Notas de aula de macro III

Notas de aula de macro III

(Parte 1 de 10)

UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA

CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS – CESA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

ANÁLISE MACROECONÔMICA III
NOTAS DE AULA

Prof. Anderson da Silva Rodrigues

1. Ciclo e Crescimento Econômico

Em Análise Macroeconômica III, iremos nos deter sobre duas questões importantes da teoria econômica:

  1. Porque as economias crescem?

  2. Porque há flutuações no produto?

O gráfico abaixo apresenta melhor estas questões

Como podemos perceber, o nível de atividade econômica apresenta comportamento cíclico (com fases de boom (auge) e recessão). A reta AB representa o crescimento do (logaritmo) do produto real () ao longo do tempo. A inclinação da reta AB, mede a taxa de crescimento da capacidade produtiva.

O produto real é decomposto em 2 componentes:

  1. Tendencial (produto potencial - )

  2. Cíclico (Yc)

Assim podemos afirmar que:

O componente cíclico (Yc) também é chamado de hiato do produto (Ht), fazendo apenas uma operação algébrica na equação acima, verificamos que o hiato do produto é a diferença entre produto efetivo ou real e o produto potencial.

Ht = Y -

  • Se o hiato do produto é negativo, isto significa que o produto real é menor que o potencial, ou seja há nesta economia desemprego de fatores de produção (capital e/ou trabalho).

  • Se o hiato do produto é positivo, então o produto real é maior que o produto potencial, havendo com isto superemprego.

Campos de Estudo

Teoria do Crescimento Econômico  estuda o crescimento do produto potencial1 no longo prazo.

Teorias do Ciclo  estuda as flutuações econômicas no curto prazo.

Tecnologia e Função de Produção

A tecnologia nos diz quanto de produto pode ser produzido com cada quantidade de insumo. Um modo simples de expressar a tecnologia vigente em uma economia é através da função de produção agregada.

Y = F(K, L) (1)

Onde: Y = produto agregado

K = capital agregado

L = força de trabalho.

2. Introdução ao Estudo das Flutuações Econômicas

2.1. Demanda Agregada

Texto: Cap. 5 Manual da USP.

Definição: A curva de demanda agregada mostra as combinações do nível de preços e produção aos quais os mercados de bens e monetários estão em equilíbrio

Derivação da Curva DA

No gráfico (a) temos a curva IS1 e LM1 inicial descrita por um estoque real de moeda (M0/P0). O equilíbrio ocorre no ponto E0, ao nível de renda Y0. No gráfico (b) temos o nível de preços P0 e o nível de renda Y0. Em um nível mais baixo de preços P1, o estoque real de moeda é (M0/P1), e portanto a curva LM1, desloca-se para a direita (LM2), agora a renda de equilíbrio é Y2 e o ponto de equilíbrio será E2, conectando os dois pontos de equilíbrio no gráfico (b), derivamos a curva de demanda agregada, DA. Esta curva mostra o nível de equilíbrio dos gastos a cada nível de preços, dado o estoque nominal de moeda e a política fiscal.

Equação da Demanda Agregada derivada do Modelo IS–LM

onde:

– representa o gasto autônomo

– é o multiplicador da política fiscal

– é o multiplicador da política monetária

M – é a base monetária ou oferta nominal de meios de pagamentos

Podemos fazer alguns arranjos algébricos na equação acima para obtermos a expressão para P, que será:

Analisando esta equação podemos perceber que esta equação é não linear (assumiremos que é linear nos desenhos gráficos por comodidade), pela equação percebemos que um aumento dos gastos autônomos afeta a inclinação da curva de demanda agregada, deslocando-a para a direita. Efeito semelhante é obtido no caso de uma expansão monetária.

A inclinação da curva é negativa e definida pela equação abaixo:

Inclinação da Curva DA:

Como a derivada segunda é , sendo positiva esta curva é convexa.

