(Parte 6 de 7)

Local onde ocorre os processos de biodegradação. No tanque ocorre a depuração otimizada do efluente (doméstico ou industrial), simulando o que ocorre nos corpos hídricos receptores de poluição orgânica. O reator biológico possui volume reduzido e alta concentração de microrganismos, denominados Lodos Ativados, que realizam os seguintes mecanismos de depuração: . captura física do material em suspensão; . absorção física, seguida de bioabsorção por ação enzimática; . oxidação da matéria orgânica e síntese de novas células

1.2.2 Sistema de aeração

células

Fornecimento de oxigênio necessário a biodegradação aeróbica. No sistema de lodos ativados convencional, o lodo permanece no sistema de 4 a 10 dias. Com este período, a biomassa retirada no lodo excedente requer ainda uma etapa de estabilização no tratamento do lodo, por conter ainda um elevado teor de matéria orgânica na composição de suas

dependendo, portanto, da velocidade de crescimento bacteriano e da respiração endógena

A aeração deve fornecer oxigênio necessário ao desenvolvimento das reações biológicas. A quantidade de oxigênio requerida é função da idade do lodo e da carga mássica,

O oxigênio consumido nos reatores biológicos é na maioria dos casos fornecido pelo ar atmosférico; a transferência do oxigênio do ar para o tratamento de efluentes é realizada por diferentes tipos de equipamentos. Existem duas formas principais de produzir a aeração artificial:

. aeração por ar difuso: introduzir ar ou oxigênio no líquido;

líquido

. aeração superficial ou mecânica: causa um grande turbilhonamento, expondo o líquido, na forma de gotículas ao ar, desta maneira, ocasionando a entrada do ar atmosférico no meio 1.2.3 Sistemas de aeração mecânica

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Os principais mecanismos de transferência de oxigênio por aeradores superficiais mecânicos são: . transferência do oxigênio atmosférico às gotas e finas películas de líquidos aspergidos no ar; . transferência do oxigênio na interface ar-líquido, onde as gotas em queda entram em contato com o líquido no reator; . transferência de oxigênio por bolhas de ar transportadas da superfície ao seio da massa líquida

1.2.4 Sistemas de aeração por ar difuso

mesma se eleve à superfície

É feito por difusores submersos no líquido, tubulações distribuidoras de ar, tubulações de transporte de ar, sopradores e outros meios onde passa o ar. O ar é introduzido próximo ao fundo do reator biológico, para evitar a sedimentação do lodo, sendo que o oxigênio é transferido ao meio líquido devido ao empuxo exercido na bolha de ar, fazendo com que a 1.2.5 Tanque de decantação (decantador secundário)

armazenamento realizado no reator

Separação da água tratada da biomassa formada. Os decantadores secundários exercem um papel fundamental no processo de lodos ativados, sendo responsáveis pelos seguintes fenômenos: . separação dos sólidos em suspensão presentes no reator, permitindo a saída de um efluente clarificado; . adensamento dos sólidos em suspensão no fundo do decantador, permitindo o retorno do lodo com concentração mais elevada; . armazenamento dos sólidos em suspensão no decantador, complementando o

efluente, em relação a sólidos em suspensão, DBO e nutrientes

A sedimentação é uma etapa fundamental para o processo de lodos ativados, ou seja, sua adequada operação depende o sucesso da estação como um todo. Os decantadores secundários são geralmente, a última unidade do sistema, determinando a qualidade final do 1.3 Fossas sépticas

conforme normas NBR 7229 e NBR 13969

Nos locais não servidos por rede coletora pública de esgotos, os esgotos das residências e demais edificações aí existentes, deverão ser lançados em um sistema de fossa séptica e unidades de disposição final de efluentes líquidos no solo, dimensionados e operados

compatível com a sua simplicidade e custo

Fossa séptica é um dispositivo de tratamento de esgotos destinado a receber a contribuição de um ou mais domicílios e com capacidade de dar aos esgotos um grau de tratamento

Como os demais sistemas de tratamento, deverá dar condições aos seus efluentes de: - Impedir perigo de poluição de mananciais destinados ao abastecimento domiciliário;

- Não prejudicar as condições de balneabilidade de praias e outros locais de recreio e esporte; - Impedir perigo de poluição de águas subterrâneas, de águas localizadas (lagos ou lagoas), de cursos de água que atravessem núcleos de população, ou de águas utilizadas na dessedentação de rebanhos e na horticultura, além dos limites permissíveis, a critério do órgão local responsável pela Saúde Pública.

Fossas sépticas são câmaras convenientemente construídas para reter os despejos domésticos e/ou indústrias, por um período de tempo especificamente estabelecido, de modo a permitir sedimentação dos sólidos e retenção do material graxo contido nos esgotos, transformando-os bioquimicamente,em substâncias e compostos mais simples e estáveis.

