(Parte 1 de 3)

FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO FRANCISCO – FAESF

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

CONTABILIDADE PARA ADMINISTRADORES

Prof. Esp.: Edivam Junior

PINHEIRO – MA

2005

NOÇÕES PRELIMINARES DE

CONTABILIDADE

1. BREVE HISTÓRICO DA CONTABILIDADE

A contabilidade é uma das ciências mais antigas do mundo. Existem diversos registros de que as civilizações antigas já possuíam um esboço de técnicas contábeis. Em termos de registro histórico, é importante destacar a obra Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalita, do Frei Pacioli, publicado em Veneza em 1494 (pouco depois da invenção da imprensa e um dos primeiros impressos no mundo). Esta obra descreve, num de seus capítulos, um método empregado por mercadores de Veneza no controle de suas operações, posteriormente denominado método das partidas dobradas ou método de Veneza.

Nos séculos seguintes ao livro de Pacioli, a contabilidade expandiu sua utilização para instituições como a Igreja e o Estado e foi um importante instrumento no desenvolvimento do capitalismo, conforme opinião de importantes estudiosos como o sociólogo Max Weber. No entanto, as técnicas e as informações ficavam restritas ao dono do empreendimento, pois os livros contábeis eram considerados sigilosos. Isto dificultou consideravelmente o desenvolvimento da ciência, uma vez que não existia troca de idéias entre os profissionais.

Mais recentemente, com desenvolvimento do mercado acionário e o fortalecimento da sociedade anônima como forma de sociedade comercial, a contabilidade passou a ser considerada também como um importante instrumento para a sociedade. Diz-se que o usuário das informações contábeis já não é mais somente o proprietário; outros usuários atualmente também têm interesse em saber sobre uma empresa: sindicatos, governo, fisco, investidores, credores etc.

A ampliação do leque dos usuários potenciais da contabilidade decorre da necessidade de uma empresa evidenciar suas realizações para a sociedade em sua totalidade. Antigamente, a contabilidade tinha por objetivo informar ao dono qual foi o lucro obtido numa empresa comercial. No capitalismo moderno, isso somente não é suficiente. Os sindicatos precisam saber qual a capacidade de pagamento de salários, o governo a capacidade de pagamento de impostos, os ambientalistas exigem conhecer a contribuição para o meio ambiente, os credores querem calcular o nível de endividamento e a possibilidade de pagamento das dívidas, os gerentes das empresas precisam de informações para subsidiar o processo decisório e reduzir as incertezas, e assim por diante.

2. CONCEITO

A Contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas, manter um controle permanente do patrimônio da empresa. A Contabilidade, desde seu aparecimento como conjunto ordenado de conhecimentos, com o objetivo e finalidades definidas, tem sido considerada como arte, como técnica ou como ciência, de acordo com a orientação seguida pelos doutrinadores ao enquadrá-la no elenco das espécies do saber humano. Nós vamos considerá-la como um conjunto de conhecimentos sistematizados, com princípios e normas próprias, ela é, na acepção ampla do conceito de ciência uma das ciências econômicas e administrativas.

3. FINALIDADE

A finalidade da contabilidade é registrar, controlar e demonstrar os fatos ocorridos no patrimônio, objetivando fornecer informações sobre sua composição e variações, bem como sobre o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.

Essas informações são indispensáveis à orientação administrativa, permitindo maior eficiência na gestão econômica da entidade e no controle dos bens patrimoniais. A contabilidade desempenha, em qualquer organismo econômico, o mesmo papel que a História na vida da humanidade. Sem ela não seria possível conhecer o passado nem o presente da vida econômica da entidade, não sendo também possível fazer previsões para o futuro nem elaborar planos para orientação administrativa.

4. GRUPOS DE PESSOAS E DE INTERESSE QUE NECESSITAM DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL

Nos tempos atuais, com a formação das grandes transnacionais, a informação contábil passou a ser de interesse de grupos cada vez mais amplos de indivíduos, que incluem não somente acionistas, mas também fornecedores, financiadores, banqueiros, poderes públicos (arrecadadores de impostos), os empregados que participam do lucro das empresas. De forma indireta, mesmo a sociedade em geral é interessada na informação contábil, pois a vitalidade das empresas é assunto de relevante interesse social.

OS PROPRIETÁRIOS DE EMPRESAS - SÓCIOS

Digamos que você seja o maior acionista de uma empresa, mas, por ter seu tempo ocupado com outras atividades, você e os outros (acionistas) elegeram uma diretoria para administrar a firma com autonomia completa. No final de um determinado período, você e os outros acionistas desejarão saber como a diretoria está gerindo os negócios da sociedade. A empresa está apresentando resultados satisfatórios, de forma que vocês, acionistas, possam receber bons dividendos? Ou está apresentando prejuízo?Neste caso, a diretoria pode ser culpada do fracasso, ou é vítima das circunstâncias? Será que não é preciso começar a pensar em vender suas ações?

