Processo de Produção

Processo de Produção

Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC

Curso Técnico de Segurança do Trabalho

Instrutor: José Fernando Alvares Rodrigues Disciplina: Princípios de Tecnologia Industrial

PROCESSO DE PRODUÇÃO

Instrutor: José Fernando Alvares Rodrigues

Abril – 2009

Belém - PA

1. O PROCESSO DE PRODUÇÃOQuando vamos a um supermercado e compramos gêneros alimentícios, bebidas, calçados, material de limpeza, etc., estamos adquirindo bens. Da mesma forma, quando pagamos à passagem do ônibus ou uma consulta medica, estamos pagando um serviço. Ao viverem em sociedade, as pessoas participam diretamente da produção, da distribuição e do consumo de bens e serviços, ou seja, participam da vida econômica da sociedade. Assim, o conjunto de indivíduos que participam da vida econômica de uma nação é o conjunto de indivíduos que participam da produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Ex: operários quando trabalham estão ajudando a produzir, quando, com o salário que recebem, compram algo, estão participando da distribuição, pois estão comprando bens e consumo. E quando consomem os bens e os serviços que adquiriram, estão participando da atividade econômica de consumo de bens e serviços.

1.1- PRODUÇÃO – é a transformação da natureza da qual resulta bens de consumo que vão satisfazer as necessidades do homem. Portanto, produzir é dar uma nova combinação aos elementos da natureza.

1.2- FORÇA DE TRABALHO – é a energia física e mental gasta durante o processo de trabalho. Resumindo, o processo de produção compõe-se de três elementos associados: trabalho, matéria-prima, e instrumentos de produção. Vamos analisá-lo mais detidamente. 1.3- TRABALHO: É a atividade realizada pela pessoa que, utilizando os instrumentos de produção, transforma a matéria-prima num bem. De acordo com a execução, o trabalho pode ser classificado como: 1.4- TRABALHO QUALIFICADO: não pode ser classificado sem certo grau de aprendizagem; o trabalho de um torneiro mecânico, por exemplo, enquadra-se nesta categoria. Trabalho não qualificado: pode ser feito praticamente sem aprendizagem; como por exemplo, temos o trabalho de servente de pedreiro. Obs.: Tanto a atividade manual (operário) como a atividade intelectual (desenhista) são trabalhos, desde que tenham como resultado a obtenção de bens e serviços. 1.5- MATÉRIA-PRIMA: Os objetos que, no processo de produção, são transformados para constituírem o bem final são chamados de matéria-prima. Ex: as matérias primas de uma costureira é o tecido, a linha, os botões, os colchetes. Todos estes elementos passam a constituir a roupa, se uma maneira ou de outra; se faltar uma destas matérias primas, a costureira não poderá produzir o vestido. Antes de serem matérias-primas, esses elementos encontram-se na natureza em forma de recursos naturais. Recursos naturais: são os elementos da natureza acessíveis e que podem ser incorporados à atividade econômica do homem.

1.6- INSTRUMENTOS DE PRODUÇÃO: Todas as coisas que direta ou indiretamente nos permite transformar a matéria-prima num bem final são chamados instrumentos de produção. Ex: no caso da costureira, os instrumentos de produção é a tesoura, a agulha e a máquina de costura. 1.7- MEIOS DE PRODUÇÃO: Como vimos, sem matéria-prima e sem instrumentos de produção não se pode produzir nada. Eles são os meios materiais para realizar qualquer tipo de trabalho. Por isso, são chamados meios de produção.

PROCESSO PRODUTIVO MEIOS DE PRODUÇÃO MATÉRIA-PRIMA INSTRUMENTOS DE PRODUÇÃO TRABALHO Ao conjunto dos meios de produção mais o trabalho humano, damos o nome de forças produtivas. FORÇAS PRODUTIVAS = MEIOS DE PRODUÇÃO + HOMENS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO Para produzir os bens de consumo e de serviço de que necessitamos, os homens estabelecem relações uns entre os outros. As relações que se estabelecem entre os homens na produção, na troca e na distribuição dos bens são as relações de produção.

2. MODOS DE PRODUÇÃO O modo de produção é a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e os distribui. O modo de produção de uma sociedade é formado por suas forças produtivas e pelas relações de produção existentes nessa sociedade.

