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Tipos de Esterilização

Esterilização por meios físicos

Vapor saturado sob pressão

Calor seco

Radiação ionizante

Radiação não ionizante

Esterilização por meios químicos

Formaldeído

Glutaraldeído

Óxido de etileno

Peróxido de hidrogênio

Ácido peracético

Plasma de peróxido de hidrogênio

Esterilização por vapor saturado sob pressão

Juliana Capellazzo Romano*

Maria Cristina Ferreira Quelhas**

O processo de esterilização pelo vapor saturado sob pressão é o método mais utilizado e o que maior segurança oferece ao meio hospitalar.

O vapor pode ser obtido em vários estados físicos, sendo as mais comuns:

Vapor saturado: é a camada mais próxima da superfície líquida, encontra-se no limiar do estado líquido e gasoso, podendo apresentar-se seca ou úmida.

Vapor úmido: é normalmente formado quando o vapor carrega a água que fica nas tubulações.

Vapor super aquecido: vapor saturado submetido à temperaturas mais elevadas.

Para a esterilização o tipo de vapor utilizado é o vapor saturado seco, uma vez que o vapor úmido tem um excesso de água que torna úmidos os materiais dentro da esterilizadora; já o vapor super aquecido é deficiente de umidade necessária para a esterilização. O vapor saturado seco é capaz de circular por convecção permitindo sua penetração em materiais porosos.

A produção do vapor utilizado na esterilização requer alguns cuidados como a água utilizada para a produção do vapor, esta deve estar livre de contaminantes em concentração que possa interferir no processo de esterilização, danificar o aparelho ou os produtos a serem esterilizados.

 

Equipamentos

Os equipamentos utilizados para este método de esterilização são as autoclaves. Estas constituem-se basicamente de uma câmara em aço inox, com uma ou duas portas, possui válvula de segurança, manômetros de pressão e um indicador de temperatura. Elas podem ser divididas em dois tipos:

Autoclave gravitacional: o ar é removido por gravidade, assim quando o vapor é admitido na câmara, o ar no interior desta, que é mais frio (mais denso), sai por uma válvula na superfície inferior da câmara. Pode ocorrer a permanência de ar residual neste processo, sendo a esterilização comprometida principalmente para materiais densos ou porosos.

Autoclave pré-vácuo: o ar é removido pela formação de vácuo, antes da entrada do vapor, assim quando este é admitido, penetra instantaneamente nos pacotes.

(Esquema Autoclave)

*Fonte: APECIH, 1998.

As autoclaves podem ainda ser do tipo horizontal ou vertical. As do tipo horizontal possuem paredes duplas, separadas por um espaço onde o vapor circula para manter o calor na câmara interna durante a esterilização; as do tipo vertical não são adequadas pois dificultam a circulação do vapor, a drenagem do ar e a penetração do vapor devido à distribuição dos pacotes a serem esterilizados, que ficam sobrepostos.

 

Mecanismo de ação e ciclo de esterilização

O efeito letal decorre da ação conjugada da temperatura e umidade. O vapor, em contato com uma superfície mais fria, umedece, libera calor, penetra nos materiais porosos e possibilita a coagulação das proteínas dos microrganismos.

O ciclo de esterilização compreende:

remoção do ar;

admissão do vapor;

exaustão do vapor e

secagem dos artigos.

Remoção do ar: para que a esterilização seja eficaz, é necessário que o vapor entre em contato com todos os artigos da câmara e, para que ocorra a penetração do vapor em toda a câmara e no interior dos pacotes, é preciso que o ar seja removido. A remoção do ar pode ser por gravidade ou por utilização de vácuo antes da entrada do vapor.

Admissão do vapor: é também o período de exposição. Este é iniciado pela entrada do vapor, substituindo o ar no interior da câmara. O tempo de exposição começa a ser marcado quando a temperatura de esterilização é atingida. O tempo de exposição pode ser dividido em três partes: tempo de penetração do vapor, tempo de esterilização e intervalo de confiança.

Exaustão do vapor: é realizada por uma válvula ou condensador. A exaustão pode ser rápida para artigos de superfície ou espessura; para líquidos a exaustão deve ser o mais lenta possível para se evitar a ebulição, extravazamento ou rompimento do recipiente.

Secagem dos artigos: é obtida pelo calor das paredes da câmara em atmosfera rarefeita. Nas autoclaves de exaustão por gravidade, o tempo de secagem varia de 15 a 45 minutos; nas autoclaves de alto vácuo o tempo é de 5 minutos.

 

Tempo de esterilização

Para ver tabela clique aqui.