Enfim, você obterá essas informações nos relatórios e prestações de contas apresentadas pela diretoria, e que devem ser aprovados pelos acionistas ou proprietários da empresa, que são grandes interessados nas informações que a contabilidade fornece e que as utiliza como instrumento para tomada de decisões.

OS ADMINISTRADORES DE EMPRESAS

Enquanto os proprietários se preocupam com seus respectivos investimentos, você, administrador, gerente etc. da empresa, também está interessado nesses investimentos. Mas de outra maneira, sabendo que quanto melhores forem os resultados apresentados mais elevados serão seus honorários, salários e gratificações; se estes não aumentarem, pelo menos seu prestígio como administrador aumentará; mas, se isso também não ocorrer, resta o consolo da realização profissional atingida e a esperança de um bom convite para mudar de emprego.

Os administradores de empresas vivem permanentemente cercados de problemas, de cujas decisões dependem os resultados da companhia. Através dos dados fornecidos pela contabilidade, você pode estar normalmente munido de informações que lhe responderão a uma série de questões com vistas às tomadas de decisões; as disponibilidades atuais são suficientes para pagamento das dívidas mais urgentes? O lucro diminuiu: foi devido à redução real nas vendas? Ou os custos é que se elevaram desproporcionalmente? Essas e outras informações fornecidas pela contabilidade permitirão a você medir os resultados da empresa e avaliar seu próprio desempenho na administração dos negócios que lhe foram confiados.

OS FORNECEDORES DE EMPRESAS

Coloque-se, agora, no lugar do gerente de crédito para vendas a prazo de uma empresa, e suponha que uma determinada companhia, de quem a sua é fornecedora, oferece-lhe um vultoso contrato de compra de mercadorias, contanto que você aceite o pagamento parcelado. Obviamente você solicitaria a essa companhia o seu último relatório econômico-financeiro, com o objetivo de satisfazer-se quanto a algumas questões: a companhia tem condições de pagar o que comprar? O seu nível de endividamento atual é tão elevado que dificilmente conseguirá honrar a dívida? O crédito deve ser concedido?

Certamente os relatórios econômico-financeiros das companhias, obtidos de duas respectivas contabilidades, não serão as únicas fontes de informações de que você disporá. Mas representam um valioso instrumento para tomar a decisão de conceder ou não o crédito que foi pedido.

OS FINANCIADORES DE EMPRESAS

Da mesma maneira que os fornecedores, e de forma muito mais precisa, os financiadores (financeiras, bancos comerciais e de desenvolvimento etc) de uma empresa também estão extremamente interessados nos seus relatórios econômico-financeiros, por motivos bastante claros. Quem empresta dinheiro ou financia operações de terceiros tem basicamente o objetivo lucro. Os relatórios econômico-financeiros representam um instrumento básico para que os financiadores decidam sobre a conveniência ou não de conceder empréstimos, visto que sua análise é uma ótima fonte de informações sobre a capacidade da companhia em liquidar dívidas.

Não esqueça, porém, que os relatórios econômico-financeiros representam nada mais que a expressão, em termos monetários, do resultado das atividades da administração de uma empresa. Portanto, se você não obtiver o empréstimo desejado, porque o financiador analisou os relatórios contábeis de sua empresa, não culpe nem o financiador nem os relatórios.

O GOVERNO

O imposto de renda de pessoas jurídicas é calculado, na maioria dos casos, a partir do lucro contábil apresentado pelos seus relatórios econômicofinanceiros. A partir desse lucro contábil, são necessários alguns ajustes até chegar ao lucro real, ou seja, aquele sobre o qual incidirá a alíquota do imposto. Partindo desse princípio, não é absolutamente difícil entender por que o governo é um dos altamente interessados na contabilidade das empresas.

5. OS MEIOS DE QUE SE UTILIZA A CONTABILIDADE

Para atingir sua finalidade, a Contabilidade se utiliza as seguintes técnicas contábeis:

1. Escrituração;

2. Demonstrações contábeis (inventários, balanços, etc.)

3. Auditoria; e

4. Análise de balanços.

A escrituração é o registro dos fatos que ocorrem no patrimônio. Esse registro é feito em ordem cronológica, o que dá à Contabilidade característica de verdadeira história do patrimônio. Não se prende a esse aspecto histórico, entretanto sua função, pois os registros evidenciam a expressão monetária dos fatos e os selecionam de acordo com a natureza de cada um, proporcionando sua reunião em grupos homogêneos, que distinguem os diversos componentes do patrimônio e suas respectivas variações.

O simples registro e seleção dos fatos, dados seu volume e heterogeneidade, não é elemento suficiente para atingir a finalidade informativa da contabilidade. Daí serem fatos reunidos em demonstrações expositivas que recebem a denominação de demonstrações contábeis.

