Diversidade Florística de Pteridófitas ´da Área de Proteção Amabiental do Inhamum, Caxias, Maranhão, Brasil

Diversidade Florística de Pteridófitas ´da Área de Proteção Amabiental do Inhamum,...

Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5, supl. 2, p. 411-413, jul. 2007

1. Bolsista do Laboratório de Biologia Vegetal, Universidade Estadual do Maranhão, Praça Duque de Caxias s/n, Morro do Alecrim, CEP 65600-0,

Caxias, MA, Brasil. E-mail: rozijanef@hotmail.com 2. Prof°. do Departamento de Química e Biologia da Universidade Estadual do Maranhão, Praça Duque de Caxias s/n, Morro do Alecrim, CEP 65600- 0, Caxias , MA, Brasil. 3. Bolsista do Laboratório de Biologia Vegetal da Universidade Estadual do Maranhão 4. Profª. do Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará. E-mail: lilazarat@hotmail.com Apoio financeiro: FAPEMA

Diversidade Florística de Pteridófitas da

Área de Preservação Ambiental do

Inhamum, Caxias, Maranhão, Brasil

Rozijane Santos Fernandes1, Gonçalo Mendes da Conceição2, Eliete Silva Brito3 e Eliete Lima de Paula-Zárate4

Introdução

As Pteridófitas constituem um grupo relativamente importante estimando-se o total de espécies no mundo como sendo 9.0 (há quem estime 10.0 a 12.0 espécies), das quais cerca de 3.250 ocorrem nas Américas. Destas, cerca de 30% podem ser encontradas no território brasileiro, que abriga inclusive um dos centros de endemismo de pteridófitas do Continente [1].

No Nordeste brasileiro, a flora pteridofítica tem sido estudada principalmente, nos Estados de Pernambuco, Alagoas, Ceará e Bahia, onde se percebe uma significativa diversidade. O Estado do Maranhão possui uma grande diversidade florística e vegetacional dentro de sua compartimentação territorial. No que se refere à flora pteridofítica, em especial, são raros os registros de sua ocorrência neste Estado, citando apenas o trabalho de Bastos & Cutrin [2].

O presente trabalho tem como objetivo contribuir para o conhecimento florístico e ecológico da Pteridoflora da Área de Preservação Ambiental do Inhamum Caxias, no Estado do Maranhão.

Material e métodos

A. Área de estudo

A Área de Preservação Ambiental (APA) do

Inhamum localiza-se à margem esquerda da BR-316, aproximadamente, 2 km do perímetro urbano de Caxias, Maranhão. Possui uma área de ca. 4.500 ha. Localiza-se entre as coordenadas 04º 53’ 30’’ de latitude S e 43º 24’ 53’’ de longitude W.

Há dois tipos de vegetação bem distintas na reserva: a mata ciliar, no entorno do riacho do Inhamum, com árvores de grande porte mostrando-se predominante e a vegetação do tipo cerrado, após a mata ciliar, caracterizada por árvores tortuosas de pequeno porte, arbusto e gramíneas.

A (APA) do Inhamum tem um alto potencial hídrico, com várias coleções de águas formando piscinas naturais ao longo de toda sua extensão.

B. Coleta e tratamento do material botânico

As coletas foram realizadas bimestralmente, por um período de 12 meses (entre agosto de 2005 e julho de 2006), onde previamente foram selecionadas oito estações em trilhas já existentes na Área, e então feito o levantamento das pteridófitas ocorrentes nesta APA. As amostras, coletadas em cinco duplicatas para cada espécie, devidamente etiquetadas, ficaram mantidas sob refrigeração para posterior análise. Uma parte das amostras foi herborizada seguindo as técnicas empregadas por [1]. A outra parte passou por uma análise taxonômica.

A classificação da forma biológica das espécies é baseada em [3] adaptada de [4] e, especialmente, para o táxon Lygodium, adotamos a concepção de [5] classificando-o como volúvel. Para a identificação do material utilizou-se a bibliografia especializada. O sistema de classificação adotado para as famílias foi o proposto por [6].

