Sistema nervoso central

Sistema nervoso central

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Sistema Nervoso Central

O Sistema Nervoso Central (SNC) é essencial para a fisiologia de todos os outros sistemas de nosso corpo, já que sem o SNC eles entrariam em colapso. Além disso, é o responsável pela interação com o meio em que vivemos, através de nossas sensações e movimentos. E obviamente é também responsável pelo nosso pensamento e inteligência; sem ele não conseguiríamos ler este texto. Assim é evidente a participação do SNC em praticamente todas nossas tarefas e atividades.

Para fins didáticos poderíamos dividir as funções do SNC em 4 grupos principais:

- Função Sensorial: o SNC é responsável por todas as nossas sensações, desde as mais simples, como dor e pressão até sensações especiais, como a visão e a audição;

- Função Motora: com exceção do coração, todos os outros músculos do corpo dependem do comando do SNC para contrair ou relaxar, mesmo quando o movimento é inconsciente, como é o caso do movimento do diafragma na respiração;

-Função de Homeostase: homeostase é o equilíbrio de nosso corpo e quem garante esse equilíbrio é o SNC. Assim, sem o controle do SNC não conseguiríamos manter nossa frequência cardíaca, nossa frequência respiratória, nossa pressão arterial, não teríamos fome, sono, etc;

-Função de Pensar: é nosso SNC quem nos permite raciocinar, memorizar, ter emoções, pensar, etc.

1. NeuroAnatomia:

O SNC pode ser didaticamente dividido em encéfalo, cerebelo, tronco encefalico e medula espinal. O encéfalo, o cerebelo e o tronco encefalico estão protegidos pelo crânio, enquanto a medula se encontra dentro do canal da coluna vertebral.

O encéfalo pode ser subdividido em diencéfalo e telencéfalo (figura 1); o telencefalo tem como , cada uma dessas partes exercendo uma importante função no SNC, funções como controle motor, sensação, memória, raciocínio, etc. O tronco cerebral é subdividido em mesencéfalo, ponte e bulbo e está principalmente relacionado com funções de equilíbrio motor e homeostase. Além disso 12 pares de nervos responsáveis pelos movimentos e sensações da cabeça saem do tronco. O cerebelo é uma grande massa nervosa localizada na parte occipital do encéfalo. Por fim a medula espinal é subdividida em 33 partes anatômicas, conforma cada um dos nervos que saem da medula. Conforme a localização dessas segmentos, a medula espinhal é dividida em cervical (7 segmentos), torácica (12), lombar (5), sacral (5) e coccix (4).

Também é importante analisar a anatomia do neurônio. Ele é composto de soma ou corpo celular, dendritos e axônios, que vão exercer papeis diferentes na fisiologia do neurônio (figura 2). Essas partes se encontram dispostas em diferentes partes do SNC. Os corpos celulares e os dendritos ficam todos juntos em uma área de cor cinzenta, que por isso é chamada de massa ou substância cinzenta e os axônios ficam em outra área de cor esbranquiçada chamada de massa ou substância branca. Podemos descrever o SNC como uma grande área branca (axônios) com núcleos de manchas cinzentas no meio (corpos celulares e dendritos). Cada um desses núcleos parece estar relacionado a uma função específica, mas ainda não se sabe o que a maioria deles faz.

Além dos neurônios, existem outras células no SNC chamadas de neuroglia ou simplesmente glia. As células da glia têm a função de servir de suporte e nutrir os neurônios; portanto elas não realizam as funções já descritas acima para o SNC. Elas se localizam na massa branca do SNC, junto com os axônios neuronais.

Figura 1 – SNC com telencegfalo (córtex, corpo caloso e hipocampo), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), tronco cerebral e cerebelo

2. NeuroFisiologia

Para começarmos o estudo da fisiologia do Sistema Nervoso Central é necessário antes estudarmos a fisiologia do neurônio, já que ele fundamentalmente é o responsável por todas as funções neurais.

2.1 Fisiologia do Neurônio

O SNC é composto por bilhões de células divididas em 2 tipos principais: os neurônios, responsáveis pela execução de todas as funções do SNC e as células da glia, responsáveis pela nutrição e suporte de todos os neuronios. Por se tratar das células fundamentais na fisiologia do SNC, vamos aqui estudar mais detalhadamente os neurônios.

