Pedagogia tradicional

Pedagogia tradicional

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1 EIMAR FRANÇA DE BARROS JUNIOR

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001

Eimar França de Barros Junior

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de

Pedagogia_Orientação Educacional do

Centro de Ciências Humanas e Educação da UNAMA, como requisito para obtenção do grau Licenciatura Plena, orientação pelo professor Carlos Paixão.

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001

Eimar França de Barros Junior

Avaliado por: _

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA 2001

“Ocorre que a escola, se vê diante de demandas contraditórias em termos de socialização: de um lado precisa estimar a crítica, a autonomia e a participação e, de outro, a disciplina e a submissão ao trabalho”.

José Carlos Libâneo.

Dedico este trabalho

Aos meus avós maternos, que me ajudaram a crescer enquanto homem e profissional.

À minha mãe, por me dar a vida.

As minhas tias, que ouviram todos os meus problemas vivenciados no curso.

Aos profissionais da Educação que almejam melhor progressivamente suas práxis (ação-reflexão-ação)

Agrade ço

A DEUS pela força, pela família e pelo pão de cada dia.

Ao orientador Carlos Paixão, que oferece um ambiente de estudo responsável pela construção do pensamento.

A Todos os meus entes queridos que contribuíram com o meu aprendizado e formação.

Resumo

Este trabalho trata da relação entre a Pedagogia Tradicional e as Desigualdades de classe, partindo de uma reflexão crítica, em que é sublinhada a influência do sistema capitalista na escola e suas conseqüências aos indivíduos da classe trabalhadora. Verifica-se o quanto as relações de trabalho e produção repercutem no seio da escola, garantindo a classe dominante o acesso aos últimos níveis de escolarização, enquanto a classe trabalhadora têm que freqüentar instituições educativas sem recursos, com ausência de profissionais compromissados, e, principalmente viver em um país marcado pela má distribuição de renda onde poucos possuem realmente “vez e voz” frente ao Estado, este deixa que a escola agonize não para matá-la, mas para deixa-la dentro dos limites mínimos de qualidades. É sempre evidenciada nesta pesquisa a importância da escola, sublinhando que sua atuação pode dar-se tanto para a reprodução quanto para a busca de um ensino dinâmico. Espera-se que o presente estudo contribuía de forma crítica a efetivação de uma escola responsável pela formação do conhecimento.

INT RODUÇÃO9
CAPÍTULO I- Educação e Tendência Pedagógicas14
1.1- B rasil- Período Colonial15
1.2- B rasil- Período Monárquico15
1.3- B rasil- Período Republicano16
1.4- A Educa ção Liberal18
1.4.1- A tendência Tradicional20
1.4.2- Tendência Liberal Renovada Progr essivista21
1.4.3- Tendência Liberal Renovada Não-Dir etiva23
1.4.4- Tendência Liberal Tecnicista24
1.5- Peda gogia Pro gressista25
1.5.1- Tendência Progressista Libertadora26
1.5.2- Tendência Progressista Libertária28
1.5.3- Pedagogia crítico-social dos conteúdos29
CAPÍTULO I- Educação e Classes Sociais3
2.1- As classes sociais e a ideologia capitalista37
2.2- Notas sobre a teoria Marxista do Estado40
2.3- Notas sobre o Marxismo: Algumas Reflexões45
2.4- A Escola e as classes sociais49
CAPÍTULO I- A pedagogia Tradicional e as Desigualdades de Classe56
Considerações F inais59

SUMÁRIO REFERÊNCIAS BIBLIOG RÁFICAS ............................................................... 69

Atualmente vive-se em uma sociedade que em todo momento traz uma avalanche de novas informações, que homens e mulheres tem que processar rapidamente. Neste contexto o mercado de trabalho passa a exigir profissionais dinâmicos, inteligentes e criativos, que saibam lidar com todas estas mudanças ocorrentes no mundo globalizado.

