Interação entre drogas de ação no sistema nervoso central

Interação entre drogas de ação no sistema nervoso central

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INTERAÇÃO ENTRE DROGAS DE AÇÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Centro Universitário UNA

Belo Horizonte

Maio de 2008

INTERAÇÃO ENTRE DROGAS DE AÇÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de Farmácia da Faculdade de Ciências Biológicas e Saúde, do Centro Universitário UNA, como requisito parcial à obtenção de créditos na disciplina de Farmacodinâmica I.

Profa..: Licinio Andrade Gonçalves.

Centro Universitário UNA

Belo Horizonte

Maio de 2008

TÍTULO

Interação entre drogas de ação no Sistema Nervoso Central.

INTRODUÇÃO

FENOBARBITAL

É um barbitúrico de ação prolongada, freqüentemente utilizado no tratamento dos quadros de convulsões tônico-clônicas generalizadas e convulsões parciais simples com sintomas motores, formas de epilepsia focal, bem como na ansiedade e na insônia.

Sua absorção por via oral é de 80%. O inicio de ação por via oral ou retal é de 45 a 60 minutos, por via intramuscular pouco menos, enquanto por via intravenosa por 0 a 5 minutos.

Atinge níveis sanguíneos máximos dentro de 6 a 18 horas, sua meia vida é de 3 a 4 dias em crianças e 5 a 6 dias em adultos. Ele se difunde através da placenta e pode ser excretado no leite materno. Sofre ampla biotransformação no fígado, formando produtos hidroxilados inativos que são conjugados antes de serem eliminados pelos rins, somente cerca de 25% de uma dose são excretado inalterados na urina.

A monitorização dos níveis séricos é fundamental para obterem-se os melhores níveis terapêuticos, evitando-se os efeitos colaterais. Ou seja, é importante para individualizar a posologia de cada paciente.

Níveis baixos são encontrados freqüentemente por não-adesão ao tratamento. Porém, algumas interações medicamentosas também podem levar a concentrações séricas baixas. Níveis séricos elevados são encontrados com o uso concomitante de ácido valpróico, que inibe o metabolismo do fenobarbital, e nos casos de doses inadequadas.

O fenobarbital pode afetar o metabolismo da fenitoína, acelerar o clearance de eliminação de cloranfenicol, teofilina, anticoagulantes orais, ciclosporina e contraceptivos orais. Podem diminuir a concentração sérica ou o efeito da fenilbutazona, griseofulvin, beta-bloqueadores, teofilina, corticóides, antidepressivos triciclícos, quinidina, haloperidol e propoxifeno.

A furosemida, o ácido valpróico e os salicilatos podem inibir o metabolismo do fenobarbital, levando a um aumento de sua concentração sérica. Sua atividade é aumentada quando associada a uso de bebida alcoólica, anti-histamínicos, neurolépticos e antidepressivos tricíclicos. O uso de fenobarbital acelera a degradação de outros agentes antiepilépticos, anticoagulantes orais, neurolépticos e contraceptivos orais.

Os efeitos colaterais mais freqüentes são sonolência, nistagmo, ataxia e disartria. Em doses elevadas, pode provocar o aumento da freqüência das convulsões.Recomenda-se que a coleta seja realizada imediatamente antes da dose seguinte e com níveis estáveis (cerca de 7 dias de tratamento), ou a qualquer hora caso se suspeite de intoxicação.

ÁLCOOL ETÍLICO

O álcool encontrado nas bedidas alcoólicas é o álcool etílico (etanol). Cuja a estrutura molecular é:

HH3 C - C - O - HH

Quando uma pessoa toma uma bebida alcoólica, cerca de 20% do álcool é absorvido no estômago e 80% é absorvido pelo intestino delgado. A velocidade com que o álcool é absorvido depende de vários fatores.

Depois da absorção, o álcool entra na corrente sangüínea e se dissolve na água do sangue. O sangue carrega o álcool por todo o corpo. O álcool do sangue, então, entra e se dissolve na água dentro de cada tecido do corpo (exceto o tecido de gordura, já que o álcool não pode se dissolver em gordura). Uma vez dentro dos tecidos, o álcool mostra seus efeitos no corpo. Os efeitos observados dependem diretamente da concentração de álcool no sangue (CAS), que está relacionada com a quantidade de álcool consumida. A CAS pode se elevar significantemente dentro de 20 minutos depois de ingerida a bebida.

