Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

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Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes SÉRIE OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS

Boa Vista

SEBRAE em Roraima 2001

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

Entidades integrantes do Conselho Deliberativo Estadual Agência de Fomento de Roraima - AFER Associação das Micro Empresas de Roraima - AMER Banco do Brasil - B Caixa Econômica Federal - CEF Federação das Associações Comerciais e Industriais de Roraima - FACIR Federação da Agricultura do Estado de Roraima - FAER Federação do Comércio do Estado de Roraima - FECOR Federação das Indústrias do Estado de Roraima - FIER Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE Secretaria Estadual de Planejamento Indústria e Comércio - SEPLAN Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM Universidade Federal de Roraima - UFRR

Presidente do Conselho Deliberativo Estadual Carlos Salustiano de Sousa Coêlho Federação das Indústrias do Estado de Roraima - FIER

Diretor Superintendente Armando Freire Ladeira

Diretor de Estratégias e Operações Alexandre Alberto Henklain Fonseca

Diretor de Atendimento ao Cliente Paulo Roberto Oliveira de Vasconcelos

Equipe Técnica do SEBRAE Marcione Soeiro Moraes – Gerente da Unidade de Marketing e Comunicação Helder de Souza Ribeiro – Responsável pela Área de Estudos e Pesquisas Fátima Djenane Ferreira dos Santos – Assistente Técnico/Administrativo

Elaboração Técnica Valter Dias Patricio – Engenheiro Agrônomo e Consultor em Piscicultura

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

A arte de criar e multiplicar peixes, ou melhor, a piscicultura, está em ascensão no país. Mas quem pensa em entrar na atividade comercialmente, precisa de informações técnicas e treinamento adequado. Obter um pescado competitivo e de qualidade é uma questão de sobrevivência. E quem já está no mercado, utilizando métodos ultrapassados precisa modernizar-se urgentemente.

A diretriz básica para o cultivo de peixes em viveiros escavados apresentados neste trabalho, aplicam-se ao cultivo do tambaqui (colossoma macropomum) e também servirá para outros peixes regionais, ou seja, da Bacia Amazônica, com algumas pequenas adaptações principalmente quanto à alimentação.

Neste trabalho trataremos da criação de peixes em duas formas diferentes, tanques escavados o qual chamaremos de viveiros de barragem e açudes.

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

A piscicultura é um dos ramos da aqüicultura, que se preocupa com o cultivo racional de peixes.

Atualmente, a piscicultura, já bem conhecida, vem despertando interesse de todos, tanto a nível particular quanto governamental, por produzir alimento de alto valor protéico.

Esta atividade é, sem dúvida, a maneira mais econômica de se produzir alimento nobre, de alto valor nutritivo e a baixo custo, uma vez que sua forma de cultivo pode variar bastante, inclusive nas fontes de alimentação.

O peixe, pelo fato de viver na água, apresenta uma série de vantagens para sua criação, dentre as quais se destacam os gastos de pouca energia para a manutenção da temperatura corporal, respiração e locomoção. Daí ser um dos animais que mais aproveita os alimentos ingeridos. Por outro lado, esse mesmo motivo apresenta uma série de dificuldades para o melhor conhecimento de suas necessidades, pois não podemos vê-los sem que os capturemos.

Em decorrência da escassez de pescado nos estoques pesqueiros naturais, o aumento do preço do peixe fez com que a piscicultura surgisse como alternativa técnica e economicamente viável para produção de alimento protéico em curto espaço de tempo.

Para a produção de pescado, o potencial hídrico e a formação topográfica da região viabilizam a implantação de projetos de viveiros escavados e açudes, caminho natural para a piscicultura regional.

Portanto, podemos dizer que a piscicultura, atualmente, encaixa-se perfeitamente no conceito de diversificação de atividades da propriedade rural, permitindo ao produtor produzir com menos riscos e maior flexibilidade comercial.

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

A piscicultura surgiu na China há cerca de 4 mil anos, onde também se desenvolveu o consórcio entre peixes e outros animais (búfalos e porcos), com a finalidade de melhorar a qualidade da água.

Nos primeiros séculos da era cristã, os registros sobre a piscicultura se deram através dos romanos que fizeram grandes piscinas nas proximidades das praias, destinadas a armazenar peixes.

Na Europa a piscicultura só começou a partir do século XIV, através dos monges que criavam carpas nos mosteiros afim de consumi-las nos momentos de abstinência de carnes vermelhas.

Data desta época o registro das primeiras fecundações artificiais realizadas com óvulos de truta, em mosteiros franceses e alemães.

A partir do século X, a piscicultura teve grande evolução, passando por inúmeras transformações formando um ramo de especialização dentro das Ciências Agrárias. Surgiram nesta época as Estações de Piscicultura.

A Argentina foi o primeiro país a introduzir a piscicultura na América do

Sul, importando, em 1870, os primeiros reprodutores de carpa comum (Cyprinus carpio) e carpa espelho (Cyprinus carpio var. especularis).

No Brasil, a piscicultura propriamente dita iniciou-se por volta de 1929.

Nessa época, o cientista Rodolfo Von Lhering estudou os peixes do Rio Mogi-Guaçu em Piracicaba - São Paulo, utilizando pela primeira vez hipófise para provocar desova do Dourado (Salminus maxillorus). Em 1939, surgiu a primeira estação de piscicultura do país em Pirassununga – São Paulo.

Atualmente no Brasil, se cultiva peixe de várias espécies, do extremo sul ao extremo norte, alcançando níveis de produtividade dos mais elevados em termos mundiais, inclusive em alguns casos, exportando tecnologia.