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De acordo com a definição, o funcionamento das fossas sépticas pode ser explicado nas seguintes fases do desenvolvimento do processo:

. Retenção do esgoto: O esgoto é detido na fossa por um período racionalmente estabelecido, que pode variar de 24 a 12 horas, dependendo das contribuições afluentes;

. Decantação do esgoto: simultaneamente à fase anterior, processa-se uma sedimentação de 60 a 70%dos sólidos suspensos contidos nos esgotos, formando-se uma substância semi-líquida denominada de lodo. Parte dos sólidos não sedimentados, formados por óleos, graxas, gorduras e outros materiais misturados com gases, emerge e é retida na superfície livre do líquido, no interior da fossa séptica, os quais são comumente denominados de escuma;

. Digestão anaeróbia do lodo: Ambos, lodo e escuma, são atacados por bactérias anaeróbias, provocando destruição total ou parcial de material volátil e organismos patogênicos;

- Redução de volume do lodo: Do fenômeno anterior, digestão anaeróbia, resultam gases, líquidos e acentuada redução de volume dos sólidos retidos e digeridos, que adquirem características estáveis capazes de permitir que o efluente líquido das fossas sépticas possa ser disposto em melhores condições de segurança.

A fossa séptica é projetada de modo a receber todos os despejos domésticos (de cozinhas, lavanderias domiciliares, lavatórios, vasos sanitários, bidês, banheiros, chuveiros, mictórios, ralos de piso de compartimentos interiores, etc.),ou qualquer outro despejo, cujas características se assemelham às do esgoto doméstico. Em alguns locais é obrigatória a intercalação de um dispositivo de retenção de gordura (caixa de gordura) na canalização que conduz os despejos das cozinhas para a fossa séptica.

Figura 2 : Esquemático de uma fossa séptica Fonte: Snatural, [199?]

que apresentem um elevado índice de contaminação por microorganismos patogênicos

São também vetados os lançamentos diretos de qualquer despejo que possam, por qualquer motivo, causar condições adversas ao bom funcionamento das fossas sépticas ou 1.3.1 De bem com a fossa séptica

Faça um diagrama preciso que mostre a localização do tanque e de seus tubos de acesso para saber exatamente onde se encontra a fossa no terreno;

possam ser prejudiciais ao sistema;

Evite planta de raiz muito profunda em áreas próximas, assim como outras atividades que Mantenha um registro de limpezas, inspeções e outras manutenções, sempre incluindo

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Faça com que a área sobre a fossa permaneça limpa, quando muito apenas com uma cobertura de grama ou relva. Raízes de árvores ou arbustos podem entupir e danificar as linhas de dreno;

sejam colocados no local;

Evite que automóveis estacionem sobre a área e não deixe que equipamentos pesados

Não planeja nenhuma construção como piscinas e calçadas perto da fossa;

Não verta demasiada água sobre o sistema, nem permita que a chuva consiga adentrá-lo.

superfície do solo

Quando inundada com mais água do que pode absorver, a fossa reduz sua capacidade de escoarem resíduos e esgoto, aumentando o risco de os efluentes se agruparem na

Não escoe para a fossa materiais que não são biodegradáveis, tais como plásticos, fraldas e absorventes, papel higiênico e guardanapos, já que esses detritos podem encher o tanque e entupir o sistema;

Não descarte óleos de cozinha e outras gorduras no ralo da pia, já que tais alimentos se solidificam e entopem o campo de absorção da terra;

Não permita que tintas, óleos de motor de automóvel, pesticidas, fertilizantes e desinfetantes entrem no sistema séptico. Essas substâncias podem atravessá-lo diretamente, contaminando os terrenos em volta da fossa e matando os microrganismos que decompõem os resíduos;

Além disso, faça a limpeza do banheiro e da cozinha com um detergente moderado

Use água fervente para desentupir ralos, em substituição a quaisquer produtos cáusticos.

A aeração no tratamento de efluentes com difusores, proporciona economia de água e energia. Quando comparados aos aeradores, os difusores apresentam maior eficiência, são mais seguros e, têm menor custo. Além destes fatores técnicos, os difusores não geram aerossóis (que é a principal causa de doenças graves e altamente prejudiciais á saúde).

Os mais modernos difusores apresentam a seguinte as seguintes características:

. Roscáveis: ao invés de colados, evitando-se assim troca da tubulação quando em provável manutenção.

. Com válvula de retenção: evitando-se assim a entrada do lodo na tubulação principal (quando ocorre o rompimento da membrana).

. Fechamento por Abraçadeiras: evitando-se o desgaste do aperto rosqueado sobre o elastômero.

(1)(2) (3) (4)

Figura 3: Fotos da instalação de um sistema de aeração: 1: tanque de aeração; 2: disco; 3: sistema de ar difuso; 4: tubular Fonte: Enasa Engenharia e Comercio Ltda., [199?]

