Exame fisico do rn

Exame fisico do rn

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6.10-Região Cervical: Verificar forma, simetria e mobilidade do pescoço, presença de cistos, fístulas e tumores. Palpar clavículas pois fratura de clavícula pode acontecer ,em partos vaginais, principalmente em RNs grandes. Inclinação permanente e involuntária da cabeça pode ocorrer em TORCICOLO congênito.

7-Tórax:

Inspeção: A forma do tórax no RN é arredondada, observar assimetrias, escavações ou abaulamentos, retrações costais. O tipo respiratório do RN é abdominal. A freqüência respiratória é em média de 45mrpm(45 a 55rpm) e deve ser contada em um minuto, pois a respiração do RN é irregular.

Palpação: Frêmito cardíaco e tóraco-vocal (durante o choro). Localizar o ictus cordis , no RN normal, entre terceiro e quarto EIE, para fora da linha hemiclavicular, avaliar sua sede extensão e força.

Percussão: No RN faz-se a percussão em casos de suspeita de pneumotórax, quando teremos timpanismo.

Ausculta pulmonar: Auscultar simétrica e comparativamente todos os campos pulmonares.

Exame pulmonar

Inspeção: é o item semiológico de maior valor no exame pulmonar. Avaliar o padrão respiratório quanto à freqüência, amplitude dos movimentos, tiragem, retração xifoidiana, batimentos de asas do nariz, estridor expiratório, gemido. Utilizar o Boletim de Silverman-Anderson (Fig 1)

Parâmetros

0

1

2

Gemência

Ausente

Audível com esteto

Audível sem esteto

Batimento de asa de nariz

Ausente

Discreto

Acentuado

Tiragem intercostal

Ausente

3 últimas intercostais

Mais de 3 intercostais

Retração esternal

Ausente

Discreta

Acentuada

Balancim

Ausente

Discreto

Acentuado

Fig 1: Boletim de Silverman-Anderson

Sinal da “dançarina do ventre” – avalia paralisia diafragmática unilateral. Na expiração completa o umbigo deve tocar uma caneta situada sobre o mesmo. Na inspiração o umbigo se deslocará para cima e para o lado paralisado.

Ausculta : deve ser bilateral e comparativa. Auscultar as regiões axilares. Avaliar a presença de creptos roncos e diminuição do murmúrio vesicular.

Ausculta cardíaca : Auscultar os 4 focos cardíacos, avaliando o ritmo o número de bulhas e a fones, observar a presença de sopros. A ausculta deve ser feita em todo o precórdio e regiões vizinhas. Contar a FC que no RN é de 120 +/- 20bpm.

7.1- Pulsos: Palpar pulsos radial, femoral e pedioso avaliando a amplitude. Pulso femoral e pedioso ausente com radial vigoroso é indicativo de Coartação da Aorta.

7.2-. Abdome: Inspeção : forma ( no RN é globoso saliente e flacido; abdome escavado pode significar hérnia diafragmática que é uma situação de urgência ), distensão, peristaltismo visível, circulação colateral, hérnias. Examinar com atenção o coto umbilical, devem estar presentes duas artérias e uma veia ( a presença de artéria umbilical única sugere a existência de outras malformações congênitas especialmente do trato geniturinário), onfalocele congênita ( massa ao nível do cordão umbilical tendo em seu conteúdo órgãos abdominais, revestida pelo peritônio, deverá ser feita a diferença com gastrosquise que é uma massa também com conteúdo de órgãos abdominais mas lateral ao coto umbilical). A queda de o coto umbilical ocorrera entre 7 e 10 dias.

Ausculta: Identificar os ruídos hidroaéreos, sua exacerbação ou ausência.

