Apostila de Economia para Agente e Escrivão

Apostila de Economia para Agente e Escrivão

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AGENTE e ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL

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Conteúdo:

01 - Introdução à Economia 02 - Microeconomia 03 - Elasticidades 04 - Aplicações Incidência de Imposto sobre Vendas e Fixação de Preços 05 - Produção 06 - Custos de Produção 07 - Estruturas de Mercado 08 - Macroeconomia Fundamentos de Teoria e Política Macroeconômica 09 - Contabilidade Social 10 - Determinação do Nível de Renda e Produto Nacionais 1 - O Lado Monetário da Economia 12 - Interligação entre o Lado Real e o Lado Monetário 13 - Inflação 14 - O Setor Externo 15 - Política Fiscal e Setor Público 16 - Noções de Crescimento e Desenvolvimento Econômico 17 - Noções sobre Números-Índices 18 - Pesquisa Operacional 19 - Testes

O conceito de Economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma, lei). Seria, então, a "administração da casa" que, de maneira mais abrangente, pode ser interpretada como sendo a "administração da coisa pública".

Economia é definida como sendo a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar recursos produtivos escassos, na produção de bens e serviços, de modo a distribui-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, com a finalidade de satisfazer as necessidades humanas.

Esse conceito, para poder ser aplicado em toda a sua intensidade e profundidade, depende de restrições físicas, provocadas pela escassez de recursos produtivos.

Os recursos produtivos também são chamados de fatores de produção (mão de obra, capital, terra, matérias primas).

Portanto, o objeto de estudo da ciência econômica é o enfrentamento da questão da escassez, ou seja, como "economizar” recursos.

Aescassez é o resultado das necessidades humanas ilimitadas e da baixa disponibilidade física de recursos. Se considerarmos que o crescimento populacional adiciona novas pessoas ao contingente conhecido, é evidente que também crescem as necessidades humanas. O homem está constantemente em busca de melhorar seu padrão de vida (o que seria uma necessidade "social" de melhorar seu status) e, conjuntamente com a evolução tecnológica, criam-se novas necessidades (computador, freezer, vídeo, DVD etc.).

Decorre que, se não houvesse escassez de recursos, isto é, se todos os bens fossem abundantes (bens livres), não haveria razão de estudarmos questões como inflação, crescimento econômico, déficit no balanço de pagamentos, desemprego, concentração de renda etc. Não existindo esses problemas, não existiria a necessidade de se estudar Economia.

A Questão da Escassez e os Problemas Econômicos Fundamentais

Em qualquer sociedade, independente de sua organização econômica ou regime político, há a necessidade de se fazer opções, escolhas que devem ser feitas diante de várias alternativas de utilização de seus recursos, visto que os mesmos não são abundantes. Portanto, as escolhas são:

O QUE E QUANTO produzir: a sociedade deve decidir se produz mais bens de consumo ou bens de capital, ou, como no exemplo clássico: quer produzir mais canhões ou mais manteiga? Em que quantidade? Os recursos devem ser dirigidos para a produção de mais bens de consumo, ou bens de capital?

COMO produzir: é uma questão de eficiência produtiva: serão utilizados métodos de produção com capitais intensivos? ou mão-de-obra intensiva? ou terra intensiva? Isso depende da disponibilidade de recursos em cada sociedade.

PARA QUEM produzir: a sociedade deve decidir quais os setores que serão beneficiados na distribuição do produto: trabalhadores, capitalistas ou proprietários da terra? agricultura ou indústria? mercado interno ou mercado externo? Região Sul ou Região Norte? Em resumo, trata-se de decidir como será distribuída a renda gerada pela atividade econômica.

A Questão da Organização Econômica - Sistemas Econômicos

As sociedades decidem seus problemas econômicos fundamentais através da sua organização econômica, que pode ser de duas formas principais:

-economia de mercado (ou descentralizada, tipo capitalista)

-economia planificada (ou centralizada, tipo socialista)

Normalmente, os países organizam-se de uma dessas formas, ou adotam algum sistema intermediário entre elas.

