Curso de Economia I - Professor Mozart Foschete

Curso de Economia I - Professor Mozart Foschete

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AULA 0 – A ELASTICIDADE E SUAS APLICAÇÕES Bom dia,

Muitos de vocês, pelo Brasil afora, que há pouco iniciaram sua preparação para concursos, certamente não conhecem Mozart Foschete. Por isso, vou lhes dar algumas informações úteis a meu respeito: Fiz mestrado em Economia na Inglaterra e, ao chegar de lá, no início dos anos 80, além de trabalhar como economista do IPEA-Brasília, fui professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília por 14 anos. Nos anos 90, larguei a UnB e passei a ministrar aulas de Economia em cursos preparatórios, em Brasília, preparando candidatos para o concurso de Analista do Banco Central e especialmente para os candidatos ao cargo de Auditor da Receita Federal, pois até o ano de 1994 o concurso era unificado e Economia era cobrada de todos os candidatos. Sem querer me gabar muito, eu era, nos anos 90, o professor de Economia mais conhecido e o mais procurado para lecionar esta matéria. Os convites para lecionar Economia partiam de todos os pontos: lecionei cursos intensivos de Economia no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Amazonas, na Paraíba, em Goiás e outros mais. Evidentemente, e por mais que me esforçasse, eu não conseguia atender toda esta demanda. Para ajudar meus alunos e os candidatos em geral a entender esta matéria aparentemente complicada, publiquei vários livros de Economia (Manual de Economia, Macroeconomia, Relações Econômicas Internacionais, e outros).

No final dos anos 90, no entanto, com a Economia sendo retirada de muitos concursos públicos de nível superior, resolvi dar uma “parada” em minhas aulas de “cursinhos”. Além de me dedicar a outros projetos profissionais e pessoais, voltei a lecionar Economia em uma Faculdade de minha terra natal, em Minas.

Agora, no entanto, como me parece certo que o próximo concurso de Auditor será novamente unificado, há grande expectativa de que a Economia seja disciplina obrigatória para w.pontodosconcursos.com.br 2 todos os candidatos, e para todas as áreas, com peso significativo, tal como era antes. E se isso se confirmar, como acredito, muitos candidatos terão que dedicar bom tempo de sua preparação a essa disciplina, principalmente aqueles que nunca a estudaram, pois os programas da Esaf sempre exigem tópicos complexos da teoria econômica, acreditem, em nível de mestrado ou até mesmo de doutorado (quem já fez concurso do Banco Central sabe disso).

Em meio a essa expectativa, surgiu o convite do Vicente, meu ex-aluno no ano de 1996, quando se preparava para o antigo AFTN, para a agente realizar esse projeto aqui no site.

Achei ótima a idéia dele e desde então me pus a trabalhar nesse projeto. Embora não tenhamos ainda em mãos o programa que será exigido pela Esaf para o concurso do AFRF, a gente que é do ramo tem uma expectativa razoável do que pode vir a ser exigido de Economia naquele concurso, pois não há muito como fugir dos programas exigidos em outros concursos semelhantes. Assim, depois de muito pensar a respeito, decidimos oferecer dois cursos distintos: Economia I e Economia I.

O Curso de ECONOMIA I será oferecido nos próximos dias, antes da publicação do edital de Auditor da Receita Federal. Nele, tratarei desde tópicos introdutórios da disciplina (para habilitar aqueles não iniciados em Economia a entender o resto do curso) até tópicos intermediários e mais avançados de macroeconomia – que é, ao que supomos, a matéria em que o programa deverá se assentar. Assim, por exemplo, além daqueles tópicos introdutórios, estudaremos os conceitos básicos da contabilidade nacional, o modelo teórico clássico e o modelo keynesiano – que, por sinal, sempre tem sido objeto de questões de provas – o sistema financeiro nacional, o balanço de pagamentos e o sistema cambial, o chamado sistema IS-LM e a atuação das políticas monetária e fiscal.