E diante dessas transformações, a educação possui um papel vital, pois a escola sempre foi responsável pela transmissão dos saberes acumulados historicamente. Logo espera-se que ela tenha uma nova concepção e uma nova forma de trabalho, que subjetive preparar educandos cultos, reflexivos e críticos para lidarem com situações adversas e principalmente sejam capazes de construir o conhecimento.

É perceptível constatar que a escola passa por uma redefinição lenta e gradativa em suas estruturas, buscando atender às necessidades do mundo moderno. É verdade que a educação por si só não produz mudanças, mas nenhuma mudança é possível sem educação.

Educar (em latim, é ducare) é conduzir de um estado a outro, é modificar numa certa direção o que é suscetível de educação. O ato pedagógico pode, então ser definido como uma atividade sistemática de interação entre seres sociais, tanto ao nível intrapessoal, quanto ao nível da influência do meio, interação essa que se configura numa ação exercida sobre sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar neles mudanças tão eficazes que os torne elementos ativos desta própria ação exercida. (LIBÂNEO, 1985, p. 97)

Os profissionais da educação precisam repensar suas atuações. Em especial os professores que ainda hoje ministram um ensino pronto e extremamente rígido, tal fato impossibilita a construção de conhecimentos atualizados e, portanto responsáveis pelo desenvolvimento das potencialidades máximas dos alunos.

O interesse em obter maiores aprofundamentos sobre a temática “Pedagogia tradicional e as desigualdades de classe” parte do pressuposto de que a prática dos educadores permanece estagnada em tempo e espaço, transformando a sala de aula em um espaço de reprodução e reconstrução do saber. Portanto, existe a preocupação em repassar as experiências que formam vivenciadas durante os estágios realizados, bem como a necessidade de relatar os equívocos que ocorrem quando os educadores tentam consumar um processo de ensino-aprendizagem que não conseguem sequer transpor a simples veiculação de teorias.

O estudo da ”Pedagogia Tradicional e as Desigualdades de Classe” convida o educador a romper esta barreira entre teoria/pratica, buscando um refazer pedagógico, repensando a sua ação como agente transformador, com o objetivo de formar, na escola, cidadãos dotados de uma visão de mundo crítica e capaz de buscar saídas palpáveis e plausíveis para os problemas encontrados na sociedade.

Os profissionais nas escolas são os trabalhadores (as) mais estrategicamente colocados (as) para muda-la. Já argumentei em favor de se trazer o trabalho docente para o centro das discussões sobre p problema da desvantagem, se quisermos que haja uma mudança na educação das crianças em situação de pobreza, temos que ver os (as) professores (as), como força de trabalho de mudança. (CONNEL, 1995, p. 35)

A importância de realizar uma pesquisa bibliográfica com esta envergadura objetiva tratar a problemática da Pedagogia Tradicional embasado em uma análise crítica, em que serão mostrados como esta contribuir para a perpetuação de um processo de ensino-apredizagem fossilizado e materializado em uma atividade decorativa, acrítica e principalmente sem significado às experiências extra-classe de alunos(as) provenientes da classe desprivilegiada.

Conhecer métodos, técnicas e procedimentos presentes na Pedagogia

Tradicional faz com que educadores(as) revejam suas atitudes e sobretudo sua práxis (ação-reflexão-ação), ocasionando uma melhora significativa na configuração do ensino, fazendo com que este torne-se contextual e percebido pelos alunos como uma ação necessária e indissolúvel as suas vidas enquanto seres soci ais.

O aluno não é um ser abstrato; não existe personalidade humana básica, universal uma natureza humana padrão. Se a educação consiste na educabilidade do indivíduo concreto, produto de relações sociais, ela deve-se centrar-se na analise das condições concretas de vida dos homens, a forma de interação, a luta com o ambiente, cotidiano do trabalho.

O que um aluno é depende daquilo que o meio social permite que ele seja.