O surgimento de neurônios ocorre apenas em nossa fase fetal e após o nascimento, não há o aparecimento de nenhum novo neurônio, ou seja, ao longo de nossa vida apenas perdemos neurônios. Assim a capacidade de regeneração do tecido nervoso é quase nula, se limitando a poucos axônios localizados na periferia do SNC (nervos). A explicação possível para o fato é que durante a fase fetal ocorre a secreção de uma proteína chamada fator de crescimento neuronal (NGF), que provavelmente responde pelo desenvolvimento do sistema nervoso no feto e portanto do crescimento do número de neurônios. Essa substância desaparece após o nascimento e isso explicaria porque nenhum novo neurônio aparece após o nascimento. Novos experimentos com células tronco e NGF parecem promover o crescimento neuronal em adultos, mas as pesquisas estão apenas nas fases iniciais. No entanto apesar da perda constante dos neurônios, nascemos com vários neurônios de “reserva”, o que explicaria o fato de que a mantemos a nossa capacidade intelectual, motora e sensorial mesmo em idades avançadas. Acredita-se que a maior parte de nosso SNC seja composto pelos neurônios de reserva.

O neurônio, como já foi dito, é a célula fundamental do Sistema Nervoso Central, responsável por todas as funções do SNC. Essa célula tem essa impressionante capacidade porque tem uma habilidade especial: consegue conduzir informações de uma parte do SNC até outra, de um neurônio a outro. É por isso que conseguimos passar a mensagem de dor desde a ponta dos nossos dedos da mão, quando a colocamos no fogo, até o córtex, e é só lá no córtex que vamos perceber que aquela sensação é dor e que precisamos de uma resposta, como, por exemplo, tirar rapidamente a mão.

Para passar a mensagem, o neurônio tem que conduzir a informação dentro de si e de um neurônio para outro. Vamos pegar o exemplo que foi citado acima. Para percebermos a dor nas mãos quando a colocamos no fogo, temos a presença de nervos em quase todos os pontos da nossa pele. Esses nervos que chegam em todas as partes, nada mais são do que partes de um neurônio, mais especificamente, um axônio (figura 2). Essa informação (dor do fogo) vai ser percebida na ponta do axônio (nervo) que chega na pele e vai percorrer todo o axônio, todo o corpo celular e os dendritos e quando chegar aí vai passar para um segundo neurônio. Nesse segundo neurônio, novamente a informação vai percorrer o axônio, o corpo celular e os dendritos até um terceiro neurônio e assim por diante.

Figura 2 – neurônio com corpo celular (soma), dendritos e axônio.

Cada neurônio que serve para passar essa informação da dor está em um lugar do SNC. Assim o primeiro neurônio sai na pele e termina na medula e se comunica com um segundo neurônio que está na medula. Este segundo neurônio vai até o diencéfalo e se comunica com um terceiro neurônio que está no diencéfalo, e esse do diencéfalo acaba se comunicando por fim, com outro que está no córtex. Assim a informação da dor sai da pele e chega até o córtex percorrendo um caminho dentro do SNC. Esse caminho no exemplo é: mão-medula-diencefalo-cortex (figura 4.1). Cada sensação nossa, cada movimento nosso, cada pensamento percorre um caminho diferente no SNC, e esses caminhos nós chamamos de VIAS NEURAIS. Portanto existem vias para a dor, para o tato, para a visão, para movimentarmos as pernas, para ler este texto, etc. Cada vez que uma via é ativada, ou seja, que passa uma mensagem por ela, uma função de nosso SNC é realizada. Assim podemos dizer que cada via neural que é percorrida corresponde a uma ação realizada pelo SNC.

Bem, vimos então que a informação percorre todo o neurônio, do dendrito ao axônio, e depois passa de um neurônio para outro. No primeiro caso, dentro do neurônio, para conseguir passar a mensagem, o neurônio cria uma corrente elétrica. Já para conseguir passar a informação para o segundo neurônio, o primeiro manda um mensageiro químico. O primeiro processo, elétrico e dentro do neurônio, chamamos de potencial de ação e o segundo, químico e de um neurônio para outro, chamamos de sinapse. Vamos agora explicar cada um desses processos

Potencial de Ação.

A corrente elétrica criada pelo neurônio para passar as mensagens neurais é um fenômeno físico e químico. Para estuda-lo, devemos antes compreender a estrutura da membrana de um neurônio. Na membrana celular do neurônio existe a presença de uma estrutura protéica chamada bomba de Na/K que tem uma função de jogar constantemente íons Na para fora do neurônio e íons K para dentro. Para cada 3 íons Na jogados fora a bomba coloca 2 íons K para dentro. Tanto o Na quanto o K são íons posistivos, ou seja, possuem cargas elétricas positivas. Assim a bomba tende a acumular mais cargas positivas fora do neurônio. Além disso a membrana possui canais para a entrada e saída de Na e K. Enquanto os canais de Na permanecem fechados quando o neurônio esta em repouso, os canais de K ficam todo o tempo aberto, oq eu mais facilita a saída de cargas psitivas da célula. Também na membrana celular do neurônio existem proteínas voltadas para o interior do neurônio que são carregadas negativamente.

