apostila de patologia clinica

apostila de patologia clinica

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Concentração hemoglobínica globular média (CHGM)

É uma medida da concentração de hemoglobina nas hemácias. Expressa a taxa de peso da hemoglobina em relação a um dl de eritrócitos, e não a um dl de sangue total. Se está normal ou diminuído, define morfologicamente se o eritrócito é normocrômico ou hipocrômico.

O CHGM é calculado pela divisão do teor de hemoglobina em 1.0 ml de sangue (g/dl x 100) pelo Hc. Os resultados são expressos em g/dl ou g/%. Portanto, a fórmula é:

CHGM: Hb x 100 / Hc Hemoglobina Globular Média (HGM)

Indica o conteúdo hemoglobínico de cada hemácia, sendo porém o peso da hemoglobina em uma célula média. É menos preciso que o CHGM, pois é calculado por dois índices menos sensíveis, que são a dosagem de hemoglobina e contagem total de hemácias. É de pouco valor prático direto.

O HGM é calculado pela divisão do teor de hemoglobina em 1.0 ml de sangue (g/dl x 10) pelo número de hemácias em milhões. Os resultados expressos em picogramas (pg). Portanto, a fórmula é:

HGM: Hb x 10 / no He (106)

Bibliografia

1) JAIN, H.C. Schalm's Veterinary Hematology, Lea & Febiger, 4 ed, Philadelphia, 1986, 1221p.

2) NAVARRO, C.E.K.G., PACHALY, J.R. Manual de Hematologia Veterinária. Livraria Varela, São Paulo, 1994, 163p.

Literatura recomendada

1) JAIN, H.C. Schalm's Veterinary Hematology, Lea & Febiger, 4 ed, Philadelphia, 1986, 1221p.

Avaliação das anemias

Índice

Introdução Sintomatologia clínica Colheita Classificação das anemias Hemoparasitas Intensidade da anemia Bibliografia e leitura recomendada

Introdução

Pode-se caracterizar anemia quando a contagem de eritrócitos, a dosagem de hemoglobina e a determinação do hematócrito demonstrarem valores abaixo dos normais. Estes valores normais ou de referência são caracterizados de acordo com a espécie, raça, sexo e idade. No pedido enviado ao laboratório ou na realização do exame a anotação da espécie é imprescindível, pois a variação dos valores entre os animais é muito grande. Estes valores estão relacionados com o tamanho dos eritrócitos e conseqüentemente, com o conteúdo de hemoglobina. Por exemplo, quando compararmos os eritrócitos de cães e dos caprinos veremos que, os eritrócitos dos caprinos por serem menores, em um mesmo volume serão em maior número. Por outro lado, o conteúdo de hemoglobina está relacionado com a atividade animal isto é, animais mais lépidos como os cães e os cavalos tendem a ter conteúdo maior de hemoglobina que os bovinos. Animais de mesma espécie também apresentam variações; os cavalos utilizados para corrida apresentam os eritrócitos maiores que os animais de trabalho ou tração; os cães da raça Akita apresentam eritrócitos menores, enquanto que os da raça Poodle apresentam eritrócitos maiores em relação ao tamanho médio para a espécie. A idade é outro parâmetro importante a ser observado; os animais recém nascidos possuem eritrócitos maiores, ainda de origem fetal que são substituídos gradativamente durante as primeiras semanas de vida. A variação entre sexos é discreta podendo haver variações durante a gestação devido a hemodiluição inerente a gestação.

Sintomatologia clínica

O animal anêmico apresenta mucosas pálidas e, dependendo da intensidade, pode-se observar também fraqueza, aumento da freqüência e sopros cardíacos, depressão mental e sede. Tais sintomas são relacionados com a reduzida capacidade de oxigenação sangüínea devido aos valores reduzidos da taxa de hemoglobina e dependerão da intensidade da mesma. Pela resistência individual de alguns animais, de mesma espécie ou não, o quadro de anemia pode ser assintomático.

