Movimentos Literários

Movimentos Literários

Colégio Granja Viana

Crolonogia

Hériko Brayn

N°16 3ª Série E

SÃO PAULO

2008

Introdução

Quando falamos em Movimento Literário automaticamente nos vem à mente o Modernismo.

Algumas pessoas não sabem que existe toda uma cronologia de Movimentos Literários, outras simplesmente se esquecem, lembrando-se apenas do modernismo.

Temos muitos movimentos literários importantes, e destacar apenas um dentre estes é como “contar uma história pela metade”.

Origem

ObraA CARTA (1500)

AutorPero Vaz de Caminha (1437-1500)

CONTEXTO HISTÓRICO

Após o descobrimento do Brasil, em meados de 1500, a Coroa portuguesa passou a se interessar pelo país e a enviar expedições colonizadoras, às quais cabia dar parte ao rei de tudo quanto no seu vasto território houvesse.

A adoção do sistema de capitanias hereditárias, a expedição de Martim Afonso e o estabelecimento do governo geral, em 1549, em Salvador, na Bahia, foram fatos marcantes no processo de colonização do Brasil. Com o primeiro governador geral, Tomé de Souza, chegaram os primeiros jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, com a missão de catequizar o indígena, marcando o início da organização da vida administrativa, econômica, política, militar, espiritual e social do Brasil-Colônia.

CARACTERÍSTICAS

No cumprimento de suas tarefas, portugueses colonizadores, jesuítas, viajantes aventureiros dão origem às primeiras manifestações literárias do período, cujas primeiras obras são predominantemente informativas. Seus textos, marcados pela subjetividade cultural do europeu, descrevem a fauna, a flora, os habitantes nativos e as condições de vida na terra recém-descoberta. Apesar de não ser considerada literária, essa crônica histórica tem seu valor, pois além da linguagem e da visão de mundo dos primeiros observadores do país, revelam as condições primitivas de uma cultura nascente.

Nesse primeiro século da nossa formação, a literatura informativa do colonizador português é representada inicialmente pela Carta de Pero Vaz de Caminha, relatando o descobrimento do Brasil a D.Manuel. Historicamente, é uma verdadeira certidão de nascimento do país e dá início a um período de três séculos na nossa literatura: o Período Colonial, que inclui, além do Quinhentismo, o Barroco e o Arcadismo.

Outro documento da época é O Diário da Navegação (1530) de Pero Lopes de Souza. Não é tão importante como a carta de Caminha, mas enquadra-se nas crônicas de viagens, prestando informações a futuros colonizadores e exploradores de Portugal. Sem muitos dados históricos, relata a expedição de Martim Afonso de Souza ao Brasil, em 1530, como também o comando de Pero Lopes no retorno da esquadra a Portugal. Apenas em uma ou outra passagem, faz alguma referência histórica, ressaltando a beleza da terra e de seus habitantes. Narra eventos e aponta observações náuticas e geográficas, o que o torna um documento de interesse para a história marítima de Portugal e para a da colonização do Brasil.

Essencialmente informativas, as obras: História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil (1576) e Tratado da Terra do Brasil, publicado somente em 1826, de Pero de Magalhães de Gândavo, e Tratado Descritivo do Brasil em 1587 (1587), de Gabriel Soares de Souza, inauguram atitudes e lançam sugestões temáticas. Manifestações que serão retomadas por alguns escritores brasileiros pertencentes ao Modernismo , tais como Oswald de Andrade (Pau-Brasil) e Mário de Andrade (Macunaíma).

O trabalho informativo, pedagógico e moral dos jesuítas tem como expoentes as obras dos padres Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim e José de Anchieta. Nóbrega, com a carta noticiando sua chegada ao território brasileiro, inaugura em 1549 a literatura informativa dos jesuítas. Além da vasta correspondência em que relata o andamento da catequese e da obra pedagógica a outros membros da Companhia de Jesus, escreve o Diálogo Sobre a Conversão do Gentio (1557),única obra planejada e com valor literário reconhecível. Nela, sua intenção é convencer os próprios jesuítas do significado humano e cristão da catequese.

As obras de Cardim Do Clima e Terra do Brasil e de Algumas Coisas Notáveis que se Acham Assim na Terra como no Mar; Do Princípio e Origem dos Índios do Brasil e de Seus Costumes, Adoração e Cerimônias, Narrativa Epistolar de Uma Viagem e Missão Jesuítica revelam um certo planejamento literário, independentemente da informação epistolar.

Quanto à valorização literária, José de Anchieta destaca-se como o único autor desta época cuja produção extrapola o caráter meramente histórico. Escreveu poemas líricos, épicos, autos, cartas, sermões e uma pequena gramática da língua tupi. Além do caráter informativo e educacional, algumas de suas criações literárias visavam, apenas, satisfazer sua vida espiritual.