Isso tudo faz com que o lado interno do neurônio fique negativo em relação ao lado externo , ou seja, o meio externo possui mais cargas positivas que o meio interno. Esse processo de acúmulo de mais cargas positivas do meio externo em relação ao meio interno cria um fenômeno físico chamado de ddp, ou diferença de potencial. Todo lugar em que existe uma ddp pode se criar uma corrente elétrica. Ë possível se medir essa diferença de cargas (ddp) e o valor dessa diferença no neurônio é de -70 mV (milivolts), valor negativo já que, como vimos, o interior do neurônio é negativo (tem menos cargas positivas) em relação ao exterior. Para efeito de comparação, podemos pensar que a tomada elétrica de nossas casas tem uma diferença de cargas para a chave de entrada, por isso há passagem de corrente elétrica. O valor da diferença em nossas casas é de 110 V ou 220V.Voltando ao neurônio, esse processo acima descrito acontece com o neurônio em repouso, por isso é chamado de potencial de repouso.

Quando o neurônio vai passar a informação, como no caso da dor na mão, ele cria uma corrente elétrica que modifica esse potencial de repouso. Corrente elétrica se caracteriza pela corrida de cargas de um lado para outro. Para se criar a corrente, ocorre a abertura de canais específicos na membrana do neurônio que permitem a entrada dos íons Na que estavam fora. A entrada ou corrida desses íons com carga positiva, daí corrente elétrica, faz com que o interior do neurônio, que era negativo em -70 mV, fique positivo em até +90 mV. Esse processo em que se sai de uma polaridade negativa para uma positiva é chamado despolarização e a alteração de negativo para positivo no interior do neurônio com a corrida das cargas dos íons Na, caracteriza a corrente elétrica que vai passar a mensagem no neurônio. A despolarização caracteriza a primeira fase do potencial de ação.

Após a corrente passar, o neurônio tenta voltar ao normal, ou seja, ao potencial de repouso. Para isso o neurônio começa a jogar carga positiva fora (figura 6). Como a carga que havia sido armazenada era o K, é esse íon que começa a sair em grande quantidade. Em certo momento também começa a sair os íons Na que haviam entrado e essa grande saída de cargas positivas faz com que novamente a polaridade do neurônio fique negativa. Esse processo é chamado de repolarização, já que há o retorno à polaridade negativa. Mas o neurônio joga tanto K e Na fora que fica mais negativo do que antes, de -70 mv (repouso) ele chega a -100 mv, o que caracteriza uma hiperpolarização negativa do neurônio. Esse estado em que o neurônio está muito negativo é chamado de período refratário e se caracteriza pela incapacidade da célula de responder a qualquer estímulo e dura normalmente apenas alguns milésimos de segundos.

Quando o neurônio atinge a hiperpolarização negativa ocorre um sinal celular que todos os canais se fechem, e com isso a bomba de Na/K faz com que as cargas se equilibrem e voltam ao potencial de repouso de -70 mv e nesse ponto ele está pronto para novamente receber um impulso (para todo o processo ver gráfico 1). O processo de ativação do neurônio começa em um ponto inicial do axônio chamado de trigger zone, ou zona de disparo e se espalha por toda a membrana do axônio. Dessa forma o neurônio consegue criar a corrente elétrica e passar a informação de uma ponta até a outra do axônio. Já para essa informação passar para o próximo neurônio deve ocorrer a sinapse.

Sinapse

A sinapse ocorre para que a informação ou mensagem, passe de um neurônio para outro, dentro das vias neurais, como já foi explicado. Nós vimos que o potencial de ação é um fenômeno elétrico. Já a sinapse é química. Basicamente quando o primeiro neurônio quer passar uma informação para um segundo neurônio ele envia uma substância química para o segundo neurônio. Essa substância é chamada de neurotransmissor e a passagem da mensagem, através do neurotransmissor, de um neurônio a outro é chamada de sinapse. No esquema da figura 7 podemos ver como ocorre a sinapse. Ela quase sempre ocorre do axônio para o dendrito do próximo neurônio. O primeiro neurônio, que está enviando a mensagem é chamado de neurônio pré sináptico, enquanto o segundo neurônio, que recebe a mensagem, é chamado de neurônio pós sináptico.