O álcool age primeiro nas células nervosas dentro do cérebro e interfere na comunicação entre as células nervosas e outras células, impedindo as atividades das vias nervosas excitantes e aumentando as atividades das vias nervosas inibidoras.

Os efeitos do álcool são potencializados por medicamentos que deprimem o sistema nervoso central, como as pílulas para dormir, os antidepressivos e ate mesmo alguns analgésicos.

HALOPERIDOL

O Haloperidol é indicado no tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crônicos incluindo esquizofrenia, mania e psicose induzida por drogas, esses distúrbios causam perturbações profundas no raciocínio, geralmente com ilusões e alucinações. É derivado da butirofenona e responsável por um efeito seletivo no Sistema Nervoso Central, exercendo um bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos pós-sinápticos (D2) no sistema mesolímbico dopaminérgico e um aumento da síntese, liberação e utilização da dopamina central para produzir efeitos tranqüilizantes. O Haloperidol diminui a freqüência de disparos dos neurônios dopaminérgicos ao longo do bloqueio D2 pós-sináptico, resultando na ação antipsicótica.

Como conseqüência direta desse bloqueio dopaminérgico, o Haloperidol apresenta ação incisiva sobre delírios e alucinações, sendo também um sedativo eficiente nos quadros de mania, agitação psicomotora e outras síndromes de agitação.

O Haloperidol bloqueia os receptores dopaminérgicos do sistema nigroestriado (nos gânglios da base), produzindo reações motoras extrapiramidais (distonia, acatisia e parkinsonismo). O bloqueio dos receptores dopaminérgicos no sistema tuberoinfundibular diminui a liberação do hormônio de crecimento e aumenta a liberação de prolactina pela hipófise.

O Haloperidol promove também o bloqueio de receptores alfa-adrenérgicos do sistema autônomo. Os efeitos antidopaminérgicos periféricos são os responsáveis pela ação contra náuseas e vômitos e pelo relaxamento dos esfíncteres gastrointestinais.

O Haloperidol é contra-indicado nos casos comatosos e depressão grave do Sistema Nervoso Central, devido ao álcool ou a outras drogas ou medicamentos, também nos casos de doença de Parkinson, hipersensibilidade conhecida ao medicamento, lesão nos gânglios da base, afecções neurológicas acompanhadas de sintomas piramidais ou extrapiramidais, encefalopatia orgânica grave, formas graves de nefro e cardiopatia e depressão endógena, também é contra-indicado à lactentes, grávidas.

O Haloperidol por ser lipofílico, liga-se com abundância às membranas ou proteínas e acumula-se no cérebro, nos pulmões e em outros tecidos com irrigação sanguínea profusa.

Ele possui padrão complexo de eliminação tardia, não segue uma função logarítmico-linear e possui meia vida aparente aumentada com o tempo de monitoração até um valor aproximado de meia vida terminal longa de uma semana.

CLORPROMAZINA

Figura 1: Fórmula estrutural da Clorpromazina

Fonte: (MENEGATTI, R. et al, 2004).

Contém um átomo de cloro na posição 2 do anel e cadeia lateral alifática. Apresenta ações antiemética, hipotensora e sedativa fortes, anticolinérgicas moderada a forte e extrapiramidal fraca a moderada (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Usado nas formas de base livre e de cloridrato (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Farmacodinâmica

Antipsicótico de potencia relativamente baixa, sedativo e antiemético (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Farmacocinética

  • Por via oral, a absorção é completa e a biodisponibilidade é de cerca de 32%; atinge concentração plasmática máxima em duas a quatro horas; sofre biotransformação no intestino e no fígado (efeito da eliminção pré-sistemica acentuada), dando pelo menos 100 metabólitos, alguns deles farmacologicamente ativos.

  • Por via intramuscular, as concentrações plasmáticas são quatro a dez vezes maiores do que aquelas na administração oral; o inicio da ação se dá dentro de 20 a 30 minutos e o efeito máximo é atingido em duas a três horas.

  • É extensivamente distribuída (21 + - 9 L/Kg) e ligada a proteína (95% a 98%).

  • Meia-vida plasmática de 30 +- 7 horas; contudo, alguns metábolitos são eliminados lentamente (durante meses ) pela urina.