Palpação: Inicia-se fazendo a palpação superficial. Verificando a sensibilidade e tensão. Na palpação profunda tenta-se identificar massas ou organomegalias. No RN a ponta do baço pode ser palpável sem significado patológico. O fígado é palpável cerca de 2cm do RCD. Os rins podem ser palpáveis no RN. As massas abdominais mais comuns detectáveis no Rn são : hidronefrose, rins multicísticos ou policísticos.

Percussão: Normalmente o som é timpânico, quando o timpanismo está aumentado pode ser sinal de pneumoperitônio, obstrução intestinal, aerofagia . macicez é encontrado em casos de massa abdominal.

7.3-Região Inguinal : Hérnias e gânglios

7.4-Genitália : Menino: Identificar a abertura da uretra, quando ocorre o desenvolvimento incompleto resulta em hipospádia ( abertura uretral na face inf. do pênis) ou epispádia ((abertura uretral na face dorsal do pênis). Fimose é a impossibilidade de exteriorizar completamente a glande é considerado normal até os 3 primeiros anos de vida. Palpar os testículos na bolsa escrotal, caso não estejam presentes na bolsa podem ser apenas retráteis ( quando consegue-se trazer o testículo para a base da bolsa escrotal), ou criptorquidia (incapacidade do testículo descer até a bolsa);hidrocele (acúmulo de liquido na bolsa escrotal que , na maioria das vezes reabsorve espontaneamente).

Menina : Avaliar pequenos e grandes lábios, por ocasião do nascimento , até os primeiros dias de vida ocorre um edema local ,clitóris relativamente desenvolvido , presença de secreção e sangue saindo da vagina decorrentes de fenômenos hormonais fisiológicos . Avaliar a membrana hímenal , em caso de imperfuração geralmente não dá qualquer manifestação até a puberdade , hidrocolpos é um cisto móvel fazendo saliência entre os lábios vaginais e decorre da retenção , pelo hímen imperfurado, da secreção uterina.

7.5-Anus / Região Sacrococcígea: avaliar prolapso, imperfuração e fístulas anorretais. Observar na região sacrococcígea: seio pilonidal, spina bífida, meningocele, mielomeningocele, e teratomas.

7.6Músculos e articulações : Força e mobilidade de todos os membros. O RN é levemente hipertônico. Testar a mobilidade do quadril fazendo as manobras de Ortolani e Barlow.

7.8- Membros Sup. e Inf. : Examinar dedos e artelhos. Observar e palpar musculatura.

8- EXAME NEUROLÓGICO :

O exame neurológico inicia pela avaliação do sensório ( alerta, irritado, deprimido, torporoso, letárgico, comatoso...). Após avaliar a posição ou atitude; geralmente a posição é de flexão mas pode variar em função da apresentação no parto ( cefálica, pélvica, de face ). A movimentação dos membros não é coordenada, em decúbito ventral há lateralização da face. Pequenos tremores finos são fisiológicos , se forem grosseiros e persistentes devem ser investigados pois podem estar relacionados com distúrbios metabólicos como hipoglicemia e hipocalcemia. O tônus muscular é um guia importante na avaliação neurológica e na sua evolução : o RN normal a termo é hipertônica; o prematuro hipotônico e o pósmaturo muito hipertônico em condições normais . Há uma série de reflexos próprios do RN e que são chamados de transitórios porque, à medida que o SNC vai se desenvolvendo vão desaparecendo. Devem ser obrigatoriamente testados em todos os RNs.

REFLEXOS PRÓPRIOS DO RN :

8.1 Reflexo de Moro: “reflexo do abraço”, é um movimento global do qual participam os membros sup. e inf. ; é facilmente provocado por um som ou soltando-se subitamente o RN que estava seguro nos braços. A coluna vertebral arqueia-se para trás, a face mostra surpresa, os braços e mãos se abrem, encurvam-se para frente num movimento que simula um abraço; as pernas se estendem e depois e depois se elevam; pode acompanhar-se de choro. A ausência ou redução deste reflexo indica grave lesão do SNC. Quando assimétrico pode significar paralisia braquial, sífilis congênita ( pseudo paralisia de Parrot) ou fratura de clavícula ou úmero. Desaparece aos 3-4 meses de idade.