Na porção final do axônio, chamada terminal nervoso, existem vesículas que armazenam o neurotransmissor. Quando o neurônio é ativado, o impulso nervoso (potencial de ação) corre o axônio e chega ao terminal nervoso. Esse potencial tem o efeito de promover a abrir canais de Ca e promover a entrada do íon no terminal. O influxo de Ca, por sua vez, provoca o deslocamento e rompimento das vesículas, após essas se fundirem com a membrana neuronal.

Com o rompimento das vesículas ocorre a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica, que é o espaço entre os 2 neurônios da sinapse. Esse neurotransmissor então se liga ao neurônio pós sináptico em uma estrutura especial chamada de receptor pós sináptico (figura 3). Assim que o neurotransmissor se liga ele ativa um mensageiro celular, que pode ser o AMPc ou o inositol-fosfato e este, por sua vez, ativa proteínas específicas no núcleo do neurônio. Essas proteínas então disparam o potencial de ação na zona de disparo no axônio, o que leva a propagação da corrente e da mensagem por todo o axônio do neurônio pós sináptico. Essa corrente atinge o terminal nervoso e pode novamente iniciar uma sinapse com outro neurônio. Além do receptor pós sináptico, pode ocorrer a ligação em um receptor pré sináptico localizado no terminal nervoso pré sináptico. A ligação do neurotransmissor nesse receptor controla a produção do neurotransmissor e sua liberação pelas vesículas.

Para garantir a ligação dos neurotransmissores nos receptores pós sinápticos, são liberados neurotransmissores das vesículas em grande quantidade na fenda sináptica. Para ocorrer um controle dessa quantidade de transmissores na fenda e evitar que ocorra um excesso de mensagens no SNC,o neurônio possui 2 mecanismos de controle. O primeiro é a presença de uma enzima de degradação ou inativação na fenda ou no terminal nervoso, que tem a função, como seu nome diz, de inativar ou degradar o neurotransmissor correspondente diminuindo assim a presença do neurotransmissor na fenda. Além disso, há a presença de uma proteína na membrana do terminal nervoso chamada de bomba de recaptação que promove a volta do neurotransmissor para o neurônio pré sináptico, onde ele vai ser inativado pela enzima ou novamente armazenado nas vesículas (Figura 3). É importante que ocorram os dois processos ao mesmo tempo na célula; a inibição de só um deles, a recaptação ou a enzima inativadora, é o suficiente para que ocorra um aumento significativo de sinapses e mensagens no SNC.

Algumas drogas que agem no SNC podem se ligar aos receptores pos sinápticos e imitar o efeito dos neurotransmissores promovendo a passagem da mensagem; são chamadas de agonistas. Já outras drogas ao se ligarem aos receptores não produzem efeito e impedem a ligação do neurotransmissor, interronpendo a via neural; são chamadas de antagonistas. Já algumas drogas ao se ligarem aos receptores ao invés de abrirem canais de Na para o passagem do potencial de ação, mantém esses canais fechados; são chamados de agonistas inversos pois tem efeito contrario ao dos agonistas. Drogas também podem se ligar as receptores pré sinápticos, aumentar a liberação dos neurotransmissores nas vesículas, impedir o armazenamento nas vesículas ou alterar a síntese dos neurotransmissores e assim alterar a sinapse.

Cada via neural tem seu neurotransmissor correspondente. Assim, a via que leva a mensagem da dor na ponta do dedo até o córtex usa um tipo de neurotransmissor, a via que envia a resposta usa outro, o nosso pensamento e memória usam outro, e assim por diante. Vamos aqui comentar alguns dos principais neurotransmissores.

1.Dopamina:

Está presente no tronco cerebral, nos gânglios da base e no córtex. Está envolvida com movimento, memória, emoções e prazer; sua diminuição no SNC leva a problemas motores, como catatonia e sintomas de Parkinson como tremedeira e rigidez muscular. Já seu excesso está ligado a quadros de alucinação e delírio, como na esquizofrenia, agitação motora e aumento da vigília.

2. Noradrenalina:

Presente no tronco cerebral e diencéfalo. Está envolvida com emoções, como medo e ansiedade, além de ser responsável pela vigília e pelo ato de acordar.

