary e, mais tarde, por Luciano Francisco Gary, de cujo

sobrenome origina-se a palavra gari.

Fonte: Manual Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – IBAM 2001

3. PANORAMA DOS RESÍD. SÓLID. NO BRASIL

4. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

4.1 QUANTO AOS RISCOS POTENCIAIS

A NBR 10004/87 classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública. Baseia-se nas características dos resíduos, em listagem dos resíduos reconhecidamente perigosos e em listagem de padrões de concentração de poluentes. Ver listagem

4.1.1 CLASSE I – PERIGOSOS

Aqueles que em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente.

      1. CASSE II – NÃO INERTES

Aqueles que podem apresentar características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde e ao meio ambiente, não se enquadrando nas Classes I – Perigosos ou Classe III – Inertes.

      1. CLASSE III – INERTES

Aqueles que não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, e que, ensaiados segundo o teste de solubilidade da NBR 10006/87 (listagem 8), não apresentam qualquer de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, exceto cor, turbidez, sabor e aspecto.

    1. QUANTO À NATUREZA OU ORIGEM

      1. LIXO DOMÉSTICO OU RESIDENCIAL

      2. LIXO COMERCIAL

      3. LIXO PÚBLICO

      4. LIXO DOMICILIAR ESPECIAL

Entulho de obras

Pilhas e Baterias

Lâmpadas Fluorescentes

Pneus

      1. LIXO DE FONTES ESPECIAIS

Lixo Industrial

Lixo Radioativo

Lixo de Portos, Aeroportos e Terminais Rodoferroviários

Lixo Agrícola

Resíduos dos Serviços de Saúde

5. CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

As características do lixo podem variar em função de aspectos

sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos.

A análise do lixo pode ser realizada segundo suas características

físicas, químicas e biológicas.

5.1. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

5.1.1 GERAÇÃO PER CAPITA

Relaciona a quantidade de resíduos gerados diariamente e o número de habitantes de determinada região.

      1. COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA

Traduz o percentual de cada componente em relação ao peso total da amostra.

      1. PESO ESPECÍFICO APARENTE

É o peso do lixo solto em função do volume ocupado livremente, sem qualquer compactação, expresso em kg/m3.

      1. TEOR DE UMIDADE

Representa a quantidade de água presente no lixo, medida em percentual de seu peso.

      1. COMPRESSIVIDADE

É o grau de compactação ou a redução do volume que uma massa de lixo pode sofrer quando compactada.

5.2 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

      1. PODER CALORÍFICO

Indica a capacidade potencial de um material desprender determinada quantidade de calor quando submetido à queima.

      1. POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (pH)

Indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos.

      1. COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica, carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e gorduras.

      1. RELAÇÃO CARBONO / NITROGÊNIO (C:N)

Indica o grau de decomposição da matéria orgânica do lixo nos processos de tratamento/disposição final.

5.3 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

Aquelas determinadas pela população microbiana e os agentes patogênicos presentes no lixo que, ao lado das suas características químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição final mais adequados.

5.4 FATORES QUE INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS

DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

      1. CLIMÁTICOS

  • Chuvas

  • Outono

  • Verão

      1. ÉPOCAS ESPECIAIS

  • Carnaval

  • Natal/Ano Novo/Páscoa

  • Dia dos Pais/Mães

  • Férias Escolares

      1. DEMOGRÁFICOS

  • População urbana

      1. SÓCIOECONÔMICOS

  • Nível Cultural

  • Nível Educacional

  • Poder Aquisitivo

  • Lançamento de Novos Produtos

  • Promoções de Lojas Comerciais

  • Campanhas Ambientais

5.5 INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DOS

RESÍDUOS SÓLIDOS NO PLANEJAMENTO DO

SISTEMA DE LIMPEZA URBANA

6. GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

6.1 CONCEITOS BÁSICOS

O conceito de Gestão de Resíduos Sólidos abrange atividades referentes à tomada de decisões estratégicas com relação aos aspectos institucionais, administrativos, operacionais, financeiros, e ambientais, enfim à organização do setor, envolvendo políticas, instrumentos e meios.

Já o termo Gerenciamento de Resíduos Sólidos refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho e relaciona-se à prevenção, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento, recuperação de energia, e destinação final de resíduos sólidos.

6.2 MODELOS DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Entende-se por Modelo de Gestão de Resíduos Sólidos como um conjunto de referências político-estratégicas, institucionais, legais, financeiras e ambientais capaz de orientar a organização do setor.

O gerenciamento integrado dos resíduos deverá articular as ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento para acompanhar todo o ciclo dos resíduos, da geração à disposição final, empregando as tecnologias mais compatíveis com a realidade local.

6.3.2 MODELOS INSTITUCIONAIS

De uma maneira geral,, as formas de atuação mais comuns podem ser categorizadas nos seguintes modelos básicos:

Entidade Municipal da Administração Direta

Empresas Privadas Contratadas pela Prefeitura

Entidade Municipal da Administração Indireta

Sistemas Mistos

Concessões

Livre Concorrência

7. LIMPEZA DE LOGRADOUROS PÚBLICOS

7.1 A IMPORTÂNCIA DA LIMPEZA DOS LOGRADOUROS

7.1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS

Durante o século XIX, com o desenvolvimento da medicina e engenharia sanitárias, reconheceu-se que os dejetos humanos deveriam ter coleta, tratamento e disposição adequados, pois eram uma importante fonte de doenças.

A substituição da tração animal pelos transportes a motor eliminou das ruas os dejetos de animais e a descoberta da relação entre ratos, moscas e baratas com o lixo e as doenças transmitidas por estes vetores foram importantes na redução do lançamento de resíduos nas ruas, determinando a sua coleta nos domicílios.