Colheita

Para avaliação adequada das anemias é importante que a amostra seja colhida e manuseada corretamente, pois caso contrário os resultados podem ser alterados total ou parcialmente. Primeiramente, não estressar muito os animais, em especial os cavalos e os gatos, a contração esplênica resultante lançará eritrócitos na corrente sangüínea alterando o valor do eritrograma.

A relação sangue-anticoagulante deve ser correta, pois volumes maiores do anticoagulante podem diluir a amostra e alterar a característica das células, como por exemplo, o excesso de EDTA pode causar encolhimento dos eritrócitos.

Estase prolongada provoca hemoconcentração, pressão exagerada no êmbolo da seringa causará hemólise diminuindo o valor do volume globular e aumentando o valor da hemoglobina além de aumentar a densidade ótica da amostra. A observação de jejum é muito importante, pois a lipemia pós prandial pode aumentar a fragilidade osmótica dos eritrócitos tornando-os facilmente lisáveis.

Classificação das anemias

As anemias podem ser divididas em relativas e absolutas. As anemias relativas são aquelas nas quais não há redução da massa celular, ocorre apenas expansão do volume plasmático. Situam-se nestes casos, as fêmeas gestantes, os neonatos e os animais submetidos a fluidoterapia. Por outro lado as absolutas são também chamadas de anemias verdadeiras onde verifica-se redução da massa celular e são classificadas baseando-se na resposta medular, na morfologia e coloração dos eritrócitos e na patofisiologia.

Classificação baseada na resposta medular

Está relacionada totalmente com a resposta reticulocitária, que está na dependência da produção e liberação da eritropoetina renal e ou hepática, variando de acordo com a espécie. Baseado na resposta as anemias são consideradas regenerativas, pouco regenerativas e arregenerativas. As anemias regenerativas são aquelas onde se verifica resposta satisfatória da medula óssea, com produção e liberação de células jovens, como no caso das anemias hemolíticas e perdas sangüíneas por parasitas ou traumas. As pouco regenerativas são aquelas nas quais se verifica diminuição dos precursores eritróides havendo pouca resposta a estímulos. Ocorre nas deficiências de vitamina B12 e acido fólico, vitamina B6 e deficiência de ferro. Já nas anemias arregenerativas não se observam precursores eritróides medulares, não há resposta a estímulos como nas anemias aplásticas. No caso particular dos cães, a deficiência de eritropoetina na insuficiência renal crônica grave não gera estímulos para o desenvolvimento e divisões da célula tronco e linhagens, causando depressão medular, pois nesta espécie a produção de eritropoetina é somente renal. Podem ser também causadas por eritropoiese ineficaz isto é, ocorre aumento dos precursores eritróides, mas os eritrócitos formados não são liberados na circulação, devido a sua destruição intramedular pelo sistema fagocitário mononuclear ou por algum defeito de maturação. Podem ter origem em alguma doença primária medular como neoplasias, aplasia eritróide, anemia aplástica; ser de origem nutricional ou causadas por algum dano medular, seja químico e uso de drogas. As doenças nutricionais, tais como deficiências de vitaminas B12 e B6, de ferro, cobalto e cobre geralmente são reversíveis bastando para isso corrigir a causa. Por outro lado as outras causas podem provocar lesões irreversíveis nas células tronco eritropoiéticas. Essas causas podem ser doenças hepáticas, renais, radiação, tóxicos (samambaia, estrógenos, chumbo), doenças mieloproliferativas, medicamentos (quimioterápicos, fenilbutazona, sulfatrimetropina).

A avaliação do sangue periférico de cada animal oferece indícios da resposta medular: nos cães e gatos encontra-se policromatofilia (indicando reticulocitose); nos cavalos observa-se macrocitose e anisocitose mas não se observa policromatofilia (por não haver liberação de reticulócitos na corrente sanguínea); nos ruminantes observa-se ponteado basófilo e, nos suínos, policromatofilia.

A avaliação reticulocitária deve ser relacionada com a espécie em questão, já que são encontrados normalmente no sangue periférico de cães, raramente em ruminantes e não são encontrados em cavalos. A resposta reticulocitária em cães é bastante acentuada permitindo avaliar bem a resposta medular; em ruminantes poucos reticulócitos já são patognomônicos de resposta medular. A avaliação nos eqüinos é feito pelo exame da medula óssea e ainda, existem atributos bioquímicos celulares nas células destes animais que podem ser medidas.

