Estudo de Caso:Fusão dos Bancos

Estudo de Caso:Fusão dos Bancos

Sobral,1 de Dezembro de 2008.

Universidade Federal do Ceará

Estudo de Caso

Fusão dos Bancos

Bruna Janielle Almeida Paixão

Denílson Rodrigues dos Reis Melo

Paulo Roberto

Vicentão Oliveira

Thiago Ripardo Souza

Resumo: Este Trabalho analisa a relação entre estrutura de mercado e grau de competitividade da indústria bancária brasileira. Para tanto, mensura a competitividade da indústria bancária pelos índices de Herfindahl-Hirschman e Lerner. A análise da concentração indica um aumento da concentração entre os sete dos maiores grupos bancários e uma comparação de concentração para operações de crédito. No entanto tal desconcentração ocorreu concomitante a uma redução na oferta de crédito. A mensuração da competição indicou que os bancos brasileiros operam em regime de concorrência monopolista. A relação entre competição e concentração indica que a maior concentração implica em menor grau de competição entre os bancos brasileiros.

Palavras-Chave:Crise Internacional,Banco,Índice de Herfindahl-Hirschman,Índice de Lerner,Concentração de Mercado,Estrutura de mercado.

Agradecimentos:À Deus , primeiramente, e à todos que,de alguma forma,contribuíram para realização desse trabalho.

Este trabalho investiga os efeitos da reestruturação do sistema bancário brasileiro com relação ao grau de concentração e de competição da indústria bancária, após as fusões que aconteceram nos últimos dias. De modo particular, verifica-se como a estrutura do mercado bancário afeta o grau de competição nos bancos brasileiros.

O sistema bancário brasileiro enfrentou grandes transformações com o lançamento do Plano Real, em julho de 1994. O novo ambiente de estabilização macroeconômica levou muitos bancos a perderem o ganho propiciado pelas transferências inflacionárias e trouxe instabilidade, exigindo a adoção de medidas para fortalecer a indústria. Dentre outras medidas, as autoridades elevaram o poder de fiscalização do Banco Central para possibilitar uma atuação mais preventiva, aumentaram o poder de intervenção instituindo a responsabilidade das empresas de auditoria contábil em casos de irregularidades, permitiram a volta do capital externo para a indústria brasileira e acabou com as exigências do capital mínimo para implantação de um banco estrangeiro ser o dobro do banco nacional.

A entrada dos bancos estrangeiros foi defendida devido à escassez de capitais nacionais e à maior eficiência e capacidade desses bancos. Essas duas características fortaleceriam as instituições domésticas, facilitariam a capitalização dos bancos em desequilíbrio patrimonial e aumentariam a concorrência na indústria bancária brasileira. Entretanto, esse movimento gerou reflexos na estrutura de mercado, com muitos bancos sofrendo liquidação, fusão ou incorporação por bancos nacionais ou estrangeiros (ver Tabela 1).

Tabela 1: Evolução Temporal do Tipo de Controle e Número de Bancos

Fonte: Banco Central do Brasil – COSIF, a distinção entre PF e PE foi feita pelos autores.

Onde: PN = privado nacional, PF = público federal, PE = público estadual, PCE = privado controle estrangeiro (inclui filiais), PPE = privado participação estrangeira.

Diante dessa evolução, torna-se relevante investigar quais foram os impactos da reestruturação sobre o grau de competição e sobre a concentração dos bancos brasileiros.Para isso,iremos selecionar uma parte do mercado,ou seja somente algumas instituições de relevância singular.

Com a crise doa últimos meses, está concentrando o setor bancário nos Estados Unidos e na Europa, levantando dúvidas a respeito das conseqüências dessa concentração para depositantes, tomadores de empréstimos e investidores dos diversos produtos financeiros. Aqui também esse receio começou a se manifestar a partir da notícia da fusão dos bancos Itaú e Unibanco. Entidades de proteção ao consumidor já estão vocalizando seu temor pela qualidade dos serviços prestados e pelo aumento das tarifas cobradas. A operação em marcha para a aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil só fez aumentar esse receio de que a maior concentração no mercado bancário se faria em prejuízo dos clientes. Será? A maneira mais simples de verificar o que vai ocorrer no mercado é verificar o grau de concentração do sistema bancário brasileiro antes e depois da consolidação dos bancos.