A ação pedagógica pressupõe, portanto, a compreensão do significado social de cada comportamento, no conjunto das condições de existência em que ocorre. (LIBÂNEO, 1985, p. 67)

É portanto de suma importância a utilização da metodologia para o desenvolvimento de qualquer trabalho cientifico, pois, é através dele que a obra poderá ter veracidade e seja digna de confiança. Logo metas bem delineadas permitem a organização, a seriedade e também o não desperdício de tempo.

A opção pela realização de um trabalho embasado na pesquisa bibliográfica baseia-se no pensamento de que esta tem como instrumento essencial a habilidade da leitura, isto é, a capacidade de extrair informações, processa-las e transformá-las em conhecimentos a partir de textos escritos. Infelizmente o hábito da leitura é pouco cultivado, o professor descompromissado lê pouco, concomitantemente não estimula seu aluno. Isto traz ao educador principalmente a falta de preparo e de versatilidade para lidar com as novas exigências do cenário educacional. E ao aluno a eterna posição de passividade, ingenuidade e falta de articulação de idéias.

Com este estudo, almeja-se contribuir, de forma séria a uma possível reflexão e revisão de posturas educativas na escola, para que esta torna-se efetivamente um “pólo” responsável pela formação de conhecimentos que estejam em consonância com as necessidades, anseios e aspirações dos alunos (as).

O direcionamento da pesquisa bibliográfica que orienta esse estudo toma referencial teórico alguns autores que tratam o tema em questão, em cujos obras serão evidenciadas na bibliografia.

Capítulo I Educação e Tendência Pedagógicas

1.1- Brasil- Período Colonial

Segundo GHIRALDELLI (1987), a educação no Brasil é marcada inicialmente pela influência dos Jesuítas. Eles chegaram ao Brasil em 1549, através da companhia de Jesus, inicialmente eram somente religiosos chefiados pelo padre Manoel de Nóbrega. A participação deste foi tão consistente que 210 anos foram os únicos responsáveis pela educação no “novo mundo”.

O contexto brasileiro na época era de uma sociedade com economia agrárioexportadora, dependente e exploradora pela Metrópole. Sendo assim a tarefa educativa estava voltada para a catequese e instrução do gentio, criando escolas de primeiras letras e instalando colégios destinados a formar sacerdotes para a obra missionária. Porém a ação pedagógica realizada pelos Jesuítas tomou outra forma, passando a ser direcionada para à educação da elite colonial; o que se tornaria fator preponderante durante a ação dos Jesuítas.

ROMANELLI (1990) diz que o plano de instrução dos Jesuítas continha embasamento consistente no “Ratio Studiorum”, cujo ideal era a formação do homem universal, humanista e cristão. Logo a educação almejava efetivar um ensino de caráter humanista e cultura geral, este era indiscutivelmente enciclopédico e alheio a realidade de vida do Brasil-Colônia.

Os pressupostos didáticos que compunham o “Ratio” enfocavam um estudo que previa a unidade do professor, unidade de métodos e unidades de estudo. As aulas eram expositivas, valorizando a repetição, o ato decorativo e a competição. Os exames eram orais e escritos, sendo principal meio de mensurar o rendimento do aluno.

È inegável que desde do início da colonização já existia uma desigualdade latente de instrução, sto porque a escola primária era voltada para as classes populares e a escola secundária, direcionada a atender às elites colônias.

GHIRALDELLI (1987) evidencia que em 1959, com a expulsão dos Jesuítas de Portugal e de seus domínios, foi alterado o modelo educativo vigente. Em seu lugar vieram as aulas régias, estas eram autônomas e isoladas, não se articulavam com outras e pertenciam a qualquer escola, o aluno se “matriculava” em quantas aulas fossem a disciplina que desejasse. Estas culminaram no fracasso devido a má qualificação docente e a falta de unidade pedagógica.

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