Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos

Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos

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    1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Acondicionamento é a fase na qual os resíduos sólidos são preparados de modo a serem mais facilmente manuseados nas etapas de coleta e de destinação final.

A qualidade da operação de coleta e transporte do lixo depende da forma adequada do seu acondicionamento e da disposição dos recipientes no local, dia e horários estabelecidos pelo órgão de limpeza urbana para a coleta.

A importância do acondicionamento adequado está em:

  • evitar acidentes;

  • evitar a proliferação de vetores;

  • minimizar o impacto visual e olfativo;

  • reduzir a heterogeneidade dos resíduos (na coleta seletiva);

  • facilitar a realização da etapa da coleta.

    1. RECIPIENTES PARA ACONDICIONAMENTO

      1. CARACTERÍSTICAS

Os recipientes adequados para acondicionar o lixo domiciliar devem ter as seguintes características:

  • peso máximo de 30kg, incluindo a carga, para coleta manual;

  • dispositivos que facilitem seu deslocamento até o local da coleta;

  • serem herméticos para evitar derramamento e exposição do lixo;

  • serem seguros, para evitar que lixo cortante ou perfurante possa

acidentar os usuários ou os trabalhadores da coleta;

  • serem econômicos, para facilitar a aquisição pela população;

  • possam ser esvaziados sem deixar resíduos no fundo;

Há ainda outra característica a ser levada em conta: recipientes com ou sem retorno.

      1. TIPOS DE RECIPIENTES

A escolha do recipiente mais adequado deve ser orientada em função:
  • das características do lixo;

  • da geração do lixo;

  • da freqüência da coleta;

  • do tipo de edificação;

  • do preço do recipiente.

Nas cidades brasileiras a população utiliza os mais diversos tipos de recipientes para condicionamento do lixo domiciliar:

  • vasilhames metálicos (latas) ou plásticos (baldes);

  • sacos plásticos de supermercados ou especiais para lixo;

  • caixotes de madeira ou papelão;

  • latões de óleo, algumas vezes cortados ao meio;

  • contêineres metálicos ou plásticos, estacionários ou sobre rodas

  • recipientes feitos de pneus velhos.

      1. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUO DOMICILIAR

  • Sacos plásticos

  • Contêineres de plástico

  • Contêineres metálicos

      1. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUO PÚBLICO

  • Papeleiras de rua

  • Cesta coletora plástica para pilhas e baterias

  • Sacos plásticos e contêineres

      1. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS DOMICILIARES

ESPECIAIS
  • Resíduos da construção civil

  • Pilhas e baterias

  • Lâmpadas fluorescentes

  • Pneus

      1. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS DE FONTES ESPECIAIS

  • Resíduos sólidos industriais

  • Resíduos radioativos

  • Resíduos de portos e aeroportos

  • Resíduos de serviços de saúde

9 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍD. SÓLIDOS

9.1 RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

9.1.1 CONCEITUAÇÃO

Coletar o lixo significa recolher o lixo acondicionado por quem o produz para encaminhá-lo, mediante transporte adequado, a uma possível estação de transferência, a um eventual tratamento e à disposição final.

Considera-se como coleta domiciliar comum ou ordinária o recolhimento dos resíduos produzidos nas edificações residenciais, públicas e comerciais, desde que não sejam, estas últimas, grandes geradoras (estabelecimentos que produzem mais de 120 litros de lixo por dia)

9.1.2 REGULARIDADE DA COLETA

A coleta domiciliar deve ser efetuada em cada imóvel, sempre nos mesmos dias e horários, regularmente.

Essa regularidade pode ser verificada matematicamente, comparando-se os pesos e/ou as distancias percorridas pelos veículos de coleta em duas ou mais semanas consecutivas.

9.1.2 FREQUÊNCIA DE COLETA

Por razões climáticas, no Brasil, o tempo decorrido entre a geração do lixo domiciliar e seu destino final não deve exceder uma semana para evitar proliferação de moscas, aumento do mau cheiro e a atratividade que o lixo exerce sobre roedores, insetos e outros animais.

A freqüência mínima de coleta admissível em um país de clima quente como o Brasil é de três vezes por semana.

Com relação à freqüência de coleta é comum adotar-se:

  • coleta diária: em áreas centrais ou comerciais, onde a produção de lixo é grande (geralmente noturna nas cidades maiores);

  • coleta em dias alternados: em áreas residenciais, menos adensadas ( reduz os custos de 30% a 40% em relação à coleta diária)

  • coleta especial: em favelas, áreas de topografia acidentada, de urbanização desordenada e precária, recomenda-se a coleta diária por falta de espaço para armazenamento do lixo nas edificações.