A pavimentação das vias públicas e o ensino de princípios de higiene e saúde pública nas escolas também contribuíram para a redução dos resíduos nos logradouros.

7.1.2 ASPECTOS SANITÁRIOS

  • prevenção de doenças resultantes da proliferação de vetores em depósitos de lixo nas ruas ou em terrenos baldios;

  • evitar danos à saúde resultantes de poeira em contato com olhos, ouvidos, nariz e garganta.

7.1.3 ASPECTOS ESTÉTICOS

  • melhoria da aparência da comunidade, ajudando a atrair novos residentes e turistas;

  • valorização dos imóveis com atração de novos negócios.

7.1.4 ASPECTOS DE SEGURANÇA

  • prevenção de danos aos veículos, causados por galhadas e objetos cortantes;

  • promoção da segurança do tráfego com redução de poeira e terra que podem causar derrapagens de veículos;

  • redução do entupimento de galerias de águas pluviais, evitando inundações e enchentes.

7.3 SERVIÇOS DE LIMPEZA DE LOGRADOUROS

Os serviços de limpeza de logradouros costumam cobrir atividades como:

  • varrição;

  • capina, raspagem e roçagem;

  • limpeza de feiras;

  • limpeza de córregos e canais;

  • limpeza de praias;

  • serviços de remoção (entulhos, animais mortos, utensílios abandonados nas vias públicas);

  • outros serviços, como: poda de árvores, pintura de meio-fios, lavagem e desinfecção de ruas, desobstrução de ralos, bueiros e galerias de águas pluviais, etc.

    1. SERVIÇOS DE VARRIÇÃO

7.3.1 ASPECTOS GERAIS

A varrição compreende o conjunto de atividades e procedimentos através do qual se coleta, manual ou mecanicamente, os detritos espalhados em locais públicos. Representa parte significativa dos custos com a limpeza pública em muitas localidades.

Nos logradouros, a maior parte dos detritos é encontrada nas sarjetas (até 60cm do meio-fio), devido ao deslocamento do ar causado pelos veículos, que “empurra” o lixo para o meio-fio e também as águas de chuva que escoam pela sarjeta, devido à forma abaulada da seção transversal do leito das ruas.

      1. TIPOS DE VARRIÇÃO

I. Varrição Manual

Realizada por um conjunto de varredores munidos de utensílios e ferramentas do tipo: vassourão, vassouras pequenas, pás, chaves para abertura de ralos, lutocar e sacos para lixo.

Recomendada principalmente nas cidades que precisam criar empregos, gerar renda no local e têm pouca capacidade de investimentos iniciais.

II. Varrição Mecanizada

Realizada por varredeiras mecânicas que aumentam a produtividade do serviço de varrição, porém demandam investimentos iniciais bem maiores e pisos adequados das vias públicas.

Comparação entre varrição manual e mecânica

Características

Tipos de varrição

Manual

Mecânica

tipo de pavimento

qualquer um

asfalto ou similar, bem conservado, com pequeno declive

velocidade de trabalho

baixa

alta

mão-de-obra

não qualificada

qualificada

outras possibilidades

varrição das calçadas

remoção de terra, areia e lama

observações

traz riscos de acidentes, ocorrem faltas por doenças e rotatividade de mão-de-obra

requer manutenção sofisticada, causa barulho, traz incômodos ao tráfego e requer necessidades de uso de água para abater a poeira

      1. DIMENSIONAMENTO DA VARRIÇÃO

O dimensionamento da quantidade de varredores(as) em um sistema de varrição manual é função de :

  • extensão total das sarjetas a serem varridas;

  • área total a ser varrida, quando a varrição incluir os passeios;

  • freqüência da varrição;

  • produtividade do varredor.

Como atividade complementar à varrição, a conservação da limpeza constitui um serviço de recolhimento de todos os detritos que aparecem após a primeira varrição.

    1. CAPINA, RASPAGEM E ROÇAGEM

7.4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Quando não é efetuada varrição regular, ou quando chuvas carreiam detritos para logradouros, as sarjetas acumulam terra, onde em geral crescem mato e ervas daninhas.

Torna-se necessário, então, serviços de capina e roçagem do mato e de raspagem da terra das sarjetas, pra restabelecer as condições de drenagem e evitar o mau aspecto das vias públicas.

      1. TIPOS DE CAPINA

I.Capina Manual

Quando utilizada para vegetação mais rasteira como capim e ervas daninhas. Empregam-se enxadas, chibancas, ancinhos e raspadeiras.

Quando o mato encontra-se mais alto utiliza-se a roçagem, empregando-se neste caso, ferramentas como: foices e alfanges.

II. Capina Mecanizada

Utilizada na roçagem do mato com emprego de equipamentos mecânicos do tipo:

  • roçadeiras mecânicas portáteis (carregadas nas costas dos operadores)

  • roçadeiras mecânicas montadas em tratores de pequeno, médio e grande portes

  • motoserras (utilizadas para poda de árvores)

III. Capina Química
Realizada com aplicação de herbicidas, é indicada principalmente em vias públicas pavimentadas com paralelepípedos, lajotas sextavadas e outros tipos para eliminar a vegetação que cresce entre seus interstícios.

Muito combatida pela poluição que pode provocar ao meio ambiente e riscos aos operadores. Sua produtividade, porém, é bem superior à capina manual e acentuadamente mais econômica.

      1. DIMENSIONAMENTO DA CAPINA

O nº de capinadores é função de:

  • área a ser capinada

  • produtividade de cada empregado (que depende do tipo de capina, do equipamento empregado, do tipo de terreno,etc.)

8. ACONDICIONAMENTO

(Parte 1 de 4)

Comentários