MODO DE PRODUÇÃO = FORÇAS PRODUTIVAS + RELAÇÕES DE PRODUÇÃO Portanto, o conceito de modo de produção resume claramente o fato de as relações de produção ser o centro organizador de todos os aspectos da sociedade. 2.1- MODO DE PRODUÇÃO PRIMITIVO: O modo de produção primitiva designa uma formação econômica e social que abrange um período muito longo, desde o aparecimento da sociedade humana. A comunidade primitiva existiu durante centenas de milhares de anos, enquanto o período compreendido pelo escravismo, pelo feudalismo e pelo capitalismo mal ultrapassa cinco milênios. Na comunidade primitiva os homens trabalhavam em conjunto. Os meios de produção e os frutos do trabalho eram propriedades coletivas, ou seja, de todos. Não existia ainda a idéia da propriedade privada dos meios de produção, nem havia a oposição proprietários x não proprietários. As relações de produção eram relações de amizade e ajuda entre todos; elas eram baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção, a terra em primeiro lugar. Também não existia o estado. Este só passou a existir quando alguns homens começaram a dominar outros. O estado surgiu como instrumento de organização social e de dominação. 2.2- MODO DE PRODUÇÃO ESCRAVISTA: Na sociedade escravista os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos eram propriedade do senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto, assim como um animal ou uma ferramenta. Assim, no modo de produção escravista, as relações de produção eram relações de domínio e de sujeição: senhores x escravos. Um pequeno número de senhores exploravam a massa de escravos, que não tinham nenhum direito. Os senhores eram proprietários da força de trabalho (os escravos), dos meios de produção (terras, gado, minas, instrumentos de produção) e do produto de trabalho. 2.3- MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO: O modo de produção asiático predominou no Egito, na China, na Índia e também na África do século passado. Tomando como exemplo o Egito, no tempo dos faraós, vamos notar que a parte produtiva da sociedade era composta pelos escravos, que era forçado, e pelos camponeses, que também eram forçados a entregar ao Estado o que produziam. A parcela maior prejudicando cada vez mais o meio de produção asiático.

Fatores que determinaram o fim do modo de produção asiático:

• A propriedade de terra pelos nobres; • O alto custo de manutenção dos setores improdutivos; • A rebelião dos escravos.

2.4- MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL: A sociedade feudal era constituída pelos senhores x servos. Os servos não eram escravos de seus senhores, pois não era propriedade deles. Eles apenas os serviam em troca de casa e comida. Trabalhavam um pouco para o seu senhor e outro pouco para eles mesmos. Num determinado momento, as relações feudais começaram a dificultar o desenvolvimento das forças produtivas. Como a exploração sobre os servos no campo aumentava, o rendimento da agricultura era cada vez mais baixo. Na cidade, o crescimento da produtividade dos artesãos era freado pelos regulamentos existentes e o próprio crescimento das cidades era impedido pela ordem feudal. Já começava a aparecer às relações capitalistas de produção.

2.5- MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA: O que caracteriza o modo de produção capitalista são as relações assalariadas de produção (trabalho assalariado). As relações de produção capitalistas baseiam-se na propriedade privada dos meios de produção pela burguesia, que substituiu a propriedade feudal, e no trabalho assalariado, que substituiu o trabalho servil do feudalismo. O capitalismo é movido por lucros, portanto temos duas classes sociais: a burguesia e os trabalhadores assalariados.

O CAPITALISMO COMPREENDE QUATRO ETAPAS:

2.6- PRÉ-CAPITALISMO: o modo de produção feudal ainda predomina, mas já se desenvolvem relações capitalistas.

2.7- CAPITALISMO COMERCIAL: a maior parte dos lucros concentra-se nas mãos dos comerciantes, que constituem a camada hegemônica da sociedade; o trabalho assalariado torna-se mais comum.

2.8- CAPITALISMO INDUSTRIAL: com a revolução industrial, o capital passa a ser investido basicamente nas indústrias, que se torna a atividade econômica mais importante; o trabalho assalariado firma-se definitivamente.

2.9- CAPITALISMO FINANCEIRO: os bancos e outras instituições financeiras passam a controlar as demais atividades econômicas, através de financiamentos à agricultura, a indústria, à pecuária, e ao comercio. 2.10- MODO DE PRODUÇÃO SOCIALISTA: A base econômica do socialismo é a propriedade social dos meios de produção, isto é, os meios de produção são públicos ou coletivos, não existindo empresas privadas. A finalidade da sociedade socialista é a satisfação completa das necessidades materiais e culturais da população: emprego, habitação, educação, saúde. Nela não há separação entre proprietário do capital (patrão) e proprietários da força do trabalho (empregados). Isto não quer dizer que não haja diferenças sociais entre as pessoas, bem como salários desiguais em função de o trabalho ser manual ou intelectual.