9.1.3 HORÁRIOS DE COLETA

Vários aspectos devem ser observados:

 intervalos amplos entre os turnos diurno e noturno para que problemas surgidos em um turno não interfiram no outro;

 entrada e saída do pessoal em horário em que haja condução disponível e coleta noturna em áreas onde o movimento, durante o dia, é muito intenso;

 em regiões com clima muito quente os serviços devem ser executados em horários que evitem o excesso de calor, aumentando assim a produtividade.

9.2 PROJETO DE COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS

DOMICILIARES

9.2.1 CONSIDERAÇÕES

Para elaboração do projeto, deverão ser obtidos os seguintes dados:

 peso do volume de lixo coletado diariamente, anotando-se a

distância e o tempo gasto na coleta;

 peso específico aparente do lixo;

 análise da topografia local (trajetos com declives e/ou aclives);

 análise do sistema viário (largas avenidas, ruas de tráfego intenso, ruas de mão única, etc.);

 tipo de pavimento das ruas (asfalto, paralelepípedos, lajotas, terra);

 tipo e capacidade dos veículos coletores;

 local de recolhimento dos veículos após a coleta;

 local de refeições da guarnição;

 zonas de ocupação (residencial, comercial, industrial e mista);

 caracterização qualitativa do lixo;

 locais de disposição final e/ou estações de transbordo do lixo:

 velocidade de coleta, expressa em km/h, kg/hou m3/h;

 localização dos grandes centros produtores de lixo, tais como: mercados, feiras, hospitais, clubes, hotéis, outros e a determinação da capacidade das caçambas coletoras a serem utilizadas nos diferentes setores da coleta do lixo.

9.2.2 ELABORAÇÃO DO PROJETO

Com base nos resultados da análise dos dados levantados, o município deverá ser dividido em circuitos ou zonas geradoras que individualmente forneçam material suficiente para completar a viagem do caminhão coletor. As zonas deverão ser agrupadas em setores, sendo que cada setor deverá ser operado por uma única equipe e um único caminhão.

9.2.3 DIMENSIONAMENTO DA COLETA

Devem fazer parte do dimensionamento os seguintes elementos:

  1. guarnições de coleta

  2. frota de veículos de coleta;

  3. roteiros de coleta

C) Roteiros de Coleta

Os roteiros de coleta devem ser projetados de maneira a minimizar os percursos improdutivos, isto é, aqueles ao longo dos quais não há coleta. Para tanto, devem ser observados:

  • equilíbrio dos roteiros

para que cada guarnição receba como tarefa uma mesma quantidade de trabalho;

  • local de início da coleta

deve ser planejado de tal forma que as guarnições comecem seu trabalho no ponto mais distante do local de destino do lixo e, com a progressão da coleta, se movam na direção daquele local, reduzindo as distâncias e o tempo de percurso;

  • estimativa da quantidade de lixo domiciliar

deve-se fazer uma estimativa em bairros de classe econômica alta, média e baixa para se obter a geração média per capita de lixo e também as populações respectivas para assim estimar-se a quantidade de lixo no município e em diferentes bairros.

 Traçados dos Roteiros de Coleta

Um roteiro pode ser traçado buscando-se através de tentativas, a melhor solução que atenda simultaneamente condicionantes tais como:

  • o sentido de tráfego das ruas (evitando manobras a esquerda em vias de mão dupla);

  • evitar percursos duplicados e improdutivos.

Costuma-se traçar os itinerários pelo método dito heurístico, levando-se em conta:

  • o sentido do tráfego

  • as declividades acentuadas

  • a possibilidade de acesso e manobra dos veículos

 método heurístico

basicamente o método consiste em:

 dividir a cidade em subáreas

 levantar as características de cada roteiro

 analisar as informações levantadas

 redimensionar os roteiros tendo como premissas:

a exclusão (ou minimização) das horas extras de trabalho

o estabelecimento de novos pesos por jornadas

as concentrações de lixo em cada área

 Exemplos de dimensionamento e traçados de roteiros de coleta

Roteiros

Comprimento do roteiro

m (1)

Peso de lixo

kg (2)

Tempo médio de trabalho

h (3)

Nº. Garis da Guarnição

(4)

Índices

kg/h

(2)/(3)

kg/m

(2)/(1)

kg/gari

(4)/(2)

