Rev. Industrial

Rev. Industrial

  1. Introdução

A expressão revolução industrial tem sido utilizada para designar um conjunto de transformações econômicas, sociais e tecnológicas que teve inicio na Inglaterra. Desempenhou um papel vital no desenvolvimento do capitalismo. Marcada por intensa acumulação de capitais e por profundas transformações nas formas de produção. Na prática a revolução significou o advento da indústria e da produção em série.

A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituíram a Revolução Industrial; revolução, em função de enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica. Encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção.

A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial. As principais características da sociedade industrial: a organização das mais diversas atividades humanas pelo capital; a predominância da indústria na atividade econômica e o crescimento da urbanização. Com essa revolução surgiram também novas formas de energia, como a eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo. A velha Europa agrária foi se tornando uma região com cidades populosas e industrializadas.

  1. A Revolução Industrial no século XVIII

    1. Fatores Geradores da Revolução

  • As grandes jazidas de ferro e carvão mineral que a Inglaterra possuía, foram um dos fatores que contribuíram para a revolução industrial, bem como o acúmulo de capital gerado por anos de domínio inglês na expansão marítima, durante a chamada revolução comercial, entre os séculos XV e XVIII. Além disso, a revolução comercial foi responsável por uma expansão dos mercados consumidores, fato esse que contribuiu para a consolidação da revolução industrial.

  • A política de cercamentos, que consistia na expulsão dos camponeses por parte da burguesia para cultivar grandes pastagens, usadas na criação de ovelhas, causou um enorme êxodo rural gerando assim uma grande oferta de mão-de-obra, fato atenuado com o aumento da população.

  • O aumento da divisão do trabalho que se caracterizou pela passagem do artesanal para a manufatura, fez com que surgisse a necessidade do uso crescente das máquinas, para que houvesse agilidade na fabricação do produto já que, a demanda do mercado era crescente.

  • Após a abolição dos direitos feudais durante a Revolução Gloriosa a burguesia capitalizada, permite por ter condições favoráveis, a expansão marítima. Possuindo um grande poderio naval e uma boa localização a Inglaterra podia usufruir de mercados na África, nas Índias e nas Américas para exportar seus produtos e importar matéria prima. Tudo isso favorecia a conquista dos mercados ultramarinos.

    1. A Revolução

  • A revolução tem seu início, quando os artesões começam a substituir suas ferramentas por máquinas de pequeno porte, que já aceleram o ritmo da produção. A partir deste momento as máquinas evoluem constantemente de forma que torna-se impossível, ter essas máquinas em casa, devido ao seu tamanho e da necessidade de uma fonte de energia de maior potência como por exemplo a roda de água, dando início a produção em galpões e fábricas.

  • A partir deste momento surgem os patrões e os artesões, antes donos da produção, passam a ser assalariados e cumprem jornadas de trabalho extensas. A fabricação passa a ser dividida, cada pessoa agora é responsável por uma parte da produção e não mais da confecção da peça como um todo, o que torna a produção ainda mais eficaz e barateia o seu custo, possibilitando assim o acesso que uma grande parcela da polução aos produtos agora industrializados, aumentando assim o mercado consumidor.

    1. Mecanização da Produção

  • A necessidade de aumentar a produção cresce, as invenções surgem dia após dia. Segundo Cláudio Vincentino, “... as principais invenções mecânicas do período destacam-se a máquina de fiar, de James Hargreves, de 1767, capaz de fiar 80 quilos de fios de uma só vê sob os cuidados de um só operário; o tear hidráulico, de Richard Arkwright, de 1768, aprimorado por Samuel Crompton, em 1779; e o tear mecânico, de Edmund Cartwright, de 1785.”. Posteriormente o ferro é usado na confecção das máquinas, aumentando a sua durabilidade e trazendo mais uma inovação, para as fábricas. Surge a máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt, em 1765. A partir daí a revolução se espalha para outros setores. “Em 1805, o norte-americano Robert Fluton revolucionou a navegação marítima criando o barco a vapor e, em 1814, George Stephenson idealizou a locomotiva a vapor. Na década de 1830, começam a circular os primeiros trens de passageiros e cargas, além disso, a impressão de jornais, revistas e livros com o uso de vapor desenvolveu as comunicações e a difusão cultural, que, por sua vez, permitiram o surgimento de novas técnicas e invenções.” Relantam Cláudio Vincentino e Gianpaolo Dorigo.