Classificação morfológica.

É baseada na morfologia do eritrócito e sua concentração de hemoglobina, utilizando-se os índices hematimétricos VGM e CHGM.

Normocítica e normocrômica

Neste tipo de anemia verifica-se pouca ou nenhuma resposta medular, sendo consideradas arregenerativas, ou pouco regenerativas. Geralmente ocorre em doenças crônicas:

• doenças inflamatórias: doenças renais com uremia, doenças endócrinas, neoplasias, doenças hepáticas, enfim doenças que podem afetar o funcionamento medular ou o estímulo para produção de hemácias; • doenças parasitárias que são depressoras de medula como erliquiose e leishmaniose;

• doenças mieloproliferativas;

• viroses imunodepressoras e depressoras da medula óssea como cinomose, parvovirose;

Macrocítica e normocrômica

Relacionada com deficiência de vitamina B12 e ácido fólico. Com a deficiência vitamínica não há síntese normal de DNA, as células não apresentarão divisões normais, encontrando-se células maiores na corrente sanguínea. Como a produção de hemoglobina é normal, o núcleo com crescimento contínuo é por fim estrusado, dando origem a células maiores. Pode ocorrer em doenças hepáticas, mieloproliferativas, com o uso de algumas drogas e por distúrbios nutricionais. Ocorre na deficiência de cobalto em ruminantes; pois este mineral é essencial na síntese de vitamina B12 no rumem. A macrocitose e normocromia pode ser ocorrência normal em cães da raça Poodle.

Macrocítica e hipocrômica

Geralmente são regenerativas quando ocorre aumento da produção de reticulócitos. A reticulocitose contribui para o aumento do VCM e diminuição do CHCM.

Microcítica e normocrômica

Inicio da deficiência de ferro. Microcitose e normocromia é característica dos eritrócitos de cães da raça Akita.

Microcítica e hipocrômica

Ocorre nas deficiências de ferro, cobre e piridoxina (vitamina B6). Nas deficiências de ferro ou falhas na sua utilização não haverá produção normal de hemoglobina e havendo demora na hemoglobinização não haverá parada na síntese de DNA, ocorrendo mitoses extras, aparecendo células menores com pouca hemoglobina na corrente sangüínea. O ferro faz parte da molécula de hemoglobina e o cobre é co-fator da enzima ácido d aminolevilínico (ALA) requerida para síntese do heme, além de componente principal da ceruloplasmina, enzima responsável pela transferência do ferro das células da mucosa intestinal para a transferrina, proteína de transporte plasmático. A deficiência de ceruloplasmina dificulta também a transferência do ferro dos macrófagos e do fígado para o plasma. A piridoxina é necessária para a eritropoiese , principalmente porque serve de co-fator para a síntese do ácido d aminolevilínico que faz parte da biogênese do heme. Ocorre em perdas de sangue crônicas como nas lesões gastrointestinais, neoplasias, desordens de coagulação, infestação de ecto e endo parasitas hematófagos tais como carrapatos, piolhos, pulgas e vermes.

Classificação patofisiológica

Perdas sangüíneas (hemorragias) podem agudas ou crônicas e esta diferenciação depende da rapidez da instalação do processo. Um animal pode perder até 25% do seu conteúdo sangüíneo rapidamente ou cerca de 50% se esta perda for lenta (cerca de 24 horas) sem comprometimento fisiológico. São exemplos de perdas por hemorragias:

• traumas e procedimentos cirúrgicos; • defeitos de coagulação: envenenamento por samambaia, trevo doce, veneno de rato (dicumarol), trombocitopenias; • parasitas, neoplasias, ulcerações intestinais;

• hemoparasitas: babesiose, ehrlichiose, anaplasmose, hemobartonelose.

Anemias hemolíticas também tem caráter agudo e crônico e geralmente tem caráter regenerativo. Causas:

• hemoparasitas; • anemias hemolíticas imunomediadas;

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