 

Disposição dos artigos dentro da câmara

Artigos de superfície como bandejas, bacias e instrumentais não devem ser esterilizados com artigos de espessura como campo cirúrgicos, compressas e outros, nas autoclaves gravitacionais. O volume de material dentro da autoclave não deve exceder 80% da sua capacidade. Os pacotes devem ser colocados de maneira que haja um espaçamento de 25 a 50 mm entre eles, e de forma que o vapor possa circular por todos os itens da câmara. Os pacotes maiores devem ser colocados na parte inferior e os menores na parte superior da câmara; os maiores podem ter no máximo 30cm x 30cm x 50cm de tamanho (APECIH, 1998).

 

Cuidados básicos para a eficiência da autoclavação

Antes da esterilização

Higienizar convenientemente os materiais:

-Material crítico deve permanecer em solução desinfetante durante 30 minutos, antes de se realizar a limpeza.

-Os instrumentais devem ser lavados manualmente com o uso de escovas, ou em lavadoras ultra-sônicas.

-Drenos, tubos, catéteres devem ser lavados com água e detergente apropriado; deve-se usar seringas para lavar e enxaguar a luz dos mesmos.

-Agulhas e seringas devem ser lavadas com detergente e enxaguadas abundantemente para que este seja removido completamente.

Acondicionar os artigos em embalagens adequadas, que permitam a esterilização e a estocagem do artigo.

Identificar os pacotes corretamente, não ultrapassar as dimensões de 30cm x 30cm x 50cm, e o peso de 7 kg. Colocar os pacotes pesados sob os mais leves; evitar encostá-los nas paredes da câmara, deixar espaço entre eles para facilitar a drenagem do ar e penetração do vapor. Não sobrecarregar o equipamento, utilizar apenas 80% de sua capacidade.

Colocar a fita indicadora na embalagem externa e vedar os pacotes menores com a mesma.

Recipientes como bacias, jarros, ou outros que possuem concavidade devem ser colocados com sua abertura para baixo para facilitar o escoamento do ar e da água resultante da condensação do vapor.

Durante a esterilização

Verificar constantemente os indicadores de temperatura e pressão.

Após a esterilização

A porta do aparelho deve ser aberta lentamente e deve permanecer entreaberta de 5 a 10 minutos.

Os pacotes não devem ser colocados em superfícies metálicas logo após a esterilização, pois em contato com superfície fria o vapor residual se condensa e torna as embalagens úmidas, comprometendo a esterilização uma vez que a umidade diminui a resistência do invólucro de papel e interfere no mecanismo de filtração do ar.

Não utilizar os pacotes em que a fita indicadora apareça com as listras descoradas após a esterilização.

 

Falhas no processo de autoclavação

As falhas neste processo podem ser mecânicas ou humanas.

Principais falhas humanas:

limpeza incorreta ou deficiente dos materiais;

utilização de invólucros inadequados para os artigos a serem esterilizados;

confecção de pacotes muito grandes, pesados ou apertados;

disposição inadequada dos pacotes na câmara;

abertura muito rápida da porta ao término da esterilização;

tempo de esterilização insuficiente;

utilização de pacotes que saíram úmidos da autoclave;

mistura de pacotes esterilizados e não esterilizados;

não identificação da data de esterilização e data-limite de validade nos pacotes;

desconhecimento ou despreparo da equipe para usar o equipamento.

Falhas mecânicas:

As falhas mecânicas decorrem da operação incorreta e da falta de manutenção das autoclaves.

 

Esquema de manutenção preventiva de autoclaves

Diariamente

Limpeza da câmara interna (álcool ou éter)

Mensalmente

Limpeza dos elementos filtrantes e linha de drenagem

Trimensalmente

Descarga do gerador

Semestralmente

Verificação e limpeza dos eletrodos de nível

Lubrificação do sistema de fechamento

Verificação da guarnição da tampa

Avaliação dos sistemas de funcionamento e segurança

Desimpregnação dos elementos hidráulicos

Ajustagem e reaperto do sistema de fechamento

Anualmente

Verificação do elemento filtrante de entrada de água

Aferição dos instrumentos de controle, monitorização e segurança

Limpeza do gerador de vapor

Após 3 anos de funcionamento, teste, avaliação hidrostática, aferição dos instrumentos de controle

Fonte: Manual Técnico da Autoclave Sercon (apud APECIH, 1998)

 

Prevenção de riscos operacionais

Para o manuseio das autoclaves, embora existam diferentes modelos e cada um deles possua seu próprio manual de instrução de uso, alguns cuidados são fundamentais para a prevenção de acidentes:

manter as válvulas de segurança em boas condições de uso;

não abrir a porta da autoclave enquanto a pressão da câmara não se igualar à pressão externa; ao abrir a porta da autoclave proteger o rosto para evitar queimaduras, explosões ou implosões dos frascos de vidro;

utilizar luvas de amianto para a retirada dos artigos metálicos da câmara;

verificar periodicamente o funcionamento de termostatos, válvulas de segurança;

não forçar a porta para abrir quando esta emperrar;

a porta da autoclave deve possuir uma trava de segurança para que esta não abra enquanto houver pressão no interior da câmara.

