(Parte 1 de 3)

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 1

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 2

A N F E T A M I N A S Introdução, Histórico e Apresentação

O termo “anfetamina” identifica um grupo de substâncias quimicamente aparentadas, todas elas produzindo os mesmos efeitos psicológicos e comportamentais. Cada droga é psicoestimulante, ou seja, aumenta a atividade cerebral. Ao contrário de muitas drogas freqüentemente utilizadas para fins indevidos, a anfetamina não existe livremente na natureza; só pode ser produzida em laboratório químico.

As anfetaminas por serem drogas sintéticas, não possuem uma historia de uso e/ou abuso tão longa quanto outras drogas psicoativas. Elas são conhecidas no Brasil pelo nome genérico de “bolinhas”.

Foi sintetizada em 1887 por um cientista alemão desde quando foi esquecida até 1930, até que se descobriu que ela podia aumentar a pressão arterial das pessoas. Em 1933 a anfetamina foi considerada útil no tratamento de congestão pulmonar. Em 1932 uma indústria farmacêutica americana, a SMITH, KLINE & FRENCH colocou no mercado o inalador nasal contendo anfetamina que provocava o alívio do desconforto da congestão nasal causada por gripe, asma e rinite alérgica. Até essa época, não se conhecia os poderosos efeitos estimulantes da anfetamina quando ingerida. Em 1935 esses efeitos foram detectados e apareceriam informes sobre seus efeitos no tratamento de narcolepsia (sono incontrolável) e do mal de PARKINSON.

As publicidades exageradas sobre os efeitos psicológicos da droga aumentaram o interesse público em relação à anfetamina. Esta era divulgada como eficiente e sem riscos de causar vícios.

Apesar das informações em contrário, as anfetaminas foram largamente utilizadas por soldados durante a segunda guerra mundial. Estima-se que mais de duzentos milhões de bolinha foram fornecidas às tropas americanas. No final da guerra muitos soldados que usaram as anfetaminas fornecidas pelo governo retornaram espalhando a fama do seu poder revigorador. Nos anos 50, os estudantes, atletas, motoristas de caminhão e até donas-de-casa estavam usando bolinhas para fins não-medicinais. A produção da droga cresceu explosivamente; seu uso espalhou - se pelos EUA e

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 3 chegou ao Brasil. Era vendido como medicamento para o tratamento da obesidade, narcolepsia e de pressão, mas as pessoas tomavam principalmente para aumentar a energia, espantar o sono e melhorar a disposição.

No início dos anos 60, algumas pessoas começaram a usar anfetamina injetando-a na corrente sangüínea. Com esse objetivo obtinha-se a droga em solução injetável, seja de forma legal ou ilegal.

O Japão foi o primeiro país a sofrer com uma epidemia de uso indevido de anfetamina. O problema começou logo após a segunda guerra mundial quando enormes quantidades de anfetaminas foram colocadas no mercado japonês. A publicidade era dirigida no sentido de ajudar as pessoas a lidarem com a dificuldade do pós-guerra.

No Brasil, não existem estatísticas confiáveis sobre o uso de “bolinhas”. Nos EUA, as estatísticas mostram a cocaína como a 5ª causa mais freqüente de incidentes registrados enquanto a anfetamina fica em 19°.

Na verdade, muito poucas pessoas sabem avaliar o valor de uma droga que as faz sentir-se bem. Devido a fatores como depressão, baixo nível de auto-estima ou necessidade de sentir-se integrado a um grupo, os resultados obtidos com as drogas podem parecer tão benéficos aos olhos do usuário que as experiências ocasionais correm o risco de tornar-se uso compulsivo e, finalmente, abuso. Assim, o problema de abuso de drogas, não é apenas uma questão de uso indevido de uma substância; envolve antes de mais nada , a forma como as pessoas conseguem lidar com seus problemas em relação à sociedade.

Freqüentemente ouvem-se comentários sobre o uso de “bolinhas” entre esportistas e artistas. As pessoas que seguem carreira nessas áreas estão permanentemente sob avaliação pública, buscando desempenhos cada vez melhores. Sonham com o estrelato, a fortuna e o reconhecimento público. Surpreendentemente parece que quanto mais velhos e consagrados, mais os atletas usam bolinha, talvez na tentativa de sentirem-se mais jovens e prolongar suas carreiras. No mundo artístico, ao contrário, são os que obtêm sucesso quando mais jovens que freqüentemente se envolvem com drogas. Uma das razoes é que experimentam uma euforia tão grande sem uso de drogas durante a apresentação que, quando o show termina, não desejam

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 4 perder aquela sensação. Assim, procuram por meios artificiais, trazer de volta a sensação dos aplausos e refletores.

Os efeitos mais comuns da estimulação cerebral por anfetaminas são euforia, reações mais rápidas e aumento da auto-estima e da autoconfiança. A pessoa sentese então menos cansada e com raciocínio mais claro. No entanto, embora o usuário pense que a anfetamina aumenta seu desempenho, na realidade sua atividade cerebral diminui. É importante ressaltar que a anfetamina diminui o desempenho em qualquer trabalho que envolva raciocínio e criatividade.