Todos esses se constituem em tópicos indispensáveis para a realização de qualquer concurso que envolva a macroeconomia. Certamente o curso de ECONOMIA I não w.pontodosconcursos.com.br 3 cobrirá todo o programa de Auditor da Receita, mas, qualquer que seja o conteúdo que venha a ser cobrado pela Esaf, os pontos estudados certamente estarão contemplados nesse programa. E, ademais, ainda que supostamente o edital não cubra todos os tópicos estudados, serão eles indispensáveis para a compreensão dos tópicos mais avançados do edital. Não se estuda o efeito combinado das políticas monetáriafiscal-cambial sobre a economia de um país – um tópico dito mais avançado – sem que se tenha, por exemplo, o conhecimento do que seja elasticidade – conceito este que já é objeto de nossa primeira aula, dita demonstrativa. Também não se pode entender tópicos como “modelos de escolha intertemporal” e “restrições orçamentárias”, sem ter conhecimento de contabilidade nacional e de modelos keynesianos de determinação da renda.

O Curso de ECONOMIA I será oferecido assim que tivermos conhecimento do programa do concurso ou assim que for publicado o edital da Esaf. O nosso Curso de Economia I, então, será um complemento de nosso curso de Economia I, cobrindo todos os pontos faltantes cobrados no edital de Auditor da Receita Federal.

É importante salientar que o curso de ECONOMIA I é imprescindível para qualquer concurso que cobre a disciplina Economia. Já o curso de ECONOMIA I será voltado especificamente para o concurso de Auditor da Receita Federal, onde, com dissemos, complementaremos os pontos faltantes do curso de ECONOMIA I.

Sejam, então, bem-vindos ao estudo da Economia! Procurarei tratar dos diferentes pontos da maneira mais didática possível, como eu sempre fiz em sala de aula, enriquecidos com exemplos do nosso dia-a-dia. Todo mundo vive a economia no seu cotidiano, seja na compra de um carro, na realização de um investimento em moeda estrangeira, ou na compra do arroz-feijão-tomate para o almoço do dia. A sua empregada doméstica pratica economia quando substitui a carne de vaca ou de porco pelo peixe, em virtude da alta w.pontodosconcursos.com.br 4 abusiva do preço da carne. Ou o morango pelo caqui, no período da entressafra. É isso que vamos estudar.

Dito isso, passemos à nossa primeira aula de Economia I.

Neste nosso primeiro encontro vamos tratar de um dos temas mais importantes da teoria econômica e que se aplica a qualquer assunto econômico: a elasticidade. Embora seja um conceito comumente usado no estudo das variações que ocorrem na demanda de um produto quando seu preço varia, ela aparece também no estudo os efeitos da taxa de câmbio sobre as exportações e importações de um país, no efeito da taxa de juros sobre o nível da poupança e do investimento, enfim em praticamente todos os temas econômicos.

Mas, o que vem a ser elasticidade? Qual a sua aplicação e utilidade?

1. O conceito de elasticidade

Na teoria econômica, o termo elasticidade significa sensibilidade. Na realidade, a elasticidade mostra quão sensíveis são os consumidores de um produto X (ou seus produtores), quando o seu preço sofre uma variação para mais ou para menos. Em outras palavras, a elasticidade serve para medir a reação – grande ou pequena – desses consumidores (ou de seus produtores) diante de uma variação do preço do produto X. Neste caso, teríamos a chamada elasticidade-preço da demanda (ou, no caso dos produtores, a elasticidade-preço da oferta) por este produto. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado em relação a uma variação na renda real dos consumidores. Neste caso, estaríamos medindo o quanto a demanda pelo bem X é sensível a uma variação na renda dos consumidores – e teríamos, então, a chamada elasticidade-renda. Mas, não vamos misturar as coisas: Vamos, primeiro, nos fixar no conceito de elasticidade-preço. Depois analisaremos a questão da elasticidaderenda.

2. A elasticidade-preço (Ep) da demanda

É fácil constatar que as pessoas reagem com intensidade diferente diante de variações dos preços dos diferentes produtos. Se o sal sobe de preço, as pessoas não vão deixar de comprá-lo por causa disso e, w.pontodosconcursos.com.br 5 provavelmente, nem vão reduzir a quantidade que costumam comprar desse produto – já que o sal é essencial para elas. Também e por razões diferentes, as pessoas não devem reagir muito a um aumento no preço de uma bala e, aqui, isso se explicaria pelo fato de que o preço da bala é muito baixo e não afeta o bolso do consumidor. Sabe-se, também, que as pessoas não reagem muito a um aumento do preço da gasolina – e, neste caso, isso se deve provavelmente ao fato de que a gasolina, sendo essencial para quem tem carro, não tem um substituto e o jeito é arcar com este aumento. De outra parte, porém, se produtos como automóveis, ou passagens aéreas e outros, subirem de preço, é bastante provável que sua demanda se reduza significativamente.