12 REUSO DE ÁGUA

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O reuso da água é o processo pelo qual a água, tratada ou não, é reutilizada para o mesmo ou outro fim, para suprir a necessidade de outros usos benéficos. A reutilização de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos.

Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água.

Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. O reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior

A reutilização de água pode ser :

12.1 Reuso indireto não planejado da água

controlada

Ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade, é descarregada no meio ambiente e novamente e utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não

12.2 Reuso indireto planejado da água

atendam ao requisitos de qualidade do reuso objetivado

Ocorre quando os efluentes depois de tratados são descarregados de forma planejada nos corpos de águas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outro efluentes que também

indústria ou irrigação

Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em 12.3 Reciclagem de água

do uso original. Este é um caso particular do reuso direto planejado

É o reuso interno da água, antes de sua descarga em um sistema geral de tratamento ou outro local de disposição. Essas tendem, assim, como fonte suplementar de abastecimento

entendimento: reuso potável e reuso não potável

De acordo com a Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambienta)l, podemos classificar as águas de reuso em dois grandes grupos que permitem um melhor

12.4 Classificação das águas de reuso 12.4.1 Reuso potável direto

Reuso potável direto é quando, através de um tratamento avançado, o esgoto tratado é reutilizado no sistema de água potável.

12.4.2 Reuso potável indireto

Reuso potável indireto: quando o esgoto, após tratamento, é inserido em águas superficiais ou subterrâneas para diluição e purificação natural e posteriormente captada, tratada e disposta para uso potável.

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12.4.3 Reuso Não Potável

. Aqüicultura: produção de plantas aquáticas e peixes

Reuso não potável pode ser dividido em várias categorias, de acordo com sua finalidade de uso: . Fins Agrícolas: para irrigação de plantas alimentícias e plantas não alimentícias e para dessedentação de animais. . Fins Industriais (não potáveis): utilização em caldeiras, águas de processo, refrigeração, etc. . Fins recreacionais (não potáveis): irrigação de plantas ornamentais, campos de esportes, parques, etc. . Fins domésticos (não potáveis): rega de jardins, descargas sanitárias, etc. . Manutenção de vazões: visa uma adequada diluição de eventuais cargas poluidoras carreadas a corpos de água.

13 MEDIDAS DE POLUIÇÃO

Uma medida da força poluidora do efluente pode ser dada pela demanda biológica de oxigênio (DBO), que se define como a quantidade de oxigênio dissolvido, consumido na incubação de um dado efluente, por determinado tempo, a 20° C. Se o período for de 5 dias chama-se de DBO5.

A demanda química de oxigênio (DQO) é outra indicação do oxigênio necessário para oxidar a carga orgânica de um efluente e define-se como sendo igual ao número de miligramas de oxigênio que um litro de amostra do efluente absorverá de uma solução ácida e quente de dicromato de potássio. Como várias substâncias são oxidadas nestas condições, a DQO é normalmente maior que a DBO. Sua principal vantagem sobre a DBO é que é mais fácil e rápida para determinar, cerca de duas horas por métodos tradicionais.

14 CONTROLE DE ODORES

Os odores são formados principalmente por compostos de enxofre na forma de sulfetos (S¯ e S²) que ocorrem em condições anaeróbias, na decomposição das proteínas. Entre os produtos formados em decomposições anaeróbicas encontramos o NH3, Aminas, CO2 ,

S)

Ácidos Orgânicos, Idolescatol, Mercaptanas e o Gás Sulfídrico (H2

Várias bactérias anaeróbias produzem o H2 S, podendo se originar a partir do sulfato existente normalmente nas águas ou na decomposição de proteínas sulfurosas:

BactériaBactéria Bactéria Bactéria
+2H+2H +2H +2H
O-H2
O-2H2

O Desulfovibrio desulfuricans , causador de corrosão industrial, produz H2S a partir de sulfatos e íons de ferro existentes na água e, posteriormente, produz o Sulfeto de Ferro (FeS):

H2 S + 1Fe +2 FeS + 2H+

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O ácido sulfídrico, na presença de oxigênio, se oxida, via química ou biológica, transformando-se em ácido sulfúrico (H2SO4 ), que prontamente reage com a alcalinidade da

H2 S + 2 O

2 H2SO 4

1- Com Fosfatos Naturais produzindo Sulfato de Magnésio :

O------> 2(H3PO4) + MgSO4.2H2
sulfídrico

No caso de despejos industriais malcheirosos como os condensados de cocção para recuperação de proteínas das carcaças de animais ou os lodos de material fecal, não devem ser lançados na rede de esgotos e sim diretamente nos tanques de aeração ou nos digestores das estações de tratamento. Em presença de oxigênio não se forma gás

(Parte 6 de 7)

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