Se as consolidações já tivessem ocorrido até junho, esses percentuais teriam sido os seguintes: Itaú-Unibanco (20,63%); BB-Nossa Caixa (18,53%); Bradesco (14,71%); Santander-ABN (11,81%); CEF (10,71%); HSBC (3,95%); Votorantim (2,98%) e Safra (2,50%). Se utilizarmos como indicador de concentração na indústria bancária o percentual dos ativos totais detidos pelos quatro maiores bancos, esse percentual em junho era de 55,52% e teria sido de 65,68%, caso as fusões já tivessem ocorrido naquela data.Um aumento, portanto, de 10,16% na fatia dos quatro maiores bancos.

O presente trabalho tem como propósito analisar as seguintes fusões entre bancos que estão em planejamento ou já se concretizaram nos último meses e simular outras, visando propor uma melhor política para condução das mesmas por parte do governo.Para isso estaremos analisando o grau de concentração de mercado em cada situação ou simulação.Para isso,vamos lá.

Esse aumento na concentração bancária é muito ou pouco? Por que usar os quatro maiores bancos para determinar a concentração bancária, em lugar dos oito ou dos doze maiores bancos? Uma maneira alternativa de ver as coisas é utilizar o critério de concentração industrial do Ministério da Justiça dos EUA, usado para iniciar processos de monopolização de mercados, com base no chamado Índice de concentração de Herfindahl-Hirschman (IHH). De acordo com esse índice, uma indústria é concentrada - pelos padrões americanos - quando o valor do índice é superior a 1.800 pontos e desconcentrada quando o valor do índice fica abaixo de 1.000 pontos.Usaremos também o índice de Lerner,que é similar a esse primeiro.Bom, primeiro sabemos que o CADE junto a CVM e o BACEN aprovaram a fusão Itaú-Unibanco,será que isso deveria ter acontecido e até isso irá afetar o mercado.Para responder essas perguntas,repito que usaremos os índices Herfindahl-Hirschman e Lerner.O primeiro é da seguinte forma:

O segundo é similar em interpretação.Vamos aos cálculos para posterior análise:

Vamos selecionar primeiramente o valor de mercado de cada uma das empresas em ativos totais no seu balanço patrimonial consolidado,tendo como consulta a bolsa de valores de São Paulo em 30-09-2008 em R$ mil:

1 – BCO Bradesco R$ 422.705.7142 - BCO Itaú R$ 396.599.2163 – BCO BRASIL S.A. R$ 458.873.1194 - BCO Nossa Caixa AS R$ 53.431.3235 - UNIBANCO HOLDINGS S.A. R$ 178.641.4706 - ABN AMRO BANCO REAL R$ 190.222.5207 - CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 393.654.821

TOTAL ISOLADO: R$ 2. 094.128.183

Bom agora estarei pegando cada ativo de cada respectiva instituição e dividindo pelo total,para ver a participação nesse mercado isolado:

BRADESCO: 422.705.714 / 2.094.128.183 = 0,20185

ITAÚ : 396.599.216 / 2. 094.128.183 = 0,18939

BANCO DO BRASIL: 458.873.119 / 2. 094.128.183 = 0,21912

BANCO NOSSA CAIXA: 53.431.323 / 2. 094.128.183 = 0,02551

UNIBANCO HOLDINGS: 178.641.470 / 2. 094.128.183 = 0,08531

ABN AMRO: 190.222.520 / 2. 094.128.183 = 0,09084

CAIXA ECONÔMICA: 393.654.821 / 2. 094.128.183 = 0,18798

Agora vamos para o índice Herfindahl-Hirschman propriamente dito:

IHH = (0,20185)² + (0,18939)² + (0,21912)² + (0,02551)² + (0,08531)² + (0,09084)² + (0,18798)²

= 0,0407434225 + 0,0358685721 + 0,0480135744 + 0,0006507601 + 0,0072777961 + 0,0082519056 + 0,0353364804

= 0,1761425112

Com este índice,o mercado bancário entre esses bancos apresenta-se com moderada concentração,já que:

AH * índice inferior a 0,1 (ou 1000) indica um índice não concentrada.