Devemos lembrar que o escopo desta apostila é apresentar as características de sistemas econômicos, ou seja, como as sociedades se organizam no ponto de vista econômico. As características e as diferenças entre os regimes políticos (democracia, socialismo, comunismo) que, de certa maneira, afetam e são afetados pelas questões econômicas, fazem parte de um campo de discussão mais amplo, dentro do campo das Ciências Políticas.

Funcionamento de uma Economia de Mercado

As economias de mercado podem ser analisadas por dois sistemas: -sistema de concorrência pura (sem interferência do governo);

- sistema de economia mista (com interferência do governo).

Sistema de Concorrência Pura

No sistema de concorrência pura ou perfeitamente competitivo, predomina o laissez-faire: milhares de produtores e milhões de consumidores tem condições de resolver os problemas econômicos fundamentais (o que e quanto, como e para quem produzir), como que guiados por uma "mão invisível" - isso sem a necessidade de intervenção do Estado na atividade econômica.

Isso é possível através do chamado mecanismo de preços, que resolve os problemas econômicos fundamentais e promove o equilíbrio nos vários mercados da seguinte forma:

- se houver excesso de oferta (ou escassez de demanda), formar-se-ão estoques nas empresas, que serão obrigadas a diminuir seus preços para escoar sua produção, até que se atinja um preço no qual os estoques estejam satisfatórios. Existirá concorrência entre empresas para vender os bens aos escassos consumidores;

-se houver excesso de demanda (ou escassez de oferta), formar-se-ão filas, com concorrência entre os consumidores pelos escassos bens disponíveis.

O preço tende a aumentar, até que se atinja um nível de equilíbrio em que as filas não mais existirão.

No sistema de concorrência pura os problemas econômicos fundamentais são resolvidos da seguinte forma:

o que e quanto produzir:

o que produzir é decidido pelos votos, desejos dos consumidores (o que é chamado de "soberania do consumidor”); quanto produzir é determinado pelo encontro da oferta e demanda de mercado; como produzir: é resolvido no âmbito das empresas (trata-se de uma questão de eficiência produtiva); para quem produzir:

é decidido no mercado de fatores de produção (pelo encontro da demanda e oferta dos serviços dos fatores de produção). Para quem produzir é uma questão distributiva, ou seja, quem ou quais setores serão beneficiados pelos resultados da atividade produtiva.

É a base da filosofia do liberalismo econômico, que advoga a soberania do mercado, sem intervencionismo do Estado.

Neste modelo, o Estado deve responsabilizar-se mais com questões como justiça, paz, segurança, relações diplomáticas e deixar ao mercado (leia-se: setor privado) as decisões de como resolver as questões econômicas fundamentais.

O diagrama da figura 1.1 ilustra o que ocorre num sistema de concorrência pura:

As Imperfeições do Sistema de Concorrência Pura

As críticas mais freqüentes a esse tipo de sistema econômico são as seguintes: a) trata-se de uma grande simplificação da realidade; b) os preços nem sempre flutuam livremente, ao sabor do mercado, em virtude de influências como:

•força dos sindicatos sobre a formação dos salários (os salários também são preços, que remuneram os serviços da mão-de-obra);

• poder dos monopólios e oligopólios sobre a formação de preços no mercado, não permitindo queda dos preços de seus produtos;

•intervenções do governo, via: -impostos, subsídios, tarifas e preços públicos (água, energia etc.);

- política salarial (fixação de salário mínimo, reajustes, prazos de dissídios etc.); -fixação de preços mínimos;

- congelamento e tabelamento de preços;

-impostos e subsídios;

-política cambial; c) o mercado sozinho não promove perfeita alocação de recursos. Em países mais pobres, que querem desenvolver-se, o Estado precisa prover a infra-estrutura básica, como estradas, telefonia, siderurgia, portos, usinas hidrelétricas, que exigem altos investimentos, com retornos apenas a longo prazo, afastando o setor privado; d) o mercado sozinho não promove perfeita distribuição de renda, pois as empresas estão preocupadas em maximizar seu lucro, e não com questões distributivas.

Entretanto, muitos mercados comportam-se mais ou menos num sistema de concorrência pura. O mercado hortifrutigranjeiro, por exemplo, aproxima-se bastante desse modelo.

Sistema de Mercado Misto: o Papel Econômico do Governo

Durante muitos anos, desde o final do século XVIII, com a Revolução Industrial, até fins do século

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