ALGUNS EXEMPLOS DE PROCESSOS DE PRODUÇÃO EM EMPRESAS

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO IOGURTE

O processo de fabricação do iogurte envolve muita tecnologia e ingredientes de qualidade. Estudos da bioquímica do leite chegaram ao processamento desse produto. A produção do iogurte tem início na seleção das matérias primas, como o Leite, Leite em pó e açúcar, que são de alta qualidade. Após esta fase o processamento, que é dividido em várias etapas, começa:

1- MISTURA

Padronização de leite no teor de gordura desejável e adição de todos os ingredientes ao leite, em um tanque herméticos, que não permite a entrada de qualquer corpo estranho e/ou bactérias indesejáveis. Misturam-se, em diferentes tanques, iogurtes Lights (0% de gordura e sem adição de açúcar) e iogurtes com gordura (cremosos ou líquidos).

2- HOMOGENEIZAÇÃO

A mistura dos produtos com Gordura passa por um equipamento chamado Homogeneizador o qual trabalha a alta pressão, sendo assim homogeneizada com o objetivo de reduzir o tamanho dos glóbulos de gordura e obter no, produto acabado, uma consistência lisa e cremosa.

3- PASTEURIZAÇÃO

Um equipamento chamado de pasteurizador, aquece toda a mistura do iogurte a uma temperatura suficiente para eliminar todas as bactérias indesejáveis que possam estar presentes na mistura.

4- FERMENTAÇÃO

A lactose (o açúcar do leite) é transformada em ácido láctico que será o agente da coagulação do leite. São usadas duas bactérias para a transformação da Lactose em ácido lático: Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus . A fermentação ocorre a uma temperatura de 42 a 43ºC durante aproximadamente 4 horas. Neste tempo, a formação de acidez e aroma é monitorada.

5- RESFRIAMENTO

Quando o produto atinge a acidez desejada ele é resfriado e enviado a outro tanque hermético tomando-se todo cuidado para que nenhuma das características até então obtidas sejam perdidas.

6- ADIÇÃO DE BASE FRUTAS

O produto recebe a polpa de frutas ou pedaços de frutas de acordo com suas características.

7- EMBALAGEM

O iogurte é embalado em máquinas de alta tecnologia sem nenhum contato manual, mantendo-se assim toda a sua qualidade e frescor.

8- CONSERVAÇÃO

A temperatura ideal para conservação do iogurte varia de 1 a 10ºC e seu tempo de validade é de 35 dias.

Todas as etapas de fabricação são acompanhadas cuidadosamente pelos técnicos do Controle de Qualidade e os produtos finalizados só serão liberados para o Consumidor após sua aprovação.

PROCESSO DE PRODUÇÃO DA CELULOSE (JARI)

O processo de obtenção da celulose é iniciado com o descascamento e lavagem de toras de eucalipto selecionadas para posterior picagem. Com isto são produzidos cavacos de dimensões uniformes que são encaminhados ao cozimento, após um processo de peneiramento.

Este é conhecido como processo Kraft, pois produz polpas de alta resistência. É obtido através da adição de hidróxido de sódio e sulfato de sódio aos cavacos, em vasos pressurizados e em alta temperatura. Esta etapa do processo industrial é de extrema importância, pois as fibras da celulose são liberadas umas das outras através da lenta dissolução da lignina, composto orgânico valioso e rico que possui poder calorífico semelhante ao petróleo.

Este poder calorífico é totalmente reaproveitado no sistema, gerando energia necessária à condução do processo produtivo através de sua queima em caldeira de recuperação. Compostos químicos oriundos desta queima são totalmente recuperados, balanceando a fábrica e evitando perdas de produtos químicos, fechando o sistema e permitindo sua alta eficiência.

A polpa marrom oriunda do cozimento é então depurada e encaminhada a Pré-Deslignificação com Oxigênio, tecnologia moderna que permite a redução no consumo de produtos químicos na etapa posterior, o branqueamento, com significativa redução de carga orgânica aos efluentes gerados na fábrica.

Todo branqueamento é então realizado com baixas quantidades de produtos químicos, e livre de Cloro molecular, processo conhecido como ECF (Elemental Chlorine Free).

Após o branqueamento a polpa é desaguada mantendo-se no máximo 10% de umidade na celulose. Esta é cortada em folhas de dimensões de 720mm por 840mm, embalada em fardos de 250kg cada, cintados por arames de aço. Esses fardos, por sua vez, são unidos em grupos de oito, formando uma unidade com duas toneladas. Cada unidade tem as dimensões de 1,83m de altura, por 0,83m de largura e 1,46m de comprimento.

Os fardos de celulose prontos para embarque são estocados em armazém da empresa, com capacidade para 25.000 toneladas.