Há um grande número de inverdades sobre os efeitos afrodisíacos da anfetamina.

Os cientistas constataram que os efeitos das anfetaminas sobre o desejo e a atividade sexual dependem da dose ingerida. Quando tomada em baixas dosagens, as “bolinhas” levam as pessoas a relatarem uma estimulante euforia e um maior desejo por sexo. Os homens experimentam ereções por períodos mais longos e demoram mais ejacular; as mulheres referem um maior desejo sexual e variações em sua capacidade de atingir o orgasmo. Doses mais altas da droga, comprovadamente, prejudicam as funções sexuais. A capacidade de o homem atingir a ereção reduz-se e, para ambos os sexos, torna-se mais difícil atingir o orgasmo. Isso indica que a anfetamina em doses mais baixas aumenta a energia, mas em doses mais altas reduz a capacidade sexual.

No cérebro, cerca de 30 neurotransmissores já foram encontrados. Os mais importantes na produção dos efeitos da anfetamina são noradrenalina e dopamina. Quando a anfetamina entra em contato com o terminal axônico são liberadas doses excedentes desses neurotransmissores provocando uma resposta mais forte. Como a anfetamina é desativada vagarosamente pelo organismo, é necessário mais tempo para que o excesso de noradrenalina ou dopamina seja consumido, resultando em um efeito mais prolongado. A anfetamina, portanto, modifica as ações da noradrenalina e dopamina.

Os efeitos da anfetamina sobre o coração e os vasos sangüíneos dependem da dose tomada. Após pequenas doses de 5mg a 10 mg, a pressão sangüínea se eleva. Essa elevação é registrada pelo cérebro, que envia sinais ao coração para que bata mais devagar. Doses de anfetamina maiores que 25mg agem diretamente sobre o

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 5 coração aumentando o ritmo e a força de contrações. É esse efeito que muitas pessoas identificam como taquicardia. Também pode ocorrer disritmias cardíacas, mas geralmente, apenas após doses altas, como, por exemplo, 100mg. Doses excessivamente altas de anfetamina podem causar permanentes danos nos vasos sangüíneos que irrigam o córtex cerebral.

Quanto ao vício, temos que esta droga inclui um interminável ciclo de altos e baixos, necessidade compulsiva e satisfação. Ainda que um ex-viciado tenha parado de tomar anfetamina por 15 anos, se ele ingerir uma única pílula o vício pode voltar com a mesma intensidade.

Um usuário crônico de anfetamina desenvolve sinais físicos, comportamentais e mentais da toxicidade ou efeitos perigosos da droga. Seus estados gerais de saúde e higiene pessoal se deterioram e, se ele utiliza a droga por via intravenosa, exibirá as marcas de injeções, com infecções e abscessos. Os sinais comportamentais de intoxicação por anfetamina em geral se apresentam na forma de nervosismo, irritabilidade e inquietação devido à quase constante estimulação causada pela droga. Isso conduz ao comportamento compulsivo característico exemplificado por uma tendência comum entre os usuários de “bolinhas” de tomar um objeto, desmontá-lo e montá-lo novamente.

A mais extrema manifestação de intoxicação por anfetamina é um estado paranóide chamado PSICOSE AFETAMÍNICA. Durante essa fase, o individuo passa a suspeitar de todo mundo e imagina que as pessoas estão armando armadilhas para pegá-lo.

Administração, distribuição e farmacologia

Os anfetamínicos administrados por via oral, muscular e venosa são prontamente absorvidos e desempenham efeitos que se exteriorizam por sintomas de intensa excitação dos SNC e do sistema simpático.

SNC – doses medicamentosas dos anfetamínicos produzem, de imediato, uma sensação de alerta, insônia, diminuição da fadiga, aparente melhoria de capacidade de memorização, de aprendizado e de euforia. Concomitantemente, existe diminuição do apetite e da ingestão de líquidos. Em determinados indivíduos a autoconfiança, a atividade motora e a comunicação (fala) são aumentadas. Concomitantemente,

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 6 manifestam-se sintomas de hiperatividade adrenérgica, taquicardia, hipertensão arterial e midríase. Desaparecem esses efeitos, via de regra, em 24 horas. Diante dessas manifestações tão marcantes, o individuo pode assumir várias atitudes:

a) Não utilizar mais a droga, pelo medo da sintomatologia; b) Continuar a tomar a droga, por mais alguns dias, na esperança de que possa interromper, a qualquer momento, seu uso, esquecendo-se, no entanto, que cada dia que passa tem necessidade de aumentar a dose do anfetamínico; c) Depender da droga, pois já não tem condições de abandonar o seu uso.

Enquanto as primeiras doses não acarretam alterações graves do comportamento, a dependência anfetamínica modifica, profundamente, tanto o comportamento inato como o adquirido. Os anfetamínicos em doses repetidas, progressivas, modificam de maneira muito marcada, os comportamentos elementares e os condicionados.