 

Testes

É fundamental a realização de testes biológicos para controle e comprovação da esterilização.

Esterilização por calor seco

Juliana Capellazzo Romano*

Maria Cristina Ferreira Quelhas**

A esterilização através do calor seco pode ser alcançada pelos seguintes métodos:

Flambagem: aquece-se o material, principalmente fios de platina e pinças, na chama do bico de gás, aquecendo-os até ao rubro. Este método elimina apenas as formas vegetativas dos microrganismos, não sendo portanto considerado um método de esterilização.

Incineração: é um método destrutivo para os materiais, é eficiente na destruição de matéria orgânica e lixo hospitalar.

Raios infravermelhos: utiliza-se de lâmpadas que emitem radiação infravermelha, essa radiação aquece a superfície exposta a uma temperatura de cerca de 180O C.

Estufa de ar quente: constitui-se no uso de estufas elétricas. É o método mais utilizado dentre os de esterilização por calor seco.

O uso do calor seco, por não ser penetrante como o calor úmido, requer o uso de temperaturas muito elevadas e tempo de exposição muito prolongado, por isso este método de esterilização só deve ser utilizado quando o contato com vapor é inadequado. Cabe observar também que o uso de temperaturas muito elevadas pode interferir na estabilidade de alguns materiais, como por exemplo o aço quando submetido a temperaturas muito elevadas perde a têmpera; para outros materiais como borracha e tecidos além da temperatura empregada ser altamente destrutiva, o poder de penetração do calor seco é baixo, sendo assim a esterilização por este método inadequada.

Os materiais indicados para serem esterilizados por este método são instrumentos de ponta ou de corte, que podem ser oxidados pelo vapor, vidrarias, óleos e pomadas.

 

Equipamentos

Como o processo de esterilização em estufas de ar quente é o método mais utilizado dentre os de esterilização por calor seco, iremos descrever o equipamento utilizado neste método, que é a estufa ou forno de Pasteur. Estes são equipados com um termômetro que mostra temperatura do interior da câmara; um termostato, onde se programa a temperatura desejada; uma lâmpada que mostra a situação de aquecimento ou a estabilização da temperatura interna da câmara; algumas com um ventilador para promover a circulação do ar, garantindo um aquecimento rápido e uniforme na câmara (estufas de convecção mecânica). Não há um controlador de tempo, este controle é feito pelo operador do aparelho.

As estufas podem ser divididas em dois tipos: as de convecção por gravidade e a de convecção mecânica.

As estufas de convecção por gravidade possuem uma resistência elétrica na parte inferior da câmara e um orifício na parte superior onde ocorre a drenagem do ar frio que é empurrado pelo ar quente à medida que o ar esquenta dentro da câmara. Neste processo qualquer obstáculo que esteja no caminho dificulta a circulação do ar, interferindo na uniformidade da temperatura na câmara.

As estufas de convecção mecânica possuem um dispositivo que produz movimento do ar quente, favorecendo a circulação do ar uniformemente e limitando a variação da temperatura nos vários pontos da câmara em 1o C. Este tipo de estufa reduz o tempo necessário para que se atinja a temperatura ideal para a esterilização.

 

Mecanismo de ação

Este processo causa a destruição dos microrganismos fundamentalmente por um processo de oxidação, ocorrendo uma desidratação progressiva do núcleo das células.

 

Tempo de esterilização

Temperatura (o C)

Tempo de Exposição *

 

180

30 minutos

170

1 hora

160

2 horas

150

2 horas e 30 minutos

140

3 horas

121

6 horas

*Sem inclusão do tempo de aquecimento

 

Alguns autores afirmam que materiais contaminados pelo vírus da hepatite, devem ser submetidos à temperatura de 170O C por 2 horas.

Tempo de exposição ao calor seco relacionado a alguns tipos de artigos:

Para ver quadro clique aqui.

 

Cuidados para a eficiência do processo

Higienizar convenientemente os artigos a serem esterilizados;

aquecer previamente a estufa;

utilizar embalagens adequadas;

não colocar na estufa artigos muito pesados e volumes muito grandes para não interferir na circulação do ar, as caixas não devem conter mais de 50 peças;

evitar sobrepor artigos;

marcar o início do tempo de exposição quando o termômetro marcar a temperatura escolhida;

evitar que o termômetro toque em algum dos artigos dentro da câmara;

não abrir a estufa durante a esterilização.

 

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