    1. A Revolução Social

  • As fábricas utilizam máquinas cada vez mais modernas, o que contribui para um baixo salário e o aumento do desemprego, causando insatisfação por parte dos operários que também sofrem com péssimas condições de trabalho, causando insatisfação. Motivos que levaram a criação das trade unions, sindicatos.

  • Os primeiros sindicatos, se rebelavam, quebrando as máquinas e queimando as fábricas, fato que foi duramente reprimido pelo governo. A partir de uma maior organização, os sindicatos, passam a fazer reivindicações para melhorar as condições de trabalho, conseguem a redução da jornada de trabalho, proibição do trabalho infantil e o direito a greve. Engels em sua obra Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico ressalta: “Todos os movimentos sociais, todos os progressos reais registrados na Inglaterra no interesse da classe trabalhadora estão ligados ao nome de Owen. Assim, em 1819, após cinco anos de grandes esforços, conseguiu que fosse votada a primeira lei limitando o trabalho da mulher e das crianças nas fábricas. Foi ele quem presidiu o primeiro congresso em que as trade unions de toda a Inglaterra se fundiram numa única e grande organização sindical”.

    1. A Produção Enxuta

  • A necessidade de lucro aumenta, a produção passa a ser em série e cada vez mais especializada, aumentando a eficiência e barateando o custo final do produto. Surgem as esteiras na linha de produção, dinamizando ainda mais a montagem. Citando Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo, no livro, História para o ensino médio: “Implantada inicialmente na indústria automobilística Ford, nos estados Unidos, as esteiras levavam o chassi do carro a percorrer toda a fábrica. Os operários distribuíam-se lateralmente e montavam o carro com peças que chegavam a suas mãos em outras esteiras rolantes. Esse método de racionalização da produção foi chamado de fordismo,...”. Essa produção em série gerou uma grande concentração econômica que fez surgir holdings (grupos de empresas financeiras que possuem o controle sobre outras empresas por possuírem maior parte de suas ações), cartéis (associação de empresas que estabelecem divisão de mercados e definem preços para evitar concorrência) e trustes (grandes companhias que se fundem para dominar o mercado).

  • Surgem técnicas cada vez mais inovadoras na linha de produção, que visam exclusivamente tornar mais eficiente e rápida a confecção do produto, barateando o seu custo. A administração ganha importância nesse período. Porém com a necessidade de um acompanhamento mais especifico da produção em si, surge a Engenharia de produção, que traz uma série de técnicas novas, visando maior eficiência nos recursos humanos e de materiais. Que ganha impulso numa terceira fase da revolução já no século XX, e desenvolve ciências baseadas, na eficiência da produtividade, como a microeletrônica, a robótica, a química fina e a biotecnologia.

  1. Conclusão

Logo após a Revolução Industrial além do crescimento da quantidade de fábricas o que crescia também era a necessidade de se organizar e administrar os complexos de produção. As conseqüências ficaram claras, a hegemonia inglesa havia gerado uma acirrada disputa entre as potências, corrida imperialista que mais tarde culminou na Primeira Guerra Mundial e o que aconteceu mudou para sempre mudou para sempre a forma do homem de pensar, trabalhar e produzir. Levando em consideração todo esse processo de transformações e inovações percebemos que a industrialização e o surgimento dos estudos da Engenharia de Produção e da Administração auxiliaram os grandes empresários a produzirem e ganharem mais investindo em gastos muito menores porém suficientes.

  1. Bibliografia

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