AH * índice entre 0,1 a 0,18 (ou 1000 a 1800) indica moderada concentração. AH * índice superior a 0,18 (acima 1800) indica alta concentração.

Agora Vamos Supor se o CADE e a CVM deveriam ter autorizado a fusão recente do Itaú e do Unibanco,vamos novamente ao índice IHH:

ABN AMRO: 190.222.520 / 2. 094.128.183 = 0,09084

CAIXA ECONÔMICA: 393.654.821 / 2. 094.128.183 = 0,18798

BRADESCO: 422.705.714 / 2.094.128.183 = 0,20185

BANCO DO BRASIL: 458.873.119 / 2. 094.128.183 = 0,21912

BANCO NOSSA CAIXA: 53.431.323 / 2. 094.128.183 = 0,02551

ITAÚ/UNIBANCO: 575.240.686 / 2. 094.128.183 = 0,27469

IHH = (0,20185)² + (0,21912)² + (0,02551)² + (0,09084)² + (0,18798)² + (0,27469)²

IHH = 0,0407434225 + 0,0480135744 + 0,0006507601 + 0,0082519056 + 0,0353364804 + 0,0754545961

IHH = 0,2084507391

Esse Índice nos mostra que,de acordo com o mesmo,se fossemos analisar de maneira baseada somente nele,essa fusão não deveria ter sido autorizada.Vou,agora,analisar uma possível fusão,que que virou notícia nos últimos dias no mercado financeiro,que é a tentativa do Banco do Brasil de retomar sua liderança em ativos comprando o banco Nossa Caixa,será que isso poderia acontecer?Vamos ao índice novamente,mas agora,com a soma dos ativos do Banco do Brasil e da Nossa Caixa e mais alguns bancos como o banco do Estado do piauí que serão comprados e já somados em ativos totais e com a fusão do Itaú e o Unibanco:

ABN AMRO: 190.222.520 / 2. 094.128.183 = 0,09084

CAIXA ECONÔMICA: 393.654.821 / 2. 094.128.183 = 0,18798

BRADESCO: 422.705.714 / 2.094.128.183 = 0,20185

ITAÚ/UNIBANCO: 575.240.686 / 2. 094.128.183 = 0,27469

BANCO DO BRASIL/NOSSA CAIXA/OUTROS: 606.304.908 / 2. 094.128.183 = 0,28953

IHH = (0,20185)² + (0,21912)² + (0,02551)² + (0,27469)² + (0,28953)²

IHH = 0 ,0407434225 + 0,0480135744 + 0,0006507601 + 0,0754545961 + 0,0838276209

IHH = 0,248689974

Ou seja,com essa fusão o mercado também ficará concentrado mas menos que antes,onde somente Itaú e Unibanco eram juntos.

Vamos analisar, agora, o índice de Lerner, para indicar em que estrutura de mercado estamos diante em cada situação.Para isso,vou analisar as taxas de juros em algum serviço,o crédito imobiliário,vamos aos dados das taxas de juros mensais párea crédito imobiliário retitrados a TR e considerando como valor fixo,tendo como fonte cada um dos bancos e valor de 100.000(R$):

1 – BCO Bradesco 0,875 % a.m.2 - BCO Itaú 0,91 % a.m.3 – BCO BRASIL S.A. 0,7 % a.m.4 - BCO Nossa Caixa AS 0,94 %5 - UNIBANCO HOLDINGS S.A. 0,99 % 6 - ABN AMRO BANCO REAL 0,96%7 - CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 0,54 %

Pondo em Valores Fixos.