Todo o processo de fabricação de celulose é acompanhado por um rigoroso Controle de Qualidade e Processo, realizado por um Laboratório Central, com o apoio de laboratórios nas áreas operacionais.

A incorporação de novos recursos tecnológicos viabiliza a redução dos custos de produção e o aumento da produtividade e da qualidade dos produtos oferecidos ao mercado.

PROCESSO DE PRODUÇÃO DA CACHAÇA

O processo de produção da cachaça artesanal é custoso e cheio de detalhes. Apesar de feita exclusivamente do caldo de cana, sem a adição de produtos químicos, cada cachaça carrega características de seu produtor. Cada um tem seu segredo, garantem os produtores. Os detalhes especiais estão espalhados por todo o processo, desde a escolha do tipo de cana, passando pela época certa da colheita, o tempo de moagem, os ingredientes e o tempo de fermentação, a forma de destilação e os tonéis para o envelhecimento, até o engarrafamento.

1- A CANA

É a matéria prima para a fabricação da cachaça. São cinco as espécies mais utilizadas por várias razões incluindo-se aí o teor de açúcar e a facilidade de fermentação do caldo. Várias universidades e algumas instituições do estado têm investido constantemente na pesquisa da cana de açúcar, tendo obtido resultados positivos em mais de dez variedades, com períodos de maturação diferentes, que permitem estender o tempo da safra. A cana usada na produção do destilado artesanal é colhida manualmente e não é queimada, prática que precipita sua deterioração.

2- MOAGEM

Depois de cortada, a cana madura, fresca e limpa deve ser moída num prazo máximo de 36 horas. As moendas separam o caldo do bagaço, que será usado para aquecer as fornalhas do alambique. O caldo da cana é decantado e filtrado para, em seguida, ser preparado com a adição de nutrientes e levado às dornas de fermentação. Algumas moendas são movidas por

motor elétrico, outras por rodas d'água, e têm a função de espremerem a cana, para dela extraírem o suco.

3- FERMENTAÇÃO

Como cada tipo de cana apresenta teor de açúcar variado, é preciso padronizar o caldo para depois adicionar substâncias nutritivas que mantenham a vida do fermento. Como a cachaça artesanal não permite o uso de aditivos químicos, a água potável, o fubá de milho e o farelo de arroz são os ingredientes que se associam ao caldo da cana para transformá-lo em vinho com graduação alcoólica, através da ação das leveduras (agentes fermentadores naturais que estão no ar). A sala de fermentação precisa ser arejada e manter a temperatura ambiente em 25°. As dornas onde a mistura fica por cerca de 24 horas, podem ser de madeira, aço inox, plástico ou cimento.

4- DESTILAÇÃO

O vinho de cana produzido pela levedura durante a fermentação é rico em componentes nocivos à saúde, como aldeídos, ácidos, bagaços e bactérias, mas possui baixa concentração alcoólica. Como a concentração fixada por lei é de 38 a 54 GL, é preciso destilar o vinho para elevar o teor de álcool. O processo é fazer ferver o vinho dentro de um alambique de cobre, produzindo vapores que são condensados por resfriamento e apresentam assim grande quantidade de álcool etílico. Os primeiros 10% de líquido que saem da bica do alambique (cabeça) e os últimos 10% (cauda) devem ser separados, eliminados ou reciclados, por causa das toxinas.

5- ENVELHECIMENTO

Constituindo-se no processo que aprimora a qualidade de sabor e aroma das bebidas, o envelhecimento é a etapa final da elaboração da cachaça artesanal. A estocagem é feita, preferencialmente, em barris de madeira, onde ainda acontecem reações químicas. Existem madeiras neutras, como o jequitibá e o amendoim, que não alteram a cor da cachaça. As que conferem ao destilado um tom amarelado e mudam seu aroma são o carvalho, a umburana, o cedro e o bálsamo entre outras. Cada uma dá um toque especial, deixando a cachaça mais ou menos suave, adocicada e/ou perfumada, dependendo do tempo de envelhecimento.

FONTES DE CONSULTAS:

Fonte: http://monografias.brasilescola.com/sociologia/processos-producao

Fonte: http://www.danone.com.br/estudantes.php?mostra=2

Fonte: http://www.jari.com.br/web/pt/operacoes/processoproducao.htm

Fonte: http://www.desvendar.com/especiais/cachaca/produ_cach.asp

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Instrutor: José Fernando Alvares Rodrigues – Engº Eletricista / Engº de Segurança do Trabalho

Celular: 8839-5049 / 9942-0115 - Belém – PA - E-mail: jofernandoar@yahoo.com.br

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