8.2 Reflexo da Preensão Palmar e Plantar: o examinador pressiona com a polpa digital as regiões palmar e plantar do RN; a resposta palmar é a flexão dos dedos abraçando os dedos do examinador, já a resposta plantar na flexão dos artelhos em direção à sola do pé. O reflexo palmar desaparece entre o 4 e 6 mês. O reflexo plantar desaparece até os 6 meses.

8.3 Reflexo da Fuga à asfixia: colocando-se o RN em decúbito ventral, de modo que as narinas fiquem obstruídas pelo plano onde está deitado, o RN faz uma rotação da cabeça para respirar melhor.

8.4 Reflexo da Sucção: ao tocar-se os lábios do RN com um objeto, produz-se vigorosos movimentos de sucção. Pode estar ausente nos prematuros. Desaparece aos 3 meses em vigília e aos 6 meses no sono. Sua ausência no Rn a termo indica lesão cerebral.

8.5 Reflexo de Fossadura: também chamado da procura ou dos pontos cardeais: excitando uma das bochechas do RN com o dedo, ele vira a face para o lado estimulado, abrindo a boca, procurando sugar.

8.6 Marcha Reflexa: sustentando-se o RN sob as axilas em posição supina, encosta-se um dos pés do RN sobre o plano. Este contato vai desencadear uma flexão do outro membro inf. Que se adianta e vai tocar o plano à frente, desencadeando uma sucessão de movimentos que simula a deambulação. Desaparece aos 2 meses.

8.7 Cutâneo Plantar: pesquisa-se riscando, com a unha ou estilete, a sola do pé do RN na sua borda externa, desde o calcanhar até a ponta. Aproximadamente até um ano de idade, o reflexo cutâneo plantar se faz em extensão, os dedos se estendem e se abrem em leque, simulando o sinal de Babinsky.

8.8 Reflexo de reptação ou Propulsão: coloca-se o RN em decúbito ventral; as mãos do examinador apoiam a planta dos pés do RN; este reage, deslocando-se para frente, simulando um engatinhar.

9-CLASSIFICAÇÃO DO RN:

O recém-nascido é avaliado em relação à idade gestacional pelos critérios de Capurro que leva em consideração apenas características físicas do RN, já o método de Ballard avalia o RN em relação às características físicas e neurológicas o que dá uma melhor correlação com a idade obstétrica e permite determinar a idade gestacional de prematuros extremos, o que não acontece com o método de capurro.

O tempo de gestação classifica o RN em :

A termo: idade gestacional de 37 a 42 semanas

Pre-termo: idade gestacional inferior a 36 semanas e 6 dias

Pós-termo: idade gestacional superior a 42 semanas

A classificação do estado nutricional é feita associando-se idade gestacional (IG) com o peso de nascimento (PN) e utilizando-se a curva de Lubchenco( a mais usada) , ainda as curva de Usher ou de Alexander, pode-se classificar os RNs em 3 categorias:

PIG (pequeno para idade gestacional)= PN abaixo do percentil 10 da curva .

AIG (adequado para idade gestacional)= PN entre os percentil 10 e 90 da curva.

GIG (grande para idade gestacional)= PN acima do percentil 90 da curva.

A classificação do estado nutricional do RN é importante para identificar aqueles com risco para hipoglicemia e policitemia nos GIGs . Nos PIGs ocorre hipoglicemias, anomalias congênitas e infecções congênitas (e.g toxoplasmose, rubéola , sífilis ).

Referencias bibliográficas

Pofº Ana Carolina Dias Vila.Material Didático,EXAME FISICO DO RN.2008

http://www.sbp.com.br/show_item.cfm?id_categoria=7&tipo=I

http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/imagepage/1127.htm

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