2.2. Oferta Agregada

Textos: Caps. 8 e 12 do Mankiw/ Cap. 7 Manual da USP

2.2.1. Oferta Agregada Clássica

O modelo clássico de oferta agregada faz os seguintes pressupostos:

  1. Mercado de trabalho está sempre em equilíbrio

  2. Preços e salários são flexíveis

  3. A função de produção agregada exibe retornos decrescentes para os insumos capital e trabalho (ou seja, fKK  0 e fLL  02).

  4. No curto prazo o modelo considera como fixo os níveis de capital

  • O modelo clássico é utilizado para descrever o comportamento da economia no longo prazo, como podemos perceber pela função de produção (equação 1), o produto não depende de variações nos níveis dos preços. Assim a curva de oferta agregada é vertical.

  • Produto potencial: é o nível de produto obtido se todos os trabalhadores que quisessem trabalhar conseguissem emprego; por isto também é chamado de produto de pleno emprego.

  • Os trabalhadores aumentam a oferta de trabalho se ocorre aumento no salário real.

  • A hipótese de retornos decrescentes para os insumos, implica que à medida que aumentamos o número de emprego na economia (L), o produto aumenta, porém a taxas decrescentes, isto implica que à medida que o emprego aumenta cai a produtividade marginal do trabalho, as empresas deste modo estarão dispostas a contratar mão-de-obra até o ponto onde a PMgL iguala o salário real (W/P).

Resumindo

(curva negativamente inclinada)

(curva positivamente inclinada)

ou seja, quanto maior for o salário real (W/P) menor será a demanda por trabalho (Ld ) e maior será a oferta de trabalho (LS)

  • Suponha no gráfico acima que haja uma contração da oferta de moeda no longo prazo, assim como sabemos pelo modelo IS-LM, esta redução irá provocar reduções na demanda agregada (curva se desloca para baixo), porém no longo prazo, como o produto é afetado apenas pelas quantidades de capital, trabalho e tecnologia, este deslocamento da demanda agregada irá provocar apenas queda no nível de preços.

  • A curva de oferta agregada vertical atende à dicotomia clássica, pois implica que o produto independe da demanda agregada, e portanto da oferta de moeda. A base desta conclusão está na hipótese de que os agentes são racionais, assim a decisão sobre o quanto ofertar segue o princípio de otimização da produção.

  • Como podemos perceber no gráfico acima a demanda agregada para os economistas clássicos e neoclássicos o nível de demanda agregada é irrelevante pois deslocamentos de demanda provocam apenas variações nos níveis de preços.

Questão: Porque preços caem?

Resposta: Os preços caem porque a redução na demanda agregada irá provocar no curto prazo, queda na produção e no emprego, isto porque a curva de demanda por trabalho se desloca para baixo, o desemprego prolongado irá pressionar os trabalhadores para aceitarem salários mais baixos, este fato implica uma redução nos custos das empresas, e consequentemente transferência desta redução para os preços, assim aumenta-se no longo prazo a demanda, e a oferta retorna ao nível anterior, ou seja a economia desvia-se apenas momentaneamente do pleno emprego.

Nota: No caso de deslocamento para cima da curva de demanda agregada (um aumento de demanda), os preços irão subir, pois como a economia está em pleno-emprego, as empresas não podem aumentar a oferta sem serem obrigadas a pagar maiores salários aos trabalhadores, assim esta pressão por parte da demanda irá se traduzir em aumentos nos níveis de preços (via aumento dos custos). Olhando para o gráfico c, um aumento da demanda irá deslocar a curva de demanda por trabalho para cima, os trabalhadores somente aceitarão ofertar uma quantidade maior de trabalho se o salário subir.

Conclusões

  • Para os economistas clássicos, o pleno emprego é garantido pelo equilíbrio no mercado de trabalho, e este equilíbrio somente é possível com as hipóteses de flexibilidade de preços e salários.

  • O produto potencial não é função dos preços; o crescimento do produto somente pode ser obtido se houver a ocorrência de um ou mais dos seguintes fatores: progresso técnico, aumento na quantidade de capital, aumento na produtividade do trabalho.

2.2.2. Curva de Oferta Keynesiana (Caso extremo)

(Parte 1 de 10)

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