3. Serotonina:

Presente no tronco cerebral e diencéfalo, alem do córtex. Está envolvida com ansiedade, bom humor e depressão, sono e regulação da fome; seu excesso pode estar ligado a quadros de alucinação, irritabilidade e ansiedade. Já sua falta leva a depressão e fome.

4. Acetilcolina.

Está presente no hipocampo, gânglios da base e córtex. Está envolvida com definições de movimento e memória. Seu excesso está ligado a sintomas do Parkinson como tremedeira e sua falta a amnésias e demências.

5. Glutamato:

Neurotransmissor descoberto mais recentemente, aparece no córtex e diencéfalo. Está ligado a vigília, movimentos e medo.

Além desses neurotransmissores descritos, o SNC produz alguns neurotransmissores que servem para controlar as transmissões. Esses neurotransmissores impedem que haja um "curto-circuito" no SNC, por excesso de transmissão e são chamados de neurotransmissores inibitórios. Um exemplo do que pode ocorrer na falta desse neurotransmissor é a epilepsia, que poderia ser comparada a um grande curto-circuito cerebral.

A inibição se dá porque quando o neurotransmissor é liberado na fenda e se liga ao segundo neurônio, ao invés de gerar um novo potencial de ação (despolarização da membrana), ele faz com que o segundo neurônio fique mais polarizado ainda. Isso porque ele faz com entre íons negativos no neurônio ao abrir canais de íons Cl e este íon por ser negativo torna o neurônio mais negativo ainda, ou seja, hiperpolarizado. Como vimos na hiperpolarização a célula não responde a qualquer estímulo, portanto inibindo o neurônio e a passagem de mensagens na via neural.

O neurotransmissor inibitório inibe todos os outros tipos de neurotransmissores excitatórios (dopamina, acetilcolina, etc). Esse tipo de neurotransmissor é chamado de inibitório e o exemplo mais conhecido é o GABA, sigla de ácido gama amino butírico.

6. GABA

Está presente em todo o SNC. Sua falta está ligada a quadros como epilepsia e o aumento de GABA causa a depressão (diminuição da atividade) do SNC.

3. Fisiologia do Sistema Nervoso Central

O SNC exerce diversas funções de controle do nosso corpo. Pode-se mesmo dizer que sem o SNC todos os outros sistemas deixariam de funcionar. Assim, como já vimos, é muito complexo definir todas as funções do SNC, mas vamos agora explicar cada um dos 4 grupos de funções que já foram citados acima: sensorial, motora, homeostase e pensamento.

Para podermos compreender a fisiologia dos sistemas motor e sensorial devemos conhecer o conceito de vias aferentes e eferentes. São vias aferentes aquelas que levam informações do corpo para o SNC, ou seja, são vias de entrada para o cérebro e estão associadas às nossas funções sensoriais. Já as vias eferentes são aquelas que levam informações do SNC ao corpo, ou seja, são as vias de saída do SNC e estão associadas aos nossos movimentos. Os neurônios que compõem essas vias possuem uma estrutura de lipídeos que cobre boa parte de seus axônios.

Essa estrutura é chamada de bainha de mielina e funciona como um isolante elétrico (figura 4). Assim a corrente elétrica (potencial de ação) só se propaga nos poucos pontos do axônio não cobertos pela bainha (chamados de nodo de Ranvier) o que torna a passagem do potencial muito mais rápida do que nos axônios que não possuem a bainha de mielina. È importante ressaltar que neurônios de funções de memória, inteligência, emoções e outros não ligados a nossas funções sensoriais e motoras, não possuem bainha de mielina e podem funcionar com a passagem do impulso de forma mais lenta. Mas os neurônios das vias aferentes e eferentes não conseguem exercer a função sem a bainha. A falta dela caracteriza um quadro patológico conhecido como esclerose múltipla, cujos sintomas incluem exatamente a perda de funções motoras e sensoriais, mas não de funções intelectuais e de emoção.

Sistema Sensorial

Podemos dizer que é através de nossas sensações que temos capacidade de sentir e interagir com o ambiente. É fundamental para nossa sobrevivência que possamos sentir calor, frio, pressão, tato e dor. Sem essas sensações não poderíamos nos defender dos perigos e nem nos relacionarmos com o meio ambiente. Para que o SNC possa perceber o ambiente ele está conectado à nossa pele e a nossos órgãos.