Resultados e discussão

De acordo com o estudo da pteridoflora da Área de

Preservação Ambiental do Inhamum, foram determinadas, 13 espécies distribuídas em nove famílias, e 10 gêneros (Tabela 1). A família que apresentou o maior número de espécies foi Thelypteridaceae com três espécies do gênero Thelypteris, seguida por Davalliaceae e Pteridaceae com duas espécies cada. Com relação à forma de vida das espécies da área estudada foram observadas as seguintes formas biológicas: epífita, geófita, hemicriptófita, volúvel e helófita. A maioria das espécies apresenta-se como hemicriptófita (6 spp .) e as demais se enquadram nas outras formas de vida. Um destaque para Nephrolepis biserrata que ocorre nas formas hemicriptófita e epífita na área estudada. (Tabela 1).

O número de espécies coletadas para a área de estudo revelou-se bastante representativo, por tratar-se do segundo estudo sistemático sobre a flora de pteridófitas do Maranhão, acrescentando sete novos registros para o Estado (Figura 1 a-d).

Agradecimentos

Os autores registram seus agradecimentos a FAPEMA- Fundação de Amparo a Pesquisa e ao

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Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão e CESC/UEMA- Centro de Estudo Superiores de Caxias/ Universidade Estadual do Maranhão pelo apoio e a disponibilização dos recursos necessários que viabilizaram a realização do presente trabalho.

Referências

do Estado de São Paulo: Guia para estudo e excursõesSão José do

[1] WINDISCH, P. G. 1990. Pteridófitas da Região Norte Ocidental Rio Preto, UNESP, 108p.

with Especial Reference to Tropical AméricaNew York: Espring-
Verlag867p.

[2] BASTOS, C. C. C. & CUTRIN, M. V. J. 1999. Pteridoflora da Reserva florestal do Sacavém, São Luis – Maranhão. Bol Mus. Para.Emílio Goeldi, ser.Bot. 15 (1): 3-37. [3] SENNA, R. M. & WAECHTER, J. L. 1997. Pteridófitas de uma floresta com araucária. 1. Formas biológicas e padrões de distribuição geográfica. Iheringia, série Botânica. Porto Alegre, 48: 41-58. [4] MUELLER-DOMBOIS, D & ELLENBERG, H. 1974. Aims and Methods of Vegetation Ecology, New York, Wiley and Sons. 547 p. [5] SOTA, E. R. de La. 1971. El epifitismo y las Pteridófitas en Costa Rica (America Central). Nova Hedwigia, Lehre,v. 21:p. 401- 465. [6] TRYON, R. M. & TRYON, A. F. 1982. Ferns and Allied Plants

Tabela 1. Lista de famílias, espécies e formas de vida coletadas na Área de Preservação Ambiental do Inhamum, Caxias, Maranhão. Legenda para as formas de vida: EPI: epífita; GEO: geófita; HEL: helófita; HCR: hemicriptófita; VOL: volúvel.

Família Nome Científico Forma de vida

Blechnaceae Blechnum serrulatum Rich. GEO Davalliaceae Nephrolepis biserrata (Sw.) Schott HCR N. rivularis (Vahl.) Mett.ex. Krug HCR

Dennstaedtiaceae Lindsaea lancea (L.) Beddome HCR Hymenophyllaceae Trichomanes cristatum Kaulf. HCR

Lycopodiaceae Lycopodiella cernua (L.) Pichi-Sermolli. GEO Polypodiaceae Phlebodium aureum (L.) J. Sm. EPI

Pteridaceae Adiantum deflectens Mart. HCR

Pityrogramma calomelanos (L.) Link HCR Schizaeaceae Lygodium venustum Sw. VOL

Thelypteridaceae Thelypteris cf. interrupta (Willd.) K. Iwats. HEL

T. patens (Sw.) Small HCR T. reticulata (L.) Proctor HCR

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Figura 1. Fotos de quatro representantes de pteridófitas da Área de Preservação Ambiental do Inhamum, que estão entre os novos

413 registros para o Estado do Maranhão. a. Trichomanes cristatum, b. Thelypteris reticulata, c. Phlebodium aureum, d. Thelypteris patens.

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