  • Menos de 1% do fármaco é excretado na forma inalterada (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Doses

  • Não deve ser usado em menores de 6 meses.

  • Via intramuscular, para psicoses ativas agudas em adultos hospitalizados, 25 a 100mg inicialmente, repetida em uma a quatro horas conforme necessário; pacientes idosos ou debilitados, doses menores; crianças, 0,5mg/ Kg a cada seis a oito horas, gradualmente aumentada até controlar os sintomas; a dose diária total não deve exceder 40mg em crianças menores de 5 anos ou 75mg em crianças acima dessa idade.

  • Via intravenosa, só para soluço incoercível, pois esta via é muito irritante.

  • Via oral, com água ou leite, para psicoses diversas, adultos, inicialmente 200 a 600mg diariamente em tomadas divididas, aumentadas se necessário até controlar os sintomas ou surgirem efeitos adversos; pacientes idosos ou debilitados, um terço ou metade da dose de adulto; crianças, 0,5mg/Kg cada quatro a seis horas (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

DIAZEPAM

Figura 2: Estrutura química do Diazepan

Fonte: UFSC, Revista Eletrônica de Química, 2004

Farmacodinâmica

  • Anticonvulsivante, ansiolítico, hipnótico, sedativo, miorrelaxante esquelético, antipânico, antitremor e amnéstico (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Farmacocinética

  • Por via oral, rápida e completamente absorvido no trato gastrintestinal, ligando-se extensivamente a proteínas (97%) e atingido concentração plasmática máxima de 30 a 90 minutos.

  • Por via intravenosa, atinge concentrações séricas terapêuticas em 2 a 6 minutos, mas a duração da ação é curta, por distribuir-se rapidamente do cérebro dentro de 30 minutos após a injeção, o que reduz a sua eficácia.

  • Extensivamente biotransformado no fígado, por N-desalquilação e hidroxilação, dando nordazepam, oxazepam e temazepam.

  • Meia vida do Diazepam é de 27 a 37 horas, e do seu principal metabólito ativo, o nordazepam, de 50 a 100 horas.

  • Meia-vida prolongada em crianças prematuras, pacientes idosos e com doença hepática.

  • Excretado pelos rins, principalmente na forma de metabólitos, quer livres, quer conjugados (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Indicações

  • Segundo muitos especialistas, por via intravenosa é o fármaco de escolha para o controle inicial de crises tônico-clônicas generalizadas contínuas e estado de mal epiléptico de ausência, por ter innício de ação imediato.

  • Por via intravenosa pode ser útil com o sulfato de magnésio oualtenativa deste para controle de crises de eclampsia.

  • Por via oral é às vezes útil como adjuvante a outros fármacos anticonvulsivantes em espasmos monoclônicos e crises atônicas (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Efeitos adversos

  • Aqueles comuns aos benzodiazepínicos

  • Trombose venosa e flebite no local da injeção.

  • Ginecomastia, com uso prolongado (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

Interações medicamentosas

  • Aqueleas comuns aos benzodiazepínicos.

  • Aumenta os efeitos de anticoagulantes orais dogrupo cumarínico.

  • Quando administrado por via parenteral, pode aumentar a intensidade e prolongar a duração dos bloqueadores neuromusculares não despolarizantes.

  • Álcool, barbitúricos e outros depressores dosistema nervoso central aumentam a depressão com risco maior de apnéia.

  • Carbamazepina diminui suas concentrações séricas.

  • Sua meia-vida de eliminação é prolongada por cimetidina, isoniazida e anticoncepcionais orais contendo dose baixa de estrogênio, porque estes fármacos inibem as enzimas microssômicas hepáticas responsáveis pela biotransformação do diazepam.

  • Fentalina ou sufentalina, em doses elevadas, podem causar hipotensão grave.

  • Ranitidina diminui sua absorção e reduz sua concnetração plasmática em 25%.

  • Rifampicina pode intensificar sua eliminação.

Ácido valpróico desloca-o dos sítios de ligação protéica (KOROLKOVAS, A; FRANÇAS, F.F.A.C, 2007).

PARTE I

OBJETIVO

Relatar a interação entre drogas de ação no Sistema Nervoso Central.

(Parte 1 de 2)

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