Figura 4

Na medula espinhal há vários neurônios especiais, chamados de neurônios sensoriais, cujo axônio é longo e pode sair da medula e chegar a nossa pele e órgãos (figura 5). Esses axônios formam os nervos sensoriais e na ponta final deles, que chega a pele e aos órgãos existem estruturas especiais chamadas receptores sensoriais que são capazes de perceber dor, frio, pressão, etc. Cada sensação tem um tipo de receptor específico; assim existe um receptor para dor, um para pressão, um para tato e assim por diante. O receptor, então, percebe a estimulo, que pode ser mecânico ou químico e o transforma em potencial de ação, que vai correr ao longo do axônio (nervo) e levar a mensagem até o SNC, mais especificamente a medula, onde esta localizado o corpo celular do neurônio sensorial. Os receptores podem sofrer um processo de adaptação. Nesse fenômeno nosso SNC deixa de perceber sensações não perigosas depois de um tempo. Um exemplo de sensação que sofre adaptação é a sensação de pressão. Quando nos sentamos nós sentimos que estamos sentados através de nossos receptores de pressão nas costas, nos glúteos e nas pernas; mas depois de um tempo nós deixamos de sentir que estamos sentados. Isso ocorre porque os receptores se adaptam e o SNC para de se "preocupar" com essa sensação. Todas as sensações podem sofrer adaptação, com exceção da dor. Como é importante que sempre estejamos atentos para qualquer lesão e perigo, a dor não sofre adaptação.

Nesse fenômeno nossos receptores deixam de perceber sensações não perigosas depois de um tempo. Um exemplo de sensação que sofre adaptação é a sensação de pressão. Quando nos sentamos nós sentimos que estamos sentados através de nossos receptores de pressão nas costas, nos glúteos e nas pernas; mas depois de um tempo nós deixamos de sentir que estamos sentados. Isso ocorre porque os receptores se adaptam e o SNC para de se "preocupar" com essa sensação e assim deixamos de senti-la. Todas as sensações podem sofrer adaptação, com exceção da dor. Como é importante que sempre estejamos atentos para qualquer lesão e perigo, a dor sofre adaptação de forma bastante lenta.

Como é da medula que saem e chegam os nervos de todo o corpo, podemos dizer que a função básica da medula espinhal é ligar o SNC a toda parte de nosso organismo. É importante notar que o neurônio sensorial possui um segundo axônio responsável pela sinapse dele dentro da medula com um segundo neurônio, ou neurônio pos sináptico. Esse segundo neurônio se comunica com um terceiro e assim por diante, formando uma via neuronal sensorial (figura 4). Essa via sensorial, além da medula, sempre passa por 2 centros do SNC: tálamo e córtex. O tálamo funciona como um relê das informações: todas as vias sensoriais chegam até ele. O tálamo é responsável pela identificação da sensação, mas não consegue distinguir a localização exata da sensação. Já o córtex é que interpreta as informações mais finas, como o tipo de tato, a intensidade e a localização precisa das sensações que foram previamente analisadas pelo tálamo (de onde vem a sensação: mãos, braços, pernas, pés ou algum órgão).

Existem 2 tipos de vias neurais de sensações ao SNC. A via espino talâmica, ligada as sensações mais grosseiras, como dor, frio e calor, e a via dorsal, que conduz as sensações mais finas, como o tato. As vias espinotalâmicas são mais lenta pois não possuem bainha de mielina, que como vimos, aumenta a velocidade de condução do impulso. Já as vias dorsais são mielinizadas e portanto seu impulso chega mais rapidamente ao tálamo e ao córtex sensorial.

Apesar de toda sua perfeição, o SNC apresenta duas limitações no processo sensorial, que são os fenômenos da sobreposição e da intensidade. A sobreposição é caracterizada pelo fato do SNC perceber apenas uma sensação por vez em cada região do nosso corpo. Assim, por exemplo, na ponta do dedo só podemos sentir pressão ou dor e não as duas ao mesmo tempo; quando machucamos o dedo, se o pressionarmos podemos reparar que a dor passa já que somente podemos sentir a pressão. Isso ocorre pois avia da pressão é a via dorsal que portanto é percebida primeiro no sistema sensorial, pois é mielinizada. Mas como a pressão sofre adaptação, que já foi descrito acima, depois de um curto período voltamos a sentir a dor. Já quanto a intensidade, vale ressaltar que não possuímos precisão. Assim, podemos perceber que uma mesa é mais pesada que uma caneta, pois a mesa é bem mais pesada, mas não conseguimos distinguir a diferença entre uma caneta e um lápis, já que o peso é quase o mesmo. Isso vale para outras sensações como dor, calor e frio. A diferença entre as sensações é percebida em escala logarítmica apenas.

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