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1 PORQUE CRIAR PEIXES13
2 INFORMAÇÕES MERCADOLÓGICAS14
2.1 Resumo da Oferta e Procura..................................................................... 16
3 LOCALIZAÇÃO17
3.1 Infra-estrutura Necessária..........................................................................17
3.2 Área Física..................................................................................................18
3.3 Seleção da Área..........................................................................................19
3.4 A Qualidade da Água .................................................................................19
3.5 Arranjo Físico..............................................................................................21
4 TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO2
4.1 Processo de Produção................................................................................23
4.2 Conservação do Pescado...........................................................................27
4.3 Locais para Criação....................................................................................28
4.4 Alimentação.................................................................................................29
4.4.1 Outra sugestão de alimentação para o peixe tambaqui.....................30
5 SANIDADE DOS PEIXES32
5.1 Bacterioses..................................................................................................3
5.2 Parasitoses..................................................................................................3
5.3 Micoses....................................................................................................... 34
6 AVALIAÇÃO FINANCEIRA35
6.1 Investimento Fixo........................................................................................35
6.2 Custo Fixo do Ciclo.....................................................................................35
6.3 Custo Variável do Ciclo...............................................................................36
6.4 Receita Operacional....................................................................................36
6.4.1 Exemplo 1.......................................................................................... 36
6.4.2 Exemplo 2..........................................................................................36
6.5 Demonstração do Resultado Anual.............................................................37
6.6 Ponto de Equilíbrio......................................................................................37
6.7 Investimento Inicial......................................................................................38
6.8 Taxa de Retorno do Investimento...............................................................38
6.9 Prazo de Retorno do Investimento..............................................................39
7 LEGISLAÇÃO39
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS40
9 FORNECEDORES41

10 BIBLIOGRAFIA................................................................................................ 42

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1 PORQUE CRIAR PEIXES ? Dentre as principais vantagens da piscicultura, podemos destacar:

a - Aproveitamento de áreas improdutivas ou de baixo rendimento agropecuário, transformando-as e elevando sua produtividade; b - Utilização de subprodutos agropecuários na manutenção dos peixes; c - Eficiente conversão alimentar (come pouco e cresce muito); d - Rápido retorno do capital investido; e - Elevada produção por área; f - Aumento no faturamento do produtor rural; e g - Diminuição dos problemas de sazonalidade (safra), dos produtos agrícolas.

A produção da aqüicultura, que cresceu a uma taxa de 1% ao ano durante a última década, é o setor de maior desenvolvimento na economia alimentícia mundial. Aumentando de 13 milhões de toneladas de peixes produzidos em 1990, para 31 milhões de toneladas em 1998 (no mundo), a piscicultura provavelmente ultrapassará a pecuária como fonte de alimentos, até o fim desta década.

Este crescimento recorde da aqüicultura sinaliza uma mudança fundamental em nossa dieta. Durante o último século, o mundo dependeu quase que exclusivamente de dois sistemas naturais – pesqueiros oceânicos e pastagens – para satisfazer a demanda cada vez maior de proteína animal, entretanto, essa era aproxima-se do fim quando ambos os sistemas atingem seus limites produtivos.

Vistas todas essas informações, ainda podemos aliar o fato de estarmos localizados na região que detém a maior parte da mais extensa bacia hidrográfica do mundo, com 6.112.0 Km2 e que esta região tem o hábito alimentar de consumir peixes, sendo que um dos peixes mais apreciados é o tambaqui (Colossoma macropomun), cuja tecnologia de reprodução e criação em cativeiro é conhecida.

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2 INFORMAÇÕES MERCADOLÓGICAS

O mercado de Boa Vista/R consome atualmente 1.300 toneladas de peixe por ano, sendo 400 toneladas provenientes de criações em cativeiro, 700 toneladas importadas de outros estados e 200 toneladas capturadas nos estoques pesqueiros naturais. Essa demanda nos permite calcular um consumo atual de aproximadamente 6,5 Kg por pessoa ao ano, porém sabe-se que o consumo per capita em condições de oferta normal é de 8 kg/ano por pessoa.

Fato é que, sendo o consumo per capita de peixe em Boa Vista de 8Kg/ano e a população de 200.0 habitantes, chegamos a 1600 toneladas de consumo normal. Podemos concluir então, que existe um déficit de 300 toneladas na oferta. As 700 toneladas hoje importadas de outros Estados também podem ser substituídas por peixes produzidos em cativeiro no Estado de Roraima e sabe-se também que a pesca nos estoques pesqueiros naturais, encontra-se em decadência, abrindo espaço para a produção e fornecimento de mais 200 toneladas por ano que são necessárias para atender o consumo.

Com base nesses dados, podemos concluir que a procura/oferta de peixe com boa qualidade apresenta um déficit de 1000 toneladas/ano.

De acordo com dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação - FAO (Food and Agriculture Organization), considerando o consumo per capita ideal de 20 Kg/ano por habitante, chegaremos a um número mais animador para os futuros investidores, ou seja, 4.0 toneladas/ano ampliando o déficit na oferta para 2.700 toneladas/ano. Considerando que se importa 700 toneladas/ano poderemos produzir em Roraima 3.400 toneladas de peixe, analisando-se tão somente o mercado de Boa Vista.

Ampliando a visão de mercado e considerando Manaus como parceiro comercial, visto que os habitantes dessa cidade consomem 60 Kg de pescado/ano, chegamos a 90.0 toneladas o consumo total anual, sendo 30% a 40% oriundo da pesca extrativista, fonte essa, que durante o período da piracema (defeso) não pode

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes ser utilizada, gerando um déficit muito grande na oferta, chegando a quantidade de 9.0 toneladas.

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