No que tange à motivação do comportamento, verifica-se que intoxicação pelo anfetamínico resulta em perda gradual do ímpeto sexual, aparecendo muitas vezes, sem qualquer repressão, o homossexualismo e o lesbianismo. A supressão do apetite é cada dia mais pronunciada, trazendo em conseqüência da subnutrição o emagrecimento: há alternâncias entre o prolongado jejum e um estado de acoria ou bulimia, isto é, fome canina, voracidade. A ingestão de líquidos também diminui, o que concorre para o emagrecimento.

Quanto à aprendizagem, retenção do engrama, raciocínio, verifica-se que, ao contrario do que sucedia, a principio, a intoxicação por anfetamínicos leva à incapacidade de se fixar em qualquer problema; as idéias embaralhadas impedem o raciocínio e a exposição oral; a midríase dificulta e chega a obstar a acomodação visual (daí desastres com motoristas de caminhão, ônibus e carros de passeio), que não se adaptam as luzes de um farol nas estradas de rodagem. Como conseqüência da midríase, isto é, dilatação das pupilas, existem desastres injustificáveis à luz da segurança, da velocidade.

Em relação à emotividade, observa-se irritação que aumenta gradativamente até a agressividade, atingindo não só as pessoas mais chegadas, mas, indistintamente, a todos que se acercam do dependente.

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 7

A psicose paranóide anfetamínica, magistralmente estudada em nosso meio pelo prof. J. Carvalhal Ribas em “Aspectos Psiquiátricos de Intoxicação Anfetamínica”, é uma síndrome clínica caracterizada por manifestações graves do comportamento acompanhadas de alucinações visuais e auditivas.

Mecanismo de Ação

Os anfetamínicos são aminas simpaticomiméticas e atuam nas terminações dos nervos adrenérgicos, produzindo hipertensão arterial, taquicardia, elevação dos lipídios do plasma e hipertermia. Existem evidências experimentais de que as aminas catecolaminas, dopamina, noradrenalina e adrenalina, bem como a serotonina, neurotransmissores cerebrais, participam do mecanismo de ação dos anfetamínicos.

Propôs Weiner a seguinte interpretação de ações dos anfetamínicos:

Estimulação Psíquica Noradrenalina

Aumento da Atividade Psicomotora Noradrenalina e Dopamina

Diminuição do Apetite Noradrenalina

Estereotipia Dopamina

Psicoses Serotonina

De acordo com a interação dos anfetamínicos com neurotransmissores cerebrais, os seguintes mecanismos têm sido admitidos:

1 – inibição da monoaminoxidase (MAO); 2 – liberação das catecolaminas (AC) das terminações adrenérgicas; 3 – inibição da recaptação das AC pelos neurônios.

Dessas teorias a mais aceita, no momento, é a de que o mecanismo de ação dos anfetamínicos está associado ao da liberação de catecolaminas pelos seguintes motivos:

a) Inibição da biossíntese das AC pela administração de alfametiltirosina impede os efeitos da anfetamina na atividade locomotora, no comportamento estereotipado, na euforia, efeitos desses que podem ser restaurados pela injeção de levodopa;

FACIMP: Av. Prudente de Morais, s/nº, Quadra 1 a 6 – Residencial Kubitscheck

CEP. 65900-0 Tel: (9) 3524-8298 site: w.facimp.edu.br e-mail: alexpenido@msn.com 8 b) A injeção de 6-hidroxidopamina diretamente na via dopaminérgica do striatum impede o comportamento estereotipado produzido pela anfetamina, o que reforça a interpretação de que esse comportamento depende da liberação da dopamina; c) A inibição da dopamina beta-hidroxilase pelo dietiltiocarbamato, em animais tratados pela anfetamina; d) A anfetamina aumenta, facilita a auto-estimulação de ratos nos quais foram implantados electródios nas chamadas áreas de recompensa localizadas no hipotálamo; tal efeito pode ser inibido pela administração de inibidores da dopamina beta-hidroxilase, restaurados pela injeção intramuscular cerebral de noradrenalina, mas não de dopamina; e) Observaram Jonsson e Cols que o pré-tratamento de indivíduos intoxicados pela anfetamina, com as doses de 1g de alfa metil-p-tirosina 3 vezes ao dia, tinha a propriedade de reduzir, em mais de 50% dos casos, não só a intensidade, como a duração dos efeitos produzidos pela administração de 200mg de d-1-anfetamina, por via venosa. O bloqueio da euforia induzido pela anfetamina dura 24 horas; porém, após uma semana de tratamento pela alfa MT, verifica-se tolerância do organismo à ação preventiva dos efeitos anfetamínicos e que a administração de alfa MT, após a suspensão de 24 a 48 horas restaura as propriedades de bloqueio dos efeitos euforizantes da injeção de d-1-anfetamina.

As anfetaminas (psicoestimulante = aminas simpaticomiméticas) quimicamente semelhantes aos neurotransmissores noradrenalina (NA) e dopamina (DA), tem fortes ações centrais e periféricas.

Administradas em doses moderadas provocam estado de alerta persistente, diminuição do sono, elevação do estado de ânimo, maior atividade motora, menor sensação de fadiga e diminuição do apetite.

(Parte 1 de 3)

Comentários