1 –Preço BCO Bradesco = 875 2 - Preço BCO Itaú = 9103 – Preço BCO BRASIL S.A. = 7004 – Preço BCO Nossa Caixa S.A. = 940 5 – Preço UNIBANCO HOLDINGS S.A. = 9906 - Preço ABN AMRO BANCO REAL = 9607 - Preço CAIXA ECONÔMICA FEDERAL = 540

Preço Concorrencial = 5.915

Índice de Lerner para cada Banco em módulo:

1 –Preço BCO Bradesco = (875 - 845)/875 = 0,0342 - Preço BCO Itaú = (910 - 845)/910 = 0,0713 – Preço BCO BRASIL S.A. = (700 - 845)/700 = 0,207 (valor absoluto - Contrário)4 – Preço BCO Nossa Caixa S.A. = (940 - 845)/940 = 0,1015 – Preço UNIBANCO HOLDINGS S.A. = (990 - 845)/990 = 0,1366 - Preço ABN AMRO BANCO REAL = (960 - 845)/960 = 0,1197 - Preço CAIXA ECONÔMICA FEDERAL = (540 - 845)/540 = 0,565 (valor absoluto – Contrário)

Todos>>(Residencial)

Ou seja,o quem tem a maior distância entre a taxa(preço) praticada e a taxa concorrencial é o Unibanco.Segundo O Banco Real e terceiro a Nossa Caixa,seguido por Itaú e Bradesco.O que oferece o valor mais em conta seria Caixa Econômica Federal.

Segundo nossa análise,considerando os dois índices,é preocupante a fusão do itaú com Unibanco.Unilatariedade(Oligopólio) pode ser marcante,devido o já o pouco concorrente mercado.Concentração de mercado e de preços pode ser visto com muita clareza.

Com relação aos consumidores a fusão entre Itaú e Unibanco vai prejudicar os correntistas. A avaliação é de analistas e órgãos de defesa do consumidor ouvidos pelo Globo. De acordo com especialistas, os clientes vão sentir nas taxas de juros de algumas modalidades de crédito e no valor dos serviços a menor concorrência do sistema financeiro brasileiro, tido como um dos menos competitivos do mundo.

Para Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, há mais concentração à vista. Ele cita a medida provisória que autoriza Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal a comprarem outras instituições. Além disso, apontam outros especialistas, o Bradesco, até então o maior banco privado do país, pode adquirir outras empresas. Já Alcides Leite, professor da Trevisan, ressalta que a fusão entre Itaú e Unibanco, somada a outras operações, como a compra do Real pelo Santander, pode representar encarecimento nas taxas de juros cobradas.

Já com relação ao cenário internacional, a fusão formará o maior banco do país e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul, segundo comunicado divulgado pelos bancos,o que fortalecerá o Brasil no mercado internacional.

Do outro lado,o Banco do Brasil confirmou, por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bolsa de Valores de São Paulo, a aquisição do banco paulista Nossa Caixa o que irá desconcentrar um pouco o mercado como mostram os índices. Mesmo com a compra da Nossa Caixa, o Banco do Brasil ainda não retornou ao posto de maior banco do país. Mas deu um passo para eventualmente retomar, no futuro, a posição nunca havia perdido anteriormente. Ao concretizar a compra da Nossa Caixa, o BB soma R$ 53,4 bilhões em ativos, que já totalizavam R$ 459 bilhões antes da operação. Com isso, a instituição sobe para R$ 512,4 bilhões em ativos totais. Este valor já contabiliza o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e Banco do Piauí (BEP) - este último adquirido recentemente.

Diante desse cenário,fica claro que o mercado está convergindo para um ponto de alta concentração com as fusões aprovadas,nos mercado de crédito e capital.Valendo, é claro, que algumas poderá ter efeito reverso,desconcentrando o mesmo,como é o caso do Banco do Brasil.

BIBLIOGRAFIA:

ASSAF NETO, A. Mercado Financeiro. 6ª edição. São Paulo: Atlas, 2005.

www.bovespa.com.br/Principal.asp

www.bcb.gov.br

www.g1.globo.com

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