Cronologia e características resumidas dos principais movimentos literários.

Estilo

Portugal

Brasil

Características

Trovadorismo

1189/1198

A Ribeirinha

Paio Soares de Taveirós

Gêneros: cantigas (poesia), novelas de cavalaria, nobiliários, hagiografias.

Cantigas de Amor: sofrimento, idealização, eu-lírico masculino, ambiente da Corte, dama inacessível, caráter análítico-descursivo.

Cantigas de Amigo: eu-lírico feminino, confessional, ambiente popular, paixão incorrespondida, reaalista, narrativo-descritiva.

Cantigas de Escárnio e Maldizer: críticas indiretas ou diretas de pessoas ou fatos de uma época. Rica fonte de documentação. 

Humanismo

1418

Fernão Lopes, guarda-mor da Torre do Tombo.

Gêneros: historiografia, teatro popular, prosa doutrinária.

Gil Vicente (teatro)

Teatro: em poesia, versa sobre assuntos profanos ou religiosos; carpintaria teatral rudimentar; ausência de regras; sem unidade de ação, tempo e espaço. Aspectos críticos de uma sociedade em transição.

Classicismo

Quinhentismo

1527

Sá de Miranda

Introdução da medida nova.

Gêneros: poesia lírica, épica, teatro e crônicas.

Camões (poesia)

1500 (Quinhentismo)

1º Documento escrito em terras brasileiras: Carta a D. Manuel. 

Gêneros: poesia lírica e épica, teatro e crônicas.

Pero Vaz de Caminha

José de Anchieta

Valorização do homem (antropocentrismo); paganismo (maravilhoso pagão); superioridade do homem sobre a natureza; objetividade; racionalismo; universalidade; saber concreto em detrimento do abstrato; retomada dos valores greco-romanos; rigor métrico, rímico e estrófico: equilíbrio e harmonia.

Barroco

1580

Morte de Camões

Portugal sob o domínio espanhol.

Gêneros: oratória sacra, política e social;

poesia religiosa, satírica e lírico-amorosa.

Pe. Antônio Vieira

(oratória)

1601

Bento Teixeira: publicação de Prosopopéia

Pe. Antônio Vieira (oratória)

Gregório de Matos (poesia)

Arte dos contrastes: antinomia homem - céu, homem - terra; visualização e plasticidade; fugacidade; não-racionalismo; unidade e abertura (perspectivas múltiplas para o observador); luta entre o profano e o sagrado. Culto a elementos evanescentes (água/vento). Sentido de transitoriedade da vida; carpe diem (aproveitar o momento); valorização do presente, movimento ligado ao espírito da Contra - Reforma; jogos de metáforas; riqueza de imagens; gosto pelo pormenor; malabarismo verbal – uso de hipérbato, hipérbole, metáforas e antíteses. 

Arcadismo

1756

Fundação da Arcádia Lusitana.

Gênero: poesia

Bocage (poesia)

1768

Cláudio Manuel da Costa:

Obras Poéticas

Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga (poesia lírica e épica)

Basílio da Gama e Santa Rita Durão (poesia épica)

Arte do equilíbrio e harmonia; busca do racional, do verdadeiro e da natureza; retorno às concepções de beleza do Renascimento; poesia objetiva e descritiva; aurea mediocritas: o objetivo arcádico de uma vida serena e bucólica; pastoralismo; valorização da mitologia; técnica da simplicidade. Literatura linear e regrada: inutilia truncat (cortar o inútil).

Romantismo

1825

Almeida Garrett

Publicação do poema Camões

Gêneros: prosa (romance e novela)

poesia e teatro.

1836

Gonçalves de Magalhães

Publicação de Suspiros Poéticos e Saudades

Poesia: Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves.

Prosa: (urbanos) Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida; (regionalistas) Alencar, Bernardo Guimarães, Taunay; (indianista-histórico) Alencar 

1ª Geração: nacionalismo, ufanismo, natureza, religião (cristianismo), indianismo/medievalismo.

2ª Geração: mal do século, evasão, solidão, profundo pessimismo, anseio da morte.

3ª Geração: condoreirismo, liberdade, oratória de reivindicação, transição para o Parnasianismo, literatura social e engajada.

Geral: imaginação, fantasia, sonho, idealização, sonoridade, simplicidade, subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade criadora. 

Realismo/ Parnasianismo/ Naturalismo

1865

Questão Coimbrã: Antero de Quental contra Castilho (Novos x Velhos)

Gêneros: prosa (romance, conto, crônica), poesia, crítica.