Quando essas demonstrações têm em vista a exposição dos componentes patrimoniais, recebem o nome de Balanço Patrimonial. Quando visam demonstrar as variações patrimoniais e o resultado econômico de um período administrativo, recebem a denominação de Demonstração do Resultado do Exercício. Outros tipos existem, recebendo denominações específicas, tais como Demonstrações das origens e Aplicações de Recursos, Demonstrações de Lucros Acumulados, Demonstrações das Variações do patrimônio Líquido.

Para confirmar a exatidão dos registros e das demonstrações contábeis, a Contabilidade se utiliza de uma técnica que lhe é própria, chamada Auditoria, que consiste no exame de documentos, livros e registros, obedecendo a normas específicas de procedimento, com o objetivo de verificar se as demonstrações contábeis representam, adequadamente, a posição econômico-financeira do patrimônio e os resultados do período administrativo, de acordo com os princípios de Contabilidade geralmente aceitos, aplicados de maneira uniforme em períodos sucessivos.

Como algumas das demonstrações contábeis são sintéticas e nem sempre esclarecem a composição analítica do patrimônio e de suas variações, a Contabilidade dispõe de mais uma técnica especializada, denominada Análise de Balanços, que permite decompor, comparar e interpretar essas demonstrações, oferecendo aos interessados na riqueza patrimonial dados analíticos e interpretação sobre os componentes do patrimônio e sobre os resultados da atividade econômica desenvolvida pela entidade.

6. O OBJETO DA CONTABILIDADE

O patrimônio é o objeto da Contabilidade, isto é, constitui a matéria sobre a qual se exercem as funções contábeis. O patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações vinculados à entidade econômico-administrativa, e constitui um meio indispensável para que esta realize seus objetivos. Para alcança-los, a administração da entidade pratica atos de natureza econômica, produzindo variações aumentativas e diminutivas da riqueza patrimonial.

Para conhecer a situação do patrimônio em determinado momento, bem como suas variações e efeitos da ação administrativa sobre a riqueza patrimonial, é que a Contabilidade registra, demonstra e analisa os fatos ocorridos no patrimônio, evidenciando seus aspectos específicos e quantitativos.

O aspecto específico, também chamado qualitativo, considera as espécies de bens, direitos e obrigações que compõem a riqueza patrimonial, tais como: dinheiro, mercadorias, móveis e contas a receber ou a pagar. O aspecto quantitativo evidencia a quantidade de cada um desses componentes, monetariamente representada como: caixa $ 500, mercadorias $ 1.000, móveis $ 200, etc.

As variações patrimoniais são qualitativamente representadas pelos diversos tipos de receitas e despesas e quantitativamente pelos seus respectivos valores. O objeto da Contabilidade é, pois, o patrimônio, e em torno dele se desenvolvem suas funções, como meio para atingir sua finalidade.

7. COMPARAÇÃO ENTRE A CONTABILIDADE GERENCIAL E A CONTABILIDADE FINANCEIRA

A contabilidade trata da coleta, apresentação e interpretação dos fatos econômicos. Usam-se os termos contabilidade gerencial para descrever essa atividade dentro da organização e contabilidade financeira quando a organização presta informações a terceiros.

Os métodos da contabilidade financeira e da contabilidade gerencial foram desenvolvidos para diferentes propósitos e para diferentes usuários das informações financeiras. Há, contudo, numerosas similaridades e áreas de sobreposição entre os métodos da contabilidade financeira e gerencial.

Comparação entre a Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Financeira

A contabilidade gerencial é relacionada com o fornecimento de informações para os administradores – isto é, aqueles que estão dentro da organização e que são responsáveis pela direção e controle de suas operações. Por outro lado, a contabilidade financeira está relacionada com o fornecimento de informações para os acionistas, credores e outros que estão de fora da organização.

Robert N. Anthony (1979, p. 17), considerado por muitos como um dos precursores da disciplina Contabilidade Gerencial, é bastante sintético em sua caracterização da disciplina: “A Contabilidade Gerencial preocupa-se com a informação contábil útil à administração.”

De acordo com Padoveze (1994, p. 39), a contabilidade financeira é o segmento do sistema de informação contábil que compreende a escrituração tradicional, os aspectos tributários, os aspectos societários atuais, registrados em moeda nacional. A importância desse segmento dos sistemas de informação contábil é vital, pois ele contém a arquitetura básica dos planos de contas e os lançamentos, elementos vitais para a continuidade e integração do restante do sistema.

O Administrador que compreender as informações contábeis terá uma vantagem competitiva sobre outros que não as entende”.

LISTA DE EXERCÍCIOS

1. Que é contabilidade?

2. Por que é o patrimônio o objeto da Contabilidade?

3. Com que fim a Contabilidade registra, controla e interpreta os fatos

ocorridos no patrimônio?

4. Explique, porque os grupos de interesses necessitam das

informações contábeis?

5. Quais os meios utilizados pela Contabilidade para atingir seus

(Parte 1 de 3)

Comentários