Com esses exemplos, podemos ver que a reação das pessoas a uma variação do preço de um produto depende muito do tipo de produto. Em alguns casos, a reação pode ser muito grande, em outros pequena e em uns poucos casos nem reação há. E note-se que é importante – para os produtores/vendedores, principalmente – saber se o consumidor do produto X reage muito ou pouco a um variação – aumento ou redução – do seu preço, pois isso vai ajudar o produtor a estabelecer um preço “ótimo” para seu produto – ou seja, um preço onde sua receita pode ser máxima. E para conhecer a elasticidade-preço da demanda pelo produto X é preciso calculá-la. E é o que vamos fazer a seguir.

3. Calculando a elasticidade-preço da demanda

Demanda de XDemanda de Y
1º instante10 100 20 80
2º instante 1260 24 76

Suponha-se o seguinte comportamento da demanda de dois bens X e Y: Px Qdx Py Qdy

Note-se que, entre o primeiro e o segundo instante, o preço de ambos os produtos subiu 20%. No entanto, é fácil verificar que a reação do consumidor – medida pelas quantidades adquiridas (Qd) - foi bastante diferente nos dois casos. Enquanto no caso do produto X, a demanda se reduziu 40% (caindo de 100 para 60), no caso do produto Y a quantidade demandada só se reduziu 5% (caindo apenas 4 unidades de um total de 80).

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que a do produto YEsta sensibilidade – maior ou menor – pode ser

Diante desse exemplo, pode-se concluir que a demanda do consumidor pelo produto X é mais sensível a uma variação do preço do medida pelo chamado coeficiente de elasticidade-preço da demanda (Ep) - que mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto em conseqüência de uma variação percentual em seu preço.

Veja que se trata de variações percentuais na quantidade e no preço e não variações absolutas. Isso porque variações absolutas não nos dizem nada. Um aumento de R$ 10,0 (isto é, uma variação absoluta) no preço de um carro não significa quase nada, ao passo que uma variação de R$ 10,0 no preço do quilo de feijão poderá até derrubar o Ministro da Agricultura.

Matematicamente, a elasticidade-preço da demanda é definida pela fórmula:

Ep = Variação percentual na quantidade demandada Variação percentual no preço

O numerador desta fração – ou seja, a variação percentual na quantidade demandada, é dada por:

e o denominador – isto é, a variação percentual no preço, é dada por:

Assim, temos:

No exemplo numérico acima, nós teríamos no caso do bem X:

E, no caso do bem Y:

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Uma questão que se coloca é a seguinte: para o cálculo da elasticidade, deve-se tomar o preço (P) e a quantidade (Q) originais ou o novo preço e a nova quantidade? Tudo depende da convenção.

Suponha um produto com uma curva de demanda como ilustrado na Figura 1. No ponto A, temos que, ao preço (P) de R$ 10,0 a unidade, a quantidade demandada (Q) é de 100 unidades; no ponto B, ao preço de R$ 6,0, a Q é de 180 unidades.

Figura 1

Agora, suponha que o preço caia de R$ 10,0 (preço inicial) para R$ 6,0 (novo preço) e, em conseqüência, a Qd aumente de 10 unidades (inicial) para 180 (nova quantidade).

Como calcular a elasticidade no arco AB?

A solução no caso é tomarmos a quantidade média (ou, 1001802 +) e o

+ ), e teríamos:

1 Note-se que, na realidade, o valor encontrado seria um número negativo, já que as variações da demanda (40% e 5%) são negativas. Mas, para efeito de interpretação da elasticidade-preço da demanda, o que importa é o valor absoluto desta.

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E Q Qm dio

Pm dio

Alternativamente, ao invés de tomarmos o P e o Q médios, nós poderíamos usar o P e Q originais (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto A), ou então, poderíamos usar o P e o Q novos (mas aí estaríamos medindo a elasticidade no ponto B).

A elasticidade-preço da demanda no ponto A será, então:

Q Ep e a elasticidade-preço no ponto B será:

Por convenção, utiliza-se mais comumente a primeira fórmula, isto é, tomam-se a quantidade e o preço médios, quando se tratar do cálculo da elasticidade-preço no arco A-B (isto é, no intervalo entre os pontos A e B).

4. Classificação da elasticidade e receita total

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