Prosa: Eça de Queirós    

Poesia: Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro.

1881

Machado de Assis

Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas/ Realismo

Aluísio de Azevedo

Publicação de O Mulato/ Naturalismo

Década de 80

Definição do ideário parnasiano.

Prosa: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompéia

Poesia: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho.

Realismo: preocupação com a verdade exata, observação e análise, personagens tipificadas, preferência pelas camadas altas da sociedade. Objetividade. Descrições pormenorizadas. Linguagem correta, no entanto é mais próxima da natural, maior interesse pela caracterização que pela ação – tese documental.

Naturalismo: visão determinista do homem (animal, presa de forças fatais e superiores – meio, herança genética, fisiologia, momento). Tendência para análise dos deslizes de personalidade. Deturpações psíquicas e físicas. Preferência pela classe operária. Patologia social: miséria, adultério, criminalidade, etc – tese experimental.

Parnasianismo: arte pela arte, objetividade, poesia descritiva, versos impassíveis, exatidão e economia de imagens e metáforas, poesia técnica e formal, retomada de valores clássicos, apego à mitologia greco-romana.

Simbolismo

1890

Eugênio de Castro

Publicação de Oaristos

Gêneros: poema e prosa.

Poesia: Camilo Pessanha

1893

Cruz e Sousa

Publicação de Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia).

Poesia: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry, Emiliano Perneta.

Simbolismo: reação contra o positivismo, o Naturalismo e o Parnasianismo; individualismo, subjetivismo psicológico, atitude irracional e mística, respeito pela música, atitude irracional e mística, respeito pela música, cor, luz; procura das possibilidades do léxico.

Pré-Modernismo

.

1902

Publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha; Canaã, de Graça Aranha.

Prosa: Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha.

Poesia: Augusto dos Anjos;

Pré-Modernismo: tendência das primeiras décadas do século XX, sentido mais crítico, fixando diferentes facetas da realidade social, política ou alterações na paisagem e cor local.

Modernismo

1915 – 1ª fase

Revista Orfeu

1930 – 2ª fase

Alves Redol

Publicação de Gaibeús

Mais recentemente: Surrealismo.

Gêneros: poesia, prosa (crônica, conto, romance), teatro

Poesia: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, José Régio, etc

Prosa: Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Alves Redol, Ferreira de Castro, Branquinho da Fonseca, José Saramago, etc. 

1922- Semana de Arte Moderna.

1922-30 – 1ª fase: revolucionária: Mário de Andrade.

Publicação de Paulicéia Desvairada.

1930-45 – 2ª fase: 

neo-realismo, literatura regional..

José América de Almeida

A Bagaceira

Geração de 45- 3ª fase: investigar comportamentos e atitudes do ser humano

João Guimarães, Clarice Lispector, João Cabral.

Literatura contemporânea (Pós-Modernismo); década de 50.

Enorme proliferação de estilos.

Concretismo

Poesia –práxis

Contos  

1ª Geração: revolucionária – negação da tradição cultural, antipurista, antiacademicista, linguagem coloquial, verso livre, nacionalismo crítico, ironia, sarcasmo, irreverência. Poema-piada, liberdade de criação. Predomínio da poesia.

2ª Geração: estabilidade: herança de 22, acrescentando aprimoramento da linguagem (inclusive metalinguagem), busca da expressão universal, recuperação de valores tradicionais (Neo-simbolismo), engajamento religioso e social, literatura de denúncia das condições humanas. Predomínio da prosa (romance) de tendências neo-realistas e regional.

3ª Geração: Não se mostram tão preocupados com o contexto sociopolítico; análise da natureza humana. Rigor formal.

Literatura contemporânea:

Proliferação de estilos, experimentalismo na forma, o cotidiano. Proliferação de contistas e cronistas. crises de caráter existencial, reflexões metafísicas

Conclusão

O modernismo como sendo “último movimento” literário foi um movimento que levou os escritores a falarem mais do Brasil. Foi um movimento literário que queria a mudança! Onde apareceram novas tendências, e também onde os artistas queriam se desvincular da idéia de estrangeirismo. Por este motivo é o mais lembrado dentre todos os que existiram.

Tradicionalmente, considera-se a Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo, em 1922, o ponto de partida do modernismo no Brasil. Todavia, nao se pode afirmar que todos os participantes da Semana tenham sido modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, este estilo, com o tempo, suplantou os anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto.

Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.

Bibliografia

Mecanismo de busca:

www.google.com.brResultado utilizado:Consolaro, Hélio - Por Trás das Letras - 2004 - Araçatuba-SP www.portrasdasletras.com.br

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