01

14.250

16.400

8,20

4

2.000

1,15

4.100

02

13.180

14.200

7,72

4

1.839

1,08

3.550

03

14.600

17.300

8,75

4

1.977

1,18

4.325

04

16.410

19.500

8,99

4

2.169

1,19

4.875

05

15.120

18.100

9,78

4

1.851

1,20

4.525

06

18.040

17.400

8,65

4

2.012

0,96

4.350

07

13.870

15.600

9,36

4

1.667

1,12

3.900

08

15.660

18.300

10,01

4

1.828

1,17

4.575

Médias

15.141

17.100

8,93

4

1.915

1,13

4.275

Totais

-

153.900

-

-

-

-

-

9.3 TRANSPORTE DO LIXO DOMICILIAR

9.3.1 VEÍCULOS PARA A COLETA DO LIXO DOMICILIAR

As viaturas de coleta e transporte do lixo podem ser de dois tipos:

compactadoras

No Brasil são utilizadas as de carregamento traseiro ou lateral

sem compactação

conhecidas como baú ou prefeitura, com fechamento na carroceria por meio de portas corrediças

9.3.3.1 Características de uma boa unidade coletora

não permitir derramamento do lixo ou do chorume na via pública

apresentar taxa de compactação de pelo menos 3:1

apresentar altura de carregamento na linha da cintura dos garis: no

máximo 1,20m em relação ao solo

possibilitar esvaziamento simultâneo de pelo menos dois recipientes

por vez

possuir carregamento traseiro, de preferência

dispor de local adequado para transporte dos trabalhadores

apresentar descarga rápida do lixo no destino (no máx. em 3 min.)

possuir capacidade adequada de manobra e de vencer aclives

apresentar capacidade adequada para o menor número de viagens

ao destino, nas condições de cada área

        1. Veículos típicos usados na coleta do lixo domiciliar

  1. BAÚ

Veículo sem compactação, também denominado “Prefeitura”. É utilizado em pequenas comunidades e também em locais íngremes. O volume das caçambas varia de 4m3 a 12m3 e a capacidade de transporte é de 7 a 12t de peso bruto, respectivamente.

  1. COLETORES COMPACTADORES

Veículo compactador, de carregamento traseiro, com capacidade volumétrica útil de 6, 10, 12, 15 e 19 m3 . Transporta, respectivamente, 9, 12, 14, 16 e 23 t de peso bruto total.

  1. POLIGUINDASTES SIMPLES E DUPLOS

Veículos com guindastes de acionamento hidráulico, montado em chassi de peso total mínimo de 13,5 t para içamento e transporte de caçambas estacionárias de lixo de até 5m3 de capacidade volumétrica. Os equipamentos do tipo simples transportam uma caçamba de cada vez e os do tipo duplo carregam duas caçambas.

        1. Outros veículos e equipamentos usados na coleta do lixo

lutocar

caminhão basculante “toco”

caminhão basculante trucado

Roll-on/roll-off

carreta

pá carregadeira

10. RECICLAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS

10.1 ASPECTOS GERAIS

A criação de políticas ambientais nos países desenvolvidos despertou o interesse da população pela questão dos resíduos sólidos. O aumento da geração per capita de lixo, fruto do modelo de alto consumo da sociedade capitalista, começou a preocupar ambientalistas e a população, tanto pelo seu potencial poluidor, quanto pela necessidade permanente de identificação de novos locais para aterro dos resíduos.

Entre as alternativas para redução dos resíduos sólidos urbanos, a reciclagem é aquela que desperta o maior interesse da população, principalmente pelo seu forte apelo ambiental.

Os principais benefícios da reciclagem dos materiais do lixo são:

  • a economia de matérias-primas não renováveis;

  • a economia de energia nos processos produtivos;

  • o aumento da vida útil dos aterros sanitários;

  • o estímulo ao desenvolvimento de uma maior consciência ambiental e dos princípios de cidadania por parte da população;

  • a geração de emprego e renda para os recicladores

O grande desafio para implantação de programas de reciclagem é buscar um modelo que permita a sua auto-sustentabilidade econômica

10.2 RECICLAGEM E COLETA SELETIVA

102.1 RECICLAGEM

Trata-se da recuperação dos materiais descartados, modificando suas características físicas, para obtenção de um novo produto. Diferencia-se da reutilização em que os materiais descartados mantêm suas feições.

A reciclagem pode ser direta ou pré-consumo, quando processados materiais descartados na própria linha de produção, como aparas de papel, rebarbas metálicas, etc, ou, indireta, pós-consumo, quando são reprocessados materiais que foram descartados como lixo pelos usuários.

10.2.2 COLETA SELETIVA

Consiste na separação de materiais recicláveis como papéis, vidros, plásticos e metais do restante do lixo, nas suas próprias fontes geradoras. Facilita a reciclagem, porque os materiais estarão mais limpos e conseqüentemente com maior potencial de reaproveitamento.

A reciclagem pode ser feita sem a coleta seletiva. Neste caso, os materiais são separados manualmente ou mecanicamente em uma usina de lixo, após a coleta tradicional.

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